Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Brasil – UNILAB, inscrições terminam hoje para os estudantes dos PALOP e Timor-Leste

Termina hoje, 05 de abril, as inscrições para o processo seletivo de estudantes estrangeiros para o ano letivo 2019/2020



A Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), através da A Pró-Reitoria de Relações Institucionais (Proinst), abre prazo de inscrições, de 23 de março a 05 de abril, para os interessados em participar do Processo Seletivo de Estudantes Estrangeiros Unilab 2019, com ingresso no 2º período letivo do calendário universitário do ano letivo de 2019 e no 1º período letivo do ano de 2020, em seus cursos de graduação, para candidatos nacionais de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Confira o EDITAL nº 01/2019

Para concorrer às vagas do PSEE 2019 os candidatos devem apresentar os Históricos escolares do Ensino Secundário (Médio) com, no mínimo, as seguintes médias aritméticas, sem arredondamento:

a) para os candidatos de Angola e Moçambique a Média Aritmética mínima do Ensino Secundário (Médio) será de 5,50 (Cinco e cinquenta décimos), para a escala de 0 (zero) a 10 (dez) ou de 11,00 (onze), para a escala de 0 (zero) a 20 (vinte);

b) para os candidatos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe a Média Aritmética mínima do Ensino Secundário (Médio) será de 6,00 (Seis), para a escala de 0 (zero) a 10 (dez) ou de 12,00 (doze), para a escala de 0 (zero) a 20 (vinte);

c) para os candidatos de Guiné-Bissau a Média Aritmética mínima do Ensino Secundário (Médio) será de 6,00 (Seis), para a escala de 0 (zero) a 10 (dez) ou de 12,00 (doze), para a escala de 0 (zero) a 20 (vinte).

Para efetivar a inscrição no PSEE 2019 o candidato deverá anexar (fazer o upload) ao Formulário Eletrônico de Inscrição os seguintes documentos escaneados e gerados em formato PDF:
 
a) BILHETE DE IDENTIDADE (FRENTE E VERSO);

b) CERTIFICADO DE CONCLUSÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO (MÉDIO) cursado no país de inscrição;

c) HISTÓRICO ESCOLAR COMPLETO DO ENSINO SECUNDÁRIO (MÉDIO), com a relação das disciplinas cursadas e notas obtidas durante todas as séries do ensino médio.

Mais informações na página do PSEE 2019.




quarta-feira, 3 de abril de 2019

Guiné-Bissau - Emigrante na Noruega quer colocar mil caixotes de lixo nas ruas de Bissau

Bissau - O jovem guineense Juviano Landim, emigrante na Noruega, iniciou o desafio de colocar mil caixotes de lixo pelas ruas de Bissau, para ficar mais limpa através do projeto "Homens Novos"para inspirar os cidadãos a terem um comportamento melhor. 

Desde o dia 26, Juviano e um grupo de 30 jovens do projeto "Homens Novos" começaram a colocar recipientes em alguns cantos da capital guineense, contando iniciar uma campanha de sensibilização para que as pessoas passem a deitar lixo naqueles bidões metálicos.

A meta de Juviano Landim, jovem guineense crescido em Portugal, mas emigrante na Noruega desde 2008, é colocar nas ruas mil bidões.

"Queremos ter uma cidade limpa. Somos homens novos, uma mentalidade nova. Basta uma Guiné diferente, uma Guiné melhor, um Bissau limpo, uma cidade limpa é o que nos pretendemos, é o nosso ganho neste projeto", disse á Lusa para justificar a iniciativa.

Juviano Landim afirmou que faz o que pode enquanto cidadão para ajudar a mudar as mentalidades num país, numa cidade "que deixa muito a desejar" em termos de saneamento, onde, disse, a população não tem o hábito de deitar o lixo para algum recipiente, que "nem existe".

Os promotores do projeto "Homens Novos" compram os bidões de 200 litros às gasolineiras, nomeadamente à subsidiaria da Galp na Guiné-Bissau, a Petromar, cortam-nos ao meio, pintam-nos, perfuram-nos, para evitar tentação de roubo para outros fins, e a seguir colocam-nos em lugares de passagem para que as pessoas deixem aí o lixo.  

A ideia, acrescentou Juviano Landim, é que a Câmara Municipal retire as caixas do lixo diariamente e que nunca falte meios para a compra dos bidões.

Através da amostra nas redes sociais das ações, o projeto "Homens Novos" tem recebido apoios financeiros sobretudo de guineenses no estrangeiro, mais do que no próprio país, destaca o promotor da iniciativa que visa "mudar o rosto de Bissau".

Juviano Landim considera-se patriota daí ter trabalhado sempre no sentido de apreender na emigração, voltar e ajudar a Guiné-Bissau, incutindo nos cidadãos o respeito pelo ser humano.

"Saí daqui muito novo, cresci em Portugal, fui para Noruega em 2008. Vi na Noruega o respeito pelo ser humano, aprendi isso e como guineense, gosto da minha terra, considero-me um patriota, sempre foi meu objetivo voltar para trabalhar para minha terra", frisou Landim.

