Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Internacional - Fungos únicos no planeta estão a desaparecer. Estudo liderado pela Universidade de Coimbra alerta para perdas irreversíveis

Apesar de serem vitais para os ecossistemas, os fungos continuam largamente esquecidos na conservação global


Um estudo internacional liderado pelo Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) alerta que há espécies de fungos únicas no planeta, sem parentes próximos na árvore da vida, que podem desaparecer para sempre.

A investigação, desenvolvida em colaboração com o Comité para a Conservação dos Fungos da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), identificou espécies evolutivamente distintas e globalmente ameaçadas. Estas espécies representam linhagens isoladas, com histórias evolutivas únicas acumuladas ao longo de milhões de anos, o que significa que a sua extinção não seria apenas mais uma perda de biodiversidade, mas sim o desaparecimento de ramos inteiros da história da vida na Terra.

Publicado na revista científica Conservation Letters, o estudo analisou 94 espécies de fungos pertencentes a géneros monotípicos, grupos que incluem apenas uma única espécie conhecida. Os resultados revelam um cenário preocupante: nove espécies já se encontram ameaçadas ou próximas disso, enquanto a maioria, 56, não dispõe de informação suficiente para avaliar o seu estado de conservação. Apenas 28 foram classificadas como de baixo risco. Para os investigadores, este desconhecimento é, por si só, um dos maiores sinais de alerta.

“A deficiência de dados reflete graves lacunas no conhecimento sobre estes organismos. Em muitos casos, as espécies são conhecidas apenas pela sua descrição original, feita há mais de uma década, sem qualquer registo desde então”, explica Susana Cunha, líder do estudo e aluna do Doutoramento em Biociências da FCTUC e do Jardim Botânico Real de Kew no Reino Unido.

“Isto significa que podemos estar a perder espécies únicas sem sequer termos consciência disso.”

Apesar do seu papel fundamental para a vida na Terra, nomeadamente na decomposição de matéria orgânica e na regulação dos ciclos de nutrientes, os fungos continuam largamente ausentes das prioridades globais de conservação. Ao contrário do que acontece com animais e plantas, ainda não existe uma lista que identifique as espécies de fungos mais distintas evolutivamente e ameaçadas, uma lacuna que os investigadores consideram urgente colmatar.

O estudo sublinha que a falta de dados resulta de anos de subinvestimento na investigação micológica. Sem informação básica sobre distribuição, ecologia e diversidade, torna-se difícil integrar os fungos nas políticas de conservação e garantir a sua proteção efetiva.

Para inverter esta tendência, os autores defendem um reforço do investimento em investigação de base, incluindo inventariações de campo e o uso de ferramentas inovadoras como o DNA ambiental, que pode ajudar a revelar a presença de espécies difíceis de detetar. Ao mesmo tempo, destacam o potencial da ciência cidadã como forma de acelerar o conhecimento, envolvendo comunidades locais na recolha de dados sobre a diversidade fúngica.

“Espécies com poucos registos ou registos antigos são candidatas ideais para projetos participativos”, sublinha Susana Gonçalves, coautora do estudo. “O envolvimento dos cidadãos pode ser decisivo para colmatar lacunas de informação e apoiar a conservação.”

Os investigadores recomendam, ainda, que estas espécies únicas sejam alvo de análises moleculares para confirmar a sua posição isolada na árvore da vida e, sempre que se confirme o seu carácter singular, que passem a ser prioridade na conservação. Sem uma ação concertada, alertam, o mundo arrisca-se a perder uma parte insubstituível do seu património natural, muitas vezes antes mesmo de a conhecer. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 27 de setembro de 2022

África - Tráfico de pau-rosa para a China põe em risco espécie ameaçada

O tráfico de pau-rosa africano para a China, onde é usado na produção de móveis de luxo, tem vindo a crescer e representa hoje um mercado de 26 mil milhões de dólares, ameaçando a existência desta espécie


O alerta foi publicado pelo Instituto de Estudos de Segurança (ISS na sigla em inglês), um centro de investigação com sede em Pretória, segundo o qual o pau-rosa, também conhecido como mukula, é a madeira ameaçada mais traficada do mundo, alimentando a elite chinesa com móveis ao estilo da dinastia Ming e objectos de decoração de luxo.

Redes criminosas com ligações a governos africanos facilitam o tráfico desde países como Madagáscar, Maláui, Tanzânia ou Zâmbia, passando por portos como o de Mombaça, no Quénia, ou Dar es Salaam, na Tanzânia.

Segundo o investigador Willis Okumu do gabinete do ISS para África Oriental, o pau-rosa africano é uma madeira tropical que se encontra sobretudo em Madagáscar, Zâmbia e República Democrática do Congo, onde é essencial para os ecossistemas e biodiversidade, podendo contribuir para as comunidades locais quando explorado sustentavelmente.

