Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 23 de março de 2019

Moçambique – Gás natural liquefeito vai atrair investimento directo estrangeiro

Com um potencial de 15,2 milhões de toneladas, por ano (MTPA), o projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL), desenvolvido na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, vai atrair entre 27 e 32 biliões de dólares norte-americanos em investimento directo estrangeiro (IDE), devendo rentabilizar 2,6 biliões de pés cúbicos de recursos de GNL ao largo, aumentar de 15 a 18 biliões de dólares o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique, por ano, e transformar o País, a breve trecho, no quarto maior produtor de GNL do mundo.

Os resultados do estudo macroeconómico independente sobre o potencial da Área 4 do projecto de Gás Natural Liquefeito, elaborado pelo Standard Bank, foram apresentados na passada terça-feira, 19 de Março, em Maputo, e indicam que o GNL do Rovuma tem potencial para tornar a província de Cabo Delgado numa das regiões de maior crescimento acelerado do mundo, com a perspectiva de desenvolver o apoio às cadeias de valor industrial e agrícola.

A propósito da pesquisa, Chuma Nwokocha, administrador delegado do Standard Bank, referiu que com o estudo, o banco pretende contribuir para aumentar o entendimento sobre o desenvolvimento dos projectos do sector, no País: “O Standard Bank está interessado em promover o desenvolvimento económico de Moçambique. Com este estudo, esperamos contribuir para que todos os intervenientes no sector e a sociedade em geral percebam melhor sobre o potencial dos projectos de Petróleo e Gás, seus benefícios e como todos nós podemos contribuir para rentabilizar estes recursos”, frisou.

O projecto de GNL do Rovuma tem como meta de Decisão Final de Investimento (DFI) prevista para meados do corrente ano.

O director de Petróleo e Gás da África Subsaariana do Standard Bank, Paul Eardley-Taylor, explicou que dependendo do cenário CAPEX (investimento em bens de capital), o GNL do Rovuma poderá gerar um aumento do Produto Nacional Bruto (PNB) anual em 10 a 14 biliões de dólares norte-americanos, contribuindo em 4 a 5 biliões de dólares anuais em receitas públicas, nos próximos 25 anos.

“Espera-se que o GNL do Rovuma aumente a taxa de crescimento real projectada para Moçambique de 4 por cento para 4,8, a 5,4 por cento, dependendo do cenário”, sublinhou.

Sob a perspectiva de oferta de emprego, espera-se que o projecto de GNL do Rovuma venha a empregar 20 500 trabalhadores no sector de construção e 1300 operários. Prevê-se, igualmente, que o desenvolvimento das actividades criem muito mais oportunidades adicionais de emprego de diversas cadeias de valor e actividades de reinvestimento associadas ao apoio, fornecimento e lucros provenientes da operação comercial do GNL do Rovuma.

O GNL do Rovuma, conforme destaca o estudo, vai formar o núcleo do que, a curto prazo, será uma indústria substancial de gás doméstico em Moçambique, com um abastecimento regional alargado.

“O desenvolvimento de uma indústria de gás doméstico em Moçambique, poderá ajudar o Governo a alcançar a sua visão de ter um sector de gás doméstico, em paralelo, com capacidade de exportar o GNL. Isto vai conduzir um vasto desenvolvimento nacional e uma transformação social, especialmente na formação das Pequenas e Médias Empresas (PME)”, segundo sustentou Paul Eardley-Taylor.

Enquanto a China aprofunda a sua política de substituição de combustíveis, que visa substituir o carvão mineral por gás natural limpo como fonte de energia, o sucesso do desenvolvimento do GNL do Rovuma poderá colocar Moçambique numa posição de liderança para tornar-se um fornecedor líder de GNL à segunda maior economia do mundo, a longo prazo.

O estudo macroeconómico sobre o impacto do GNL do Rovuma antecede o Estudo Macroeconómico de 2014, que incidiu sobre a Área 4, elaborado pelo Standard Bank, em colaboração com os economistas de Conningarth.

“Sendo o Standard Bank, um banco africano que considera África como a sua casa, compromete-se a conduzir o crescimento do continente, servindo-se da sua presença e da sua visão e perícia para desenvolver os recursos do continente e todo o seu potencial em benefício dos cidadãos africanos”, enfatizou Paul Eardley-Taylor.

Entretanto, o estudo alerta que qualquer atraso do GNL do Rovuma terá um impacto económico negativo para o alcance das metas actualmente projectadas. Para mitigar este risco, o estudo sobre o GNL do Rovuma faz diversas recomendações. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Moçambique - Cabo Delgado tenta captar investimento sul-africano

As autoridades provinciais estão a tentar captar investimento sul-africano para Cabo Delgado, destacando as oportunidades ligadas aos investimentos em gás natural, anunciaram num encontro com empresários.

"Esperamos que este encontro promova oportunidades e estreite relações e conhecimento acerca dos negócios locais", destacou António Mapure, dirigente provincial de Cabo Delgado, citado hoje pelo departamento governamental de Indústria e Comércio da África do Sul, após receber investidores na região.

"A missão empresarial chegou numa altura importante", em que a província do norte do país já é palco de obras das infraestruturas de processamento de gás, referiu – áreas que deverão entrar em funcionamento dentro de quatro a cinco anos. A África do Sul "sempre foi um parceiro privilegiado de Moçambique. A sua participação no sector agrícola é muito activa, o que é motivo de interesse nesta província", acrescentou, além do sector do gás.

