A
escritora e artista moçambicana Paulina Chiziane acaba de lançar um novo EP
intitulado Afro-Fado: O Regresso das Caravelas, uma obra musical que
resgata memórias, ancestralidade e espiritualidade através da fusão entre o
fado e sonoridades africanas.
Segundo
Paulina, o fado tem raízes profundas no sofrimento africano, uma vez que chegou
à Europa e ao Brasil pelos navios negreiros que transportavam escravos. “As
caravelas portuguesas que invadiram a África vinham cheias de ganância, mas
vazias de cantigas da alma. Regressaram cheias de escravos negros que,
cantando, elevavam a sua oração ao transcendente”, explicou numa nota enviada à
Moz Entretenimento.
Para
a autora, cantar o afro-fado é uma forma de recuperar a alma negra espalhada
pelo mundo durante séculos de colonização e escravidão
Composto
por 3 faixas produzidas por N Records, o EP é apresentado como um acto de
despertar de consciências, com cantos de louvor à Mãe África, descrita como “o
sal que dá sabor à vida”, “o sol eterno que ilumina o mundo” e “a cidade
edificada sobre o monte que nunca pode ser escondida”. Mais do que música,
trata-se de um manifesto cultural e espiritual que celebra a identidade
africana e denuncia as injustiças históricas sofridas pelo continente.
O Afro-Fado:
O Regresso das Caravelas já está disponível online. In “Moz
Entretenimento” - Moçambique
A
portuguesa Katia Guerreiro vai levar o fado a Pequim, num concerto a acontecer
no dia 7 de Setembro, às 19h30, no Forbidden City Concert Hall. O
momento musical está integrado no Festival do Fado 2025 – Edição Pequim,
dedicado ao centenário do ilustre guitarrista português Carlos Paredes, segundo
noticiou a Xinhua.
O
público chinês terá a oportunidade de apreciar presencialmente 15 obras
clássicas de fado, incluindo “Rosa Vermelha”, “Quem Diria” e “Amélia, Nome de
Lisboa”, entre outros temas.
A
fadista estará acompanhada por uma banda de músicos portugueses, incluindo o
músico de guitarra Pedro de Castro, o violonista clássico André Ramos e o
contrabaixista acústico Francisco Gaspar.
Haverá
ainda uma participação especial, de Hou Yu, renomada artista chinesa da Ópera
de Pequim, que interpretará trechos clássicos da peça “Dui Hua Qiang”, de
acordo com o programa.
“Esta
interculturalidade artística visa promover, através do diálogo musical, a
exploração das expressões comuns de vida, saudade e emoção em diferentes
contextos culturais”, refere a agência de notícias.
O
evento oferece uma experiência cultural “abrangente” que inclui diversas
actividades culturais como uma exposição artística com temática da guitarra
portuguesa; a exibição do filme “Guitarras à Portuguesa”; e uma palestra
ministrada por Pedro de Castro. “O festival possibilitará ao público um
mergulho completo na cultura do fado de Portugal”, pode ler-se.
Katia
Guerreiro iniciou a carreira musical em 2000, simultaneamente com os estudos em
Medicina. Com o nascimento da filha em 2012, “o crescente amor pelo fado a
levou a dedicar-se integralmente ao canto”.
Posteriormente,
“reconhecida pelas notáveis contribuições”, a fadista foi agraciada com a Ordem
do Infante D. Henrique pelo Presidente Cavaco Silva, em 2015, e com o título de
Cavaleira da Ordem das Artes e das Letras, um dos mais altos títulos atribuídos
pelo governo francês a cidadãos estrangeiros, consolidando-se como uma das mais
importantes artistas contemporâneas do fado e embaixadora internacional da
cultura portuguesa. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Xinhua”
No próximo dia 5 de junho, o Palácio da Liberdade, em
Belo Horizonte, no estado brasileiro de Minas Gerais, será palco da estreia do
primeiro Festival de Fado nas Janelas, uma iniciativa cultural que promete
emocionar o público com a mais genuína expressão musical portuguesa
O
evento começa às 19h30, com abertura de portas às 19h00, e faz parte da
programação oficial da Festa Portuguesa 2025.
O
concerto será protagonizado pelo fadista Tarcísio Costa, luso-brasileiro que
encontrou no fado uma ponte afetiva com as suas raízes portuguesas. A
acompanhá-lo estarão dois grandes nomes da música tradicional: Custódio
Castelo, na guitarra portuguesa, e Rui Tanoeiro, na viola de fado. A noite
contará ainda com a participação especial da fadista Ana Paula Martins.
Tarcísio
Costa é conhecido pela sua entrega emocional à canção portuguesa e pelo
percurso singular que o levou ao palco do fado.
“Eu
não escolhi o fado, o fado aconteceu na minha vida”, costuma dizer Tarcísio.
O
momento decisivo deu-se em Nova Iorque, num encontro com a icónica Amália
Rodrigues, que o inspirou a cantar pela primeira vez em 2009, em homenagem à
mãe. Desde então, a sua voz ecoou em casas tradicionais de Lisboa como o Páteo
Alfama, a Tasca do Chico e o Canto da Atalaia, passando por Sintra e por Nova
Iorque, onde foi proprietário do restaurante Alfama.
Assessor
de comunicação da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais,
Tarcísio lança agora a série “Fado nas Janelas”, em parceria com a Projetô. O
objetivo é claro: “difundir o fado por diferentes cidades brasileiras, levando
a portugalidade a cada canto, janela e coração”.
O
evento conta com entrada gratuita e promete ser uma celebração inesquecível da
cultura lusófona em terras mineiras. Ígor Lopes – Brasil in “Bom dia
Europa”
Célia Leiria regressa à Lituânia, país que a tem recebido
sempre com grande êxito e é com grande emoção que a fadista se prepara para
mais uma viagem a este país europeu
Desde
2011, a primeira vez que actuou na Lituânia, Célia Leiria já teve oportunidade
de lá voltar em 2019, 2021 e agora em 2024 para cinco concertos onde a fadista
irá interpretar temas do seu recente álbum “Mulher Amor”. A acompanhá-la vão estar os músicos: Pedro
Amendoeira na guitarra portuguesa, João Filipe na viola de fado e Maria Ana no
clarinete.
