Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Angola - Semba será elevado a património da UNESCO ainda este ano

O Semba, estilo musical e de dança, que já se tornou um cartão-postal da cultura angolana, será inscrito, ainda neste ano, na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO. A garantia foi dada pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, que avançou que o processo para este fim já está em fase de conclusão


Ao falar à imprensa durante as festividades do Dia Nacional da Cultura, decorridas nos dias 7 e 8 do corrente mês, na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, Filipe Zau assegurou que o processo do cumprimento dos requisitos exigidos pela UNESCO para a aceitação do Semba a património cultural mundial já está quase pronto e que, antes mesmo do final de 2026, será cumprido o desiderato.

“A esta altura o dossiê está completamente fechado e acreditamos que antes mesmo do término de 2026 o semba deverá ser classificado como património cultural da humanidade”, assegurou o ministro.

Filipe Zau recordou que o processo arrancou em 2023, quando o estilo foi classificado como património cultural nacional, garantindo, que no presente ano, infalivelmente, os angolanos terão a honra de orgulhar-se de um estilo que será um património cultural da humanidade.

Além do semba, o governante adiantou que o dossiê das pinturas rupestres do Tchindu-hulu também está quase concluído e muito provavelmente entre o final deste ano e o princípio do próximo este monumento cultural poderá também ser classificado como património cultural da UNESCO.

Questionado sobre a situação do Corredor do Kwanza, Filipe Zau disse que continuam a ser reunidos os requisitos necessários para a sua classificação; entretanto, sublinha que ainda faltam alguns elementos fundamentais que têm a ver com os dados arqueológicos e que levam algum tempo para serem devidamente reunidos. “O corredor do Kwanza continua na lista indicativa dos inscritos para a classificação.

Não só o Corredor do Kwanza como também o Tchitundu-hulu, do Namibe, e também o Cuito Cuanavale”, disse o ministro. Acrescentou ainda que “o que está mais avançado neste momento é o dossiê das pinturas do Tchitundu-hulu que acreditamos que até final deste mês de Janeiro daremos entrada no processo”, reforçou o governante.

Conservação das línguas nacionais como património cultural O ministro manifestou também preocupação com as questões inerentes à preservação das línguas de Angola enquanto patrimónios culturais da nação.

Filipe Zau avançou que decorre um projecto de lei a ser ainda apreciado pelo Conselho de Ministros que visa estabelecer os trâmites legais sobre a preservação das línguas banto e lhes conferir um estatuto de “línguas nacionais” como tal.

“É uma lei sobre a preservação das línguas africanas de Angola, todas elas, e sobretudo uma forma de lhes dar estatuto posteriormente e não deixar simplesmente que elas se percam”, explicou.

Sublinhou que a intenção é de, acima de tudo, arranjar, do ponto de vista cultural, uma maneira de preservar estas línguas e fazer com que elas estejam cada vez mais presentes no quotidiano dos povos a que elas pertencem sem serem discriminadas. Bernardo Pires – Angola in “O País”


segunda-feira, 23 de junho de 2025

Angola - Especialistas analisam diversidade do português e das línguas nacionais

Os linguistas Miguel Lubuato e Peres Sassuco, bem como os académicos Reinaldo Tomás e Khilson Khalunga analisaram, na quinta-feira, em Luanda, a diversidade linguística angolana falada por diferentes etnias, com grande importância cultural e histórica para o país


Os especialistas abordaram diversas temáticas durante a conferência sobre as “Línguas Angolanas”, realizada no auditório da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Jean Piaget.

O linguista Miguel Lubuato abordou o tema “O kimbundu e os 50 anos da Independência de Angola: avanços e retrocessos”. Durante a dissertação, o especialista explicou que, actualmente, o kimbundu é falado por cerca de três a quatro milhões de pessoas.

O académico referiu que se existe a pretensão de ter um país inclusivo e com um maior número de falantes das diversas línguas Bantu, é necessário que as políticas públicas sejam abrangentes e consistentes a fim de as línguas nacionais não desaparecerem como forma de preservar a identidade cultural de um povo.

Se o país não tiver políticas públicas abrangentes e consistentes, alertou o especialista, não só o kimbundu, como também as demais línguas correm o risco de extinção.

A literatura, explicou, é uma das áreas da ciência que permite a renovação das línguas angolanas, mas existe pouca produção. Porém, referiu, é necessária uma maior produção literária, porque quando se faz o uso dos idiomas nas artes, há renovação das palavras.

O kimbundu, disse, actualmente, é reconhecido institucionalmente como uma língua nacional, e surgiram várias iniciativas para a padronização e documentação do idioma, mas houve uma limitação a estes avanços.