A missão sul-africana, que está a visitar Moçambique durante uma semana e que vai seguir para sul, em direcção a Maputo, é acompanhada pelo alto-comissário no país lusófono, Mandisi Mpahlwa, que garantiu que os empresários "estão atentos", ao mesmo tempo que "todo o mundo" olha para Cabo Delgado.

"Achamos que podemos contribuir com produtos e serviço de qualidade" para "construir o futuro", sublinhou. A par dos investimentos em gás e da atenção de empresários, Cabo Delgado está desde há um ano a sofrer com uma onda de violência que atinge locais remotos. Desde há um ano, segundo números oficiais, já terão morrido cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança. A violência ganhou visibilidade após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em Outubro de 2017, em que dois agentes foram abatidos por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes, pelo menos, desde há dois anos. Depois de Mocímboa da Praia, os ataques têm ocorrido sempre longe do asfalto e fora da zona de implantação da fábrica e outras infraestruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma. In “Olá Moçambique” - Moçambique

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Moçambique – Base Logística de Pemba operacional no início do próximo ano

A Base Logística de Pemba (BLP), na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, deverá estar em condições de receber navios em Janeiro de 2019, disse o director operacional na empresa Portos de Cabo Delgado.

José Daúde, citado pela Rádio Moçambique, disse ainda estarem em fase de conclusão os trabalhos de construção de um pontão com 375 metros, um armazém e a vedação de um terreno com cerca de 13 hectares, que fazem parte da primeira fase do projecto, cujo custo está orçado em 150 milhões de dólares.

O projecto foi lançado formalmente em Outubro de 2014 com conclusão prevista para o segundo semestre de 2016 mas a sua construção esteve interrompida devido às dúvidas quanto à sua utilização pelas companhias envolvidas nos projectos de gás natural.

Os consórcios liderados pelos grupos italiano ENI e norte-americano Anadarko Petroleum já manifestaram a intenção de usar infra-estruturas próprias que vão construir no distrito de Palma, a cerca de 400 quilómetros de Pemba, para as suas operações de exploração de gás natural, colocando em questão a viabilidade da BLP.

O presidente da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, Omar Mithá, ao falar na Conferência de Conteúdo Local no sector de Petróleo e Gás em Moçambique, que decorreu, em finais de Outubro, em Cabo Delegado, sublinhou que a BLP vai manter os direitos especiais que tem na bacia do Rovuma, incluindo a exclusividade sobre uma extensa área, onde se irá situar a infra-estrutura.

A empresa Portos de Cabo Delgado (PCD), constituída pelas estatais Empresa Nacional de Hidrocarbonetos e pela Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), é a entidade que detém o direito de gestão do porto, terminais de logística e beira-mar de Palma e Pemba. In “Olá Moçambique” – Moçambique com “Macauhub”

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Moçambique – Aeródromo de Mocímboa da Praia reabilitado

O Governo moçambicano não vai reduzir os pontos de entrada de aeronaves que fazem voos internacionais de e para o País, anunciou na passada segunda-feira, 12 de Fevereiro, o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita.

Falando na cerimónia da reabertura do Aeródromo de Mocímboa da Praia para o tráfego internacional não regular, Mesquita justificou a posição do Governo de manter os pontos de entrada aérea no País, pela necessidade de atender às demandas específicas de desenvolvimento, geradas nas diferentes regiões do País.


“A abertura de Mocímboa da Praia como mais um ponto de entrada é uma demonstração clara de que o Governo assume que o País ainda não está em condições de reduzir os pontos de entrada, dada a necessidade de atender as dinâmicas do desenvolvimento nos diversos pontos do País, por isso, reitero uma vez mais, que o Governo não vai reduzir os pontos de entrada no País”, disse Mesquita.

Esta posição põe termo ao debate que fluía sobre a necessidade da redução dos actuais nove pontos de entrada, nomeadamente os aeroportos de Maputo, Inhambane, Vilanculos, Beira, Tete, Lichinga, Nampula, Nacala e Pemba, para apenas três, designadamente Maputo, Beira e Nacala.

Falando, especificamente, sobre o impacto da reabertura de Mocímboa da Praia ao tráfego internacional, Mesquita sublinhou que esta decisão visa facilitar o acesso à região norte da província de Cabo Delgado, a partir do exterior, respondendo deste modo a crescente demanda deste serviço, impulsionado pelo desenvolvimento da indústria de hidrocarbonetos, que está a fluir na Bacia do Rovuma, bem como o turismo internacional.

Na componente da indústria de hidrocarbonetos, espera-se que Mocímboa da Praia passe a ser um nó logístico fundamental para o transporte aéreo dos equipamentos e prestação de serviços necessários para a construção e desenvolvimento das plataformas do Gás Natural Liquefeito (GNL) e seus derivados.

Na dinamização do Turismo, com a reabertura deste aeródromo espera-se dar resposta à preocupação dos operadores turísticos, que antes precisavam de ir a Pemba para cumprir com as formalidades oficiais de fronteira, passando a dispor de um serviço local e próximo, o que vai tornar os serviços mais competitivos e atractivos.

“Assim, exortamos a todos os intervenientes da cadeia produtiva desta região, sobretudo, os operadores aereoportuários e do ramo do turismo, agências de viagem e outros, para que se organizem para a exploração cabal do potencial gerado pelo tráfego aéreo internacional agora disponível em Mocímboa da Praia”, disse Carlos Mesquita.

