Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Macau e Portugal “revitalizam” diálogo sobre língua e educação

A presidente do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua destacou que a reunião da Subcomissão Mista de Língua Portuguesa e Educação marca a retoma do diálogo entre Portugal e Macau nesse domínio, após sete anos de interregno. “Foi um momento muito significativo, é a revitalização, a retoma de um diálogo que não acontecia desde 2019”, sublinhou Florbela Paraíba, num evento realizado no Consulado-Geral de Portugal no território.

A Comissão Mista Portugal-Macau não se reúne desde antes da pandemia, “um interregno maior” que Paraíba justifica não apenas com a covid-19, mas também com várias mudanças nos governos de Portugal e da RAEM.

A presidente do Instituto Camões sublinhou que, desde que Macau voltou a abrir as fronteiras, no início de 2023, houve “importantes momentos de visitas bilaterais que fortaleceram a relação” com Portugal. Mas, a diplomata disse que os dois lados reconheceram a existência de “pontos onde há muito a fazer”, dando como exemplo o reforço da formação contínua e maior investimento em tradutores e intérpretes.

Paraíba apontou como meta “revitalizar a rede de geminações” entre escolas de Macau e de Portugal, que disse ser “muito importante”, também para a RAEM. Defendeu ainda mais parcerias e intercâmbios e estágios, tanto para “um maior acesso ao ensino do mandarim em Portugal” como para dar mais oportunidades a alunos de Macau que queiram estudar português.

A RAEM “tem todas as condições” para apostar num “bilinguismo efectivo” e assim “transformar um legado histórico em oportunidades concretizadas”, sublinhou.

Dominar a língua portuguesa representa para os residentes de Macau uma vantagem, disse Paraíba, tendo em conta o papel que a China atribuiu à cidade, de plataforma de serviços económicos e comerciais com os mercados lusófonos.

No mesmo evento, o Cônsul de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão, disse esperar que a reunião de ontem sirva de “antecâmara para a desejada reunião da Comissão Mista que esperemos se realize daqui a pouco tempo”.

Em Setembro de 2025, o Primeiro-Ministro português disse, durante uma visita à RAEM, que a Comissão Mista iria reunir-se em Fevereiro, algo que não chegou a acontecer. Luís Montenegro e o líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, voltaram a encontrar-se em Abril, em Lisboa, mas da visita não saíram quaisquer novidades sobre a retoma da Comissão Mista. Em 10 de Junho, na cerimónia do Dia de Portugal, Sam Hou Fai anunciou que espera realizar este ano, em Macau, a 7.ª reunião da Comissão Mista e garantiu que a região fará “todos os preparativos necessários” para o encontro.

Camões promete valorizar salários de docentes no estrangeiro

Por outro lado, a presidente do Instituto Camões, que está sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), prometeu que as negociações com os sindicatos irão permitir valorizar os salários e as carreiras dos docentes que ensinam a língua portuguesa fora de Portugal. Florbela Paraíba referiu que as duas partes têm um objectivo comum, “a valorização das carreiras e remuneratória dos professores do Ensino de Português no Estrangeiro” (EPE), que descreveu como “um recurso muito importante”.

“Os professores são insubstituíveis, assim como aquilo que se aprende na sala de aula, nem nós o queremos substituir por meios digitais, que servem apenas para complementar”, sublinhou a diplomata de carreira.

No final de Julho, os sindicatos reconheceram uma “evolução positiva” nas negociações com o MNE relativas ao novo Regime Jurídico do EPE, aguardando a proposta das novas tabelas salariais. Em declarações à Lusa, o secretário-geral adjunto da Federação Nacional de Educação (FNE), Paulo Fernandes, considerou que “tem havido uma evolução nas propostas que o ministério tem apresentado”, sublinhando que há uma flexibilização das comissões de serviço e garantia de contagem do tempo de serviço para os professores de EPE que queiram regressar à carreira em Portugal.

Uma visão partilhada pelo presidente do Sindicato de Professores no Estrangeiro (SPE), Bruno Silva, que confirmou que as alterações apresentadas pelo Governo “já acomodaram algumas propostas” da sua estrutura. Entre os avanços, o dirigente do SPE destacou a clarificação da contagem do tempo de serviço “para efeitos de concurso e progressão na carreira para os docentes que não têm vínculo em funções públicas”.

Para pressionar o executivo e exigir que as tabelas salariais reflictam o real custo de vida nos respectivos países, os professores do EPE submeteram uma petição, que contava com 8852 assinaturas.

Camões planeia nova cátedra de Português no Japão

Florbela Paraíba apontou a região asiática como prioritária para a língua portuguesa e revelou que o Instituto Camões quer criar uma segunda cátedra de português no Japão, além da já existente na Universidade de Estudos Estrangeiros de Quioto. “Estamos a trabalhar, mas não sabemos ainda onde poderá ser, esperemos que pode ser [numa universidade] em Tóquio”, referiu. A presidente do Camões apontou ainda como prioridades Timor-Leste, onde a língua portuguesa tem “um factor identitário”, e Angola, onde o português “tem crescido imenso, durante e depois da guerra [civil], também por vontade política, de agregação”. In “Jornal Tribuna de Macau” Macau com “Lusa”



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Japão - Mobiliza 1800 pessoas para arrastar torre de castelo de 360 toneladas

Após reparações no Castelo de Hirosaki, na província de Aomori, as autoridades empregaram uma técnica conhecida como hikiya para mover a estrutura mais de dois metros


Ao som de cânticos de “so-re, so-re”, cerca de 1800 pessoas reuniram-se no norte do Japão no fim de semana para puxar a torre de castelo de 360 ​​toneladas um pouco mais de dois metros em direção ao seu local original, como parte das obras de renovação. A torre – uma fortificação no interior do castelo – teve de ser movida para reparar uma muralha danificada por um grande terramoto.

Equipas rotativas de 80 pessoas puxaram cordas de 30 metros enquanto a torre do Castelo de Hirosaki, na província de Aomori, se aproximava do seu destino. No sábado, os participantes rebocaram a estrutura – que estava sobre carris – por 1,13 m, enquanto no domingo foi deslocada mais 1,09 m. “Recebemos cerca de 8000 inscrições para as 1800 vagas nos últimos dois dias, aproximadamente quatro vezes mais do que o número de inscritos, pelo que nem todos puderam participar”, disse Kensuke Hayasaka, chefe da divisão de parques e espaços verdes da cidade de Hirosaki, ao The Guardian. “Não apenas da cidade, mas de todo o Japão e do estrangeiro; um bom número do Sudeste Asiático, da Europa e da América do Norte.”

