Azulejos feitos por dois arquitetos suíços a partir de conchas de ostras apanhadas em Portugal são um dos projetos portugueses em destaque no Festival da Nova Bauhaus Europeia, num projeto coordenado pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa
“A ideia era imaginar o que poderia
ser um azulejo português em 2026, uma época em que a sustentabilidade faz parte
do desenvolvimento de Portugal e, por isso, quisemos criar um biomaterial, um
azulejo sustentável, num material não extrativo e sem recurso intensivo a
energia”, disse à agência Lusa o arquiteto Jeremy Morris, que trocou a Suíça
por Portugal, onde juntamente com Lucas Carlisle criou um novo produto:
azulejos feitos de cascas de ostras.
“O que fazemos é pegar em conchas usadas de restaurantes
ou produtores locais, esmagá-las e transformá-las em pó, ligá-las com extrato
de algas, que é um sequestrador de carbono, e depois secar o material ao ar”,
referiu.
O material foi precisamente um dos projetos a merecer o
interesse da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e do
presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante uma visita à feira onde
cerca de 80 expositores de todos os Estados-Membros mostram projetos
desenvolvidos no âmbito da Nova Bahaus Europeia, movimento que promove a
investigação se soluções mais sustentáveis.
Os azulejos portugueses são apenas um dos resultados de
um projeto mais amplo, desenvolvido pelo consórcio Bauhaus of the Seas Sails,
coordenado pelo Instituto de Tecnologias Interativas do Instituto Superior
Técnico da Universidade de Lisboa, e que envolve 18 parceiros académicos de
sete cidades da Europa: Oeiras e Lisboa (Portugal), Veneza e Génova (Itália),
Hamburgo (Alemanha) Malmo (Suécia) e Roterdão e o delta dos rios Scheldt e
Reno, na Holanda.
O consórcio recebeu da União Europeia cinco milhões de
euros para desenvolver novas abordagens nestas regiões que “ têm em comum a
ligação ao mar ou aos rios”, disse à Lusa o coordenador de comunicação,
Frederico Duarte, especificando que foram desenvolvidos 14 projetos pilotos
nestas localidades, um deles “este, intitulado “À flor do azulejo, a cor do
Tejo”.
Mais do que a criação de azulejos inovadores, o projeto
representa, para Lisboa, “uma ponte entre um desenvolvimento de um equipamento
municipal, que é o BioLab” e a sua aplicação prática em projetos como a
cafetaria de uma biblioteca móvel em Marvila.
Os azulejos, também já estão a ser usados num contentor
colocado no parque ribeirinho de Marvila, “uma espécie de ponto de encontro”,
afirmou Ana Silva Dias, do setor da cultura da Câmara Municipal de Lisboa.
“A grande mais-valia do projeto, é que de repente
conseguimos ligar a cidade a um ponto do rio e começar a trabalhar a partir do
rio”, disse a mesma responsável, destacando a importância da revitalização do
jardim onde estão localizados os equipamentos que ajudam a “fazer a ligação
entre duas realidades sociais, com uma urbanização mais de luxo e uma zona de
habitação social”.
Pela primeira vez “trabalhámos de uma forma muito ligada,
muito coesa entre a cultura e a inovação e a economia”, sublinhou, manifestando
o interesse de que mais projetos desta natureza sejam desenvolvidos.
Essa é também a expectativa de Frederico Duarte e de
Jeremy Morris, mas enquanto isso, para que os azulejos cheguem a mais
aplicações práticas, “é preciso a sua certificação e que o projeto possa
escalar e ter investidores” que até sábado mostram o projeto no Festival da
Nova Bauhaus Europeia, no parque do Centenário, em Bruxelas. In “Bom dia
Europa” - Luxemburgo
Sem comentários:
Enviar um comentário