Por querer trabalhar "de forma honesta", Juviano vai vivendo entre Bissau e a Noruega, para onde volta sempre que lhe faltam recursos para desenvolver o projeto que traz da emigração. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné Bissau com “Lusa”

quarta-feira, 27 de março de 2019

Guiné-Bissau – Entrevista ao poeta e deputado Francisco Conduto de Pina

“O melhor que o colono nos deixou foi a língua”

Foi em Bubaque, uma das ilhas do arquipélago guineense dos Bijagós, que nasceu Francisco Conduto de Pina. Em entrevista ao PONTO FINAL, o deputado e poeta da Guiné-Bissau, que passou por Macau a propósito do Festival Literário Rota das Letras, conta que o interesse pela poesia surgiu quando, em criança, caiu da bicicleta e escreveu “O Chico Caiu da Bicicleta”. A obra de Francisco Conduto de Pina tem tido duas vertentes: o elogio ao seu país e a intervenção. “A poesia pode servir como uma arma de arremesso”, diz

Francisco Conduto de Pina, poeta e político. Nascido nos Bijagós, foi lá que teve o seu primeiro encontro com a poesia. Escreveu “O Chico Caiu da Bicicleta” ainda em criança, um poema que, como o título indica, contava o infortúnio do jovem Francisco ao cair da sua bicicleta. O seu professor fez com que o poema saísse no jornal e, a partir daí, ganhou-lhe o gosto e nunca mais deixou de escrever. Sai de Bubaque, vai estudar para Bissau e, mais tarde, para Lisboa, onde acompanhou o Verão Quente de 1975. Voltando à Guiné-Bissau, torna-se deputado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). “A poesia pode servir como uma arma de arremesso, como uma arma de chamar a atenção, como uma arma de divulgar e promover”, é assim que Francisco Conduto de Pina diz usar o facto de ser poeta ao mesmo tempo que é político. A intervenção é uma das marcas dos poemas de Francisco Conduto de Pina e ainda hoje a luta faz sentido porque “a poesia fica mais bonita se houver mais democracia”, até porque “a liberdade é uma coisa que não é estática”, diz. Além disso, passou ainda por vários cargos no Governo da Guiné, chegando a ser ministro do Turismo e do Ordenamento do Território entre 2000 e 2008. Foi o primeiro autor a publicar poesia em crioulo da Guiné. Porquê? Porque é a língua que dá autonomia e comunicação ao povo da Guiné, explica. Publica também em português, língua à qual deixa o elogio: “O melhor que o colono nos deixou foi a língua, onde nós todos fomos beber a nossa identidade”. Por fim, a Guiné, uma “miúda bonita”. É sobretudo sobre a sua beleza que a poesia de Francisco Conduto de Pina se centra: “Nunca, enquanto for vivo, nunca deixarei de cantar, descobrir, divulgar a Guiné. A nossa Guiné é linda”.

Como foi crescer em Bubaque?

Nasci numa tabanca chamada Bijante, em Bubaque, onde fiz toda a minha juventude. Depois fui parar aos padres, à missão católica, e aí fiz a minha instrução primária. Depois, como ali não havia ciclo preparatório, passámos para Bissau. Estudei em Bissau e depois chegou a altura de estudar no exterior e fui para Portugal.

Como é que foi estudar para a missão católica?

Fui parar aos padres por causa dos padres italianos. O padre era bastante amigo dos meus pais, e eu e outros colegas fomos parar à missão católica, em internato, praticamente. Lá fizemos o possível.

Uma boa infância?

Foi uma infância sem essas mordomias que as crianças de hoje têm, fiz as minhas brincadeiras, na praia a subir paus, com as nossas criatividades próprias das crianças de África. Fiz tudo aquilo que uma criança em África faz. Uma criança que nasce numa tabanca, numa aldeia, não tem electricidade, não tem carrinhos, nós é que tínhamos de fazer os carrinhos, nós é que tínhamos de fazer tudo, inventávamos tudo o possível. Uma infância que eu considero feliz.

Como é que a poesia entra na sua vida? Quando é que se começa a interessar?

A poesia entra na minha vida por causa dessa vivência na missão católica. Com os padres italianos estudávamos, tínhamos o programa de saber cozinhar, saber servir, trabalhar para poder sobreviver no dia de amanhã, e tínhamos a leitura. E eu lembro-me de quando caí da bicicleta, machuquei-me todo e depois o padre viu-me a chorar e perguntou o que é que se passava e eu contei-lhe, e ele disse: “então, escreve isso, escreve isso”. Eu lembro-me que escrevi, rasurei, fiz umas coisas, depois ele rasurou, disse-me como fazer e, como ele era correspondente do jornal A Voz da Guiné, pegou naquilo e mandou para o jornal. Depois, quando o jornal saiu na semana seguinte, ele mostrou-me e eu adorei. Depois, lá fui fazendo e fui aprendendo com ele.

Ainda se lembra do poema?

Por acaso ainda tenho esse recorte de jornal em casa. “O Chico Caiu da Bicicleta”, era o título. Contava como é que eu tinha caído.

Foi a partir do momento em que viu o seu trabalho publicado no jornal que começou a interessar-se?

É, gostei, senti-me orgulhoso.

