Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 10 de maio de 2026

Europa - Português à BeNeLux: Coordenação do Ensino inova nas redes sociais

A Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos (CEPE BeNeLux) assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, com o lançamento da rubrica “Português à BeNeLux”, uma nova iniciativa pedagógica dedicada à forma como o português é falado, usado e transformado pelas comunidades lusófonas nestes três países


Nascida do trabalho desenvolvido nos cursos de Língua e Cultura Portuguesas, a rubrica envolve alunos e docentes do 3.º ciclo e do ensino secundário e pretende dar visibilidade à diversidade intralinguística do português, ao contacto entre línguas e às múltiplas realidades linguísticas existentes no espaço BeNeLux.

Com periodicidade semanal e divulgação nas redes sociais da CEPE BeNeLux, “Português à BeNeLux” propõe conteúdos curtos, acessíveis e dinâmicos, focados em expressões do quotidiano, sotaques, fenómenos de mistura linguística, mini-aulas explicativas, testemunhos e referências culturais. O objetivo é espelhar práticas reais de comunicação em português e mostrar a presença efetiva da língua nas comunidades de Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos, disse ao Bom Dia, Mónica Bastos, coordenadora do ensino de português nos três países.

Para além da dimensão cultural e identitária, o projeto assume um forte propósito pedagógico, promovendo competências de oralidade – fluência, clareza discursiva e adequação da linguagem a diferentes contextos – através da participação ativa dos alunos enquanto produtores de conteúdos.

A rubrica conta com o apadrinhamento do linguista e escritor Marco Neves, cuja colaboração contribui para o enquadramento conceptual e para o aprofundamento da reflexão sobre variação linguística e usos contemporâneos do português.

Com esta iniciativa, a CEPE BeNeLux reforça o compromisso com a valorização da língua portuguesa, a promoção da diversidade linguística e o reconhecimento do papel das comunidades lusófonas na construção de um português plural, vivo e em constante movimento.

O vídeo de lançamento de “Português à BeNeLux”, produzido no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, já está disponível nas páginas oficiais da Coordenação do Ensino Português no BeNeLux no Facebook e no Instagram, onde serão igualmente publicados, nas próximas semanas, os conteúdos da nova rubrica. Acompanhar estas plataformas é, sublinha a CEPE, uma forma de conhecer de perto o trabalho de alunos e docentes e de descobrir como o português se vive e se transforma no BeNeLux. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 8 de junho de 2025

Luxemburgo - Luso Academy abre inscrições para o novo ano letivo

Estão oficialmente abertas as inscrições para o ano letivo 2025/2026 na Luso Academy, em Esch-sur-Alzette, no Luxemburgo. A escola, que aposta na valorização da língua e cultura portuguesas através da música, convida crianças e jovens da comunidade lusófona a aprender instrumentos como guitarra, piano, violino e viola d’arco


As aulas de instrumento decorrem presencialmente, permitindo um acompanhamento individualizado por parte dos professores. Já as aulas de teoria musical são online, reunindo alunos de diferentes polos da Luso Academy espalhados pela Europa, promovendo assim o intercâmbio cultural entre jovens músicos da diáspora portuguesa.

As inscrições podem ser feitas através do sítio oficial da escola (www.lusoacademy.co.uk) ou diretamente no formulário disponível em: forms.gle/rsQg4U157xycS6Er9.

Fundada em 2012, em Londres, a Luso Academy tem como missão promover o ensino da música em português junto das comunidades emigrantes, utilizando a arte como elo de ligação entre gerações e como veículo de preservação da identidade cultural. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Costa Rica - Celebra língua portuguesa com poesia

No passado dia 6 de maio, a Faculdade de Letras da Universidade da Costa Rica foi palco de uma celebração especial do Dia Mundial da Língua Portuguesa, marcada por uma maratona de leitura que uniu estudantes, professores e representantes da comunidade lusófona



A sessão teve início com o emblemático soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís de Camões, numa homenagem ao poeta português. Seguiram-se leituras de poemas e excertos literários de autores dos diversos países de língua portuguesa. Entre os destaques esteve a leitura de um poema da escritora brasileira Adélia Prado, recentemente distinguida com o Prémio Camões 2024.

