Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Academia Brasileira de Letras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Academia Brasileira de Letras. Mostrar todas as mensagens

domingo, 1 de junho de 2025

Brasil - Falece Evanildo Bechara, um dos maiores gramáticos do país

A nossa comunidade linguística perdeu um de seus mais brilhantes expoentes com o falecimento do professor Evanildo Bechara em 22 de maio de 2025, aos 97 anos, no Rio de Janeiro. Bechara deixou um legado indelével no estudo e ensino da nossa língua, sendo reconhecido como “o maior especialista em língua portuguesa, com fama que ultrapassa nossas fronteiras”, nas palavras de Merval Pereira, presidente da Academia Brasileira de Letras.



A sua produção intelectual foi vasta e influente. A “Moderna Gramática Portuguesa”, publicada pola primeira vez em 1961, alcançou as 37 edições, sendo continuamente atualizada polo autor. Outros trabalhos fundamentais incluem a “Gramática Escolar da Língua Portuguesa” (2001) e “Lições de Português pela Análise Sintática” (2004), obras que formaram gerações de estudantes e professores.

Bechara teve uma atuação académica destacada como professor titular e emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense, além de ter lecionado em prestigiadas instituições internacionais como as universidades de Coimbra (Portugal) e Colónia (Alemanha). A sua abordagem combinava o rigor científico com a acessibilidade didática, sempre enfatizando a importância de relacionar pesquisa linguística com o ensino prático.

Atuação institucional e reconhecimentos

Eleito para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras em 2000, Bechara assumiu a posição em 2001 e tornou-se uma figura central na instituição. Exerceu funções como Diretor Tesoureiro e Secretário-Geral, além de presidir a importante Comissão de Lexicologia e Lexicografia, responsável por obras de referência como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp).

Como representante brasileiro nas negociações do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, Bechara desempenhou um papel fundamental na padronização da escrita nos países lusófonos. A sua atuação nesse processo refletia a sua visão de uma língua unificada na sua diversidade.

Ao longo da carreira, recebeu inúmeras honrarias, incluindo o título de Doutor Honoris Causa pola Universidade de Coimbra e a medalha Oskar Nobiling da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura. Foi membro de prestigiadas instituições como a Academia Brasileira de Filologia, a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Galega da Língua Portuguesa.

Relação com a Galiza e visão sobre a língua

Ainda que a sua principal contribuição foi no campo da gramática brasileira, Bechara manteve um diálogo frutífero com pessoas estudiosas galegas que defendem a reintegração do galego no universo lusófono. Em 2008, como representante da Academia Brasileira de Letras, participou ativamente do lançamento da Academia Galega da Língua Portuguesa em Santiago de Compostela, onde proferiu palavras marcantes: “do ponto de vista linguístico, o galego é uma vertente desta realidade da língua histórica que se chama língua comum […] o galego nunca se separou do português”

Esta participação não foi isolada. Bechara já colaborava com o movimento reintegracionista galego desde as décadas finais do século XX, tendo participado de congressos e publicado na revista Agália da Associaçom Galega da Língua (AGAL).

A morte de Evanildo Bechara encerra um capítulo nos estudos linguísticos no Brasil, mas o seu legado permanecerá através das suas obras fundamentais e das gerações de professores e pesquisadores que formou. Como afirmou a Academia Brasileira de Letras em nota oficial: “Nos despedimos de um dos maiores nomes da educação e da linguística brasileira, mas o seu legado segue imortal”. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


quarta-feira, 9 de abril de 2025

Brasil - Rio Capital Mundial do Livro anuncia Caixa Literária com obras dos países CPLP

A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, promoveu neste 8 de abril, na Academia das Ciências de Lisboa, o evento Rios da Palavra, em parceria com a Academia Brasileira de Letras (ABL) . A cerimônia marcou o início das celebrações do Rio como Capital Mundial do Livro e contou com a presença do secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha. Também participaram do evento o presidente da ABL, Merval Pereira, e o presidente da Academia das Ciências de Lisboa, José Francisco Rodrigues, além de representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).



O evento teve como destaque a apresentação de uma Caixa Literária. Dentro dela, livros de obras clássicas e contemporâneas selecionadas por Portugal, Timor-Leste, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e Moçambique. Após o evento, a caixa seguirá para o Rio de Janeiro, onde será recebida pelo prefeito Eduardo Paes no Real Gabinete Português de Leitura, na cerimônia de lançamento da marca oficial do Rio Capital Mundial do Livro. A ação simboliza a diversidade e a riqueza da literatura lusófona.

Ao longo do ano, obras brasileiras serão escolhidas por meio de concursos, festivais e prêmios e somadas a esse acervo. A proposta é que a formação dessa Caixa Literária seja incorporada à programação oficial das Capitais Mundiais do Livro da UNESCO, com o Rio assumindo o papel de catalisador e difusor da produção literária em língua portuguesa para o mundo. O título, concedido pela UNESCO pela primeira vez a uma cidade de língua portuguesa em reconhecimento à excelência dos programas de promoção da leitura no município, foi anunciado pelo prefeito Eduardo Paes em 2024, e englobará uma extensa agenda de eventos e ações voltadas para a formulação de novas políticas públicas de Livro e Leitura.

Rio Capital Mundial do Livro: próximos eventos

A Caixa Literária será entregue no dia 11 de abril, em evento que marcará também o lançamento da marca oficial do Rio Capital Mundial do Livro, no Real Gabinete Português de Leitura. Durante o evento, será revelada a marca oficial, criada por um designer carioca vencedor de concurso promovido pela ABL, com apoio da Prefeitura do Rio, bem como os detalhes sobre a programação oficial do Rio Capital Mundial do Livro. A cerimônia contará com autoridades, membros da Academia e representantes do setor cultural, além da exibição de um vídeo promocional com registros do evento em Lisboa.

