Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 10 de dezembro de 2022

Cabo Verde - Espírito científico e liderança tornam Amílcar Cabral Doutor Honoris Causa

O histórico líder da luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau, Amílcar Cabral (1924 -- 1973), foi hoje homenageado pela primeira vez pela Academia cabo-verdiana com o grau de Doutor Honoris Causa, pelo seu espírito científico e liderança


"Reconhece a nossa Academia que só um espírito científico associado a uma grande capacidade de liderança de político-social teria a força e a grandeza para propor tal salto civilizacional, naquela precisa janela temporal para esta parcela minúscula da humanidade", afirmou o reitor da Universidade do Mindelo, Albertino Lopes da Graça.

A cerimónia de hoje, à qual assistiram os chefes de Estado de Cabo Verde e de Portugal, José Maria Neves e Marcelo Rebelo de Sousa, inseriu-se igualmente no 20.º aniversário da Universidade do Mindelo e antecede os 50 anos da morte de Amílcar Cabral (2023) e o centenário do seu nascimento (2024).

Sobre o pensamento que defendeu, de independência das duas colónias, o reitor recordou que "nunca ninguém antes dele tinha ousado propor tal tese": "Apontar o caminho da independência naquela altura era temeridade. Só um espírito amadurecido pela análise histórica, política, económica e social, tanto a nível mundial e regional, e absolutamente convencido do poder transformador do homem sobre as adversidades podia ousar propor tal solução".

A Universidade do Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, atribuiu hoje o grau de Doutor Honoris Causa a Amílcar Cabral, líder histórico da luta pela independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau, cerimónia que reuniu ainda antigos combatentes cabo-verdianos e intervenções do presidente da Fundação Amílcar Cabral, o ex-Presidente cabo-verdiano Pedro Pires, e a filha do líder histórico, Iva Cabral.

"Na nossa tradição de outorga do título de Doutor Honoris Causa, normalmente distinguimos uma personalidade contemporânea. Este ano, excecionalmente, o conselho científico da Universidade do Mindelo decidiu a outorga dessa distinção académica, a título póstumo, ao engenheiro Amílcar Lopes Cabral. Foi uma personalidade de múltiplas facetas, um pensador internacionalmente reconhecido e bastante estudado por muitos analistas políticos e sociais, uma figura distinguida por vários países, várias universidades e várias instituições internacionais", justificou ainda o reitor.

"No nosso país, o engenheiro Amílcar Lopes Cabral também teve muitas distinções, mas esta é a primeira vez que a Academia, através da Universidade do Mindelo, lhe outorga uma distinção nesta cidade do Mindelo, em que ele viveu parte da sua juventude e onde concluiu os estudos liceais", enfatizou.

Fundador do então Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que em Cabo Verde deu lugar ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), e líder dos movimentos independentistas nos dois países, Amílcar Cabral nasceu em 12 de setembro de 1924 e foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, em Conacri, aos 49 anos.

"Com este nosso singelo testemunho, pretendemos em breves traços reconhecer e evocar a sua faceta científica de pensador e pedagogo, na abordagem de questões políticas e sociais no quadro da sua participação no processo histórico pela emancipação dos povos oprimidos e em especial pela afirmação e reconhecimento das nações cabo-verdiana e guineense (...) Amílcar Lopes Cabral foi, ao mesmo tempo, um intelectual e um estratega operacional, sintetizando sempre que era preciso: Pensar para melhor agir e agir para melhor pensar. Isso é o que fazem os cientistas sociais", concluiu o reitor.

Filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora, o líder histórico nasceu na Guiné-Bissau e partiu com oito anos, acompanhando a sua família, para Cabo Verde, onde viveu parte da infância e adolescência, antes de se licenciar em Agronomia, em Portugal, em 1950.

O ideólogo das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi considerado em 2020 o segundo maior líder mundial de todos os tempos, numa lista elaborada por historiadores para a BBC e com a votação dos leitores. Agência Lusa





quinta-feira, 29 de abril de 2021

Cabo Verde – Espólio de Onésimo Silveira fica na Universidade do Mindelo

Mindelo – O reitor da Universidade do Mindelo (Uni-Mindelo) disse hoje que Onésimo Silveira deixou à universidade um espólio, com “uma bibliografia vasta”, que irá permitir a inauguração de uma biblioteca, dentro de 20 dias, com o nome do ex-autarca.