Passando para outra fase da sua vida, como é que viveu a conquista da independência por parte da Guiné? Qual foi o seu papel?

Como deve imaginar, eu e todos os guineenses tínhamos um ardor nas veias, não podíamos não ficar satisfeitíssimos com a independência. A independência trouxe-nos o orgulho de sermos nós, orgulho de sermos guineenses, a nossa bandeira, o nosso hino. Os castigos, a tortura, a prisão, a PIDE, era uma forma de nos libertarmos do jugo colonial. Não só nós, como Cabo Verde, porque o PAIGC libertou não só a Guiné-Bissau, mas também Cabo Verde. Na altura, não podia ficar indiferente ao que estava a acontecer. Nós acompanhámos vivamente a entrada dos novos guerreiros e, por isso, cantámos, declamámos, escrevemos, não nos cansávamos de gabar o heróico povo da Guiné-Bissau. Eu estava em Bissau e ninguém ficou de fora porque era um sentimento ímpar. Nós, já crescidos, não podíamos ficar de fora, tínhamos o orgulho de termos conseguido a independência nessa altura, para não passarmos pelo massacre e vicissitudes que o colonialismo nos impunha.

Foi a partir do movimento de independência da Guiné que começou a ganhar interesse pela política, ou já vinha de trás?

Já vinha de uns anos para trás. Convivia com muitos colegas que, no decorrer dos anos, foram fugindo para a luta, para a mata. Cada vez mais, todas as pessoas ficavam atentas e os mais velhos fugiam sempre, quando chegava a uma certa altura, uma certa idade, iam para a luta. Não podíamos ficar indiferentes a isso. Ouvíamos a Rádio Libertação às escondidas, falávamos às escondidas. Toda a gente estava envolvida, directa ou indirectamente.

Tornou-se, mais tarde, deputado…

Tornei-me deputado em 1994, com a abertura da democracia.

Como é que o facto de ser poeta o influenciou enquanto deputado? O que é que um poeta pode dar à política?

A poesia pode servir como uma arma de arremesso, como uma arma de chamar a atenção, como uma arma de divulgar e promover. Uma promoção no sentido do amor, de solidariedade, de compreensão, de anunciar, de denunciar.

É nesse sentido que tenta usar a poesia na política?

Sim, sim.

E ao contrário, o que é que um político pode dar à poesia?

O político pode dar à poesia sempre que dê coisas boas dentro do país. Desde que seja compreensivo, trabalhe pela segurança social, trabalhe pelo bem-estar do povo, se for honesto, se servir. Aí, a poesia pode, em vez de ser de intervenção, passar a ser uma poesia de amor, de cantar o belo, cantar a natureza, cantar o povo e a cantar a alegria e o sorriso.

Mas há uma poesia antes de ser deputado e uma depois?

Não, não, não. Eu vou escrevendo. Eu escrevo em qualquer momento, eu escrevo de acordo com o espaço, o tempo, o lugar onde estou e com os sentimentos. Não há diferença. Não faço todos os dias poesia política.

Foi para Lisboa em 1975 e em 1981 foi estudar Artes Visuais e Belas-Artes. Isso afectou a sua poesia de alguma maneira?

Não. Com a ida para Lisboa eu fui conhecendo. Eu não sou um homem estático no espaço. Vou acompanhando o mundo e a minha ida para Lisboa ajudou-me a conhecer outras gentes, outras pessoas, conhecer outros costumes, conhecer a literatura portuguesa, conhecer outros poetas.

Esse período pós-25 de Abril também vincou a sua posição política?

Lógico. Marcou-me porque, nessa altura, era jovem e vivia-se em Portugal o chamado “Verão quente”, o período de transição entre o fascismo e o início da [Assembleia] Constituinte, da afirmação da democracia em Portugal. Isso foi mexendo comigo, foi-me dando uma experiência de vida. Eu, hoje, quando revejo o meu passado em Portugal, vejo os erros que foram cometidos nessa altura, eu procuro não os repetir na Guiné-Bissau.

Foi secretário de Estado, depois ministro do Turismo e Ordenamento do Território, entre 2000 e 2008, e foi também secretário de Estado da Juventude, Cultura e Desporto até 2016. A poesia da Guiné é mais uma forma de promover o turismo do país?

Tem ajudado. O próprio Amílcar Cabral, com a letra do hino nacional e não só, em vários temas, como o Vasco Cabral, o Hélder Proença, a Odete Semedo, a Domingas Samy, o Abdulai Silla, o Tony Tcheka, o Agnelo Regalla. Todos eles lutam, anunciam, denunciam, cantam os efeitos da nossa vivência democrática, condenam os actos repressivos, cantam a liberdade, cantam o fulgor da luta de libertação. Tudo isto dá consciência às pessoas. O Zé Carlos na música, o Aliu Bari… Tudo isso promove a Guiné. As mulheres cantadeiras de batuque também. Tudo isso faz com que a cultura guineense viva e chama a atenção.

Foi o primeiro a publicar, em nome próprio, poesia em crioulo da Guiné…

É verdade, fui o primeiro guineense pós-independência a publicar sozinho, em nome próprio.

