Conferência em Nova Iorque sobre ODS 16 liga paz, justiça e governação eficaz. Ministro aponta urgência de diálogo inclusivo, valorização de línguas e foco na independência da economia até 2030
Nova Iorque acolhe a Conferência do
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, ODS 16. Este ano, o lema é
“Impulsionar a transformação e a ação coordenada para o desenvolvimento
sustentável”.
O evento é coorganizado pela Itália, pela Divisão para
Instituições Públicas e Governo Digital do Departamento de Assuntos Económicos
e Sociais da ONU e a organização intergovernamental dedicada à promoção do
Estado de Direito, IDLO.
Visão de inclusão para os próximos anos
A lista dos países avaliados inclui apenas dois de língua
portuguesa: Moçambique e Timor-Leste; Antes da apresentação, o ministro
moçambicano da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa,
partilhou com a ONU News a visão de inclusão para os próximos anos assente em
três bases.
“Neste encontro, aqui nas Nações Unidas, trazemos a nossa
abordagem e a experiência moçambicana no quadro dos esforços de cumprimento do
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, concretamente abordando as questões
ligadas ao desenvolvimento sustentável, ligadas à paz e à justiça, mas também
às questões de governação.”
O representante destacou as linhas de força que sustentam
o crescimento previstos na Estratégia Nacional 2026-2044, uma visão na qual o
país olha além das metas imediatas no fim desta década.
Resiliência ambiental
A primeira ação é a solidez financeira reestruturando a
economia para garantir a sustentabilidade em longo prazo. A segunda é a
adaptação ao clima ao integrar resiliência ambiental e resposta às mudanças
climáticas no centro do planeamento.
Por fim, está a integração social para garantir que o
crescimento económico se traduz em bem-estar real para a população, segundo
Inocêncio Impissa.
O ministro mencionou o processo de diálogo nacional em
curso que “foi desenhado para ser transversal e genuinamente participativo”.
“De facto, a consolidação da unidade nacional, que é um
projeto grande no âmbito do diálogo nacional que está a ser feito, mas, acima
de tudo, e como tem sido a linha geral do presidente da República para estes
quatro anos que vêm, é a questão da criação das bases de desenvolvimento económico
para a independência económica do nosso país, de Moçambique.”
O objetivo é garantir que a sociedade civil, comunidades
e cidadãos sejam ouvidos. A premissa do ODS 16 de construir sociedades justas e
inclusivas reflete-se na máxima assumida pelo ministério: em Moçambique,
ninguém fica para trás.
O poder da lusofonia: cruzar línguas, unir nações
Com as celebrações dos 30 anos da Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa, CPLP, no horizonte, o ministro Impissa defendeu uma
ponderação sobre a identidade e a inclusão etnolinguística.
Para Moçambique, a riqueza reside na diversidade. O
desafio e a beleza do futuro da lusofonia passam por encontrar o ponto de
equilíbrio perfeito onde a língua portuguesa se cruza com idiomas nacionais e
locais, sem que estas percam o seu espaço ou valor.
“É sempre bom rever e também trocar algumas impressões
sobre o que é que nós pensamos sobre a África, sobre a lusofonia e ver como é
que, naturalmente, podemos aprofundar as nossas relações de irmãos.”
O encontro em Nova Iorque serve também como palco para
reforçar os laços de fraternidade com países como Angola e Cabo Verde,
desenhando uma estratégia conjunta para o desenvolvimento de África e do espaço
lusófono.
O ministro de Moçambique disse que o país reafirma o seu
compromisso com uma governação moderna, inclusiva, resiliente e profundamente
orgulhosa das suas raízes. Eleutério Guevane – Moçambique ONU News
Sem comentários:
Enviar um comentário