Célia
Leiria estará em Vilnius a 10 de Julho em Marijampolês no Poezijos Parkas a 11
de Julho, em Dusetos na Dailés Galerija
a 13 de Julho, Panavizio Raj em
Bistrampolio a 14 de Julho e por fim, no dia 17 de Julho em Kaunas na Lituânia,
país que tem acolhido a fadista
entusiasticamente. P&C - Portugal
O que têm Erhu, Pipa e Gaohu em comum com a guitarra
portuguesa, a guitarra clássica e a viola? Muito mais do que se imagina, a
julgar pela satisfação com que o fadista Camané, o maestro e o concertino da
Orquestra Tradicional Chinesa falaram sobre a forma como têm corrido os ensaios
em preparação para o concerto deste sábado no CCM, um espectáculo que volta a
trazer o aclamado fadista português pela quarta vez a Macau
Camané
vai actuar amanhã no grande auditório do Centro Cultural de Macau (CCM), num
concerto que conta com o acompanhamento da Orquestra Chinesa de Macau. Ainda a
recuperar do jetlag, o fadista nascido em Oeiras confessou que devido
aos ensaios pouco tempo terá para passear pela cidade onde já actuou três
vezes: duas com a orquestra chinesa, em 1999 e 2007, e outra só com guitarra e
viola, num concerto no Venetian para o Festival Literário Rota das Letras de
2013.
Satisfeito
com a forma como estão a decorrer os ensaios, partilhou com os jornalistas
presentes algumas das suas impressões da experiência. “Fica muito bem o Fado
com esta orquestra, aliás, qualquer orquestra fica bem, e esta em particular
está a funcionar muito bem. Os instrumentos chineses funcionam muito bem no
Fado, algumas cordas são fantásticas”.
Também
Zhang Yueru, concertino da Orquestra Tradicional Chinesa, confessou achar
interessante haver três instrumentos na música chinesa – o Erhu, a Pipa e o
Gaohu – que são parecidos com os da guitarra portuguesa, em que se consegue
“ter um som muito aproximado” ao do Fado. O músico chinês também partilhou o
gosto que tem sido ver os músicos portugueses que estão a acompanhar o fadista
neste concerto quererem saber mais sobre estes instrumentos chineses. “Durante
as nossas conversas também trocamos ideias de como manusear o instrumento
chinês para que ele tenha um som parecido com o da guitarra portuguesa”,
partilhou.
Para
o concerto deste sábado, Camané traz “muitos fados tradicionais”, com letras
que adaptou dos fados tradicionais, com “poemas lindíssimos”, e músicas que
fazem parte do seu percurso, músicas de José Mário Branco, que foi seu produtor
durante 20 anos, lembrou. “Acho que o espectáculo vai ser um bocado daquilo que
eu faço normalmente, só que a única diferença é que tem uma orquestra chinesa.
Já o fiz com outras orquestras também, diferentes, em Portugal e fora de
Portugal”. A responsabilidade, no entanto, é sempre enorme, e diz que vai para
o “palco cheio de medo”, mas que, com os ensaios a correrem tão bem, sente-se
mais confiante.
Quanto
ao facto de ir cantar para um público composto em parte por pessoas que não
falam português, Camané diz que a “música ultrapassa a barreira da língua”,
desde que esta seja interpretada com muita emoção. “É preciso estar ali com
prazer e transmitir essa emoção, e essas coisas muitas vezes não se explicam.
Como quando olhamos para um quadro, e não percebemos, mas toca-nos. É isso”. O
fadista português diz que, de resto, também não consegue explicar a razão da
boa aceitação das suas actuações em tantos países onde não se fala português.
“Não sei, mas tenho tido imensa sorte, porque as coisas têm corrido bem”.
Esta
é, aliás, uma velha história do Fado, este fascínio do mundo pelas canções
nascidas nas ruas de Alfama e da Mouraria. Recordando o início da sua carreira,
em que “tinha vergonha de dizer que cantava Fado na escola”, lembrou os tempos
em que o Fado não estava na moda em Portugal, e em que, no entanto, na altura
“fora de Portugal havia um grande interesse pelo Fado. Carlos do Carmo, Amália,
grandes fadistas cantavam muitas vezes fora de Portugal, e tinham um sucesso
enorme. Em Portugal as coisas estavam um pouco complicadas, mas isso foi
mudando”. Com o seu primeiro álbum, “as coisas começaram a mudar”, e hoje em
dia, cada vez mais jovens querem tocar guitarra portuguesa, cantar Fado. “Acho
que é fantástico, estou muito contente”, confessou Camané ao Ponto Final.
Música triste e romântica
Yao
Shenshen, maestro da Orquestra Chinesa, falou-nos do que conseguiu compreender
para além das palavras cantadas. “Acho que o Fado é um tipo de música triste e
romântica, que consegue transmitir a emoção de tristeza ao público”.
Confessando-se satisfeito com toda a experiência, que lhe permitiu aumentar o
seu conhecimento musical e “aprender muita coisa porque não conhecia o Fado”,
diz ter ficado a “gostar muito do lado romântico” do Fado. Durante os ensaios,
sempre que precisavam de comunicar e esclarecer dúvidas, o maestro e o fadista
trocavam algumas palavras em inglês, mas para si o mais importante foi
simplesmente tocar. “O principal é começarmos a tocar música. A música é uma
língua universal. Em tempos nem era preciso falarmos uns com os outros, era só
tocar”, salientou.
Quanto
ao ritmo e à forma das canções tradicionais portuguesas, Yao Shenshen
contou-nos que houve momentos interessantes nos ensaios devido ao facto de o
Fado não ser muito regular. “Há sempre variações, e algumas vezes até o cantor
parou de cantar, e não sabíamos se devíamos parar também, mas depois, na
segunda vez, já soubemos como acompanhar o fadista de uma forma melhor. Fiquei
a gostar muito de Fado”. O colega da Orquestra Tradicional Chinesa, Zhang
Yueru, também aproveitou para recordar que esta não é a primeira vez que “a
música chinesa teve contacto com a cultura portuguesa”, e que apesar de haver
novos músicos na formação da orquestra, na verdade esta é a segunda vez que a
orquestra está a actuar com Camané. Sobretudo, o facto de os dois lados terem
uma boa “compreensão musical ajuda a combinar as duas culturas, porque a música
chinesa tem pontos parecidos com o Fado, e por isso o concerto resulta. É um
prazer ter este concerto de novo com o Camané”, acrescentou.