E porque é que decidiu fazê-lo? Foi uma maneira de preservar a língua?

O crioulo é a nossa língua nacional, é a nossa língua de comunicação. Como sabe, vivemos num país onde temos muitas etnias. O melhor que o colono nos deixou foi a língua, onde nós todos fomos beber a nossa identidade. Ainda que a língua oficial seja o português, temos também o guineense, que nos dá a autonomia de estarmos em comunicação permanente entre os povos existentes na Guiné-Bissau.



Porque é que antes de o Francisco o ter feito, não havia poesia publicada em crioulo da Guiné?

Penso que por causa da censura, talvez. Mas as pessoas escreviam, podia não estar publicado, mas, quando digo que sou o primeiro guineense a publicar em crioulo é pós-independência. Há muitas pessoas antes de mim, o [Pascoal] D’Artagnan, que escrevia em português e, de vez em quando, punha uma palavra ou outra em crioulo.

O crioulo é a língua mais falada da Guiné…

É o mais falado. É a comunicação que nós temos para nos compreendermos, para divulgar, informar, consciencializar, formar as pessoas também.

Hoje já se escreve mais poesia em crioulo da Guiné?

Claro, a juventude de agora está a crescer, está rebelde no bom sentido, no sentido da escrita. A poesia, o conto, mesmo na rádio dá-se o noticiário em crioulo.

O Francisco teve algum mérito nisso?

Não, não, não. Antes de mim já se falava crioulo. É história. Se hoje é reconhecido que eu fui o primeiro, eu agradeço e fica para a história.

Qual o ponto de situação actual da poesia na Guiné? Há muita gente a fazer poesia?

Está a crescer, a nova geração está a fazer, está a escrever. Tem o campo livre para o fazer e isso é bom, que haja todos os dias a publicação. Só que temos um problema de editoras, se houvesse mais editoras ou mais incentivos por parte da cultura, se houvesse meios, haveria mais livros. É difícil serem publicados na Guiné e fora. Na Guiné temos duas ou três editoras, mas é preciso ter condições económicas.
O acesso à educação influencia o interesse pela poesia, por exemplo?

Afecta o desenvolvimento. Se afecta o desenvolvimento, afecta a poesia, afecta a literatura. Quanto menos pessoas souberem ler, dificulta toda uma caminhada. O português [António] Aleixo não sabia ler, mas era poeta, o Bocage, entre tantos outros. Nós também temos poetas que não sabem ler. Afecta o interesse dos jovens, ficam mais fechados.

A sua poesia é, muitas vezes, de índole política, de luta, de liberdade. Continua a fazer sentido fazer poesia a partir desses conceitos, hoje em dia?

Sim, a liberdade tem de ser gira, temos de lutar pela liberdade sempre, ontem, hoje e amanhã. A liberdade é uma coisa que não é estática, quanto mais houver o reforço da democracia, mais liberdade temos e o campo de acção da liberdade não pode parar, tem de ser sempre alargado. E a poesia acompanha, a poesia agradece, a poesia fica mais bonita se houver mais democracia, mais liberdade e a intervenção deixa de ser um tabu, uma coisa rígida. O povo norueguês, é o primeiro no desenvolvimento, tem poetas que pode não ser de intervenção, mas de crítica social deve haver.

Mas continua a ser necessário fazer poesia de intervenção na Guiné?

É importante fazer a poesia de intervenção no sentido de chamar a atenção, nos comportamentos dos políticos, comportamento social, comportamento entre os velhos, menos velhos, jovens, crianças.

E a mensagem passa?

Tem passado. Não é na leitura, na literatura, no papel, mas na música tem passado. Os jovens cantam rap que critica a sociedade, as miúdas e os rapazes criticam o mal e falam do bem.

Nos seus textos fala também da natureza e da beleza da Guiné…

Ah, a Guiné-Bissau é bonita, é uma miúda bonita, uma mulher. A Guiné, com a sua configuração entre o continente e a parte insular, tem coisas a que você não pode ficar estranho, tem de acompanhar a vista, o cheiro, o aroma, o tacto.

Isso passa através da poesia?

Passa. Então não? A Guiné é bonita. Nunca, enquanto for vivo, nunca deixarei de cantar, descobrir, divulgar a Guiné. A nossa Guiné é linda.

A poesia de intervenção e a poesia da natureza complementam-se?

Lógico, a intervenção, quando é divulgada, deixa de ser nossa, passa a ser das pessoas. Intervenção é de intervir, não de luta, mas de intervir, de mostrar os sentimentos e a vivência que tem sido feita. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

quarta-feira, 20 de março de 2019

Guiné-Bissau - BOAD financia obras no Aeroporto de Bissau

Bissau - O ministro dos Transportes e Comunicações Serifo Djaquité, anunciou no último fim de semana que o Banco Oeste Africano de Desenvolvimento (BOAD), vai financiar com 27 milhões de euros as obras no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, de Bissau.

O governante guineense fez este anúncio à margem da 63.ª cimeira de ministros dos Transportes da Agência para a Segurança da Navegação Aérea em África e Madagáscar (Asecna), que decorreu em Bissau na passada semana.

