Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Europa - Azulejos portugueses feitos com ostra brilham na Nova Bauhaus Europeia

Azulejos feitos por dois arquitetos suíços a partir de conchas de ostras apanhadas em Portugal são um dos projetos portugueses em destaque no Festival da Nova Bauhaus Europeia, num projeto coordenado pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa


“A ideia era imaginar o que poderia ser um azulejo português em 2026, uma época em que a sustentabilidade faz parte do desenvolvimento de Portugal e, por isso, quisemos criar um biomaterial, um azulejo sustentável, num material não extrativo e sem recurso intensivo a energia”, disse à agência Lusa o arquiteto Jeremy Morris, que trocou a Suíça por Portugal, onde juntamente com Lucas Carlisle criou um novo produto: azulejos feitos de cascas de ostras.

“O que fazemos é pegar em conchas usadas de restaurantes ou produtores locais, esmagá-las e transformá-las em pó, ligá-las com extrato de algas, que é um sequestrador de carbono, e depois secar o material ao ar”, referiu.

O material foi precisamente um dos projetos a merecer o interesse da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante uma visita à feira onde cerca de 80 expositores de todos os Estados-Membros mostram projetos desenvolvidos no âmbito da Nova Bahaus Europeia, movimento que promove a investigação se soluções mais sustentáveis.

Os azulejos portugueses são apenas um dos resultados de um projeto mais amplo, desenvolvido pelo consórcio Bauhaus of the Seas Sails, coordenado pelo Instituto de Tecnologias Interativas do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, e que envolve 18 parceiros académicos de sete cidades da Europa: Oeiras e Lisboa (Portugal), Veneza e Génova (Itália), Hamburgo (Alemanha) Malmo (Suécia) e Roterdão e o delta dos rios Scheldt e Reno, na Holanda.

O consórcio recebeu da União Europeia cinco milhões de euros para desenvolver novas abordagens nestas regiões que “ têm em comum a ligação ao mar ou aos rios”, disse à Lusa o coordenador de comunicação, Frederico Duarte, especificando que foram desenvolvidos 14 projetos pilotos nestas localidades, um deles “este, intitulado “À flor do azulejo, a cor do Tejo”.

Mais do que a criação de azulejos inovadores, o projeto representa, para Lisboa, “uma ponte entre um desenvolvimento de um equipamento municipal, que é o BioLab” e a sua aplicação prática em projetos como a cafetaria de uma biblioteca móvel em Marvila.

Os azulejos, também já estão a ser usados num contentor colocado no parque ribeirinho de Marvila, “uma espécie de ponto de encontro”, afirmou Ana Silva Dias, do setor da cultura da Câmara Municipal de Lisboa.

“A grande mais-valia do projeto, é que de repente conseguimos ligar a cidade a um ponto do rio e começar a trabalhar a partir do rio”, disse a mesma responsável, destacando a importância da revitalização do jardim onde estão localizados os equipamentos que ajudam a “fazer a ligação entre duas realidades sociais, com uma urbanização mais de luxo e uma zona de habitação social”.

Pela primeira vez “trabalhámos de uma forma muito ligada, muito coesa entre a cultura e a inovação e a economia”, sublinhou, manifestando o interesse de que mais projetos desta natureza sejam desenvolvidos.

Essa é também a expectativa de Frederico Duarte e de Jeremy Morris, mas enquanto isso, para que os azulejos cheguem a mais aplicações práticas, “é preciso a sua certificação e que o projeto possa escalar e ter investidores” que até sábado mostram o projeto no Festival da Nova Bauhaus Europeia, no parque do Centenário, em Bruxelas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


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