Para o governador de Cabo Delgado, a reabertura do Aeródromo de Mocímboa da Praia ao tráfego internacional representa uma oportunidade ímpar para a dinamização do desenvolvimento de Mocímboa da Praia e do Norte de Cabo Delgado. Exortou igualmente ao Governo Distrital e às autoridades municipais locais para a conservação da infra-estrutura, evitando construções no perímetro do aeródromo, entre outras práticas que possam minar o bom funcionamento daquela infra-estrutura.

Para a reabertura ao tráfego internacional, o Aeródromo de Mocímboa da Praia beneficiou de melhorias significativas, através dum investimento de cerca de 24 milhões de Meticais que permitiram a ampliação do perímetro de vedação, melhoria do estado da pista de aterragem e respectivos caminhos de circulação, iluminação, sinalização, comunicações e outras intervenções que vão conferir melhor qualidade e segurança à aeronavigabilidade.

Em Cabo Delgado, o ministro dos Transportes e Comunicações inteirou-se do ritmo de implementação dos principais Projectos do sector na Província e visitou, igualmente, as obras de montagem do emissor local, no quadro do projecto de migração de radiodifusão analógica para digital. In “Fim de Semana” - Moçambique

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Moçambique - Mineradora australiana Mustang entra na corrida à grafite na província de Cabo Delgado

A empresa mineira australiana Mustang vai realizar até Junho um estudo sobre a possibilidade de criar uma unidade de extracção de grafite no norte de Moçambique, anunciou numa nota aos accionistas.

"A conclusão do estudo está programada para o segundo trimestre de 2018, seguindo-se o início do estudo de viabilidade definitivo" que poderá anteceder o investimento, lê-se no documento consultado pela Lusa.



O estudo vai incluir os resultados "espectaculares" de 11 furos de prospecção já realizados em Caula, Montepuez, na província de Cabo Delgado, e que encontraram grandes filões de grafite, declarou a Mustang. As amostras recolhidas durante a prospecção "estão a ser enviadas para ensaios e testes metalúrgicos", acrescentou.

A Mustang tem uma mina de rubis na mesma região, de onde agora pretende extrair grafite e que se situa ao lado de uma mina explorada pela Syrah, outra empresa australiana que já iniciou a embalagem e a exportação de grafite.

A existência de valiosos depósitos subterrâneos já tinha motivado também o investimento da multinacional alemã AMG Graphit Kropfmuhl, que em Junho de 2017 iniciou formalmente a produção de grafite na mina de Ancuabe, noutra zona de Cabo Delgado.

A procura de grafite está em alta a nível mundial por ser um componente usado em baterias, numa altura em que o mercado de automóveis movidos a electricidade e outros produtos eléctricos - como as aeronaves autónomas (drones) está em expansão. In “Olá Moçambique” - Moçambique

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Moçambique – Cabo Delgado elege o algodão e a castanha de caju para maior rendimento dos agricultores

A província de Cabo Delgado elegeu duas culturas de rendimento como apostas do Governo, nomeadamente algodão e castanha de caju, cuja produção deve ser maximizada pelos produtores.

Pretende-se com a iniciativa criar emprego, aumentar a renda nas famílias e induzir mudança estrutural da agricultura nesta região do país.

Para o efeito, o Governo provincial organizou, semana finda, a Conferência Internacional do Algodão e Castanha de Caju, tendo juntado, na mesma sala, produtores, fomentadores, especialistas e extensionistas das tais culturas, membros do Executivo, agentes económicos, entre outros participantes, para discutirem estratégias de maximização da produção destas culturas.

A governadora de Cabo Delgado, Celmira da Silva, que orientou os trabalhos, disse que a província dispõe de 5,6 milhões de hectares de terra arável, mas apenas 1,8 milhão desta área é explorada. Indicou que para investimentos estão já disponíveis 569 mil hectares de terra própria para agricultura à espera que sejam cultivados.

Actualmente, de acordo com a governadora, as duas culturas representam 5,4 por cento do PIB da província e, apesar das condições agro-ecológicas favoráveis para a produção do algodão e castanha de caju, os níveis de produtividade por hectare e por árvore ainda são baixos. Por exemplo, a produção do algodão por hectare é de 600 quilogramas.

“Os nossos níveis de produção actuais estão na ordem das 24 mil toneladas de ambas as culturas e, por isso, precisamos de encontrar alternativas técnicas e parceiros para modernizar os sistemas de produção orientados para os mercados interno e externo, além de desenvolver redes de comercialização eficazes, viabilizar e instalar unidades industriais de têxteis” – indicou Celmira da Silva.

Num outro desenvolvimento, Celmira da Silva disse acreditar no investimento de grandes empresas do sector, na agilidade das pequenas e médias empresas e nas parcerias entre o sector familiar e o empresarial, que podem melhorar a produção daquelas culturas e atingir com êxito os objectivos de incremento que se pretendem no sector agrário para alavancar a economia da província.

Enquanto isso, Peter Masawe, especialista na produção da castanha de caju e pesquisador do Centro de Caju de Naliendele, em Mtwara, na República Unida da Tanzania, revelou que Moçambique já foi o maior produtor da castanha de caju de África, seguido da Tanzania, uma posição que perdeu na década de 1980. Masawe referiu que, nos últimos anos, o país tende a melhorar sua produção.

