Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 11 de julho de 2026

Portugal - Morreu Bonnie Tyler, a cantora que bateu barreiras das plataformas digitais

A cantora galesa Bonnie Tyler, conhecida por êxitos dos anos 1980 morreu quarta-feira à noite, 08 de Julho, na cidade de Faro, aos 75 anos, anunciou a família num comunicado. “A família e a equipa da Bonnie estão de coração partido ao anunciar que a Bonnie faleceu inesperadamente ontem à noite num hospital em Portugal, em consequência da doença para a qual estava a ser tratada”, pode ler-se num comunicado publicado na conta do Facebook da cantora.


A cantora de 75 anos, que tinha casa no Algarve, foi internada no Hospital de Faro em Maio, na sequência de uma cirurgia de emergência.

Bonnie Tyler, nome artístico de Gaynor Hopkins, destacou-se pela voz rouca e o sucesso de “Total Eclipse of the Heart”, de 1983, que já bateu a barreira de mil milhões de reproduções nas plataformas digitais.

Nascida em 08 de Junho de 1951, em Skewen, na região de Swansea, no País de Gales, cresceu numa família amante de música, como nota a sua biografia. Admiradora da Motown e de Janis Joplin, atravessou a adolescência entre o coro da igreja anglicana e os concursos locais de talentos, até à entrada nas Dixies, coro de apoio do cantor Bobby Wayne, com que percorreu bares e pequenas salas de concerto, na viragem da década de 1960 para a seguinte.

Com pouco mais de 20 anos, e depois de ter adoptado o primeiro nome artístico, Sherene Davis, criou a primeira banda, Sherene and Imagination, e actuou regularmente no Townsman Club de Swansea, onde foi descoberta pelo produtor Roger Bell, da Chappell Music, de Londres. Atento à voz rouca da cantora, Bell mobilizou de imediato os compositores e produtores Ronnie Scott e Steve Wolve para a criação de um novo repertório. Sucederam-se os contratos, as primeiras gravações e o nome artístico definitivo: Bonnie Tyler.

O seu primeiro ‘single’, “My, My Honeycomb”, de 1976, conquistou as rádios. Mas foi com “Lost in France”, do seu primeiro álbum, “The World Starts Tonight” (1977), que atingiu as tabelas dos mais vendidos. A consagração internacional chegaria um pouco mais tarde, em 1983, com “Total Eclipse of the Heart”, que esteve duas semanas em primeiro lugar no ‘top’ do Reino Unido, quatro semanas no ‘top’ norte-americano, e que em Janeiro passado ultrapassou mil milhões de reproduções no Spotify e 1,2 mil milhões de visualizações no YouTube, segundo a BBC.

O sucesso de “Total Eclipse of the Heart” deu a Bonnie Tyler uma nomeação para os Grammys, o que também aconteceu com o ‘single’ “Here She Comes” e o álbum “Faster Than the Speed of Night” (1983), que vendeu mais de quatro milhões de cópias e ocupou o primeiro lugar nas tabelas do Reino Unido. Entre os maiores sucessos da época contam-se ainda “It’s a Heartache”, do álbum “Natural Force” (1978), e “Holding Out for a Hero”, que fez parte da banda sonora do filme “Footloose”, de 1984, e, mais recentemente, de “The Super Mario Bros. Movie”, um dos maiores sucessos da década nos cinemas.

A carreira de mais de cinco décadas de Bonnie Tyler conta com perto de uma centena de álbuns, entre os de estúdio, as colectâneas e os gravados ao vivo, destacando-se títulos como “Bitterblue” (1991), “Angel Heart” (1992), “Heart Strings” (2003) e “Rocks and Honey” (2013). “The Best Is Yet to Come” (2021), o seu mais recente álbum de estúdio, foi seguido do álbum ao vivo “In Berlin” (2024).

Ao longo da carreira, Tyler somou colaborações com músicos como Mike Oldfield, Todd Rundgreen, Rick Wakeman, Cher e o brasileiro Fábio Jr., com quem gravou “Sem Limites para Sonhar”, em 1986. Em 2013, representou o Reino Unido no Festival da Eurovisão, ficando em 19º lugar, entre 26 participantes.

Em 2023, foi condecorada com a Ordem do Império Britânico pelos serviços prestados à música.

