Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Europa - Calçado português lidera crescimento das exportações

A indústria portuguesa de calçado teve um arranque de ano notável, destacando-se como a mais dinâmica da Europa. Nos primeiros quatro meses de 2025, o setor exportou 26 milhões de pares, gerando 576 milhões de euros, o que representa um crescimento de 6,2% face ao mesmo período do ano anterior


De acordo com o Vida Económica, enquanto as exportações espanholas estagnaram e as italianas registaram uma queda de 4,1%, Portugal apresentou o melhor desempenho entre os principais países exportadores europeus. A média de crescimento na Europa ficou nos 2,8%.

Para Luís Onofre, presidente da APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos), este sucesso deve-se ao contínuo investimento em inovação e tecnologia por parte das empresas portuguesas. “Num ano de grande indefinição como este, o facto de as empresas portuguesas investirem de forma contínua em tecnologia de ponta – o que lhes permite responder de forma célere ao mercado – é uma mais-valia inquestionável”, afirmou o dirigente.

Segundo Onofre, os investimentos em curso no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que ascendem a cerca de 100 milhões de euros, seguem essa mesma lógica de modernização e reforço da competitividade.

Apesar dos bons resultados, o responsável da APICCAPS alerta para um clima internacional instável. “Para além dos dois cenários de guerra a nível internacional, a crescente tensão geopolítica é uma grande preocupação. (…) O mundo empresarial está em suspense, pelo menos até 1 de agosto, para perceber as consequências de um novo posicionamento tarifário”, sublinhou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Portugal - Setor do calçado quer estar na vanguarda da sustentabilidade

A indústria portuguesa de calçado vai investir 140 milhões de euros nos próximos três anos para ser “a referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis”

“A indústria portuguesa de calçado vai investir 140 milhões de euros nos três próximos anos, através do ‘Cluster’ do Calçado e Moda, liderado pela APICCAPS [Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos] e Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), com o objetivo de ser ‘a referência internacional no desenvolvimento de soluções sustentáveis’”, anunciou a associação em comunicado.

Adicionalmente, o setor pretende ainda “reforçar as exportações portuguesas alicerçadas numa base produtiva nacional altamente competitiva, fundada no conhecimento e na inovação”.

O investimento contempla dois projetos distintos, que se complementam, enquadrados no Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), e que juntam mais de 100 empresas, incluindo universidades e entidades do sistema científico, explicou a APICCAPS, admitindo a expectativa de poder ver este número de parceiros aumentar.

Dos 140 milhões de investimento, 80 milhões destinam-se ao projeto BioShoes4All (“Biocalçado para todos”), que pretende “induzir uma mudança radical nos materiais, tecnologias, processos e produtos”, através da aposta em biomateriais, calçado ecológico, economia circular, tecnologias avançadas de produção e capacitação e promoção, conforme explicou a coordenadora do projeto, Maria José Ferreira, do CTCP.

Segundo a responsável, um dos objetivos daquele projeto prende-se com “o desenvolvimento e a produção de novos biomateriais e componentes, alicerçados nos princípios da bioeconomia circular e do desenvolvimento sustentável, em todas as suas dimensões, criando soluções diferenciadas, valorizadas pelos clientes e consumidores, contribuindo para catalisar uma nova bioeconomia sustentável, a valorização eficiente de biorrecursos regionais e nacionais e a descarbonização”.

Os restantes 60 milhões de euros do total de investimento previsto até 2024 destina-se ao projeto FAIST que, conforme explicou o diretor geral do CTCP, Leandro de Melo, pretende “aumentar o grau de especialização da indústria portuguesa de calçado para novas tipologias de produto” e potenciar “a capacidade de oferta das empresas portuguesas de calçado através do reforço da capacidade de fabricar médias e grandes encomendas, utilizando processos de montagem mais eficientes”.

“Se hoje as empresas portuguesas são reconhecidas pela sua capacidade de inovação, do fabrico de pequenas encomendas de modo eficiente ou pela flexibilidade, terão agora de otimizar processos e melhorar a eficiência, para assegurar novos ganhos de competitividade”, acrescentou o responsável.

Para o presidente da APICCAPS, Luís Onofre, “o setor do calçado sempre assumiu como grande objetivo ser uma grande referência internacional”, defendendo ainda que “este é o momento de preparar uma nova década de crescimento, reforçando competências, acelerando a inserção de novos quadros qualificados nas empresas e aumentar o investimento em I&DT [investigação, desenvolvimento e tecnologia]”, para que possa apresentar “produtos altamente diferenciadores”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Portugal - Compradores internacionais dispostos a pagar cada vez mais por calçado português

Os compradores internacionais valorizam atualmente o calçado português em 28%, quando em 2005 a referência à origem Portugal desvalorizava imediatamente o produto em 30%, segundo um estudo da Católica Porto Business School.

Elaborado para determinar como o local de produção influencia a percepção de valor do produto por parte dos clientes estrangeiros, o estudo baseia-se numa prova cega realizada em fevereiro deste ano junto de 80 retalhistas e importadores estrangeiros durante a feira internacional de calçado Micam, em Milão, Itália.

Conforme explicou Susana Costa e Silva, da Católica Porto Business School, durante a apresentação do estudo que decorreu dia 6 no Porto, do trabalho resultou que, face a um par de sapatos avaliado em 100 euros “a olho nu”, os compradores avaliam-no em 128 euros (+28%) quando sabem que é ‘made in [fabricado em] Portugal’.

