A ampliação das instalações da Escola Portuguesa, com a construção de um novo bloco, poderá avançar logo que haja aprovação do Governo, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau Jorge Neto Valente. O presidente da Fundação EPM adiantou que foi feita uma “proposta concreta”. O bloco deverá ter quatro andares e ocupará uma das áreas do actual recinto desportivo ao ar livre, integrando igualmente uma cave com parque de estacionamento. A expansão permitirá albergar entre 1000 e 1200 alunos. Enquanto isto, outras obras de melhoramento, como alargamento das salas, substituição dos elevadores, instalação de software e renovação da fachada vão começar neste Verão
A Escola Portuguesa de Macau (EPM)
poderá finalmente ver a ‘luz do dia’ no que respeita ao projecto de ampliação
das instalações, isto se for aceite a “proposta concreta” feita pelos
responsáveis da instituição, a pedido do Governo.
Segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau o presidente
da Fundação Escola Portuguesa, a concretização da ambição, “que tem já mais de
uma década”, poderá assim estar para breve.
“A ampliação nunca avançou ao longo de todo este tempo,
mas agora foi feita uma proposta concreta para ver se o Governo concorda ou não
em financiar as obras que pretendemos realizar”, salientou Jorge Neto Valente.
“Perguntaram-nos o que queríamos fazer e nós enviámos as
propostas para ver se eles aceitam ou não”, expressou, admitindo que, se houver
‘feedback’ positivo, “avançaremos com o projecto, porque para já só
temos o esboço”.
A concretizar-se, a obra de ampliação incluirá
essencialmente a construção de um novo bloco, de quatro andares (com cave
destinada a parque de estacionamento), a ser erigido numa área onde actualmente
existe o campo desportivo ao ar livre.
“Os alunos poderão continuar a utilizar esse espaço, que
terá então por cima quatro andares com salas de aula e laboratórios, permitindo
o aumento de estudantes para entre 1000 e 1200, não mais do que isso”, prevê.
Se as obras de expansão forem para a frente, como espera
Neto Valente, arrancarão logo que possível, devendo demorar não menos do que um
ano. “Mesmo escolhendo tempo bom, sem chuva, e até chegar ao apetrechamento
final, acabamentos, interiores e outros aspectos, a construção demorará
certamente pelo menos um ano”, referiu.
A ideia é que os trabalhos sejam realizados sem prejuízo
escolar. “Temos de fazer as coisas de maneira a não impedir o normal
funcionamento das aulas”, sustentou.
Recorde-se que esta questão da ampliação e até mesmo da
mudança das instalações já vem de longe, tendo, ao longo dos anos, sido
alvitrados diversos locais da cidade para a construção de uma nova escola, sem,
no entanto, haver uma decisão concreta.
A mais recente abordagem aconteceu em Abril de 2023, na
sequência da deslocação de Ho Iat Seng a Lisboa, quando o então Ministro da
Educação de Portugal, João Costa, se mostrou confiante de que o projecto iria
arrancar precisamente nesse ano. No quadro de uma cooperação “muito boa”, os
Governos de Portugal e da RAEM têm “uma perspectiva de parceria que permitirá a
ampliação” da EPM, sublinhou o governante em declarações ao JTM e à TDM, após
ter discutido esse dossiê com o Chefe do Executivo.
João Costa assegurou ainda que estavam lançadas as bases
para “começar a trabalhar o projecto”. Tendo em conta que os valores finais da
propalada para a ampliação não tinham sido definidos, o ministro escusou-se a
apontar a dimensão absoluta ou percentual desse apoio, adiantando apenas que
estava prevista uma “comparticipação muito expressiva” do Governo de Macau.
“Não sei dizer um prazo concreto de construção, mas há já
um acordo para fazermos a ampliação”, e assim “permitir uma melhoria muito
significativa das instalações da escola, que é muito necessária”, salientou
ainda, em declarações proferidas à margem da recepção oferecida pelo Governo da
RAEM na capital portuguesa.