Entretanto, o delegado do Instituto Nacional do Caju (INCAJU), Adelino Tadeu, fez saber que a província espera comercializar, este ano, mais de 12 mil toneladas e tratar 1500 cajueiros contra pragas. Afirmou que, em Cabo Delgado, o distrito de Nangade é líder na produção daquela cultura, seguido de Mueda.

Por seu turno, Mário Vasconcelos, delegado do Instituto de Algodão de Moçambique (IAM), indicou que a província espera produzir, na presente safra, 50 mil toneladas contra 18 mil da campanha finda. A fonte revelou que irregularidades de chuvas, escolha pelos camponeses de culturas mais remuneradas como gergelim e feijões concorreram para a fraca produção na última safra. Jonas Wazir – Moçambique in “Jornal de Notícias”

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Moçambique – Inaugurada nova fábrica de cimento em Cabo Delgado

Conforme o “Baía da Lusofonia” anunciou no ano passado, foi inaugurada na passada sexta-feira, na província de Cabo Delgado, distrito de Metuge, a primeira fábrica de cimento nesta província, com a presença do Presidente da República, Filipe Nyusi.

A capacidade de produção anual está estimada em duzentas e cinquenta mil toneladas de cimento.

Poderá aceder ao desenvolvimento da notícia que trouxemos no ano passado, aqui. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Moçambique – Anadarko próxima da decisão final de investimento na Bacia do Rovuma

A Anadarko, uma companhia petrolífera norte-americana com sede em Houston, estado do Texas, poderá tomar a decisão final de investimento no próximo ano para a implementação do seu projecto de gás natural na província de Cabo Delgado, em Moçambique, disse na passada semana o director executivo, Al Walker, citado pelo jornal Houston Chronicle.

Há seis anos, a Anadarko descobriu enormes depósitos de gás natural na Bacia do Rovuma que, segundo alguns analistas, poderão colocar Moçambique na liga dos maiores produtores do mundo.

Na altura, a China, a Índia e o Japão encontravam-se envolvidos numa corrida desenfreada para fechar contratos para a importação de gás natural. Agora, a Ásia e outras regiões do mundo registam um excesso de produção de gás natural liquefeito (GNL), algo que acabou refreando drasticamente a apetência dos investidores para o desenvolvimento de novos empreendimentos, a semelhança do projecto de Moçambique, que está orçado em várias dezenas de biliões de dólares.

Contudo, em entrevista concedida sexta-feira, na cidade norte-americana de Houston, Walker, disse que o projecto poderá iniciar a produção precisamente no momento certo, ou seja no período compreendido entre os anos 2022 e 2023.

Essa é a altura em que as empresas de pesquisas energéticas IHS Markit e Wood Mackenzie acreditam que a economia global terá crescido o suficiente para estimular uma nova vaga de demanda de GNL.

Segundo Walker, a Anadarko projecta investir cerca de 15 bilhões de dólares em Moçambique no próximo ano. Isso poderia colocar o projecto em andamento para que o início da exportação de gás natural coincida com a redução dos excedentes no mercado internacional.

“A nossa esperança é de podermos avançar muito rapidamente”, disse ele.

A empresa ainda está por concluir algumas questões pendentes nas negociações com o governo moçambicano, incluindo a assinatura de um acordo para o reassentamento das famílias residentes na área onde será implantado o projecto. O custo do reassentamento poderá atingir cerca de 300 milhões de dólares para a construção de novas casas e outras infra-estruturas para as pessoas afectadas.

A Anadarko já apresentou o seu plano de reassentamento ao governo e aguarda a aprovação do governo.

O acordo de reassentamento, bem como vários outros contratos inacabados, são algumas questões que levaram o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, que se encontra a efectuar uma visita de trabalho de quatro dias aos EUA, a reunir-se com o director executivo da Anadarko, na sexta-feira, na sede daquela multinacional norte-americana.

Uma vez concluídas as negociações, o projecto da Anadarko em Moçambique poderá, eventualmente, encarar os mesmos desafios que outras multinacionais petrolíferas enfrentaram no passado para a construção de unidades de liquefacção de gás natural em regiões com fracas infra-estruturas ou escassez de mão-de-obra qualificada, disse Bob Fryklund, estratega-chefe da IHS Markit.

Aliás, segundo a IHS, nos últimos anos, três em cada quatro grandes projectos de energia implementados em países em desenvolvimento acabaram por ultrapassar o orçamento inicial ou sofreram atrasos.

Por isso, a forte concorrência que se avizinha ao longo dos próximos anos poderá deixar pouca margem de erro para a Anadarko num mercado que, eventualmente, poderá voltar a registar grandes excedentes com a expansão das unidades de processamento de gás natural existentes nos EUA e Austrália, disse Fryklund.

Este é o melhor momento para tomar uma decisão final de investimento, porque os preços provavelmente irão recuperar nos próximos cinco anos o problema é não aproveitar essa janela (de oportunidade), explicou Fryklund.

Não é um desafio intransponível, mas este é o primeiro projecto de GNL da Anadarko, acrescentou.

A petrolífera norte-americana acredita que poderá extrair cerca de 75 triliões de pés cúbicos de gás recuperáveis em Moçambique, tornando as suas descobertas algumas das maiores da última década. In “Agência de Informação de Moçambique” - Moçambique

terça-feira, 10 de maio de 2016

Moçambique – Missão empresarial da Câmara Agrícola Lusófona em Cabo Delgado

Uma missão empresarial da Câmara Agrícola Lusófona (CAL) chegou ontem, 09 de Maio de 2016, a Cabo Delgado, para procurar oportunidades de investimento.