A cantora tinha marcada uma nova digressão, até ao final deste ano, que começava em Malta, no próximo dia 22, e terminava no País de Gales, em 17 de Dezembro, com concertos na Alemanha, Chéquia, Hungria, Turquia, Áustria, Escócia, Inglaterra e Roménia.

Entre as mais recentes actuações de Bonnie Tyler em Portugal, contam-se os concertos no Casino Estoril e no Campo Pequeno, em Lisboa, em 2023, e no Coliseu dos Recreios e no Coliseu do Porto, em 2024. Residente no Algarve, Bonnie Tyler apresentou-se noutros palcos do país, dos Açores a Guimarães.

No passado mês de Janeiro, quando “Total Eclipse of the Heart” bateu a barreira de mil milhões de reproduções, Bonnie Tyler recordou à BBC o trabalho com o compositor Jim Steinman, sobre a canção: “Quando a ouvi a primeira vez pensei: ‘Esta música é incrível’. Nunca me canso de a cantar”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


domingo, 10 de maio de 2026

Reino Unido - Comunidade portuguesa garante pelo menos 10 eleitos nas autárquicas britânicas

Pelo menos 10 portugueses foram eleitos nas eleições autárquicas britânicas que se realizaram na quinta-feira, incluindo Hedson Farinha de Castro, que contrariou a tendência nacional de recuo e foi eleito pelo Partido Trabalhista

Este professor de crianças com necessidades especiais foi eleito pela primeira vez na área de Yeading, no município de Hillingdon, um subúrbio no oeste de Londres.

“Foi difícil devido ao que tem acontecido aqui em Inglaterra, porque há vários grupos políticos neste momento, como o Reform UK e o Green Party, que são partidos que estão a ter muita força e a população encontra-se muito dividida”, disse, este sábado, à Agência Lusa.

Castro, de 45 anos e nascido em Luanda, revelou ter enfrentado hostilidade durante a campanha.

“Foi muito difícil sair pelas ruas, tentar fazer a campanha, porque houve lugares onde não fui bem recebido, lugares onde as pessoas me receberam muito mal. E houve lugares onde fui ameaçado e tudo. Foi uma campanha muito difícil”, contou.

Hedson Castro pretende colocar a sua experiência pessoal e profissional ao serviço da comunidade, com especial enfoque na prevenção da criminalidade entre os mais jovens.

“Eu sempre acreditei que dentro de mim tinha um dom de poder ajudar as pessoas, de comunicar com jovens pela experiência que eu tenho com crianças especiais e também dar ajuda às mães e pais que muito precisam de ajuda com os filhos”, explicou.

Uma análise feita pela Lusa aos resultados divulgados indica que, pelo menos, 10 candidatos portugueses ou lusodescendentes foram eleitos por diferentes partidos, sobretudo na região de Londres.

Os trabalhistas Diogo Costa, Lúcia das Neves e Tiago Corais foram reeleitos em Lambeth, Haringey e Oxford, respetivamente, quanto Isabel Araújo, em Sutton, e Nick da Costa, em Haringey, renovaram os mandatos pelos Liberais Democratas.

A estreante Sandra Mano soube que foi eleita pelos Liberais Democratas em Watford no dia do seu aniversário e Elmedina Baptista-Mendes, enfermeira de profissão, conquistou pela primeira vez um lugar em Islington pelos Verdes.

Floyd Anjoe Dias do Rosário, em Brent, e Salvador António José Pereira, em Hounslow, ambos de origem goesa, foram eleitos pelo Partido Conservador.

Mais de duas dezenas de portugueses ou lusodescendentes concorreram às eleições autárquicas realizadas na quinta-feira em Inglaterra.

Segundo os resultados divulgados por 131 das 136 autarquias que foram a votos, o grande vencedor foi o Partido Reformista, que conquistou 1444 lugares dos cerca de 5000 em disputa.

O Partido Trabalhista elegeu 999, mas perdeu 1408 representantes locais, enquanto o Partido Conservador garantiu 773, mas perdeu 557.

Os Verdes mais do que duplicaram o número de eleitos, para 516, e os Liberais Democratas também cresceram, atingindo 836.

O mau desempenho nas eleições autárquicas do Partido Trabalhista foi repetido nas eleições regionais, também realizadas na quinta-feira, para os parlamentos autónomos da Escócia e País de Gales.