A Prefeitura do Rio promoverá, no dia 23 de abril, a abertura do Rio Capital Mundial do Livro, no Teatro Carlos Gomes. Um espetáculo marcará oficialmente o início do ano literário da cidade. O espetáculo celebrará, em performances artísticas a vida e a obra dos grandes autores da literatura brasileira e relevará as obras da caixa literária. A solenidade contará com a presença de autoridades, representantes da UNESCO e nomes de relevo do cenário cultural do Brasil.

Sobre o Rio Capital Mundial do Livro

O título de Capital Mundial do Livro foi concedido pela UNESCO ao Rio de Janeiro em reconhecimento à excelência dos programas de promoção da leitura no município, e anunciado pelo prefeito Eduardo Paes em 2024. A cidade terá uma extensa agenda de eventos e ações voltadas para a formulação de novas políticas públicas de livro e leitura, com apoio das principais entidades do mercado editorial brasileiro. Também faz parte da agenda do Rio Capital Mundial do Livro uma série de eventos e ações voltados para o desenvolvimento econômico do setor e para a formulação de novas políticas públicas de livro e leitura. Desde agosto de 2024, a Prefeitura do Rio já destinou cerca de R$ 5,1 milhões em editais destinados a realização de feiras literárias, capacitação de escritores, promoção de ações voltadas à difusão da literatura brasileira e promoção de autores cariocas. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quarta-feira, 17 de abril de 2024

Brasil - Escritor João Morgado “surpreende” com o seu “Cabral” desconhecido

Uma surpresa literária atravessou oceanos quando o escritor português, João Morgado, desembarcou no Brasil para uma série de palestras sobre “o mais conhecido e o mais desconhecido dos portugueses”. Uma viagem para promover o seu mais recente romance, “Cabral – O Desconhecido”, editado pela Clube de Autores (clubedeautores.com.br/livro/cabral).


O autor português esteve presente na Academia Brasileira de Letras numa noite histórica, em que foi empossado o primeiro académico indígena, o ambientalista, filósofo e poeta Ailton Krenak, e teve um encontro com a ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes.

Aclamado pela sua prosa envolvente, e rica em pormenores e factos históricos, João Morgado empreendeu uma viagem literária pelo Brasil, com início no Rio de Janeiro, onde foi recebido como acadêmico correspondente na Academia Luso-Brasileira de Letras e realizou uma palestra no Consulado Geral de Portugal no Rio de Janeiro, no Palácio de São Clemente, com a presença da Cônsul-Geral de Portugal no Rio de Janeiro, embaixadora Gabriela de Albergaria, do deputado eleito pela emigração pelo círculo de fora da Europa, Flávio Martins, da vereadora portuguesa na prefeitura do Rio de Janeiro, Teresa Bergher, além de dirigentes associativos e muitas pessoas ligadas à cultura portuguesa, como, por exemplo, a grande fadista Maria Alcina.

Em São Paulo foi recebido na Casa de Portugal, para um almoço com a comunidade portuguesa e uma palestra nas instalações da Biblioteca Fernando Pessoa. No Sul do país, foi recebido em Canoas pelos membros da Câmara de Indústria e Comércio e Serviços durante um Café da Manhã & Conhecimento, com empresários e entidades locais, entre as quais o Prefeito da cidade e Filipa Mendonça, titular do Vice-Consulado de Portugal em Porto Alegre.

Em Florianópolis foi recebido no Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, do qual é acadêmico correspondente e marcou presença na FIN – Feira Internacional de Negócios, para um encontro de “negócios & cultura”.

De regresso ao Rio de Janeiro, apresentou a sua obra nas associações da comunidade portuguesa, Orfeão Português e Casa do Minho, que o nomeou Sócio Honorário.

Esteve ainda três dias no Uruguai, a convite da Casa de Portugal, onde apresentou a obra em Montevideo e Punta del Este.

O destaque destes eventos foi a apresentação de “Cabral – O Desconhecido”, uma obra que mergulha nos mistérios e na riqueza da história de Pedro Álvares Cabral, navegador e figura histórica de relevância ímpar entre Portugal e Brasil. Uma personagem que, segundo o autor, “não se chamava Cabral nem era navegador, antes um embaixador letrado e humanista!”.

A viagem de João Morgado e a divulgação de “Cabral” não apenas enriqueceram o cenário literário brasileiro, mas também contribuíram para o reforço dos laços culturais entre Portugal e o Brasil. Além disso, o reconhecimento do autor pela renomada Academia Luso-Brasileira de Letras, que o acolheu como acadêmico, é testemunho de sua contribuição excepcional para a literatura e para o diálogo intercultural.

Fruto de uma longa investigação, “Cabral – O Desconhecido” não é apenas um romance biográfico; é uma jornada emocionante pelo passado, repleta de descobertas fascinantes e contributos profundos sobre um dos personagens mais icônicos da história luso-brasileira. A capacidade de João Morgado em humanizar Cabral e explorar a sua vida antes e depois de 1500, situando-o na sua rivalidade com Vasco da Gama e no contexto socioeconômico da época, marca o seu trabalho diferenciador como escritor e investigador.

Convidamos todos os entusiastas da literatura e da história a mergulharem nas páginas de “Cabral – O Desconhecido” e a explorarem as profundezas da história luso-brasileira. Para mais informações sobre o autor e futuros eventos, visite o website oficial:  www.joaomorgado.net

“Foi uma viagem rica em contactos culturais, com palestras em várias cidades do Brasil, que deverão continuar numa próxima visita a este país. Um contacto com as instituições portuguesas, mas não só, há cada vez mais a atenção dos meios literários brasileiros o que muito me apraz”, avança João Morgado.