Recordando que 16 países da África Ocidental já proibiram o comércio de pau-rosa, o investigador, baseado em Nairobi, defende que os Estados da África Oriental e Austral deveriam impor proibições semelhantes para salvar esta espécie. “Uma abordagem regional impediria o envolvimento de funcionários governamentais corruptos no tráfico de países de origem através de países de trânsito, como o Quénia e a Tanzânia” e permitiria “políticas eficazes para proteger o pau-rosa ameaçado”, escreveu, no artigo ontem publicado.

No texto, o autor recorda que em dezembro do ano passado um tribunal em Mombaça ordenou às autoridades quenianas que devolvessem 646 toneladas de pau-rosa, no valor de 13 milhões de dólares aos alegados traficantes. A madeira tinha sido apreendida naquele porto queniano quando estava em trânsito desde Madagáscar para Hong Kong, passando por Zanzibar.

O tribunal concordou com os alegados traficantes de que a regulação da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Flora e Fauna (CITES, na sigla em inglês) que restringe o comércio de pau-rosa não estava em vigor quando a madeira foi apreendida, em 2014.

A decisão do tribunal queniano ignorou o facto de a lei malgaxe proibir o comércio de pau-rosa e o facto de o transbordo da madeira em Mombaça violar a lei de conservação da natureza do Quénia, datada de 2013.

As redes que permitem o tráfico destas espécies ameaçadas incluem responsáveis governamentais de alto nível, segundo relatórios de investigações realizadas por organizações da sociedade civil, citadas pelo ISS.

Citada pelo ISS, a Agência de Investigação Ambiental, uma organização não-governamental (ONG) internacional de proteção do ambiente, diz que o tráfico de pau-rosa em Madagáscar é facilitado pela proteção estatal dos traficantes e o ativista malgaxe Armand Marozafy foi preso por difamação em 2015 por divulgar informação sobre dois empresários locais envolvidos no abate ilegal dessa madeira.

Aquela ONG estima que 50 contentores de pau-rosa foram exportados da Zâmbia para a China entre junho de 2017 e maio de 2019, o que terá custado aos traficantes 7,5 milhões de dólares em subornos e taxas informais, numa rede que envolvia pessoas altamente colocadas no Governo do então Presidente da Zâmbia Edgar Lungu.

O ISS defende por isso a importância de aplicar as leis já existentes que proíbem o transporte de pau-rosa através de Mombaça, Zanzibar e Dar es Salaam para reduzir o tráfico proveniente da Zâmbia e de Madagáscar para Hong Kong e a China. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 10 de abril de 2022

Espanha – Guarda Civil apreende coleção particular de animais empalhados

Mais de mil animais, entre eles 400 de espécies protegidas e ameaçadas, estavam em dois armazéns na cidade de Batéra. Empresário pode ser acusado de tráfico e outros crimes contra o meio ambiente


Uma coleção particular de um empresário com mais de mil animais empalhados, entre eles 400 de espécies protegidas e ameaçadas, foi apreendida pela Guarda Civil da Espanha. A informação foi divulgada neste domingo (10).

Os animais estavam em dois armazéns de 50 mil metros quadrados na cidade de Batéra, uma pequena cidade ao norte da cidade costeira oriental de Valência, segundo a Guarda Civil informou à agência Associated Press.


Dos 1090 animais encontrados, 405 eram de espécies protegidas. Também foi encontrado o "órix do Saara", espécie que a União Internacional para a Conservação da Natureza declarou extinta na natureza em 2000.

E havia pelo menos mais duas espécies quase extintas: o addax ou antílope branco, originalmente do deserto do Saara, e o tigre de Bengala.

Conforme a Guarda Civil, a coleção chegaria a € 29 milhões de euros no mercado negro. O proprietário pode ser acusado de tráfico e outros crimes contra o meio ambiente.

Os agentes também encontraram na coleção chita, leopardo, leão, lince, urso polar, pantera da neve e rinoceronte branco, além de 198 grandes presas de marfim de elefantes. A descoberta tornou-se a maior de animais embalsamados protegidos na Espanha.

A Guarda Civil ainda informou que vai investigar se existem documentos que justifiquem a posse do acervo. In “g1 Globo.com” – Brasil com “Associated Press”






quarta-feira, 9 de março de 2022

Namíbia - Exporta 22 elefantes para os Emirados

A Namíbia vai exportar 22 elefantes capturados em estado selvagem para os Emirados Árabes Unidos, o que viola as normas internacionais sobre conservação de espécies ameaçadas, acusou a Fundação Franz Weber (FFW)

A transação foi confirmada no dia 06 de março pelo Ministério do Ambiente, Silvicultura e Turismo da Namíbia (MEFT), segundo a televisão pública namibiana NBC.

