Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Macau - Morreu chef António, “grande figura” da gastronomia portuguesa

O chef António faleceu em Macau, aos 77 anos. Considerado uma “grande figura” da gastronomia portuguesa, é recordado como uma pessoa “afável”, “brincalhona”, por vezes, “um pouco polémico nas opiniões”. António Neves Coelho foi galardoado com a medalha de mérito turístico pelo Governo da RAEM em 2013 e recebeu também a medalha de mérito das comunidades portuguesas do Governo Português


António Neves Coelho, mais conhecido por chef António, faleceu aos 77 anos, em Macau. Figura incontornável da gastronomia portuguesa no território, chegou a Macau pela primeira vez em 1970, onde cumpriu serviço militar obrigatório durante dois anos. Décadas depois, em 1997, decidiu começar um novo capítulo a Oriente. Um “autêntico artista” e “brincalhão”, pessoa “afável”, por vezes, “um pouco polémico nas opiniões”, o chef António é recordado como tendo dado “grandes contributos” na área da gastronomia.

Vera Alcobia trabalhou, durante cerca de cinco anos, como assistente de António Coelho no restaurante que tinha o seu nome, num espaço que projectou a qualidade da comida por ele confeccionada. “Ele era um autêntico artista, para além de ser um grande amigo, sempre muito brincalhão com toda a gente que trabalhava com ele e muito preocupado com os funcionários”, começou por referir ao Jornal Tribuna de Macau aquela que esteve ao lado do chef em muitos momentos da sua vida pessoal e profissional em Macau, e que o considerava “quase como um pai ou avô”.

Para Vera Alcobia, também ela ligada à restauração e à hotelaria, “ele tinha aquela forma de abrir as garrafas com uma espada e fazia sempre as suas demonstrações”, acrescentando que o António “usou sempre o lema de que não é preciso ralhar para ensinar bem as pessoas”.

Mesmo que “amado por uns e odiado por outros”, o chef António Coelho “foi uma figura que conseguiu manter a qualidade da comida portuguesa, fabricando tudo no próprio restaurante, incluindo o pão, os rissóis, tudo, primando pela qualidade”, considerou, adiantando que “ainda hoje há muitos funcionários espalhados por Macau que continuam com o trato dele na forma de cozinhar”.

O mais recente projecto do chef foi o Angela’s Café and Lounge, no Hotel Lisboeta. “Ele estava a adorar o novo desafio, de voltar a ver os clientes e servir as coisas que ele gostava de fazer”. Para Vera Alcobia, o amigo “partiu” numa altura em que também ela está de partida do território. “É triste”, conclui.

Foi também com “muita tristeza” que Santos Pinto, dono do restaurante “O Santos”, recebeu a notícia. “Mais um amigo que partiu… Vinha aqui muitas vezes [ao restaurante], acompanhei-o sempre de muito perto”, afirmou em declarações a este jornal, recordando todos os passos dados por António em termos profissionais.

“Éramos amigos próximos. Depois quando ele abriu o ‘António’ aqui na Taipa, ficou muito mais ocupado, já não tínhamos tanto tempo, mas havia sempre aquele abraço, com muita amizade”, acrescentou. Santos Pinto sublinhou que António “deu muitos contributos para Macau, concretamente à gastronomia portuguesa e macaense”.

Carlos Cabral, presidente da Confraria da Gastronomia Macaense – da qual António Coelho foi confrade -, disse que “é uma grande tristeza a perda de uma grande figura na gastronomia portuguesa aqui em Macau”. Durante anos, realçou Carlos Cabral, o chef “praticou e desenvolveu o seu trabalho sempre bem prestado à comunidade portuguesa e macaense, bem como aos turistas de vários cantos do mundo”.

Pedro Lobo recorda igualmente a “figura incontornável” de António na cozinha em Macau: “É uma perda muito grande na cena da gastronomia. Era alguém que dava o seu toque, o seu cunho pessoal na comida portuguesa, na maneira como servia os seus clientes, na maneira como respeitava os seus clientes”.

Segundo disse, “o chef António era uma das pessoas que conhecia a fundo a gastronomia portuguesa”. “Às vezes, era um pouco polémico nas opiniões que emitia, mas de qualquer dos modos era alguém que tinha valor e que ficará sempre marcado na história da gastronomia de Macau, nomeadamente na área da comida portuguesa”, prosseguiu Pedro Lobo.

