Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra apostam na criação de sistema para prever tipo de parto

Uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Informática (DEI) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em conjunto com a Faculdade de Medicina da UC (FMUC), apostam no desenvolvimento de um sistema que tem como objetivo prever, através de análise computacional, a possibilidade/probabilidade de um parto vaginal após a indução do mesmo.

Atualmente, as induções de trabalho de parto são realizadas cada vez mais frequentemente, mas nem sempre terminam num parto vaginal. Foi precisamente este o ponto de partida para a investigação “Predicting Vaginal Delivery After Labor Induction with Machine Learning", da autoria de Iolanda Ferreira, doutoranda de Ciências da Saúde, orientada por Ana Luísa Areia, professora da FMUC, e coorientada por João Nuno Correia, docente da FCTUC.

«Logo à partida, todas as induções têm 30 a 35% de probabilidade de acabar em cesariana, portanto, sabemos de antemão que 70% das mulheres vão ter um parto vaginal. No entanto, se dessas 30% conseguíssemos precisar que vão realmente terminar em cesariana, poder-se-ia aconselhar de forma adequada e proactiva sobre a necessidade de indução de trabalho de parto, um processo árduo para a mãe, o feto e que, de facto, pode acrescer na carga emocional e económica associadas a este procedimento», explica Iolanda Ferreira

Assim, «sendo um procedimento tão frequente, que gera tantos dados, pensámos que talvez pudéssemos utilizar uma técnica que fizesse a sua análise para ajudar os médicos a perceber se vale a pena ou quando vale a pena investir numa indução para obter um parto vaginal», revela a doutoranda, realçando que, neste momento, os obstetras investem na indução de parto em todas as mulheres, sabendo à partida, por determinadas caraterísticas, em quais este poderá ou não acontecer por via vaginal.

Portanto, de acordo com João Nuno Correia, «a ideia é chegar a algo que, através da fusão de dados (tabulares e imagens), forme um módulo de apoio que forneça informação personalizada sobre cada grávida, acerca da elevada probabilidade de parto vaginal após indução. Se esta for elevada, a indução será executada com maior confiança. Caso contrário, ou seja, exista uma probabilidade de cesariana bastante elevada, a grávida pode ser aconselhada de outra forma».

Apesar deste ser um tema já estudado, «a inovação nesta investigação é prever o tipo de parto também utilizando os dados de imagem ecográfica. O clínico baseia-se na história clínica da pessoa e nas suas características no seguimento daquela gravidez, e queremos ver se o sistema, ao analisar aquela combinação de dados clínicos e imagens, percebe de uma forma que posteriormente ajude ou não a tirar alguma conclusão», realçam os investigadores.

Até ao momento, a equipa de investigadores já tem analisados os dados de 2600 mulheres, seguidas no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), que apontam para resultados promissores. O próximo passo é analisar as ecografias recolhidas e, posteriormente, criar uma ferramenta com todos estes dados e testá-la em pessoas reais.

De acordo com os investigadores, «esta colaboração entre o DEI e a FMUC é fundamental, porque futuramente vai apoiar a decisão dos médicos antes do parto, e consequentemente, permitir melhorar tanto os desfechos neonatais como as experiências das mulheres no parto», concluem. Universidade de Coimbra - Portugal


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Angola - Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê um crescimento de 2,8% para 2020

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) prevê um crescimento de 2,8% para Angola este ano devido às reformas estruturais que foram lançadas e que deverão sustentar o regresso ao crescimento depois de quatro anos de recessão.

“As reformas estruturais vão contribuir para a recuperação económica a partir de 2020”, ano em que a previsão aponta para uma expansão de 2,8%, lê-se no relatório sobre as Perspectivas Económicas Africanas, divulgado em Abidjan, a sede do BAD, que dá conta ainda de que no ano passado o PIB de Angola deve ter caído 0,1%, devendo abrandar para 2,3% em 2021.

“Os investimentos estratégicos em infraestruturas, capital humano e mercados de crédito deverão diversificar a economia de Angola e gerar reservas internacionais, já que cerca de 98% das exportações são petróleo e diamantes”, aponta-se no documento.

No capítulo dedicado a Angola, o BAD salienta que “o apoio governamental à diversificação das exportações e à substituição de importações está a identificar sectores prioritários para beneficiarem destas iniciativas, ao abrigo do programa de apoio ao crédito anunciado em maio de 2019” e acrescenta que “a melhoria dos investimentos na energia vai estimular o crescimento”.

O relatório deste ano, com o subtítulo ‘Desenvolvendo a Força de Trabalho Africana para o Futuro’, dá conta que, em Angola, “a baixa qualificação da mão de obra está a prejudicar os investimentos privados e a diversificação económica, com apenas 15% das jovens e 21% dos jovens a terminarem o ensino secundário”.

As reformas “estruturais e a estabilização macroeconómicas têm de estar na base da recuperação económica, da diversificação e da criação de empregos”, defende o BAD, alertando que “a probabilidade de mais investimentos privados e participação deste setor na economia é limitada, mas deverá melhorar no âmbito do programa de privatização anunciado em Agosto de 2019”. In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Internacional - Terremotos poderão ser previstos com cinco dias de antecedência

Previsão de terremotos

Uma equipa internacional de geólogos e geofísicos descobriu que, ante um terremoto iminente, os parâmetros das ondas gravitacionais internas, que oscilam nas camadas estratificadas da atmosfera, se alteram cinco dias antes de um evento sísmico.

Esses dados podem ajudar os especialistas a desenvolver métodos de previsão de terremotos no curto prazo, assim como hoje ocorre com as tempestades.

