Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Macau - Projecto de ampliação da Escola Portuguesa de Macau poderá concretizar-se em breve

A ampliação das instalações da Escola Portuguesa, com a construção de um novo bloco, poderá avançar logo que haja aprovação do Governo, segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau Jorge Neto Valente. O presidente da Fundação EPM adiantou que foi feita uma “proposta concreta”. O bloco deverá ter quatro andares e ocupará uma das áreas do actual recinto desportivo ao ar livre, integrando igualmente uma cave com parque de estacionamento. A expansão permitirá albergar entre 1000 e 1200 alunos. Enquanto isto, outras obras de melhoramento, como alargamento das salas, substituição dos elevadores, instalação de software e renovação da fachada vão começar neste Verão


A Escola Portuguesa de Macau (EPM) poderá finalmente ver a ‘luz do dia’ no que respeita ao projecto de ampliação das instalações, isto se for aceite a “proposta concreta” feita pelos responsáveis da instituição, a pedido do Governo.

Segundo revelou ao Jornal Tribuna de Macau o presidente da Fundação Escola Portuguesa, a concretização da ambição, “que tem já mais de uma década”, poderá assim estar para breve.

“A ampliação nunca avançou ao longo de todo este tempo, mas agora foi feita uma proposta concreta para ver se o Governo concorda ou não em financiar as obras que pretendemos realizar”, salientou Jorge Neto Valente.

“Perguntaram-nos o que queríamos fazer e nós enviámos as propostas para ver se eles aceitam ou não”, expressou, admitindo que, se houver ‘feedback’ positivo, “avançaremos com o projecto, porque para já só temos o esboço”.

A concretizar-se, a obra de ampliação incluirá essencialmente a construção de um novo bloco, de quatro andares (com cave destinada a parque de estacionamento), a ser erigido numa área onde actualmente existe o campo desportivo ao ar livre.

“Os alunos poderão continuar a utilizar esse espaço, que terá então por cima quatro andares com salas de aula e laboratórios, permitindo o aumento de estudantes para entre 1000 e 1200, não mais do que isso”, prevê.

Se as obras de expansão forem para a frente, como espera Neto Valente, arrancarão logo que possível, devendo demorar não menos do que um ano. “Mesmo escolhendo tempo bom, sem chuva, e até chegar ao apetrechamento final, acabamentos, interiores e outros aspectos, a construção demorará certamente pelo menos um ano”, referiu.

A ideia é que os trabalhos sejam realizados sem prejuízo escolar. “Temos de fazer as coisas de maneira a não impedir o normal funcionamento das aulas”, sustentou.

Recorde-se que esta questão da ampliação e até mesmo da mudança das instalações já vem de longe, tendo, ao longo dos anos, sido alvitrados diversos locais da cidade para a construção de uma nova escola, sem, no entanto, haver uma decisão concreta.

A mais recente abordagem aconteceu em Abril de 2023, na sequência da deslocação de Ho Iat Seng a Lisboa, quando o então Ministro da Educação de Portugal, João Costa, se mostrou confiante de que o projecto iria arrancar precisamente nesse ano. No quadro de uma cooperação “muito boa”, os Governos de Portugal e da RAEM têm “uma perspectiva de parceria que permitirá a ampliação” da EPM, sublinhou o governante em declarações ao JTM e à TDM, após ter discutido esse dossiê com o Chefe do Executivo.

João Costa assegurou ainda que estavam lançadas as bases para “começar a trabalhar o projecto”. Tendo em conta que os valores finais da propalada para a ampliação não tinham sido definidos, o ministro escusou-se a apontar a dimensão absoluta ou percentual desse apoio, adiantando apenas que estava prevista uma “comparticipação muito expressiva” do Governo de Macau.

“Não sei dizer um prazo concreto de construção, mas há já um acordo para fazermos a ampliação”, e assim “permitir uma melhoria muito significativa das instalações da escola, que é muito necessária”, salientou ainda, em declarações proferidas à margem da recepção oferecida pelo Governo da RAEM na capital portuguesa.

