Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Assistência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Assistência. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Suíça - Vota serviço cívico e fim do serviço militar, ambos obrigatórios

Os eleitores votam em 30 de novembro um projeto de lei que substitui o atual serviço militar obrigatório por um serviço cívico universal, que inclui mulheres e pode abranger estrangeiros. A proposta, apoiada por partidos e organizações diversas, visa promover a igualdade de género


A Suíça está prestes a conduzir um debate de alcance nacional sobre o valor e o futuro do engajamento cívico. Submetida ao veredito das urnas em 30 de novembro, a iniciativa “Por uma Suíça engajada“, também chamada de iniciativa pelo serviço cidadão, propõe uma reforma profunda do serviço militar.

O que a iniciativa pede?

O texto exige que toda pessoa de nacionalidade suíça realize um serviço em benefício da coletividade e do meio ambiente. Diferentemente do sistema atual, essa obrigação também se aplica às mulheres. A iniciativa prevê ainda que o legislador possa estendê-la a pessoas não suíças.

Hoje, a obrigação de servir limita-se ao exército, à proteção civil e ao serviço civil. Os proponentes da iniciativa querem abrir o serviço a outras formas de contribuição à sociedade.

Esse serviço de milícia poderá ser realizado em diversas áreas. O comité da iniciativa cita alguns exemplos: proteção ao meio ambiente, assistência a pessoas vulneráveis, segurança alimentar e prevenção de desastres. Caberá às autoridades definirem as tarefas concretas, de acordo com as necessidades do país.

Este novo sistema pretende substituir o serviço militar como existe atualmente, que obriga os homens suíços a servirem no exército ou na proteção civil. Aqueles que recusam o serviço armado por motivos de consciência podem optar pelo serviço civil, que é mais longo e geralmente realizado nos setores social, de saúde ou ambiental. Os homens que não cumprem nenhuma dessas obrigações devem pagar uma taxa de isenção.

Quem está por trás dessa proposta?

A iniciativa foi lançada pela associação genebrina servicecitoyen.ch, fundada em 2013. Ela foi registada em 26 de outubro de 2023 com 107.613 assinaturas. O texto conta com o apoio do Partido Verde-Liberal, do Partido Evangélico, do Partido Pirata, dos Jovens do Centro, além de diversas associações.

Quais são os argumentos das defensoras e defensores da reforma?

As proponentes e os proponentes da iniciativa consideram que o sistema atual está ultrapassado e é desigual. Eles criticam o facto de que apenas os homens suíços estão sujeitos à obrigação de servir, enquanto mulheres e pessoas estrangeiras estão isentas.

O comité da iniciativa acredita que um serviço cidadão universal permitirá concretizar a igualdade de género, reforçar a coesão social e valorizar o engajamento cívico.

Aos olhos dos seus defensores, a reforma também poderá garantir os efetivos necessários para o exército e para a proteção civil, ampliando o pool de pessoas mobilizáveis.

O comité da iniciativa destaca ainda que o texto permitirá reconhecer formas civis de engajamento como equivalentes ao serviço militar, atendendo assim às necessidades crescentes em áreas como meio ambiente, saúde e ação social.

Qual é a posição do governo federal e do Parlamento?

O Conselho Federal (gabinete de sete ministros que governa a Suíça) e o Parlamento saúdam o objetivo da iniciativa, ou seja, o desejo de fortalecer o engajamento dos cidadãos suíços em prol da sociedade. No entanto, consideram que o serviço cidadão não constitui uma solução adequada.

O governo preocupa-se, sobretudo, em manter efetivos suficientes para o exército e para a proteção civil, que, segundo um estudo realizado em 2021, poderiam em breve deixar de ser assegurados. Contudo, considera que a iniciativa vai longe demais. Com o serviço cidadão, o Conselho Federal estima que quase 70 mil pessoas seriam mobilizadas a cada ano. No entanto, a necessidade real é de cerca de 30.400 pessoas obrigadas ao serviço civil por ano. Assim, o número de recrutados superaria amplamente a procura real.

