Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Portugal - Morreu José Ruy, nome histórico da banda desenhada


“Um dos pioneiros da nona arte em Portugal”, colaborou com publicações periódicas como Mosquito e Mundo de Aventuras, e transpôs para BD Os Lusíadas. Tinha 92 anos.

O autor português José Ruy, com um longo e pioneiro percurso na criação e divulgação da banda desenhada portuguesa, morreu na quarta-feira aos 92 anos, na Amadora.


“O conjunto do seu trabalho, a qualidade do seu desenho e cor, é um reflexo de décadas de criatividade, de conhecimento e de dedicação. A sua vida cruza-se com a história da cidade – a escola com o seu nome, o AmadoraBD, os Troféus Zé Pacóvio e Grilinho, prémios e homenagens”, lê-se no sítio da autarquia.

No Facebook, o festival AmadoraBD também escreveu que “faleceu o mestre José Ruy, um dos pioneiros da nona arte em Portugal, cujo legado é indissociável da Amadora”.

José Ruy, que nasceu na Amadora em 1930, colaborou com muitas publicações periódicas, nomeadamente Mosquito, Mundo de Aventuras e Cavaleiro Andante, num tempo em que a banda desenhada era lida sobretudo em revistas, convivendo com outros nomes históricos da BD como Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005) e José Garcês (1920-2020).

Na longa e produtiva carreira, José Ruy trabalhou em várias áreas ligadas ao desenho, mas foram os álbuns informativos de banda desenhada, de pendor histórico, e as adaptações de obras literárias, sempre com um traço realista e detalhado, que lhe deram visibilidade.

Destacam-se a transposição para BD da epopeia Os Lusíadas, das biografias sobre Aristides de Sousa Mendes, de Humberto Delgado e de Beatriz Ângelo, e a série Aventuras de Porto Bomvento, que evoca os marinheiros anónimos da época dos Descobrimentos.

Com obra traduzida e publicada em vários países, José Ruy era muito activo na divulgação desta arte, uma presença regular em escolas e também no festival AmadoraBD.

A dedicação à banda desenhada valeu-lhe a medalha de ouro de mérito e dedicação da Câmara Municipal da Amadora.

Em 2010, numa entrevista à agência Lusa, José Ruy, então com 80 anos, dizia que o seu trabalho assentava “mais na parte histórica de um povo”, porque tinha facilidade em lidar com o tema”, e afirmava estar atento à evolução tecnológica da BD portuguesa: “Também eu tive de me adaptar às novas ferramentas colocadas ao dispor. (...) Com os novos métodos de trabalho, para além de mais limpo, o trabalho final torna-se mais colorido e pormenorizado.”

Na mesma entrevista, lamentava a ausência no mercado de revistas dedicadas à banda desenhada: “Estas publicações fazem falta para lançar novos talentos. Hoje, impera o livro, o que torna mais difícil a publicação dos trabalhos dos autores mais jovens.” In Público” - Portugal




 

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