Na altura, Ho Iat Seng não abordou em pormenor essa matéria, mas deixou uma forte garantia: “Se a escola precisar do nosso apoio sobre a questão do aumento dos estudantes, de certeza que iremos apoiar e providenciar as medidas necessárias para isso”.

Melhoramentos gerais arrancam no Verão

Relativamente a outras obras, de pequena e média dimensão, que começarão já neste período de férias de Verão, o presidente da Fundação EPM disse que os projectos já estavam pedidos. “Primeiro nós dizemos o que pretendemos fazer e depois o Governo diz se aceita financiar ou não”, mencionou.

Acrescentou que, como foi dada uma resposta positiva quanto às intenções de beneficiação, havia um prazo, até início de Abril, para entrar com uma proposta definitiva sobre os trabalhos a realizar, seguindo-se a aprovação ou não dos preços apresentados. Esse processo deverá demorar pouco tempo e, assim, logo que haja aprovação “arrancaremos com estas obras, pagando-as primeiro e esperando que o dinheiro nos seja devolvido”, esclareceu.

Este novo ciclo de pequenos melhoramentos interiores, a serem introduzidos nos próximos meses, tem um orçamento de cerca de 18 milhões de patacas, e englobarão trabalhos diversificados.

A substituição dos elevadores será uma das prioridades. “Já têm mais de 30 anos”, afirmou Jorge Neto Valente, para quem há outros melhoramentos que têm de ser feitos. Por exemplo, beneficiação dos laboratórios de línguas e de inteligência artificial, instalação e actualização do software, instalação de novos aparelhos de ar condicionado no ginásio e no auditório, novos sanitários no Bloco B, insonorização das paredes e substituição das janelas. Um dos jardins interiores será nivelado, proporcionando um maior espaço para a horta pedagógica.

Ademais, a fachada da EPM sofrerá também melhoramentos. “A frente da escola será pintada e haverá uma intervenção ao nível dos azulejos, alguns dos quais se soltaram”, explicou.

Sobre as obras planeadas para este Verão, Acácio de Brito, director da EPM, considera virem na sequência de uma “melhoria contínua”. Para o responsável, procura-se, “em cada momento que passa, criar as melhores condições, na base de um princípio ético e ecológico”.

Isto é, concretizou, “a melhoria dos espaços é condicionadora das formas comportamentais”. “Se escola tiver uma ecologia e uma organização dos espaços, podemos ter melhores resultados, o mesmo acontecendo se tivermos melhores recursos humanos, melhores pais e se formos mais exigentes, num conjunto de valências que, se estiverem reunidas, podemos ter bons resultados”, garantiu.

Recorde-se que em 2025 a EPM sofreu obras de remodelação e manutenção no seu interior, focadas na melhoria da cantina/bar (que mudou de local), dos balneários junto ao ginásio e da sala de professores. Os trabalhos decorreram maioritariamente aos fins-de-semana e férias para não perturbar as aulas, e as novas instalações foram inauguradas no início do ano lectivo, em Setembro.

Acácio de Brito afirmou que “não há qualquer tipo de dúvidas” de que a escola tem “uma outra cara”, ao melhorar substancialmente as instalações. “São evidências”, enfatizou.

EPM vai registar aumento de alunos no próximo ano

A Escola Portuguesa irá registar um aumento de estudantes no ano lectivo de 2026/2027, a avaliar pelos números apurados até meados de Maio, que apontam para 826, segundo informou o director do estabelecimento de ensino. Acácio de Brito disse ao Jornal Tribuna de Macau que o processo ainda está a decorrer, “até porque há pessoas que ainda estão a pedir transferências”. No entanto, considera que o crescimento será uma realidade e “tem sido constante nos últimos anos”. O responsável sublinhou que o aumento irá incidir principalmente no ensino secundário e em concreto no 12º ano. No que concerne aos novos alunos, cuja maioria sai dos jardins de infância, o número deverá rondar entre 60 e 70 crianças. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


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