Entre os cerca de 60 artistas e cozinheiros lusófonos da 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, Portugal vai estar representado pela voz de Marta Miranda e pelos pratos do chef Luís Américo. Segundo Ji Xianzheng, secretário-geral do Fórum de Macau, serão expostas 158 peças de artesanato lusófono nas três cidades participantes
A música Marta Miranda e o chef Luís
Américo vão representar Portugal na 18.ª edição da Semana Cultural da China e
dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Secretariado Permanente do
Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de
Língua Portuguesa, segundo anunciou Danilo Afonso Henriques, secretário-geral
adjunto do Fórum de Macau, em conferência de imprensa. Co-realizado na RAEM, em
Pequim e na cidade de Xining da Província de Qinghai, o evento terá cerca de 60
artistas e cozinheiros lusófonos, segundo Ji Xianzheng, secretário-geral do
Fórum Macau.
Para além de Marta Miranda, a vocalista portuguesa do
conjunto “OqueStrada”, os artistas de música e dança convidados incluem Az
Khinera de Moçambique, a banda Vungo Téla, de São Tomé e Príncipe, os “New
Arquiris” de Timor-Leste, a cabo-verdiana Elly Paris, “Patche-Di-Rima” e
“Anderking Skididi” da Guiné-Bissau e o rapper “Fristong Boy” da Guiné
Equatorial. O Brasil será representado pelos músicos José de Holanda, Maurício
Tizumba e Sérgio Pererê.
As actuações em Macau terão lugar no Largo do Senado, no
dia 30 deste mês e a 1 de Julho. Os espectáculos em Qinghai acontecerão a 4 e 5
de Julho, enquanto Pequim acolherá os concertos nos dias 9 e 10 do próximo mês.
Na gastronomia, as chefs Marina de Senna Fernandes,
descendente de uma família macaense, e a timorense Carlota Freitas também
participarão nas mostras culinárias, juntamente com o português Luís Américo.
Por outro lado, Angola não terá artistas ou cozinheiros a
representar o país africano, lamentou Ji Xianzheng. A “decisão difícil” teve
por base as orientações de prevenção sanitária dos Serviços de Saúde,
justificou o secretário-geral, devido ao surto de Ébola na República
Democrática do Congo, país que faz fronteira com Angola. “Colocámos a
segurança, a saúde e a prevenção de riscos em primeiro lugar”, explicou.
Além dos espectáculos e da gastronomia, será inaugurada,
no dia 29 deste mês, uma exposição de artesanato com 158 peças, na Galeria do
Instituto para os Assuntos Municipais. O público poderá visitar a mostra da
curadora Chan Chang entre as 10h00 e as 20h00 do dia 30 de Junho a 5 de Julho.
Os trabalhos artísticos em exposição incluirão diferentes
formas de artesanato tradicional dos países lusófonos, como as máscaras “fang”
da Guiné Equatorial, as tradicionais peças de madeira de Angola, o instrumento
“balafon” da Guiné-Bissau ou as esculturas em pedra vulcânica de Cabo Verde,
entre outras.
Face à Semana Cultural de 2025, a principal diferença da
edição deste ano prende-se com o facto de se realizar na Província de Qinghai,
explicou Ji Xianzheng à margem da conferência de imprensa. “Vamos entrar numa
região muito especial da China, situada no oeste”, disse. “É um lugar pouco
frequentado por estrangeiros, muito menos pelos de países de língua
portuguesa”, continuou. “Será também um dos eventos mais internacionalizados
nos últimos anos nesta região”, destacou.
Durante a apresentação, Ji explicou que o tema deste ano
“sublinha a importância do intercâmbio e a aprendizagem mútua entre diferentes
culturas e civilizações”. “Os preparativos envolvem dez países e onze partes,
muitas entidades e instituições, com um longo ciclo de planeamento e uma grande
dificuldade de coordenação”, observou.
Ji Xianzheng justificou a escolha de Qinghai pelo facto
de, no ano passado, ter sido assinado um acordo de cooperação entre o governo
da província chinesa e a RAEM. Além disso, as autoridades de Qinghai
manifestaram “muito interesse e apoio” e estabeleceram contacto “mais cedo”. Pedro
Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”
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