Segundo o ministro, a Guiné-Bissau já assinou o processo verbal com o BOAD, faltando agora que o Governo a ser formado, na sequência das eleições legislativas, inicie os procedimentos para o desbloqueamento dos fundos.

As obras de reabilitação do aeroporto Osvaldo Vieira de Bissau irão comportar a renovação da pista de aterragem, construção de um novo edifício técnico e a renovação da aerogare.

Será construído ainda um novo salão presidencial que terá uma sala para o chefe de Estado, outra para embaixadores, sala para membros do Governo e outra ainda para o presidente do parlamento.

Fundada em 1959, a Asecna dedica-se à gestão dos espaços aéreos e ainda aos serviços de segurança da navegação aérea num espaço de mais de 16 milhões de quilómetros quadrados.

A Guiné-Bissau é membro da Asecna desde 2006 e a partir da reunião que decoreu em Bissau, passa a assumir a presidência rotativa de ministros dos Transportes da organização, por um período de 12 meses. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau com “Lusa”

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Guiné-Bissau – Forças Armadas recebem presente da República Popular da China

O Governo da República Popular da China ofereceu na passada quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019, às Forças Armadas da Guiné-Bissau, seis (6) máquinas agrícolas nomeadamente, tratores de lavoura, máquinas debulhadoras-cheiradora de arroz e milho, máquina bulldozer, pá escavadora, carregador de rodas e grade-charrua e cinco (5) máquinas de construção civil a fim de melhorar a produção do arroz.

A cerimónia da entrega dos materiais foi presidida pelo embaixador da China acreditado no país e decorreu no Estado Maior General das Forças Armadas, em Amura. Eduardo Costa Sanhá, Ministro da defesa nacional, disse que o cumprimento do papel das forças armadas em tempo de paz torna-se mais evidente quando as suas estruturas dispõem de condições necessárias para executar o papel que lhes é reservado pela Constituição da República e demais instrumentos jurídicos que regulam o seu funcionamento.

Aquele responsável assegurou que o apoio vai permitir às estruturas das forças armadas responder objetivamente aos desafios da modernização da produção e da engenheira militar, contribuindo assim na redução dos gastos do erário público para com as forças armadas.

Por seu lado, o Embaixador da República Popular da China, Jin Hong Jun, informou que as duas forças armadas, as da Guiné-Bissau e as China, têm uma relação muito antiga que começou desde os primórdios da luta de libertação, baseadas em profunda amizade, razão pela qual, após a independência, a China tem apoiado firmemente a Guiné-Bissau e troca continua de visitas de alto nível e na formação de quadros.

“A China é amiga e irmã da Guiné-Bissau, daí quando soubemos que as forças armadas guineenses estão com falta de maquinaria agrícola e de construção, respondemos pronta e positivamente à demanda do General Biaguê Nam Tam, trazendo 6 máquinas agrícolas e de construção civil. Estamos convencidos que estas máquinas vão contribuir positivamente para dar mais um passo firme em termos da fortificação das ações desenvolvidas”, espelhou. 

O Chefe de Estado das Forças Armadas da Guiné-Bissau, Biaguê Nam Tam, garantiu que os materiais agora recebidos serão usados de forma cautelosa e racional, permitindo assim uma boa gestão dos mesmos. Adiantou ainda que neste momento as forças armadas guineenses dispõem de três campos agrícolas nomeadamente, Fá-Mandinga de 130 hectares, Bedinga Na Nhasse de 60 hectares e campo de Salato.

Importa salientar que os materiais agrícolas e de construção oferecidos pelo governo chinês foram orçados no valor de 385 milhões de franco CFA. Aguinaldo Ampa – Guiné-Bissau in “O Democrata”

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Guiné-Bissau – Quarenta efectivos da Marinha terminaram curso de Direito Internacional Marítimo

Bissau – O chefe da Direcção dos Recursos Humanos do Estado-maior General das Forças Armadas, afirmou que sem meios materiais e humanos a Marinha Nacional não pode desempenhar o seu principal papel que é a defesa da integridade territorial marítima.

Júlio Nhaté que falava na cerimónia de encerramento do curso de Direito Internacional Marítimo destinado a 40 efectivos da Marinha de Guerra Nacional, afirmou que, se os referidos oficiais navais forem dotados de meios, estarão na altura de exercer as suas actividades como deve ser.

“Todos sabem das fragilidades que o país tem em controlar o nosso território e por causa disso, nos últimos anos a Guiné-Bissau foi alvo de especulações de vários actos ilícitos como placa giratória de tráfico de drogas, de armas, seres humanos, entre outros males”, referiu.

Aquele responsável militar disse que foi nesta óptica que estão a pedir apoios da comunidade internacional para dotar a Marinha Nacional de meios para que possa controlar as fronteiras marítimas do país.

“É de conhecimento de todos que os nossos territórios marítimo e terrestre estão a ser consumidos pelos países vizinhos e há muito que estamos a alertar o Governo sobre esta situação mas nada foi feito”, disse Júlio Nhaté.

Apelou aos formandos para que tudo fizessem a fim de aplicar na prática os ensinamentos adquiridos ao longo do curso.

