Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Angola - Canadianos compram mina de ouro e terras raras

Uma empresa mineira de origem canadiana anunciou, no dia 10, um acordo para aquisição de direitos num projecto de exploração de ouro em Benguela, no município da Ganda, que pode estender-se para a pesquisa de elementos de terras raras


A Newfoundland Discovery Corp. (Newd), uma empresa de média dimensão que está cotada na Candadian Stock Exchange (mercado onde estão listadas empresas emergentes ou novos negócios), celebrou um "acordo definitivo de troca de acções para adquirir 100% da Orenoxe Holdings, que detém o direito de adquirir, através de um mecanismo de participação progressiva, uma participação de até 70% na subsidiária Goldango - Mineração, com a opção de aumentar a sua participação para 90%.

A Goldango detém a concessão de ouro e terras raras de Ganda, com 786 quilómetros quadrados, na província de Benguela, em Angola (o "Projecto Ganda")", segundo o comunicado oficial.

Jeremy Prinsen, presidente e director executivo da Newd, acrescentou que o projecto "é o tipo de activo que uma empresa júnior raramente consegue explorar sem obstáculos - são quase oitocentos quilómetros quadrados de área com potencial para ouro, elementos de terras raras e minerais de cobre, já submetida a levantamentos magnéticos aéreos, já validada no terreno, numa jurisdição que acaba de provar que é capaz de licenciar e construir uma mina de terras raras", disse o gestor, numa referência ao projecto da Pensana, em parceria com o Fundo Soberano de Angola, de exploração de terras raras em Longonjo, província do Huambo.

"Os mineiros artesanais encontraram o "fumo" há anos; o nosso programa vai atrás do "fogo"", disse Prinsen. A Goldango é uma entidade angolana, registada em Agosto de 2021, com sede em Luanda, e capital social de 1 milhão Kz. Segundo o registo público da empresa, conta com três sócios: José Manuel de Castro (detém 50% do capital), residente na província e município do Huambo, António Figueiredo Loureiro e Augusto Bicho Loureiro, ambos residentes em Luanda, com quotas de 25%.

A Newd justifica o interesse no projecto por estar localizado num "importante centro regional ligado por via férrea ao porto atlântico do Lobito através da linha ferroviária de Benguela" e diz ter elementos de pesquisa técnica que comprovam a semelhança entre as características geológicas na região da Ganda e as principais zonas de exploração de ouro africanas.

"Imediatamente após a conclusão da transacção, a empresa tenciona dar início ao seu programa inicial de prospecção de dois meses no "Projecto Ganda", como parte da primeira fase de campo da sua participação. A realização de despesas de exploração no valor de 1 milhão USD constitui um requisito do acordo de aquisição e, caso a empresa não realize esse montante dentro do prazo exigido, perderá a sua participação", explicou a empresa no comunicado ao mercado.

A Newd revelou que também já foi apresentado à Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM) um pedido de conversão da licença actual num título de exploração. Este desenvolvimento está alinhado com os movimentos recentes no sector mineiro, sobretudo em projectos localizados na região centro-sul do País. Miguel Gomes – Angola in “Expansão”


domingo, 26 de julho de 2026

Açores - Legado do pintor luso-canadiano Miguel Rebelo em exposição em Angra do Heroísmo

O Museu de Angra do Heroísmo, nos Açores, inaugurou no sábado uma exposição do artista luso-canadiano Miguel Rebelo, com peças doadas pelos herdeiros após a sua morte, algumas exibidas pela primeira vez em Portugal


“A sua obra é uma obra dura, martirizada, é uma obra que expressa um sentimento de vivência difícil que ele teve durante o seu período de vida, mas é uma obra que tem uma atualidade muito grande e de excecional qualidade”, afirmou, em declarações à Lusa, o diretor do Museu de Angra do Heroísmo, Jorge Paulus Bruno.

Neto do pintor Domingos Rebelo, natural da ilha de São Miguel, e filho do arquiteto João Correia Rebelo, Miguel Rebelo, que morreu em 2016, com 58 anos, foi um dos artistas açorianos da diáspora com maior reconhecimento.

