Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Portugal - Projeto testa aplicação de microalgas para remover poluentes de águas residuais convertendo essa biomassa em produtos verdes

O projeto “NABIA - New Approach to Bioremediation using Algae”, liderado por Telma Encarnação e Abílio Sobral, investigadores do Centro de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a testar a aplicação de microalgas para remover poluentes de águas residuais, aproveitando essa biomassa para a produção de produtos de base biológica.


«Este projeto aborda a necessidade de encontrar uma potencial solução para o problema da poluição da água por poluentes emergentes e propõe a descontaminação de águas residuais com recurso a microalgas, com uma abordagem baseada na geração de biomassa e na sua respetiva valorização económica», começa por explicar Telma Encarnação.

A investigação, continua a química, «focou-se na biorremediação de águas residuais geradas pela transformação de lentes oftálmicas na indústria ótica, usando como casos de estudo empresas parceiras. Uma vez que estes materiais estão na sua maioria protegidos por patentes e segredo industrial, analisámos a sua composição», revela.

A equipa de investigadores começou por identificar os químicos ambientais persistentes em fontes de águas residuais e avaliar a eficácia e eficiência da utilização de microalgas na biorremediação de produtos químicos sintéticos. Neste momento, os especialistas estão a testar a viabilidade da transformação da biomassa em produtos inovadores, tais como lentes oftálmicas “verdes” e ainda um fotobioreator, otimizando o processo para maximizar o conteúdo de biomateriais das microalgas.

«Com o NABIA, pretende-se não só solucionar problemas emergentes relacionados com poluentes em águas residuais, mas também incentivar o desenvolvimento económico sustentável, promovendo uma economia circular através da valorização de recursos biológicos», conclui a investigadora da FCTUC.

O projeto NABIA conta com o apoio das empresas parceiras Farmi, Mlab, Moldetipo, Opticentro e PTScience, podendo ser acompanhado através deste sítio. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 19 de junho de 2023

Portugal - Cientistas desenvolvem sistema que remove contaminantes de preocupação emergente das águas residuais

Uma equipa de cientistas do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um sistema reacional de fotocatálise solar, utilizando catalisadores suportados, capaz de remover contaminantes químicos e biológicos das águas residuais domésticas.


O projeto PhotoSupCatal, que termina ainda este mês, tem como principal objetivo encontrar um tratamento terciário que consiga eliminar contaminantes de preocupação emergentes de maneira a proteger os ecossistemas e tentar obter uma água que possa ser reutilizável, por exemplo para irrigação. Para além dos compostos químicos, os investigadores avaliaram também a possibilidade de desinfeção, mais concretamente, verificaram qual o impacto que este processo tem na bactéria Escherichia coli e os resultados são promissores.

«Apesar das águas residuais domésticas passarem pelos tratamentos biológicos habituais, ainda não são tidos em conta alguns compostos químicos poluentes que estão a surgir nas águas e que advêm do consumo humano, nomeadamente de produtos de cosmética e farmacêuticos. Estes produtos libertam para as águas residuais moléculas que aparecem em concentrações muito pequenas, mas que devido à sua complexidade não conseguem ser tratadas por via biológica, que é o processo mais comum nas estações de tratamento de águas residuais municipais», começa por explicar Rui Martins, docente do DEQ e investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF).


Assim, prossegue Rui Martins, «o processo de tratamento que estamos a analisar é de fotocatálise, ou seja, temos um catalisador que é ativado pela luz e com essa ativação há produção de radicais, que são compostos muito instáveis e reativos, que vão degradar os compostos orgânicos. Como os radicais são pouco específicos conseguem atacar, teoricamente, toda a matéria orgânica existente», fundamenta o docente, acrescentando que neste processo será utilizada a energia solar como fonte de radiação, uma vez que tem um baixo custo.

Para produzir este novo sistema, a equipa da FCTUC desenvolveu um sistema catalítico sustentado com suportes à base de polímeros, nomeadamente PDMS e polianilina. «Os resultados mostram-nos que estes catalisadores conseguem degradar eficientemente os contaminantes orgânicos que estamos a testar e que são estáveis para vários testes de reutilização. Nesta fase, estamos a testar o reator em contínuo, a uma escala mais próxima do piloto», revela, esclarecendo que já foram realizados teste à escala laboratorial com resultados promissores.