Depois o ambiente literário deu lugar à música, com um momento em que uma participante desafiou o Conselheiro Cultural da Embaixada do Brasil a interpretar a canção “Águas de Março”, de Tom Jobim.

Para encerrar a tarde dedicada à palavra e à partilha cultural, foram distribuídos livros aos participantes, num gesto simbólico que reforça a leitura como uma ponte entre povos e identidades. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 30 de maio de 2024

Brasil - Atribuiu quase 3950 autorizações de residência e 837 vistos temporários CPLP

Autorizações de residência só podem ser pedidas por nacionais da CPLP que já estejam no Brasil. Os vistos temporários CPLP duram um ano e estão abertos a estudantes, desportistas e empresários

O Brasil atribuiu 3947 autorizações de residência CPLP entre setembro de 2023, quando entraram em vigor no país as modalidades de vistos da comunidade lusófona, e março deste ano, e 837 vistos temporários até maio, segundo dados oficiais.

De acordo com os dados da Polícia Federal do Brasil, facultados à Lusa pela missão diplomática deste país junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde a publicação da portaria interministerial 40/2023, de setembro do ano passado, até março deste ano, o país emitiu 3947 autorizações de residência, a maior parte das quais passadas a cidadãos angolanos, ou seja, 2396.

Em segundo lugar, durante igual período, ficaram os cidadãos da Guiné-Bissau, aos quais foram atribuídas 873 autorizações de residência CPLP no Brasil.

Aos portugueses, o Brasil concedeu 393 autorizações de residência CPLP e a moçambicanos 118. Quanto a autorizações de residência passadas aos cabo-verdianos, a Polícia Federal brasileira regista naquele período 110 vistos CPLP.

Para os nacionais de São Tomé e Príncipe, há registo de apenas 45 autorizações de residência CPLP concedidas pelo Brasil e para cidadãos oriundos da Guiné Equatorial 11. Naquele período, só não há registo de autorizações de residência passadas a timorenses.

Já os vistos temporários CPLP, passados por um período de um ano, segundo dados globais do Ministério da Justiça do Brasil, a que a Lusa teve acesso pelo Ministério das Relações Exteriores do país (Itamaraty), só nos últimos quatro meses de 2023 atingiram um total de 344. Mas até maio deste ano, o Brasil emitiu mais 493 registos, atingindo um total de 837 vistos temporários CPLP.

A portaria interministerial 40, do Ministério da Justiça e do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, de 1 de setembro de 2023, é o diploma que regula a concessão dos vistos temporários e autorizações de residência a nacionais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no âmbito do Acordo de Mobilidade aprovado e assinado entre os nove Estados-Membros daquela organização na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, que decorreu a 17 de julho de 2022 em Luanda, ou seja, “Visto de Residência CPLP” e “Residência CPLP”.

De acordo com o diploma, o Estado brasileiro concede os vistos temporários por um ano para professores, investigadores, empresários, agentes culturais, desportistas e estudantes, no âmbito de programas de intercâmbio reconhecidos pelo país de origem e o Estado de acolhimento.

Este visto temporário é concedido, exclusivamente, pelas Embaixadas do Brasil situadas em Luanda, Praia, Bissau, Malabo, Maputo, São Tomé e Díli, e pelos Consulados-Gerais do Brasil situados nas cidades portuguesas de Lisboa, Faro e Porto.

O requerimento de visto temporário deve ser apresentado à autoridade consular acompanhado, entre outros documentos, de atestado de antecedentes criminais passado pelo país de residência relativo aos últimos cinco anos e o comprovativo de meios de subsistência.

Já a autorização para residência só está ao alcance dos nacionais de Estados-membros da CPLP que já se encontrem em território brasileiro, independentemente da condição migratória em que tenham entrado no território brasileiro, e deve ser pedido numa unidade da Polícia Federal brasileira.

Mas, também o imigrante que solicita a autorização de residência no Brasil tem de ter o cadastro criminal limpo e provar que dispõe dos meios necessários de subsistência, entre outros critérios exigidos.

