São Miguel – O escritor e compositor Henrique Correia considera que o livro Cifras e Partituras – Cabo Verde Música Crioula, que reúne 23 composições da sua autoria com cifras e partituras, constitui um contributo para a preservação e divulgação da música cabo-verdiana.
A obra, com 180 páginas, reúne músicas escritas em
diferentes géneros da música crioula, como morna, coladeira e batuco,
incorporando igualmente influências de estilos internacionais, entre os quais
reggae, samba e slow, todos interpretados em língua crioula.
Segundo explicou, a inclusão das cifras e das partituras
responde à necessidade de disponibilizar as composições numa linguagem musical
universal, permitindo que possam ser interpretadas por músicos dentro e fora de
Cabo Verde.
"Não é uma curiosidade, é técnica. A pauta musical é
uma linguagem internacional. Qualquer pessoa que tenha conhecimentos de música
pode pegar na partitura e interpretar a melodia", afirmou.
Para Henrique Correia, esta abordagem representa também
uma forma de valorizar a música cabo-verdiana, sobretudo a morna, classificada
como Património Cultural Imaterial da Humanidade, e de criar instrumentos que
facilitem a sua transmissão às novas gerações.
Na sua perspectiva, o manual pode igualmente servir de
apoio ao ensino da música, uma vez que reúne, de forma simples e organizada, os
principais elementos técnicos necessários à aprendizagem.
"O Ministério da Educação pode utilizar este
trabalho juntamente com os professores de música para ensinar as crianças de
forma pedagógica e técnica", defendeu.
O primeiro volume reúne 23 composições originais,
seleccionadas segundo critérios técnicos, procurando representar a diversidade
da música crioula cabo-verdiana.
Além da componente musical, Henrique Varela explicou que
as letras retratam diferentes aspectos da vida quotidiana, inspirados tanto nas
suas experiências pessoais como nas vivências de outras pessoas.
Henrique Correia disse esperar que o livro contribua para
aproximar mais pessoas da música cabo-verdiana, facilitar a interpretação das
suas composições e reforçar a divulgação da cultura nacional além-fronteiras.
"Hoje fala-se muito da internacionalização da nossa
cultura. Se a nossa música estiver escrita numa linguagem que qualquer músico
compreende, será mais fácil levá-la ao mundo", concluiu. In “Inforpress”
– Cabo Verde
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