De acordo com o docente do DEQ, este projeto terá impacto na indústria, porque vai oferecer uma tecnologia de baixo custo para refinar a qualidade da água tratada, permitindo a sua reutilização, e no ambiente, pois é seguida a premissa da poluição zero, uma vez que são removidos estes compostos de preocupação emergente.

«Estes compostos são persistentes no meio ambiente, o que significa que, apesar de serem descarregados em quantidades muito pequenas, se vão acumulando, podendo ter impacto nos ecossistemas e na saúde. Este tipo de tecnologia permite-nos removê-los antes dos efluentes serem lançados para os cursos hídricos, protegendo-os e, noutro sentido, permitir-nos-á chegar a uma água que seja adequada para reutilização, por exemplo, na agricultura, que é altamente consumidora de água», conclui.

O projeto, co-financiado pela União Europeia, através do FEDER, conta com a participação de nove investigadores do CIEPQPF e é coordenado pela Adventech – Advanced Environmental Technologies, Lda, empresa especializada no desenvolvimento e construção de ETARs e Sistemas de Tratamento de Emissões Gasosas. Universidade de Coimbra - Portugal




 


quarta-feira, 25 de maio de 2022

Japão - Agência da ONU pede “transparência” em processos realizados na central nuclear de Fukushima

O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica salientou a importância da “transparência”, após visitar a central nuclear japonesa de Fukushima, atingida por um tsunami em 2011, onde observou preparativos para a libertação das águas residuais radioativas tratadas

Rafael Grossi, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEI), organismo que integra o sistema das Nações Unidas e que está a apoiar o plano do Japão de começar a libertar as águas residuais no mar no próximo ano, disse que a sua agência ajudará a manter a transparência ao longo de todo o processo, que tem suscitado preocupações no país e a nível externo. Grossi, que se encontra no território nipónico, está a reunir-se com funcionários para discutir o plano, que tem recebido atenção internacional. Na quinta-feira, visitou a fábrica Fukushima Daiichi, onde observou a sua desactivação em curso e os preparativos para a descarga das águas residuais.

O Governo japonês diz que a eliminação da água, armazenada em centenas de grandes tanques, é necessária para que a limpeza e o desmantelamento da fábrica avancem. Grossi referiu-se a preocupações persistentes no Japão e nos países vizinhos sobre possíveis perigos para a saúde decorrentes da descarga das águas residuais, o que inclui o trítio, um subproduto da produção de energia nuclear que é inseparável da água e um possível carcinogéneo a níveis elevados.

“Parto do princípio de que todas as preocupações sérias e honestas devem ser levadas a sério e devem ser envidados todos os esforços para as resolver”, disse o responsável. “Para estes países, quaisquer países, o que têm todo o direito de exigir é que as normas internacionais sejam cumpridas, nada mais, nada menos”, sublinhou.

Grossi salientou que o papel da AIEA é assegurar que as medidas tomadas na fábrica estejam em plena conformidade com as normas internacionais que foram aceites por aqueles que manifestaram preocupações. A China e a Coreia do Sul opuseram-se ferozmente ao plano. As comunidades pesqueiras locais dizem que a libertação irá prejudicar a reputação das suas capturas porque as águas residuais também contêm outros isótopos como o césio e o estrôncio, que serão reduzidos muito abaixo dos limites legais, mas não a zero.

O Governo do Japão tem enfrentado repetidas críticas públicas por minimizar qualquer risco das águas residuais. No ano passado, a agência de reconstrução teve de remover um vídeo que retratava o trítio como uma personagem de banda desenhada engraçada a nadar num copo de água.

O regulador nuclear japonês aprovou esta semana um plano do operador da central, Tokyo Electric Power Company Holdings, para libertar a água, dizendo que os riscos de radiação para o ambiente eram mínimos.

