Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Portugal – Guitolão o instrumento português de cordas criado para tocar fado

O jornal Latin American Herald Tribune escreveu sobre o instrumento português criado para tocar fado


«O raro cordófono tocado por apenas alguns eleitos foi uma criação de Gilberto Grácio, que na década de 70 foi abordado pelo guitarrista português Carlos Paredes para criar uma guitarra que tivesse o intervalo necessário para poder acompanhar a guitarra no fado, uma tradição que funde a poesia com a música», referem as primeiras linhas do artigo do jornal "Latin American Herald Tribune".


«Só há três guitolãos no mundo e todos estão em Portugal: um no Algarve, outro em Coimbra e o terceiro é o meu aqui em Castelo de Vide» afirmou António Eustáquio, compositor e guitarrista, na entrevista.


António explicou que o guitolão é «um pouco mais largo que uma guitarra portuguesa, porque o seu pescoço é mais longo, o que se significa que tem de ser afinado de uma maneira particular e tocado de uma forma específica».


O artigo fala também do fado, das suas origens, da saudade e dos fãs do guitolão. In “Revista Port. Com” - Portugal

sábado, 16 de março de 2019

Goa - Fado promove língua e cultura portuguesas

Entre diversas iniciativas, o fado assume popularidade em Goa na promoção da língua e cultura portuguesas

Num país onde alguns milhares ainda falam a língua portuguesa, o dedilhar das guitarras faz com que, para além de falar, também se cante. O legado de Amália Rodrigues faz-se ouvir nas noites tropicais de Goa, onde «a história do fado remonta há mais de um século e tem vindo a ganhar enorme popularidade» afirmou Delfim Correia da Silva, leitor do Camões - Instituto da Cooperação e Língua da Universidade de Goa (UG) em entrevista à agência Lusa.

Pela voz Sónia Shirsat, de 38 anos, «a principal intérprete de fado e uma das mais dinâmicas na sua promoção», de acordo com Delfim Silva, a canção património cultural e imaterial da humanidade continua a viver e a inspirar «jovens que podem a breve trecho seguir-lhe as pisadas», como é o exemplo de Nádia Rebelo, de 22 anos, mestre em Estudos Portugueses pela UG.

Em 2014, o concerto de Cuca Roseta no I Concurso de Fado na Kala Academy e no restaurante Alfama do Hotel Cidade de Goa, «revelou-se decisivo para impulsionar o projeto de revitalizar o fado», contou Delfim SIlva.

A inundar de música os poemas da saudade, Orlando de Noronha e Franz Schubert Cotta acompanham, respetivamente, Sónia e Nádia, a quem, entre outros, costumam juntar-se Allen de Abreu, Carlos Menezes, Reiniel Costa Martins e Shiddarth Cotta.

O representante do Camões explicou que «as artes performativas e o canto em particular permitem otimizar as estratégias de aperfeiçoamento das competências da compreensão oral e da interação e expressão oral, na aprendizagem do Português como língua estrangeira (PLE)». Delfim Silva é também o responsável pelo Concurso de Fado da Semana da Cultura Indo-Portuguesa apoiada pelo Camões, pelo Consulado Geral de Portugal e pela Fundação Oriente.

O fado português está hoje bastante integrado nos programas de Estudos Portugueses «como estratégia didática para desenvolver as competências linguísticas e comunicativas no contexto do ensino e aprendizagem do PLE» revelou Delfim, como é o caso do bacharelato em Artes dos colégios de Goa, que inclui a disciplina “Reading, Listening and Signing the Fado” (ler, ouvir e assinar o fado, em português).

O projeto "Fado de Goa", um dos principais patrocinadores do Concurso de Fado, tornou-se, em 2017, uma iniciativa decisiva «para manter e aumentar a popularidade» do fado na região. No âmbito deste projeto, concertos e outras ações de promoção do fado foram feitas, algumas delas sob orientação de Sónia Shirsat, artista de estatuto internacional que, quando cantou fado pela primeira vez, fê-lo «sem praticamente saber falar português» realçou Delfim Silva.