Na Escócia, o Partido Nacional Escocês, que governa desde 2007, conquistou o maior número de assentos (58), mas sem maioria absoluta.

O ‘Labour’ e o ‘Reform UK’ ficaram empatados, com 17 lugares num total de 129, à frente dos Verdes (15), Conservadores, (12) e Liberais Democratas (10).

O partido do primeiro-ministro Keir Starmer sofreu uma derrota eleitoral histórica no País de Gales ao perder pela primeira vez a maioria no parlamento autónomo do País de Gales desde a criação em 1999 e cair para o terceiro lugar.

Em primeiro ficou o partido nacionalista Plaid Cymru, seguido do Partido Reformista. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


segunda-feira, 18 de março de 2024

Internacional - Estudo sugere que pré-tratamentos à base de fungos podem tornar a produção de pasta para papel mais sustentável

Um estudo liderado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) sugere que pré-tratamentos à base de fungos lenhinolíticos podem auxiliar na produção de pasta para papel sem comprometer a sua qualidade.


Ricardo da Costa, investigador do Departamento de Química, e Maria da Graça Carvalho, professora do Departamento de Engenharia Química, são os autores principais do artigo “Reduced Recalcitrance and Improved Pulp Properties in Eucalypt Woods Pretreated with White-Rot Fungi and Mild Alkali”, publicado na revista Industrial & Engineering Chemistry Research da American Chemical Society.

«Certos pré-tratamentos da madeira mediados por fungos lenhinolíticos (White-Rot Fungi) têm o potencial de permitir a redução de energia e/ou da quantidade de reagentes químicos utilizados durante a produção de pasta para papel. No entanto, estas são metodologias que ainda não foram suficientemente exploradas, particularmente no contexto português», revela Ricardo da Costa.

Assim, «o nosso objetivo principal foi abordar esta lacuna e desenvolver metodologias biotecnológicas que possam ser utilizadas como auxiliares na produção de pasta para papel, sem afetar a qualidade das pastas produzidas», conta Maria da Graça Carvalho, explicando que os pré-tratamentos da biomassa envolvem a aplicação de fungos lenhinolíticos, nomeadamente Ceriporiopsis subvermispora, Ganoderma lucidum, Phanerochaete chrysosporium, Pleurotus ostreatus, e Trametes versicolor, em aparas de madeira de eucalipto antes do cozimento para produção de pasta para papel.

A docente elucida ainda que os pré-tratamentos, utilizados durante a investigação, reduziram substancialmente a resistência que a madeira apresenta aos processos de cozimento e melhoraram as propriedades da pasta. Também o teor residual de lenhina foi substancialmente reduzido nas pastas cruas produzidas a partir da madeira tratada, bem como o consumo de reagentes de branqueamento.

Portanto, de acordo com o investigador do Departamento de Química, «estes processos, depois de avaliada a sua viabilidade técnico-económica em contexto industrial, poderão resultar na melhoria da eficiência do processo de produção de pasta para papel», conclui.

Este estudo é o resultado de uma colaboração entre os departamentos de Química, Engenharia Química e de Ciências da Vida (DCV) da FCTUC, no âmbito do projeto “Inpactus”, incluindo o contributo de vários parceiros internacionais, nomeadamente as universidades de York e do País de Gales, no Reino Unido. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Reino Unido – Aumenta a pobreza

O aumento da pobreza no Reino Unido está a levar pessoas a alimentarem-se com ração, enquanto outras aquecem comida no radiador de aquecimento ou com velas.

A denúncia foi feita por Mark Seed, director de um projecto comunitário de alimentação em Trowbridge, no leste de Cardiff, capital do País de Gales.

Análise da BBC dos dados do Censo britânico de 2021 indica que seis das comunidades mais carentes do País de Gales, uma das quatro nações que compõem o Reino Unido, estão naquele distrito.

No entanto, ONG advertem que famílias em dificuldades não se encontram apenas em áreas há muito associadas à pobreza e pede que as políticas se concentrem nas pessoas, e não nos lugares.

A situação em Cardiff retrata um cenário desafiador que muitos enfrentam no Reino Unido por causa do aumento da inflação – relatos como o de Seed somam-se aos de muitos outros cidadãos que vivem em diferentes partes do país.

