Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 2 de junho de 2022

Japão - Tribunal suspende reativação de central nuclear em Hokkaido

Um tribunal japonês decidiu ontem suspender a reactivação de uma central nuclear em Hokkaido (norte), num novo revés legal para os planos do governo nipónico de expandir a geração de energia atómica, após o desastre de Fukushima em 2011


O Tribunal Distrital de Sapporo decidiu contra o restabelecimento da operação da central nuclear de Tomari, em Hokkaido, cujos três reactores estão inactivos desde Maio de 2012.

A deliberação dos juízes da instância foi ao encontro dos argumentos de uma ação colectiva que foi movida por mil residentes naquela área que se oponham à reativação da central por razões de segurança. O operador da estrutura, Hokkaido Electric Power, tinha solicitado ao regulador japonês para o setor nuclear uma autorização para reiniciar a atividade.

O tribunal considerou que o operador não apresentou provas suficientes para garantir a segurança do sistema de armazenamento de combustível nuclear, nem que possuía medidas de proteção adequadas contra possíveis terramotos e tsunamis de grande escala. A resolução, no entanto, indeferiu o pedido dos queixosos para o desmantelamento total da central nuclear. A Hokkaido Electric Power anunciou, por sua vez, que recorrerá da decisão a um tribunal superior para tentar prosseguir com os seus planos para reactivar a central.

Esta é a terceira sentença de um tribunal japonês que suspende os planos de reabertura de centrais nucleares no país, após outras decisões semelhantes de instâncias regionais contra a reativação dos reatores 3 e 4 da central de Oi (oeste do Japão), em 2014, e contra a infraestrutura de Tokai (centro), em 2021.

O Japão entrou num chamado “apagão nuclear”, após o desastre nuclear na central de Fukushima Daiichi, desencadeado por um forte sismo e um consequente tsunami em Março de 2011. O Governo nipónico e a nova autoridade reguladora da energia atómica estabeleceram critérios de segurança mais rígidos, após a crise de Fukushima, que obrigou todas as centrais do país a suspender as operações até que atendessem aos novos padrões.

Até à data, apenas uma dezena de reactores nucleares recebeu autorização das autoridades para voltar a funcionar, de um total de 42 existentes em condições técnicas para operar, mas que não passaram pelas novas normas de segurança do regulador japonês, ou foram reprovados pela justiça. Este cenário compromete os objectivos traçados pelo executivo japonês, que pretende que as centrais nucleares contribuam entre 22% e 24% para a matriz energética do país até 2030, como parte das metas de descarbonização. In “Ponto Final” - Macau


quarta-feira, 25 de maio de 2022

Japão - Agência da ONU pede “transparência” em processos realizados na central nuclear de Fukushima

O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica salientou a importância da “transparência”, após visitar a central nuclear japonesa de Fukushima, atingida por um tsunami em 2011, onde observou preparativos para a libertação das águas residuais radioativas tratadas

Rafael Grossi, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEI), organismo que integra o sistema das Nações Unidas e que está a apoiar o plano do Japão de começar a libertar as águas residuais no mar no próximo ano, disse que a sua agência ajudará a manter a transparência ao longo de todo o processo, que tem suscitado preocupações no país e a nível externo. Grossi, que se encontra no território nipónico, está a reunir-se com funcionários para discutir o plano, que tem recebido atenção internacional. Na quinta-feira, visitou a fábrica Fukushima Daiichi, onde observou a sua desactivação em curso e os preparativos para a descarga das águas residuais.

O Governo japonês diz que a eliminação da água, armazenada em centenas de grandes tanques, é necessária para que a limpeza e o desmantelamento da fábrica avancem. Grossi referiu-se a preocupações persistentes no Japão e nos países vizinhos sobre possíveis perigos para a saúde decorrentes da descarga das águas residuais, o que inclui o trítio, um subproduto da produção de energia nuclear que é inseparável da água e um possível carcinogéneo a níveis elevados.