Por sua vez, o Chefe de Estado-maior da Armada (CEMA), Carlos Alfredo Mandugal afirmou que se trata da primeira formação do género que a sua instituição levou a cabo.

“Acabamos de dotar os nossos oficiais da Marinha de conhecimentos em Direito Marítimo Internacional de que há muito tempo necessitavam para o desempenho profícuo da nossa nobre missão, que é da defesa e apoio à política da segurança e autoridade marítima” enalteceu.

O CEMA disse que as ameaças tais como pescas ilícitas, contrabando de armas, narcotráfico, piratarias e fluxos migratórias para a europa são actualmente muito frequentes.

“Neste âmbito, entendemos que é o momento de agir não apenas com meios navais mas também com recursos humanos qualificados em matérias jurídicas a fim de permitir uma abordagem científica e qualificada durante as nossas operações navais”, sublinhou Carlos Alfredo Mandugal.

O Curso que terminou na passada quinta-feira teve início no passado dia 13 de Dezembro e foi organizado pela Consultaria Internacional da ONU. In “Agência de Notícias da Guiné”

sábado, 19 de janeiro de 2019

Guiné-Bissau - Produção da central eléctrica flutuante arranca até ao final do mês

Substituição do gasóleo pelo fuel poupará 760 mil euros mensais ao Governo da Guiné-Bissau



Até ao final do mês, uma central eléctrica flutuante (a bordo de um navio) vai começar a produzir energia eléctrica a partir de fuel para Bissau. O fornecimento está a cargo da empresa turca Karpowership, do grupo Karadeniz Energy Group, e terá uma potência de 36,64 Megawatts (MW).

Com esta operação, que permitirá uma poupança mensal de cerca de 760 mil euros ao Governo da Guiné-Bissau, devido a uma produção que troca o gasóleo pelo fuel, será possível ultrapassar os frequentes cortes de energia de Bissau, cujo consumo varia 15 e 20 MW, segundo refere um membro do Executivo daquele país. Inicialmente, serão consumidos 18 MW e posteriormente, conforme as necessidades, será aumentado o consumo. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Guiné-Bissau - Relatório revela desnutrição crónica em mais de 30 por cento das crianças

Bissau - O ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares afirmou que o balanço das consultas gratuitas revela prevalência nacional da desnutrição crónica em mais de 30 por cento nas crianças de 6 a 13 anos.

Agnelo Augusto Regala que falava na cerimónia de comemoração do segundo ano consecutivo do Dia Nacional da Nutrição sob o lema “Compromisso com Melhoria de Nutrição para todas e todos”, acrescentou  que a região de Oio conta com 44 por cento de crianças nessa situação, Bafatá 40%, Biombo 38%, Gabú 37% e Tombali 33%  de  taxa de desnutrição crónica.

Disse que o governo aprovou no dia 6 de Setembro do ano transato a proposta de estabelecimento de dia 18 de Dezembro como dia Nacional da Nutrição demostrando assim a vontade política e o compromisso perante a população guineense, de acabar com a desnutrição crónica e melhorar o sistema nutricional.

Agnelo Regala solicitou à comunicação social guineense para se empenhar na sensibilização e divulgação sobre a importância de alimentação adequada e saudável, bem como na promoção do rico património alimentar com enorme potencial.

Por sua vez, o presidente do parlamento infantil disse estar preocupado com a situação nutricional do país, apesar de haver, internamente, um grande potencial nutritivo, o que falta é a valorização dos produtos nacionais.

Para Júnior Sebastião Tambá, o que falta é a valorização dos produtos nacionais. Tamba manifestou a sua indignação perante o que considera “péssima inspeção” dos produtos alimentares e a falta de conservação adequada dos mesmos.

Disse que, enquanto parlamentarista, tudo fará para que as leis sobre a nutrição sejam aprovadas e implementadas, a fim de extinguir consumos de produtos alimentares inapropriados.

A diretora do Serviço Nacional de Nutrição, Ivone Menezes lamentou as dificuldades que o serviço enfrenta. “A Direção de nutrição depende dos parceiros, mas, infelizmente, neste momento muitos fecharam as suas portas. O país tem uma política e plano estratégico de nutrição e de sobrevivência da criança que até agora não foram aprovados,“ sublinhou.

Ivone de Menezes contestou que a lei do aleitamento materno não está a ser implementada, o que, a seu ver, está a agravar a situação nutricional das crianças na Guiné-Bissau, onde muitas mães dão leites enlatados aos seus bebés, provocando-lhes diarreias. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Guiné-Bissau – Cooperação com a Guiné Equatorial

Bissau – As autoridades de Bissau e da Guiné-Equatorial assinaram recentemente sete acordos de cooperação no âmbito da visita de 2 dias que o presidente guineense, José Mário Vaz efectuou àquele país da CPLP.

O anúncio foi feito pelo chefe de Estado guineense a sua chegada ao aeroporto de Bissau.

"Celebrámos sete acordos importantes para o futuro da relação entre os dois países", afirmou José Mário Vaz, em declarações aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, sem precisar os sectores.