Vincando que o chef gostava, por vezes, de “provocar discussões, no bom sentido”, Pedro Lobo sublinhou que “era uma pessoa sempre afável, impecável”. “Era uma pessoa muito amiga, com quem nós convivíamos, brincávamos, por isso será sempre alguém que será recordado com muita saudade”, apontou.

Galardoado com a medalha de mérito turístico pelo Governo da RAEM em 2013, António Neves Coelho recebeu também a medalha de mérito das comunidades portuguesas do Governo Português.

Quando chegou ao território pela segunda vez, já perto da transferência de soberania, trabalhou em vários restaurantes, tendo sido chefe de cozinha no Clube Militar e no restaurante “Espaço Lisboa”. Teve também uma breve passagem por Hong Kong.

Em 2007, abriu o restaurante com o seu nome, na Taipa Velha, o qual recebeu vários elogios internacionais. Foi ainda destacado, durante 12 anos consecutivos, com o “Guia Michelin Hong Kong e Macau”.

Além de confrade da Confraria da Gastronomia Macaense e membro da Associação Culinária de Macau, António Neves Coelho era também “Maitre Rotisseur” da Association Mondiale de la Gastronomie, de França. Catarina Pereira e Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Macau - “Sabores e Aromas de Outono” com o chef Vítor Matos

O Festival de Gastronomia e Vinhos volta ao Clube Militar, com uma equipa de três cozinheiros liderada por Vítor Matos. O prestigiado chef, que obteve uma segunda estrela Michelin em 2024, estará acompanhado na confecção de pratos típicos portugueses pelos assistentes Hugo Alves e Tiago Dias

O Clube Militar de Macau promove pela segunda vez este ano o Festival de Gastronomia e Vinhos, trazendo desta feita a Macau uma equipa liderada pelo chef português Vítor Matos. Para o evento, que arranca no sábado e decorrerá até 6 de Outubro, o prestigiado cozinheiro terá como assistentes Hugo Alves e Tiago Dias.

O evento “Sabores e Aromas de Outono”, que acontece três meses após outra iniciativa integrada nas comemorações do 155º aniversário do Clube Militar e no programa “Junho, Mês de Portugal”, tem como objectivo promover a gastronomia tradicional e contemporânea portuguesa em Macau.

O chef principal para mais esta edição do festival, obteve em Fevereiro do ano passado a sua segunda estrela Michelin, depois da primeira ter sido alcançada em 2015. Vítor Matos, de 49 anos, natural de Jorjais, concelho de Vila Real, tem um percurso profissional dividido entre Portugal e a Suíça, tendo-se iniciado nas artes da confecção da mais alta gastronomia frequentando o curso de Cozinha e Pastelaria na cidade helvética de Neuchâtel.

Para além das estrelas Michelin, teve várias distinções enquanto líder da cozinha do Largo do Paço (Casa da Calçada Relais & Châteaux), entre as quais se destacam dois Sois no Guia Repsol, “Garfo D’Ouro” do Guia Boa Cama Boa Mesa do Expresso, Certificado de Excelência 2014, pela “TripAdvisor”, e o título de Melhor Restaurante da Europa, pelo Guia “The European 50 Best”.

Agora no seu último projecto, no Hotel Mosteiro Santa Clara (Vila de Conde), juntamente com o chefe Hugo Rocha, partilha uma “gastronomia focada cada vez mais no produto, na sua essência e pureza dos sabores, assente em produto local numa cozinha de memórias, revisitava e renovada”, refere o Clube Militar.

Quanto aos assistentes que o acompanharão na cozinha do Clube Militar, Hugo Alves é uma das figuras emergentes da gastronomia portuguesa, tendo vencido o prestigiado concurso Chefe Cozinheiro do Ano (CCA) em 2021, aos 29 anos. Natural de Braga, a sua trajectória “é um exemplo de dedicação e paixão pela culinária, destacando-se pela valorização da cozinha regional portuguesa com toques contemporâneos e pela busca constante de excelência”, diz o texto de divulgação do certame gastronómico.