Para preservar a estrutura histórica, foi utilizada uma técnica conhecida como hikiya – em que os edifícios são colocados sobre roletes e movidos em vez de serem desmontados. Em 2015, a cidade fez um apelo para que as pessoas viessem participar diretamente. O resultado foi o primeiro hikiya conduzido por cidadãos e a primeira vez que o método foi utilizado de alguma forma para mover um castelo num século. “Como a torre principal é um bem cultural importante designado a nível nacional, não a desmontámos”, disse Hayasaka. “Estamos a utilizar o hikiya, um método de relocalização de edifícios que existe no Japão desde os tempos antigos.”

Os trabalhos de preservação do castelo continuam desde então. A muralha foi concluída em Dezembro de 2024, tendo sido repostas todas as 2185 pedras nas suas posições originais. Com esta tarefa concluída, este ano as autoridades voltaram a pedir a ajuda do público para puxar a torre principal de volta à sua posição original.

Motoharu Nakata, de 61 anos, viajou de Hiroshima, no outro extremo do Japão. “Também a puxei há 11 anos. É muito emocionante poder participar novamente. Não há absolutamente nenhuma outra oportunidade de puxar um castelo – foi fantástico”, disse Nakata ao Sankei Shimbun.

Puxar a torre principal manualmente continuará até ao final de agosto, com cerca de 4100 pessoas programadas para a mover um total de 5 metros. É um esforço simbólico de integração comunitária, sendo que os restantes cerca de 73 metros serão deslocados com o auxílio de máquinas até ao final do ano.

A torre principal do Castelo de Hirosaki é uma das 12 estruturas deste tipo que restam no Japão, e a única na região nordeste de Tohoku. Sede do clã Tsugaru, o castelo foi concluído em 1611, mas a torre principal original foi destruída por um incêndio provocado por um raio que atingiu um depósito de pólvora em 1627. A estrutura actual foi reconstruída em 1810 e o castelo é hoje a peça central de um parque que atrai cerca de 2 milhões de visitantes por ano durante a época das flores de cerejeira.

Grandes renovações significam que a torre principal ficará inacessível aos turistas durante anos. “Assim que for recolocada na sua base original, os trabalhos de preservação da torre principal serão iniciados e toda a estrutura será coberta”, disse Hayasaka. “Neste momento, esperamos que seja reaberta aos visitantes em 2033.” In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Angola - Galeria Mayamba celebra 50 anos das relações diplomáticas com o Japão

A Galeria Mayamba celebra, no próximo dia 3 de Setembro, os 50 anos das relações diplomáticas entre Angola e Japão, com uma exposição dedicada à caligrafia tradicional japonesa, em Luanda


A iniciativa vai reunir arte, espiritualidade e intercâmbio cultural, no âmbito das celebrações das cinco décadas de relações diplomáticas entre os dois países, segundo uma nota enviada ao JA Online.

A exposição contará com a participação da professora Yumiko Sakaguchi, especialista em literatura clássica japonesa. A docente leccionou no Gakushuin, instituição que, até 1947, esteve ligada à educação da família imperial e da nobreza japonesa.

O evento será dedicado ao Shodo, a tradicional arte da caligrafia japonesa, e apresentará obras da mestra Ozawa Ransetsu, reconhecida pela longa dedicação a esta expressão artística.

Aos 80 anos, Ozawa Ransetsu possui uma trajectória de quase oito décadas dedicada ao aperfeiçoamento do Shodo. Iniciou-se na prática da caligrafia aos três anos de idade e, desde então, fez desta arte não apenas uma técnica de expressão, mas também uma forma de disciplina, concentração e espiritualidade. In “Jornal de Angola” - Angola


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Japão - Concerto celebra música portuguesa dos séculos XVIII e XIX

A embaixada de Portugal recebe, no dia 9 de setembro, o concerto “A Diva de Lisboa – Música portuguesa do final do século XVIII e do século XIX num piano quadrado de 1817”, uma iniciativa dedicada à redescoberta do repertório português anterior à consolidação do fado


O programa reúne canções portuguesas do final do século XVIII e do século XIX, selecionadas também a partir de fac-símiles de partituras preservadas na Secção de Música da Biblioteca Nacional de Portugal.

A interpretação estará a cargo da soprano portuguesa Ana Filipa Leitão e da especialista em fado e canto clássico Erika Fujisawa. O piano quadrado de 1817 será tocado por Michio O’Hara.

O concerto decorre entre as 18h00 e as 19h00 e tem um custo de participação de mil ienes.

A iniciativa é organizada pela O’Haras, com o apoio da Associação Nagoia Japão-Portugal e a colaboração da embaixada de Portugal, do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Konoie Event. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Japão - Nos bastidores da obra-prima de mistério "A Devoção do Suspeito X"

Keigo Higashino, um dos principais escritores de mistério do Japão, faleceu. Pedimos a Yoshiyuki Hatori, editor-chefe da revista literária "All Yomimono", onde a sua obra-prima "A Devoção do Suspeito X" foi publicada em série, que relembrasse o verdadeiro carácter do autor e o fascínio pelas suas obras


As únicas palavras que me vêm à mente agora são "um gigante caiu". Alguns podem achar essa uma maneira antiquada de pensar, mas para alguém que esteve envolvido com a publicação de romances por tanto tempo, esta expressão parece a mais adequada. Keigo Higashino, um autor de best-sellers que deixou mais de 100 obras e cujas vendas acumuladas ultrapassam facilmente 100 milhões de exemplares, não só liderou o cenário de romances de entretenimento no Japão, como também conquistou muitos leitores em mercados globais como os Estados Unidos e a China, faleceu repentinamente neste verão.

Nunca trabalhei diretamente com o Sr. Higashino, nem tive uma relação particularmente próxima com ele, mas como membro da editora que publica a sua obra mais representativa, a "Série Galileu", tive a oportunidade de estar na sua presença. Com gratidão por essa gentileza e um profundo sentimento de perda com o falecimento de um autor tão grandioso, escrevi este humilde texto.