Com uma obra “marcadamente modernista”, o arquiteto João Correia Rebelo “não foi compreendido no seu tempo” e acabou por emigrar para Montreal, no Canadá, quando Miguel Rebelo tinha apenas 12 anos.

Foi entre Portugal e o Canadá que o pintor desenvolveu “uma linguagem plástica de carácter muito pessoal, marcada pela experimentação, pela intensidade ‘matérica’ e por uma pintura gestual onde a cor, a textura e a memória ocupam um lugar central”, refere uma nota da Direção Regional da Cultura dos Açores sobre a exposição no Museu de Angra do Heroísmo.

“A sua obra afasta-se de fórmulas convencionais e explora uma expressão livre, frequentemente associada ao abstracionismo lírico e ao expressionismo contemporâneo. Críticos e curadores destacam na sua produção a permanente tensão entre a tradição familiar e a procura de uma linguagem autónoma e inovadora”, acrescenta.

Referenciado nos arquivos da National Gallery of Canada, Miguel Rebelo era representado em Portugal pela Galeria 111, uma das mais importantes de arte contemporânea do país (com artistas como Paula Rego e Lourdes Castro, entre muitos outros), e a sua pintura está integrada em coleções públicas e privadas.

Na exposição “Belo Insubmisso”, o Museu de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, expõe cerca de 40 obras de Miguel Rebelo, de um total de 60 doadas pelos herdeiros, após a morte do pintor.

“Foi uma doação muitíssimo importante, que o Museu de Angra, com muito orgulho, acolheu”, porque, sendo um museu açoriano, “o conjunto desta obra vem enriquecer todo o património da arte contemporânea” dos Açores, salientou Jorge Paulus Bruno.

A ligação de Miguel Rebelo à ilha Terceira decorre de duas exposições, em 2005 e 2007, na Carmina Galeria, do artista plástico terceirense Dimas Simas Lopes.

Quando a galeria de arte contemporânea foi doada ao Museu de Angra do Heroísmo, a instituição tentou adquirir cerca de uma dezena de obras de Miguel Rebelo que lá se encontravam e o filho Rapahël doou-as.

“Há dois anos, veio aqui, conheceu o museu, conheceu a Carmina Galaria e ficou convencido de que o destino das obras que estavam em Lisboa deveria ser o Museu de Angra”, revelou Jorge Paulus Bruno.

“É um conjunto de 60 obras notáveis. Deixou algumas à Fundação Calouste Gulbenkian, também, o que engrandece esta doação”, acrescentou.

O diretor do Museu de Angra do Heroísmo frisou que Miguel Rebelo é “um nome grande da arte contemporânea, não só portuguesa, mas acima de tudo internacional”.

O pintor luso-canadiano utilizava uma “linguagem única” para refletir os seus sentimentos nas suas obras. Chegava mesmo a utilizar uma lixadora e a rasgar as suas telas.

“É uma obra que expressa uma angústia do criador. Nem todas as obras de arte expressam sentimentos confortáveis”, ressalvou Jorge Paulus Bruno.

A ideia é corroborada pelo filho do pintor, Rapahël Rebelo, num texto emotivo que escreveu para a inauguração da exposição.

“Embora o seu trabalho seja fruto de uma exigente pesquisa intelectual, as suas emoções transpiram através da pele das suas telas. As cores correspondem à sua alegria de viver e aos períodos felizes da sua existência, o que, para o meu pai, significava quase sempre períodos de amor. Já os cinzentos, os negros e os brancos são o reflexo de um homem que foi entrando progressivamente em depressão e que lutou, durante os últimos dez anos da sua vida — demasiado breve, apenas 58 anos — contra episódios psicóticos e contra as consequências devastadoras de vinte anos de terapêutica antirretroviral para combater o VIH”, adiantou.

Rapahël Rebelo destacou a “enorme coragem” do pai para “viver à margem”, na escola, na carreira e na vida política e amorosa.