Uma
jornalista quis saber se Camané tenciona lançar um álbum com a orquestra
chinesa em breve, ao que este retorquiu que, para já, esta ideia não está nos
seus planos, embora esteja aberto a essa possibilidade. Para si, o processo de
lançar álbuns tem de ser feito com tempo e sem pressões. Recordando um álbum
que fez com o pianista Mário Laginha, experiência que “adorou”, quatro anos
depois quis lançar um segundo álbum, em 2021, com o mesmo pianista. “No outro
dia, na Covilhã, tive numa sala esgotada com um concerto com o Mário Laginha”,
recordou. Também falou sobre algumas participações em discos de músicos com
orquestra, e até num álbum de rock, como foi o caso do projecto “Humanos”, com
Manuela Azevedo, dos Clã, e David Fonseca, uma experiência que Camané insistiu
em frisar não ser o seu estilo de música, apesar de boas memórias da
colaboração. “Fizemos três concertos e um disco, mais nada. Ainda hoje às vezes
me pedem [para dar mais concertos], mas cada músico tinha os seus projectos e
ninguém quis continuar com mais concertos. Foi uma coisa pontual, uma homenagem
de músicas que o António Variações nunca tinha cantado porque morreu antes, e
nós fizemo-las”. Rita Gonçalves – Macau in “Ponto
Final”
Não há objetivos e poucos querem saber do país que
precisamos de construir. Para quem nos governa, o importante é sobreviver
politicamente de hoje para amanhã
Só
há vinte e quatro democracias plenas no mundo e Portugal não é uma delas.
Consideram-nos uma democracia imperfeita e puseram-nos onde já estávamos em
2006. Nada mudou nos últimos dois anos, continuamos em 28.º lugar no ‘Democracy Index 2022’, mas fomos
ultrapassados pela República Checa e pela Grécia. Segue-se a Eslovénia.
Bastava
termos dedicado uns minutos a ler o relatório da revista britânica The
Economist e rapidamente teríamos percebido porque nos estamos a tornar no carro
vassoura da Europa: reclamamos muito, mas exigimos muito pouco. Temos uma
cultura que se dá à lamúria e quando nos perguntam o que queremos, é frequente
respondermos que ‘tanto faz’, ou ‘escolhe tu’; E se nos perguntam como estamos,
vamos ‘assim-assim’ ou ‘mais ou menos’. É típico dos portugueses, já dizia o
Presidente Jorge Sampaio.
O
ranking de 2022 diz-nos que somos uns empatas, num país onde o Estado não sai
da frente e que em vez de subsidiar devia regular. Por isso, o relatório
mostra-nos que não evoluímos na qualidade da governação e que nos alheamos das
decisões e da participação política. Falta-nos exigência, ambição e avaliação.
Andamos na tática e sem estratégia – tática faz-nos ganhar um jogo e estratégia
faz-nos ganhar o campeonato. Não há objetivos e poucos querem saber do país que
precisamos de construir. Para quem nos governa, o importante é sobreviver
politicamente de hoje para amanhã.
Luís
Marques Mendes, recentemente nas ‘Conferências da Sociedade Civil da RTP2’,
realizadas na Porto Business School, quebrava a confidência de uma reunião em
petit comité com uma alta representante da União Europeia, onde ficou a saber
que a República Checa tem como ambição, em 2028, quando terminarem estes fundos
de Coesão e Convergência que agora começaram a ser distribuídos, deixar de
depender dos fundos europeus. Concluía o também Conselheiro de Estado que, por
cá, já estamos preocupados em saber ‘quais os futuros fundos depois de acabarem
estes fundos’.
A
República Checa está a um lugar de ser considerada uma democracia plena. O país
liderado pelo general Petr Pavel merece estudo, mas não é necessário ser
cientista ou académico para rapidamente concluirmos que a explicação também
está no relatório anual do The Economist. Os checos tornaram-se mais
interventivos na participação política e na consciência dos problemas do seu
país, o que faz com que os seus governantes sejam mais responsabilizados e os
governem melhor, para além de já estarem a ultrapassar Portugal também nas
liberdades civis.
Portugal
é visado também no relatório do V-Dem Institute como uma das
democracias eleitas onde se regista degradação das suas instituições
democráticas. No ´Democracy Report 2023´, onde se avaliam os desafios das
democracias face às autocracias, os investigadores da Universidade sueca de
Gotemburgo também colocam a República Checa à frente de Portugal na qualidade
das decisões tomadas e no acesso à igualdade de oportunidades.
Mas
os checos não são os únicos, o mesmo está a acontecer com os gregos e os
eslovenos que estão mais exigentes com os seus políticos e os estónios que se
dizem mais bem governados do que os portugueses. Até os malteses têm bastante
mais consciência política do que nós e sabem que o crescimento económico tem de
andar a par do crescimento social, pois só assim se combatem as desigualdades.
Miguel
Torga já escrevia sobre o que considerava um fenómeno curioso: «O país ergue-se
indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe, e diverte-se indignado,
mas não passa disto. Falta lhe o romantismo cívico da agressão. Somos
socialmente uma coletividade pacífica de revoltados». Mas também nos passa
depressa, até porque ao Portugal dos três ‘efes’ de Salazar – Fado, Fátima e
Futebol –, a democracia deu-lhe mais um, o de Festivais. Com Fé e fezada,
esqueçamos as lamúrias e rejubilemos porque o verão está a chegar e com ele vêm
os concertos, o Papa e o Benfica vai ser campeão. E já passaram quase cinquenta
anos. Luís Castro – Portugal in “Sol”
Um imaginário encontro entre os ícones do Fado, Amália
Rodrigues, e do Tango, Carlos Gardel, gerou o disco “Encuentro Amália-Gardel”,
que foi apresentado este sábado à noite em Buenos Aires, num espetáculo que une
Portugal e Argentina, através dos dois ritmos
“Imagino
que, se Amália e Gardel se tivessem conhecido, seguramente seria na casa da
Amália em Lisboa ou na de Gardel em Buenos Aires, numa tertúlia que entrasse
madrugada adentro com os dois a cantarem, rodeados de amigos, a intercalarem
fados e tangos, ora um ora outro e, em alguns casos, num dueto”, descreve à
Lusa a cantora argentina Karina Beorlegui, autora do projeto.