“Tive a oportunidade de falar com a Senhora Ministra da Cultura, o que foi uma honra. Mas também falei para meio económicos e empresariais em Macaé, Canoas e Florianópolis. Ou seja, a atenção sobre Cabral extravasa a Cultura, é uma personagem que chama a atenção transversal da sociedade portuguesa e brasileira. Não se compreende como uma obra desta não foi publicada antes. Por mim estou feliz por ter contribuído para o reconhecimento de um Cabral humanista, na transição do medieval para o renascimento, e a quem devemos o elo original entre Portugal e Brasil”, finaliza o autor.

“Cabral – O Desconhecido”

A obra em destaque é uma edição brasileira do original “Vera Cruz“, e que recebeu a “Medalha do Mérito Literário da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral”, em 2017. “CABRAL” é um romance biográfico que mergulha na vida do navegador que oficializou as terras do atual Brasil para a coroa portuguesa. O livro é resultado de uma extensa pesquisa sobre essa figura histórica tão significativa.

A Editora Clube de Autores apresenta a obra “CABRAL”, no Brasil. O autor questiona, “o que conhece de Pedro Álvares Cabral, antes e depois de 1500?” A obra apresenta aspectos pouco conhecidos da vida do navegador, como a sua rivalidade com Vasco da Gama, as suas batalhas nos desertos de África, a liderança e humanismo em Terras de Vera Cruz em contraste com o seu perfil bélico que levou à destruição de uma cidade nas Índias, e ainda o arrependimento dos feitos ao virar as costas ao rei.

João Morgado, além de escritor, é presidente da Casa do Brasil – Terras de Cabral, em Belmonte, Portugal. O seu trabalho de investigação sobre Pedro Álvares Cabral tem sido amplamente reconhecido, sendo agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cívico e Cultural pela República Federativa do Brasil. O autor também recebeu o Troféu “Cristo Redentor” da Academia de Letras e Artes de Paranapuã, no Rio de Janeiro, em reconhecimento ao seu empenho na promoção da rica cultura luso-brasileira. A sua participação em instituições como o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e a Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina demonstra o seu compromisso com a preservação e divulgação da história e cultura.

João Morgado recebeu os seguintes prêmios literários:

Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca 2020 :: Prémio Literário Ferreira de Castro 2019 :: Prémio “Medalha do Mérito Literário da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral”, 2017 :: Prémio Literário António Gaspar Serrano, 2016 :: Prémio Nacional de Literatura LIONS 2015 :: Prémio Literário de Poesia Arandis – Manuel Neto dos Santos, 2015 :: Prémio Literário Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’ Escritas, 2015 :: Prémio Literário António Alçada Baptista 2014 :: Prémio Literário Virgílio Ferreira 2012. Igor Lopes – Brasil in “Mundo Lusíada”


sábado, 6 de abril de 2024

Brasil - Aílton Krenak torna-se primeiro indígena na Academia Brasileira de Letras

O poeta, escritor, filósofo e ambientalista Aílton Krenak tomou posse na sexta-feira como o primeiro indígena membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), a maior instituição literária do Brasil


“Espero que todo o Brasil, todos os demais brasileiros, entendam que estamos virando uma página na relação da ABL com os povos indígenas”, disse Krenak, de 70 anos, minutos antes da cerimónia.

Durante a tomada de posse, foi recordado o discurso que proferiu na Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, após pintar o rosto com tinta preta em protesto pelo retrocesso dos direitos indígenas: "Os indígenas regaram de sangue cada hectare dos oito milhões de quilómetros quadrados do Brasil".

Usando uma faixa indígena, Krenak discursou na sexta-feira sobre a importância da cultura, do português e das línguas dos povos indígenas, mas também da natureza e da urgência de proteger as terras e os rios da ganância humana.

“Se não sabemos como retribuir a gentileza e ajudar a reconstruir um tecido comunitário, estamos cooperando com a prática da predação”, afirmou.

Krenak disse que pretende criar uma plataforma para disponibilizar os documentos e livros da instituição em línguas indígenas, muitas das quais estão em vias de desaparecer.

“Poderíamos fazer isso para todas as línguas nativas. Cabe inteiramente à Academia Brasileira de Letras incluir outras 170 línguas além do português”, disse o escritor.

“A ideia é priorizar a linguagem falada e não o texto. O que ameaça essas línguas [indígenas] é a falta de falantes”, acrescentou.

Aílton Krenak nasceu em 1953 em Minas Gerais, no vale do rio Doce, uma zona afetada pela extração mineira, e fugiu do seu território natal quando tinha cerca de 11 anos, regressando só quando já era adulto.

O ativista participou na fundação da Aliança dos Povos da Floresta e da União das Nações Indígenas, o primeiro movimento indígena de expressão nacional no Brasil.

Krenak estreou-se como escritor em 1999, quando a sua obra "O Eterno Retorno do Encontro" foi incluída na antologia "A Outra Margem do Ocidente".

Entre as suas obras contam-se ainda "O Amanhã Não está à Venda" (2020), "A Vida Não é Útil" (2020), "Futuro Ancestral" (2022), "O sistema e o antissistema: três ensaios, três mundos no mesmo mundo" (2021), "O lugar onde a terra descansa" (2000) e "Firmando o pé no território" (2020).

O seu livro "Ideias para Adiar o Fim do Mundo", lançado em 2021, foi um dos mais vendidos no Brasil naquele ano e já foi traduzido para inglês, francês e alemão.

Na terça-feira, a Comissão de Amnistia do Ministério dos Direitos Humanos do Brasil tinha aprovado um pedido inédito de reparação coletiva por graves violações aos direitos de comunidades indígenas do país, incluindo a etnia Krenak, durante a ditadura militar (1964 a 1985). In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Lusofonia - Academias de Letras e Ciências celebram 5 de Maio

A Academia das Ciências de Lisboa promove uma cerimónia de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a 5 de maio de 2022, em colaboração com Academias de Ciências e de Letras de Países de Língua Portuguesa.