Quase um terço das mães ou pais solteiros está a deixar de comer uma das refeições do dia para sobreviver, segundo um levantamento recente do grupo Which? sobre as famílias mais atingidas pela crise inflacionária no país.

Membros de três em cada 10 famílias monoparentais entrevistados disseram que evitam uma refeição como resultado do aumento dos preços dos alimentos. No total, a mesma situação ocorre em 14% dos domicílios que participaram do estudo.

“As famílias em todo o Reino Unido estão a enfrentar dificuldades devido ao aumento do custo de vida, sendo as famílias monoparentais as mais afectadas pela crise”, disse Rocío Concha, directora de política e activismo da Which? ao jornal britânico The Guardian.

“Arco da pobreza”

Trowbridge fica no que Seed chama de “arco da pobreza” de leste a oeste de Cardiff. Muitas pessoas na cidade galesa de Cardiff estão a lutar para comer e aquecer-se neste inverno devido à inflação, diz Seed, que cometa “ainda fico impressionado com as pessoas a comer ração”.

“[Há] pessoas que tentam aquecer a comida no radiador ou com uma vela. São histórias verídicas chocantes”, acrescenta.

“Cardiff é uma cidade próspera, mas tem bolsões de pobreza que são simplesmente inaceitáveis”, diz Seed, que relata que as pessoas não ganham o suficiente para pagar pelo essencial.

A crise inflacionária só agravou a situação. “[As pessoas] dizem-nos que trabalham todas as horas que podem”, explica.

The Pantry, o banco de alimentos administrado por Seed, oferece comida de boa qualidade a preços muito baixos para mais de 160 pessoas.

Uma delas é Elizabeth Williams, de 54 anos, que diz que o projecto “faz uma grande diferença” e aproxima as pessoas, mas admite que a sua situação está muito difícil. “Normalmente, tento não gastar para melhorar as coisas na minha casa”, referiu.

Ela e o companheiro não trabalham, enquanto o filho, que mora com eles, trabalha muitas horas. “Mesmo com meu filho a trabalhar e a contribuir, é difícil, porque ele também tem que viver e tem necessidades. Tem vários problemas de saúde e está a aguardar uma cirurgia”, explicou.

Durante décadas, o oeste de Gales e a região dos vales receberam financiamento adicional da União Europeia (UE) porque estavam entre as regiões mais pobres da Europa, mas Cardiff não era incluída porque, em termos de padrão de vida médio, não é considerada uma região carente.

Victoria Winckler, directora da ONG galesa The Bevan Foundation, alerta sobre os perigos de estereotipar grandes áreas ou cidades como carentes ou prósperas. “O estereótipo é que Cardiff é próspera e os vales são pobres, mas os números mostram que não é bem assim”, salientou.

“Há áreas de Cardiff que são prósperas, sim, mas também há áreas bastante significativas da capital galesa onde as pessoas não vivem tão bem”, acrescenta.

Para a organização, é fundamental que os supermercados garantam que os preços sejam fáceis de comparar e que haja variedade de oferta para diferentes orçamentos.

“Como os preços continuam a subir, é fundamental que todas as pessoas tenham acesso a alimentos saudáveis e acessíveis para elas e suas famílias”, acrescenta Concha, da Which?.

Os últimos dados oficiais mostram que a inflação de alimentos no Reino Unido atingiu 16,4% em Outubro, o nível mais alto desde 1977.

Isso deve-se principalmente ao forte aumento de produtos da cesta básica, como leite, manteiga, queijo, massas e ovos.

Os domicílios monoparentais e os aposentados destinam parcela maior dos seus rendimentos à alimentação, electricidade e gasolina, cerca de 30%. Para casais com filhos, esse percentual cai para 25%, segundo cálculos oficiais.

No entanto, todas as famílias estão a gastar significativamente mais do que no ano passado em produtos essenciais.

Uma mulher de 40 anos disse aos entrevistadores que nalgumas semanas mal consegue alimentar os filhos. Outra pessoa acrescentou: “Não estou a comer adequadamente para poder alimentar e vestir os meus filhos e ainda ter o suficiente para (pagar pela) electricidade.”