“É difícil existir numa sociedade que parece não ter previsto um lugar para nós. É, por isso, a coragem que, antes de mais, retenho da vida do meu pai. Manteve-se de pé contra ventos e marés e entregou-se inteiramente à pintura, apesar dos juízos e das incompreensões que o seu modo de vida inevitavelmente suscitava”, sublinhou. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Canadá - Tecnologia portuguesa usada para detetar incêndios

A empresa portuguesa Tekever está a apoiar uma missão de deteção e monitorização de incêndios florestais na província canadiana de Alberta, reforçando a resposta das autoridades locais através de tecnologia desenvolvida em Portugal


Segundo informação divulgada pela AICEP, a operação é realizada em parceria com a Phoenix Heli-Flight e recorre ao sistema aéreo autónomo AR3 VTOL, equipado com sensores avançados e integrado na plataforma Nova Maps.

A tecnologia permite realizar vigilância aérea contínua e disponibilizar informação em tempo real às equipas de emergência, contribuindo para uma tomada de decisão mais rápida e informada durante o combate aos incêndios florestais.

De acordo com a AICEP, esta missão evidencia o papel da inteligência artificial e dos sistemas autónomos na proteção de comunidades, infraestruturas críticas e ambientes naturais.

Com operações na UPTEC, no Porto, a Tekever continua, segundo a agência, a afirmar a inovação desenvolvida em Portugal na resposta a desafios globais, levando tecnologia portuguesa a apoiar operações internacionais de proteção civil. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo

 


domingo, 21 de junho de 2026

América do Norte – Conselheiros das comunidades portuguesas rejeitam proposta salarial para o Ensino do Português

O Conselho Regional da América do Norte (CRAN) manifestou, esta sexta-feira, “profunda indignação e total repúdio” pelas tabelas salariais propostas pelas tutelas do Governo para os profissionais do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), nomeadamente para os Estados Unidos e Canadá

Num comunicado enviado à Lusa, os conselheiros das comunidades portuguesas eleitos na América do Norte frisaram que a proposta apresentada, “longe de corrigir as graves injustiças acumuladas, perpetua a desvalorização profissional”.

“Após 17 longos anos de um congelamento inaceitável — tendo a última atualização salarial ocorrido em 2009 —, a montanha pariu um rato. (…) É com particular consternação que constatamos que os coordenadores de Ensino, adjuntos e leitores que exercem funções nos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá foram colocados no fim da lista desta nova proposta salarial, sendo-lhes atribuídas atualizações muito inferiores que em nada resolvem a situação de extrema precariedade em que vivem”, afirmam.

A recente proposta, assinalam, “assenta numa gritante inversão da realidade económica”, beneficiando com aumentos muito superiores países na Europa e noutras regiões do mundo onde o custo de vida é substancialmente inferior ao dos EUA e Canadá.

Factos inquestionáveis demonstram a insustentabilidade desta decisão, reforçaram os conselheiros, recordando que os índices internacionais de referência colocam sistematicamente as principais cidades dos Estados Unidos e Canadá onde o EPE opera (como Nova Iorque, Boston, Newark, Toronto, entre outras) no topo do custo de vida mundial, “superando largamente a maioria das capitais europeias em despesas com habitação, saúde e serviços básicos”.

Destacaram igualmente que o custo do cabaz alimentar em solo norte-americano e canadiano sofreu uma inflação galopante nos últimos anos, sendo hoje significativamente mais dispendioso do que na Europa.

Também a rota transatlântica e as ligações internas de avião nos Estados Unidos e Canadá representam custos de transporte incomportáveis, observam.

“Para estes profissionais, manter o vínculo com a pátria ou deslocar-se em funções oficiais tornou-se um luxo inacessível, com tarifas aéreas substancialmente superiores às praticadas nos voos intraeuropeus”, sublinha o CRAN.

“Esta disparidade nas atualizações salariais não só ignora os dados económicos mais elementares, como não dignifica o trabalho destes servidores do Estado. Estes profissionais são o rosto de Portugal na América do Norte, os pilares da promoção da nossa língua e cultura, e a sua desvalorização é um total desrespeito pelas comunidades portuguesas nos Estados Unidos e, muito em particular, por toda a comunidade educativa (docentes, alunos e famílias) que diariamente investe no Ensino Português”, conclui.