A autorização de residência CPLP passada pelo Brasil tem a duração inicial de dois anos.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP. InObservador” – Portugal com “Lusa”


quarta-feira, 29 de maio de 2024

Macau - ARTM apresenta exposição com artistas da comunidade lusófona na galeria “Hold On to Hope”

Múltiplas visões no trajecto das origens. A exposição “Traçando Raízes Portuguesas” inaugura este domingo na Galeria Hold On to Hope. Uma organização da ARTM que reúne renomados artistas da comunidade lusófona, numa celebração à identidade partilhada através da língua e das tradições. Parte do programa de eventos e actividades do “Junho, Mês de Portugal” dará início à sua cerimónia de abertura às 16h na Vila de Nossa Senhora, em Ká-Hó


A Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) apresenta uma nova colecção de obras, de artistas residentes em Macau, com ascendência portuguesa ou com ligação à comunidade lusófona. A exposição leva o nome “Traçando Raízes Portuguesas” e pretende divulgar as diferentes visões dos artistas sobre esta identidade e a relação que têm com o espaço em que convivem, o território multicultural que é Macau.

O projecto “Hold On to Hope Project” tem vindo a organizar múltiplas intervenções culturais e projectos sociais no espaço da antiga leprosaria de Ká-Hó. As várias casas em estilo colonial, em tempos, acomodaram a primeira instituição na Ásia direccionada ao tratamento de vítimas de lepra, sob o sistema médico ocidental, estabelecida em 1568 por Melchior Carneiro. Após a restauração das cinco casas amarelas, bem como da Igreja da Nossa Senhora das Dores, os novos espaços encontram-se agora abertos ao público para disfrutarem da loja, café e galeria, organizadas pela ARTM.

A presente exposição será inaugurada na galeria que leva também o nome de “Hold On to Hope”. Marca a 34.ª exposição organizada pela ARTM e reúne obras de arte originais de 11 artistas de Macau, com diferentes estilos e técnicas. Apresentam a diversidade cultural de Macau através da expressão pessoal de cada artista, sobretudo na sua identificação com a comunidade lusófona e na partilha das tradições e características antropológicas dos diversos países que fazem parte da comunidade mundial dos falantes de língua portuguesa.

A celebração da diversidade das várias comunidades será o tema que une as obras desta exposição, que convida o público a “mergulhar na rica tapeçaria cultural que entrelaça a ascendência portuguesa e o espírito vibrante desta única parte do mundo”, descreve a associação. A exposição será “um testemunho da conexão duradoura entre o povo português e a encantadora cidade de Macau”.

Por entre os vários artistas que participam nesta exposição, está a artista multidisciplinar Tchusca Songo, que é natural de Cabinda, em Angola, e vive em Macau desde 2006. Com formação em Design de Produto pela Universidade de São José, Tchusca Songo destacou-se na comunidade artística de Macau após dar início à sua saga contra o desperdício e a poluição encontrada no território. Tem vindo a realizar um trabalho de registo na colecta de lixo, principalmente plásticos, que são espalhados pelas praias e rochedos das costas de Coloane. Numa iniciativa que colabora com os objectivos de criar um planeta mais sustentável, Songo reutiliza os materiais encontradas na produção das suas obras de arte. Em Outubro de 2022 inaugurou, nesta mesma galeria da “Hold On to Hope”, uma exposição com várias obras, de tamanho considerável, todas feitas com redes, plásticos, madeiras e objectos colectados nas costas de Macau.

A lista de artistas em exibição também inclui António Monteiro, Catarina Cottinelli da Costa, Cristina Vinhas, Francisco Ricarte, Gonçalo Lobo Pinheiro, Isabela Lobo, Lúcia Lemos, Luísa Petiz, Raul Martins e Ricardo Meireles.

Esta exposição também serve como mais um elemento na comemoração ao 10 de Junho, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e está incluída no programa “Junho, mês de Portugal na RAEM”.