“Estes avanços foram limitados por retrocessos estruturais e sociais por causa da centralização do português como língua de ensino. O kimbudu, apesar da sua importância cultural, permanece em desvantagem”, enfatizou.

Miguel Lubuato aplaudiu a iniciativa do Tribunal Constitucional em traduzir a Constituição da República em oito línguas nacionais e, de igual modo, os órgãos de Comunicação Social, como a Televisão Pública de Angola (TPA) e a Rádio Nacional de Angola (RNA) que transmitem programas em línguas nacionais.

O linguista e professor Peres Sassuco dissertou sobre o “Sistema de Classe e Prefixos Nominais em bantu: uma abordagem morfológica do cokwe”, ao passo que o académico Khilson Khalunga analisou a questão “Sistema de Classe e Prefixos Nominais do Dialecto Kiphala: uma abordagem morfológica”, moderados por Leonilde António.

O professor Reinaldo Tomás dissertou sobre a “Multifuncionalidade dos Morfemas Prefixados no Léxico das Línguas Angolanas”.

Valorização e preservação

O coordenador do Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris, Hélder Simbad, explicou que o encontro serviu para analisar o panorama das línguas angolanas, valorização e preservação. “A língua portuguesa não ajuda a solucionar todos os nossos problemas, mas, também, não pensamos em banir o português, simplesmente pretendemos dar outro estatuto aos diferentes idiomas que temos em Angola”, clarificou.

Hélder Simbad disse que a União dos Escritores Angolanos (UEA), a Faculdade de Humanidades da Universidade Agostinho Neto e a Universidade Jean Piaget se juntam a esta iniciativa do Litteragris. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 28 de maio de 2024

Angola - Ndaka Yo Wiñi apela ao resgate dos valores ancestrais na música

O músico Ndaka Yo Wiñi apelou, domingo, em Luanda, durante a emissão do programa “Conversa à Sombra da Mulemba”, da Rádio Mais, ao resgate dos valores ancestrais nas composições musicais, sobretudo as cantadas nas línguas nacionais

O artista disse que a música é oriunda da oralidade, da acção humana e do movimento, por isso tem na ancestralidade um valor divino e sagrado, e promete continuar a manter a matriz africana nas suas canções. 

"As línguas nacionais devem fazer parte da nossa composição musical enquanto artistas, porque a música tem uma capacidade de educar, por ser uma arma de construção social, e as escolas não chegam perto”, disse.

Para continuarmos como bons e verdadeiros africanos, prosseguiu, é necessário a prática dos valores, com base na nossa essência. A língua não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas é sobretudo um grande instrumento para dinamizar a economia, o intercâmbio entre os povos e as estruturas políticas e sociais.

"Tenho a responsabilidade de investigar para confirmar e ter noção do que estou eu a cantar, e as minhas investigações são predominadas por quatro elementos, com realce para cantos, contos, provérbios e migração dos sotaques. As migrações dos sotaques permitem às pessoas serem tocadas, mesmo que não compreendam o que se canta”, disse.

Ndaka Yo Wiñi considera-se um contribuinte cultural, etno-musical e dinamizador das sociedades. O músico disse, igualmente, que o que está em falta actualmente no continente africano "é a prática dos nossos valores em exercício” diário.

O músico afirmou que não se pode chegar à ancestralidade sem conseguir tocar outrem, porque jamais se fala da ancestralidade e da arte do ponto de vista etno-musical sem que se conheça as origens, por isso, é preciso valorizar o futuro. "O meu conceito sobre o futuro é o passado, porque a maior parte das vezes as pessoas regressam ao passado”, realçou.

Quarteto de artistas participam no concerto

Ndaka Yo Wiñi avançou que tem na agenda a realização de um concerto, denominado "Lundongo”, marcado para o último fim-de-semana do mês de Junho, na Casa de Arte de Talatona, que vai contar com a participação do quarteto de artistas Filipe Mukenga, Mito Gaspar, Ângela Ferrão e Branca Celeste.

Branca Celeste, disse Ndaka, é uma jovem que se tem destacado nos últimos tempos, brindando o público com a txianda, por isso, merece todo o apoio para se firmar no mercado musical angolano. Para cada dia de espectáculo, vão actuar dois convidados. Armindo Canda – Angola in “Jornal de Angola”

terça-feira, 14 de maio de 2024

Angola - Memorial António Agostinho Neto acolhe colóquio sobre Línguas Nacionais

O Ministério da Cultura, em parceria com o Instituto de Línguas Nacionais, realizou no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, um Colóquio sobre as Línguas de Angola, com o tema “Angola e a Gestão do Plurilinguismo”


A actividade, realizada em alusão ao Dia Internacional da Língua Materna, celebrado a 21 de Fevereiro, teve como objectivo dar a conhecer a realidade sociolinguística de Angola e colher contribuições para o Projecto de Lei das Línguas de Angola.

