Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 18 de maio de 2024

Angola - Escritor António Quino lança romance Herdeiros do Pecado

O escritor e ensaísta António Quino lança na União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, a mais recente obra literária, intitulada “Herdeiros do Pecado”

Segundo o escritor, em declarações ao Jornal de Angola, trata-se de um romance que retrata os vícios da sociedade actual. António Quino avançou que a obra traz personagens, cenários e temas que nos apresentam uma certa desarmonia promotora de pecados enquanto desvirtualização de códigos e normas canonicamente aceites como ideais.

"A ideia do pecado, clara nos livros das religiões, é entretanto discutível nas nossas sociedades. O assédio, o despojar dos bens duma viúva, o adultério, as migrações com enormes consequências culturais e outros temas são abordados na obra, sem deixar de lado o humor", revelou.

Sobre o tempo que levou a escrever o romance, disse não saber precisar. Entretanto, frisou que houve um tempo de concepção e outro de maturação literárias.

"O da concepção, talvez tenha começado entre 2013 e 2014. Agora, começou a ganhar corpo em 2019 e a maturar-se durante a época pandémica", partilhou.

Quanto à relação de ruptura ou continuidade temática em relação às obras já lançadas, António Quino admitiu haver uma ligação entre os seus livros, cujos temas visam espicaçar e estimular a reflexão sobre os valores que regem a sociedade.

"Evidentemente, a minha visão e preocupação da actualidade está patente nas abordagens. Se com República do Vírus satirizo o mundo político em concreto, neste procuro desenterrar pecados canonizados como práticas normais entre nós. E mais, ponho no livro a vigilância dos nossos ancestrais que, sem intervir, não devem estar nada a gostar desse nosso comportamento pecaminoso", lamentou o escritor.

Crítico literário, antologista, cronista, contista, romancista e jornalista, António Quino é doutor em Ciências da Literatura pela Universidade do Minho (Braga, Portugal), e mestre em Ensino de Literaturas em Língua Portuguesa pela Universidade Agostinho Neto (Luanda, Angola). É docente no Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda.

É membro da União dos Escritores Angolanos e membro fundador da Academia Angolana de Letras, exercendo actualmente a função de Secretário-Geral.

É autor, dentre outros, dos livros "Duas faces da esperança: Agostinho Neto e António Nobre num estudo comparado (Luanda, 2014)",  "República do Vírus",  e organizador das antologias: "Conversas de Homens no Conto Angolano”, "Balada de Homens que Sonham"  e "António Agostinho Neto: O Caminho das Estrelas”. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


sexta-feira, 19 de abril de 2024

Angola - “Letras sobre as Línguas de Angola” com poema de Deolinda Rodrigues

A Academia Angolana de Letras lança, amanhã, às 15h00, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, a obra “Letras sobre as Línguas de Angola”. Trata-se de um conjunto de ensaios organizados por Paulo de Carvalho e António Quino, membros da direcção da Academia Angolana de Letras. Patrocinada pela Fundação Bornito de Sousa, a obra reúne textos de eminentes intelectuais da academia angolana


Em declarações ao Jornal de Angola, António Quino avançou que a obra traz textos da renomada linguista Amélia Mingas, falecida em 2019, do psicólogo Aníbal Simões, do jurista Bornito de Sousa, do pedagogo Filipe Zau, do linguista Mbiavanga Fernando, do crítico literário Manuel Muanza, do linguista Márcio Undolo e do antropólogo Virgílio Coelho. A obra traz, igualmente, para além dos textos dos organizadores, respectivamente o sociólogo Paulo de Carvalho e o docente António Quino, um texto da escritora e heroína nacional Deolinda Rodrigues "Languidila”, falecida a 2 de Março de 1967.

"Publicamos um poema inédito em kimbundu, magistralmente traduzido para português pelo também escritor Jofre Rocha, irmão de Deolinda Rodrigues”, revelou António Quino.