“Parto do princípio de que todas as preocupações sérias e honestas devem ser levadas a sério e devem ser envidados todos os esforços para as resolver”, disse o responsável. “Para estes países, quaisquer países, o que têm todo o direito de exigir é que as normas internacionais sejam cumpridas, nada mais, nada menos”, sublinhou.

Grossi salientou que o papel da AIEA é assegurar que as medidas tomadas na fábrica estejam em plena conformidade com as normas internacionais que foram aceites por aqueles que manifestaram preocupações. A China e a Coreia do Sul opuseram-se ferozmente ao plano. As comunidades pesqueiras locais dizem que a libertação irá prejudicar a reputação das suas capturas porque as águas residuais também contêm outros isótopos como o césio e o estrôncio, que serão reduzidos muito abaixo dos limites legais, mas não a zero.

O Governo do Japão tem enfrentado repetidas críticas públicas por minimizar qualquer risco das águas residuais. No ano passado, a agência de reconstrução teve de remover um vídeo que retratava o trítio como uma personagem de banda desenhada engraçada a nadar num copo de água.

O regulador nuclear japonês aprovou esta semana um plano do operador da central, Tokyo Electric Power Company Holdings, para libertar a água, dizendo que os riscos de radiação para o ambiente eram mínimos.

Um forte sismo, seguido de um tsunami, em 2011 destruiu os sistemas de refrigeração da central de Fukushima, causando o derretimento de três núcleos de reactores e libertando grandes quantidades de radiação. A água que está a ser utilizada para arrefecer os núcleos danificados, que permanecem altamente radioativos, tem desde então vazado para os porões do reactor, onde é contida, recolhida e armazenada em tanques. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 19 de abril de 2021

Coreia do Sul - Protestos contra a descarga de águas de Fukushima pelo Japão


O plano do Governo japonês para despejar gradualmente no mar águas tratadas, mas ainda radioactivas, da central nuclear destruída de Fukushima, está a gerar uma onda de protestos na Coreia do Sul.

A capital sul-coreana, Seul, foi palco de diversas manifestações de rua, nomeadamente de grupos ligados ao meio ambiente e às pescas, que se concentraram em frente à embaixada japonesa, e ainda de uma coligação de 25 associações laborais e cívicas, a Ação do Povo de Seul, que criticaram também os Estados Unidos, por darem apoio ao plano japonês.

“A decisão (da descarga de águas de Fukushima) foi tomada apenas três dias antes da cimeira Estados Unidos-Japão. Portanto, pode-se especular que houve uma discussão antecipada entre os dois lados e que os Estados Unidos estão a apoiar o Japão em benefício próprio”, afirmou o grupo, citado pela agência sul-coreana Yonhap.

A Federação da Liberdade da Coreia, uma organização pública conservadora, juntou-se às críticas ao Japão ao realizar um protesto online, com a participação de diretores de capítulos regionais, apelando ao Japão para que reveja a decisão anunciada esta semana.

A descarga de águas contaminadas pelo Japão, alertou a federação, poluirá irreversivelmente o oceano e colocará um fardo fatal nas gerações futuras.

Tomada ao fim de sete anos de discussão sobre o destino a dar às águas usadas para arrefecer combustível da central nuclear, a decisão japonesa motivou protestos da China, Coreia do Sul, Taiwan, e também de associações japonesas, ambientalistas e ligadas às pescas.

Também o Ministério das Relações Exteriores sul-coreano convocou esta semana o embaixador japonês, Koichi Aiboshi, para um protesto formal, depois de Koo Yun Cheol, ministro da Coordenação de Políticas Governamentais, afirmar que Seul “se opõe firmemente” à decisão japonesa.

Na quinta-feira, a China convocou o embaixador do Japão em Pequim para protestar formalmente contra a decisão.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, citado pela agência Kyodo, o ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros, Wu Jianghao, expressou ao embaixador japonês, Hideo Tarumi, a “forte insatisfação e oposição firme” da China ao plano para as águas de Fukushima.

Na sequência do anúncio do plano pelo Governo japonês, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, exortou o Japão a não efectuar a descarga “sem permissão” de outros países e da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), das Nações Unidas (ONU).

