Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 4 de outubro de 2025

Moçambique – Chamada para Antologia Literária Mista

A Editora Vértice Literário anunciou a abertura de mais uma edição da Antologia Literária Mista, uma iniciativa que visa celebrar e eternizar a riqueza cultural, histórica e social da província de Tete.


De acordo com a organização, esta edição é dedicada exclusivamente a Tete e convida poetas, cronistas e contistas, naturais ou residentes na província, a participarem com textos inéditos que retratem a identidade da região.

O período de submissão decorre de 20 de setembro a 30 de outubro de 2025, sendo que cada autor poderá submeter apenas um texto, no género crónica, conto, prosa ou poema. A participação é gratuita.

“Esta é uma oportunidade única para que as vozes literárias da nossa província brilhem e sejam reconhecidas no cenário literário”, refere a nota de divulgação.

Os interessados poderão solicitar o regulamento através do contacto telefónico / WhatsApp (+258) 834 698 880 ou pelo email:

editoraverticeliterario@gmail.comIn “Moz Entretenimento” - Moçambique


segunda-feira, 22 de março de 2021

Timor-Leste - Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e “dá voz e rosto à expressão da poesia em Língua Portuguesa”

Díli – O Centro de Língua Portuguesa (CLP) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), em parceria com o Centro Cultural Português da Embaixada de Portugal em Díli, a Fundação Oriente e a Plural Editores Timor-Leste do Grupo Porto Editora, assinalam o Dia Mundial da Poesia com a partilha em linha de poemas declamados.

A iniciativa decorre até dia 26 de março, no âmbito da Semana do Dia Mundial da Poesia, comemorada pelo CLP.

Tal como no ano passado, professores e alunos da UNTL, mas também outros interessados são convidados a gravar uma declamação de um poema em português de que gostem, que é partilhado na página de Facebook do CLP.

Paulo Faria, Coordenador Científico-Pedagógico do Projeto FOCO.UNTL (Formar, Orientar, Certificar e Otimizar) e do Centro de Língua Portuguesa – Camões na UNTL, explicou que se pretende “dar voz e rosto à expressão da poesia em Língua Portuguesa, num espaço livre e sem restrições de qualquer tipo”.

A iniciativa não fica confinada a Timor-Leste, mas abre-se ao mundo lusófono e “a todos os que acreditam na força e na presença da poesia que de alguma forma pode tornar o mundo melhor”.

“O objetivo é celebrar a diversidade e unidade da língua portuguesa na sua forma lírica, dos estudantes, professores e de todos os que se quiserem associar a esta iniciativa por todo o mundo onde se fala português”, contou Paulo Faria à Tatoli.

O responsável explica que a realização em linha desta atividade se deve à crise sanitária causada pelo novo coronavírus.

“A iniciativa realizada neste formato é consequência do período de confinamento que se vive um pouco por todo o mundo e particularmente em Díli. É nestes momentos que precisamos de reinventar formas de interação que não ponham em causa a saúde pública”, disse.

O responsável não duvida do sucesso da iniciativa, “porque todos somos seres que precisamos de comunicar, de interagir e partilhar os nossos sentimentos, as nossas emoções e o nosso pensamento”.

Referiu ainda a importância da poesia ao longo da história da humanidade.

“É através da poesia que se provoca a lógica e o sentido natural das coisas. A poesia não tem um fim em si mesmo. É a partir da leitura da poesia que se redescobre e aprofunda o conhecimento interior de cada ser humano”, disse.

“É a partir da poesia que somos capazes de compreender melhor o sentido velado de cada coisa, do mundo e do outro que se cruza connosco ou está nos antípodas”, acrescentou.

Na comemoração do dia em causa, o CLP-UNTL convida todos os interessados a participar nesta iniciativa, acompanhando a página do Facebook do CLP – https://www.facebook.com/clp.untl/.

O dia 21 de março foi proclamado como o Dia Mundial da Poesia na 30.ª Conferência Geral em Paris da UNESCO, em 1999, com o propósito de apoiar a diversidade linguística através da expressão poética e aumentar a oportunidade de línguas ameaçadas serem ouvidas.

A data serve para homenagear poetas, reviver tradições orais de recitais de poesia, promover a leitura, escrita e ensino de poesia, fomentar a convergência entre poesia e outras artes como teatro, dança, música e pintura, e aumentar a visibilidade de poesia nos media. Maria Auxiliadora – Timor-Leste in “Tatoli”

 


sábado, 13 de março de 2021

Estados Unidos da América - A portuguesa que tem um poema na Estátua da Liberdade

Emma Lazarus nasceu em 22 de julho de 1849, na cidade de Nova Iorque, no seio de uma família judia sefardita portuguesa


Ficou mais conhecida pela sua carreira como escritora, mas também estava fortemente envolvida em obras de caridade com refugiados e em estruturas de ajuda a imigrantes na cidade de Nova Iorque.