A abertura está marcada para as 16h, do dia 2 de Junho, na Galeria da Hold On to Hope, na Vila de Nossa Senhora em Ká-Hó, e estará patente até 30 de Junho. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


sábado, 24 de junho de 2023

Hong Kong – Recebe a instalação da quarta delegação da Associação Internacional dos Lusodescendentes

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) abriu esta sexta-feira a sua quarta delegação e passará assim a estar mais próxima de toda a comunidade lusófona presente em Hong Kong

A apresentação oficial decorreu esta sexta-feira, dia 23 de junho, às 12h00, e contou com as presenças do embaixador Alexandre Leitão e do cônsul-geral de Macau e Hong Kong.

Replicando a estrutura, objetivos e missão da associação sediada em Portugal e das delegações sediadas em França, Reino Unido e Brasil, a nova delegação contará com os Conselhos Científico, Cultural e da Ação Social e com a Área Negócios e Empresas, responsáveis pelo desenvolvimento de novos projetos, ações e iniciativas, capazes de agregar valor à Comunidade Lusófona estabelecida na região.

A Associação Internacional dos Lusodescendentes é uma estrutura associativa, criada em 2019, com sede em Lisboa. Nasceu com a missão de ajudar as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo nos mais diversos contextos e com o objetivo de criar laços com Portugal e com os países de língua oficial portuguesa. Espaço de promoção das culturas lusófonas no mundo, a associação caracteriza-se como “focada e ao dispor dos lusodescendentes”.

A nova delegação contará com uma equipa local que trabalhará no sentido de manter o espírito e dinâmica, de potenciar a cooperação e colaboração entre diversas entidades e organismos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Galiza - Amplia laços com a fala portuguesa com a estreia da iniciativa Rádio Pessoas

O projeto, com conteúdos digitais, fai parte da Rede de GaliLusofonia

O canal de comunicaçom Rádio Pessoas - no ar desde há poucas semanas - nasceu para dar voz à comunidade lusófona a nível internacional e incluiu Galiza como um dos territórios com principal protagonismo. O país figura como criador e destinatário das músicas e conteúdos culturais com outras regions do mundo com presença do idioma português como Brasil, Cabo Verde, Angola, Timor-Leste, Moçambique e o próprio Portugal, entre outras e conecta com esse mundo através dum conjunto de 50 colaboradores.

Através desta iniciativa, que fai parte da Rede da GaliLusofonia, Galiza amplia os laços com a fala do país vizinho, algo que o diretor-geral da iniciativa, Eron Quintiliano, considera totalmente normal e mesmo lógico. “Levamos nove meses com o projeto e temos e teremos programas e músicas de todos os países de fala portuguesa; incluímos Galiza pola relaçom histórica da língua galaico-portuguesa”, assinala.

Do seu ponto de vista, apesar de em Rádio Pessoas estarem representados territórios tam afastados como o país e São Tomé e Príncipe, por exemplo, acredita que o público detetará os pontos em comum.

“Portugal e Galiza é umha só cousa, nom fazemos diferença: temos umha cultura, um clima e umha gastronomia semelhantes…”, reflexiona, ao tempo que destaca que no Brasil antes de “se oficializar” o português “falava-se muito galego”.

Por isso, a agenda galega das indústrias e eventos culturais e as músicas de terra terám o mesmo cabimento, de pleno direito, que propostas de Guiné-Bissau ou Angola. De facto, a rádio difundirá conteúdos especiais com o galho do Festival Maré, que decorre em Compostela do 22 ao 26 de setembro.

“Do Brasil a Cabo Verde, passando pola Colômbia, Moçambique, Catalunha, Angola, Portugal ou Galiza, Maré aposta decididamente pola diversidade, a aproximaçom e intercâmbio cultural entre territórios e sociedades que partilham laços linguísticos, históricos e outros sentimentais”, di a organizaçom do certame, e algo parecido quer ser esta nova emissora que ainda nom tem dial.