Na declaração, sem direito a perguntas, o Presidente guineense disse ter saído da Guiné Equatorial encorajado, porque ambos os países têm "inimigos comuns", nomeadamente a pobreza, a má nutrição e o subdesenvolvimento.

"No encontro que tivemos, os dois chefes de Estados decidiram trabalhar juntos para combater esse inimigo comum", afirmou.

Na declaração aos jornalistas, o Presidente guineense não falou sobre a suspensão, decidida pelo Ministério Público, do recenseamento eleitoral em curso no país, que o Governo já considerou ilegal.

O chefe de Estado guineense viajou acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, João Ribeiro Có, e do ministro da Defesa, Eduardo Costa Sanhá, e membros da Presidência guineense.

As relações diplomáticas entre os dois países são recentes e foram reforçadas com a entrada da Guiné Equatorial na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), durante a cimeira de Díli, em 2014.

O primeiro embaixador da Guiné Equatorial para a Guiné-Bissau, Tito Mba Ada, baseado em Lisboa, entregou em novembro as cartas credenciais ao Presidente guineense. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Guiné-Bissau - União Europeia incentiva à utilização de energias domésticas sustentáveis na capital

A UCCLA, a Fundação GALP e a Câmara Municipal de Bissau vão proceder ao lançamento do “Projecto de desenvolvimento de energias domésticas sustentáveis na cidade de Bissau” - FUMUKABA, no próximo dia 10 de dezembro, às 16h30, no Centro Cultural Português, em Bissau. O Secretário-Geral da UCCLA, Vítor Ramalho, estará presente.

No dia 11 de dezembro, pelas 14 horas, no Espaço Verde, frente ao LENOX, proceder-se-á à distribuição de kits às mais de 100 famílias-piloto que serão alvo de um processo de seguimento regular ao longo do projeto.

A ação - com um montante de 1 000 000,00 € financiados em 90% pela União Europeia e em 10% pela Fundação GALP -, iniciada em abril de 2018 e com uma duração de 24 meses, visa incentivar à utilização de gás butano na confeção de alimentos em agregados familiares de bairros de Bissau.

Assim, mais de 25 mil agregados familiares (cerca de 50% das famílias residentes no sector de Bissau) serão beneficiados.

O projeto visa contribuir para:

- reduzir a devastação das florestas na Guiné-Bissau;

- estimular o uso de uma energia limpa, na preparação de alimentos, libertando tempo para  as mulheres, principais responsáveis desta atividade nas comunidades;

- introduzir uma tecnologia segura e com impacto positivo na saúde pública;

- incentivar à criação de novas oportunidades comerciais e a pequenos negócios. UCCLA

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Guiné-Bissau – Novo acordo de pescas com a União Europeia

Bissau – A Guiné-Bissau vai passar a receber da União Europeia um montante de 15,6 milhões de euros anual, em compensação pesqueira, contra os 9,2 milhões de euros disponibilizados anteriormente ao país por esta organização.

Segundo o Memorando de entendimento assinado na passada quinta-feira, o novo acordo de pescas entre a Guiné-Bissau e a União Europeia válida por cinco anos, foi possível após seis rondas negociais.

O acordo vai permitir que os navios da Espanha, Portugal, Itália, Grécia e França pesquem nas águas guineenses, podendo capturar espécies como atum, cefalópodes, camarões, linguados e garoupas.

Segundo o jornal “O Democrata”, após a assinatura do acordo, a ministra das Pescas disse que não foi fácil chegar a um entendimento, salientando contudo que o acordo vai permitir o desenvolvimento da economia local.

“O sector das pescas irá contribuir para a melhoria da segurança alimentar no país, criação de condições para a acreditação do Laboratório Nacional de Controlo de Qualidade do Pescado, melhoria do controlo das capturas através da introdução do sistema de fornecimento electrónico de dados”, disse a ministra, considerando de ”saudáveis” as relações com a União Europeia.

Por seu turno, o chefe da delegação negocial da União Europeia disse que o acordo é benéfico e equilibrado para as duas partes e reconheceu que as seis rondas de negociações eram necessárias para alcançar os resultados agora obtidos.

Emanuel Berg agradeceu à Guiné-Bissau por fazer da União Europeia um parceiro privilegiado e pela abertura aos navios da organização que assim vão poder ter acesso ao mar guineense, garantindo que vão pescar num quadro transparente e regulamentado.

Dos quinze milhões e seiscentos mil euros que correspondem mais de 10 bilhões de francos CFA que o Estado guineense vai receber, 11,6 milhões irão para o apoio orçamental e os restantes 4 milhões para o apoio ao desenvolvimento sustentável do sector das pescas.

O valor deste contrato é superior em 90 por cento ao anterior, rubricado em 2014 e que expirou em 2017, no valor de 9,2 milhões euros. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Guiné-Bissau - Erradicação de Armas de destruição maciça

“Guiné-Bissau entrega primeiro relatório de implementação do tratado”, diz deputada Suzy Barbosa

Bissau – A Presidente da Rede das Mulheres Parlamentares (PRMP), afirmou na passada quarta-feira que o país conseguiu este ano produzir o primeiro relatório de implementação do Tratado da Nações Unidas sobre a Erradicação de Armas Biológicas e Tóxicas.