Para o efeito, terá lugar hoje em Pemba, um seminário, onde empresários da missão lusófona vão interagir com os seus homólogos de Cabo Delgado.

A delegada do Centro de Promoção de Investimentos, CPI, em Cabo Delgado, Vitória Paulo, disse que a província tem um enorme potencial que pode ser explorado por aqueles empresários agropecuários.

A missão da Câmara Agrícola Lusófona em Moçambique prolonga-se até ao próximo dia 16 de Maio com uma visita à província de Nampula no âmbito do seu Programa de Internacionalização do Sector do Agronegócio, iniciativa comparticipada parcialmente pela União Europeia – Portugal 2020 e Compete 2020. Baía da Lusofonia

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Moçambique - Bacia do Rovuma: Projecto de gás cria postos de trabalho

Um total de 820 novos postos de trabalho serão criados no país com a aprovação na passada terça-feira, pelo Conselho de Ministros, do plano de desenvolvimento do projecto FNLG Coral Sul, que visa a extracção e liquefacção de gás natural usando uma plataforma flutuante em alto mar.

Dos 820 postos de trabalho a serem criados 90 por cento serão preenchidos por mão de obra nacional a ser profissionalmente capacitada para o efeito.

A implementação deste projecto vai também permitir a captação de recursos externos através das operações de exportação de gás natural liquefeito, contribuindo para o reforço das reservas internacionais.

O projecto, a ser implmentado ainda este ano pela ENI East Africa, está localizado na área 4 da Bacia do Rovuma e numa primeira fase permitirá a extração de 4,7 triliões de pés cúbicos de gás natural e a produção de 3,37 triliões de gás natural liquifeito (LNG).

Segundo o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, o Plano de Desenvolvimento hora aprovado constitui a primeira fase, uma vez que se estima que na área 4 da Bacia do Rovuma existam cerca de 15,65 triliões de pés cúbicos de gás natural.

Assim, de acordo com a mesma fonte, os projectos subsequentes de exploração do remanescente gás natural do reservatório coral e de toda a descoberta e sua liquefacção serão objecto de planos de desenvolvimento específicos a aprovar oportunamente pelo Governo.

A aprovação deste plano vai catapultar o desenvolvimento da zona norte do país através de implantação de infra-estruturas básicas de apoio ao funcionamento operacional.

A descoberta, efectuada em Maio de 2012 e definida em pormenor em 2013, provou a existência de 16 biliões de gás natural de elevada qualidade a uma profundidade de mais de 2000 metros e a uma distância de 80 quilómetros da baía de Palma, província de Cabo Delgado.

O plano de desenvolvimento contempla a realização de seis furos e a construção e instalação de uma plataforma flutuante para o processamento de gás natural, que terá uma capacidade de 3,4 milhões de toneladas por ano.

O grupo ENI é o operador do bloco Área 4, com uma participação indirecta de 50% através da ENI East Africa, que controla 70% do bloco, sendo os restantes parceiros os grupos português Galp Energia, sul-coreano Kogas, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos, todos com 10% cada, e a China National Petroleum Corporation, com uma participação indirecta de 20%. In “Jornal de Notícias” - Moçambique

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Moçambique – Camponeses de Cabo Delgado têm acesso ao crédito

Camponeses e comerciantes agrícolas da província de Cabo Delgado e não só, poderão, num futuro breve, ter acesso ao crédito bancário para o incremento das suas actividades, numa iniciativa a ser levada a cabo pela Bolsa de Mercadorias de Moçambique (BMM), em parceria com instituições bancárias nacionais.

Segundo explicação do Presidente do Conselho de Administração da BMM, António do Rosário Grispos, a instituição que superintende vai facilitar o processo, fazendo com que os camponeses e comerciantes rurais recebam um certificado de depósitos no acto de armazenamento dos seus produtos nos silos existentes em todas as províncias, documento que poderão usar como termo de garantia de acesso aos créditos.

Na óptica de Rosário, a iniciativa irá igualmente permitir a gestão eficaz do risco nos mercados agrícolas, melhorar a segurança alimentar, entre outras vantagens.

Esclareceu que o certificado de depósito é um instrumento que os intervenientes podem apresentar aos bancos como garantia para a obtenção de crédito que, de acordo com suas palavras, irá impulsionar o trabalho dos camponeses e outros produtores através da expansão das suas áreas de cultivo.

“Muitas vezes os agricultores não ganham muito dinheiro na venda dos seus produtos porque fazem-no em períodos de maior oferta. Se o camponês conseguir guardar os produtos nos silos já existentes, ele terá a oportunidade de vender a preços um pouco mais competitivos em tempos de escassez dos produtos. Esta será a vantagem” – afirmou Rosário Grispos.

Em Cabo Delgado, a BMM possui silos em Ancuabe, concretamente na localidade de Nanjua. De acordo com o PCA, António do Rosário Grispos, em todo o país a BMM tem um total de 50 mil toneladas de milho, feijões e gergelim armazenados.

Da quantidade atrás mencionada, os silos de Nanjua contribuem com 500 toneladas daqueles produtos.

Estes dados foram avançados durante o seminário de divulgação do plano estratégico da BMM, realizado há dias, na cidade de Pemba, evento que reuniu potenciais empresários da área de comercialização agrícola, camponeses e outros intervenientes agrários.