Em Ward’s Island, onde entravam nos Estados Unidos os imigrantes chegados da Europa, ela trabalhou como assessora de imigrantes judeus que foram detidos por funcionários da imigração na década de 1880.

Em 1883, Emma Lazarus foi convidada para compor um soneto para um leilão de arte e literatura para arrecadar fundos para a construção do pedestal da Estátua da Liberdade. Emma Lazarus, inspirada pela situação do imigrante, escreveu “The New Colossus” em 2 de novembro de 1883. O soneto apareceu no New York World de Joseph Pulitzer, bem como no jornal The New York Times.

O famoso soneto de Emma Lazarus retrata a Lady Liberty como a “Mãe dos Exilados”: um símbolo de imigração e oportunidade – símbolos ainda associados à Estátua da Liberdade hoje em dia.

Somente em 1901, 17 anos após a morte de Emma Lazarus, foi encontrado um livro com o soneto. Em 1903, as palavras do soneto foram inscritas numa placa (foto abaixo) e colocadas na parede interna do pedestal da Estátua da Liberdade.

A placa ainda está em exibição dentro do pedestal da estátua, e uma réplica exata da mesma pode ser encontrada dentro do Museu da Estátua da Liberdade. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

Leia o poema de Emma Lazarus aqui:




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Galiza - Rosalia é Mundial

AGAL lança 18 vídeo-poemas de Rosalia de Castro em diferentes sotaques lusófonos

A 24 de fevereiro, no Dia de Rosalia de Castro, que nasceu no mesmo dia deste mês em 1837 no Caminho Novo, um conhecido arrabalde de Santiago de Compostela, a Associaçom Galega da Língua (AGAL) dará a conhecer o poema mais gostado dentre os 16 que serám lançados em 18 vídeos através do Youtube e das redes sociais ao longo dos dias 22 e 23.

Nos vídeos, diferentes pessoas da Galiza, Portugal, Brasil e Angola ponhem a sua voz a diferentes poemas escolhidos polas mesmas entre os publicados nos livros Cantares Galegos (1863) e Folhas Novas (1880). As vozes som acompanhadas com legendas da versom original desses poemas. A AGAL pretende assim fazer ver como a unidade da língua galego-portuguesa está por cima de momentos históricos, sotaques e ortografias. A obra em galego de Rosalia é lusófona, é mundial.

Da Galiza, participam na leitura dos poemas a blogueira Carme Saborido, o realizador e editor Rafa Janeiro, o escritor Carlos Quiroga e as escritoras Maria do Cebreiro, Susana Arins e Andrea Nunes.

De Portugal, declama o diretor de fotografia Carlos Mendes Pereira, o fadista Eduardo Monteiro e o figueirense João Roque.

A participaçom africana, de Angola, chega pola mao do luandense Joaquim Domingos Manaça. O Brasil é, no entanto, o país que mais contributos enviou de escritores e outros admiradores da poetisa galega: o leitor da USC Márlio Barcelos, a produtora Amanda Prado e o conhecido escritor Michel Yakini, para além de Wellington Freire Machado, da universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ainda, recebemos os contributos de Salan Fernández (de São Bernardo do Campo) e de três campineiros: Fernando Fagner, a cantora Martina Marana, o poeta Vítor Queiroz.

Animamos-te a participar na votaçom para escolher o melhor poema, ou a melhor leitura, que será anunciado no dia 24. Basta clicares em ‘gosto’ no vídeo de Youtube da tua preferência. Eis a lista dos poemas que participam:

A xusticia pó-la man (Folhas Novas)
i Silencio! (Folhas Novas)
Eu levo un-ha pena (Folhas Novas)
A gaita gallega IV (Cantares Galegos)
Como chove mihudiño (Cantares Galegos)
De valde… (Folhas Novas)
i Prá á Habana! (Folhas Novas)
D’aquelas que cantan as pombas y as frores (Folhas Novas)
Un-ha vez tiven un cravo (Folhas Novas)
i Padron! i Padron! (Folhas Novas)
Tecin soya á miña tea (Folhas Novas)
Non coidarey ẍa os rosales (Folhas Novas)
Decides qu’o matrimonio (Folhas Novas)
i Prá á Habana! (Folhas Novas)
Castellanos de Castilla (Cantares Galegos)

In “Portal Galego da Língua” - Galiza

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Singela

Homenagem do Baía da Lusofonia ao escritor e pintor Adelino Timóteo no dia do seu 43º aniversário, publicando um poema da sua autoria.