“A China reserva-se o direito de dar novas respostas” à decisão do Japão, disse Zhao à imprensa em Pequim, na terça-feira.

Pelo contrário, os Estados Unidos mostraram concordância com o plano japonês, considerando o processo de tomada de decisão de Tóquio “transparente”.

“Agradecemos ao Japão pelos esforços transparentes na sua decisão de descartar as águas tratadas de Fukushima Daiichi”, afirmou o secretário de Estado Antony Blinken, através da rede social Twitter, apelando a coordenação contínua do Japão com a AIEA.

A Agência Internacional de Energia Atómica, das Nações Unidas, apoiou o plano do Japão para despejar gradualmente no mar águas tratadas, considerando reunidas as necessárias condições de segurança.

“Estou confiante de que o governo [japonês] continuará a interagir com todas as partes de uma forma transparente e aberta enquanto trabalha para implementar a decisão de hoje”, disse o director-geral da AIEA, Rafael Grossi, em comunicado.

Salientado que a descarga de águas está de acordo com a prática internacional e é tecnicamente viável, a organização manifesta ainda disponibilidade para dar apoio técnico na monitorização da implementação do plano.

De acordo com a AIEA, as descargas controladas de águas radioactivas no mar são usadas de forma rotineira por operadores de centrais nucleares em todo o mundo, sob autorizações regulatórias específicas com base em avaliações de impacto ambiental e de segurança.

O Governo japonês já tinha afirmado que não era possível adiar a decisão por mais tempo, dado que a capacidade de armazenagem dos tanques de água na central, que continuam a receber líquido usado para arrefecer combustível nuclear, deverá esgotar-se em 2022, 11 anos depois de a central ter sido gravemente afectada por um terramoto e tsunami.

As instalações de Fukushima Daiichi geraram toneladas de água contaminada que tiveram de ser armazenadas depois de usadas para arrefecer os núcleos parcialmente derretidos de três reactores. Desde há anos que a empresa responsável pela central, a TEPCO, utiliza um sistema para filtrar aquela água e eliminar todos os seus isótopos radioativos com exceção do trítio. In “Hoje Macau” - Macau


 

sábado, 10 de abril de 2021

Japão - Água tratada, mas radioativa, da central nuclear de Fukushima, vai ser despejada no mar


O Japão vai despejar gradualmente no mar água tratada, mas ainda radioativa, da central nuclear destruída de Fukushima, apesar da oposição de comunidades locais e países da região.

A decisão será tomada em reunião do Governo na próxima terça-feira, ao fim de sete anos de discussão sobre o destino a dar às águas usadas para arrefecer combustível da central de Fukushima, noticia a agência Kyodo.

O Governo já tinha afirmado que não era possível adiar a decisão por mais tempo, dado que a capacidade de armazenagem dos tanques de água na central, que continuam a receber líquido usado para arrefecer combustível nuclear, deverá esgotar-se em 2022, 11 anos depois de a central ter sido gravemente afetada por um terramoto e tsunami.

As instalações de Fukushima Daiichi geraram toneladas de água contaminada que tiveram de ser armazenadas depois de usadas para arrefecer os núcleos parcialmente derretidos de três reatores.

Desde há anos que a empresa responsável pela central, a TEPCO, utiliza um sistema para filtrar aquela água e eliminar todos os seus isótopos radioativos com exceção do trítio.

O ministro da Indústria nipónico, Hiroshi Kajiyama, solicitou em março ao diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, que o organismo de controlo nuclear da ONU realize uma revisão científica do plano para eliminar a água e transmita a sua opinião à comunidade internacional.

O Japão pediu à AIEA que confirme se o método e as instalações utilizadas para a eliminação da água cumprem os padrões de segurança da agência, verifique os dados da radiação à volta da central e divulgue as suas descobertas.