Segundo dados revelados esta semana pela Confederação da Indústria Britânica, a economia do Reino Unido caminha para uma contração de 0,4% no próximo ano devido à inflação e ao receio das grandes empresas em investir. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”

 

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Reino Unido - Ceramista portuguesa conquista prémio artístico no País de Gales

A ceramista portuguesa Natália Dias ganhou este ano pela segunda vez uma medalha de ouro do festival Ceredigion National Eisteddfod no País de Gales com uma série de cabeças de mulheres inspiradas nas mitologias grega e celta


A Medalha de Ouro para a categoria de Design e Artes Decorativas [Gold Medal for Craft and Design] inclui um prémio monetário de 5000 libras [6000 euros), mas é o reconhecimento da obra que a artista de 44 anos mais valoriza.

Com origens que remontam a 1861, o National Eisteddfod é um dos maiores festivais culturais europeus, atraindo cerca de 160000 visitantes ao longo de uma semana de concertos, debates, exposições e outras manifestações tradicionais dedicados à língua e tradições galesas.

“Penso que só duas ou três pessoas ganharam duas vezes o prémio desde que o festival existe. É muito significativo porque no País de Gales é um prémio muito importante e é extremamente relevante para a validação do meu trabalho”, disse a artista à Agência Lusa.

As peças, explicou, remetem para “guerreiras que representam o espírito feminino e são inspiradas na mitologia grega, celta ou irlandesa, as lendas e magia que estão muito presentes na história do País de Gales”.

Nesta série identifica também a própria herança socio-cultural da arte sacra que observava nas igrejas que frequentava com a família em Portugal.

“Não sou católica praticante, mas esta espiritualidade esteve sempre presente na minha vida. As figuras são quase como aquelas que se vêem em igrejas portuguesas, mas com significado mais pagão, celta, mitológico”, afirmou.

Uma das peças da série que se destacam é intitulada “Blodeuwedd”, uma representação de uma figura mítica criada a partir de flores encontrada no Mabinogi, um manuscrito medieval que reúne várias lendas galesas.

Em homenagem, Natália Dias criou uma cabeça de cerâmica finalizada com vidrado verde e coroada por uma crista de folhas e flores, decoração na qual usou o estilo que caracterizam o trabalho do compatriota Raphael Bordallo Pinheiro (1846-1905), técnica desenvolvida pelo francês Bernard Palissy (1509-1590).

“Esse estilo das terrinas e pratos de Bordallo Pinheiro sempre me inspirou”, confiou à Lusa, estilo bastante vistoso e requintado, que contrasta com a tendência moderna para uma cerâmica “mais minimalista”.

Esta série de cabeças feitas em 2019 e 2020 foram criadas numa altura em que se falava muito de protestos ambientais e da ativista sueca Greta Thurnberg, contou.

No passado, a portuguesa fez peças com metamorfoses de órgãos humanos em plantas ou com referências a catástrofes naturais, como derrames de crude, um reflexo das próprias observações e emoções e do interesse omnipresente na natureza.

“O mais visceral do trabalho vem de Portugal e o mais natural, de plantas e do verde, da mitologia e histórias, vem do País de Gales”, resumiu a artista baseada em Cardiff.

Natural do Funchal, na Madeira, Natália Dias cresceu em Almeirim e inicialmente trabalhou como ‘chef’ de cozinha, mas deixou para trás esta carreira para estudar restauro de arte e património, ainda em Portugal.

Em 2001, decidiu aprofundar os estudos na universidade de Portsmouth, no sul de Inglaterra, onde teve o primeiro contacto com a cerâmica, a qual a fez mudar novamente de direção e tornar-se artista.

Depois de uma passagem pela Irlanda, estabeleceu-se no País de Gales, onde completou uma licenciatura, e com os trabalhos de curso ganhou a primeira medalha de ouro do National Eisteddfod, em 2010.

Em 2007 ganhou o primeiro prémio Design4Science, que abriu a uma exposição na Suécia, em 2014 foi-lhe atribuída uma bolsa Creative Wales Award pelo fundo de apoio à cultura Arts Council of Wales.

Atualmente faz parte do coletivo Fireworks Clay studios juntamente com outros 15 ceramistas britânicos e internacionais, com os quais partilha as instalações, equipamento e a organização do espaço.