Atualmente, é possível prever desastres sísmicos que variam de dezenas de anos a meses - no entanto, ainda é impossível determinar o tempo exato do evento. Previsões de curto prazo mais precisas e confiáveis são necessárias para que as pessoas possam ser evacuadas da zona de impacto sísmico.

Em busca desse instrumento, os geólogos têm registrado várias anomalias e manifestações de processos geofísicos em regiões sismicamente ativas. A lista de precursores dos terremotos é atualizada constantemente e, quanto mais dados sobre os terremotos, maior é a precisão de uma previsão.

Ondas de gravidade internas

Em busca de novos precursores de terremotos, Vitalii Adushkin e seus colegas processaram dados de satélite extraídos de terremotos que ocorreram em três regiões sismicamente ativas: no Uzbequistão, em 26 de maio de 2013; no Quirguistão em 8 de janeiro de 2007; e no Cazaquistão em 28 de janeiro de 2013.

Ocorre que, cinco dias antes do desastre sísmico, nos três casos os parâmetros das ondas de gravidade internas mudaram - onda interna é a flutuação das massas de ar que, ao contrário das ondas sonoras, também possui um componente transversal, assim como ocorre com as ondas longitudinais.

Os dados mostraram que a temperatura da atmosfera intermediária (a camada da atmosfera da Terra que inclui a estratosfera e a mesosfera) varia ao longo do tempo de forma característica e que os comprimentos de onda das ondas de gravidade internas foram de 14,2 km na estratosfera e 18,9 km na mesosfera.

"Isso significa que processos ocorrem na litosfera da Terra, cujo desenvolvimento gera instabilidades convectivas na atmosfera mais baixa. Eles são a causa das ondas de gravidade internas em regiões sismicamente ativas. As ondas de gravidade interna, quando atingem a mesosfera, podem ser destruídas. Quando isso acontece, a energia dessas ondas se transforma em movimento térmico, o que afeta a temperatura," explica Sergey Popel, do Instituto de Pesquisas Espaciais, na Rússia.

Mais importante ainda para o desenvolvimento de um indicador, os pesquisadores constataram que o comprimento de onda começa a crescer de 4 a 5 dias antes do evento, atingindo seu valor máximo dois dias antes do terremoto, e depois diminuindo acentuadamente no dia anterior ao abalo sísmico.

Esses dados poderão agora ser usados para identificar ondas de gravidade internas em regiões sismicamente ativas e, eventualmente, para fazer previsões de curto prazo do momento do início dos eventos sísmicos futuros. In “Inovação Tecnológica” – Brasil

Bibliografia:
Artigo: Variations of the Parameters of Internal Gravity Waves in the Atmosphere of Central Asia before Earthquakes
Autores: Vitalii V. Adushkin, V. I. Nifadiev, B. B. Chen, S. I. Popel, G. A. Kogai, A. Yu. Dubinskii, P. G. Weidler
Revista: Doklady Earth Sciences
Vol.: 487, Issue 1, pp 841-845
DOI: 10.1134/S1028334X19070201

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

São Tomé e Príncipe – Previsão do crescimento do PIB na ordem de 4%

São-Tomé – O governador do Banco Central de São-Tomé e Príncipe, BCSTP, Hélio Almeida anunciou, no tradicional balanço económico do fim do ano, que a economia são-tomense deverá registar um crescimento do PIB na ordem de 4%, a inflação deverá manter-se em 6,5%, tendo perspetivado para 2018 um crescimento de 5% em matéria de estabilidade de preços.

Citando as estimativas ainda provisórias, Hélio Almeida disse que “ a economia deverá registar no fim do exercício, um crescimento do Produto Interno Bruto, PIB na ordem dos 4% em linha com crescimento registado nos últimos dois anos” tendo referenciado a contribuição do sector do turismo em parceria com as áreas de construção, comércio e domínio financeiro.

Tendo estimado que “a inflação se mantenha a um dígito, situando-se em 6,5%” o governador do Banco Central são-tomense fez referência aos choques do lado da oferta de produtos locais terem registados “alguma pressão inflacionista, sazonal” nos meses de Abril e Junho tendo contribuído para uma inflação acumulada de 6,1% até Novembro contra os 5,4% do período homólogo.

No contexto de estabilidade de preço, Hélio Almeida perspectivou para o ano de 2018 “ um crescimento na ordem de 5%, sustentado, em grande medida por investimento público” tendo defendido “a revitalização do sector privado” para impulsionar as exportações bem como o reforço do processo de convergência nominal e da sustentabilidade do regime cambial fixo em vigor.

O crédito a economia apresentou um incremento na ordem de 3% insuficiente para fazer face a tendência contracionista da massa monetária, que registou uma diminuição de 6% afirmou o governador tendo sublinhado que o rácio de liquidez do sistema bancário situou-se em 60%, nível muito elevado acima dos valores de referência (20%).

As importações de bens ascenderam a 108 milhões de dólares, representando um incremento em trono de 12% face ao período homólogo enquanto as importações de bens de capital aumentaram em 26,3% sugerindo uma “maior contribuição das importações para a formação bruta de capital fixo”.

Disse ainda que as exportações registaram nos primeiros onze meses, “um modesto crescimento em 3,5%” face ao igual período anterior, resultante da redução no volume das exportações de cacau que sofreu um decida em cerca de 33% do preço desta commodite no mercado internacional, tendo-se resultado numa situação deficitária nos saldos da balança comercial e da conta corrente.

Relativamente a reforma monetária de 2018 que visa o reforço da confiança em Dobra (a moeda são-tomense) – o governador do Banco são-tomense sublinhou que “a introdução da nova família da Dobra com corte de 3 zeros exige de todos são-tomenses um esforço inicial de apropriação e conversão” tendo apelado envolvimento de todos na consolidação desse “bem público”. In “STP Press” – São Tomé e Príncipe