A sessão vai iniciar-se com uma intervenção de António Sampaio da Nóvoa, subordinada ao tema "Quantos mundos cabem na Língua Portuguesa", seguindo-se um painel com intervenções de representantes da Academia Angolana de Letras, Academia Brasileira de Letras, Academia Moçambicana de Letras e Academia de Letras de São Tomé e Príncipe.

A sessão contempla, ainda, uma Mesa Redonda dedicada ao tema “A Língua Portuguesa no mundo – realidades e desafios”, com a participação do Diretor-Geral da CPLP, Armindo de Brito Fernandes, da Ministra da Educação de Angola, Luísa Maria Alves Grilo, e do Presidente do Camões, Instituto de Cooperação e da Língua, João Ribeiro de Almeida.

Esta sessão conjunta decorrerá de forma presencial, no salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, e através de videoconferência. Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Zoom:

https://videoconf-colibri.zoom.us/j/87271313750?pwd=Wk1lcnRpWFkrWmFLemVWZm5zM3FUUT09

ID da reunião: 872 7131 3750

Senha de acesso: 123456

 

domingo, 3 de abril de 2022

Brasil - Escritora Lygia Fagundes Telles morre aos 98 anos em São Paulo

Paulistana era integrante da Academia Brasileira de Letras desde a década de 80 e já recebeu os prêmios Camões e Jabuti


A escritora Lygia Fagundes Telles morreu na manhã deste domingo (3), aos 98 anos, em São Paulo. Ícone da literatura brasileira, ela era integrante da Academia Brasileira de Letras desde a década de 80 e já recebeu os prêmios Camões e Jabuti.

Segundo Juarez Neto, da Academia Brasileira de Letras (ABL), ela faleceu em casa, de causas naturais.

O velório será aberto ao público, na Academia Paulista de Letras, localizada no Largo do Arouche, Centro da capital paulista. O corpo da escritora será cremado.

Lygia recebeu vários prêmios ao longo da carreira, tais como o Camões (2005), e o Jabuti (1966, 1974 e 2001). Ela tem obras traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, tcheco, além de adaptações de suas obras para o cinema, teatro e TV.

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, informou que o estado decreta luto oficial por três dias pela morte da escritora paulista. "A grande dama da literatura brasileira retratou a vida de gerações de homens e mulheres. Meus sentimentos aos familiares e amigos", escreveu Garcia em uma rede social.

Em nota, a Academia Paulista de Letras lamentou sua morte. "A mais notável personalidade da literatura brasileira, patriota e democrata, já era lenda em vida. Permanecerá no Panteão das glórias universais e, para orgulho nosso, era mais academicamente bandeirante. Não faltava aos nossos encontros semanais no Arouche. A gigantesca e exuberante obra continuará a ser revisitada, enquanto houver leitor no mundo", escreveu José Renato Nalini.

Biografia

Lygia nasceu em São Paulo em 19 de abril de 1923 e passou a infância no interior do estado. Logo depois de alfabetizada, reproduzia nos cadernos escolares as histórias que ouvia. Ela escreveu seu primeiro conto, "Vidoca", em 1938.

Na época do ensino Fundamental, ela voltou para a capital com o pai, advogado, e a mãe, pianista, e estudou na Escola Caetano de Campos, colégio tradicional da cidade. Com apenas 15 anos, publicou seu primeiro livro de contos, "Porão e Sobrado".

Em seguida, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, onde se formou. Quando era estudante do pré-jurídico, a jovem cursou a Escola Superior de Educação Física da mesma universidade.

Segundo a ABL, ainda na adolescência manifestou-se a paixão, ou melhor, a vocação para a literatura incentivada pelos seus maiores amigos, os escritores Carlos Drummond de Andrade e Erico Verissimo.

Lygia considerava Ciranda de Pedra (1954) o marco inicial de suas obras completas. O romance virou novela na TV Globo quase 30 anos depois, em 1986.

Também em 1954, nasceu seu filho Goffredo da Silva Telles Neto, de seu primeiro casamento. Cineasta, ele viria lhe dar duas netas: Margarida e Lúcia, mãe da única bisneta, Marina.

Ainda nos anos 1950, foi publicado o livro Histórias do Desencontro (1958), que recebeu o Prêmio do Instituto Nacional do Livro.

O segundo romance, Verão no Aquário (1963), Prêmio Jabuti, saiu no mesmo ano em que já divorciada casou-se com o crítico de cinema Paulo Emílio Sales Gomes. Em parceria com ele, Lygia escreveu o roteiro para cinema Capitu (1967) baseado em Dom Casmurro, de Machado de Assis.

A década de 1970 foi de intensa atividade literária e marca o início da sua consagração na carreira. A escritora publicou alguns de seus livros mais importantes: Antes do Baile Verde (1970), As Meninas (1973), Seminário dos Ratos (1977) e o livro de contos Filhos Pródigos (1978).

Em 1977, em plena ditadura, foi uma das autoras do "Manifesto dos intelectuais" contra a censura.

Em 1985, ela foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, se tornando a terceira mulher a entrar para a ABL, e fez um discurso histórico.

"Imaginai uma reunião na linha dos malditos, dos raros, daqueles que pelos caminhos mais inesperados escolheram a ruptura. Fora do tempo e ocupando o mesmo espaço estão todos em uma sala. É noite. Os gênios ignorados num país de memória curta, que parece preferir os mitos estrangeiros, como se estivéssemos ainda no século 17, sob o cativeiro do reino. Os mitos estrangeiros que continuam sim nos vampirizando. Nós já estamos quase esvaídos e ainda oferecemos a jugular no nosso melhor inglês, o vosso amor é uma honra para mim".

Em 1996, em entrevista ao programa Roda Viva, Lygia falou sobre a morte. "Quando a morte olhar nos meus olhos e disser 'vamos', eu digo 'estou pronta, fiz o que eu pude'".