A Companhia de Teatro da Universidade de Goa foi premiada a dobrar no Midas Trophy 2018, no estado de Maharashtra, «em grande medida devido à magistral interpretação de trechos» dos imortais hinos “Chuva” de Mariza e “Fado Português” de Amália, cantados numa adaptação do “Auto da Índia” de Gil Vicente. In “Mundo Português” - Portugal


Ouça na ligação a voz de Sonia Shirsat:


sábado, 10 de março de 2018

Lusofonia – Vamos ouvir fado desde Goa

Galiza, Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Macau… No Grandes Vozes estamos sempre dispostos a ir além para conhecer culturas através do nosso maior elemento de união: a língua. Depois de três temporadas, no nosso programa 70 conseguimos finalmente pagar uma antiga dívida e chegar à Índia. Nesta semana esteve connosco a fadista Sonia Shirsat, uma artista de reconhecido prestígio que já levou aos palcos de meio mundo a cultura da cidade do Goa. A Sonia é uma das artistas que melhor representa o espírito do nosso programa; uma verdadeira ponte musical entre as culturas tradicionais indianas. Através da sua música no nosso idioma poderemos conhecer também a produção musical na língua original de Goa, o concani, e tradições nascidas do encontro entre povos.



Sonia Shirsat, muito boa tarde! É um grandíssimo prazer poder conversar consigo.

Obrigada, igualmente.

Vou-lhe apresentar o meu companheiro Edilson.
[Edilson]. Sonia, boa tarde.

Olá!

Já sabemos que aí é de noite. Diga-nos, que horas são aí exatamente?

Aqui faltam  10 minutos para meia-noite.

Agradecemos especialmente que tenha atendido o nosso telefonema hoje que está a trabalhar. Onde irá atuar esta noite?

Hoje atuei na capital de Goa, em Pangim.

A Sonia chegou ao mundo do fado de forma quase casual. Como foi a sua tomada de contacto com a música na nossa língua?

Em casa da minha mãe, a família falava português; a mamã e a avó gostavam muito do fado. A mamã cantava em casa e eu ouvia em casa e adorava, mas tentei cantar em português só com a idade de 23 anos.

Continua no mundo da docência ou a música ocupa totalmente toda a sua vida?

Principalmente agora é só a música. A maioria do meu trabalho é só fado, mas além do fado canto outras coisas. Deixei de ensinar no colégio, mas qualquer dia volto.

Para além de cantar em português, também canta em outras línguas. Quais são?

Já cantei em  14 línguas, mas falo só 6: inglês, português, francês, hindi, concani de Goa e marati, entre outras línguas da Índia.

O que apareceu antes na sua vida? O fado na nossa língua ou a música em concani.

É claro que foi a música em concani, porque é a língua da terra. Cantava em concani, em inglês e na língua nacional hindi também. Também já cantei em francês antes de cantar em português.

A Sonia recebeu em 2016 um prestigioso prémio: o Yuva Puraskar. Diga-nos, o que é esse prémio?

Esse foi um prémio nacional, dado pelo Estado. Yuva quer dizer “jovens”, portanto é a categoria correspondente aos cantores com menos de 40 anos. Concedem este prémio em várias categorias: dança, teatro, música tradicional e folclore… Eu ganhei o prémio nesta categoria, dado que o fado é música tradicional e música folque. Para mim foi muito importante o facto de ter recebido um prémio nacional mesmo sem se tratar de uma língua nem um estilo espalhados pela Índia inteira, pois cantamos fados e falamos português em Goa, que é um estado pequenino do país.

Além deste prémio, também ganhou outro à melhor cantora pela Academia de Tiatr de Goa. Explique-nos o que é o Tiatr.

Tiatr é teatro. Nós em Goa temos um teatro em língua concani, que faz parte da cultura portuguesa. É muito parecido com o teatro de revista, um teatro que a gente escreve que trata de temas correntes, de coisas que estão a acontecer na política do mundo inteiro. Este teatro inclui cantigas no meio e nestes intervalos é que eu cantei e na Academia de Teatro de Goa deram-me o prémio na categoria “Melhor cantora”. Ganhei este prémio dois ou três anos já.

A sua primeira participação num disco na nossa língua foi o álbum Lisgoa de António Chaínho. Como foi trabalhar com o mestre português?