Tiago Dias é considerado por Vítor Matos como uma “peça fundamental na equipa”. A sua organização e dedicação garantem que “cada prato seja preparado com o mesmo rigor e excelência que caracterizam o restaurante do Clube”, conclui a nota do Clube Militar. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



terça-feira, 2 de julho de 2024

Macau – Restaurante “A Vencedora” reabriu portas de surpresa e com “tudo igual”

O restaurante “A Vencedora” voltou a abrir portas, para surpresa de muitos. Mantém o nome, os cozinheiros, os empregados, o menu, os preços. Tudo igual ao que existia quando o espaço fechou há menos de um ano. Foi ontem o primeiro dia da nova vida do estabelecimento, que tem um novo responsável. Simon Chan, amigo do antigo dono, revelou ao Jornal Tribuna de Macau que quer manter “tudo igual ao que era”, garantindo que o contrato é permanente, o que deixa garantias de que a “velha” Vencedora voltou para ficar. Os clientes agradecem o cozido à portuguesa, o bacalhau com grão, as iscas, o caldo verde, regados com bom vinho


Mesas postas e compostas ontem à hora do almoço. O ambiente era especial por se tratar da abertura de um restaurante. Só que “A Vencedora” não é um restaurante qualquer. Em Novembro de 2023 quando o então dono decidiu fechar as portas, ficara a ideia de que o espaço não reabriria, pelo menos com as características que o tornaram famoso.

Tinham sido 106 anos a servir muitas gerações de clientes, com comida típica portuguesa e alguma macaense. O restaurante tradicional, familiar, um dos mais conhecidos entre a comunidade lusa e de enorme aceitação pela qualidade e baixos preços praticados, afinal “ressuscitou”.

Situado na Rua do Campo, junto ao edifício dos Serviços de Administração e Função Pública, o restaurante tem na mesma porta de sempre, envidraçada, um papel com a informação “opening soon”, por isso, está a funcionar ainda a título experimental. “Não está prevista nenhuma abertura oficial, apenas abrir as portas e chamar os clientes, os antigos e os novos”, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o novo dono. “Daqui a dois ou três dias já podemos considerar oficialmente aberto”, ressalvou o empresário residente de Macau e nascido em Hong Kong.

Simon Chan, 58 anos, quer cumprir com o que prometeu ao dono anterior. “Ele estava renitente, mas disse-me que gostaria que o restaurante continuasse, desde que fosse com o mesmo estilo, porque foi assim que ganhou nome”, salientou o novo proprietário. “Disse-lhe que manteria tudo igual ao que estava antes e foi assim que o convenci a ceder-me o espaço”, diz.

“Fica tudo igual ao que era antes, pelo menos durante uns tempos, e depois se verá se haverá algumas alterações, que serão sempre para manter a qualidade da comida e os preços acessíveis”, asseverou.

O novo responsável estava surpreendido pelo facto de o nosso jornal querer tirar fotografias. “Não contava com isto, mas é uma confirmação de que o restaurante era muito querido e conhecido na cidade”, acentua, garantindo que a “história deste restaurante merece que cuidemos dele e que o mantenhamos com as características que sempre teve”.

Simon Chan indicou que o contrato de arrendamento não tem dada estipulada, sendo “quase permanente”, sustenta. “A condição é manter o estilo, o menu, os preços, a qualidade, para continuar a servir o público de Macau”.

Clientes “mataram saudades” de um espaço com muita história

Recorde-se de que o tempo do estabelecimento de comidas “A Vencedora”, fundado em 1918, tinha chegado aparentemente ao fim há menos de um ano porque o antigo proprietário, Lam Kok Veng, de 72 anos, que é ainda dono do prédio, decidiu que não tinha mais idade para estar à frente do negócio. Um dos filhos encontra-se a viver fora do território e o outro não estava interessado em manter o restaurante. Estas foram as razões do fecho, para mágoa dos habituais frequentadores.

Clientes que voltaram ontem ao almoço para apadrinhar a reabertura e voltar a degustar aquilo que consideram ser “comida portuguesa saborosa e barata”. É o caso do casal de macaenses António e Helena Carvalho, que se encontravam logo na primeira mesa junto à porta. “Ficámos surpreendidos pela reabertura do restaurante e por isso estamos muito felizes, pois já tínhamos saudades”, disseram ao JTM entre umas dentadas no bacalhau cozido com grão e legumes.