A missiva foi endereçada ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) e à comunicação social.

Os sindicatos representativos dos professores e o Governo iniciaram, no passado dia 28 de maio, as reuniões do processo negocial relativas à revisão do regime jurídico do EPE, cuja pasta é tutelada pelo MNE.  Após esse primeiro encontro, as propostas apresentadas pelo Governo têm sido contestadas pelos docentes e respetivos sindicatos.  Estão ainda previstos encontros em 29 de junho e 13 de julho.

No passado dia 10 de junho, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os profissionais da rede EPE (coordenadores, adjuntos, docentes e leitores) manifestaram, numa carta aberta, “enorme apreensão” face à “nova proposta de revisão do regime jurídico” do ensino, com um “enquadramento remuneratório” que “aprofunda a precariedade existente”.

Também no passado dia 5 de junho foi criada uma petição pública ‘online’, denominada “Pela estabilidade profissional e pela valorização das condições de trabalho dos Coordenadores, Adjuntos, Docentes e Leitores do Ensino de Português no Estrangeiro (EPE)”.

A petição, que contava, ao final da tarde, com 8355 assinaturas, pede, entre outros aspetos, que “seja mantido o atual modelo de vinculação dos profissionais do EPE, rejeitando soluções que diminuam a estabilidade profissional e institucional da rede”. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Canadá - Ensino do português preocupa comunidade luso-canadiana na Província do Ontário

O novo embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo Lucena, considerou na quinta-feira, que o ensino da língua portuguesa é uma das principais preocupações da comunidade luso-canadiana no Ontário, durante a sua primeira visita oficial a Toronto


“Um dos problemas, como sabem, que temos aqui em Toronto, e que me foi já várias vezes referido nestes primeiros contactos com a comunidade, é o ensino da língua portuguesa”, afirmou o diplomata aos jornalistas no consulado de Portugal em Toronto, num encontro aberto à comunidade portuguesa, clubes, associações e órgãos de comunicação social da diáspora.

Bernardo Lucena, que apresentou credenciais à Governadora-geral do Canadá há cerca de um mês, descreveu esta deslocação como a sua “primeira visita à Comunidade Portuguesa de Toronto”, sublinhando que a principal razão da deslocação é precisamente o contacto direto com os portugueses residentes no Ontário e o conhecimento mais aprofundado das suas preocupações.

“A mensagem é muito simples: quer o consulado-geral, quer a embaixada, tenham as portas abertas para a comunidade portuguesa, como sempre tiveram e continuarão a ter, e tentarei fazer o meu melhor para servir a comunidade portuguesa no Canadá”, declarou.

Segundo Bernardo Lucena, a questão do ensino do português foi abordada em reuniões mantidas esta quinta-feira com responsáveis do governo da província do Ontário, incluindo encontros com membros do executivo provincial ligados às áreas da economia e do ensino superior.

“As relações entre Portugal e o Canadá atravessam neste momento uma fase muito positiva, quer no plano económico, quer no plano político, e isso cria oportunidades importantes para Portugal e também para as comunidades portuguesas aqui estabelecidas”, afirmou o diplomata, acrescentando que Portugal poderá beneficiar do atual contexto de aproximação entre o Canadá e a União Europeia, incluindo nas áreas comercial e da defesa.

Nascido em Lisboa em 1960, Bernardo Lucena ingressou na carreira diplomática em 1987 e exerceu anteriormente funções como embaixador de Portugal em Cabo Verde e na Irlanda, representante permanente junto da OCDE e conselheiro diplomático do primeiro-ministro português.

A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, afirmou que o ensino da língua portuguesa continua a ser uma das principais preocupações da rede consular e associativa no Ontário, sobretudo devido às dificuldades enfrentadas pelo Programa de Línguas Internacionais do Distrito Escolar Católico de Toronto (TCDSB, sigla em inglês).