Para o Conselho Federal, não seria igualmente prudente alocar tantas pessoas em tarefas que não correspondem às suas competências profissionais e para as quais estão menos qualificadas. O governo também alerta para os custos adicionais: as despesas anuais relacionadas ao subsídio por perda de ganho (APG, na sigla em francês) e ao seguro militar dobrariam, atingindo, respectivamente, 1,6 bilhão de francos e 320 milhões. O mercado de trabalho ficaria privado de duas vezes mais mão de obra do que atualmente, e os empregadores teriam de arcar com custos elevados para compensar as ausências.

Quem é contra a iniciativa?

Embora políticos de diferentes espectros apoiem o serviço cidadão, o texto não convence nenhum partido do governo. O Grupo por uma Suíça sem Exército também está entre os seus críticos.

Argumentos dos opositores

Os adversários da iniciativa apontam lacunas na implementação do texto. Perguntam, por exemplo, como garantir os efetivos do exército e da proteção civil, se as pessoas obrigadas a servir podem escolher em qual área cumprirão o seu serviço.

Os partidos de direita e centro temem impactos negativos na economia, enquanto a esquerda afirma que o serviço cidadão poderia ser assimilado a trabalho forçado, violando o direito internacional.

As opositoras e opositores também argumentam que a obrigação de servir para as mulheres não representaria um verdadeiro progresso em termos de igualdade, considerando que a equidade no mundo profissional e na sociedade ainda não é uma realidade. Isso poderia sobrecarregar ainda mais as mulheres, que já assumem grande parte do trabalho não remunerado. Samuel Jaberg – Suíça in “Swissinfo”


terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Moçambique - ACNUR preocupada com impactos do ciclone Chido

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) diz estar preocupada com o impacto do ciclone Chido nas comunidades vulneráveis do país.  Por isso, o órgão garante estar a trabalhar em estreita colaboração com o Governo de Moçambique e parceiros humanitários para fornecer assistência imediata.


 

“Nas primeiras 48 horas, a ACNUR forneceu assistência no maior centro de acomodação em Pemba, capital de Cabo Delgado, onde mais de 2600 pessoas receberam ajuda emergencial e itens essenciais, como cobertores, colchonetes, redes mosquiteiras e suprimentos de abrigo de emergência. A ACNUR também está a coordenar a prestação de serviços vitais de protecção aos mais vulneráveis”, explicou Eujin Byun, porta-voz da agência.

Dados preliminares das Nações Unidas indicam que cerca de 190 mil pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária, 33 escolas foram afectadas e quase 10 mil casas foram destruídas. Em algumas aldeias, muito poucas casas permanecem de pé.

Falando esta terça-feira, em Genebra, Eujin Byun, a ACNUR teme que “o ciclone Chido possa sinalizar o início de uma estação chuvosa intensa e destrutiva, que historicamente trouxe ciclones e inundações severas para a região”.

O ciclone tropical Chido atingiu o Norte do país, no fim-de-semana, carregando consigo chuvas torrenciais e ventos fortes, que devastaram comunidades nas províncias de Cabo Delgado e Nampula. 

O fenómeno destruiu casas, deslocou milhares de pessoas e danificou severamente estradas e redes de comunicação, dificultando os esforços de socorro. Esalinha Alfredo – Moçambique in “O País”


sábado, 22 de junho de 2024

Nações Unidas - Agência de projetos da ONU pede maior apoio internacional para Moçambique

Cerca de 1,7 milhão de moçambicanos precisarão de auxílio humanitário e proteção neste ano. A ação do Unops tem impacto em cerca de 60 mil pessoas em Cabo Delgado, Jorge Moreira da Silva encerrou a presença na área pedindo que o mundo se lembre das vítimas do conflito no norte


O Escritório da ONU de Serviços para Projetos, Unops, pede mais apoio internacional aos esforços em favor das populações do norte de Moçambique.

O diretor-geral da agência, Jorge Moreira da Silva, acompanhou até esta quinta-feira a atuação do Unops junto a 60 mil pessoas no terreno. Ele ressaltou “resultados tangíveis” do apoio oferecido em 40 escolas de 13 distritos da província de Cabo Delgado.

Comida, segurança e abrigo

Depois de uma presença de quatro dias no país, Moreira da Silva lembrou que as comunidades da província sofrem o impacto da violência que em mais de sete anos matou milhares de pessoas e deslocou mais de 1 milhão.