Depois de provar a comida que escolheram, António e Helena garantem que está tudo igual. “Sim, parece que tudo se mantém, desde a qualidade da comida, o menu e os empregados”. Pagar só iriam fazê-lo no fim, mas “já sabemos que os preços estão também quase iguais ao que era antes”. O marido sugere até que “deviam aumentar um bocadinho, era compreensível, porque a vida agora está mais cara e os preços aqui continuariam mesmo assim atractivos”.

Numa mesa mais atrás, a conselheira das Comunidades Rita Santos e o deputado José Pereira Coutinho disseram que quiseram estar presentes no acto da reabertura. Rita Santos, que escolhe os pratos de feijão com patas de porco e o ‘minchi’ como os seus favoritos, tem boas recordações do espaço.

“As memórias são muitas, porque o meu pai, quando era polícia, nos anos 60 e 70, trazia a família aqui para comer, incluindo eu e os meus irmãos”, aponta, acrescentando que “soube no Facebook que o restaurante iria reabrir hoje [ontem] e por isso fiquei muito contente, uma vez que faz parte da nossa história e aqui podemos reencontrar também muitos amigos”.

Na vitrina continuam as peças de cerâmica e lembranças de Portugal, não faltando uma pequena bandeira lusitana. Quanto à ementa, que não muda há mais de 20 anos, lá estão pratos típicos da comida portuguesa, como caldo verde, tacho, ‘minchi’, peixe frito com arroz de tomate, cozido à portuguesa.

Na sua longa história, “A Vencedora”, que é o segundo restaurante mais antigo de Macau, atrás do Fat Sui Lau (1903), foi uma aposta de negócio do avô dos antigos proprietários, que tinha sido cozinheiro num navio ao serviço da Marinha Portuguesa, chamado precisamente “A Vencedora”. O restaurante tornou-se popular entre a comunidade portuguesa, nomeadamente entre os militares em comissão de serviço em Macau. Remontando à década de 1940, por exemplo, havia cerca de 800 soldados portugueses nos quartéis do território.

Como curiosidade, resta recordar que o restaurante só fechou uma vez ao longo de 106 anos, por causa dos incidentes “1-2-3”, de 3 de Dezembro de 1966. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Finlândia - ‘Petiscaria’, um restaurante português em Helsínquia

Salada de polvo, francesinhas ou frango assado são alguns dos pratos típicos que compõem o menu da ‘Petiscaria’, um dos restaurantes portugueses na Finlândia, que atrai uma “clientela fixa”, curiosa pelos sabores portugueses

Instalado num mercado tradicional em Helsínquia desde 2017, a ‘Petiscaria’ recria o ambiente de uma tasca típica portuguesa, com azulejos a revestir o balcão e produtos como azeite ou conservas nas prateleiras, onde não faltam imagens do galo de Barcelos ou do Santo António.

O restaurante, da portuguesa Maria João Riobom e do finlandês Pekka Mesimäki, atrai uma “clientela fixa” aos almoços, mas é ao jantar que recebe um público mais curioso pela gastronomia portuguesa.

“São clientes que gostam de Portugal, que já viajaram ou querem viajar para Portugal, que gostam de saber sobre os produtos e os vinhos”, disse à Lusa Maria João, a viver na capital finlandesa há 25 anos.

A ‘Petiscaria’ é o restaurante que serve comida portuguesa na Finlândia: “Somos os responsáveis por esta divulgação de Portugal”, comentou.

O ‘ex-libris’ da casa é o frango com piri-piri, mas o menu tem muitos outros pratos típicos, como salada de polvo, tábuas de queijos e enchidos ou feijoada à transmontana.

“Os finlandeses gostam muito de picantes e de molhos, como o vinagrete, o molho verde [com salsa, coentros, cebola, limão] ou o piri-piri”, disse a proprietária.

O menu tem pratos de bacalhau, mas com algumas adaptações: “Eles acham que o bacalhau salgado tem um sabor muito forte, então usamos bacalhau fresco de muito boa qualidade e fazemos uma salga”.

Nas sobremesas, não faltam os pastéis de nata ou a aletria, que os clientes “acham muito exótico”.

Os proprietários também promovem noites de jazz e já organizaram espetáculos de fado e tunas, bem como cursos de culinária portuguesa.