“Essa é uma mensagem que nós temos vindo a passar, o desvalor e a desvantagem que é eliminar um Programa de Línguas Internacionais num mundo onde a mobilidade é um valor nuclear, tanto para o percurso académico como para as oportunidades profissionais dos jovens”, afirmou a diplomata.

Ana Luísa Riquito recordou que o ensino do português no Ontário abrange escolas comunitárias, ensino básico e secundário e ainda o ensino universitário, nomeadamente através de programas existentes nas universidades de York e de Toronto.

A responsável explicou que a cooperação entre Portugal e as instituições de ensino canadianas é desenvolvida através do instituto Camões, com apoio financeiro, formação e treino de professores e iniciativas de promoção da língua e cultura portuguesas.

“O português não é apenas uma língua de identidade e de herança, é uma língua de oportunidade, uma língua internacional falada em vários continentes e cada vez mais valorizada no contexto global”, afirmou a cônsul-geral, referindo que essa posição foi transmitida pelo embaixador aos representantes do governo do Ontário.

Também o presidente do Conselho Regional da América do Norte do Conselho das Comunidades Portuguesas, Paulo Pereira, classificou como “gravíssimo” o risco de redução do ensino integrado de português nas escolas católicas de Toronto.

“O corte iminente do ensino integrado nas escolas católicas significa a perda do ensino português para cerca de 2200 alunos, o que seria um golpe muito duro para a nossa comunidade e para o futuro da língua portuguesa no Canadá”, alertou.

Segundo Paulo Pereira, a eventual eliminação das aulas integradas durante a semana poderá provocar uma quebra significativa no número de estudantes, uma vez que muitos alunos não terão disponibilidade para frequentar aulas apenas ao fim de semana.

“Vamos perder muitos alunos com isso, e o ensino integrado ajudava que os alunos matriculados na escola fizessem parte automaticamente do programa, sem terem de abdicar do tempo familiar ou das atividades de fim de semana”, explicou.

O conselheiro das comunidades portuguesas acrescentou ainda que o envelhecimento da população luso-canadiana está igualmente a afetar as associações comunitárias, tradicionalmente responsáveis pela promoção do ensino e da cultura portuguesas no Canadá.

Bernardo Lucena descreveu a comunidade portuguesa no Canadá como “dinâmica”, “bem integrada” e reveladora de “um portuguesismo assinalável”, considerando tratar-se de “uma comunidade de sucesso que continua muito ligada às suas raízes e à cultura portuguesa”.

O diplomata reconheceu, contudo, que muitos dos problemas apresentados pelos representantes comunitários são semelhantes aos encontrados noutras geografias da diáspora portuguesa, incluindo questões ligadas à participação eleitoral, serviços consulares e renovação geracional das organizações comunitárias.

A visita oficial do embaixador português a Toronto decorre entre 14 e 17 de maio e inclui encontros com autoridades provinciais, instituições sociais e associações portuguesas.

O programa prevê visitas à Luso Canadian Charitable Society, ao sindicato da construção LIUNA Local 183, à Casa dos Açores do Ontário, à Casa do Alentejo, ao Magellan Community Foundation e a Little Portugal, além da participação num encontro de professores de português no estrangeiro e na gala da Federação dos Empresários e Profissionais Luso-Canadianos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Lusofonia - Duas alunas de França entre os vencedores do concurso “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026”

A 6.ª edição do concurso internacional “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa” distinguiu jovens autores de quatro continentes e voltou a sublinhar a vitalidade do português como língua de criação literária em contextos não maternos. Os resultados foram anunciados esta semana, em Lisboa, no âmbito do festival literário 5L, numa iniciativa conjunta da Porto Editora, do Instituto Camões e do Plano Nacional de Leitura (PNL).


Entre os premiados, a França destacou-se com duas vitórias, ambas no escalão Juvenil-Adulto e Infantil-Juvenil, confirmando o dinamismo do ensino do português no país e o talento crescente dos seus jovens aprendentes.