O pedido de Tóquio ocorre depois de especialistas das Nações Unidas terem destacado que a água da central representa um grave risco ambiental e que seria “inaceitável” libertá-la no Oceano Pacífico. In “Green Savers Sapo” – Portugal com “Lusa”


 

terça-feira, 30 de março de 2021

Japão – Fukushima 10 anos depois


O tempo parece ter parado há uma década nas cidades ao redor da danificada central nuclear japonesa de Fukushima. A maioria permanece quase deserta, apesar dos esforços das autoridades para descontaminar e revitalizar a área desde o desastre nuclear que foi desencadeado pelo grande terramoto e tsunami em 11 de Março de 2011.

Ruas recém pavimentadas, mas vazias, e novas estações de trem sem um único passageiro coexistem na área de acesso restrito, onde residências e empresas também permanecem abandonadas.

Traços do acidente que forçou a evacuação de mais de 160 mil pessoas e o fechamento de cidades inteiras devido à contaminação radioactiva ainda são visíveis nas áreas afectadas, onde o governo japonês investiu somas multimilionárias para tentar restaurar o senso de normalidade que ainda parece longe.

Coincidindo com o 10º aniversário do desastre, a prefeitura de Fukushima foi escolhida para sediar o início da maratona da tocha olímpica no Japão, que culminará com a abertura dos Jogos de Tóquio, programada para 23 de Julho.

A maratona está a passar por cidades no raio de 20 km ao redor da central Fukushima Daiichi, que foi evacuada após o acidente. Até há um ano, a maioria delas era designada como zonas de “difícil regresso” devido aos níveis excessivos de resíduos radioactivos que emanavam da planta.

Partes dessas cidades foram declaradas habitáveis ​​novamente pelas autoridades após árdua limpeza e descontaminação, e equipadas com novas infra-estruturas como centros cívicos, bibliotecas e estações ferroviárias com o objectivo de trazer a população de volta.

Mas o acesso à maioria dos municípios ainda é restrito devido à alta contaminação radioactiva. Cerca de 337 quilómetros quadrados ainda são designados como zonas de evacuação, mantendo mais de 36 mil pessoas deslocadas.

O embelezamento das zonas por onde está a passar a tocha incomoda algumas pessoas, como Yukiko Mihara porque sente que as autoridades e alguns moradores da área “querem fingir que as consequências da catástrofe não existem”.

Após o acidente, ela diz que sua família foi forçada a fechar um estabelecimento comercial em Namie e mudar-se para outra área do Japão, onde ainda residem.

Yasushi Niitsuma, dono de um restaurante na mesma cidade, que mal recuperou 10% de sua população de uma década atrás, diz: “Parece que eles querem trazer a rota da tocha para mostrar a reconstrução, mas a reconstrução nem sequer foi concluída.”

Numa escola abandonada em Namie que está prestes a ser demolida, os quadros negros das salas de aula ainda mostram a data, escrita a giz, que mudaria o destino desta região.

Futaba, uma cidade que abriga as instalações nucleares de Daiichi, tinha 7000 residentes, todos evacuados após o acidente, e nenhum deles conseguiu regressar.

Em frente à estação ferroviária, murais coloridos pintados por artistas japoneses – um deles com a mensagem “Lá vamos nós!” – aguarda visitantes.

No bairro, as casas são invadidas pela vegetação e cercadas por objectos do quotidiano, e roupas, calçados e outros bens cobertos de poeira podem ser vistos dentro de lojas com telhados e janelas quebradas.

De acordo com dados oficiais, só em 2019, o governo regional gastou 2,7 mil milhões de USD em novos projectos de infra-estrutura, recuperação económica e promoção de seus produtos para separá-los do estigma de contaminação nuclear.

Parte desse montante foi usada para reconstruir o trecho Tomioka-Namie da linha férrea Joban (que atravessa o nordeste do Japão), que foi reaberta em Março de 2020 após nove anos.

Durante uma visita à área, a Efe não conseguiu ver nenhum passageiro durante o trânsito do trem por essas estações, que exibem indicadores electrónicos do nível de radioactividade ambiental em sua entrada.

“Receio que após estes 10 anos, ainda virão tempos mais difíceis” diz Mihara, que acredita que “estão a ser ignorados os sentimentos” das pessoas que viviam na área afectada. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”