António Quino explicou que a obra traz uma abordagem pluridisciplinar a respeito das línguas da República de Angola, sem qualquer tipo de discriminação ou limitação na abordagem.

O escritor e ensaísta António Quino adiantou que, além de ser publicada na obra a Declaração da Academia Angolana de Letras sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, resultado de uma mesa-redonda a respeito do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90), o livro também transporta a visão de antropólogos, críticos literários, escritores, juristas, linguistas, pedagogos, psicólogos sociais e sociólogos, cada um deles a tratar a questão linguística sem tabus de qualquer espécie.

"Lembramos que na sua declaração, a Academia Angolana de Letras considera desfavorável a adesão de Angola ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) por se tratar de um instrumento que não promove a unificação da grafia do idioma e por não convergir para a promoção e difusão da língua no país”, sublinhou.

"Letras sobre as Línguas de Angola” é o primeiro livro a ser publicado sob a égide da Academia Angolana de Letras desde a sua fundação, em 2016. Katiana Silva – Angola in “Jornal de Angola”


sábado, 16 de setembro de 2023

Angola - Destacado o papel do Poeta Maior na relação com o Brasil

A Academia Angolana de Letras realizou, na última quinta-feira, a segunda conferência do ciclo do mês de Setembro da série Conversas da Academia à quinta-feira, para saudar o 101° aniversário do nascimento de Agostinho Neto, tendo como conferencista o escritor e jornalista Tom Farias, que dissertou sobre “Agostinho Neto e o Brasil”


Sob a moderação do escritor António Quino e na presença de investigadores de Angola, Arábia Saudita, Bélgica, Brasil e Portugal, o conferencista desta semana falou acerca dos laços históricos que ligam Angola ao Brasil, seja durante o tráfico negreiro, seja no decurso do período colonial, em que se intensificaram os laços artísticos e literários entre os dois países. O imediato reconhecimento da independência de Angola, pelo Brasil, é prova disso.

Membro da Academia Carioca de Letras, Tom Uelinton Farias destacou o papel de Agostinho Neto na relação entre Angola e o Brasil, tendo afirmado que "Agostinho Neto cumpriu na década de 1980 um papel fundamental no ideário de uma juventude brasileira que queria militar na poesia, mas cujas referências eram então muito poucas”.

A poética de Neto, que era até então desconhecida, acabou por encantar e influenciar nos jovens brasileiros, o modo de pensar África e, sobretudo, o modo de pensar Angola. "Havia uma certa comunhão de ideias entre angolanos e brasileiros, militantes das causas de liberdade, uma ligação de destinos que Agostinho Neto estabeleceu entre o Brasil e Angola, através da sua poesia”, tal como afirmou o palestrante desta Conversa à Quinta-feira.

O escritor Tom Farias destacou o facto de o Brasil conhecer muito pouco sobre a natureza e a riqueza dos países africanos. Mas Agostinho Neto "tornou-se no Brasil um poeta que simboliza a luta negra e a luta de libertação empreendida pelos movimentos negros - libertação, porque os negros brasileiros estavam também exilados dentro da sua própria pátria”. Mais que isso: Agostinho Neto "acabou dando esperança e luzes para que os militantes dos movimentos negros no Brasil pudessem sonhar” - disse o conferencista.

O autor de "Carolina - uma biografia” concluiu afirmando que "para a militância poética no Brasil, algumas palavras-chave da poesia de Agostinho Neto foram sendo inseridas no discurso militante, para falar de luta, para falar de libertação. Isso porque o significado poético das palavras ganhou sentido de militância por um desejo de reconhecimento e de liberdade dos negros no Brasil”.

A próxima Conversa da Academia à Quinta-feira está agendada para o dia 21 deste mês, a partir das 19h00. Sob a moderação do antropólogo Francisco Vieira, o filósofo Francisco Sá Moreira, da Universidade Federal Fluminense, falará sobre "Anton Wilhelm Amo, um filósofo africano na diáspora”. Como tem sido hábito, a participação via Zoom será livre. In “Jornal de Angola” - Angola