O representante falou ainda da procura diária por comida, segurança e abrigo como algumas marcas do conflito que se juntam à vulnerabilidade aos desastres climáticos, apesar do país emitir baixos níveis de gases poluentes.

Moreira da Silva contou que a “perspectiva humanitária é terrível”. Ele contactou comunidades afetadas pelo conflito e acompanhou as necessidades locais. O debate para a busca de apoio envolveu parceiros nacionais em diferentes níveis.

Assistência humanitária e proteção

Em 2024, cerca de 1,7 milhão de pessoas precisarão de assistência humanitária e proteção em Moçambique, incluindo 1,3 milhão de afetadas por conflitos.

O chefe do Unops relata “uma realidade de múltiplas crises sem precedentes”, como um factor que justifica que o conflito no norte de Moçambique permaneça nas mentes.

A atuação da agência com o governo e o Banco Mundial oferece resposta e apoia a recuperação de infraestrutura básica, a procura de meios de subsistência sustentáveis, o aumento do acesso a serviços públicos e promove a coesão social.

Jorge Moreira da Silva destacou que atividades estão em curso para melhorar a situação das comunidades. Ele elogiou a resiliência e a determinação das populações locais para “forjar um caminho pacífico e próspero”.

O chefe do Unops ressaltou que o desenvolvimento sustentável e inclusivo em Moçambique requer paz e estabilidade.

O apelo feito à comunidade internacional é que possa “renovar o seu compromisso de apoio aos esforços nacionais e locais para se descobrirem soluções práticas para as comunidades afetadas por conflitos e vulnerabilidade climática”. ONU News – Nações Unidas


segunda-feira, 24 de julho de 2023

Portugal - Universidade de Coimbra desenvolve solução inovadora de assistência a profissionais de call center

Um grupo de investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu uma plataforma inovadora que pretende prestar assistência a profissionais de call center, tanto em tempo real, como numa fase de auditoria. 


O projeto Flowance, liderado pela empresa Talkdesk e que tem como parceiro o Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), teve como objetivo principal desenvolver mecanismos de suporte a agentes de centros de contacto para que sejam mais eficientes no seu trabalho.

«A principal contribuição do CISUC neste projeto foi uma plataforma para, a partir de um conjunto de diálogos, descobrir os fluxos mais comuns das conversas, representados por um conjunto de estados de diálogo (cumprimento, pedido de informação, resposta, clarificação) e de transições entre eles, com diferentes probabilidades associadas», explica Hugo Gonçalo Oliveira, investigador do CISUC e docente do DEI, acrescentando que  «foi necessário experimentar diferentes maneiras de representar, classificar e agrupar as falas de um diálogo, explorar formas distintas de interpretar e nomear os estados e, mais recentemente, formas de visualizar os fluxos extraídos».

De acordo com o investigador do CISUC, o expectável é que estes fluxos ofereçam uma forma alternativa de analisar as conversas e que, complementados pela sua visualização, permitam identificar tendências na comunicação, tais como situações inesperadas, bloqueios, pedidos de informação e respostas mais comuns.

Este tipo de análise, esclarece Hugo Gonçalo Oliveira, «pode suportar o ajuste de procedimentos num centro de contacto, incluindo alterações a sistemas de atendimento automáticos, ou mesmo ao nível dos recursos humanos e da sua orientação. Poderão ainda ajudar a guiar os intervenientes numa conversa, em tempo real, que, ao monitorizar a conversa, conseguirão antecipar as interações seguintes, e, provavelmente, tornar o contacto mais eficiente».

Apesar do projeto Flowence já ter terminado, a equipa continua a trabalhar nesta solução no âmbito do projeto Center For Responsible AI, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). «Estamos a tentar melhorar as formas de visualizar os fluxos de conversas, incluindo uma melhor identificação do que cada estado do diálogo representa. Pretendemos também considerar os sentimentos predominantes (positivo/negativo) em diferentes fases dos diálogos. Por exemplo, o ideal é que diálogos que comecem com queixas/reclamações, terminem com um sentimento mais positivo», sublinha.