Em Portugal, já participou duas vezes na Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro, mas gostaria de reforçar os laços com o país, tendo como projeto abrir um estúdio em Arcos de Valdevez, perto do Parque Nacional da Peneda Gerês, que compara à paisagem galesa. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sábado, 17 de outubro de 2020

Reino Unido - Após 200 anos, nascem novas crias de Abetouro no País de Gales

 


O Abetouro é uma espécie de garça que teve um grande declínio da sua população na Europa no começo do século XX. Segundo o RSPB Wildlife Charity, umas das principais razões foi a drenagem dos solos, que levou à perda de habitat. A espécie esteve extinta no Reino Unido na época de 1885.

Atualmente, devido a várias ações de conservação da espécie, e após 200 anos, nasceram novas crias de Abetouro na Newport Wetlands National Nature Reserve, no País de Gales.

Foram avistados dois ninhos na reserva por Kevin Dupé, membro da Natural Resources Wales, que trabalha no local há 19 anos. “Ver os abetouros a fazer ninhos em Newport Wetlands é uma visão verdadeiramente maravilhosa e uma verdadeira conquista para aqueles que estão envolvidos na conservação deste habitat no local há muito tempo.”

Cellan Michael, da RSPB, explica em comunicado “A Newport Wetlands é um lar importante para a vida selvagem e uma valiosa fonte de natureza para a grande população urbana que vive nas cidades vizinhas. Estamos maravilhados com o fato dos abetouros estarem a fazer ninhos aqui e a juntar-se a um conjunto de animais selvagens raros que prosperam na reserva.”

O último registo de ninhos de abetouros no sul do País de Gales foi há mais de 200 anos, então o fato de este pássaro icónico estar a fazer ninhos em Newport Wetlands mostra como a criação e o gestão dos canaviais neste local valeram a pena“, conclui.

Estas aves habitam em sapais, lagoas e canaviais, e são raramente avistadas. In “Green Savers Sapo” - Portugal

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Portugal - A engenharia nacional fornece turbina de ar com 1,5 MW para energia das ondas

A empresa tecnológica Kymaner anunciou hoje que firmou um contrato com a sociedade Bombora Wave Power Ltd, com sede no Reino Unido, para fornecimento daquela que é até à data a maior turbina de ar desenvolvida para aproveitamento da energia das ondas, com uma potência nominal máxima de 1,5 MW. A excelência da engenharia portuguesa na energia das ondas é reconhecida internacionalmente, sendo esta realização o culminar de mais de quarenta anos de investigação aplicada.

A turbina inicia agora o projeto e tem o fornecimento agendado para o final de 2019. O trabalho será desenvolvido em estreita relação com o Grupo de Energia das Ondas do Instituto Superior Técnico (IST) e será completamente produzida em Portugal. O fornecimento incluirá as condutas de circulação do ar, a instrumentação e o comando do sistema. A turbina de ar unidirecional integrará o inovador sistema mWave de conversão de energia das ondas em energia eléctrica, a instalar ao largo da costa do Pais de Gales para testes nos dois anos seguintes e será otimizada para responder aos requisitos particulares do sistema.

O sistema mWave é fixo ao fundo a profundidades de cerca de 10m, onde uma grande parte da energia das ondas está disponivel ao abrigo das fortes ações marítimas à superfície. O sistema dispõe de uma série de membranas insufláveis montadas numa estrutura fixa ao fundo que, por ação das ondas incidentes, faz circular o ar em circuito fechado através da turbina. O gerador acoplado completa a conversão da energia das ondas em energia elétrica. O ar é então reciclado nas membranas insufláveis, pronto para a próxima onda. In “WavEC” - Portugal



Sobre a empresa

A Kymaner, Tecnologias Energéticas, Lda. é uma empresa com capital 100% português, criada em 2005 para desenvolver tecnologias de aproveitamento de energia das ondas, em particular turbinas de ar especiais, e detem os direitos de desenvolvimento e comercialização de 2 patentes nacionais: a turbina biradial e um conversor flutuante de energia das ondas. O Grupo de Energia das Ondas do IST é um dos líderes a nível mundial na área e as suas atividades cobrem a maioria das áreas tecnologicas associadas à energia das ondas, detendo várias patentes nessa área de especialidade.



quinta-feira, 12 de março de 2015

Reino Unido - Hidroeléctricas marinhas para explorar energia das marés

A exploração da energia das marés vem sendo estudada com o uso de turbinas flutuantes ou de conjuntos de turbinas submersas, todas girando em baixa velocidade conforme as marés fluem num e noutro sentido.