"Vou te mostrar um truque que ninguém jamais imaginou."

A obra-prima de Higashino e um marco da ficção policial japonesa, A Devoção do Suspeito X, foi publicada na All Yomimono, uma revista literária da editora Bungei Shunju. Como editor-chefe durante a publicação em série, eu aguardava ansiosamente as cerca de 30 páginas de manuscrito que chegavam mensalmente, mas também sentia uma certa ansiedade em relação aos imprevisíveis desdobramentos da trama. Certo dia, quando encontrei Higashino numa festa ou bar em Ginza e compartilhei as minhas impressões sobre a publicação em série, ele disse-me estas palavras.

"Vou mostrar-vos um truque que ninguém jamais imaginou, nem no passado nem no presente", disse, com o rosto repleto de confiança e convicção.

A essência de um mistério reside no seu artifício, e a confiança de um escritor deriva da ambição de conceber um artifício que ninguém poderia ter previsto e de surpreender os amantes do mistério em todo o mundo.

Fiquei encantado. A verdade é que não só eu e o editor responsável, mas toda a editora no Bungei Shunju tínhamos grandes esperanças de que esta obra finalmente lhe rendesse o Prémio Naoki. Na época, Higashino já era um autor de grande sucesso, mas, quando se tratava do Prémio Naoki, ele havia sido indicado diversas vezes, sem nunca conseguir vencer.

O resultado foi de tirar o fôlego. Um matemático solitário usa todo o seu intelecto para lutar contra o seu amigo e rival da faculdade, um físico genial (o renomado Professor Galileu), a fim de encobrir um assassinato cometido por uma mãe e filha que moravam na casa ao lado. A chave do seu plano era cometer outro assassinato para encobrir o primeiro. Fiquei completamente estupefato com esse truque inesperado e cativado pela perfeição do mistério.

Contudo, o fascínio desta obra não termina aí. O cerne do mistério reside no maior enigma: por que um matemático cometeria um assassinato por um vizinho com quem apenas trocara cumprimentos? Esse mistério contém o tema profundo da obra. Parafraseando Higashino, o maior mistério é o coração humano, e o verdadeiro encanto desta obra-prima reside na profunda compreensão da natureza humana que convence o leitor dessa mensagem.

A Devoção do Suspeito X ganhou, com muita alegria, o Prémio Naoki. Eu estava a moderar a reunião do comité de seleção, e até mesmo os escritores veteranos que até então haviam sido relativamente críticos das obras de Higashino a elogiaram bastante, e Yumie Hiraiwa, que a apreciava desde o início, entusiasmou-se com a profundidade do mundo criado no romance. Essa foi a primeira incursão de Higashino em conquistar um público mais amplo, e ele rapidamente ascendeu ao posto de um dos principais concorrentes. Nos 20 anos seguintes, ele jamais abandonou essa posição. Algo assim nunca havia acontecido antes.

Na exibição de pré-estreia de A Devoção do Suspeito X

Antes disso, sua coletânea de contos "Detetive Galileu" havia sido adaptada para um popular drama televisivo estrelado por Masaharu Fukuyama. Após ganhar o Prémio Naoki, A Devoção do Suspeito X finalmente foi adaptado para o cinema. Na exibição privada para os envolvidos com o filme, eu estava sentado ao lado de Higashino. No final, quando a "devoção" desesperada do matemático se mostrou inútil, e ele uivou e chorou como um animal, fiquei completamente devastado. Não só não consegui conter as lágrimas (havia muitos colegas mais jovens por perto), como acabei soluçando alto, envergonhado. No meu choque, deixei escapar algo que não deveria ter dito a Higashino.

"Consegue assistir sem pestanejar, não é?"

Respondeu Higashino com um sorriso irónico.

"Seria estranho se eu chorasse."

O filme A Devoção do Suspeito X foi um enorme sucesso, arrecadando quase 5 mil milhões de ienes nas bilheteiras. Acredito que o romance original, incluindo as edições de bolso, tenha vendido bem mais de 3 milhões de cópias. Desde então, inúmeros livros da série foram publicados e adaptados para o cinema, tornando-se um pilar de receita para a Bungei Shunju. O volume final da série, Memória Eterna, tem lançamento previsto para o dia 05 de agosto. Gostaria de saborear o mundo desta obra final com profunda lembrança.

Fresco por fora, mas quente por dentro.

Acho que a impressão geral que se tem de Higashino é que ele é descolado e elegante. Além disso, ele é bonito. Aliás, quando Higashino e Masaharu Fukuyama estavam sentados juntos num bar em Ginza, nós, que estávamos ao redor, cochichávamos uns com os outros.

"Não sou inferior a Fukuyama."

Contudo, em bares noturnos onde estava rodeado apenas pelos seus editores mais próximos, ele transformava-se num verdadeiro nativo de Osaka, fazendo todos ao seu redor rirem com o seu entusiasmo e espírito prestativo. O Sr. Higashino tomava goles de uísque com gelo, e nós ficávamos extasiados com sua vasta gama de assuntos e a sua inteligência em contar histórias, como se o tempo tivesse parado para nós. As nossas conversas às vezes estendiam-se até as 2, 3 ou até mesmo 4 da manhã. Ele parecia tranquilo e sereno, mas era uma pessoa que nunca deixava de demonstrar consideração pelos outros e oferecer palavras de encorajamento.

Talvez por isso, ele também fosse um mestre da oratória. O seu grande antecessor, o escritor de romances de viagem e mistério Kyotaro Nishimura, faleceu, e uma cerimónia em sua memória foi realizada em Atami, onde ele morava. De pé no palco, diante de muitos profissionais do ramo editorial, Higashino concluiu o seu elogio fúnebre com estas palavras.

"Durante os primeiros 10 anos após a minha estreia, os meus livros não venderam nada. A única razão pela qual consegui publicar livros foi porque o Sr. Nishimura tinha um grande público leitor e estava enriquecendo a editora. Se me permitem a ousadia, agora assumirei esse papel. Por favor, apoiem todos os escritores que estão a lutar para sobreviver."

Enquanto escrevo isto, as palavras memoráveis ​​de Higashino continuam a vir-me à mente. No funeral de Masako Bando, que tinha quase a minha idade, ele esforçou-se ao máximo para expressar em palavras o quão talentosa escritora Bando era. Fiquei profundamente comovido com a genialidade dos seus elogios e com a profundidade da sua tristeza pela morte da sua colega escritora.