“Queremos mostrar um Portugal mais moderno, onde houve uma evolução”, disse Maria João. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 1 de outubro de 2023

Cabo Verde - Gastronomia portuguesa conquista ilha de São Vicente

As ementas portuguesas somam clientes na ilha cabo-verdiana de São Vicente, graças a restaurantes e pastelarias com pratos preparados também por mãos crioulas


Mesmo com o cozinheiro ausente, os empregados cabo-verdianos da Casa Café Mindelo garantem já conhecer “os temperos portugueses e a forma de preparar os pratos da casa”, como a cataplana à algarvia.

À noite, há música de Cabo Verde, ao vivo, enquanto à mesa é servida a culinária portuguesa.

Este é um dos estabelecimentos abertos na Baía do Porto Grande, coração da cidade do Mindelo, mesmo ao lado do mural de Cesária Évora, esculpido pelo português Vhils.

Uma das dificuldades dos restaurantes da ilha é encontrar todos os ingredientes, diz o gerente da Pastelaria Morabeza.

“Há muita falta de matéria-prima, que acho que é o ponto crítico”, conta Júlio Costa à Lusa, explicando que procura importar o que faz falta para os clientes saborearem pastéis de nata, bolas de berlim ou outros produtos, como em Portugal.

A pastelaria até fica situada numa das casas comerciais com história na ilha, a antiga e famosa Casa Miranda, o que, segundo o gerente, é uma mais-valia do espaço.

“A casa em si já tem história, é muito conhecida e tudo ajuda no negócio”, sublinha.

A Casa Miranda foi uma das grandes mercearias onde se encontrava tudo em termos de produtos alimentares, propriedade do antigo professor de desenho Rui Miranda.

José Leão, luso-caboverdiano, antigo cliente da Casa Miranda e agora freguês da Pastelaria Morabeza, relembra com nostalgia a antiga loja.

Hoje, quando quer matar as saudades de Portugal, é na Morabeza que encontra a sua favorita francesinha à moda do Porto.

Adepto da cozinha portuguesa, costuma fazer um roteiro pelas casas portuguesas no Mindelo e quando quer comer o bacalhau à lagareiro, ou uma sardinha assada, vai ao Crazy Chicken, propriedade de pai e filho portugueses e de um cabo-verdiano.

A viagem pela gastronomia portuguesa é conduzida também por cozinheiros cabo-verdianos, como Cecílio Gomes, ex-emigrante que trabalhou em restaurantes de meio mundo e encontrou em Portugal a cozinha com que mais se identifica.

“Aqui faço mais pratos portugueses do que de outros países. Portugal foi o meu centro, onde aprendi tudo o que sei e hoje, se sou cozinheiro, é graças a Portugal”, conta à Lusa.

Já reformado, com quase 40 anos de experiência, 17 dos quais a trabalhar em cozinhas portuguesas, abriu o seu próprio restaurante na principal rua de Monte Sossego, uma das zonas mais populosas da ilha de São Vicente.

Em quase dois anos de portas abertas, diz já ter clientes fiéis, alguns dos quais portugueses, que Cecílio acredita encontrarem nos seus pratos uma forma de voltar a casa durante os momentos de uma refeição.

Frango na brasa, costeleta de porco, arroz de marisco são alguns dos cartões de visita. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 26 de março de 2023

Estados Unidos da América - Novo restaurante português abriu Los Angeles

O novo restaurante português Barra Santos, um projeto da Last Word Hospitality, abriu em Los Angeles com lotação esgotada, preenchendo um vazio na cidade numa altura em que cada vez mais norte-americanos visitam Portugal


“É por essa razão que está aqui este pessoal todo”, disse à Lusa o coproprietário Michael Santos, um luso-americano nascido em Portugal e criado na costa Leste dos Estados Unidos que fala bem a língua. Já tinha apontado que, em LA, “quase não há restaurantes portugueses”.

O público que acorreu à estreia foi maioritariamente norte-americano, lotando o espaço interior e a zona exterior pouco depois da abertura das portas. O tempo de espera por mesa chegou a atingir uma hora e meia, algo que deixou Michael Santos impressionado. “Está uma loucura agora”, referiu.

Num ambiente descontraído, com quadros alusivos ao fado e fotografias a preto e branco de um Portugal passado, a azáfama no Barra Santos foi temperada por sons raros em Los Angeles, como a “Canção de Engate” de António Variações.

O menu é tipicamente português com foco nos grandes êxitos culinários que são associados a Portugal. Há frango com piripíri, tostas de sardinha, pastéis de bacalhau e bifanas. Há também salada de bacalhau e grão-de-bico, camarão preparado com vinho verde e alho, e pratos com linguiça.