Segundo Albertino Graça, em declarações à Inforpress, poucas horas após o falecimento de Onésimo Silveira, ocorrido na manhã de hoje, 29 de Abril, no Mindelo, Silveira foi um dos promotores da ideia da criação da Uni-Mindelo e merece “todo o tipo de homenagem”, daí, adiantou, ter baptizado o auditório da instituição com o seu nome e ter-lhe atribuído o título ‘honoris causa’, que foi “uma grande honra”.

“Ele era um grande académico e merece um grande respeito, é um dos maiores políticos que apareceu em Cabo Verde e o que se faz de política hoje, no País, é fruto daquilo que Onésimo ensinou”, destacou.

Albertino Graça, que privou com Onésimo Silveira, revelou que a sua relação com o ex-presidente de câmara de São Vicente “era de pai para filho”. 

E, no âmbito dessa amizade, “praticamente uma relação familiar”, teve a oportunidade de lidar com Nelson Mandela e Joaquim Chissano, entre outras “grandes figuras históricas da humanidade”.

“Eu costumava dizer que eu era aquele filho que Onésimo Silveira gostaria de ter, pela forma carinhosa como ele me tratava e como me ajudava. Com ele tinha todas as portas abertas”, disse ainda o reitor da Uni-Mindelo.

A mesma fonte lembrou que o ex-autarca disse que “só sairia da política com a sua morte biológica e ele teve a oportunidade de fazer aquilo que gostava até à morte”, porque Onésimo Silveira, lembrou, esteve a apoiá-lo, “em toda a linha”, quando se candidatou nas autárquicas do passado dia 25 de Outubro.

Onésimo Silveira, 86 anos, nasceu em São Vicente e doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976, ano em que começou a trabalhar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

Em 1977, transitou para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) com o estatuto de diplomata, ali permanecendo até Dezembro de 1990, com passagens por países como Somália, Angola e Moçambique.

Em 1992, tornou-se o primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de São Vicente, cargo em que permaneceu até 2001.

Em 2002, suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Nacional e aceitou a nomeação para embaixador extraordinário e plenipotenciário de Cabo Verde em Portugal, Israel, Espanha e Marrocos.

A nível cultural, é considerado um dos mais proeminentes membros da elite literária cabo-verdiana, tendo muitos trabalhos publicados no campo da literatura (novela, poesia e romance) e do ensaio (política, sociologia e antropologia).

Onésimo Silveira também traduziu vários livros, entre os quais “Obras Completas de Mao Tsé Tung”, em parceria com Gentil Viana, e colaborava regularmente, com artigos de opinião, no jornal A Semana e em revistas de Cabo Verde, Portugal, França, Suécia e Noruega.

Fundou o Partido do Trabalho e Solidariedade (PTS), depois da ruptura com o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (ex-PAIGC) e nos últimos anos tornou-se uma das vozes mais activas pela regionalização do país.

Em 08 de Dezembro de 2012 foi distinguido com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Mindelo pelo “imenso contributo para a democratização” do País e pelo seu papel na “internacionalização do municipalismo cabo-verdiano”. In “Inforpress” – Cabo Verde

 

domingo, 11 de novembro de 2012

Pérolas

“Perolas Revoltadas” é o nome do primeiro livro de autoria do jovem cabo-verdiano Hélio Cruz de vinte e três anos de idade, que escrevendo poesia desde muito jovem, iniciou-se aos 12 anos, aventurou-se agora pela publicação deste livro de poesia lírica que aborda temas como o amor, a revolta ou a saudade.

Hélio Manuel da Cruz nasceu na Ilha de São Nicolau em Cabo Verde a 29 de Agosto de 1989, mas a partir dos vinte dias de vida foi viver com os pais para a ilha do Sal onde se manteve até aos 18 anos. Rumou com 19 anos para a ilha de São Vicente, onde iniciou o curso de Direito na Universidade do Mindelo, que estás prestes a concluir.

O livro que foi lançado na passada sexta-feira, dia 09 de Novembro de 2012, precisamente na Universidade do Mindelo, tem o prefácio do poeta e escritor cabo-verdiano Filinto Elísio e a capa desenhada pelo artista plástico Jailson Delgado.

“Feito por um poeta que tem a paciência de tecelão e a mão perfeita de um labor de coroas”, são palavras de Filinto Elísio escritas no prefácio de “Pérolas Revoltadas” de elogio a Hélio Cruz.

O livro “Perolas Negras” foi apresentado pela professora universitária Rosa Elina e durante a cerimónia de apresentação da obra, Homero Fonseca declamou alguns poemas do primeiro livro de Hélio Cruz. Baía da Lusofonia