Falando durante a cerimónia de abertura do encontro, Grispos explicou que a BMM pretende ser uma plataforma de negócios onde vários intervenientes, desde agricultores, associações de camponeses, comerciantes e agentes económicos e afins, irão encontrar-se uns aos outros para vender e comprar produtos agrícolas, sobretudo cereais, leguminosas e oleaginosas. In “Notícias Sapo” - Moçambique

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Moçambique – Nova fábrica de cimento em Cabo Delgado

Uma fábrica de produção de cimento vai entrar em funcionamento, no próximo ano, na província de Cabo Delgado.

O projecto, pertencente a um grupo de empresários chineses, está avaliado em cerca de dezanove milhões de dólares norte-americanos.

A fábrica, que estará localizada no distrito de Metuge, vai ter uma capacidade de produção anual estimada em duzentas e cinquenta mil toneladas de cimento.

A governadora de Cabo Delgado, Selmira da Silva, disse que o empreendimento vai contribuir para sustentar o mercado local, ávido daquele produto importante para a construção civil.

Selmira da Silva falava esta quarta-feira, 01 de Julho de 2015, durante o lançamento da primeira pedra para a construção da nova fábrica de cimento. In “Rádio Moçambique” - Moçambique

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Moçambique – Anadarko pretende garantias

A petrolífera norte-americana Anadarko manifestou-se determinada a tomar uma decisão final de investimento em Moçambique, no final de um encontro em Maputo do vice-presidente da empresa com o primeiro-ministro moçambicano.

«Existem acordos que temos de concluir para garantir que possamos operar e explorar o gás. Queremos uma garantia de que podemos implementar um projeto desta magnitude de uma maneira eficiente e eficaz», disse o vice-presidente da Anadarko, Don MacLiver, falando à imprensa em Maputo, na sexta-feira, após uma audiência com Carlos Agostinho do Rosário.

De acordo com Don MacLiver, entre o Governo moçambicano e a companhia norte-americana, estão em curso discussões para garantir o desenvolvimento efetivo do projeto, cujas obras vão durar quatro anos, mas que ainda não começaram, apesar de já ter sido identificada uma área de cerca de 7.000 hectares no distrito de Palma, na província de Cabo Delgado.

A empresa norte-americana anunciou na segunda-feira passada a contratação de um consórcio para o arranque das obras do projeto, compostos pela japonesa Chiyoda Corporation e as italianas Eni e Saipem.

A Anadarko lidera o consórcio que opera na Área 1 da bacia do Rovuma, na costa de Cabo Delgado, onde estudos apontam para a existência de mais 75 biliões de pés cúbicos de gás natural.

Tanto a Anadarko como a Eni, que lidera o bloco 4 na bacia do Rovuma, onde está também presenta a portuguesa Galp, ainda não divulgaram as suas decisões finais de investimento para uma das maiores reservas de gás natural do mundo e a data inicial de 2018 para o início da exploração deverá ser adiada. In “Dinheiro Digital” - Portugal

domingo, 27 de julho de 2014

Moçambique – Novas infra-estruturas em Cabo Delgado

Novas infra-estruturas em perspectiva no norte de Moçambique

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos apresentou esta quarta-feira o Plano Geral de Urbanização do distrito de Palma, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, com vista a uma gestão e uso da terra naquele distrito onde foram descobertas enormes reservas de gás natural.

Este plano de 18 mil hectares em Palma deve ser o alicerce de projectos que visam o desenvolvimento da extracção e tratamento do gás natural naquela zona. Este projecto orçado em 50 mil milhões de Dólares, prevê a construção de residências, lojas, escolas, hospitais, e outras infra-estruturas em apoio daquela que deverá ser a segunda maior unidade de liquefacção de gás do mundo, a seguir ao Qatar.

Ao apresentar este plano, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos referiu que os cerca de 8 mil habitantes das oito aldeias situadas na zona onde deve ser erguida a urbanização "estão satisfeitos com o projecto". Todavia, esta não é a visão dos ambientalistas daquela área que, ao denunciar a usurpação de terras para a concretização desse projecto, também expressam receios quanto aos prejuízos que poderão sofrer o meio ambiente e a população local. RFI - Moçambique

domingo, 26 de janeiro de 2014

Porto de Palma

O Governo moçambicano oficializou, em regime de concessão, os terminais portuários e logísticos de Pemba e Palma à Sociedade Portos de Cabo Delgado, uma empresa de capitais públicos.

A Sociedade Portos de Cabo Delgado é uma parceria entre as empresas públicas Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), ficando cada uma com 50% do capital, sendo a concessão por um período de 30 anos.

Está previsto um investimento inicial de 150 milhões de dólares para a construção de infra-estruturas para assegurar o escoamento do gás natural de Cabo Delgado no norte de Moçambique.

Palma - Foto: amimartins.wordpress
Enquanto para Pemba está projectado a construção de um novo porto junto ao actual, gerido pela CFM, com excelentes condições de navegabilidade, boas acessibilidades terrestres, com uma protecção natural, pois encontra-se no interior da baía de Pemba, o porto de Palma, simplesmente não existe.

No tempo colonial, os barcos ficavam ao largo na baía de Tungue, sendo o transbordo de pessoas e bens, feito apenas nas marés cheias, em pequenos barcos, para um pequeno pontão, na localidade de Palma, hoje destruído.