Em 2005, pelo contrário, os compradores desvalorizavam o calçado português em 30%, ou seja, só estavam dispostos a pagar 70 euros pelo produto após verem a etiqueta de origem, enquanto em 2015 uma prova cega semelhante apontava para um défice de imagem do ‘made in Portugal’ na ordem dos 18%.

Comparando a valorização do calçado português face ao italiano, a investigadora da Católica referiu que “quando não se mostra a origem as pessoas tendem a ligeiramente a preferir o calçado nacional”, mas quando é revelado o país produtor “há um diferencial de 19% em que o calçado italiano é mais valorizado que o português”, apesar de este ‘gap’ ter vindo a diminuir.

De acordo com o estudo da Católica Porto Business School, a qualidade do produto, o ‘know how’ (conhecimento) no processo produtivo e a qualificação de mão de obra são os principais “atributos que [os compradores internacionais] espontaneamente atribuem ao calçado português”.

Salientando que, “pela primeira vez na história, o público internacional está disponível para pagar mais pelo calçado português”, o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS) explica esta valorização com o investimento de 6,4 milhões de euros feito em promoção externa do setor nos últimos dez anos e que se traduziu num aumento superior a 47% (equivalente a 700 milhões de euros) das exportações, para cerca de 1,9 mil milhões de euros.

“Por cada 14 cêntimos que investimos conseguimos alavancar 100 euros de exportação”, destacou Paulo Gonçalves, avançando que até ao final de 2020 o investimento previsto para promoção de empresas e marcas é de mais dois milhões de euros.

Como principais desafios de futuro para a indústria portuguesa do calçado, o secretário de Estado da Internacionalização – que esteve presente na sessão de apresentação do estudo – apontou a aposta no ‘e commerce’ (comércio eletrônico), com a consequente alteração da estrutura dos canais de distribuição, as questões da sustentabilidade e as colocadas pelas alterações climáticas, pelos efeitos que têm na moda e no momento de compra dos produtos.

“Estes são elementos de gestão de grande complexidade para os próximos anos”, considerou Eurico Brilhante Dias, salientando que o setor português do calçado é um exemplo de “trabalho muito bem feito” ao nível da “sofisticação” do negócio e da “construção de uma economia com maior valor acrescentado”.

Para o presidente executivo da APICCAPS, Manuel Carlos, a indústria portuguesa de calçado distingue-se dos principais concorrentes por “competências” cada vez mais valorizadas como a produção de pequenas séries, a resposta rápida e a proximidade dos mercados.

“Quanto à percepção da marca temos perspetivas que não podemos quantificar, mas que são muito boas. Temos um histórico de saber fazer que será um dos ativos que vamos aprofundar muito”, avançou. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Portugal – Exportação de calçado para a China

Portugal é já o quinto maior fornecedor de calçado da China. E a tendência é para subir no ranking. Em 2009, a indústria portuguesa exportava 34 mil pares de sapatos para a China, no valor de 646,5 mil euros. Ou seja, a um preço médio de 18,86 euros. Sete anos volvidos, o país mais populoso do mundo multiplicou por 20 as suas importações de calçado português. Em valor claro, que atinge já os 12,9 milhões de euros. Em volume, o crescimento é de 2,7 vezes. E o preço médio é já o terceiro mais elevado – 41,06 euros por par.

“É natural que se comece a ter bons resultados na China, fruto de uma aposta consistente nos últimos anos. Acresce que temos algumas empresas portuguesas que são já uma referência no mercado”, diz Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos. Casos como a Tatuaggi, de São João da Madeira, que tem 5 lojas e 2 outlets da marca na China, operados por um parceiro local. Mas também a Nobrand, Profession Bottier ou a Kyaia, entre outros.

“A estratégia de entrada é a habitual na indústria portuguesa, com uma aposta sempre nos segmentos de mercado mais elevados. O que permite que o preço médio cresça sempre mais. E a verdade é que há pouco mercados no mundo dispostos a pagar mais de 40 euros por cada par de sapatos exportado”, refere.

Na verdade, o mercado que mais valoriza os sapatos portugueses é o chinês. A região administrativa especial de Hong Kong comprou, no ano passado, três milhões de euros em sapatos, a um preço médio por par de 44,99 euros. Quase o dobro do preço médio global de exportação do setor, que foi de 23,74 euros. Em segundo lugar surge a Coreia, com 42,59 euros e, em terceiro, a China. A quarta posição no ranking é ocupada pelos Estados Unidos/Canadá a uma distância considerável: 34 euros. Recorde-se que o preço final ao consumidor é, normalmente, o triplo do preço de saída de fábrica. Pelo menos.

Na China há vários anos, a Kyaia, o maior grupo de calçado nacional, detentor da marca Fly London, assume que os números de crescimento no mercado “são abismais”, mas que têm, ainda, um peso diminuto nas vendas totais do grupo. “Todas as épocas crescemos, mas há muita rotatividade de clientes. Mas já temos dois, pelo menos, com os quais trabalhamos há seis épocas consecutivas. O que é muito positivo”, diz Amílcar Monteiro.

A verdade é que, apesar do potencial ser enorme, a realidade é complicada. Não só pela distância, mas pela própria estrutura do mercado, onde o conceito de loja multimarca não existe ainda. Questões que levam Sérgio Cunha, da Nobrand, a assumir que a China “vai ser um mercado enorme, mas faltam anos para isso”. Embora tenha lá um showroom, em Xangai, para ir marcando terreno.

Já a Profession Bottier fechou, em dezembro, o seu showroom local. Não por desinteresse no mercado, que Ruben Avelar classifica de “fascinante”, mas por “falta de capacidade de investimento para alavancar o crescimento”. Ilídia Pinto – Portugal in “Dinheiro Vivo”