Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Angola - Projecto “12 Escritores na Biblioteca” reforça importância da leitura na comunidade

O Projeto Leitura ao Domicílio vai lançar, no sábado, 21, a iniciativa intitulada “12 Escritores na Biblioteca Comunitária”, que vai receber, na primeira edição, o escritor angolano Nelson Soquessa, com o objectivo de promover a leitura e a escrita por meio do contacto directo entre escritores e a comunidade


O convidado desta edição, o escritor angolano Nelson Soquessa, que em 2021 lançou a obra Histórias Místicas e, em 2023, publicou a segunda obra Isunji, que significa “Maravilha”, e valoriza o grupo etnolinguístico do Songo, actualmente prepara-se para lançar o livro Os Segredos do Jardim da Alma.

Segundo Aniceto da Silveira, presidente do projecto, a iniciativa visa promover o hábito da leitura, valorizar a literatura nacional e aproximar os escritores da comunidade, utilizando a biblioteca comunitária como espaço de inclusão, aprendizagem e desenvolvimento humano. “A leitura vai muito além do conhecimento, pois estimula o raciocínio, activa o cérebro, aumenta a imaginação, melhora o vocabulário, desenvolve o pensamento crítico, combate o estresse, amplia a criatividade e estimula a concentração”, descreveu.

O projecto prevê a realização de 12 sessões literárias, semanais ou quinzenais, com cada sessão dedicada a um escritor convidado. Cada encontro contará com a apresentação do escritor e das suas obras; leitura comentada de excertos; conversa interativa com o público; sessão de perguntas e respostas. O presidente do projecto destacou que, neste ano, os escritores de diferentes áreas da literatura, prosa, poesia ou declamação, estão convidados a participar, com a intenção de partilharem os seus conhecimentos com os cidadãos na comunidade. Maria Custódia – Angola in “O País”


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Angola - 50 autores de literatura infantil recebem tributo pelo seu trabalho

O projecto “50 anos, 50 homenagens”, da biblioteca comunitária A.S Leitura ao Domicílio, encerrou o ano de 2025 com um percurso sólido, transformador e profundamente humano, afirmando-se como uma das iniciativas mais sensíveis de promoção literária e do pensamento crítico


O projecto da A.S Leitura ao Domicílio, levado a cabo num período marcado por desafios sociais, desigualdades de acesso ao livro e urgência de formação humana, homenageou 50 escritores de literatura infantil angolana, no âmbito dos 50 anos da Independência Nacional.

Entre os homenageados pela iniciativa, destacam-se escritores que escreveram maioritariamente para crianças e adolescentes, nomeadamente Cremilda de Lima, Maria Celestina Fernandes, Akiz Neto, Kudijimbe, Mário Moniz, Ondjaki, Elsa Bárber, Cavisita Lemos, Carla Severino, Domingas Monte, Marta Santos, Mira Clock, Boneca Africana, Alice Berenguel, Ombebwa e John Bela.

Em declarações ao Jornal de Angola, o coordenador do projecto “50 anos, 50 homenagens”, Aniceto da Silveira, afirmou que, ao longo do ano, a iniciativa se consolidou como uma acção cultural de impacto directo nas comunidades, levando a leitura além dos espaços convencionais, em bibliotecas, escolas e livrarias, assim como ao fazer do lar um território de encontro entre o livro, a palavra e a vida quotidiana.

De acordo com o responsável, o projecto apostou numa abordagem próxima, inclusiva e afectiva, reafirmando que a leitura não é um privilégio, mas um direito e uma ferramenta de emancipação.

Escuta e proximidade

A proposta do A.S Leitura ao Domicílio, segundo Aniceto da Silveira, está assente numa lógica simples, mas profundamente transformadora, que vai ao encontro das pessoas. “Ao invés de esperar que o leitor chegue ao livro, o projecto faz o caminho inverso, deslocando-se a residências, comunidades e contextos familiares diversos, criando momentos de leitura partilhada, diálogo e reflexão”.