Palma - Foto: amimartins.wordpress
A paradisíaca baía de Tungue com as suas belas praias, local ideal para as actividades turísticas, apenas com o sério problema das matacanhas, é uma zona de grande assoreamento, águas pouco profundas, onde a construção de um porto terá custos elevados e com acessibilidades terrestres bastantes difíceis.

Segundo os responsáveis, os dois portos serão a porta de entrada para todos os equipamentos necessários para o funcionamento das empresas que actualmente fazem a prospecção de hidrocarbonetos na bacia do Rovuma e para a exportação dos produtos finais, com destaque para o gás natural liquefeito. Baía da Lusofonia

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Gás natural em Cabo Delgado

Uma centena de empresas moçambicanas já prestam serviços à ANADARKO

Cerca de 100 empresas moçambicanas já estão a prestar serviços à multinacional petrolífera norte-americana Anadarko, que projecta investir cerca de 15 mil milhões de dólares na exploração do gás natural, na província de Cabo Delgado, segundo foi dado a conhecer, esta quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013, em Maputo, no decurso do Business Breakfast sobre Conteúdo Local.

Imagem: Geo ExPro


O encontro, promovido pela CTA-Confederação das Associações Económicas de Moçambique, em parceria com a Anadarko, insere-se no âmbito de uma série de seminários, que visam a promoção de oportunidades de investimentos em Moçambique e desenvolvimento de fornecedores no sector do Petróleo, Gás e Minas.

Eduardo Macuácua, director adjunto da CTA explicou a propósito que "as grandes empresas que estão envolvidas na exploração de minerais e hidrocarbonetos contêm políticas internas de envolvimento de empresas moçambicanas e comunidades locais, no entanto, o que nós estamos a fazer, como CTA, é promover uma série de encontros para a transmissão de informações concisas sobre os requisitos necessários para participar na cadeia de fornecimento de bens e serviços das multinacionais".

Acrescentou que, "a CTA, por iniciativa própria, levou a cabo um projecto de legislação sobre Conteúdo Local, que vai permitir que se defina claramente a participação das empresas e comunidades locais nos grandes projectos, porque acreditamos que não há desenvolvimento que exclua as comunidades locais".

O director adjunto da CTA avançou ainda que cerca de 98 por cento das empresas moçambicanas são de pequeno e médio porte e precisam de se capacitar, para além de conhecer melhor este ramo industrial que é novo, daí que a CTA tem vindo a encorajar os parceiros e o Governo para investir na sua capacitação.

Por sua vez, Alcido Mausse, director de Assuntos Sociais e Governamentais da Anadarko Moçambique, referiu que "os requisitos exigidos pelas multinacionais podem parecer pesados, mas, no nosso caso vertente, ainda não estão claramente todos definidos".

"Apenas definimos o básico e indispensável, como por exemplo ser uma empresa moçambicana, registada e que tenha conhecimento do sector", indicou, realçando que "as três companhias que vão construir os complexos de liquefacção de gás na costa moçambicana é que vão determinar os requisitos pormenorizados das empresas por subcontratar".

Refira-se que a Anadarko prevê iniciar, em 2014, a primeira fase do projecto, que compreende a construção de infra-estruturas básicas, acomodação, abertura de acessos, dragagem, provisão de serviços essenciais, como água, saneamento, melhoria de estradas, entre outros, de modo a que em 2018 possa arrancar com a exploração do Gás Natural Liquefeito. Olá Moçambique - Moçambique

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Baía de Cabo Delgado

Plano de 18 mil hectares de terra no âmbito do projecto de Gás de Palma

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos apresentou, em Maputo, a proposta preliminar do Plano Geral de Urbanização (PGU) de uma área de 18.000Ha (dezoito mil hectares de terra) sita no Distrito de Palma, Província de Cabo Delgado. Pretende-se que este seja um instrumento facilitador, orientador e regulador da acção dos órgãos decisores do Estado e do Governo na implantação e desenvolvimento de infraestruturas diversas no local, no âmbito do projecto de instalação de uma zona industrial conexa à produção de Gás Natural Liquefeito (LNG).

A elaboração do Plano Geral de Urbanização dos 18 mil hectares surge na sequência da previsão de um enorme fluxo de população e um grande aumento de investimentos na região, e a necessidade de estabelecer condições legais e administrativas favoráveis ao desenvolvimento social e económico, à protecção do ambiente e das normas de gestão do solo.

A proposta foi apresentada num encontro de discussão técnica, realizado no dia 13 de Dezembro de 2013, que contou com a presença de representantes de diversas instituições públicas, empresários e organizações da sociedade civil. O evento serviu para colher contribuições das instituições acima mencionadas sobre as propostas de organização e destino dos espaços, com vista a harmonizá-las com as políticas e planos sectoriais incidentes sobre o mesmo espaço territorial, bem como a sua sensibilidade sobre os conteúdos, visando melhorar a abordagem.

Praia de Palma ao entardecer
O processo de elaboração do plano iniciou em Agosto do presente ano, e compreende cinco fases tendo a primeira abrangido os processos de caracterização e diagnóstico da situação actual da área, que terminou em Outubro passado; a segunda consistiu no Desenvolvimento da Proposta de Estratégia do Plano Geral de Urbanização e terminou em Novembro último. A terceira fase, ora em curso, consiste na elaboração da proposta do Plano, em consulta.

