O caso d´O corpo a pender-lhe uma solidão, de Maria Joana Almeida
Autora de Estamos todos em fila de espera para a morte (2022) e Histórias de Amor (2023), Maria Joana
Almeida dá-nos a ler agora O corpo a
pender-lhe uma solidão (2026).
A escritora entra no mundo literário com uma obra
impulsionada pela transição física de dois dos seus propínquos e fortalece a
sua presença poética com a publicação de um segundo livro no qual explora as
dinâmicas do amor.
No seu mais recente trabalho literário, o terceiro livro
com a casa Elefante editores, O corpo a
pender-lhe uma solidão, Maria Joana Almeida mantém a forma prosopoética de
escrever, mas há uma outra leveza nas linhas que tecem as estrofes deste poemário,
assemelhando-as, em muitos casos, aos poemas escritos em versos. Em nosso entender, no que diz respeito à
forma, a autora está num processo de lapidar e de dissecar a palavra como exige
a grande poesia.
Quanto à substância, O
corpo a pender-lhe uma solidão é um livro literário que nos leva a
mapearmos as ausências e as memórias de pessoas e de lugares que conhecemos ao
longo do exercício de viver: “tenho nomes/ colados de forma frágil/ e que
quebram/ estrondosamente/ a cada memória” (p.17).
Nos 15 poemas do livro (“desabitada”, “Sim”, “casa”,
“desnorte”, “sorriso”, “noite escura”, “melancolia”, “falta”, “peso”, “tu”,
“travessia”, “casa”, “nítida luz”, “leme” e “dialecto”), a autora trabalha com
três sentimentos caros aos bons poetas: saudade, melancolia e amor: “abre-me o
peito de jeito brando/ como quem descobre uma nova casa/ não fales em
esperança” (p.25).
A soma da saudade e do
amor, neste livro literário, levá-nos ao campo da apreciação da
melancolia: “com o inverno por entre os dedos/ resgatando as minhas mortes/
para que me declare viva numa outra voz” (p.28).
Num mundo em constante mudança, os textos que compõem O corpo a pender-lhe uma solidão revelam
a incerteza permanente do estado das coisas durante a vida e surpreendem o
leitor pela fruição: “ruma a vida ao leme/ só por breves dias” (p.27).
Maria Joana Almeida convoca a palavra neste livro para,
portanto, representar o “que foi e o que vem” (p.3), “fixando a ausência e o
movimento” (p.11), “sem som nem sombra” (p.13), “num apocalipse” (p.13), “para
que o silêncio se torne mais cúmplice do coração” (p.17).
Mutatis mutandis,
O corpo a pender-lhe uma solidão, de
Maria Joana Almeida, é um poemário cujo objectivo é mesclar o texto escrito com
o texto pictórico e fazer uma cartografia do que consome os humanos na
modernidade líquida: a melancolia diante da realidade de que nada é sólido para
sempre. Lendo este livro, reforça-se a ideia segundo a qual as pessoas
queridas, os amores e até mesmo o genius loci [o espírito dos lugares] não
duram para sempre, porque, como alerta a sabedoria dos homens que se perderam
nas noites dos tempos, tudo passa. João André – Angola
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Maria Joana Soares de Almeida
– Nasceu a 04 de outubro de 1982, portuguesa, reside na cidade de Lisboa, é professora
de Educação Especial e formadora na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Tem
artigos publicados, na área da educação, no blogue Pedimos Gomas Como
Resgate de sua autoria e artigos de opinião no jornal Público.
Na literatura, destaca-se na poesia e na prosa poética.
Publicou: Estamos Todos em Fila de Espera para a Morte, 2022, Elefante
editores, romance / ficção contemporânea; Histórias de Amor, 2023,
Elefante editores, poesia e O corpo a pender-lhe uma solidão, 2026,
Elefante editores, prosa e poesia.
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João
Fernando André (Kalunga) – nasceu em Cahama, Angola, a
14 de junho de 1995. É professor, investigador, ensaísta, escritor e consultor
cultural angolano. Associado ao Institute for Humanities in Africa at the
University of Cape Town, à Universidade de Lisboa, ao Projecto ECO-África e à
Alliance Française. Doutorando em Literaturas, Artes e Culturas Modernas.
Publicou Evangelho Bantu; O dia em que uma pedra virou lua;
Lumbu – A alquimia das palavras, e COnVIDem o Vírus. Participou
em várias antologias. Actua nos seguintes campos do saber: Literaturas, Artes e Culturas Modernas;
Português/Inglês Língua Estrangeira; Cultura Angolana, História da Língua
Portuguesa; Técnicas de expressão oral e escrita; Literatura Angolana; Poesia
moderna e contemporânea de Angola; Historiografia das literaturas em língua
portuguesa; Análise de discurso; Neologia; Dicionarística; Filosofia.
Wikipédia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/João_Fernando_André
Móveis:
(+351) 933 468 290 / (+244) 942 697 594 / (+244) 912 867 868
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