Um forte sismo, seguido de um tsunami, em 2011 destruiu os sistemas de refrigeração da central de Fukushima, causando o derretimento de três núcleos de reactores e libertando grandes quantidades de radiação. A água que está a ser utilizada para arrefecer os núcleos danificados, que permanecem altamente radioativos, tem desde então vazado para os porões do reactor, onde é contida, recolhida e armazenada em tanques. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Portugal - Associação internacional distingue tese de doutoramento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra na área do tratamento de águas residuais

A International Ozone Association (Associação Internacional de Ozono), a única associação científica do mundo dedicada às múltiplas aplicações do ozono, distinguiu um estudo da Universidade de Coimbra (UC) que propõe diversas soluções inovadoras para tratamento de águas residuais com contaminantes emergentes, tendo por base o uso de ozono e a biofiltração, utilizando a Corbicula fluminea.

Os contaminantes emergentes, tais como fármacos, pesticidas, e produtos de higiene pessoal, entre outros, são compostos químicos bastante complexos, e os atuais métodos usados nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) não são eficazes na sua remoção.

O método proposto pelo investigador João Gomes, do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), recorre ao ozono fotocatalítico, ou seja, ozono associado a um catalisador (que acelera as reações químicas) e luz.

Neste caso, o investigador utilizou vários catalisadores, entre os quais rochas vulcânicas provenientes dos Açores. «Caracterizámos as amostras das pedras e verificámos que apresentavam propriedades com grande potencial para, em conjunto com uma pequena quantidade de ozono, degradar contaminantes tóxicos que não são removidos eficazmente pelos processos convencionais de tratamento de água», explica João Gomes.

O investigador justifica a opção de utilizar ozono associado a catalisadores com o facto de, «apesar de ser um gás fortemente oxidante e muito eficaz na degradação de poluentes químicos, o ozono é um gás caro. Os catalisadores permitem reduzir a quantidade de ozono necessária à descontaminação, tornando o processo economicamente viável».

As várias experiências realizadas em laboratório com uma mistura de parabenos, compostos muito utilizados, por exemplo, em géis de banho e champôs, apresentaram resultados promissores. «Na presença de catalisadores, com uma pequena quantidade de ozono, a concentração inicial de parabenos foi totalmente removida, ao contrário do que se verifica utilizando apenas ozono», sublinha João Gomes.

Provado o conceito e tendo já sido feita a aplicação em efluente real, o investigador vai agora otimizar o sistema à escala piloto.

Sobre a atribuição do prémio “Willy Masschelein Prize 2019”, o investigador, que realizou o estudo no âmbito do seu doutoramento, orientado pelos professores Rui Martins e Rosa Quinta Ferreira, afirma que «é uma honra imensa ver o nosso trabalho reconhecido pela comunidade científica internacional. Este prémio reconhece igualmente a qualidade da investigação desenvolvida no Departamento de Engenharia Química da UC».

O galardão vai ser entregue no próximo dia 23 de outubro, em Nice (França), durante o IOA World Congress&Exhibition. Ao fundamentar a sua escolha, o júri destacou «a originalidade, novidade e importância da pesquisa, revelando conhecimentos sem precedentes para possíveis aplicações de ozono». Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Espanha - Combustível a partir de águas residuais

A Seat e a empresa espanhola Aqualia são, a partir deste mês, parceiros no projeto SMART Green Gas, que tem como objetivo a obtenção de biocombustivel renovável a partir de águas residuais, para veículos a gás natural comprimido (GNC).

O projeto terá a duração de cinco anos, tendo arrancado agora a fase de testes na unidade de tratamento de águas residuais de jerez, usando duas unidades do modelo Leon para aferir a viabilidade da solução, desde a obtenção à utilização do combustível. «Com este projeto de desenvolvimento e de colaboração com a Aqualia, a Seat torna-se a primeira marca do setor automóvel do país a utilizar biometano obtido a partir de águas residuais», explica o vice-presidente para a Investigação e Desenvolvimento da Seat, Dr. Matthias Rabe. O mesmo interlocutor acrescentou: «urna depuradora de águas residuais de tamanho médio, por exemplo, pode produzir mais de 1000 m3 deste biogás por dia, quantidade para que 300 veículos possam percorrer mais de 15.000 km por ano». In “Auto Foco” - Portugal