Foi um prazer, o mestre António Chaínho é uma joia. Conheci o mestre cá em Goa quando veio ensinar a tocar a guitarra portuguesa. Naquela altura eu não falava português, foi no ano 2004 ou 2005. Cantei um fado, gostou muito e desde então trabalhei muito com ele em Lisboa e cá em Goa. Quando o mestre pensou em fazer este projeto, Lisgoa, junção de Lisboa e de Goa, pediu-me para cantar umas coisas e foi um grande prazer.

Em 2010 publicou o primeiro álbum a solo, Saudades de Fado. Como foi o acolhimento?

Saudados de Fado foi um álbum que gravei em Lisboa, com guitarristas de lá. Foi o primeiro álbum do estado lançado em Goa e logo foi esgotado. A editora já vendeu tudo e acabou, tínhamos de fazer mais CDs para a venda. Em Goa as pessoas que falam português gostam de comprar, de dar como presente de Natal, e foi muito bem sucedido,

A Sonia já quase atuou em todo o mundo: Portugal, Luxemburgo, França, Kuwait, Reino Unido… Quando é que a vamos poder ver de novo em Europa?

Para este ano ainda não tenho nada marcado em Europa, são mais concertos na Índia. Espero que possa voltar a Lisboa, à Alfama e a outros países da Europa para cantar o fado. Ainda não marquei nada.

Como foi o concerto desta noite?

Foi ótimo. Foi um grupo de pessoas de Nova Delhi, da capital da Índia, que queria conhecer o fado. São pessoas que não têm ligação com Goa nem com o mundo português de cá, mas já viajaram e conheceram Lisboa. Gostaram do fado e gostaram do facto de nós termos fado cá em Goa.

Para além do fado, que outros tipos de músicas tocou?

Hoje foi só fado.

Qual foi o repertório?

Foi uma mistura de fados antigos, fados da Amália, e de fadistas novas, como Raquel Tavares, Katia Guerreiro, Carminho… Além disso também cantei dois fados originais meus que amigos de Lisboa escreveram para mim.

Cantaste numa língua ou em várias?

Tudo em português.

A todas as pessoas que passam pelo nosso programa, pedimos sugestões musicais na nossa língua. Quais são as suas preferências?

Para mim é sempre fado.

Sonia, foi um verdadeiro prazer poder conversar consigo. Muito obrigado, muita sorte. Deixamo-la com a sua música.

Obrigada, foi um grande prazer!

In "Grandes Vozes" - Galiza


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

UCCLA - Lançamento do álbum “Correntes”













Terá lugar dia 16 de fevereiro, pelas 17h30, o lançamento do álbum “Correntes” do grupo Modus de Fado, numa iniciativa conjunta da UCCLA e da Chá de Caxinde. O evento decorrerá nas instalações da UCCLA, em Lisboa.

O grupo Modus de Fado é composto por guitarra, viola, viola baixo e voz. Musicalmente situa-se na área do Fado onde assume, para além de todo um repertório praticado nos meios fadistas, um vasto repertório inédito. Modus de Fado é a revisitação da memória do fado de Lisboa no seu diálogo com o mundo. UCCLA

A entrada é livre.

Morada:
Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa
Autocarros e Elétrico (Rua da Junqueira): 15E, 18E, 714, 727, 728, 729 e 751
Comboio: Estação de Belém
Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W

domingo, 13 de março de 2016

Brasil - O fado que chegou ao Amazonas

Eis aqui a saga heróica de um tripeiro que salvou um bucheiro, uma criança que se afogava no rio Negro, mergulhando em suas águas profundas, com risco da própria vida.



















Colunista conta a ocorrência de um ato heróico
“Este meu Porto tripeiro / berço de tantos heróis
viu uma nesga do rio / e quis o resto depois”.
Fado cantado por Maravalhas (1927-2016)



Desocupado leitor, eis aqui a saga heroica de um tripeiro que salvou um bucheiro, uma criança que se afogava no rio Negro, mergulhando em suas águas profundas, com risco da própria vida. Bucheiro, em “amazonês”, é quem nasce em São Raimundo, bairro que sedia o Matadouro Municipal de Manaus. Tripeiro designa, em “portoguês”, os nativos da região do Porto, norte de Portugal – berço de tantos heróis entre os quais D. Henrique, o Infante Navegador e José Fernandes Gomes Novo, o Maravalhas, cuja missa de sétimo dia foi celebrada na passada quinta-feira (18).