O
disco encarna essa atmosfera imaginária com tangos cantados por Carlos Gardel,
intercalados com fados famosos na voz de Amália Rodrigues, além de dois fados
nos quais há uma intervenção direta do tango.
No
fado português “Medo”, a voz de Karina Beorlegui é acompanhada por um
bandoneon, a alma do tango argentino. É a primeira vez que os dois ritmos
aparecem numa mesma canção.
No
“Caprichosa”, fado-canção composto em espanhol pelo uruguaio Froilán Aguilar e
gravado por Carlos Gardel, a guitarra portuguesa ganha uma presença,
inexistente na versão original de 1930. Essa guitarra, do português Ricardo
Martins, responsável também pelos arranjos, convive com a voz de Karina, mas
também com a de Cucuza Castiello, um cantor de tango.
“Amália
e Gardel são um pretexto para que o tango e o fado se encontrem num cruzamento
de tangueiros e fadistas. Na outra ponta dessa ponte está Ricardo Martins. Não
nos conhecemos. Foi tudo gravado de forma virtual”, conta Karina Beorlegui,
quem, nos últimos 20 anos, dedicou-se a impulsionar o fado entre os argentinos.
Nos
seus quatro discos solistas, “Caprichosa” (2003), “Mañana Zarpa Un Barco” (2008),
“Puerto Cardinales” (2011) e “Encuentro Amália-Gardel”, o fado convive com o
tango, ganhando cada vez mais faixas a cada novo disco.
Carlos
Gardel gravou quatro fados. Além de “Caprichosa” (1930), “Mi china” (1920), “De
mi tierra” (1921), “Mi bien querido” (1922). São, na verdade, “pseudofados” ou
“fados-canção”, mas revelam a influência da música portuguesa no cancioneiro
popular argentino.
No
começo dos anos de 1930, Carlos Gardel viajou num vapor a Lisboa, segundo
indica um carimbo no seu passaporte.
“Quero
imaginar que aquelas ruelas de Lisboa inspiraram Froilán Aguilar a compor um
fado para Gardel, mas não sabemos ao certo. Só sabemos que Gardel esteve em
Lisboa e que o fado era contemporâneo ao que Gardel estava a fazer com o tango.
O fado Caprichosa foi muito conhecido na época. As pessoas mais velhas o
reconhecem e cantam até hoje”, aponta Karina, sobre a canção cuja letra gira em
torno de uma linda portuguesa cujo comportamento mimado e inconstante
(‘caprichoso’, em espanhol) não cede aos galanteios.
Amália
Rodrigues esteve na Argentina quatro vezes (1967, 1978, 1981 e 1993). Na
primeira, ao ser entrevistada pelo Canal 13 de Buenos Aires, revelou que “desde
muito pequenina, com uns 10 anos ou menos, escutava Carlos Gardel e os seus
tangos, e cantava a todos na sua casa”.
“Tenho
o costume de tangos desde muito criança”, afirmou.
Quando
Amália começou a tornar-se conhecida, Carlos Gardel já tinha morrido em 1935
num acidente aéreo em Medellín, Colômbia. Porém, a sua obra teve influência na
música popular portuguesa dos anos de 1930 e 1940. Em filmes portugueses da
época, tangos conviviam com fados.
Estrela
Carvas, assistente pessoal de Amália durante 30 anos, revelou a Karina
Beorlegui que os dois tangos dos quais Amália mais gostava eram “Arrabal
Amargo” e “Cuesta Abajo”, levando, por isso, Karina a gravar “Cuesta Abajo”
neste disco.
“Não
sou uma fadista. Sou apenas uma cantora. Sinto-me uma embaixadora ou uma
impulsora do fado na Argentina. Nos meus shows, recomendo fados e fadistas.
Sempre procurei que os argentinos se aproximassem do fado. E muita gente aqui
conheceu o fado através de mim”, orgulha-se.
Nenhum
outro cantor na Argentina gravou tantos fados nem divulgou tanto o fado
português no país. Porém, apesar de trabalho valioso para a difusão da cultura
portuguesa, Karina Beorlegui não consegue patrocínio para ir a Lisboa nem para
trazer Ricardo Martins a Buenos Aires.
A
Fundação Amália Rodrigues e o Museu de Carlos Gardel deram a autorização para o
uso dos nomes no disco e apoio institucional para o show.
“Tenho
um convite para apresentar o disco ‘Encuentro Amália-Gardel’ no dia 23 de junho
no jardim da Casa da Amália em Lisboa, mas não tenho dinheiro para viajar. Em
novembro, vamos realizar o sexto festival de fado e tango em Buenos Aires, mas
não sabemos se conseguiremos trazer a guitarra portuguesa de Ricardo Martins.
Esse é o nosso desafio agora”, desabafa.
Assim
como o fado português, o tango argentino surgiu nas zonas marginais, próximas
ao porto. Entre Lisboa e Buenos Aires, um oceano de saudades. Em Lisboa, as
saudades daqueles que partiram e deixaram para trás uma vida. Em Buenos Aires,
a saudade dos que chegaram.
“Em
comum, esse exílio. O tango e o fado são primos distantes que, quando se
encontram, têm muito em comum. A saudade é um sentimento que conduz à poesia. E
os dois ritmos tiveram altos e baixos nos mesmos períodos até que houve um
ressurgimento com novos talentos fadistas e tangueiros que continuam com o
legado”, conclui Karina Beorlegui. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”
“Júlia
Florista” é o primeiro romance publicado pela lusodescendente Alexandra Vieira,
editado em língua francesa, em maio de 2021, pelas Editions Plumes de Marmotte.
Resumidamente,
o romance conta a história de Christine, uma professora, casada com Gilbert,
com desejos de ser mãe, e que acaba por encontrar Ruben, um jovem estudante e
assistente no mesmo colégio, mas também guitarrista de fado, que a leva a
descobrir o mundo fadista de Paris, e em particular o desaparecido café
cultural “Lusofolie’s” criado por João Heitor.