“Temos queijo dos Açores, temos pão com fiambre cortado bem fininho e também azeitonas”, acrescentou Michael Santos. “É mesmo uma casa portuguesa”.

Além da comida, a carta de vinhos é um dos grandes atrativos do local. “A maior parte do vinho na nossa lista é português, 75% a 80% da lista é portuguesa”, frisou Michael Santos.

O responsável disse que gostaria que o restaurante fosse um local de eleição também para lusodescendentes, visto que praticamente não há outras ofertas semelhantes (à exceção do Natas em Sherman Oaks, que é mais virado para pastelaria, e do Caldo Verde na baixa, que tem uma mistura de cozinha lusa e californiana).

“Espero que seja o princípio e traga mais portugueses aqui”, afirmou Santos, apontando que a comunidade está muito dispersa. “A Califórnia é tão grande que estão espalhados pelo estado todo”.

É um forte contraste com o que Santos viveu do outro lado dos Estados Unidos. “Não há comunidade portuguesa aqui como há na Costa Leste”, disse. “Fui criado em Rhode Island onde é tudo português, há muitas comunidades”.

O Barra Santos, localizado em Cypress Park, dista cerca de 40 quilómetros do salão português de Artesia, cidade onde reside a maior comunidade portuguesa do condado de Los Angeles.

É precisamente da Portugal Imports em Artesia que vêm vários dos produtos usados pelo restaurante, que também tem como fornecedores a HGC Imports em São José e um importador de Point Loma, San Diego.

“Todos os produtos que conseguimos encontrar vêm de Portugal”, explicou Santos, com importações diretas e indiretas. “O que não conseguimos encontrar usamos coisas daqui ou espanholas”.

Aberto de quarta a domingo, o Barra Santos vai servir sobretudo snack, jantares e bebidas. O projeto foi bastante antecipado no mercado por ser uma criação da Last Word Hospitality, a mesma equipa responsável pelo Found Oyster, um sítio que ganhou notoriedade (e espaço no guia Michelin) com os seus pratos de peixe e marisco. In “Sapo 24” – Portugal com “Lusa”



domingo, 2 de outubro de 2022

França - Tiago Martins lança livro de gastronomia portuguesa com receitas de ‘chefs’ da diáspora


O livro “L’histoire du Portugal dans mon asiette” chega em outubro às livrarias em França, com mais de 60 receitas e factos históricos sobre a gastronomia portuguesa compilados por Tiago Martins, um franco-português que faz sensação nas redes sociais.

“Já no Instagram eu falava de gastronomia e de história de Portugal. Com a pandemia e a popularidade crescente da minha conta, conheci pessoas, conheci a editora Cadamoste e começaram a surgir algumas ideias, resolvemos então escrever este livro há dois anos. Houve muita pesquisa, fui muito a Portugal, do Norte ao Sul, fui a restaurantes, mas o mais difícil foi coordenar os mais de 60 ‘chefs’ que estão no livro”, disse Tiago Martins em declarações à Lusa.

Tiago Martins é o criador da conta ‘Portuguese Facts’ no Instagram, nasceu em França, mas os pais são da aldeia da Barrenta, perto de Leiria, tendo tido sempre um interesse pela história e geografia de Portugal.

A conta de Instagram foi crescendo, tendo agora mais de 14 mil seguidores. Sem formação em cozinha, este franco-português recorreu então a ‘chefs’ em Portugal e fora do país para reunir cerca de 60 receitas de pratos tradicionais portugueses.

“Eu sei cozinhar, mas eu não tenho legitimidade para escrever uma receita. O que eu queria era um livro colaborativo, gosto muito dessa ideia por sermos uma diáspora solidária. Assim, cada receita tem um chefe diferente porque cada um tem uma ideia diferente da cozinha portuguesa”, explicou.

Assim, no livro “L’histoire du Portugal dans mon asiette”, ou “a História de Portugal no meu prato”, pode-se encontrar a receita de orelha de porco com ovos ou polvo à lagareiro acompanhado por húmus, pratos tradicionais, muitas vezes reinventados por ‘chefs’ com origens portugueses em França, Suíça, Alemanha, Angola, Macau, Áustria, Canadá, Estados Unidos da América, entre outros.

