A obra autobiográfica O Farol da Minha Vida: Kopeny, Kopeny, Idhugo Onodhidjamula, do antigo administrador distrital e figura política moçambicana Cristóvão Cassamo, será apresentada no dia 27 de Outubro, às 09h00, no Auditório da UniLicungo, na cidade de Quelimane, província da Zambézia. Publicado postumamente pela Gala-Gala Edições, o livro reúne memórias pessoais, poesia e registos históricos do percurso do autor.
Com
196 páginas, a publicação percorre diferentes etapas da vida de Cristóvão
Cassamo, desde as suas origens familiares e a infância na ilha de Idhugo até à
educação tradicional, aos ritos de iniciação e à vida familiar. A obra inclui
ainda os capítulos O Amor de Cristóvão e Florência e Memorial Florência,
dedicados à dimensão afectiva da sua trajectória.
O
livro aborda igualmente o percurso profissional e político do autor, que
exerceu funções de administrador distrital em Mopeia, Dondo, Inhassunge e
Marracuene. A narrativa enquadra as suas experiências nos períodos colonial, de
transição e pós-independência, oferecendo um testemunho sobre diferentes
momentos da história de Moçambique.
A
publicação integra também Fragmentos de Luzes ou Cadernos de Poemas da Minha
Vida!, uma secção dedicada à produção poética do autor, e termina com um
caderno fotográfico. Na nota introdutória, Cristóvão Cassamo explica que a obra
nasceu do desejo de manifestar gratidão à família, à sua terra natal e às
pessoas que fazem parte da sua história.
O
título estabelece uma ligação especial com a ilha de Idhugo, apresentada como
fonte de inspiração ao longo da vida do autor. A expressão “Kopeny, Kopeny”, em
echuabo, é utilizada para solicitar entrada no quintal ou na casa de alguém,
enquanto “Onodidjamula” traduz a ideia de algo que serve de farol na vida de
uma pessoa.
Segundo
o editor Pedro Pereira Lopes, a obra constitui uma viagem no tempo e no espaço,
combinando prosa e poesia para retratar a vida do autor e dos seus
contemporâneos. O editor destaca ainda a abordagem de temas como a educação
tradicional, os laços familiares e as exigências do serviço público.
Integrado
na colecção Individualidades e Espaços, da Gala-Gala Edições, o livro será
apresentado numa cerimónia de entrada livre, aberta ao público em geral.
Nascido
em 1940, na ilha de Idhugo, província da Zambézia, Cristóvão Cassamo morreu em
2020. Iniciou os estudos nas Missões Católicas e trabalhou, durante o período
colonial, nas Obras Públicas, na Câmara Municipal de Nampula e nos Caminhos de
Ferro de Moçambique. Após a Independência Nacional, desempenhou funções de
secretário de grupos dinamizadores e, entre 1978 e 1999, foi administrador dos
distritos de Mopeia, Dondo, Inhassunge e Marracuene. Exerceu igualmente funções
de deputado da Assembleia Provincial e participou em comissões e brigadas
eleitorais até 2017. In “Moz Entretenimento” -
Moçambique
