De costas voltadas para o emergente mercado da África Central, com mais de 400 milhões de consumidores, o arquipélago são-tomense recebeu na última semana um novo impulso dado por empresários dos Camarões.
«Falamos da ligação marítima. Há um armador que poderá
colocar um barco à disposição para lançar oficialmente a ligação marítima entre
São Tomé e Príncipe e os Camarões. Acreditamos que esta ligação vai ajudar as
trocas comerciais entre os dois países», declaração de Etienne Desiré, chefe da
delegação empresarial camaronesa.
Até à década de 90 do século XX o porto da cidade de
Douala no vizinho Camarões era muito frequentado pelos comerciantes de São Tomé
e Príncipe. As trocas comerciais entre os países vizinhos eram asseguradas
pelos navios Pagué e Elizabete, ambos propriedade do Estado são-tomense.
A II República que nasceu em 1991 fez desaparecer os dois
navios, e cortou as trocas comerciais com os países vizinhos. A actividade
comercial do passado, com o continente africano contribuiu bastante para a
balança de pagamentos de São Tomé e Príncipe.
«Em parceria com o nosso cônsul honorário nos Camarões e
mais a Agência de Promoção de Comércio e Investimentos (APCI) realizou-se um
fórum de investimentos nos Camarões, que recomendou a visita de prospecção do
mercado nacional, pelos dos empresários camaroneses», afirmou Gika Simão, o
director de Planeamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
A delegação empresarial camaronesa foi informada sobre os
benefícios fiscais que o país oferece aos investidores africanos, e foram
identificadas algumas áreas de investimento. «A parceria está em curso, esta é
uma fase, e alegra-nos constatar que os resultados começam a aparecer»,
acrescentou o director do planeamento do ministério dos negócios estrangeiros.
À luz do Fórum de Investimentos que o governo realizou na
capital da União Europeia, Bruxelas, os empresários camaroneses pretendem
seguir algumas pistas abertas por São Tomé e Príncipe em Bruxelas.
«Eles também podem optar por financiar um dos projectos.
Passos estão a ser dados para que a breve trecho possamos ter aqui em São Tomé
e Príncipe investidores camaroneses», assegurou Gika Simão.
Por sua vez, o chefe da delegação empresarial dos
Camarões garantiu que a abertura da ligação marítima entre os dois países vai
estimular o investimento privado do seu país em várias áreas de actividade
económica do arquipélago do golfo da Guiné.
Note-se que o capital camaronês está presente no mercado
financeiro de São Tomé e Príncipe através do Banco privado Afriland First Bank,
e da seguradora SAAR. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”
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