De acordo com a ABL, a consagração definitiva viria com o Prêmio Camões (2005), distinção maior em língua portuguesa pelo conjunto de obra. In “g1 Globo.com” - Brasil


domingo, 10 de outubro de 2021

Brasil - Academia Brasileira de Letras elege dois portugueses entre Sócios Correspondentes


A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu, na quinta-feira, em sessão virtual, os quatro novos Sócios Correspondentes da instituição, entre os quais os portugueses Telmo dos Santos Verdelho, professor catedrático, e Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Gulbenkian.

O Quadro de Sócios Correspondentes da ABL é formado por 20 membros estrangeiros, tendo a eleição de quinta-feira preenchido as cadeiras sete, oito, 18 e 20. Um novo membro apenas é eleito pelos Acadêmicos quando um dos efetivos morre.

O professor Catedrático da Universidade de Aveiro Telmo dos Santos Verdelho foi um dos portugueses eleitos. É autor da obra “As palavras e as ideias na revolução liberal de 1820” (1981) e de diversas outras publicações ao longo da sua carreira. O novo Sócio Correspondente ocupará a cadeira n.º 18, ocupando o lugar anteriormente pertencente a João Malaca Casteleiro, falecido em 2020.

Já o português Guilherme d’Oliveira Martins, formado e mestre na área do Direito, é administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e presidente do Grande Conselho do Centro Nacional de Cultura de Portugal. É doutor Honoris Causa pela Universidade Lusíada, pela Universidade Aberta e pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

Nos Governos de Portugal foi, sucessivamente, secretário de Estado da Administração Educativa (1995-1999), ministro da Educação (1999-2000), ministro da Presidência (2000-2002) e ministro das Finanças (2001-2002).

Foi presidente da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Econômico e Social (1985-1995), vice-presidente da Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) (1988-1994) e presidente da Comissão do Conselho da Europa (2005), segundo detalhou a própria ABL.

Guilherme d’Oliveira Martins ocupará a cadeira n.º 20, tomando o lugar do ensaísta Eduardo Lourenço, que morreu em 2020.

Além dos dois portugueses, foram ainda eleitos o norte-americano Benjamin Moser e o uruguaio Julio María Sanguinetti.

Moser formou-se em História na Universidade Brown, nos Estados Unidos, e vive hoje em Utrecht, nos Países Baixos. É o autor de “Clarice”, uma biografia sobre a escritora brasileira Clarice Lispector, finalista do National Book Critics Circle Award e do New York Times Notable Book de 2009.

Pelo seu trabalho, que levou a autora brasileira, de origem ucraniana, a uma posição de destaque internacional, recebeu o primeiro Prémio do Estado para a Diplomacia Cultural do Brasil. Ganhou uma Bolsa Guggenheim em 2017, e o seu último livro, “Sontag: Vida e Obra”, ganhou o Prémio Pulitzer.

O novo Sócio Correspondente ocupará a cadeira n.º 7, substituindo o historiador português Joaquim Veríssimo Serrão, falecido em 2020.

Já Julio María Sanguinetti foi Presidente do Uruguai de 1985 a 1990 e de 1995 a 2000. Desde 1953, atua como editor e colunista de muitas publicações nacionais e internacionais.

De 1967 a 1973, foi presidente da Comissão Nacional de Belas Artes do Uruguai e, em 1972, foi membro fundador da Comissão do Património Histórico, Artístico e Cultural Nacional.

Em 1990, presidiu o Instituto PAX e, em 1997, foi presidente honorário do Centro Latino-Americano de Jornalismo. Foi laureado com o título de doutor Honoris Causa por várias universidades e recebeu diversas outras honras nacionais e internacionais, de acordo com a ABL.

Sanguinetti ocupará a cadeira n.º 8, tomando o lugar de Augustin Buzura, que morreu em 2017. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

domingo, 13 de janeiro de 2019

Galiza - As Academias Galega e Brasileira asinan “estreitar lazos entre linguas irmás”

“Na Real Academia Galega hai conciencia de que a lingua galega forma parte dunha familia onde están os irmáns de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Mozambique. O galego forma parte dese proxecto internacional”. Con esta clareza saudou Víctor Freixanes, presidente da RAG, o acordo asinado co seu homólogo brasileiro, Marco Lucchesi



As Academias Galega e Brasileira das Letras rubricaron esta quinta feira un protocolo “para estreitar os lazos entre as dúas linguas irmás e o potencial da lusofonía”. “Abrimos as portas a potenciaren o intercambio de investigacións e manifestamos o interese de levaren a cabo outros proxectos de colaboración en distintos eidos”, expuxo a Academia Galega nun comunicado posterior á comparecencia conxunta de ambos os dous presidentes.

“Queremos estreitar a relación entre a área cultural lingüística brasileira e galega”, sinalou Víctor Freixanes. O documento presentado na sede da coruñesa rúa Tabernas servirá, segundo indica a institución galega, para “afondar en proxectos compartidos, unha liña na que xa traballan desde hai tempo membros da RAG desde os seus respectivos eidos”.

Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira das Letras, cualificou o acto de “histórico”. “Non podemos perder a raíz, porque se a perdemos, perderemos a tentativa de inscribirnos nunha comunidade de destino”, afirmou, “e a nosa comunidade de destino non é unha comunidade imperial, é unha comunidade que pasa polas linguas que nos pronunciaron”.

Lucchesi non deixou de se preonunciar sobre a política actual do seu país. “A cultura é o último bastión da república do Brasil e da democracia”, concluíu. In “Sermos Galiza” - Galiza

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Brasil - Novo acordo ortográfico entrou em vigor no Brasil

As regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa são obrigatórias no Brasil a partir do passado dia 01 de janeiro de 2016. Em uso desde 2009, mudanças como o fim do trema e novas regras para o uso do hífen e de acentos diferenciais agora são oficiais com a entrada em vigor do acordo, adiada por três anos pelo governo brasileiro.

