Nova estratégia terapêutica que potencia quimioterapia contra a leucemia mieloide aguda deverá ser testada em colaboração com o IPO Porto
Uma equipa de investigadores do
Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto
identificou uma nova estratégia terapêutica, agora publicada na Science Translational Medicine,
que pode melhorar a eficácia da quimioterapia e reduzir complicações graves
associadas ao tratamento da leucemia mieloide aguda.
O grupo, liderado por Delfim Duarte, provou que a
administração de transferrina, uma proteína que transporta ferro pela corrente
sanguínea, em conjunto com a quimioterapia, melhora a recuperação da medula
óssea, aumenta a sobrevivência e reduz as complicações infecciosas associadas à
terapia convencional.
A leucemia mieloide aguda é tratada, na maioria dos
casos, com quimioterapia intensiva. “Apesar de eliminar células cancerígenas
com eficácia, este tratamento provoca toxicidade elevada, nomeadamente a
acumulação excessiva de ferro nos tecidos”, explica 0 hematologista do IPO
Porto e líder do grupo de investigação Hematopoiesis and Microenvironments
do i3S.
Neste estudo, os investigadores testaram a administração
de apotransferrina humana, uma forma de transferrina sem ferro, para captar
esse mineral em excesso e redistribuí-lo para células saudáveis da medula óssea
e do sistema imunitário.
Utilizando vários modelos experimentais, incluindo
ratinhos com leucemia, a equipa demonstrou que esta abordagem reduz
significativamente os níveis de ferro tóxico circulante após a quimioterapia.
Nova terapia reforça combate a infeções graves
A equipa estudou ainda a segurança desta estratégia no
contexto de infeção grave, uma das principais causas de morte em doentes com
leucemia mieloide aguda.
Num modelo experimental de infeção por E. coli, os
animais tratados com apotransferrina sobreviveram mais tempo. “Não porque se
eliminaram as bactérias, mas devido a uma resposta inflamatória mais
controlada. A apotransferrina reduziu a inflamação excessiva, ajudando o
organismo a lidar melhor com a infeção”, esclarece Marta Lopes, primeira autora
do estudo.
Com base nestes “dados pré-clínicos promissores”, a
equipa espera poder avançar, num futuro próximo, com um ensaio clínico, em
colaboração com a unidade de ensaios de fase precoce do IPO Porto, que avalie o
uso da transferrina como terapêutica adjuvante à quimioterapia.
“O objetivo é avaliar, de forma preliminar, a segurança e
a eficácia desta combinação [transferrina e quimioterapia] em doentes com
leucemia mieloide aguda”, conclui Delfim Duarte. Universidade de Porto
Sem comentários:
Enviar um comentário