Suzy Barbosa que falava no seminário dos parlamentares lusófonos africanos sobre Promoção da Universalidade da Convenção sobre Armas Biológicas e Tóxicas (BWC) e a implementação da resolução15/40 de 2004 do Conselho da Segurança das Nações Unidas, disse que o curso pretende destacar a apresentação regular de relatórios nacionais dos países membros e partilhar a versão da resolução 15 /40 da ONU em português.

“A Guiné-Bissau apesar de não assinar a convenção, aderiu-a automaticamente através do país colonizador, Portugal em 1972. Por isso, já depois da independência é já considerado membro do referido tratado”, explicou.

Para a deputada, a produção do primeiro relatório sobre a implementação do tratado 15/40 sobre armas de destruição maciça que foi entregue e aprovado pela ONU, marcou uma nova página para o país nesta luta.

Suzy Barbosa parabenizou por isso os parlamentares guineenses, porque, segundo ela, foi a acção da Assembleia Nacional Popular que alertou o Governo sobre a necessidade de produzir o relatório em causa, que finalmente foi feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e entregue às Nações Unidas.

“Adoptado em 1972 e a vigorar desde 1975, o BWC foi o primeiro tratado internacional a proibir o uso de uma específica categoria de armas de destruição em massa. Actualmente existem 181 países e Estados membros da convenção soberanas biológicas no mundo, e apenas 17 não o ratificaram”, esclareceu.

Barbosa salientou que a resolução 15/40 obriga à todos os Estados membros da ONU a prevenir a proliferação dessas armas.

A presidente da PRMP frisou ainda que os Estados membros, segundo as recomendações da ONU, têm a obrigação de cuidar para que essas armas não caíssem nas mãos dos chamados actores não estatais, incluindo terroristas e suas organizações, que nos últimos tempos estão surgindo principalmente em África, citando casos do grupo BoKo-Haram na Nigéria e Al Shabbat na Somália.

“Espero que no final destes dois dias de trabalhos, se possa produzir recomendações que vão ajudar na implementação deste tratado.

O seminário que terminou ontem foi financiado pelo Governo do Canadá e organizado pelo grupo de Parlamento para Acção Global e reuniu os legisladores, funcionários dos governos de oito Estados lusófonos em todo o mundo bem como dos países da língua oficial portuguesa e do comité 15/40 da ONU. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné Bissau

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Guiné-Bissau - FAO procura estratégia regional no sector de Aquacultura

Bissau – O Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação-FAO promove em Bissau uma reunião consultiva sobre o modelo de Estratégia Regional para o emprego para jovens no sector de Aquacultura e cadeia de valores afins.

Intervindo na reunião, Ana Menezes, especialista de Aquacultura da FAO, em Roma, disse que existem poucas evidências do potencial de criação de emprego no sector de aquacultura nos países da África, razão pela qual, o assunto será debatido neste encontro, como forma de abrir horizontes para juntos pensarem em que tipo de investimento, e em quais subsectores da aquacultura pretendem investir para transformar o sector.  

A especialista acrescenta que o programa ASTF e vários outros projectos, actuam directamente na componente de produção e comercialização, apoiando mulheres e homens jovens a terem acesso a oportunidades de negócios através da produção de peixe, mandioca, rações para peixes e outras cadeias de valores da Aquacultura.

“Entre o início e meados dos anos 2000, a aquacultura mostrou um certo desenvolvimento, mas infelizmente não conseguiu manter o seu crescimento como esperado. Foram identificados como condutor deste declínio, alto custo de insumos de produção entre os quais, fertilizantes, sementes, rações, factores de produção maquinaria, infra-estruturas entre outros factores”, referiu. 

Para Ana Menezes, ciar emprego mais lucrativos para os jovens na agricultura é particularmente urgente.

Menezes realçou por outro lado que, com a criação de empregos atraentes e decentes para mulheres e homens jovens no sector de aquacultura, O Fundo Fiduciário de Solidariedade Africana (ASTF) contribui significativamente para a segurança alimentar, a resiliência dos meios de vida e redução da pobreza rural, assim como para sensibilizar aos jovens de que a emigração não é a sua principal fonte de esperança na vida.  

A elaboração dum modelo de estratégia de emprego jovem e identificação de intervenções a serem realizadas pelo governo, organizações internacionais, sector privado, organizações juvenis, e outras partes interessadas, são alguns dos resultados esperados do referido encontro. 
As conclusões e recomendações dos participantes, serão consolidadas num relatório a ser publicado mais tarde pela FAO em colaboração com parceiros governamentais.

“Os resultados da reunião consultiva ajudarão a FAO a refinar e fortalecer seu objectivo estratégico, criar mais oportunidades de emprego decente para juventude rural nos sectores agrícola e não-agrícola”, disse Meneses.

A reunião iniciada quarta-feira termina no dia 30 de Setembro e conta com a participação de 30 delegados de seis países de África Ocidental e de representantes de organizações regionais, directores de agências governamentais, da FAO, ONGs, organizações de jovens rurais e do sector privado. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau

Ana Menezes - International Fishery and Aquaculture Officer