Assinado em 1990 com outros Estados-Membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para padronizar as regras ortográficas, o acordo foi ratificado pelo Brasil em 2008 e implementado sem obrigatoriedade em 2009. A previsão inicial era que as regras fossem cobradas oficialmente a partir de 1° de janeiro de 2013, mas, após polêmicas e críticas da sociedade, o governo adiou a entrada em vigor para 1° de janeiro de 2016.

O Brasil é o terceiro dos oito países que assinaram o tratado a tornar obrigatórias as mudanças, que já estão em vigor em Portugal e Cabo Verde. Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste ainda não aplicam oficialmente as novas regras ortográficas.

Com a padronização da língua, a CPLP pretende facilitar o intercâmbio cultural e científico entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa, já que os livros passam a ser publicados sob as novas regras, sem diferenças de vocabulários entre os países. De acordo com o Ministério da Educação, o acordo alterou 0,8% dos vocábulos da língua portuguesa no Brasil e 1,3% em Portugal.

Alfabeto, trema e acentos

Entre as principais mudanças, está a ampliação do alfabeto oficial para 26 letras, com o acréscimo do k, w e y. As letras já são usadas em várias palavras do idioma, como nomes indígenas e abreviações de medidas, mas estavam fora do vocábulo oficial.

O trema – dois pontos sobre a vogal u – foi eliminado, e pode ser usado apenas em nomes próprios. No entanto, a mudança vale apenas para a escrita, e palavras como linguiça, cinquenta e tranquilo continuam com a mesma pronúncia.

Os acentos diferenciais também deixaram de existir, de acordo com as novas regras, eliminando a diferença gráfica entre pára (do verbo parar) e para (preposição), por exemplo. Há exceções como as palavras pôr (verbo) e por (preposição) e pode (presente do indicativo do verbo poder) e pôde (pretérito do indicativo do verbo poder), que tiveram os acentos diferenciais mantidos.

O acento circunflexo foi retirado de palavras terminadas em “êem”, como nas formas verbais leem, creem, veem e em substantivos como enjoo e voo.

Já o acento agudo foi eliminado nos ditongos abertos “ei” e “oi” (antes "éi" e "ói”), dando nova grafia a palavras como colmeia e jiboia.

O hífen deixou de ser usado em dois casos: quando a segunda parte da palavra começar com s ou r (contra-regra passou a ser contrarregra), com exceção de quando o prefixo terminar em r (super-resistente), e quando a primeira parte da palavra termina com vogal e a segunda parte começa com vogal (auto-estrada passou a ser autoestrada).

A grafia correta das palavras conforme as regras do acordo podem ser consultadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), disponível no sítio da Academia Brasileira de Letras (ABL) e por meio de aplicativo para smartphones e tablets, que pode ser baixado em dispositivos Android, pelo Google Play, e em dispositivos da Apple, pela App Store. Luana Lourenço – Brasil in “Agência Brasil”

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Brasil - Ariano Suassuna

Sexto ocupante da Cadeira nº 32, eleito em 3 de agosto de 1989, na sucessão de Genolino Amado e recebido em 9 de agosto de 1990 pelo Acadêmico Marcos Vinicios Vilaça. Faleceu no dia 23 de julho de 2014, no Recife, aos 87 anos.

Ariano Vilar Suassuna nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa (PB), em 16 de junho de 1927, filho de Cássia Villar e João Suassuna. No ano seguinte, seu pai deixa o governo da Paraíba e a família passa a morar no sertão, na Fazenda Acauhan.

Com a Revolução de 30, seu pai foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.

A partir de 1942 passou a viver no Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários no Ginásio Pernambucano e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte iniciou a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilo Borba Filho. E, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte.

Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá. Lá escreveu e montou a peça Torturas de um Coração em 1951. Em 1952, volta a residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral. São desta época O Castigo da Soberba (1953), O Rico Avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955), peça que o projetou em todo o país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.

Em 1956, abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça O Casamento Suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e O Santo e a Porca; em 1958, foi encenada a sua peça O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.

Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa da Boa Preguiça (1960) e A Caseira e a Catarina (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPe. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira. Aposenta-se como professor em 1994.

Membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPe (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, em Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado em Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998).

Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971) e História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana (1976), classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.

Ariano Suassuna construiu em São José do Belmonte (PE), onde ocorre a cavalgada inspirada no Romance d’A Pedra do Reino, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município.

Membro da Academia Paraibana de Letras e Doutor Honoris Causa da Faculdade Federal do Rio Grande do Norte (2000).

Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu um documentário intitulado O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de Alencar. Academia Brasileira de Letras - Brasil

Bibliografia

Teatro
Uma Mulher Vestida de Sol (1947). Recife: Imprensa Universitária, 1964. Especial da Rede Globo de Televisão, 1994.
Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) (1948). Peça em um ato. Inédita.
Os Homens de Barro (1949). Peça em 3 atos. Inédita.
Auto de João da Cruz (1950). Prêmio Martins Pena. Peça inspirada em três folhetins da literatura de cordel. Inédita.
Torturas de um Coração (1951). Peça para mamulengos.
O Arco Desolado (1952).
O Castigo da Soberba (1953). Entremês popular em um ato.
O Rico Avarento (1954). Entremês popular em um ato.
Auto da Compadecida (1955). Medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Rio de Janeiro: Livraria Agir, 1957; 34.ª ed., Agir, 1999. Estréia no cinema, 1969. Microssérie da Rede Globo de Televisão, 1994, e no cinema, 2000.
O Desertor de Princesa (Reescritura de Cantam as Harpas de Sião), 1958. Inédita.
O Casamento Suspeitoso (1957). Encenada em São Paulo pela Cia. Sérgio Cardoso. Prêmio Vânia Souto de Carvalho. Recife, Igarassu, 1961. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974, junto com O Santo e a Porca; 8.ª ed., 1989.
O Santo e a Porca, imitação nordestina de Plauto (1957). Recife: Imp. Universitária, 1964. Medalha de ouro da Associação Paulista de Críticos Teatrais. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974, junto com O Casamento Suspeitoso; 8.ªed., 1989.
O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna (1958). Entremês popular.
A Pena e a Lei (1959). Peça em três atos. Premiada no Festival Latino-Americano de Teatro em 1969. Rio de Janeiro: Agir, 1971; 4.ª ed., 1998.
Farsa da Boa Preguiça (1960). Estampas de Zélia Suassuna. Peça em três atos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1974; 2.ª ed., 1979. Episódio de Terça Nobre, Rede Globo de Televisão, 1995.
A Caseira e a Catarina (1962). Peça em um ato. Inédita.
As Conchambranças de Quaderna, 1987. Estréia no Teatro Waldemar de Oliveira, Recife, 1988. Inédita.
A História de Amor de Romeu e Julieta. Suplemento “Mais!”, da Folha de S. Paulo, 1997.