Quintiliano avança que o objetivo é chegar também ao espaço tradicional deste meio (e conseguir um milhom de ouvintes diários), mas polo de agora a sua programaçom de 24 horas os sete dias da semana apenas está disponível na rede, a través da página web radiopessoas.net. Com esse alto-falante que é a rede, o país já está detrás de programas como Gotas de Galego e Grandes Vozes. In “Portal Galego da Língua” – Galiza com “Nós Diario


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Luxemburgo – Novos casos de covid-19 junto da comunidade portuguesa e lusófona preocupa autoridades

Numa altura em que o Luxemburgo começa a ver o número de infeções pelo novo coronavírus a aumentarem e o governo está a preparar legislação para regulamentar como deverão ser as reuniões de mais de 20 pessoas, a ministra da Saúde e da Proteção do Consumidor, Paulette Lenert, convocou esta segunda-feira uma conferência de imprensa para melhor informar a comunidade lusófona sobre os riscos da pandemia de covid-19



Segundo o governo luxemburguês, as comunidades lusófonas do grão-ducado, que muitas vezes não falam as línguas locais, são grupo de risco durante a pandemia. Assim, Lenert fez-se acompanhar do Embaixador de Portugal no Luxemburgo, António Gamito, assim como do Embaixador de Cabo Verde, Carlos Semedo, além do diretor-geral da Saúde Jean-Claude Schmit.

Apesar da abordagem “diplomática” das autoridades luxemburguesas, ficou claro que o número de novos casos de infeção por coronavírus junto da comunidades portuguesa, e lusófona em geral, está a preocupar a ministra da Saúde que insistiu que “não há um problema com a comunidade lusófona, mas é preciso lembrar as regras a todos”, nomeadamente a quem fala outra língua, como é o caso dos portugueses e cabo-verdianos do Luxemburgo. Paulette Lenert insiste no problema que se regista de aumento de casos que identifica como um problema “sobretudo dos jovens” e promete uma comunicação forte nas redes sociais, além de mais dados para saber quem são os mais afetados. “Não queremos estigmatizar ninguém”, insistiu.

“É necessário respeitar certas regras”, lembrou a ministra luxemburguesa, salientando a necessidade de proteger as pessoas idosas. Em geral, a governante apela a que se evitem contactos desnecessários: “não apanhe o vírus para evitar transmiti-lo a outras pessoas, mais vulneráveis”, insistiu. “A vida normal é possível, mas convém evitar os contactos, continuou Paulette Lenert, solicitando a toda a população que façam os testes.

António Gamito agradeceu o trabalho que as autoridades luxemburguesas têm feito para informar a comunidade lusófona. “A nossa comunidade tem de perceber o desafio que está em causa; o vírus não desapareceu”, insistiu o embaixador português. “O comportamento de menor responsabilidade pode levar a um novo aumento de infeções”, insistiu o diplomata, que pede a todos que sigam as regras e os gestos-barreira. “Usem a máscara, mantenham a distância social, respeitem as regras”, concluiu António Gamito.

Carlos Semedo pediu que a comunidade lusófona do Luxemburgo seja conhecida “pelas boas razões”. O Embaixador de Cabo Verde considerou que “tudo na vida exige sacrifício” e que temos de aprender a viver com o coronavírus. “Temos de agir com responsabilidade cívica e respeitar as indicações das autoridades do Luxemburgo”, pediu Carlos Semedo.

Na origem dos novos casos que suscitaram esta comunicação destinada aos lusófonos, podem estar viagens, festas e a frequência de bares. Este fim-de-semana, por exemplo, as autoridades luxemburguesas intervieram para impedir várias festas e outras aglomerações de pessoas “muito além do limite de 20 participantes autorizado pela lei”. Em Strassen, uma festa com cerca de 30 pessoas foi controlada, tendo os participantes pago as multas previstas, que são de 145 euros por participante. Além disso, vários cafés e restaurantes foram “fechados” pela polícia na noite de sábado em Bettembourg, Vianden, Schifflange e Dudelange. Não foi revelado se estes locais eram “portugueses”, mas que os seus proprietários foram também multados.

Paulette Lenert manifestou a sua preocupação com estas violações da legislação e admitiu temer um aumento do número de infeções pelo novo coronavírus. “Esperávamos uma segunda vaga no outono, mas estamos a assistir a um aumento do número de casos que acreditamos terem na sua origem estes agrupamentos de pessoas”, disse a ministra, indicando que esperava que “comunicar de forma positiva fosse suficiente, mas que vamos certamente ter de ser mais firmes”.