Ele faleceu aos 68 anos. Enquanto lamentamos a sua morte prematura, considerando o imenso poder que possuía para deixar um legado tão vasto de obras-primas, é inevitável pensar que ele vivia num ritmo duas vezes mais acelerado que o de uma pessoa comum. Há algum fundamento para essa ideia, já que editores próximos sabiam que, quando ele se machucava praticando snowboard, desporto que tanto amava, os seus ferimentos cicatrizavam com uma velocidade impressionante. O próprio Sr. Higashino parecia achar isso estranho e disse o seguinte:

"Mesmo quando eu era criança, as lesões cicatrizavam muito rápido. Acho que minhas células provavelmente se dividem mais rápido do que as de outras pessoas."

O genial autor, que utilizou o conhecimento científico para criar uma obra-prima da ficção policial, faleceu tão repentinamente quanto o vento. O mundo editorial está agora em profundo luto. Yoshiyuki Hatori – Japão in “Nippon”

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Keigo Igashino. (04 de fevereiro de 1958, Ikuno-ku, Osaka - 23 de julho de 2026, Japão), é um dos mais destacados autores japoneses da atualidade, tendo já sido publicado em 14 países.

Os seus bestsellers foram galardoados com vários prémios, incluindo o Mystery Writers of Japan Award e o Prémio Naoki, e obtiveram reconhecimento nacional e internacional com as subsequentes adaptações cinematográficas e televisivas.

A Pequena Loja dos Grandes Milagres, publicado pela “Presença”, já vendeu mais de 15 milhões de exemplares em todo o mundo. In “Wook”




sexta-feira, 10 de julho de 2026

Internacional - Exposição na cidade de Lisboa celebra diálogo artístico entre Japão e Portugal

A exposição internacional “Viagem ao Japão” regressa este mês para a sua quarta edição, reforçando o diálogo artístico entre Portugal e o Japão. A mostra inaugura esta sexta-feira, às 17h00, no Atelier Natália Gromicho, em Lisboa, onde permanecerá patente até 17 de julho


Depois do sucesso das edições anteriores, a iniciativa volta a reunir diferentes linguagens artísticas numa reflexão sobre cultura, identidade, tradição e expressão contemporânea, promovendo um encontro entre artistas portugueses e o universo estético japonês.

Pela primeira vez, a exposição coloca em destaque um grupo de artistas portugueses, cujas obras serão apresentadas em diálogo com perspetivas inspiradas no Japão, num intercâmbio intercultural que pretende aproximar as duas culturas através da arte.

A mostra reúne trabalhos de pintura, desenho, escultura, fotografia e técnicas mistas, convidando o público a descobrir diferentes interpretações da estética japonesa e da criatividade contemporânea portuguesa.

Os artistas portugueses selecionados para esta quarta edição são Ana Malta, Inês Prats, Joaquim Gromicho, Leonor Ribeiro, Mafalda Gonçalves, Mariana Santos, Natália Gromicho, Patrícia Mariano, Pedro Charters, Rita Félix e Tamara Alves. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 7 de julho de 2026

Japão - Crianças descobrem histórias portuguesas em Tóquio

O Centro Cultural Português de Tóquio vai promover, no próximo 25 de julho, a atividade “Viagens na Minha Terra – Histórias e Jogos em Português para Crianças”, uma iniciativa dirigida aos mais novos que terá lugar na embaixada de Portugal no Japão


A decorrer entre as 10h30 e as 12h30 (hora local), a sessão será realizada em português e convida as crianças a descobrir a língua e a cultura portuguesas através da leitura, de jogos e de atividades criativas.

O programa inclui a leitura do livro Cem Sementes que Voaram, da autoria de Isabel Minhós Martins, com ilustrações de Yara Kono. A partir da história, os participantes serão convidados a brincar, criar e desenvolver atividades inspiradas na obra, levando ainda para casa a sua própria semente.

As inscrições decorrem até 20 de julho, através de um formulário online. A atividade realiza-se mediante um número mínimo de 10 crianças e todos os participantes deverão estar acompanhados por um adulto. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Japão - Revista dedica edição especial a Portugal

A revista japonesa de viagens CREA Traveller lançou, a 22 de junho, uma edição especial inteiramente dedicada a Portugal


De acordo com a nota publicada pela embaixada de Portugal no Japão, ao longo de cerca de 150 páginas, a publicação convida os leitores a descobrir várias regiões do país, destacando a sua cultura, história e gastronomia, através de uma reportagem ilustrada com fotografias.

Segundo a representação diplomática portuguesa, esta edição destina-se tanto aos apaixonados por Portugal como àqueles que desejam visitar o país, sendo apresentada como uma publicação de referência para quem procura conhecer melhor o destino.

A produção da reportagem contou com a colaboração do Turismo de Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Ásia – Digressão do cantor Afonso Cabral e do músico Pedro Branco traz concertos a Macau e Hong Kong

O cantor e compositor Afonso Cabral, um dos nomes mais falados da música portuguesa actual, inicia já esta semana uma tour asiática que o fará passar por Macau no próximo dia 3 de Julho. Acompanhado pelo guitarrista Pedro Branco, o músico apresenta-se na Casa Garden, num concerto integrado nas celebrações do Mês de Portugal em Macau. A passagem pelo território, patrocinada pela Casa de Portugal, Fundação Oriente e pelo restaurante Lvsitanvs, antecede concertos em Zhuhai e Hong Kong, depois de passar por Shenzhen



A música portuguesa contemporânea ganha novos horizontes com a digressão asiática de Afonso Cabral. Reconhecido como um dos mais relevantes compositores e intérpretes lisboetas, tem sido influente no cenário da música da capital durante a última década, e apresenta-se agora no dia 3 de julho, pelas 20h00, na Casa Garden, em Macau. O concerto, de carácter intimista, cruza canções do seu mais recente álbum, “Demorar”, com temas de alusão ao seu percurso artístico, e conta com a companhia do guitarrista Pedro Branco, grande instrumentista português da actualidade.

