Projeto para desenvolver nanomedicinas ativadas por ultrassons recebeu financiamento de 150 mil euros do Programa UT Austin Portugal
Uma equipa de investigadores do
Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto
recebeu financiamento do Programa UT Austin Portugal para desenvolver um
projeto orientado para o «Tratamento do glioblastoma através de nanoterapias
baseadas em estruturas orgânicas ligadas por pontes de hidrogénio para
libertação local de bevacizumab ativada por ultrassons». Este projeto foi um
dos selecionados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito de
uma iniciativa de colaboração internacional com a University of Texas at Austin
(UT Austin).
Com um financiamento total de 150 mil euros, dos quais 50
mil euros são assegurados pela FCT e 100 mil euros pela UT Austin, o projeto
resulta de uma colaboração entre o grupo de investigação Nanomedicines &
Translational Drug Delivery do i3S e o Department of Biomedical
Engineering da universidade norte-americana, sendo coordenado em Portugal
por Bruno Sarmento e, nos EUA, pelo investigador e professor Huiliang Wang.
“O projeto pretende desenvolver uma nova geração de
nanomedicinas inteligentes para o tratamento do glioblastoma, um dos tumores
cerebrais mais agressivos e difíceis de tratar”, explica Ana Catarina Pacheco,
investigadora do i3S.
A estratégia combina nanopartículas inovadoras com
ultrassons direcionados para permitir a libertação localizada e controlada de
bevacizumab. Este medicamento reduz a formação de vasos sanguíneos que
alimentam o tumor e promovem o seu crescimento.
A equipa vai recorrer a estruturas orgânicas ligadas por
pontes de hidrogénio (Hydrogen-bonded Organic Frameworks, HOF),
materiais supramoleculares altamente biocompatíveis capazes de encapsular
proteínas terapêuticas e responder a estímulos externos. Quando expostas a
ultrassons direcionados, estas nanopartículas sofrem alterações estruturais que
desencadeiam a libertação do fármaco apenas na região do tumor.
“Esta abordagem permite separar a distribuição sistémica
do medicamento da sua ativação terapêutica”, acrescenta a investigadora do i3S
Cláudia Martins.
“O bevacizumab circula encapsulado e inativo no
organismo, sendo libertado apenas no local pretendido através da aplicação de
ultrassons. Desta forma, espera-se reduzir significativamente os efeitos
adversos associados à terapêutica convencional e aumentar a eficácia do
tratamento”, conclui.
Combater o glioblastoma com “maior precisão terapêutica”
O glioblastoma caracteriza-se por uma elevada
vascularização e por uma grande resistência aos tratamentos atualmente
disponíveis. Embora o bevacizumab seja utilizado na prática clínica para
controlar a progressão da doença, a sua administração sistémica pode provocar
várias complicações, incluindo hipertensão, formação de coágulos sanguíneos e
hemorragias. Além disso, o cérebro possui uma barreira protetora que limita a
quantidade de medicamento que chega ao tumor.
Para ultrapassar estes desafios, os investigadores vão
desenvolver e otimizar nanopartículas capazes de transportar o fármaco de forma
segura até ao cérebro e libertá-lo apenas depois de ativado por ultrassons. O
projeto inclui estudos em modelos celulares 3D e em modelos animais de
glioblastoma, permitindo avaliar a eficácia terapêutica, a segurança sistémica
e o impacto da estratégia na progressão tumoral e na sobrevivência.
Segundo Bruno Sarmento, este financiamento representa
também uma oportunidade para consolidar uma linha de investigação que o grupo
tem vindo a desenvolver nos últimos anos na área da nanomedicina para o
tratamento de tumores cerebrais.
“Este projeto permitirá dar continuidade ao trabalho que
temos realizado no desenvolvimento de sistemas avançados de libertação de
fármacos para o glioblastoma, explorando agora uma abordagem inovadora que
combina nanotecnologia e ultrassons para alcançar uma maior precisão
terapêutica”, explica o líder do grupo de investigação.
O Concurso de Projetos Exploratórios 2025 dos programas
UT Austin Portugal financiou um total de oito projetos, de 41 candidaturas,
correspondendo a um investimento global de quase 400 mil euros, integralmente
financiado pela FCT. Universidade do Porto - Portugal
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