O Ministério da Saúde anunciou que vai avançar ainda com uma campanha de informação em língua portuguesa para poder chegar às comunidades “menos integradas e que não falam as línguas do país”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

segunda-feira, 6 de abril de 2020

França – Comunidade lusófona mobiliza-se para apoiar combate ao vírus

Privadas da sua atividade normal, as associações lusófonas em França multiplicam esforços dentro e fora da comunidade, fabricando máscaras, dando apoio social, telefonando para os mais frágeis e até entregando material hospitalar também em Portugal



“Estamos a continuar o nosso trabalho. Todas as pessoas que pedem auxílio, fazemos o possível para ajudar e distribuir bens alimentares […] Não há nenhum confinamento que nos impeça de dar ajuda às pessoas que precisam”, afirmou António Fernandes, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris, em declarações à agência Lusa.

Esta instituição, com mais de 25 anos de ação na capital francesa, continua a atender todos os pedidos por telefone e a levar bens alimentares aos que mais precisam, cumprindo todas as regras de segurança.

Para já, António Fernandes está surpreendido pela pouca solicitação que têm tido, mas considera que é normal por haver “um certo medo” da situação.

Outras estruturas portuguesas não têm tido mãos a medir. É o caso da associação Hirond’Ailes, que está a produzir máscaras de tecido e a entregá-las em hospitais, clínicas e a pessoas de risco da região parisiense que as usam nas curtas saídas de casa.

A ideia partiu da presidente Suzette Fernandes, que é representante dos utentes de um grupo hospitalar na região de Paris, e decidiu trocar a confeção de artigos em tecido para arrecadar fundos para o fabrico de máscaras.

“Eu recebo os pedidos, encomendo os tecidos e mando entregar nas casas das costureiras, mas está muito complicado. Elas não recebem os tecidos a tempo e estão a usar tudo o que têm em casa”, relatou Suzette Fernandes, assegurando que as máscaras em algodão seguem todas as normas indicadas pelas autoridades e servem como “uma primeira barreira” ao contágio.

As sete costureiras que trabalham com a Hirond’Ailles já produziram cerca de 500 máscaras, com cerca de 100 a serem distribuídas este fim de semana. Os pedidos podem ser feitos através das redes sociais da associação.

A associação Dimitri Francisco, presidida por Gilberto Mota, radicado em França, está a produzir viseiras para distribuir nos hospitais portugueses.

“Como estou em França, telefonei às pessoas da associação em Portugal e disse que gostava que fizéssemos um donativo, mas disseram-me que dar dinheiro era complicado, portanto era preferível dar máscaras ou viseiras. Comprámos então uma máquina 3D para produzir viseiras”, contou Gilberto Mota.

Em Portugal, a associação Dimitri Francisco distribui prendas de Natal nos hospitais, mas Gilberto é também vice-presidente da associação Les Amis Du Plateau que em França está atualmente a arrecadar donativos para distribuir a hospitais e bombeiros na região parisiense.

Já a CHEDA – Crianças de hoje e de amanhã, que apoia crianças em Cabo Verde, está mobilizada para contactar pessoas de risco na comunidade cabo-verdiana em Paris e arredores.

“Estamos a tentar acompanhar o maior número de pessoas, a ligar e a saber como estão. A nível de associação, mas também a nível pessoal”, indicou Annie Lacerda, que integra esta associação.

Annie Lacerda diz que as pessoas lhe relatam se têm ou não sintomas, mas também que querem que o período de quarentena acabe e que “estão ansiosas” e “preocupadas”, tendo até medo de ir às compras.

O apoio também se estende aos autarcas de origem portuguesa, com a Civica, associação que agrupa todos os eleitos de origem portuguesa em França, a divulgar informação oficial sobre o combate ao vírus em todas as frentes.

“Já tínhamos uma plataforma desde o início do ano com informação geral sobre saneamento ou urbanismo que permite aos autarcas uma informação rápida, com a pandemia apercebemo-nos que havia muitas perguntas sobre o dia a dia, incluindo informações oficiais, então todas as noites atualizamos essa plataforma”, indicou Paulo Marques, autarca em Aulnay-sous-Bois e presidente da Civica.