Ficção
A história do amor de Fernando e Isaura. Romance inédito, 1956.
Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. Romance armorial popular. Nota de Rachel de Queiroz. Posfácio de Maximiano Campos. Rio de Janeiro: Borsoi, 1971. 2.ª ed. Rio: José Olympio, 1972. Adaptação teatral, por Romero de Andrade Lima, 1997.
As Infâncias de Quaderna. Folhetim semanal no Diário de Pernambuco, 1976-77.
História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana. Romance armorial e novela romançal brasileira. Com estudo de Idelette Muzart F. dos Santos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977.
Fernando e Isaura. Romance (1956). Recife, Bagaço, 1994.

Outras obras
O Pasto Incendiado (1945-70). Livro inédito de poemas.
Ode. Recife: O Gráfico Amador, 1955.
Coletânea da Poesia Popular Nordestina. Romances do ciclo heróico. Recife: Deca, 1964.
O Movimento Armorial. Recife: UFPe, 1974.
Iniciação à Estética. Recife: UFPe, 1975.
A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira (tese de livre-docência em História da Cultura Brasileira). Centro de Filosofia e Ciências Humanas, UFPe, 1976.
Sonetos com Mote Alheio. Recife, edição manuscrita e iluminogravada pelo autor, 1980.
Sonetos de Albano Cervonegro. Recife, edição manuscrita e iluminogravada pelo autor, 1985.
Seleta em Prosa e Verso. Estudo, comentários e notas do Prof. Silviano Santiago. Rio de Janeiro: José Olympio / INL, 1974 (coleção Brasil Moço).
Poemas. Seleção, organização e notas de Carlos Newton Júnior. Recife: Universidade Federal de Pernambuco/Editora Universitária, 1999.
 CD – Poesia Viva de Ariano Suassuna. Recife: Ancestral, 1998.

Obra traduzida

Para o alemão
Das Testament de Hundes oder das Spiel von Unserer Lieben Frau der Mitleidvollen (Auto da Compadecida). Tradução de Willy Keller. St. Gallen/Wuppertal: Edition diá, 1986.
Der Stein des Reiches oder die Geschichte des Fürsten vom Blut des Geh-und-kehr-zurück (Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta). Tradução e notas de Georg Rudolf Lind. Sttutgart: Hobbit Presse/Klett-Cotta, 1979; 2.ª ed., 1988.

Para o espanhol
Auto de la Compadecida. Adaptação e tradução de José María Pemán. Madrid: Ediciones Alfil, 1965.
El Santo y la Chancha (O Santo e a Porca). Tradução de Montserrat Mira. Buenos Aires: Losangue, 1966.

Para o francês
Le Jeu de la Miséricordieuse ou Le Testament du chien (Auto da Compadecida). Tradução de Michel Simon. Paris: Gallimard, 1970.
La Pierre du Royaume: version pour européens et brésiliens de bon sens (Romance d’A Pedra do Reino). Tradução de Idelette Muzart Fonseca dos Santos. Paris: Editions Métailié, 1998.

Para o holandês
Het testament van den hond (Auto da compadecida). Tradução de J.J. van den Besselaar. Nederlandse, Ons Leekenspel: Bussum, 1966.

Para o inglês
The Rogue’s Trial (O Santo e a Porca). Tradução de Dillwyn F. Ratcliff. Berkeley/Los Angeles: University of California Press, 1963.

Para o italiano
Auto da Compadecida. Tradução de L. Lotti. Forli: Nuova Compagnia, 1992.

Para o polonês
Historia o milosiernej czyli testament psa (Auto da Compadecida). Tradução de Witold Wojciechowski e Danuta Zmij. Dialog. Rok IV Pazdziernik 1959, NR 10 (42), p. 24-64.

Sobre Ariano Suassuna
Dissertações e teses, artigos em jornais, livros e ensaios incluídos em livros encontram-se relacionados nos CADERNOS DE LITERATURA BRASILEIRA – Número 10, novembro de 2000.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Gonzaga