Os elefantes, provenientes da área do Kunene (noroeste do país), foram leiloados para evitar os crescentes “conflitos” provocados pela interação entre humanos e animais selvagens na zona, explicou o ministério.

Foram vendidos ao maior apostador, um criador de gado namibiano, G.H. Odendaal, que posteriormente os vendeu aos Emirados Árabes Unidos.

O mais provável destino dos elefantes será o zoológico de Al Ain, denunciou hoje a fundação dedicada a preservar o legado do ecologista suíço Franz Weber, o que contraria as normas da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES).

“A declaração do MEFT confirma mais de um ano de especulação de que a Namíbia tinha tido sempre a intenção de exportar os seus elefantes para fora de África, como fez recentemente para Cuba e para o México”, disse a organização, em comunicado.

No entanto, explica, “a Namíbia só pode exportar elefantes vivos para programas de conservação ‘in situ’ (ou seja, dentro da área de distribuição natural da espécie em África), segundo os termos da inclusão da sua população de elefantes na CITES”.

A FFW considera falsa a justificação da venda dos elefantes como forma de travar os “casos de conflito entre o homem e a fauna”, uma vez que os animais foram “capturados na zona agrícola comercial de Kamanjab, que não está muito povoada por comunidades rurais”.

“É uma zona, segundo um relatório de 2021, que faz parte da região árida de Kunene, no noroeste da Namíbia, onde o número de elefantes é perigosamente baixo. Isto deve-se principalmente aos anos de seca e a circunstâncias induzidas pelo homem, como a caça de troféus, a perseguição e a invasão do habitat natural para atividades agrícolas”, disse a fundação.

O anúncio da Namíbia ocorre em vésperas do arranque da 74.ª reunião do Comité Permanente da CITES em Lyon (sudeste de França), que examinará, em 9 de março, a legalidade da interpretação da Namíbia no que respeita às exportações de elefantes vivos, disse a FFW. In “Sapo 24” - Portugal


quinta-feira, 3 de março de 2022

Moçambique - Já catalogou cerca de 10 mil espécies de flora e fauna


Segundo dados da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), baseados na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, mais de 8400 espécies de fauna e flora selvagens estão criticamente ameaçadas e cerca de 30000 outras estão ameaçadas ou vulneráveis.

Com base nessas estimativas, sugere-se que mais de um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção no mundo. Em Moçambique foram catalogadas cerca de 10000 espécies de flora e fauna. O número de espécies de plantas situa-se em 5743, das quais 250 são endémicas.

A fauna terrestre já catalogada totaliza 4271 espécies, entre insectos, aves, mamíferos e anfíbios e as instituições de investigação continuam a identificar novas espécies.

“O país regista avanços em vários domínios, (i) no aumento efectivos de fauna nos parques, reservas, coutadas oficiais e fazendas de bravio, (elefantes, mabecos, zebras, impalas, entre outras); (ii) na aprovação do Plano Nacional de Desenvolvimento Territorial e Plano de Ordenamento de Espaço Marítimo; (iii) no aumento de cientistas moçambicanos em conservação da biodiversidade, (iv) no reforço da capacidade de gestão dos parques, comunidades e fiscalização florestal e faunística, (v) na colaboração transfronteiriça com os países vizinhos, monitoria telemétrica de algumas espécies como é o caso do elefante e leão, (vi) e na redução da incidência de actos de caça furtiva, em especial de elefante e com o consequente aumento de casos de indivíduos condenados exemplarmente por práticas ligadas ao tráfico e comércio ilegal de produtos de vida selvagem e seus derivados”, refere um comunicado de imprensa da ANAC.

Refira-se que comemora-se hoje, 3 de Março, o Dia Mundial da Vida Selvagem, data proclamada na 68ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas para assinalar a Assinatura da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES).

Este ano, o Dia Mundial da Vida Selvagem comemora-se sob o lema “Recuperando espécies-chave para a restauração de ecossistemas”, com objectivo de reflectir sobre as espécies de fauna e flora selvagens criticamente ameaçadas de extinção e enaltecer o papel destas espécies no equilíbrio dos ecossistemas.

Em Moçambique, às cerimónias centrais terão lugar no Parque Nacional de Maputo, distrito de Matutuíne, Província de Maputo, onde estão previstas várias actividades para consubstanciar a reflexão sobre a necessidade de protecção da vida selvagem nas áreas de conservação.

Moçambique aderiu à Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES) em 1981. In “O País” - Moçambique