Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 27 de janeiro de 2024

Brasil - Ministro da Educação do Vaticano recebe Doutor Honoris Causa em Pernambuco

A Universidade Católica de Pernambuco concedeu, na tarde desta quinta-feira (25), o título de Doutor Honoris Causa ao Cardeal português Dom José Tolentino de Mendonça. Professor visitante da Católica, Dom Tolentino é poeta, ensaísta, filósofo e teólogo português com diversos livros publicados.

O Reitor da Unicap, Padre Pedro Rubens, fez o discurso de abertura. O panegírico foi feito pelo jurista, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras, José Paulo Cavalcanti Filho. Compuseram a mesa também o embaixador de Portugal, Luís Faro Ramos, a Reitora da UPE, Socorro Cavalcanti, o Vice-reitor da Unicap, Padre Lúcio Flávio Cirne, a Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, Valdenice José Raimundo, e o Diretor da Escola de Educação e Humanidades, Danilo Vaz-Curado.

Dom Tolentino é prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação da Cúria Romana, um cargo equivalente ao de ministro, já que o Vaticano é um Estado independente. Antes de ser nomeado como prefeito do Dicastério, Dom Tolentino foi diretor da Biblioteca Apostólica Vaticana e Arquivista.

No final do ano passado, ele foi o vencedor do Prêmio Pessoa 2023, uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos que visa reconhecer a atividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país.

A relação de Dom Tolentino com a Unicap vem desde 2009 quando ele começou a dar cursos e ministrar palestras na Universidade. Em agosto de 2015, por iniciativa do Reitor da Unicap, Padre Pedro Rubens, a Universidade, em parceria com a Editora Paulinas, lançou o primeiro livro de Tolentino no Brasil: “A Leitura Infinita – A Bíblia e a sua interpretação”.

Em 2017, Dom Tolentino voltou à Unicap para lançar o livro “Libertar o Tempo” durante a Semana de Estudos Bíblicos, promovida pelo Programa de Pós-Graduação e pela Graduação em Teologia da Católica. O lançamento contou com a presença do jurista e imortal da Academia Pernambucana de Letras, José Paulo Cavalcanti Filho, que fez a apresentação da obra.

Dos nove livros do Cardeal editados no Brasil, três foram lançados pela Unicap (“A Leitura Infinita – A Bíblia e a sua interpretação”, “A Construção de Jesus” e “Libertar o Tempo”). Padre Pedro fez o prefácio dos dois primeiros. O texto de Dom Tolentino pode ser visto ainda em outra publicação no Brasil. Ele assina a apresentação da obra “A Mesa de Deus” (Editora Record, 2022), de autoria da pesquisadora gastronômica Maria Lectícia Monteiro Cavalcanti, esposa de José Paulo Cavalcanti.

Em setembro de 2019, o Papa Francisco anunciou a nomeação do então arcebispo português e professor visitante da Unicap como cardeal. Na ocasião, Padre Pedro Rubens comemorou a notícia sobre a nomeação. “Dom Tolentino é um amigo de fé, um poeta de Deus, um homem apaixonado pela Igreja. Desde o nosso primeiro encontro em Lisboa, em 2009, ficamos grandes amigos. Ganhei um de seus livros, que devorei na viagem e nunca mais deixei de ler os seus textos”, destacou.

Padre Pedro conta que o Papa Francisco convidou Dom Tolentino para pregar um retiro no Vaticano e logo percebeu que, “para a transformação que ele vem suscitando na Igreja, precisava também de um poeta místico”. Em 2020, o Cardeal Tolentino fez por meio remoto a abertura oficial da 18ª Semana de Integração (Siucs) da Unicap. A palestra “A fraternidade como chave do futuro”, o Cardeal português falou sobre a Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco. In “Mundo Lusíada” - Brasil

Biografia:

Dom José Tolentino de Mendonça nasceu em Machico, no Arquipélago da Madeira. O também exegeta foi ordenado padre em 1990 e realizou seu doutorado em Teologia Bíblica. Ganhador de mais de dez prêmios por sua obra literária, Tolentino Mendonça foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem de Sant’lago da Espada por Aníbal Cavaco Silva, presidente da República de Portugal, em 2015.