Além dos números oficiais da pandemia em França, a Cívica põe também à disposição dos autarcas de origem portuguesa outro tipo de informação ligada a esta crise como as medidas económicas para apoiar as empresas ou as atualizações oficiais do estado de emergência sanitária atualmente vigente em França. In “Revista Port. Com” - Portugal

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

França - Association Drancéenne des Amis du Portugal (ADAP) organizou a Noite da Lusofonia em Drancy



A Association Drancéenne des Amis du Portugal (ADAP) organizou na sexta-feira passada uma “Noite da Lusofonia” em Drancy (93), que começou com um jantar português, com vitela assada e acabou com a atuação do grupo Charme Latino.

“A Comunidade lusófona não se limita apenas aos portugueses. Temos a sorte de ter aqui em Drancy uma forte Comunidade de várias culturas de língua portuguesa. Os nossos filhos estão praticamente todos inscritos na maior associação desportiva de Drancy, a AJAD, e fomos criando amizades” explica ao LusoJornal o Presidente da associação organizadora, Carlos Mendes. “Queremos aproximar todas estas Comunidades”.

Esta não é a primeira vez que a associação aborda a questão da lusofonia porque já convidou a Associação brasileira de Drancy. “Convidamo-nos uns aos outros” diz o Presidente da coletividade.

Só para o jantar inscreveram-se 400 pessoas. “Tivemos de recusar gente ao telefone” explica Carlos Mendes. Mas no final da noite estavam mais de 900 pessoas no Ginásio Auguste Delaune.

A surpresa da noite foi a atuação do grupo coral infantil da JAD. Inicialmente a JAD (Jeanne d’Arc de Drancy) era um clube de futebol, depois foi crescendo, foi desenvolvendo outras atividades e hoje tem também um grupo coral e ajuda as crianças a fazerem os deveres de casa.



“É um dos maiores clubes da Île-de-France. É a maior associação de Drancy, com mais de 3 mil associados. É enorme” diz Carlos Mendes. “Aproximámo-nos deles para encontrar os Portugueses que não estão inscritos na nossa associação. E o presidente propôs que as crianças do grupo coral aprendessem canções em português. Foi muito bonito”.

A associação apresentou também o humorista Tony Couto que se lançou há cerca de 6 meses, mas já passou em algumas rádios. “É alguém que conhecemos, que joga futebol connosco no domingo de manhã, eu sou o treinador dele, é alguém que se lança e nós queremos ajudar” diz Carlos Mendes.

O presidente da associação diz dar muita importância aos jovens. “São eles que devem puxar por nós” conta ao LusoJornal, enquanto lembrava que há anos convenceu a mãe para que trouxesse à associação o grupo La Harissa. “É por isso que eu acredito que a nossa juventude deve puxar por nós”.

Pelo palco passaram também 5 Rusgas de folclore. “O folclore é a atividade da minha mãe” comenta com um sorriso Carlos Mendes.

A Maire da cidade estava visivelmente contente por participar nesta festa da lusofonia. Aude Lagarde diz “admirar” as festas portuguesas e lembra-se em particular da Festa da Castanha. “Eu também tenho origens no sul da França e no sul da França também se faz a Festa da Castanha” lembra ao LusoJornal. Por isso, diz que é sempre um “momento fabuloso. Foram tradições que eu também tinha quando era pequena”.

Aude Lagarde diz que “há mais de 15 anos tentamos trabalhar para que cada uma das Comunidades que integram a nossa cidade se sinta bem. E para se sentir bem numa cidade é necessário saber de onde se vem, trabalhar sobre o que somos e permitir a cada um de exprimir a sua cultura de origem”. Bastante aplaudida quando subiu ao palco, Aude Lagarde considera que é importante que cada um “vá beber a todas as suas raízes para melhor alimentar o tronco republicano. É por isso que nós insistimos muito em cultivar o ‘viver juntos’, e fazemos tudo para que cada uma das pessoas que vivem nesta cidade se sinta bem através daquilo que é”.

Carlos Mendes confirma. Explica que a sua infância e juventude foi banhada pela cultura do hip-hop. “Eu não sabia o que era Portugal até que a minha mãe decidiu criar esta associação e graças a esta associação descobri a música portuguesa, os meus amigos não eram portugueses, mas agora estou casado com uma portuguesa e estou muito feliz por isso, tenho muitos amigos portugueses e conheço a cultura portuguesa, do pop rock, ao hip-hop português, que ouço muito, até ao folclore porque integrei também o grupo de folclore que a minha mãe criou”.