São
mundos que Alexandra Vieira conhece bem. Primeiro porque foi ela própria
professora de francês no colégio, durante uma dezena de anos, e depois, porque
também ela é apaixonada por fado ao ponto de também cantar. O marido toca viola
de fado.
“O
fado é uma grande história de paixão” conta ao LusoJornal. “Quando era
pequenina, o meu pai gostava de ouvir uns fados de Amália Rodrigues, eu também
gostava de ouvir, mas não sentia uma emoção muito forte, como se sente quando
somos adultos, quando conhecemos as histórias do fado e as histórias que o fado
conta. Mais tarde, conheci o meu marido, que é viola de fado, depois comecei a
interessar-me pelos poemas e aí é que foi mesmo uma revelação, porque senti que
o fado não é só a saudade, a tristeza, o lamento, também é isso, mas não é só
isso. O fado trata das emoções e dos sentimentos todos da vida. A partir dali
comecei a ouvir mesmo a sério, a ir a concertos, tanto aqui em Paris como em Lisboa
– eu ia de propósito a Lisboa para ouvir o Marco Rodrigues, por exemplo”.
Nada
melhor do que saber do que se fala para melhor transmitir paixões.
O
leitor parisiense, apaixonado por fado, identifica facilmente os lugares e
algumas das personagens, sobretudo pela descrição da autora.
Já
as histórias de amor, são, segundo a própria Alexandra Vieira, obra da ficção:
a rotina no casamento de Christine com Gilbert, o colega Antoine e o D. Juan,
Ruben, cujo envolvimento marca o final do livro,… que não pode ser aqui
desvendado, claro!
“A
ideia nasceu há muitos anos. Eu comecei a pensar nesta história de um amor
proibido há muito tempo, só que é um tema muito clássico, tanto no cinema como
na literatura, achei que faltava qualquer coisa” explica a autora ao
LusoJornal. “Muitos anos depois, pensei: por que não dar a conhecer o fado
através desta história? Pelo menos em França, em francês, não conheço nenhuma
história que nos mostre o que é o fado e a ligação entre a música e as emoções
transmitidas pelo fado”.
A
paixão de Alexandra Vieira pelo fado levou-a a frequentar a Academia do Fado de
Paris, em Vincennes, e onde o marido também frequentou aulas de viola. Levou-a
também a apresentar programas sobre Portugal na rádio Aligre, em Paris, e a
apresentar sessões de Fado Vadio, como foi o caso, ainda antes das férias, em
Groslay (95).
Mas,
mais do que contar uma história e de a situar no meio fadista de Paris e até de
Lisboa, Alexandra Vieira também quis fazer descobrir ao leitor, as letras de
alguns fados, como “Júlia Florista” de Leonel Vilar, claro, mas também
“Loucura” de Fernando Farinha, “Ai se os meus olhos falassem” de Nóbrega e
Sousa, “Amor de mel, amor de fel” de Amália Rodrigues, “Corpo interdito” de
Fernando Campos de Castro, “Deste-me tudo o que tinhas” de João Monge, “Escrevi
teu nome” de Raúl Ferrão, “Caso arrumado” de Manuela de Freitas, “Eu já não
sei” de Domingos Gonçalves Costa, “Saudades trago comigo” de António Calem, “Só
nós dois” de Joaquim Pimentel e “Valeu a pena” de Mário Moniz Pereira. Cada
capítulo do livro podia ser resumido por um destes fados que entram “como uma
luva” no enredo do romance.
Esta
escolha dos poemas transcritos mostra que Alexandra Vieira – que já nasceu em
Paris há 42 anos, filha de pais portugueses – conhece bem o fado e assume,
descomplexadamente, a sua dupla pertença cultural.
A
família vem de Monção, no Minho, e transmitiu-lhe uma “forte ligação” a
Portugal ao ponto de ter ido estudar um ano em Coimbra, no quadro do programa
Erasmus. “Claro que a França e Portugal são dois países latinos, com uma cultura
semelhante, mas há diferenças e eu senti que a minha cultura era tanto
francesa, porque, claro, fui criada cá, como portuguesa, porque os meus pais
trataram de nos dar – a mim e à minha irmã – uma ligação à literatura
portuguesa e às tradições, tanto populares como académicas” explica a Alexandra
Vieira.
Desde
pequenina que sonhava editar livros. Quando acabou “Júlia Florista”, começou
uma outra aventura: a de encontrar uma editora. Em 2020, a Diretora da “Plumes
de Marmotte” contactou-a mostrando disponibilidade para editar a obra.
“A
minha língua mais natural é o francês, porque estudei em francês, porque quando
era professora ensinava o francês e tenho uma ligação muito forte ao francês,
gosto da língua, das suas dificuldades, mas claro que gostava que um dia
houvesse uma tradução em português” confessa Alexandra Vieira. Porque se o
livro explica aos franceses o que é o fado, “também poderia explicar aos
portugueses de Portugal das dificuldades que nós temos aqui no acesso à cultura
portuguesa. Não é fácil transmitir esta herança aos nossos filhos. Os meus
filhos, por exemplo, nasceram de pais portugueses, mas também franceses, e a
nossa língua natural não é o português. O português já é a língua natural da
bisavó deles”.
Mas
enquanto não surge uma edição em português de “Júlia Florista”, Alexandra
Vieira prepara-se para editar um segundo livro, que vai continuar no universo
da música, mas será, provavelmente, sobre jazz. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”
Nádia
Rebelo, aspirante fadista de Goa,
está preparada para marcar presença num concurso internacional de fado que terá
lugar em Portugal.
“O
melhor de tudo isto é que sou a única goesa e indiana a participar na
competição e a única não portuguesa. Isso me dá vontade de ganhar ainda mais a
competição”, diz Nádia Rebelo.
Ela
canta a Ave Maria Fadista – uma canção que evoca a bênção de Madre Maria sobre
os fadistas e os músicos.
Começou
a cantar aos 11 anos em pequenos concursos em Goa, e desde então ganhou o amor
pela música portuguesa e principalmente pelo fado.
“Desde
então tenho cantado fado tanto quanto possível e em várias casas portuguesas,
assim como lancei um CD com ‘covers’ de diversos fados e tento alargar os meus
horizontes. Fui incentivada a participar neste concurso pelo meu professor
Delfim Correia da Silva, que sempre me apoiou no meu percurso de artista”.