A passagem por Macau insere-se numa digressão mais ampla que arranca no dia 2 de Julho em Shenzhen, na Old Heaven Books, e prossegue a 4 de Julho para Zhuhai, onde vão tocar na Antique 3000, e a 5 de Julho passam para Hong Kong, no espaço da Chez Trente. A presença em Macau é especialmente significativa por se integrar no programa oficial das celebrações do Mês de Portugal e com a Grande Baía a servir de ponto de partida para o resto da Ásia.

Poucas semanas após a edição do novo single “Dança Comigo na Ilusão”, Afonso Cabral inicia esta viagem que o levará também ao Japão, com concertos agendados para Osaka, Kyoto, Nagoya e Tóquio entre 8 e 11 de Julho. A tournée acontece graças ao apoio do Programa Ibermúsicas, através da linha de “Apoio à circulação de profissionais da música”, na convocatória de 2025.

Afonso Cabral, nascido em Lisboa em 1986, tem sido uma presença recorrente na cena musical portuguesa. O seu percurso inclui projectos como os You Can’t Win, Charlie Brown, as bandas de Bruno Pernadas, Minta & The Brook Trout ou Mais Alto!. Como escritor ainda realizou trabalhos como “Perto”, interpretada por Cristina Branco, e “Anda Estragar-me os Planos”, escrita em parceria com Francisca Cortesão para o Festival da Canção 2018 e reinterpretada mais tarde por Salvador Sobral.

O percurso discográfico de Afonso Cabral conheceu ainda um novo capítulo no final de 2024, com a edição de “Demorar”, sucessor de “Morada”, lançado cinco anos antes. O álbum, construído em torno da sua voz, conta com a colaboração de dois nomes de peso, o músico japonês Shugo Tokumaru e Manuela Azevedo, vocalista dos Clã. O trabalho granjeou reconhecimento da crítica especializada, tendo sido distinguido com o terceiro lugar nas listas de melhores do ano da Blitz e da Radar. Uma das particularidades do disco é a presença marcante de influências nipónicas, visíveis tanto na faixa “Paraíso”, uma evocação a Haruomi Hosono, e noutro dueto gravado à distância entre Lisboa e Tóquio.

A afinidade de Cabral com o Japão não é um fenómeno recente. Antes da actual digressão, o músico já se tinha apresentado no país em diferentes contextos, nomeadamente ao lado de Bruno Pernadas, no Festival de Frue, e no WWW X, em Shibuya, em 2018, e novamente em 2022, no Fruezinho. Em 2023, regressou a Tóquio para um concerto a solo, no Kong Tong, com Minta & The Brook Trout.

Quem o acompanha agora na estrada é Pedro Branco, guitarrista cujo percurso transita entre o jazz e a pop independente. Membro dos You Can’t Win, Charlie Brown e fundador do projecto Old Mountain, Branco tem colaborado com uma vasta gama de artistas, de Tiago Bettencourt a Mazgani, passando por Lavoisier e Tipo. Em 2022, estreou-se a solo com “A Narrativa Épica do Quotidiano”. Actualmente, prepara um projecto que cruza jazz com o repertório de Marco Paulo, “Branco toca Marco Paulo”, enquanto lecciona no mestrado de Musicoterapia na Jazz Performance pelo Conservatorium van Amsterdam.

A digressão asiática de Afonso Cabral e Pedro Branco é promovida pela Louva-a-Deus, um espaço de música no coração de Lisboa que nasceu do desejo de criar um ponto de encontro para a comunidade musical após o encerramento do estúdio 15-A e da editora Pataca Discos devido à pressão do mercado imobiliário. O projecto, segundo a página oficial do estúdio, começou com a ambição de recuperar o mítico estúdio Xangrilá, em Campolide, mas o negócio não se concretizou. Mas agora encontram-se numa antiga igreja baptista, construída na cave de um edifício de habitação perto do Jardim Zoológico. É desta base que agora parte a música portuguesa contemporânea para a Ásia.

A entrada para o concerto na Casa Garden é gratuita, sem necessidade de reserva. A organização recomenda chegada antecipada devido à lotação do espaço. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Macau - O pastel de nata criado por um “lunático britânico” que é património da Região

Andrew Stow estaria “muito orgulhoso” por ver o pastel que criou tornar-se património intangível de Macau, mas a irmã disse à Lusa que não há planos para expandir o negócio, que vende até 48 mil pastéis por dia


A vida do britânico, que chegou a Macau para trabalhar como farmacêutico industrial em 1979, mudou por completo em 1988, após casar com Margaret Wong, que atualmente ainda gere a pastelaria “Café e Nata”, criada por ambos.

Foi durante a lua-de-mel que Stow (1955-2006) provou pela primeira vez um “pastel de Belém” ao balcão de uma das confeitarias mais famosas de Portugal e ponto de paragem obrigatório de quem visita a capital.

Andrew “viu a loucura em Lisboa para beber uma bica com um pastel de nata e pensou ‘Porque é que isto não existe em Macau’?”, recorda Eileen Stow, que gere o negócio desde a morte súbita do irmão, aos 51 anos.

O pastel de nata “aparecia ocasionalmente no ‘buffet’” do antigo hotel Hyatt, na Taipa, onde Andrew chegou a trabalhar, “mas não havia nada disponível, na rua, todos os dias”, diz a irmã.

Foi então que um “lunático britânico”, como classifica Eileen, entre risos, abriu a loja Lord Stow’s no coração da pitoresca vila de Coloane, em 1989, onde tentou criar a sua própria versão do pastel de nata.

Andrew “era o tipo de pessoa que nunca queria copiar nada, não conseguia perceber porque é que alguém quereria só replicar uma receita. Ele sempre achou que, se és criativo, tens de colocar o teu toque”, diz a irmã.

Eileen recorda que a reação dos portugueses foi que o resultado “não era bem um pastel de nata”, ao que Andrew respondeu: ” É isto que eu vendo, não comprem se não gostarem”.

Os pasteleiros da Lord Stow’s acharam que “estava queimado por cima, nenhum chinês o iria comprar”, diz a irmã, mas os turistas renderam-se ao pastel que ficou conhecido em chinês como “tarte de ovo de estilo português”.

Em outubro passado, o Governo de Macau inscreveu 12 manifestações, incluindo o pastel inventado por Andrew e a dança folclórica portuguesa na Lista do Património Cultural Intangível do território.