O que sabem recordar as minhas mãos
senão algumas facetas do teu corpo,
neste artifício vivido
eu já não sei se te amo quando te escrevo
ou se te escrevo quando te amo.
Mas o melhor seria esculpir-te!
Eu gostaria de esculpir-te
agora nesta página tão aberta ao relento,
mais vil metal fazer-te
ao coração o amor tão puramente gravado
para que permaneças sempre viva
e acesa às gerações,
essa vaidade sintam os outros
e gozes do privilégio de quem soube amar a felicidade.

Adelino Timóteo - Moçambique
 
Adelino Timóteo,  03 de Fevereiro de 1970, cidade da Beira.  Publicou: “Os segredos da arte de amar“ (Poesia, 1999, edição AEMO,  2002), “Viagem à Grécia através da Ilha de Moçambique“ ( Poesia , edição da Ndjira, do Grupo Leya -Prémio Nacional Revelação AEMO), Antologiado em “Poesia Sempre” (Biblioteca Nacional do Brasil – Departamento do Livro, 2006 ) e Antologia da Nova Poesia Moçambicana (2001, Dom Quixote), “A Fronteira do Sublime” (Poesia, AEMO, 2005),“Mulungu” (Romance, 2008, Texto Editores), “A Virgem da Babilónia” (Romance, 2009, Texto Editores), “Nação Pária” (Romance, 2010, Alcance Editores), “Dos Frutos do Amor e Desamores até à Partida” (Poesia, 2011, Alcance Editores) - Prémio BCI de literatura




sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Deserto


Presença do deserto

Presença do deserto que não finda,
sem ti o que seria, a imensidão
do meu deserto longo, em escuridão
sem o brilhar do sol, em luz infinda,

Que dardejando em ti, te tornou linda
qual borboleta esquiva em solidão
abrindo asas frementes, ao condão
da liturgia etérea, que não finda!

Se por te ver chorar também eu choro...
se é minha, a grande dor da minha dor,
e igual à tua sorte que deploro,

Que sejas no teu reino, sempre aquela
que feita minha irmã, na mesma cor
segue em destino o fim, que um amor sela…

Joana Couto – Angola

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Amor


Reparo o amor com virtude de um pássaro
que quer voar em direcção
à larga linha do horizonte,
com tanta gente aqui neste país que o anuncia
e o desperdiça a feri-lo em disputa,
a magoá-lo, a alvejá-lo,
quando o mesmo pode ser uma dilecta criação do peito

Um amor, por si só, vale tanto,
vale mais que nada, vale tanto como a vida,
exprime a cor da sua sede,
ao alto dois pássaros a voar.

O amor não merece as pedras
que todos os dias o atiramos.

Invés de acusares a inconsciência que o invocas
se amas, e não te correspondem,
desde já não uses travões nem borracha.

Pelo contrário,
desse pouco lucro que te dão as estrelas
contenta-te até,
que o amor é assim mesmo,
sempre a transportar a dor ao âmago.

Adelino Timóteo - Moçambique

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mestres


Os Mestres do Mundo

Vieram

levaram tudo
o sonho
a esperança
a vida
até a realidade varreram
e na azáfama da fuga
o vazio arrancaram
com medo que engendrasse
os genes da vida
a luz
e os seus gestos denunciassem

Eles...
os mestres do mundo
afogaram o sonho
enforcaram a esperança
apagaram a vida
com um sopro
um estalar de dedos
um sacudir de ombros altivo…

Senhores de todos os destinos
intocáveis
nas suas torres de cristal
roubadas ao suor alheio
vieram
levaram tudo
o riso
o pranto
o fôlego
até os rostos desfigurados pela dor
e na azáfama da fuga
os olhos arrancaram
para que não os vissem
e com o olhar os condenassem

Eles…
os mestres do mundo
prenderam o riso
amarraram o pranto
asfixiaram o fôlego
num gesto louco
de um estalar de chicote
o olhar altivo...

Deuses do universo
senhores de todos os destinos
decidindo a vida e a morte
vieram
levaram tudo
a dignidade
a modéstia
a honestidade
até o pensamento esvaziaram
e na azáfama da fuga
a consciência perderam
por não lhe suportarem o peso

Eles…
os mestres do mundo
violaram a dignidade
enterraram a modéstia
venderam a honestidade
num abrir e fechar de olhos
como num truque de magia
o semblante altivo…

Senhores absolutos
inverteram a escala de valores
à luz da própria imagem
vieram
levaram tudo
o pão da boca do faminto
o tecto do desabrigado
até a História apagaram
deixando apenas no seu rasto
humilhação
impotência
revolta
que o povo na dor afoga
por iguais armas não possuir
para combater tal violência
que de igual
só tem o ódio
fruto mudo
da fúria destrutiva !

Eles
os mestres do mundo
criminosos impunes
de consciência tranquila
barriga farta de ganância
o peito inchado de razão
da legitimidade usurpada
inconscientes da própria ignorância!!!

Filomena Embaló – Guiné Bissau