Na categoria Infantil-Juvenil B1-B2, Julija Bambalaite Garcia, do Lycée International de Saint-Germain-en-Laye, conquistou o primeiro prémio com o conto A Fábrica Pinhais. Esta é já a quarta distinção da jovem autora neste concurso, um feito raro que evidencia a maturidade da sua escrita e a consistência do trabalho desenvolvido no ensino de português língua estrangeira em França. Julija Garcia é filha do escritor Nuno Gomes Garcia, que tem vários livros publicados, e que é professor na rede de ensino de português em França. Também foi, durante vários anos, colaborador do LusoJornal.

Também no escalão Juvenil-Adulto A1-A2, o prémio foi atribuído a Leya Gonçalves Desse, do Lycée International Montebello em Lille, com o conto A voz do menino que o mundo não ouviu. O júri destacou a sensibilidade do texto e a forma como a autora soube articular o tema dos direitos humanos com uma narrativa de forte impacto emocional.

O concurso, este ano subordinado ao tema “Direitos Humanos: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?”, reuniu mais de 120 textos provenientes da Europa, África, América e Ásia, refletindo o carácter verdadeiramente global da língua portuguesa e o papel das redes de ensino do Instituto Camões, dos leitorados e dos Centros de Língua Portuguesa.

Além das vitórias atribuídas ao Canadá, França e China, o júri – presidido pela escritora Maria Inês Almeida – decidiu ainda atribuir menções honrosas a participantes de Espanha, França e China, reconhecendo a qualidade literária e a pertinência temática dos contos apresentados.

Os textos premiados e distinguidos serão publicados no livro digital “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026”, que ficará disponível no sítio da Porto Editora.

Promovido desde 2020, o concurso tornou-se uma plataforma essencial para estimular a escrita criativa em português, reforçar o vínculo afetivo dos jovens à língua e valorizar a diversidade cultural e linguística que caracteriza a lusofonia. A presença de dois vencedores em França confirma a vitalidade desta comunidade educativa e o papel crescente do português no panorama escolar francófono. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


terça-feira, 7 de abril de 2026

Portugal - Emigração aumenta para Alemanha, França e Bélgica e cai no Reino Unido

A emigração portuguesa continua a variar geografia. De acordo com o relatório “Emigração Portuguesa 2025: Relatório Estatístico”, divulgado em março de 2026 pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, 2024 foi marcado por um reforço das saídas para vários países da Europa continental e por quebras assinaláveis em destinos tradicionais como o Reino Unido e o Canadá.


Os dados sobre as entradas de portugueses entre 2023 e 2024, mostram que a Alemanha é o país onde a variação é mais positiva, seguida de França e Bélgica.

Estes três destinos destacamse claramente no topo do gráfico, sinalizando um crescimento mais expressivo da imigração portuguesa. Logo a seguir surgem os Estados Unidos (com variação calculada entre 2022 e 2023), a Austrália e a Áustria, todos com aumentos visíveis no número de entradas de portugueses.

Também Itália, Noruega, Macau (China), Brasil, Holanda, Suécia e Dinamarca registam saldos anuais positivos, ainda que de menor dimensão. Em conjunto, estes dados confirmam que a Europa continental, alguns mercados anglófonos extraeuropeus e territórios com ligação histórica a Portugal continuam a atrair emigrantes portugueses, ainda que com intensidades diferentes.

No lado oposto, o gráfico evidencia que o Reino Unido é o país com a maior quebra nas entradas de portugueses entre os dois anos mais recentes. A barra correspondente surge destacada no campo negativo, abaixo de todos os outros destinos analisados. Canadá e Angola surgem também com descidas significativas, seguidos por Suíça, Espanha e Luxemburgo, onde o número de novas entradas de cidadãos portugueses diminuiu face ao período anterior.

Estes recuos sugerem o impacto combinado de fatores como o endurecimento de políticas migratórias (no caso britânico e canadiano), a evolução dos mercados de trabalho ou, em alguns casos, a estabilização e eventual regresso de parte dos emigrantes.