«No novo projeto, o foco está ainda na utilização destes métodos para extrair fluxos e ajudar a explicar o funcionamento de agentes conversacionais (chatbots) que não se baseiam em fluxos pré-definidos, como o ChatGPT, contribuindo assim para uma maior confiança na sua utilização ou, de uma forma geral, auditar conversas, que podem ter como origem centros de contacto/apoio ao cliente», conclui.

A equipa do CISUC é constituída pelos investigadores Hugo Gonçalo Oliveira, Catarina Silva, Ana Alves e Nuno Lourenço, e a aluna de doutoramento Patrícia Ferreira. Universidade de Coimbra - Portugal  


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Brasil - Associação de Portugueses recebe título de utilidade pública em Vitória

Por unanimidade, a APES – Associação de Portugueses do Espírito Santo foi aprovada a receber o título de utilidade pública, na Câmara Municipal de Vitória.

O projeto de Lei foi apresentado pelo Vereador Armandinho Fontoura, “amigo e participante ativo dos nossos eventos e causas que defendemos” segundo a direção da APES.

“A associação faz um excelente trabalho de desenvolvimento sócio-econômico-cultural, além de oferecer assistência à Comunidade Portuguesa e de Luso-Brasileiros no Estado. Com isso damos ainda mais visibilidade às admiráveis ações da @apesbr. Sou um grande amigo, admirador e participante ativo dos eventos da Associação, e levar o projeto à frente foi uma honra” declarou o vereador.

O Presidente da APES Alexandre Mendes recebeu a aprovação acompanhado pelo sócio fundador José António Gonçalves, o Diretor Ricardo Graça e o luso capixaba Leonardo Coutinho.

“Agradecimento muito especial ao proponente pela confiança que depositou e defendeu o PL em plenário. Estendemos os agradecimentos a todos os vereadores presentes e um abraço ao Presidente da Casa Davi Esmael pela amizade de sempre” divulgou o presidente Alexandre Mendes.

“Uma grande conquista para a APES e a Comunidade portuguesa no estado do Espírito Santo” concluiu.

O reconhecimento do poder público mostra que a instituição está em consonância com o seu objetivo social, sem fins lucrativos e prestadora de serviços à coletividade, podendo participar de editais públicos.

A Associação de Portugueses do Espírito Santo foi fundada no dia 05 de julho de 2018, quando o português Alexandre Mendes se deparou com dificuldades para regularizar sua documentação no Estado, auxiliando outros conterrâneos na mesma situação de dificuldades. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Moçambique - Programa Mundial de Alimentação adapta entrega de comida à nova realidade do covid-19



O Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse que o novo coronavírus levou a agência a adaptar algumas acções de entrega de comida após o covid-19. Uma área que se está a recuperar do ciclone Idai, em Moçambique, é destaque no grupo de sete nações incluindo Irão, Síria, Afeganistão, Zimbabué e Quénia.

A agência da ONU destaca que a pandemia ameaça milhões de pessoas já vulneráveis devido à insegurança alimentar, desnutrição e os efeitos de conflitos, alterações climáticas e outros desastres. Moçambique confirmou 17 pessoas infectadas pelo vírus, sem mortes.

Desastre

A atuação do PMA com novas regras acontece no Centro de Reassentamento de Savane, em Dondo, na província central de Sofala. Mais de 265 famílias afectadas pelo ciclone em 2019 recebem apoio alimentar. O desastre foi um dos piores a abalar o sul da África em décadas.

No assentamento, cerca de 1325 pessoas beneficiam de cupões electrónicos para comprar alimentos. Cada família recebe uma cesta para consumir num mês composta por 40 kg de arroz e pequenas quantidades de feijão, óleo vegetal e sal.

Os cupões são trocados por pacotes de alimentos num ponto de distribuição de um revendedor autorizado. Durante estas acções, os beneficiários ficam perfilados  para recolher os alimentos separados a uma distância de 1,5 metro.

No local, foram instaladas estações de lavagem das mãos e os funcionários apresentam-se com equipamentos de protecção individual. As comunidades também recebem detalhes sobre a pandemia e a sua prevenção.

Assistência

O PMA tem cerca de 87 milhões de pessoas como alvo de programas de assistência alimentar deste género.