Também é professor e foi vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa até a sua nomeação episcopal em junho de 2018 e, na mesma universidade, atuou como diretor da Faculdade de Teologia.


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Bolívia - Corte Internacional nega pedido de saída para o mar

Paris - O Chile não deve ser obrigado a negociar a cessão à Bolívia de um acesso ao oceano Pacífico, definiu nesta segunda-feira (1º de outubro) a Corte Penal Internacional, em Haia, na Holanda.

O presidente boliviano, Evo Morales, foi ao tribunal para ouvir a sentença, mas não seu homólogo chileno, Sebastián Piñera, que enviou embaixadores do país. O placar foi de 12 votos desfavoráveis ao pleito de La Paz contra 3 pró.

"A corte observa que o Chile e a Bolívia têm uma longa história de diálogos e negociações destinados a identificar uma solução apropriada à 'mediterraneidade' [fato de estar rodeada de terra por todos os lados] da Bolívia", leu o presidente do tribunal, Abdulqawi Ahmed Yusuf. "Entretanto, não pode concluir que o Chile tenha a obrigação de negociar o acesso soberano [do vizinho ao mar]."

A disputa territorial tem resquícios da era colonial e da ausência de fronteiras precisas em alguns enclaves da América espanhola. O território de Charcas, onde, hoje, fica a Bolívia, teria uma face voltada para o mar, argumentam certos historiadores.

História

No momento em que declarou a independência do país, em 1825, Simón Bolívar entendeu que o perímetro recém-criado incluía uma faixa litorânea, a mesma reivindicada já naquele momento pelo Chile, independente desde 1818. Ficou por isso mesmo.

O pano de fundo do mal-entendido era a exploração nascente de prata, cobre e nitrato na área visada pelos dois lados, situada no deserto do Atacama.

Em 1866, os países assinaram um tratado fronteiriço que fixava o paralelo 24 sul como limite e determinava a divisão entre eles dos impostos auferidos com a exploração mineral naquela região. Oito anos depois, um novo documento congelou por 25 anos a taxação de companhias chilenas de mineração.

Em 1878, o Legislativo da Bolívia questionou um contrato, firmado cinco antes entre o governo do país e uma grande mineradora chilena, que garantia a esta isenção fiscal por 25 anos. Quis impor uma taxação. A contenda logo arrastou o governo do Chile, que enviou um navio de guerra à área depois de a empresa ter seus bens confiscados e ser colocada em leilão.

Em abril de 1879, Santiago declarou guerra. La Paz tinha na manga um tratado de defesa mútua com o Peru, mas nem isso foi o suficiente para que vencesse o conflito. Em 1884, os países assinaram um termo de cessão de todo o litoral boliviano ao Chile.

O ditador Augusto Pinochet propôs em 1975 ao vizinho a criação de uma faixa de acesso ao Pacífico no extremo norte do Chile, mas pediu em troca um naco de terra semelhante dentro da Bolívia. O diálogo não avançou, e desde o fim daquela década os países mantêm relações diplomáticas restritas ao mínimo.

Evo Morales contrariou orientação da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao ingressar com processo na Corte Internacional de Justiça, em 2013. O colegiado do continente havia estimulado La Paz e Santiago a debaterem o tema bilateralmente. In “Valor Econômico” – Brasil

Guerra do Pacífico - A guerra em que a Bolívia ficou sem mar

A Guerra do Pacífico foi um conflito ocorrido entre 1879 e 1883, confrontando o Chile às forças conjuntas da Bolívia e do Peru. Ao final da guerra o Chile anexou ricas áreas em recursos naturais de ambos os países derrotados. O Peru perdeu a província de Tarapacá e a Bolívia teve de ceder a província de Antofagasta, ficando sem saída soberana para o mar, o que se tornou uma área de fricção na América do Sul, chegando até os dias atuais, e que é para a Bolívia uma questão nacional (a recuperação do acesso ao oceano Pacífico consta como um objetivo nacional boliviano em sua atual constituição).

Originada nas desavenças entre Chile e Bolívia sobre o controle de uma parte do Deserto de Atacama rica em recursos minerais. Este território controverso era explorado por empresas chilenas de capital britânico. O aumento de taxas sobre a exploração mineral logo se transformou numa disputa comercial, crise diplomática e por fim, guerra.