É
acompanhada por Franz Schubert Cotta na guitarra portuguesa e Siddharth Cota na
viola do fado. O vídeo do concurso foi filmado na sala de orações do Casarão
Figueiredo, casa património de Loutulim. In “O Século
de Joanesburgo” – África do Sul
Biografia
Nádia
Rebelo é natural de Goa (Índia), canta em estilos que vão do pop ao jazz.
Apaixonou-se pelo fado português e ganhou vários prémios em concursos como o
Vem Cantar (Concurso de Canção Portuguesa) e o Concurso do Fado.
Nádia
apresenta-se na Noite de Fado que decorre regularmente no Restaurante Alfama da
cidade de Goa Beach Resort, bem como noutros locais populares em Goa.
Foi
convidada a actuar no Dia Mundial de Goa no Porto em 2014, o que lhe deu a
oportunidade de cantar em várias Casas de Fado em Portugal. Nadia também se
apresentou ao lado do famoso fadista português Marco Rodrigues no Monte Music
Festival em 2013.
Lançou
o seu primeiro álbum intitulado ‘Fado Português’ em Outubro de 2015 pelas mãos
do cônsul-geral de Portugal em Goa, Rui Carvalho Baceira. Este álbum foi
produzido por Vera Rebelo e a música inclui Guitarra Portuguesa, Viola de Fado
e Tambor tocada por Franz Schubert Cotta.
Canta
bem o hino nacional português. Actuou na embaixada de Portugal de Delhi durante
a visita do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa à ìndia, nos fins do ano
passado.
O
Teatro Rival Refit, localizado no Centro do Rio de Janeiro, vai realizar, no
dia 17 de março, às 19h30, o espetáculo “Uma noite portuguesa”, com a
apresentação da fadista portuguesa Maria Alcina, radicada no Brasil. A
apresentação acontece como forma de “homenagear os 60 anos de carreira da
cantora, mostrar que a força da mulher está também no canto e, ainda, comemorar
o aniversário da fadista em palco”. No repertório, Maria Alcina promete cantar
o melhor do fado e garante que haverá espaço também para a música brasileira.
“As
minhas expectativas são as melhores possíveis. Espero que o Teatro Rival receba
um bom público, com muitos portugueses na plateia, porque, ultimamente, o fado
tem sido mais apreciado pelos brasileiros. O fado é muito amado no Brasil,
porém, não há divulgação desse estilo no País”, comentou Maria Alcina.
Para
a artista, todos esses anos dedicados ao fado guardam muitas recordações
positivas, como o facto de ter tido a oportunidade de conhecer, no âmbito
artístico, todos os estados brasileiros, além de ter mantido uma casa de fados
em Ipanema, onde cantava ao lado do cantor António Campos e onde recebia
grandes cantores brasileiros e portugueses, além de grupos folclóricos
portugueses e autoridades dos dois países.
Alcina
destaca ainda a digressão de um mês no Casino Estoril, em 1974, a atuação no
musical “Navegar é preciso”, ao lado do ator lusitano Tony Correia, bem como o
momento em que foi a primeira mulher a dar o famoso grito de saída da escola da
samba Unidos da Tijuca, em ritmo de fado, em 2002, na Marquês de Sapucaí, palco
do carnaval carioca.
Diversidade cultural
Para
os gestores do teatro, o concerto de Maria Alcina será uma boa maneira de
celebrar a riqueza da conexão musical entre Brasil e Portugal.
“Apesar
de ter o espírito carioca no seu ADN, o Teatro Rival Refit é uma casa sempre
aberta a todos os tipos de manifestações culturais e gêneros artísticos. A
cultura portuguesa influenciou profundamente a nossa cultura. Afinal de contas,
foi no Rio que a Corte Portuguesa se instalou, trazendo os seus costumes, os
seus hábitos, a sua gastronomia, os seus valores. A nossa música também recebeu
influência da música portuguesa. Um bom exemplo é o choro, gênero genuinamente
brasileiro, nascido da mistura da música erudita europeia – trazida pelos
portugueses – e dos batuques africanos – vindos com os escravizados. Herdamos
do sangue lusitano uma boa dose de lirismo – como já disse Chico Buarque na
canção “Fado tropical” –, esse lirismo tão presente no fado e que encontrou
abrigo no coração carioca. Então, a nossa expectativa em relação à apresentação
da grande Maria Alcina é a melhor possível. Será uma honra, uma felicidade e,
com certeza, um sucesso”, afirmaram os responsáveis pelo equipamento cultural.
“Agradeço
ao Teatro Rival pela oportunidade e pelo carinho em me homenagear com essa
apresentação”, finalizou a fadista.
Currículo reconhecido internacionalmente
Com
mais de 60 anos de carreira, Maria Alcina é considerada a Imperatriz do fado no
Brasil. Dona de uma voz potente, a cantora está profundamente ligada à
divulgação da cultura lusitana no Brasil e em outros países da América do Sul.
Maria
Alcina nasceu em 12 de março de 1939, na Aldeia de Cetos, concelho de Castro
Daire, distrito de Viseu, em Portugal. Mudou-se para o Brasil ainda jovem, com
apenas 15 anos de idade. No Rio de Janeiro, começou a cantar fado e fez do
estilo musical mais característico de Portugal uma autêntica forma de vida.
Durante
a sua vida artística, Alcina atuou com grandes nomes do fado, como Amália
Rodrigues e Carlos do Carmo. Cantou em casas no eixo Rio-São Paulo e teve a sua
própria casa de fados, “A Desgarrada”, na zona Sul carioca. Maria Alcina é
presença frequente em programas de televisão, radiofônicos e chegou a ter o seu
próprio programa de rádio. Lançou LPs, compactos, dois CDs, DVD e foi
protagonista, em 2015, do livro-reportagem “Maria Alcina, a força infinita do
Fado”, de autoria do jornalista luso-brasileiro Ígor Lopes.
A
fadista participou também em peças de teatro e foi personagem em documentários
premiados pelos críticos. É detentora de diversos prêmios e distinções.
Participou em telenovelas, minisséries e assinou a banda sonora de muitos
trabalhos televisivos.