Nestas áreas, a agência teve que desenvolver e implementar novos planos para reorganizar as distribuições da comida adaptando-os a fim de proteger os funcionários e participantes dos programas de assistência alimentar. ONU News – Nações Unidas

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Macau – Cruz Vermelha, com todas as precauções, continua a prestar os serviços habituais

A Cruz Vermelha de Macau continua a prestar os serviços habituais à população do território estando a tomar “todas as precauções” para evitar pôr em perigo os seus funcionários. O secretário do Conselho Geral, João Manuel Ambrósio, assegura que a instituição está a ser cautelosa com a utilização de materiais, como máscaras, porque não se sabe “quando é que a epidemia vai acabar”



Desde o início da propagação do COVID-19, a Cruz Vermelha de Macau tem mantido a sua actividade regular, no entanto, tendo em conta que não se sabe quando a epidemia poderá chegar ao fim, tem tomado algumas precauções, explicou o secretário do Conselho Geral da instituição ao Jornal Tribuna de Macau.

“Levamos pessoas ao hospital e a outros consultórios para hemodiálise e outros tratamentos. Continuamos a prestar o nosso serviço à população de Macau. Temos já mais ou menos um número fixo de pacientes que precisam de ir constantemente ao hospital receber tratamento. Esse número não tem aumentado ou reduzido significativamente, não obstante a epidemia que estamos a enfrentar”, começou por referir João Manuel Ambrósio.

No entanto, “estamos a tomar todas as precauções”. “Todo o nosso pessoal está a fazer limpeza e há todo o equipamento necessário para evitar contágio pela doença durante o transporte de pacientes ou mesmo na área do hospital”. Este serviço de acompanhamento de pessoas ao hospital e de volta a casa é um dos principais disponibilizados pela Cruz Vermelha, até tendo em conta que vários outros da mesma índole estão a cargo do Corpo de Bombeiros.

A Cruz Vermelha transporta, diariamente, cerca de 60 pessoas até ao Centro Hospitalar Conde de São Januário. O serviço esteve suspenso “por alguns dias” devido à interrupção temporária de consultas externas no hospital público, porém, já foi reactivado.

“Estamos também muito cuidadosos com o uso dos materiais porque não sabemos quando é que a epidemia vai acabar e o material que temos em ‘stock’ é suficiente para um futuro muito próximo. Estamos a falar de uma reserva para cerca de um mês, mas estamos muito cautelosos com a questão dos materiais e equipamentos”, frisou o secretário do Conselho Geral acrescentando que, de qualquer forma, estão em contacto permanente com o Executivo.

“O Governo também percebe a nossa situação e ao delinear uma política global sobre os materiais tem em consideração as necessidades e uso dos materiais por parte da Cruz Vermelha de Macau”, garante João Manuel Ambrósio.

De qualquer modo, a organização está à procura, “em todo o mundo” mas especialmente junto dos chineses ultramarinos, de fornecedores que possam enviar este tipo de materiais para a RAEM. “Estamos a encontrar uma fonte para o material de que precisamos, tendo em conta que a própria China, que produz a maior parte do equipamento, também tem enfrentado dificuldades em fornecer a si própria e a fazer a exportação para Macau”, sublinhou.

Ressalvando que, ainda assim, “a situação não está tão difícil”, a Cruz Vermelha continua a “envidar os melhores esforços para que o stock se mantenha num nível que possa satisfazer o futuro próximo”.

Por outro lado, João Manuel Ambrósio referiu que a Cruz Vermelha tem funcionários a fazer a medição da temperatura nas fronteiras. “Todos os postos fronteiriços têm pessoal da Cruz Vermelha para fazer a medição da temperatura. No Aeroporto também temos um serviço de urgência, um posto de socorro, mas também a procura não é muita porque muitos voos foram cancelados e há menos gente a viajar”.

Além disso, assegurou, a Cruz Vermelha não tem tido dificuldade ao nível das ambulâncias. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 29 de junho de 2018

OIT - Pede que sejam tomadas medidas urgentes para evitar a crise global iminente na assistência às pessoas

Um novo relatório da OIT destaca a inadequação das respostas políticas à crescente procura e quantifica a extensão da carga que recai sobre as mulheres



GENEBRA - Investimentos na economia do cuidado precisam de ser duplicados para evitar uma crise iminente na assistência às pessoas, de acordo com um novo relatório da OIT.