Mas Tiago Martins lembra que este é mais do que um livro de receitas portuguesas em francês. “O livro não tem só receitas. Tem também anedotas históricas e curiosidades, alguns pratos mais estranhos. Mas falo também dos produtos portugueses, da fruta portuguesa, como o ananás dos Açores, e também dos vinhos espirituosos”, explicou.

Assim, todos os pratos são acompanhados de factos históricos e das suas origens como a sopa do vidreiro, da Marinha Grande, ou a chanfana. Tiago Martins também incluiu episódios das suas viagens sempre que se deparou com lendas que dão vida a estes pratos típicos.

O jovem franco-português não gosta só de escrever sobre a gastronomia, gosta também de a provar e tem os seus pratos preferidos. “É um prato preferido de muita gente, mas adoro bacalhau à Brás. Adoro quando os ovos não estão muito cozidos. Mas também adoro o bacalhau à Gomes de Sá, mas esse não me atrevo a cozinhar porque o da minha mãe é muito bom. No livro, temos uma receita do bacalhau à Gomes de Sá de um ‘chef’ alemão, que é muito diferente, mas a essência está lá”, indicou.

O livro estará nas livrarias francesas a partir de 13 de outubro, com uma tiragem de 4000 exemplares, e Tiago Martins tem já pedidos de outros pontos do mundo, como Estados Unidos, para uma tradução em inglês, pensando também na possibilidade de traduzir o livro em português. Catarina Falcão – Agência Lusa – França in “LusoJornal”


 

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Singapura - Restaurante português recebe prémio

O estabelecimento da cadeia de restaurantes TUGA, propriedade do arquitecto Carlos Macedo e Couto, situado na cidade-estado arrecadou mais um prémio. Desta vez, venceu o prémio Best Western Restaurant – Casual Dining Award entregue pela Restaurant Association of Singapore’s Epicurean


O restaurante TUGA situado em Singapura acaba de ser agraciado com o prémio Best Western Restaurant – Casual Dining Award entregue pela Restaurant Association of Singapore’s Epicurean Star Awards, anunciou o estabelecimento de restauração na sua página oficial no Facebook. “É com o maior dos prazeres que anunciamos oficialmente a todos, que o TUGA é o vencedor do Best Western Restaurant – Casual Dining Award entregue pela Restaurant Association of Singapore’s Epicurean Star Awards”, escreveu o restaurante na rede social.

O estabelecimento faz parte de uma micro-cadeia de dois restaurantes idealizados pelo arquitecto português, actualmente radicado em Taiwan, mas que viveu muitos anos em Macau, Carlos Macedo Couto.

Couto, pai do piloto André Couto, inaugurou o TUGA em Taiwan num antigo cabeleireiro, corria do ano de 2015. O modelo de negócio passa por lojas de vinho que acabam por também ser restaurantes. “É uma espécie de representação de Portugal com tudo o que há de melhor do país”, disse, na altura, o proprietário à comunicação social, destacando a loja gourmet de produtos portugueses associada ao restaurante, que vende azeites, frutos secos, conservas ou queijos, entre outras iguarias.

Em Singapura, o arquitecto aliou-se a uma sócia local, Sue-Shan Quek – que já frequentava o espaço de Taipé –, e, no início de 2020, a escolha acabou por acontecer numa zona mais elevada da cidade-estado – Dempsey Hill -, também ela considerada nobre, que em tempos esteve ocupada por militares. O antigo director da Herdade do Mouchão, no Alentejo, em Portugal, David Marques Ferreira é actualmente o director de operações.

Nelson Santos dirige a cozinha em Taiwan e Tiago Martins coordenada os pratos em Singapura. Apesar do conceito gourmet associado à marca, a gastronomia servida nos dois espaços é tradicional. São servidas amêijoas à Bulhão Pato, peixinhos da horta, canja de galinha, bacalhau à Brás, polvo à lagareiro ou carne de porco à alentejana, entre outros.

Recorde-se que o TUGA Singapura foi distinguido, na primeira metade deste ano, como o Melhor Novo Restaurante do Ano pela World Gourmet Summit, o mais prestigiado evento gastronómico do sudeste asiático. Ambos os espaços têm sido, de tempos a tempos, agraciados com prémios de hotelaria e restauração. O Ponto Final tentou contactar Carlos Macedo Couto, mas, até ao fecho da edição, o arquitecto não respondeu às questões. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”