O ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, anunciou que o modelo de linguagem de Inteligência Artificial (IA) em português Amália será apresentado “este mês”.
“É um projecto com dois anos [e representa] um
investimento de mais de 5 milhões de euros por parte do Estado português, com
apoio do PRR. O projecto vai ser apresentado até ao final do mês e tem tido
resultados muito positivos”, indicou o governante em declarações à Lusa em
Macau.
O representante português esteve presente em Macau na
inauguração do 35.º Encontro da Associação das Universidades de Língua
Portuguesa (AULP), que junta 36 reitores e presidentes de instituições de
ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP).
O Amália – Assistente Multimodal Automático de Linguagem
com Inteligência Artificial faz parte da Agenda Nacional de IA, e foi
desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa,
Instituto Superior Técnico, Universidade de Coimbra, Universidade do Porto,
Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Segundo o ministro, o objectivo do projecto era oferecer
“maior rigor em toda a dimensão da língua e cultura portuguesa”, com a ambição
de ser “usado e melhorado por todos os países da lusofonia”.
“É o objectivo mais ambicioso, ter um modelo de linguagem
em grande escala em língua portuguesa, que preserva especificidades
linguísticas, aspectos culturais e contextuais do português de Portugal e das
suas variantes, algo que os modelos de IA em língua inglesa ou chinesa muitas
vezes não têm, por não terem acesso aos mesmos dados”, apontou Alexandre.
Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o
modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado
para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo,
para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto
português”.
O processo de criação do Amália começou com a recolha e
processamento de dados em português europeu em larga escala, os quais foram
filtrados com base na sua relevância e qualidade linguística, e com
conhecimento recolhido até 2023.
Uma versão de teste do primeiro modelo de linguagem
português foi concluída na primeira metade de 2025, e a versão final será agora
apresentada este mês.
“O Amália será um modelo aberto e gostaríamos de o
promover em todo o espaço lusófono, bem como envolver outras instituições no
seu aperfeiçoamento”, destacou o ministro.
Para levar a cabo o treino dos modelos, foi utilizada
infra-estrutura computacional em grande escala, através de supercomputadores
ibéricos, como o espanhol Mare Nostrum 5, o português Deucalion, e europeus,
através da rede EuroHPC.
Segundo um relatório técnico da equipa de investigação e
desenvolvimento a que Lusa teve acesso, o modelo teve o melhor desempenho em
português europeu face a outros modelos de linguagem IA.
A Agenda Nacional de Inteligência Artificial aprovada
pelo Governo português este ano terá um investimento acima dos 400 milhões de
euros até 2030, maioritariamente com fundos euros. In “Jornal
Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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