A Maire da cidade deixou um apelo para que os portugueses que ainda não fizeram, fossem inscrever-se nas listas eleitorais até ao dia 7 de fevereiro porque considera que “é importante que cada cidadão possa exprimir-se”.

O espetáculo foi apresentado por Odete Fernandes, apresentadora do programa “Só Fado” da rádio Alfa e o último grupo a subir ao palco foi o Charme Latino, um grupo que se apresentou pela segunda vez em público. “É um supergrupo, tem um show de luz e de som muito bom e são muito profissionais” comenta Carlos Mendes. Mário Cantarinha – França in “LusoJornal”

domingo, 29 de dezembro de 2019

França - Comunidade lusófona tenta salvar a língua portuguesa na rádio

A redação em português da Radio France Internationale (RFI), que emite para países africanos de expressão portuguesa, vai sofrer cortes, segundo um novo plano estratégico e uma petição já com mais de 200 assinaturas da comunidade lusófona em França.

“O medo é a redução da redação em português, que, a pouco e pouco, vai desaparecendo. Esta redação emite para os países lusófonos em África e parece que eles querem reduzir ao máximo a redação de português, até que um dia haja só Internet, sem emissões, e depois acabe”, afirmou Luísa Semedo, conselheira das comunidades portuguesas em França, em declarações à Lusa.

Luísa Semedo foi a autora da petição online “Não à Morte da RFI em português”, lançada em 24 de dezembro, depois de o consórcio público que detém a rádio, a France Medias Monde, ter anunciado no início da semana a intenção de cortar pelo menos 30 jornalistas nas redações da RFI em árabe, português e inglês, através de um plano de despedimentos voluntários.

“O plano de despedimentos voluntários ao qual a empresa não pode fugir tendo em conta a sua estrutura orçamental, e que será ainda negociado com os representantes do pessoal, vai ter impacto em 30 jornalistas e não haverá qualquer despedimento compulsório”, respondeu fonte oficial da France Medias Monde às questões da Lusa.

A mesma fonte acrescentou que “o projeto prevê a supressão de cerca de 20 postos de trabalho de jornalistas em árabe, sete ou oito em inglês e dois ou três jornalistas em português”.

A France Medias Monde agrega a RFI, que difunde rádio em diversas línguas para diferentes pontos do globo sempre com atualidade ligada à francofonia, a estação de televisão France 24, também difundida em várias línguas, e a rádio Monte Carlo Doualiya, em árabe, ouvida em várias regiões do Médio Oriente e do Norte de África.

Também os trabalhadores se questionam se este é o fim da redação em português para África da RFI.

Esta redação conta atualmente apenas com oito jornalistas fixos e quatro em regime de trabalho independente, tendo chegado a ter 15 jornalistas fixos.

A produção e emissão da rádio em português acontece diariamente e é ouvida desde São Tomé e Príncipe até Maputo, em Moçambique.

“Os efetivos são já muito limitados e é a condenação a curto prazo da redação. O projeto visa passar para uma redação de Internet, mas nem todas as partes do Mundo estão suficientemente desenvolvidas para cortar a difusão por onda curta e o FM”, afirmou Elisa Drago, representante do sindicato Force Ouvriére na Comissão de Trabalhadores da empresa e jornalista há mais de 30 anos na rádio francesa.

A petição recebeu até agora mais de 200 assinaturas, tendo entre os primeiros subscritores algumas das principais figuras das comunidades lusófonas em França, mas, segundo lembra Luísa Semedo, a responsabilidade de lutar pela manutenção do número de jornalistas em português na RFI não pode ficar apenas a cargo da sociedade civil.

“Se a France Medias Monde sentir que há do outro lado uma procura e que as pessoas se preocupam com isto e não é uma questão acessória, eles podem abrir os olhos. Isto pode vir da sociedade civil, mas também tem de vir da parte da diplomacia”, indicou a autora da petição. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”