Mudanças radicais nas políticas devem atender à crescente necessidade de atendimento e abordar a enorme disparidade entre mulheres e homens nas responsabilidades familiares e da atenção. Os números mostram que as mulheres gastam mais de três quartos do tempo em trabalho não remunerado.

Cerca de 269 milhões de novos empregos poderiam ser criados se os investimentos em educação, saúde e assistência social forem duplicados até 2030, segundo o relatório.

De acordo com o relatório em língua inglesa Trabalho e emprego no setor da prestação de cuidados para o futuro do trabalho, 2100 milhões de pessoas precisavam de cuidados em 2015, incluindo 1900 milhões de crianças menores de 15 anos e 200 milhões de idosos. Até 2030, esse número deve chegar a 2,3 mil milhões quando ingressarem outros 200 milhões de idosos e crianças.

“A prevalência mundial de famílias nucleares e famílias monoparentais, assim como o crescimento do emprego das mulheres em alguns países, incrementa a procura por cuidadores. Se não abordar-se adequadamente os défices atuais na prestação de cuidados e na sua qualidade, será gerada uma crise de cuidados globais insustentáveis e aumentará ainda mais as desigualdades de género no local de trabalho," afirmou Laura Addati, principal autora do relatório.

Dados de 64 países, que representam dois terços da população activa no mundo, mostram que no mundo empregam 16400 milhões de horas (anuais?) no trabalho de assistência não remunerado, o que equivale a 2 mil milhões de pessoas trabalhando oito horas por dia sem receber qualquer remuneração. Se estes serviços fossem avaliados com base no salário mínimo por hora, representariam 9 por cento do PIB mundial, quer dizer 11 mil biliões de dólares (paridade do poder de compra em 2011).

As mulheres carregam o maior fardo

Segundo o relatório, as mulheres são responsáveis ​​por 76,2% de todas as horas de trabalho não remunerado, mais que o triplo dos homens.

Em alguns países, a contribuição dos homens para o trabalho de assistência não remunerada aumentou nos últimos 20 anos. No entanto, em 23 países que forneceram dados, a desigualdade de género ao longo do tempo gasto em responsabilidades de cuidados não pagos diminuiu apenas de 7 minutos por dia nas últimas duas décadas.

"Neste ritmo, serão necessários 210 anos para acabar com as diferenças entre os sexos na prestação de cuidados nestes países. O ritmo extremamente lento destas mudanças questiona a eficácia das políticas passadas e atuais para fazer frente à extensão e distribuição do trabalho de assistência não remunerada nas últimas duas décadas", declarou Shauna Olney, Chefe do Serviço de Género, Igualdade e Diversidade e da OITSIDA da OIT.

O relatório assinala que o trabalho de assistência não remunerada é o principal obstáculo que impede as mulheres de ingressar, permanecer e progredir na força de trabalho. Neste ano corrente, 606 milhões de mulheres em idade activa declararam que não tinham conseguido fazê-lo devido ao trabalho de assistência não remunerado. Apenas 41 milhões de homens disseram que não faziam parte da força de trabalho pela mesma razão.

Um relatório da OIT-Gallup de 2017 constatou que, globalmente, a maioria das mulheres preferem trabalhar num emprego remunerado, mesmo aqueles que não fazem parte da força de trabalho, e que os homens estão de acordo. Constatou ainda que os principais desafios identificados, tanto por mulheres como por homens, enfrentados pelas mulheres no emprego pago é conciliar a vida familiar e a vida profissional e a falta de serviços de assistência acessíveis. "Isto implica que um grande número de mulheres poderiam ser incorporadas no emprego pago graças às políticas de acesso universal aos cuidados, serviços e infraestrutura", destacou Shauna Olney.

É necessário aumentar os gastos com prestação de cuidados

O relatório promove um percurso real para o trabalho de cuidados, o que resultaria num total de 475 milhões de empregos até 2030, ou seja, 269 milhões de empregos adicionais em comparação com o número de postos de trabalho em 2015. Isto implicaria um gasto público e privado em serviços de cuidados de 18,4 mil biliões de dólares equivalente a 18,3% do PIB total esperado. Este investimento permitiria aos países alcançar vários fins dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) em 2030: o ODS 3 (saúde e bem-estar para todos), o ODS 4 (educação de qualidade), o ODS 5 (igualdade de género) e o ODS 8 (trabalho decente e crescimento económico).