Eileen diz que o irmão teria ficado “muito orgulhoso”, porque “adorava Macau”. “Se Andrew tivesse uma bola de cristal e soubesse o sucesso que ia ter, ter-lhe-ia chamado tarte de ovo de Macau”, acrescenta.

Mas a distinção não muda os planos para manter o tamanho da operação, que atualmente vende em média “entre 35 e 38 mil pastéis por dia”, chegando a 48 mil no período do Ano Novo Lunar, diz Eileen.

O pastel de nata tem sido reinventado um pouco por toda a Ásia, tendo chegado mesmo, através de Margaret, ex-mulher de Andrew, aos balcões da cadeia de “fast-food” norte-americana Kentucky Fried Chicken (KFC) na China continental.

No final da década de 90, Andrew e Eileen, que se mudou para Macau em 1993 para ajudar a gerir o sucesso da Lord Stow’s, decidiram apostar no ‘franchise’ em Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Tailândia. Mas a ambição de uma expansão alargada perdeu-se devido às muitas “imitações” das tartes de ovo, mantendo actualmente uma presença apenas no Japão e Filipinas.

Foi na vizinha região de Hong Kong que a febre dos pastéis atingiu o auge: “criando aquilo a que costumávamos chamar, em tom de brincadeira, a guerra das tortas de ovo”, recorda Eileen. “Havia pessoas de carteira na mão a entrar na nossa pastelaria para literalmente subornar a nossa equipa. Isso é um livro que irei escrever um dia, depois de passar a negócio à Audrey [filha de Andrew]”, diz a empresária.

O território esteve mais de quatro séculos, até 1999, sob administração portuguesa, mas Eileen não estranha ter sido um inglês a promover o pastel de nata na Ásia.

Antigamente, sublinha a empresária, “a maioria dos portugueses vinha para cá como funcionários públicos de alto nível, não vinham abrir um pequeno negócio e ficar em Macau”. “Há uma atitude muito diferente no pensamento dos portugueses agora que os casinos estão cá e o turismo disparou”, acrescenta Eileen. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 4 de março de 2026

Moçambique – Mina de Balama vai fornecer grafite para carros eléctricos do Japão

A mina moçambicana de Balama vai fornecer até 68 mil toneladas de grafite, utilizado nas baterias de carros eléctricos, para o mercado japonês nos próximos sete anos, anunciou a mineradora australiana Syrah


“O acordo reforça a importância crítica do grafite natural de Balama para a cadeia de suprimentos de ânodos e baterias fora da China”, explica a Syrah, concessionária daquela mina em Cabo Delgado, norte de Moçambique, numa informação aos mercados em que dá conta da assinatura de um contrato plurianual para fornecimento de grafite natural com a NextSource.

O contrato com a NextSource prevê a entrega de 34 mil a 68 mil toneladas de grafite ao longo dos próximos sete anos, a partir de Junho, tendo como destino a unidade de ânodos de baterias que está a instalar em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, para depois abastecer um “cliente japonês do sector downstream”. “O contrato de fornecimento destaca a posição única de Balama como um importante fornecedor de grafite natural de alta qualidade e em grande volume fora da China”, sublinha ainda a Syrah.

A mina de Balama produziu 26 mil toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, recuperando após seis meses de paragem provocada pela agitação social no país, fornecendo o mercado de baterias de viaturas eléctricas norte-americano e indonésio, noticiou a Lusa no final de Outubro.

De acordo com informação sobre o desempenho do terceiro trimestre de 2025 enviada aos mercados pela Syrah, a mina registou ainda, no mesmo período, um total de 24 mil toneladas de grafite vendido e enviado para clientes a um preço médio por toneladas de 625 dólares. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Japão - Sociedade Luso‑Nipónica apresenta curtas-metragens portuguesas

No próximo dia 4 de março, a Sociedade LusoNipónica organiza, em Tóquio, uma mostra de três curtasmetragens de animação portuguesas, que integraram o festival EU Film Days, numa iniciativa que visa aproximar o público japonês da cultura contemporânea de Portugal


A sessão contará com três trabalhos de realizadores portugueses que têm vindo a ganhar reconhecimento internacional.

“Garrano”, de David Doutel e Vasco Sá, explora temas de tradição e identidade cultural através de uma narrativa animada envolvente. Já “Percebes”, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, é uma curta criativa que combina humor e sensibilidade artística para contar histórias do quotidiano português.

Finalmente, “Ice Merchants”, de João Gonzalez, foi premiada internacionalmente e combina técnica de animação refinada com uma narrativa poética sobre relações humanas e memórias.

Esta mostra representa uma oportunidade para o público nipónico conhecer a diversidade e a qualidade da animação portuguesa, reforçando os laços culturais entre Portugal e Japão.

A entrada é aberta ao público. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Japão - Resenha de Nobuchi Izumi sobre o livro "Estudos sobre Camélias" em Cerimónia do Chá, Fé e Jardinagem: "Camélias e a Cultura Japonesa" de Yoko Sawada

As camélias, árvores perenes de folhas largas nativas do Japão, são conhecidas como a "flor que anuncia a primavera". Consideradas plantas sagradas, cujas belas flores desabrocham no inverno, estão intimamente ligadas aos santuários. São também um exemplo típico de flores de chá exibidas em casas de chá. Este livro pode ser considerado o início dos "estudos sobre camélias", examinando a relação entre o povo japonês e as camélias

O auge da cultura das camélias durante o período Edo espalhou-se pela Europa e pelos Estados Unidos.

As camélias são mencionadas no Kojiki, o livro histórico mais antigo do Japão que sobreviveu até aos dias de hoje, e no Manyoshu, uma coleção de poesia waka compilada desde o final do século VII. Os tsubaimochi (bolinhos de arroz com camélia) são mencionados no Conto de Genji, uma obra do período Heian. Considerados os doces japoneses mais antigos, feitos com folhas de camélia entre duas folhas, ainda são oferecidos por confeitarias tradicionais em março, o primeiro dia da primavera.

As camélias são amplamente distribuídas na Ásia, incluindo Japão, China e Vietname. Existem quatro espécies nativas conhecidas do género Camellia, da família Theaceae, no Japão: Camellia japonica, Camellia yukiensis, Camellia sasanqua e Camellia damascena. Camellia é chamada de Camellia em inglês, que também é o nome científico do género Camellia.