Durante o ano, as sessões realizadas privilegiaram não apenas a leitura em voz alta, mas também a conversa, a escuta activa e a partilha de experiências, transformando cada encontro num espaço seguro de expressão e aprendizagem. “Crianças, jovens e adultos participaram activamente, reconhecendo-se nas histórias lidas e encontrando nelas espelhos das suas próprias vivências”, afirmou o responsável.

Impacto social e educativo

O coordenador do projecto sublinhou que a retrospectiva anual evidencia que a A.S Leitura ao Domicílio ultrapassou a dimensão simbólica e alcançou resultados concretos. Em muitos contextos, disse, o contacto regular com os livros despertou o interesse pela leitura em famílias onde ela não fazia parte da rotina, reforçando laços afectivos e estimulando o pensamento crítico desde a infância.

Para o interlocutor, o projecto contribuiu igualmente para o desenvolvimento de competências linguísticas, emocionais e cognitivas ao incentivar a interpretação de textos, a expressão oral e a capacidade de argumentação. “Mais do que formar leitores, a iniciativa ajudou a formar cidadãos atentos, sensíveis e conscientes do seu papel na sociedade”.

Literatura como instrumento de transformação

Ao longo de 2025, o projecto da A.S Leitura ao Domicílio apostou numa curadoria literária diversa, integrando obras da literatura infantil, juvenil e adulta, com destaque para autores nacionais e temáticas ligadas à identidade, valores humanos, cidadania, empatia e pertença cultural, de acordo com o seu coordenador.

“A literatura foi apresentada não apenas como entretenimento, mas como instrumento de transformação social e emocional”, disse Aniceto da Silveira, acrescentando que “cada leitura foi pensada como um gesto de cuidado e resistência cultural, sobretudo num contexto em que o acesso ao livro ainda enfrenta limitações estruturais. O projecto reafirmou, assim, a leitura como um acto político e humanizador, capaz de romper ciclos de silêncio, exclusão e desinformação”.

Desafios e aprendizagens

Para o coordenador do projecto, a retrospectiva anual não ignora os desafios enfrentados, como questões logísticas, limitações de recursos e a necessidade constante de sensibilização das comunidades que fizeram parte do percurso.

Esses obstáculos, realçou, tornaram-se em oportunidades de aprendizagem, reforçando a resiliência da equipa e a importância do trabalho colaborativo.

“O contacto directo com as famílias permitiu compreender melhor as realidades locais e adaptar as abordagens, tornando o projecto cada vez mais sensível às necessidades reais dos seus beneficiários”.

Um ano de sementes lançadas

Ao encerrar o ano, o projecto “50 anos, 50 homenagens” pode ser descrito, segundo o seu coordenador, como uma iniciativa que lançou sementes, algumas já germinadas, outras em processo de crescimento. “As histórias lidas ecoam para além dos encontros formais, prolongando-se no quotidiano das famílias, nas conversas, nas perguntas e no desejo de continuar a ler”.

Aniceto da Silveira concluiu que a iniciativa termina o ciclo anual com a convicção de que investir na leitura é investir no futuro, na dignidade humana e na construção de uma sociedade mais justa e consciente. “O balanço é positivo, não apenas pelos números ou sessões realizadas, mas sobretudo pelos vínculos criados, pelas mentes despertas e pelos horizontes ampliados”.

Este ano, revelou, a A.S Leitura ao Domicílio afirma-se como um manifesto silencioso, pois quando o livro entra em casa, a transformação começa por dentro. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 11 de julho de 2025

Angola - Maria Eugénia Neto homenageada pelo contributo à literatura infantil

A escritora Maria Eugénia Neto foi homenageada hoje na Fundação Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, pelo contributo prestado ao desenvolvimento da literatura infanto-juvenil. A distinção ocorre no âmbito do projecto “50 anos, 50 homenageados”, promovido pela Biblioteca AS Leituras, com o objectivo de homenagear 50 escritores nacionais pelo contributo à literatura infanto-juvenil


Segundo o coordenador do projecto, Aniceto da Silveira, esta homenagem pretende destacar o impacto da obra de Maria Eugénia Neto na formação educacional e cultural das novas gerações. “Chegou o momento de reconhecer, por via de um tributo simbólico, os espaços que a escritora soube conquistar no meio da sociedade, através das suas palavras e do seu exemplo”, afirmou.