Apaixonada
pelo Brasil, Alcina vive no Rio de Janeiro. É mãe de três filhas e viúva do empresário
português João Duarte.
Os
bilhetes podem ser adquiridos aqui. Igor
Lopes - BrasilIn “Mundo Lusíada”
A
Casa de Fado Maria Lisboa abriu suas portas no último dia 19, no modelo soft
opening, com uma programação muito especial.
O
Alma Lusitana, grupo residente da casa, dividiu o palco com a fadista
portuguesa Salomé Ferreira. A Maria Lisboa está localizada na Rua Olavo Bilac,
198, endereço que tradicionalmente recebe as edições do “Fado na Cidade Baixa”
uma vez por mês, nas tardes de domingo.
“Esta
é a primeira casa de fado do Rio Grande do Sul, e nosso objetivo é divulgar a
cultura portuguesa”, afirma a produtora cultural Edna Souza, proprietária do
espaço, juntamente com seu marido, o músico Jéferson Luz.
A
Maria Lisboa, além das noites de fado, terá uma extensa programação cultural,
com eventos ligados à literatura, à gastronomia e ao artesanato lusitano. A
casa também terá uma cafeteria temática.
De
acordo com Edna Souza e Jéferson Luz, durante os meses de janeiro e fevereiro,
a Maria Lisboa funcionará no modelo soft opening para que os ajustes em toda a
programação cultural e também na prestação de serviços sejam realizados. A
inauguração oficial do espaço está programada para março.
O
grupo Alma Lusitana, que lançou seu primeiro CD no segundo semestre deste ano,
é formado pela cantora Alana Pereira e pelos músicos Jéferson Luz, na guitarra
portuguesa, Diego Costa, no violão, e Maurício Montardo, no teclado.
Para
acompanhar a programação da Maria Lisboa, acesse o Facebook @marialisboafados. In “Mundo
Lusíada” - Brasil
O
jornal Latin American Herald Tribune escreveu sobre o instrumento
português criado para tocar fado
«O
raro cordófono tocado por apenas alguns eleitos foi uma criação de
Gilberto Grácio, que na década de 70 foi abordado pelo guitarrista
português Carlos Paredes para criar uma guitarra que tivesse o
intervalo necessário para poder acompanhar a guitarra no fado, uma
tradição que funde a poesia com a música», referem as primeiras
linhas do artigo
do jornal "Latin American Herald Tribune".
«Só
há três guitolãos no mundo e todos estão em Portugal: um no
Algarve, outro em Coimbra e o terceiro é o meu aqui em Castelo de
Vide» afirmou António Eustáquio, compositor e guitarrista, na
entrevista.
António
explicou que o guitolão é «um pouco mais largo que uma guitarra
portuguesa, porque o seu pescoço é mais longo, o que se significa
que tem de ser afinado de uma maneira particular e tocado de uma
forma específica».
O
artigo fala também do fado, das suas origens, da saudade e dos fãs
do guitolão. In
“Revista
Port. Com” - Portugal
Entre
diversas iniciativas, o fado assume popularidade em Goa na promoção da língua e
cultura portuguesas
Num país onde alguns milhares
ainda falam a língua portuguesa, o dedilhar das guitarras faz com que, para
além de falar, também se cante. O legado de Amália Rodrigues faz-se ouvir nas
noites tropicais de Goa, onde «a história do fado remonta há mais de um século
e tem vindo a ganhar enorme popularidade» afirmou Delfim Correia da Silva,
leitor do Camões - Instituto da Cooperação e Língua da Universidade de Goa (UG)
em entrevista à agência Lusa.
Pela voz Sónia Shirsat, de 38
anos, «a principal intérprete de fado e uma das mais dinâmicas na sua
promoção», de acordo com Delfim Silva, a canção património cultural e imaterial
da humanidade continua a viver e a inspirar «jovens que podem a breve trecho
seguir-lhe as pisadas», como é o exemplo de Nádia Rebelo, de 22 anos, mestre em
Estudos Portugueses pela UG.
Em 2014, o concerto de Cuca
Roseta no I Concurso de Fado na Kala Academy e no restaurante Alfama do Hotel
Cidade de Goa, «revelou-se decisivo para impulsionar o projeto de revitalizar o
fado», contou Delfim SIlva.
A inundar de música os poemas
da saudade, Orlando de Noronha e Franz Schubert Cotta acompanham,
respetivamente, Sónia e Nádia, a quem, entre outros, costumam juntar-se Allen
de Abreu, Carlos Menezes, Reiniel Costa Martins e Shiddarth Cotta.
O representante do Camões
explicou que «as artes performativas e o canto em particular permitem otimizar
as estratégias de aperfeiçoamento das competências da compreensão oral e da
interação e expressão oral, na aprendizagem do Português como língua
estrangeira (PLE)». Delfim Silva é também o responsável pelo Concurso de Fado
da Semana da Cultura Indo-Portuguesa apoiada pelo Camões, pelo Consulado Geral
de Portugal e pela Fundação Oriente.
O fado português está hoje
bastante integrado nos programas de Estudos Portugueses «como estratégia
didática para desenvolver as competências linguísticas e comunicativas no
contexto do ensino e aprendizagem do PLE» revelou Delfim, como é o caso do
bacharelato em Artes dos colégios de Goa, que inclui a disciplina “Reading, Listening
and Signing the Fado” (ler, ouvir e assinar o fado, em português).
O projeto "Fado de Goa", um dos
principais patrocinadores do Concurso de Fado, tornou-se, em 2017, uma
iniciativa decisiva «para manter e aumentar a popularidade» do fado na região.
No âmbito deste projeto, concertos e outras ações de promoção do fado foram
feitas, algumas delas sob orientação de Sónia Shirsat, artista de estatuto
internacional que, quando cantou fado pela primeira vez, fê-lo «sem
praticamente saber falar português» realçou Delfim Silva.