Segundo o PCA da ENH, Nelson Ocuane, pretende-se com o Plano Geral de Urbanização promover o desenvolvimento industrial associado à fábrica de liquefação de gás e também o desenvolvimento dos restantes sectores de serviços, comércios, e infraestruturas sociais que o presente plano deverá abranger, de uma forma harmoniosa. “O nosso desejo é que este seja um plano participativo, que as comunidades sejam integradas neste processo pois temos como fim salvaguardar as áreas das aldeias locais para que não seja necessário proceder ao reassentamento da população para a implementação das áreas industriais.”

No âmbito da elaboração do Plano estão a ser feitas consultas a diversas entidades, a todos os níveis (central, provincial, distrital e local), com sucessivas reuniões de trabalho institucional e com a população local, incluindo o Conselho Consultivo do Governo Distrital. O processo de elaboração privilegia o contacto directo com todos os intervenientes nos vários processos em curso na região de Palma, incluindo o projecto da Fábrica de Gás nos 7.000Ha (sete mil hectares de terra) no sentido de promover a interligação dos vários planos em elaboração.


Desde o início da elaboração do Plano têm sido assegurados todos os métodos de divulgação e publicitação do processo nos termos previstos na Lei Moçambicana. Após a recolha das contribuições resultantes de diversos encontros, seguir-se-á a sua harmonização e numa quarta fase, será apresentada a proposta final do Plano Geral de Urbanização que se prevê para princípios de Fevereiro de 2014. Olá Moçambique - Moçambique

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

João Tomo

Ontem estive num evento africano, que teve a particularidade muito comum aos portugueses, refiro-me à pontualidade, ou à falta dela.

E isso fez-me recordar o João Tomo, um soldado africano que no ano de 1974, ainda no tempo da guerra colonial recebemos em terras de Moçambique, quando ali chegámos, na vila de Palma, distrito de Cabo Delgado, no mês de Junho desse ano.

De uma dezena de soldados africanos, o único nome que me ficou na memória foi precisamente o do João Tomo, um jovem que como os outros vinha classificado de servente, a mais baixa qualificação para um soldado que ia cumprir tarefas num pelotão de intendência.

Uma análise que fiz, idêntica aos soldados oriundos da metrópole (Portugal) que já fizera anteriormente, chamou-me a atenção para o João Tomo, diferente dos restantes, com qualidades muito acima da média, que me levaram a integrá-lo no departamento à minha responsabilidade, a área administrativa.

Como devem calcular, esta minha decisão não foi muito bem aceite pelos soldados “brancos”, mas nunca me arrependi da decisão que tinha tomado.

E por que hoje, trinta e nove anos depois me estou aqui a recordar do João Tomo, que o mais normal é ele já não se lembrar de mim? Precisamente pela pontualidade.

Um dos factos que difere um país desenvolvido dos outros é a pontualidade e sempre considerei que o João Tomo iria ser mais que os outros por esta característica.

Ele sempre cumpriu as tarefas administrativas, não como um soldado que cumpria obrigatoriamente o serviço militar, mas sim como um funcionário administrativo, que pelas 9 horas da manhã, quando da abertura dos serviços que eu diariamente fazia, o João Tomo era o único que já se encontrava à porta do escritório esperando que as portas se abrissem.

Porta da esquerda, entrada dos escritórios


De uma caligrafia de alta qualidade, responsável pela entrada e registo dos documentos entretanto classificados e posterior arquivamento, o João Tomo dava uma confiança no trabalho executado, que perdurou nos quase quatro meses que trabalhámos em conjunto, até ao dia 01 de Outubro de 1974, quando parti de férias, num dia atribulado, que me ficou na memória, porque acidentalmente, foi o único dia até hoje, onde vi a morte passar-me ao lado.

O rumo que felizmente começara-se a traçar em 25 de Abril de 1974, tanto para Portugal como para as colónias e neste caso Moçambique, fizeram-me que nunca mais visse o João Tomo, mas 39 anos depois ainda o recordo com admiração e respeito. Baía da Lusofonia

sábado, 10 de novembro de 2012

Elefantes


Os elefantes estão em risco de extinção na Reserva de Mareja, no Parque Nacional das Quirimbas, no distrito moçambicano de Cabo Delgado, devido à caça furtiva levado a cabo por caçadores sem escrúpulos, que vêem nos cornos de marfim, um lucrativo modo de vida.

O Parque Nacional das Quirimbas que ocupa uma área de 7 500 km2, abrangendo ecossistemas marinhos e terrestres, tem um diminuto corpo de guardas florestais para intervir numa tão vasta região, onde os caçadores furtivos actuam impunemente apoiados por meios aéreos.

Nos últimos meses têm-se verificado um aumento da captura de elefantes, tendo sido abatidos fêmeas e espécimes juvenis, cujo tamanho do corno de marfim, não tem valor comercial, pondo em risco a sobrevivência dos elefantes, sem que haja da parte das autoridades locais moçambicanas, qualquer intervenção para fazer cobro a este tipo de actividade.

A procura por marfim por parte dos mercados asiáticos, que pagam um bom preço por este produto, a falta de vigilância apropriada para uma região com uma área enorme e por vezes o colaboracionismo entre os agentes de fiscalização e os caçadores furtivos são uma preocupação para as autoridades nacionais, que se torna necessário alertar o mundo para este problema, o da vida animal selvagem, que não é um problema moçambicano, mas sim de toda a comunidade internacional. Baía da Lusofonia