Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 15 de junho de 2026

China - Pode apoiar o desenvolvimento da inteligência artificial nos países lusófonos

A China pode ajudar os países de língua portuguesa no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), uma oportunidade para países em desenvolvimento, partilhando conhecimento de como integrar energia, redes eléctricas e capacidade de computação, defendeu a investigadora Dong Ting, do Centro de Segurança Internacional e Estratégia da Universidade Tsinghua de Pequim.


“Nos últimos anos quando se fala em IA, chips, algoritmos, muitos pensam nos EUA como líder, mas enfrentam limitações na coordenação da rede eléctrica, fragmentada entre centenas de operadores. O futuro da IA depende também da capacidade de planeamento e coordenação”, disse Dong Ting, na sexta-feira.

Segundo a investigadora chinesa, nos EUA a construção de uma linha de transmissão de energia entre estados “pode demorar mais de uma década”, um “gargalo para o desenvolvimento da IA”. “A China conseguiu superar a escassez energética das décadas de 1990 com redes de transmissão de ultra-alta voltagem e planeamento integrado”, sublinhou.

No caso dos países lusófonos, Ting considerou que a integração entre energia verde, capacidade de computação e redes de dados será decisiva.

“O Brasil já está num nível avançado, Cabo Verde mostra inovação em micro redes, Angola investe em cabos submarinos, e Guiné-Bissau precisa de infra-estruturas básicas. Cada país terá um caminho próprio, mas todos podem beneficiar de modelos de cooperação adaptados”, disse.

Ting fez os comentários durante um painel com representantes governamentais do Brasil, Timor-Leste e Guiné-Bissau, realizado durante o 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estruturas (17º IIICF), organizado em Macau.

Segundo a investigadora, essa experiência pode ser replicada em países em desenvolvimento, incluindo os lusófonos. “A IA pode ser uma oportunidade de fazer o salto tecnológico para o mundo em desenvolvimento”, afirmou.

Entre os exemplos citados, Dong Ting destacou o projeto hidroeléctrico de Belo Monte, no norte do estado Pará no Brasil, onde a empresa estatal chinesa de energia China State Grid, a maior empresa de transmissão e distribuição de energia elétrica do mundo, construiu duas linhas de transmissão de ultra-alta voltagem com “forte recurso a mão-de-obra local”.

“Os nossos amigos brasileiros sabem que 80% da electricidade do país provém de energias renováveis, sobretudo hídrica. Isso é muito positivo, porque todos procuram electricidade verde para alimentar centros de dados”, disse.

Outro caso mencionado foi Cabo Verde, que apesar de não ter petróleo, integrou energia eólica, armazenamento e redes inteligentes. “Micro-redes podem garantir fornecimento estável a hospitais, escolas ou pequenas cidades”, explicou.

Em Angola, Dong Ting recordou a construção do cabo transatlântico ligando África e América do Sul, que reduziu custos de transmissão de dados ao evitar a passagem por Miami. “Se um país tem capacidade de construir, operar e utilizar infra-estruturas, é competitivo”, afirmou.

Já na Guiné-Bissau, a investigadora apontou carências básicas: “Ainda precisa de electricidade, estradas, habitação e planeamento urbano. O modelo de cooperação deve ser adaptado a cada realidade.”

Dong Ting concluiu que a cooperação China e Países de Língua Portuguesa não terá “um modelo único”, mas sim soluções personalizadas.

“Projectos de geração de energia, redes eléctricas, capacidade de computação e centros de dados deixam de ser isolados e tornam-se partes de um mesmo sistema. Isso exige planeamento integrado e de longo prazo”, afirmou. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”




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