Segundo a organização, o evento, aberto a professores, pesquisadores, estudantes e outras pessoas interessadas no tema, foi composto por dois painéis.

Para o primeiro painel, que abordou o plurilinguismo, foram apresentados os temas "A Língua enquanto Instrumento-mor da Partilha do Saber”, por Benjamim Fernando, "Línguas angolanas de origem africana e tradição oral”, por Albano Kufuna, "Plurilinguismo em Angola: Uma Responsabilidade e uma Responsabilização”, por Daniel Peres Sasuco” e "Reinvenção da Linguística na Literatura de Boaventura Cardoso”, por Domingas Monte.

Já o segundo painel, que teve como tema central "Política Linguística”, foi repartido pelos subtemas "A Gestão da Diversidade Linguística no Espaço Público Luandense”, abordado por Mbiavanga Fernando, "Metodologia de Ensino de Línguas”, por Domingos Vaz, "O Papel das Igrejas na Valorização, Ensino, Preservação e Disseminação das Línguas Nacionais Angolanas: Uma Perspectiva Histórica e Teológica”, por Adilson Leitão S. de Almeida, e "Sapiência Inerente nos Provérbios Bantu no Espaço Multilingue”, por Josefa Conde. Maria Hengo – Angola in “Jornal de Angola”


terça-feira, 19 de maio de 2020

Moçambique - Com mais de 20 idiomas, o país tenta quebrar barreiras linguísticas

O ensino de línguas moçambicanas cresce após oferta nas escolas, macua e xangana estão entre os idiomas locais mais falados. O país adoptou o português como língua oficial após a independência em 1975



A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, está a apoiar um novo programa educativo de promoção do bilinguismo e do ensino das línguas nacionais moçambicanas.

Desde a independência de Portugal, em 1975, e face à variedade linguística do país, Moçambique decidiu adoptar o português como língua oficial e de comunicação nacional.

Serviços

Mas em todo o território, existem mais de 20 línguas e muitas crianças só aprendem o português quando chegam à idade escolar. Dentre as mais faladas estão as línguas macua e xangana.

Num artigo na sua página na internet, a Unesco explica que o conhecimento da língua portuguesa é vital para aceder aos serviços públicos, mas a proficiência em línguas locais é crucial para a inclusão comunitária.

Segundo a Unesco, apenas 17% dos moçambicanos falam português como primeira língua. Por isso, torna-se necessário incorporar o ensino das línguas nacionais em programa de educação de adultos, num país onde os índices de analfabetismo permanecem altos.

Jovens e adultos

Em 2017, o país do sul da África desenvolveu o novo currículo de educação primária para adultos e jovens.

O projecto foi preparado pelo Directório Nacional de Educação de Adultos com o apoio do Programa de Desenvolvimento de Capacitação para Educação.

A nova grelha cobre seis disciplinas: português, línguas moçambicanas, ciências naturais, ciências sociais, matemática e competências para a vida.

No ano passado, cinco distritos receberam o currículo num programa piloto em quatro províncias: Gaza, Maputo, Nampula e Sofala. Professores e formadores de educação para adultos estão a utilizar o programa pelo segundo ano.

Compromisso

Um dos benefícios do ensino bilíngue é um maior compromisso e retenção da educação entre os alunos.

O especialista do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humanos, Alcido Timba, disse que as pessoas envolvem-se mais com o que têm familiaridade.

Padronização

Já a professora bilíngue de português e xangana, Zenalda Silvestre Machonga, explica que utiliza a língua local para descrever aspectos que os alunos não entendem bem porque alguns temas são melhor explorados na língua materna. E somente a partir daí, ela passa a discussão ao português.

O programa está a implementar material didáctico em cinco línguas nacionais assim como em português. A iniciativa também apoia a padronização da escrita em 19 línguas.

Atualmente, Moçambique tem 370 mil adultos matriculados no programa. ONU News – Nações Unidas

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ratificação

"Nós falamos a língua portuguesa, mas com algumas características muito próprias. Temos um grande peso das línguas nacionais. Como é que isso interage com este acordo ortográfico? E depois, é a questão da sua ampla divulgação. Está aqui imenso trabalho a fazer entre a ratificação e a plena entrada em vigor." Oldemiro Baloi - Moçambique