O nosso herói nasceu em Póvoa de Varzim, mas viveu ali pertinho, no Porto, onde bebia vinho e comia tripa de vitela com chouriço e toucinho. Até que um dia, em 1946, viu uma nesga do rio Douro, cruzou a Ponte das Barcas que liga as suas duas margens e quis o resto. Pegou um navio e mudou de mala e cuia para Manaus às margens do rio Negro. Trazia na bagagem seus 19 anos, uma bela voz de cantor de fados e o apelido com vários significados – apara de madeira, cavaco, pau pequeno – mas o nome Maravalhas – acreditem – se inspirou na lasca da madeira serrada na oficina de carpintaria onde trabalhou ainda menino, o que descarta qualquer especulação maledicente.

Marias Papoilas

Há outra versão. O apelido – diz seu compadre José Campos – é antigo e tradicional, vem de longe, da família, o que é confirmado na tese “Imprensa, Política e Etnicidade: portugueses letrados na Amazônia (1885-1936)” defendida por Geraldo Sá Peixoto Pinheiro na Universidade do Porto, em 2011. A tese reproduz carta ao etnógrafo Geraldo de Macedo Pinheiro de 1º de julho de 1958 enviada pelo poeta poveiro Admário Maravalhas, mencionando Antônio Maravalhas e outros pescadores e catraieiros poveiros que migraram para Manaus muito antes, em 1888.

Conheci o nosso Maravalhas no bairro de Aparecida, palco de tudo o que aconteceu no mundo ou ainda vai acontecer. Ele morava na Bandeira Branca e trabalhava com o pai, responsável pela atracação dos navios no Ródo, o porto de Manaus. Quando o navio apitava, os dois iam ao seu encontro, o amarravam a um motor com um cabo de aço, rebocando-o até o cais. No fim de semana, porém, Maravalhas era poeta, cantor e artista. Cantava fados na Rádio Baré e no Luso Sporting Club, do qual foi diretor, e onde disputava o título de melhor ator com João Bosco Araújo, o cão do Luso.















O sucesso como fadista gerou convites de outros clubes: Olímpico, Ideal, Rio Negro, Sheik, Maloca dos Barés e do grupo de danças folclóricas lusas do comandante Ventura, que se apresentou no Teatro Amazonas com as marias papoilas – Regina, Helena, Angela e Stella – as filhas da mãe, que por acaso compartilham comigo a mesma genitora, dona Elisa. Elas dançavam e cantavam com Fátima Buchinho, Neide Toscano, Mário Toledo e outros. Gina se lembra como se fosse hoje o Maravalhas cantando Marinheiro português:

Lá vão elas / naus do infante a navegar / Brilha a luz das caravelas / Sobre as ondas do mar.

Solidariedade tripal

– Durante a semana, Maravalhas era trabalhador braçal, mas aos domingos, quando não jogava futebol pelo Olímpico, vestia terno de linho branco, gravata e chapéu panamá e ia passear no Ródo, o shopping da época – conta o ex-prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB). Foi justamente num desses passeios na companhia do pintor Moacir Andrade, também morador de Aparecida, que Maravalhas mostrou seu heroísmo numa tarde quente do ano de mil novecentos e cinquenta e lá vai poeira.













Nesse dia, os irmãos Pedro, Paulo e Kid Queiroz flanavam pelo Ródo com família e amigos bucheiros para comemorar a primeira comunhão de várias crianças, quando uma delas – Jurandir ou Irandir – escorregou, caiu na água e desapareceu. Todo mundo gritou diante da iminente tragédia e, de repente, o tripeiro Maravalhas, honrando a tradição heroica de além-mar, num gesto generoso de solidariedade tripal, pulou no rio com chapéu e tudo, mergulhou e resgatou o bucheirinho são e salvo. Trouxe-o nos braços e quando vinha subindo a escada lateral, o pintor Moacir puxou um coro:

– Viva Maravalhas, o nosso herói!