Aniceto realçou que a escritora desempenhou um papel pioneiro no desenvolvimento da literatura infanto-juvenil angolana, tendo criado textos que combinam simplicidade poética com profundos ensinamentos morais e patrióticos.

“As suas histórias tocam directamente o imaginário das crianças, sem nunca deixar de transmitir valores como a solidariedade, a identidade nacional e o respeito pelas raízes. Soube construir uma ponte entre a infância e a consciência crítica, algo valioso na nossa tradição literária”, afirmou.

A homenagem a Maria Eugénia Neto, disse, representa mais do que uma simples cerimónia de reconhecimento, trata-se de um gesto simbólico de resgate da memória literária nacional e de valorização dos autores que, com as suas obras, contribuíram para a afirmação da identidade cultural de Angola.

O projecto "50 anos, 50 homenageados", que teve arranque em Dezembro do ano passado, já homenageou os escritores Cremilda de Lima, Kudijimbi, Marta Santos, Maria Celestina Fernandes, Kim Freitas, Domingas Monte, David Capelenguela, Jonh Bella, Yola Castro, Carla Severino, entre outros.

Membro fundadora da União dos Escritores Angolanos, Maria Eugénia Neto nasceu em Portugal, em 1934. Em 1948, num círculo de intelectuais africanos conheceu Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, com quem viria a casar, tornando-se uma figura incontornável na luta de libertação de Angola. 

Desde a década de 1970, Maria Eugénia Neto tem -se dedicado à produção e promoção da literatura infantil, tendo as suas obras sido traduzidas para várias línguas e conquistado vários prémios. A Biblioteca Comunitária “A.S Leitura” foi fundada em 2022, fruto do projecto “Leitura ao Domicílio”, criado por Aniceto da Silveira. Gil Vieira – Angola in “Jornal de Angola”


sexta-feira, 30 de maio de 2025

França – Biblioteca na cidade de Rennes conta com livros de autores angolanos

A Bibliothèque des Champs Libres, na cidade de Rennes, em França, conta desde a semana passada com 20 livros de autores angolanos, doados pelo projecto Leitura ao Domicílio, durante a terceira edição da “Semana de África”, que decorreu de 19 a 24 deste mês



Durante o evento, que contou com a participação da República Democrática do Congo, Burundi, Nigéria, Côte d’Ivoire e França, país organizador, as obras, que narram vários elementos que compõem a riqueza histórica e cultural destacadas pelos escritores, foram expostas ao grande público.

O presidente do projecto Leitura ao Domicílio, Aniceto da Silveira, disse que a doação teve como objectivo dar a conhecer a literatura angolana à população francesa e aos visitantes que se dirigiram ao espaço.

No decorrer da exposição, avançou, os livros foram apreciados por vários cidadãos estrangeiros, o que permitiu ainda o intercâmbio com os demais expositores. “Em relação ao intercâmbio, está a ser muito bom, tive a oportunidade de falar sobre o projecto e como nasceu”, frisou.

Parceria

Aniceto da Silveira fez saber que a visita resulta da cooperação entre a Associação Kalissoki, com sede em França, e o projecto Leitura ao Domicílio, existente há três anos.

Ao longo da estadia, a comitiva angolana e a co-presidente da Associação Kalissoki, Elsa Valentina, reuniram com a responsável da livraria Librairie Comment Dire, onde debateram estratégias para a promoção e divulgação da literatura angolana no exterior. A viagem vai estender-se até Junho e inclui encontros com parceiros institucionais, embaixadores e cônsules, visando ampliar a rede de apoio ao projecto. Engrácia Francisco – Angola in “Jornal de Angola”