A funcionar desde o dia 8 de junho, a iniciativa surge como um instrumento para reforçar a investigação, modernizar o acesso ao conhecimento e aproximar o ensino superior angolano dos padrões internacionais. O sucesso dependerá agora da adesão efectiva das instituições académicas
Instalada na Universidade Óscar Ribas
(UÓR). Trata-se de um instrumento de cooperação internacional destinado a
fortalecer a investigação científica, melhorar a circulação do conhecimento e
aumentar a qualidade do ensino superior no País.
A adesão de Angola ao programa UNITWIN/UNESCO, que
suporta a criação destas cátedras, começou ainda em 2019, quando o Ministério
do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI), em parceria com
instituições académicas nacionais e organismos internacionais, iniciou um
diagnóstico sobre o estado da ciência aberta no País. O trabalho culminou com a
aprovação da proposta angolana em 2021.
Desde então, o projecto passou por várias fases de
consolidação institucional. Entre 2022 e 2024 foram desenvolvidos os
instrumentos estruturantes da iniciativa, incluindo a Política Nacional de
Ciência Aberta, o Repositório Nacional de Acesso Aberto (RaNAA) e os mecanismos
de integração das bibliotecas virtuais universitárias.
O objectivo é criar uma infraestrutura nacional que
permita armazenar, partilhar e disseminar gratuitamente artigos científicos,
teses, estudos e outros conteúdos produzidos pelas instituições de ensino
superior e centros de investigação do País.
A lógica seguida pela UNESCO mostra que antes de
internacionalizar a produção científica, é necessário organizar e fortalecer o
ecossistema nacional de conhecimento. Por isso, a prioridade inicial passa pela
criação de uma rede nacional de ensino e investigação capaz de interligar
universidades, centros de pesquisa, revistas científicas e bibliotecas
digitais. Só depois estarão reunidas as condições para uma participação plena
nas grandes redes internacionais de investigação e nos repositórios científicos
globais.
Uma das questões que tem gerado alguma confusão pública é
a associação da Cátedra UNESCO ao projecto da futura Universidade Virtual de
Angola (UVA). Embora ambos utilizem ferramentas digitais, trata-se de
iniciativas completamente distintas.
A Universidade Virtual de Angola é um projecto de ensino
à distância que pretende disponibilizar cursos superiores através de
plataformas online e que continua dependente de enquadramento legal
próprio e de financiamento para a sua implementação. Já a Cátedra UNESCO de
Ciência Aberta não é uma universidade nem atribui graus académicos. A sua
função consiste em promover investigação, formação especializada, cooperação
científica, produção de conhecimento e articulação entre instituições nacionais
e internacionais.
Na prática, funcionará como uma plataforma de excelência
dedicada à organização de seminários, conferências, programas de capacitação,
cursos de curta duração, produção de estudos e apoio à formulação de políticas
públicas baseadas em evidência científica... Adriano Kayunduma – Angola in “Expansão”
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