A camélia vermelha, de pétala única, cresce selvagem por todo o Japão. As camélias são árvores tradicionais plantadas em templos e santuários. Através da hibridização, mutação e melhoramento genético, elas tornaram-se a principal planta ornamental do Japão. As flores apresentam uma variedade de formatos, desde pétalas dobradas até flores com mil pétalas semelhantes a rosas. Elas também vêm numa ampla gama de cores, incluindo carmesim, branco, rosa, amarelo e mesclado.

O período Edo começou no século XVII. Os três xoguns Tokugawa, do primeiro Tokugawa Ieyasu a Hidetada e Iemitsu, eram todos amantes de flores. Em Edo, uma época de paz, um boom de jardinagem varreu a cidade, independentemente da posição social. A pioneira desse boom foi a camélia. Livros de jardinagem como "Hyakutsubakishu" (Coleção de Cem Camélias) e "Tsubakikazukazufu" (Guia Ilustrado de Camélias) surgiram, e uma sucessão de variedades hortícolas magníficas e espécies raras nasceu.

Quando as variedades de camélia foram introduzidas na Europa durante o período Edo, tornaram-se populares e foram descritas como "rosas de inverno" e "rosas orientais". A partir do período Meiji, o entusiasmo pelo cultivo de camélias também cresceu nos Estados Unidos. Diz-se que atualmente existem mais de 2000 variedades nativas do Japão.

Doutora em Literatura com especialização em cerimónia do chá e arranjos florais explora...

A autora Yoko Sawada tem uma trajetória singular. Nascida na província de Aichi em 1949, ela dirigiu uma escola de cerimónia do chá, arranjos florais e caligrafia por muitos anos, mas desejava estudar camélias em detalhes, uma planta que amava desde a infância. Por isso, encerrou as suas aulas e ingressou no programa de pós-graduação da Universidade Aichi Gakuin. Ela escreveu a sua tese de doutoramento, intitulada "Um Estudo Histórico-Cultural da Representação e Crença sobre a Camélia", e recebeu o seu título de doutora em Literatura em 2023.

Este livro é baseado na tese de doutoramento da autora e concentra-se na cultura e nas crenças japonesas em torno das camélias. O autor interessou-se pela investigação sobre camélias porque perguntava-se por que, embora a flor seja amada como um sinal da chegada da primavera, ela também possui uma "natureza dual" que a faz parecer sinistra.

Quando as camélias terminam de desabrochar, em vez de apenas as pétalas se espalharem, a flor inteira cai. Essa cena lembra a de uma "cabeça caindo" e é considerada um mau presságio. O autor reflete sobre a sua própria experiência da seguinte forma:

Quando comecei a estudar a cerimónia do chá e arranjos florais, senti uma beleza indescritível nas camélias da sala de chá e nas grandes camélias dispostas à beira da água em arranjos de flores de pé. Na época, porém, me ensinaram que flores totalmente abertas não deveriam ser usadas em arranjos para a cerimónia do chá nem oferecidas como presentes de condolências. Depois disso, sempre que eu arranjava camélias na sala de chá ou as usava em arranjos florais, me perguntava por que elas eram consideradas flores tabu.

Após o período Meiji, as flores de chá passaram a ser chamadas de "botões"

A sala de chá foi projetada por Sen no Rikyu (1522-91), o mestre do chá que aperfeiçoou a cerimónia do chá japonesa (cha no yu). Camélias são as principais flores exibidas ali do inverno à primavera.

Durante o período Muromachi, quando a cerimónia do chá teve início, a camélia estava em plena floração. Contudo, nos tempos modernos, utiliza-se sempre a camélia em botão. O autor, mantendo-se cético, pesquisou cronologicamente dados iconográficos, como "desenhos de flores de chá". Como resultado, determinou empiricamente que as camélias em plena floração eram a norma até o período Edo, mas que, após a Restauração Meiji, a camélia passou a ser utilizada em "botões".

A cerimónia do chá era uma prática refinada e cultural na sociedade samurai. No entanto, após a Restauração Meiji, sofreu uma grande transformação, tornando-se uma forma de etiqueta centrada no feminino. A autora analisa isso da seguinte maneira:

Após o período Meiji, as camélias nas casas de chá só tinham botões. Isso devia-se ao facto de o espírito confucionista ter sido incorporado à educação feminina após a Restauração Meiji, o que exigia modéstia na cerimónia do chá.

Visitar todos os 43 santuários Tsubaki em todo o país

Outra característica distintiva deste livro é que ele foi resultado de um trabalho de campo minucioso e da coleta e análise cuidadosa de uma vasta quantidade de material sobre o tema "camélias e fé".

Segundo o autor, existem 43 santuários em todo o Japão, de Tohoku a Kyushu, cujos nomes incluem o som "Tsubaki", como o kanji "Tsubaki" ou o caractere japonês "Tsubaki". Entre 2000 e 2024, ela visitou todos esses "Santuários Tsubaki" e investigou sua história e localização.

O livro oferece explicações detalhadas para cada santuário, incluindo fotografias. Por exemplo, descreve o Santuário Tsubaki Ookamiyashiro, na cidade de Suzuka, província de Mie, como "atualmente o segundo santuário mais popular depois do Grande Santuário de Ise" e afirma que "há uma camélia sagrada em frente ao salão principal e 5000 camélias na montanha atrás dele". Inclui também uma "lista" com os nomes, localizações, anos de fundação, principais divindades, origens dos nomes e datas de levantamento topográfico de todos os 43 santuários. Pode-se dizer que é um trabalho meticuloso com o objetivo de construir um campo de "ciência das camélias".

A natureza dual das camélias, comum à "Rainha das Flores"

Okakura Tenshin, um homem de grandes realizações no desenvolvimento da arte japonesa moderna, citou a camélia em botão como uma flor representativa do chá para o inverno e um lírio solitário para o verão no seu livro em inglês, O Livro do Chá (publicado em Nova York em 1906). Ele também escreveu: "As flores são nossas companheiras constantes em momentos de alegria e tristeza" e "Casamos e somos batizados com flores, e nem mesmo podemos morrer sem flores" (tradução de Torao Miyagawa).

O autor destaca que as camélias têm uma natureza dual: são um pouco assustadoras, mas de alguma forma misteriosas e atraentes. Embora sejam conhecidas como a "rainha das flores da cerimónia do chá", os japoneses também as consideram sinistras.