Mas a empresa britânica Tidal Lagoon Power pretende fazer algo bem diferente, construindo uma verdadeira "hidroeléctrica marinha".

A empresa apresentou seis projetos, que consistem na construção de lagoas em baías, quatro delas no País de Gales e duas na Inglaterra.

O projeto da lagoa de Swansea, no País de Gales, que já recebeu apoio do governo mas ainda terá que vencer a resistência dos ambientalistas, tem custo previsto de 1 bilhão de libras (cerca de R$ 4,37 bilhões) e poderá gerar energia para 155 mil residências.

Barragem marinha

Cada uma das lagoas do projeto deve exigir um grande projeto de engenharia. Em Swansea, por exemplo, a muralha de proteção para a barragem marinha deve se estender por mais de 8 quilômetros.

Esses muros gigantes servem para captar a água da maré e criar um reservatório.

Quando a maré começa a subir, as comportas são fechadas, criando um desnível porque a água da lagoa permanece em um nível mais baixo.

Quando a maré está cheia do lado de fora, as comportas são abertas e a água flui pelas turbinas, gerando energia e enchendo a barragem.

Quando a maré começa a virar, as comportas são fechadas para manter o nível alto da água dentro da barragem.

Assim que a maré fica baixa do lado de fora, as comportas são novamente abertas para gerar energia novamente enquanto a água flui da barragem de volta para o mar.

Energia verde

Este esquema de "energia verde" é interessante para as empresas geradoras porque, ao contrário da energia solar e da energia eólica, é possível prever a mudança das marés.

E o Reino Unido conta com uma das marés mais altas do mundo. As turbinas capturam energia de duas marés que entram e duas marés que saem da lagoa por dia e devem permanecer ativas por uma média de 14 horas diárias.

"Temos uma oportunidade maravilhosa de criar energia a partir da dança entre a Lua e a Terra. Admitimos que, no começo, é caro, mas, com o passar do tempo os custos serão cobertos e vai se transformar em algo incrivelmente barato", afirmou Mark Shorrock, presidente da companhia. In “Inovação Tecnológica “ – Brasil


Poderá aceder a outros projectos para aproveitamento das energias das ondas e das marés aqui.

Para conhecer este projecto apresentado pela Tidal Lagoon Swansea Bay aceda ao filme aqui.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

País de Gales – Energia das marés

Turbina que explora energia das marés pronta para ser instalada



Energia das marés

Um novo gerador de energia a partir do movimento das marés está pronto para ser instalado no País de Gales.

Embora esteja sendo considerado um protótipo, o equipamento está na escala total prevista no projeto da empresa Tidal Energy Ltd.

O conceito de exploração da energia das marés é diferente da exploração da energia das ondas, embora ambas sejam formas de geração hidroelétrica.

Como as marés são geradas pela influência gravitacional do Sol e da Lua sobre a Terra, o movimento cíclico dos oceanos que produz as marés é mais previsível e constante.

Pesando 150 toneladas, o equipamento tem a altura de um prédio de sete andares e pode gerar 400 kW girando lentamente conforme o deslocamento das marés.

A baixa velocidade é um dos principais argumentos da empresa, que afirma que isto diminui o risco de impacto ambiental.

Além disso, a energia das marés é considerada verde e totalmente renovável.




Fazenda marinha

A turbina subaquática deverá funcionar por um período de testes de 12 meses, com a energia gerada já interligada à rede de distribuição.

Se o teste for bem-sucedido e o equipamento se mostrar confiável, a empresa pretende instalar uma fazenda submarina de geradores com uma capacidade de 10 MW, suficiente para abastecer 10.000 residências.

O projeto da fazenda marinha é baseado na colocação de bases triangulares que se assentam por gravidade no fundo marinho, evitando a necessidade de perfurações.

Isto reduz os custos de instalação e de manutenção.

Segundo a empresa, a colocação de três turbinas em uma única estrutura maximiza a energia média gerada, garantindo um fornecimento mais uniforme à rede.

Outra empresa está testando a exploração da energia das marés para geração de eletricidade desde 2007 na Irlanda do Norte, mas usando turbinas individuais fixadas no solo oceânico. In “Inovação Tecnológica” - Brasil