                        Gonzaga ganha edição da
                        Academia Brasileira de Letras
A Academia Brasileira de Letras (ABL), com o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, acaba de lançar o livro Tomás Antônio Gonzaga, que reúne uma antologia com excertos dos melhores poemas do poeta e um estudo biográfico-crítico preparado por Adelto Gonçalves, doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), sua tese de doutorado.
Tomás Antônio Gonzaga, patrono da cadeira 37 da ABL, é o volume nº 56 da Série Essencial, que se propõe a oferecer informações básicas sobre cada um dos ocupantes das 40 cadeiras da Academia ao longo da História, bem como sobre os patronos da instituição. Acompanhados de sucinta antologia, os volumes, sob responsabilidade de acadêmicos ou de especialistas, pretendem atingir um público amplo e diversificado e despertar no leitor o interesse de se aprofundar no conhecimento da obra de todos aqueles que tiveram seus nomes para sempre vinculados à ABL.
Nascido no Porto, Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), autor de Marília de Dirceu, a coleção de poemas líricos mais popular da literatura de Língua Portuguesa, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e exerceu, entre outras funções na magistratura, o cargo de ouvidor-geral da comarca de Vila Rica, Minas Gerais, de 1782 a 1788. Em 1789, já fora do cargo, foi alcançado pela devassa aberta para apurar denúncia de conspiração para a derrubada do governo do capitão-general visconde de Barbacena, a chamada Inconfidência Mineira.
Detido, Gonzaga foi encaminhado para a fortaleza da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Da prisão, pediu a um amigo que levasse para Lisboa os originais da Marília de Dirceu, que saiu à luz em 1792 pela Tipografia Nunesiana. Naquele ano, seria condenado a degredo na Ilha de Moçambique, na costa oriental da África, onde exerceria funções na magistratura, como a de promotor de defuntos e ausentes. Quando morreu aos 65 anos, era juiz da alfândega. Na Ilha de Moçambique, casou-se com Juliana de Sousa Mascarenhas, filha de Alexandre Roberto Mascarenhas, escrivão da ouvidoria-geral desde 1775 e tabelião público. Na África, Gonzaga comporia alguns versos e “A Conceição”, poema épico inspirado no naufrágio do navio Marialva em 1802, cujos originais (em parte) estão hoje na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
                                                           O autor
Adelto Gonçalves (1951), jornalista, autor do estudo biográfico-crítico, é também mestre na área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela USP. É professor titular da Universidade Santa Cecília (Unisanta), no curso de Jornalismo, e da Universidade Paulista (Unip), no curso de Direito, ambas em Santos-SP. É também professor de Literaturas Portuguesa, Brasileira e Africanas de Expressão Portuguesa.
Sua estreia na literatura deu-se em 1977 com o livro de contos Mariela Morta. Em 1980, foi um dos ganhadores do Prêmio Nacional de Romance José Lins do Rego, da Livraria José Olympio Editora, do Rio de Janeiro, com o livro Os Vira-Latas da Madrugada, publicado em 1981. Em 1986, obteve o Prêmio Fernando Pessoa da Fundação Cultural Brasil-Portugal, do Rio de Janeiro, participando do livro Ensaios sobre Fernando Pessoa com o trabalho “O ideal político de Fernando Pessoa”.
Conquistou os prêmios Assis Chateaubriand de 1987 e Aníbal Freire de 1994, ambos da ABL. Em 2000, com Gonzaga, um Poeta do Iluminismo, ganhou o Prêmio Ivan Lins de Ensaios da União Brasileira de Escritores e da Academia Carioca de Letras. Em 1997, publicou o livro de ensaios e artigos Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Universidade Santa Cecília).
Em 1999, publicou o seu primeiro livro em Portugal: o romance Barcelona Brasileira (Lisboa, Editora Nova Arrancada), que saiu no Brasil em 2002 pela Publisher Brasil, de São Paulo. Barcelona Brasileira e Os Vira-Latas da Madrugada fazem parte do “ciclo de romances de identidade portuária” e são estudados em vários dos ensaios reunidos em Esquinas do Mundo: ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos (São Paulo, Dobra Editorial, 2013), do historiador Alessandro Atanes, mestre em História Social pela USP.
Em 2003, Gonçalves publicou pela Editorial Caminho, de Lisboa, Bocage – o Perfil Perdido, seu primeiro trabalho de pós-doutorado, para o qual obteve bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). Escreveu em 2010-2011 Direito e Justiça em Terras d´El Rei: ouvidores, juízes de fora, juízes ordinários e vereadores em São Paulo colonial (1709-1822), com bolsa da Unip, seu segundo trabalho de pós-doutorado, ainda inédito.
Jornalista desde 1972, trabalhou em O Estado de S. Paulo, Empresa Folha da Manhã, Editora Abril e A Tribuna, de Santos, tendo sido correspondente da revista Época em Lisboa em 1999-2000. É colaborador desde 1994 da revista Vértice, de Lisboa. Escreve regularmente para o quinzenário As Artes Entre as Letras, do Porto, e Jornal Opção, de Goiânia. É sócio-correspondente da Academia Brasileira de Filologia (Abrafil) e assessor cultural e de imprensa do Centro Lusófono Camões da Universidade Estatal Pedagógica Hertzen, de São Petersburgo, Rússia.
Escreveu prefácios para dois livros de contos de Machado de Assis publicados em 2006 e 2007 pelo Centro Lusófono Camões da Universidade Hertzen em edição bilingue russo-portuguesa, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Participou do livro Studi su Fernando Pessoa, publicado em 2010 por Edizioni dell´Urogallo, de Perugia, Itália, com o ensaio “Ambiguità e ossimoro: simboli dell´universo e del mistero in Fernando Pessoa” (“Ambiguidade e oximoro: símbolo do universo e do mistério em Fernando Pessoa”). Participou com o ensaio “O feminismo negro de Paulina Chiziane” do livro Passagens para o Índico: encontros brasileiros com a literatura moçambicana, de Rita Chaves e Tania Macêdo, organizadoras (Maputo, Marimbique, 2012).
Também colabora com as revistas Colóquio/Letras, de Lisboa, Forma Breve, da Universidade de Aveiro, Revista Brasileira, da ABL, Revista do Centro de Estudos Portugueses (Cesp), da Universidade Federal de Minas Gerais, Cultura – Revista de História e Teoria das Ideias, do Centro de História da Cultura da Universidade Nova de Lisboa, e Revista Estudos Avançados, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), entre outras, além de escrever para sites e revistas eletrônicas do Brasil, Portugal e Moçambique. Academia Brasileira de Letras - Brasil
_________________________________________
Tomás Antônio Gonzaga, de Adelto Gonçalves. Rio de Janeiro/São Paulo: Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 68 págs., 2012, R$ 10,00. E-mail: livros@imprensaoficial.com.br