A Companhia de Teatro da
Universidade de Goa foi premiada a dobrar no Midas Trophy 2018, no estado de
Maharashtra, «em grande medida devido à magistral interpretação de trechos» dos
imortais hinos “Chuva” de Mariza e “Fado Português” de Amália, cantados numa
adaptação do “Auto da Índia” de Gil Vicente. In
“Mundo Português” - Portugal
Galiza, Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Macau… No Grandes Vozes
estamos sempre dispostos a ir além para conhecer culturas através do nosso
maior elemento de união: a língua. Depois de três temporadas, no nosso programa
70 conseguimos finalmente pagar uma antiga dívida e chegar à Índia. Nesta
semana esteve connosco a fadista Sonia Shirsat, uma artista de reconhecido
prestígio que já levou aos palcos de meio mundo a cultura da cidade do Goa. A
Sonia é uma das artistas que melhor representa o espírito do nosso programa;
uma verdadeira ponte musical entre as culturas tradicionais indianas. Através
da sua música no nosso idioma poderemos conhecer também a produção musical na
língua original de Goa, o concani, e tradições nascidas do encontro entre
povos.
Sonia Shirsat, muito boa tarde! É um
grandíssimo prazer poder conversar consigo.
Obrigada, igualmente.
Vou-lhe apresentar o meu companheiro
Edilson.
[Edilson]. Sonia, boa tarde.
Olá!
Já sabemos que aí é de noite.
Diga-nos, que horas são aí exatamente?
Aqui faltam 10 minutos para meia-noite.
Agradecemos especialmente que tenha
atendido o nosso telefonema hoje que está a trabalhar. Onde irá atuar esta
noite?
Hoje atuei na capital de Goa, em Pangim.
A Sonia chegou ao mundo do fado de
forma quase casual. Como foi a sua tomada de contacto com a música na nossa
língua?
Em casa da minha mãe, a família falava
português; a mamã e a avó gostavam muito do fado. A mamã cantava em casa e eu
ouvia em casa e adorava, mas tentei cantar em português só com a idade de 23
anos.
Continua no mundo da docência ou a
música ocupa totalmente toda a sua vida?
Principalmente agora é só a música. A
maioria do meu trabalho é só fado, mas além do fado canto outras coisas. Deixei
de ensinar no colégio, mas qualquer dia volto.
Para além de cantar em português,
também canta em outras línguas. Quais são?
Já cantei em 14 línguas, mas falo só
6: inglês, português, francês, hindi, concani de Goa e marati, entre outras
línguas da Índia.
O que apareceu antes na sua vida? O
fado na nossa língua ou a música em concani.
É claro que foi a música em concani,
porque é a língua da terra. Cantava em concani, em inglês e na língua nacional
hindi também. Também já cantei em francês antes de cantar em português.
A Sonia recebeu em 2016 um
prestigioso prémio: o Yuva Puraskar. Diga-nos, o que é esse prémio?
Esse foi um prémio nacional, dado pelo
Estado. Yuva quer dizer “jovens”, portanto é a categoria correspondente aos
cantores com menos de 40 anos. Concedem este prémio em várias categorias:
dança, teatro, música tradicional e folclore… Eu ganhei o prémio nesta
categoria, dado que o fado é música tradicional e música folque. Para mim foi
muito importante o facto de ter recebido um prémio nacional mesmo sem se tratar
de uma língua nem um estilo espalhados pela Índia inteira, pois cantamos fados
e falamos português em Goa, que é um estado pequenino do país.
Além deste prémio, também ganhou
outro à melhor cantora pela Academia de Tiatr de Goa. Explique-nos o que é o Tiatr.
Tiatr é teatro. Nós em Goa temos um teatro
em língua concani, que faz parte da cultura portuguesa. É muito parecido com o
teatro de revista, um teatro que a gente escreve que trata de temas correntes,
de coisas que estão a acontecer na política do mundo inteiro. Este teatro
inclui cantigas no meio e nestes intervalos é que eu cantei e na Academia de
Teatro de Goa deram-me o prémio na categoria “Melhor cantora”. Ganhei este
prémio dois ou três anos já.
A sua primeira participação num
disco na nossa língua foi o álbum Lisgoa de António Chaínho.
Como foi trabalhar com o mestre português?
Foi um prazer, o mestre António Chaínho é
uma joia. Conheci o mestre cá em Goa quando veio ensinar a tocar a guitarra
portuguesa. Naquela altura eu não falava português, foi no ano 2004 ou 2005.
Cantei um fado, gostou muito e desde então trabalhei muito com ele em Lisboa e
cá em Goa. Quando o mestre pensou em fazer este projeto, Lisgoa,
junção de Lisboa e de Goa, pediu-me para cantar umas coisas e foi um grande
prazer.
Em 2010 publicou o primeiro álbum a
solo, Saudades de Fado. Como foi o acolhimento?
Saudados de Fado foi um álbum que gravei
em Lisboa, com guitarristas de lá. Foi o primeiro álbum do estado lançado em
Goa e logo foi esgotado. A editora já vendeu tudo e acabou, tínhamos de fazer
mais CDs para a venda. Em Goa as pessoas que falam português gostam de comprar,
de dar como presente de Natal, e foi muito bem sucedido,
A Sonia já quase atuou em todo o
mundo: Portugal, Luxemburgo, França, Kuwait, Reino Unido… Quando é que a vamos
poder ver de novo em Europa?
Para este ano ainda não tenho nada marcado
em Europa, são mais concertos na Índia. Espero que possa voltar a Lisboa, à
Alfamae a outros países da Europa para cantar o fado. Ainda não marquei
nada.
Como foi o concerto desta noite?
Foi ótimo. Foi um grupo de pessoas de Nova
Delhi, da capital da Índia, que queria conhecer o fado. São pessoas que não têm
ligação com Goa nem com o mundo português de cá, mas já viajaram e conheceram
Lisboa. Gostaram do fado e gostaram do facto de nós termos fado cá em Goa.
Para além do fado, que outros tipos
de músicas tocou?
Hoje foi só fado.
Qual foi o repertório?
Foi uma mistura de fados antigos, fados da
Amália, e de fadistas novas, como Raquel Tavares, Katia Guerreiro, Carminho…
Além disso também cantei dois fados originais meus que amigos de Lisboa
escreveram para mim.
Cantaste numa língua ou em várias?
Tudo em português.
A todas as pessoas que passam pelo
nosso programa, pedimos sugestões musicais na nossa língua. Quais são as suas
preferências?
Para mim é sempre fado.
Sonia, foi um verdadeiro prazer
poder conversar consigo. Muito obrigado, muita sorte. Deixamo-la com a sua
música.