O relatório também mostra que a maioria dos profissionais de cuidados são mulheres, muitas vezes migrantes, que trabalham na economia informal em condições precárias e mal pagas.

"Um caminho mais fácil para a prestação de cuidados significa reconhecer, reduzir e redistribuir o trabalho de assistência não remunerada e conseguir um trabalho decente para os cuidadores, incluindo os trabalhadores domésticos e migrantes. Os empregos de baixa qualidade para cuidadores resultam em prestação de cuidados de baixa qualidade. O nosso relatório pede uma mudança radical nas políticas macroeconómicas, de assistência, proteção social, trabalho e migração ", concluiu Laura Addati. Organização Internacional do Trabalho

Outras conclusões importantes:

Mães de crianças com menos de seis anos de idade estão sujeitas à mais alta "penalização de emprego", com apenas 47,6% delas empregadas

Cuidadores não remunerados também sofrem de uma "penalização pela qualidade do trabalho": morar com uma criança com menos de seis anos de idade envolve a perda de cerca de uma hora de trabalho remunerado por semana para mulheres e um aumento no tempo de trabalho remunerado. 18 minutos por semana para homens

As mulheres com responsabilidades de assistência têm mais probabilidades de serem trabalhadoras autónomas, de trabalharem na economia informal e terem menor probabilidade de contribuir para a previdência social

Atitudes em relação à divisão do trabalho de assistência, remunerado e não remunerado, por género está a mudar, mas o modelo familiar de "o homem como chefe de família" está bem enraizado nas sociedades, em conjunto com a continuidade do papel central das mulheres como cuidadoras na família

Em 2016, apenas 42 por cento dos 184 países com dados disponíveis respeitam os padrões mínimos estabelecidos no Convénio (n.º 183) sobre a protecção da maternidade da OIT

No mesmo ano, 39 por cento dos 184 países com dados não tinha lei para estabelecer a permissão de paternidade (nem remunerado ou não)

Globalmente, as taxas brutas de matrícula em serviços para crianças com menos de três anos de idade eram de apenas 18,3% em 2015, e mal chegavam a 57% para crianças entre três e seis anos de idade

Os serviços de cuidados de longo prazo são praticamente inexistentes na maioria dos países da África, América Latina e Ásia


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Angola – Autoridades vão fornecer alimentos a mais de 700 mil afetados pela seca

As autoridades angolanas defendem o fornecimento imediato de assistência alimentar às 755678 pessoas afetadas pela seca na província do Cunene, cujas necessidades alimentares estão ainda a ser analisadas.

O assunto foi analisado durante uma reunião entre a Comissão de Proteção Civil no Cunene e a delegação multissetorial, chefiada pelo secretário de Estado para a Proteção Civil e Bombeiros do Ministério do Interior de Angola, Eugénio Laborinho, que desde segunda-feira trabalha naquela região do sul do país, noticiou o Jornal de Angola.

A Comissão de Proteção Civil no Cunene está a preparar um relatório sobre as necessidades alimentares neste momento, para ser apresentado ao Governo.

Na reunião ficou ainda decidido que depois da ajuda alimentar, a população deve receber igualmente assistência nos domínios da saúde, educação e agricultura.

Nos últimos dias, começou a chover na província do Cunene, por isso as autoridades preveem que a situação possa estar minimizada até ao final do primeiro semestre deste ano, altura da colheita dos produtos agrícolas.

Com a situação, segundo dados da Comissão de proteção Civil no Cunene, em algumas localidades a população abandonou as suas residências à procura de apoio, muitas delas deslocando-se à vizinha República da Namíbia.

As autoridades tradicionais, que consideram fraco o apoio prestado pelas autoridades, apesar de a direção provincial do Ministério da Agricultura ter fornecido no início da época chuvosa algumas sementes, solicitaram ao Governo mais sementes e tratores para o aumento da produção agrícola.

Na semana passada, o governador da província do Cunene, António Didalelwa, anunciou a existência de dez toneladas de milho para sementeira. In “Mundo Lusíada” - Brasil