Na altura, Ho Iat Seng não abordou em pormenor essa
matéria, mas deixou uma forte garantia: “Se a escola precisar do nosso apoio
sobre a questão do aumento dos estudantes, de certeza que iremos apoiar e
providenciar as medidas necessárias para isso”.
Melhoramentos gerais arrancam no Verão
Relativamente a outras obras, de pequena e média
dimensão, que começarão já neste período de férias de Verão, o presidente da
Fundação EPM disse que os projectos já estavam pedidos. “Primeiro nós dizemos o
que pretendemos fazer e depois o Governo diz se aceita financiar ou não”,
mencionou.
Acrescentou que, como foi dada uma resposta positiva
quanto às intenções de beneficiação, havia um prazo, até início de Abril, para
entrar com uma proposta definitiva sobre os trabalhos a realizar, seguindo-se a
aprovação ou não dos preços apresentados. Esse processo deverá demorar pouco
tempo e, assim, logo que haja aprovação “arrancaremos com estas obras,
pagando-as primeiro e esperando que o dinheiro nos seja devolvido”, esclareceu.
Este novo ciclo de pequenos melhoramentos interiores, a
serem introduzidos nos próximos meses, tem um orçamento de cerca de 18 milhões
de patacas, e englobarão trabalhos diversificados.
A substituição dos elevadores será uma das prioridades.
“Já têm mais de 30 anos”, afirmou Jorge Neto Valente, para quem há outros
melhoramentos que têm de ser feitos. Por exemplo, beneficiação dos laboratórios
de línguas e de inteligência artificial, instalação e actualização do software,
instalação de novos aparelhos de ar condicionado no ginásio e no auditório,
novos sanitários no Bloco B, insonorização das paredes e substituição das
janelas. Um dos jardins interiores será nivelado, proporcionando um maior
espaço para a horta pedagógica.
Ademais, a fachada da EPM sofrerá também melhoramentos.
“A frente da escola será pintada e haverá uma intervenção ao nível dos
azulejos, alguns dos quais se soltaram”, explicou.
Sobre as obras planeadas para este Verão, Acácio de
Brito, director da EPM, considera virem na sequência de uma “melhoria
contínua”. Para o responsável, procura-se, “em cada momento que passa, criar as
melhores condições, na base de um princípio ético e ecológico”.
Isto é, concretizou, “a melhoria dos espaços é
condicionadora das formas comportamentais”. “Se escola tiver uma ecologia e uma
organização dos espaços, podemos ter melhores resultados, o mesmo acontecendo
se tivermos melhores recursos humanos, melhores pais e se formos mais
exigentes, num conjunto de valências que, se estiverem reunidas, podemos ter
bons resultados”, garantiu.
Recorde-se que em 2025 a EPM sofreu obras de remodelação
e manutenção no seu interior, focadas na melhoria da cantina/bar (que mudou de
local), dos balneários junto ao ginásio e da sala de professores. Os trabalhos
decorreram maioritariamente aos fins-de-semana e férias para não perturbar as
aulas, e as novas instalações foram inauguradas no início do ano lectivo, em
Setembro.
Acácio de Brito afirmou que “não há qualquer tipo de
dúvidas” de que a escola tem “uma outra cara”, ao melhorar substancialmente as
instalações. “São evidências”, enfatizou.
EPM vai registar aumento de alunos no próximo ano
A Escola Portuguesa irá registar um aumento de estudantes
no ano lectivo de 2026/2027, a avaliar pelos números apurados até meados de
Maio, que apontam para 826, segundo informou o director do estabelecimento de
ensino. Acácio de Brito disse ao Jornal Tribuna de Macau que o processo ainda
está a decorrer, “até porque há pessoas que ainda estão a pedir
transferências”. No entanto, considera que o crescimento será uma realidade e
“tem sido constante nos últimos anos”. O responsável sublinhou que o aumento
irá incidir principalmente no ensino secundário e em concreto no 12º ano. No
que concerne aos novos alunos, cuja maioria sai dos jardins de infância, o
número deverá rondar entre 60 e 70 crianças. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal
Tribuna de Macau”
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