O lírio, que aparece na mitologia e na Bíblia, é venerado no Ocidente como a "Rainha das Flores". Na verdade, essa flor também possui uma natureza dual oculta, como detalhado no livro de Marcia Rice, A História Cultural do Lírio.

Rosas belíssimas têm espinhos... Ao longo da história, flores famosas de todo o mundo podem ter sido associadas a imagens contraditórias, como "luz e sombra". Nobuchi Izumi – Japão in “Nippon.com”



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Nobuchi Izumi - Nascido em Tóquio em 1952. Após se formar na Faculdade de Ciências Políticas e Económicas da Universidade de Waseda, ingressou no Nikkei Shimbun. Passou um total de 13 anos e meio no departamento político, sendo mais de oito anos em Manila e Pequim. Cobriu a Ásia por muitos anos. Anteriormente, atuou como chefe do departamento da Ásia, diretor editorial adjunto, editor-chefe da sede em Osaka e diretor executivo e representante da filial de Nagoya. É membro honorário do Centro Japonês de Pesquisa Económica. Foi presidente do Clube de Correspondentes Estrangeiros das Filipinas (FOCAP) de 1991 a 1992. Seu apelido era Nonoy (dado a ele pelo ex-presidente filipino Ramos). Entre as suas obras em coautoria estão "China: De 'A Fábrica do Mundo' a 'O Mercado Mundial'" (Nikkei) e "China Enfrenta os Desafios de 2020: O Futuro de uma Superpotência" (Bunshindo).



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

São Tomé e Príncipe - Centro de psiquiatria vai ser requalificado e apetrechado pelo Japão

O donativo financeiro do governo japonês de mais de 75 mil euros, atende a uma das principais exigências do sistema de saúde de São Tomé e Príncipe, na actualidade, pois o número de doentes mentais não pára de aumentar no país.


Os dados mais recentes e divulgados pelo centro de psiquiatria no ano 2024 indicam que os casos de doentes mentais atingiram mais de 2000 pessoas atendidas no centro de psiquiatria. 

O ministro da solidariedade Jouceril Tiny dos Ramos em substituição do ministro da saúde, alertou para a importância estratégica da ajuda do governo do Japão, no quadro do sistema nacional de saúde. Segundo o ministro, para além dos doentes internados no centro, o donativo do Japão vai apetrechar a unidade psiquiátrica com meios que permitam recolher outros doentes que deambulam pelas cidades e vilas do país.

«O projecto que hoje assinamos no valor de 75.076 euros ilustra a vontade do Japão de acompanhar São Tomé e Príncipe nos seus esforços para fortalecer o sistema de saúde, incluindo num domínio muitas vezes pouco reconhecido, mas fundamental, a saúde mental», afirmou o embaixador do Japão.

O embaixador Ando Yoshio fez a doação do financiamento para requalificar o único centro de psiquiatria do país, na mesma semana em que entregou as cartas credenciais ao Presidente da República Carlos Vila Nova.

O novo embaixador com residência no vizinho Gabão garantiu que a unidade psiquiátrica vai ser apetrechada com equipamentos modernos. «A reabilitação do serviço e o fornecimento de equipamentos modernos, tais como camas hospitalares e aparelhos de ar condicionado, com o objectivo de proporcionar um ambiente mais seguro, mais limpo e mais humano, portador de esperança, solidariedade e respeito por cada vida humana», reforçou Ando Yoshio.

O diplomata nipónico recordou que o seu país mobilizou 1 milhão de euros para o reforço do sector da saúde de São Tomé e Príncipe. Valor que permitiu o fornecimento ao sistema de saúde do país de equipamentos médicos essenciais como laringoscópios, reguladores de oxigénio etc.

«A este esforço acresce a aquisição iminente de duas ambulâncias adicionais contribuindo assim para o reforço da capacidade de resposta e de atendimento às urgências sanitárias», pontuou.

O programa de doações para micro-projectos locais lançado pelo Governo do Japão está aberto a todas as organizações sem fins lucrativos cujos projectos visam responder às necessidades essenciais da população são-tomense. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Japão - Financia a reabilitação da Escola da Cruz Vermelha para Surdos na Guiné Equatorial

A Cruz Vermelha e a Embaixada do Japão assinam um acordo de doação para fortalecer a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva


A Cruz Vermelha da Guiné Equatorial e a Embaixada do Japão acreditada no país assinaram um acordo de doação em Malabo no valor de 68.639 euros, destinado à reabilitação e ampliação da Escola para Surdos da instituição humanitária, com o objetivo de melhorar a educação inclusiva para crianças com deficiência auditiva.

O acordo, assinado nesta quinta-feira, permitirá a renovação e ampliação das instalações existentes, bem como a construção de novos serviços sanitários, a fim de oferecer melhores condições de aprendizagem e cuidados aos alunos do centro.

A missão diplomática japonesa, sediada no Gabão, foi chefiada pelo encarregado de negócios, Yoshikawa Toru, que explicou que o projeto faz parte do programa de cooperação económica japonês chamado Doações para Microprojetos Locais que Contribuem para a Segurança Humana, destinado a apoiar iniciativas sociais com impacto direto nas comunidades.

Atualmente, a Escola da Cruz Vermelha para Surdos, fundada em 1992 e localizada em Malabo, atende 27 crianças. O projeto visa aumentar a capacidade do centro, facilitando o acesso à educação adaptada e segura para um número maior de crianças com deficiência auditiva.

Durante o evento, a delegação japonesa reafirmou o compromisso do seu país com o desenvolvimento social e educacional da Guiné Equatorial, em consonância com os objetivos nacionais de redução das desigualdades e fortalecimento do sistema educacional.

Desde o lançamento deste programa no país em 2019, o Japão financiou cinco microprojetos, três deles relacionados aos setores social e educacional.

Por sua vez, a Cruz Vermelha da Guiné Equatorial agradeceu ao governo japonês pelo apoio e destacou que a iniciativa irá melhorar o atendimento e a capacitação de um dos grupos mais vulneráveis ​​do país.

A cerimónia de assinatura ocorreu na sede da Escola para Surdos em Malabo e contou com a presença de representantes do PNUD, bem como dos Ministérios do Interior, da Educação e da Saúde, entre outras autoridades. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”