Um herói ensopado, com o terno de casemira inglesa estragado, o chapéu perdido no fundo do rio e os sapatos de camurça com sola grossa avariados. Alguém perguntou por que não havia, pelo menos, tirado o chapéu e os sapatos antes de se atirar no rio. Sorriu sem graça, entregou o garoto aos pais, enquanto a multidão aplaudia e Moacir Andrade continuava berrando:

– Herói, herói!

Foi ai que ele se aproximou do Moacir e lhe disse bem baixinho:

– Herói é o c’ralho! Quem foi o filho da puta que me empurrou no rio? Eu ia salvar o garoto, não precisava me empurrar, seu porra.
























Há testemunhas de que quem empurrou foi mesmo o Moacir, que está vivinho da silva e pode dar a sua versão. De qualquer forma, por esse e outros feitos, Maravalhas recebeu o título de Cidadão do Amazonas concedido pela Assembleia Legislativa por iniciativa do deputado Maneca, numa sessão em que o agraciado, em vez de discurso, abriu o vozeirão para cantar seu fado preferido “Foi Deus”, da Amália Rodrigues, que faria inveja ao António Zambujo:

Fez poeta o rouxinol / Pôs no campo o alecrim / Deu as flores à Primavera /Aaaaaaaaaai, deu-me esta voz a mim.

Depois da sessão convidou o distinto público para comer um senhor bacalhau e tripas à moda do Porto no bairro de Aparecida, onde sempre morou, ultimamente num prédio que construiu na rua Alexandre Amorim.

Casado com dona Alice, teve três filhos: Constância, médica, reside em São Paulo; Frank, administrador de empresa, ficou em Manaus; Izabel, psicóloga, mora agora em Póvoa de Varzim, com quem ele foi passar o carnaval e revisitar o seu torrão natal. Recolheu seus passos, olhou a nesga do rio e cruzou de volta, pela última vez, a ponte sobre o Douro. No dia 11 de fevereiro, deu adeus ao Porto tripeiro e morreu aos 89 anos na cidade onde nasceu. Faz parte da migração lusitana que se acabocou, que nos ensinou a amar o melhor de Portugal e que nos deixa saudosos. O bairro de Aparecida perde seu herói. Ele ia pular. Não precisava o Moacir empurrar.

P.S. Minhas dispersas lembranças foram reavivadas por Serafim Corrêa e por seu Campos da Usina de Beneficiamento de Castanha dos Benzecry, em Educandos. Ele e dona Creusa, de quem Maravalha, padrinho de Fátima, é compadre, foram entrevistados pelo Tuta e Regininha, a quem agradeço, assim como às marias papoilas que trouxeram histórias, fotos e música. Ao Geraldo Pinheiro, a brilhante tese é sempre uma fonte de consulta. Bessa Freire – Brasil in “Direto da Redação”



José Ribamar Bessa Freire, professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de doutorado e mestrado e da Faculdade de Educação da UERJ, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indigenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO) e edita o site-blog Taqui Pra Ti. Tem mestrado em Paris e doutorado no Rio de Janeiro. É colunista do novo Direto da Redação.


Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

domingo, 7 de outubro de 2012

Fado


Canto o fado

Há para o sofrimento
um bom remédio, afinal
é cantar e no momento
ninguém se lembra do mal

Não custa mesmo nada
tentem fazer como eu
uma guitarra afinada
uma voz bem timbrada
e a tudo esqueceu

Quando a tristeza me invade
canto o fado
se me atormenta a saudade
canto o fado
haja ciúme à vontade
canto o fado

Por uma esperança perdida
não passo na vida
por um mau bocado
se acaso a sorte o esqueceu
é fazer como eu
deixo andar, canto o fado

Não é que não me interesse
a quem à dor não resiste
mas há gente que parece
até gosta de andar triste

Tem sempre um ar fatal
a que ninguém o obriga
mas nesta vida, afinal
vendo bem nada vale
mais do que uma cantiga

João Nobre - Portugal