Havia muitas controvérsias acerca dos reais limites entre os países depois da descolonização. Todas as novas nações herdaram os interesses imperialistas do já combalido império espanhol. Bolivianos e chilenos discordavam quanto à soberania da região, embora toda ela já estivesse sendo explorada por companhias chilenas dotadas de capital britânico. O Chile tinha uma economia mais robusta e instituições mais fortes que a maioria dos outros países latino-americanos. No entanto, quando da proclamação da Bolívia por Simón Bolívar, este deixou claro que a Bolívia herdara dos espanhóis uma saída soberana para o mar.

Somente em 1866 foi assinado um tratado entre Chile e Bolívia estabelecendo limites territoriais, fixando o 24º paralelo como fronteira e delimitando que ambos países dividiriam impostos sobre os recursos situados entre o 23º e 24º paralelos. Um segundo tratado foi assinado em 1874, cedendo os impostos sobre os produtos entre o 23º e 24º paralelos inteiramente para a Bolívia, mas fixando taxas para as companhias chilenas para os próximos 25 anos. As companhias chilenas se expandiram rapidamente, controlando a indústria mineira, deixando a Bolívia temerosa da perda de seu território.

Em 1878 o presidente boliviano Hilarión Daza decretou um aumento de taxas sobre as companhias chilenas que exploravam o litoral boliviano, retroativo ao ano de 1874, sob protestos do governo chileno, do presidente Aníbal Pinto. Quando a empresa Antofagasta Nitrate & Railway Company se recusou a pagar a sobretaxa, o governo boliviano ameaçou confiscar todas suas propriedades. O Chile respondeu enviando um navio de guerra para o local em dezembro de 1878. A Bolívia então declarou o seqüestro dos bens da empresa, anunciando o leilão para 14 de fevereiro de 1879. No dia do leilão, 200 soldados chilenos desembarcaram e ocuparam a cidade portuária de Antofagasta, sem resistência.

Em 1 de Março de 1879 a Bolívia declarou guerra ao Chile, invocando uma aliança secreta que mantinha com o Peru: o Tratado de Defesa de 1873. O governo peruano estava determinado a cumprir sua aliança com a Bolívia, também temeroso do crescente expansionismo chileno, porém receavam que as forças aliadas não eram páreo para o exército chileno; preferiam um acordo à guerra. Um diplomata peruano foi enviado para intermediar o desentendimento. O Chile requereu neutralidade por parte do governo peruano, mas a aliança entre Peru e Bolívia impedia tal neutralidade. O Chile respondeu então com a quebra das relações diplomáticas e ulterior declaração de guerra aos dois aliados em 5 de Abril de 1879. O Peru se viu então arrastado para uma guerra, em razão do tratado de aliança com a Bolívia.

A Argentina, que disputava com o Chile o controle da região da Patagônia, foi convidada pelas forças aliadas para entrar no conflito. No entanto, o governo argentino recusou o pedido, preferindo resolver sua divergência por vias diplomáticas.

Sob os termos do Tratado de Ancón, o Chile ocupou as províncias de Tacna e Arica por 10 anos, onde depois do tempo estipulado seria realizado um plebiscito que decidiria a nacionalidade da região. Os dois países nunca concordaram com os termos do plebiscito. Finalmente, em 1929, sob o intermédio do presidente estadunidense Herbert Hoover, um acordo foi feito no qual o Chile ficou com Arica; O Peru readquiriu Tacna e recebeu $6 milhões em indenizações.

Em 1884, a Bolívia assinou uma trégua que deu total controle da costa pacífica ao Chile, com suas valiosas reservas de cobre e nitratos. Um tratado de 1904 tornou este arranjo permanente. Em retorno, o Chile concordou em construir uma ferrovia ligando La Paz, capital boliviana, ao porto de Arica, garantindo liberdade de trânsito ao comércio boliviano pelos portos chilenos. Santos da Silveira – Brasil in “História Ilustrada”


Matheus Santos da Silveira, Professor de História formado pela PUCPR, Especialista em História Contemporânea e Relações Internacionais.