O relatório, com 312 páginas, caracteriza a emigração e a população portuguesa emigrada entre 2000 e 2024, combinando dados nacionais e estatísticas oficiais de países de destino como Alemanha, França, Espanha, Suíça, Luxemburgo, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Noruega ou Macau. A obra analisa não só os fluxos anuais, como também os stocks de população portuguesa no estrangeiro e as remessas enviadas para Portugal.

Produzido pelo Observatório da Emigração e pela Rede Migra, no âmbito do CIESIUL do ISCTEIUL, o relatório contou com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, do Fundo para as Relações Internacionais e da DireçãoGeral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.

Assinado por Inês Vidigal, Cláudia Pereira, Joana Azevedo, Sofia Vilhena e Rui Pena Pires, o estudo confirma que a emigração portuguesa continua a ser um fenómeno estrutural, mas em reconfiguração: perde peso em alguns destinos tradicionais e reforçase em economias europeias centrais e em novos polos de atração fora da Europa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 22 de março de 2026

Canadá - Nelly Furtado será homenageada nos Juno Awards

A cantora luso-canadiana Nelly Furtado será integrada no Canadian Music Hall of Fame a 29 de março, durante a 55.ª edição dos Juno Awards, anunciou a organização


A cerimónia dos prémios de música canadiana assinala desta forma mais de duas décadas de carreira da cantora, marcada por êxitos internacionais.

A distinção reconhece o percurso da artista desde o lançamento do álbum de estreia “Whoa, Nelly!” (2000), que a projetou para o panorama global com temas como “I’m Like a Bird”.

Ao longo dos anos, Nelly Furtado consolidou-se como uma das vozes canadianas mais influentes, com sucessos como “Promiscuous” e “Maneater”, conquistando vários prémios Juno, Grammy e Latin Grammy.

Nascida em Victoria, Columbia Britânica (Oeste do Canadá), filha de emigrantes portugueses oriundos dos Açores, Nelly Furtado cresceu num ambiente cultural bilingue que influenciou a sua identidade artística.

A cantora tem, ao longo da carreira, incorporado referências multiculturais e colaborado com artistas de diferentes géneros, do pop ao hip-hop e à música latina.

Durante a transmissão dos Juno Awards, vários artistas canadianos irão prestar homenagem à cantora com um ‘medley’ de temas da sua carreira, incluindo o luso-canadiano Shawn Desman, Alessia Cara, Jully Black e Tanya Tagaq, acompanhados por convidados surpresa.

A direção musical estará a cargo de Herag Sanbalian, colaborador de longa data de Furtado.

A organização anunciou ainda a participação de novos talentos de Toronto, como Sofia Câmara (também luso-canadiana) e Mico, nomeados para a categoria de artista ou grupo revelação do ano, bem como de Cameron Whitcomb.

A cerimónia será apresentada por Mae Martin e contará com a participação de vários apresentadores convidados, incluindo Begonia, Billy Talent, Melanie Fiona e as jogadoras de hóquei olímpico do Canadá Sarah Nurse e Renata Fast.

Parte dos prémios será entregue durante a gala dos Juno Awards, marcada para 28 de março, enquanto a cerimónia principal terá lugar no dia seguinte. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo




Canadá - Cientista luso lidera avanço em vacina contra infeções bacterianas

O investigador luso-canadiano Mário Monteiro está a liderar um avanço na investigação de vacinas contra infeções bacterianas, com o desenvolvimento de um imunizante inovador contra a ‘Campylobacter jejuni’, uma das principais causas de diarreia a nível mundial


“Que eu saiba, somos o único laboratório universitário cujas descobertas já chegaram a quatro ensaios em seres humanos”, afirmou o cientista em entrevista à Lusa, sublinhando o carácter distintivo do trabalho desenvolvido na Universidade de Guelph, no Canadá.

Professor no departamento de Química daquela instituição, Monteiro coordena uma equipa que obteve resultados positivos num ensaio clínico de fase 1, indicando que a vacina é segura e capaz de induzir resposta imunitária em humanos.

“O objetivo da fase 1 em seres humanos é determinar se a vacina é segura e se cria anticorpos. Neste ensaio, verificámos ambos”, explicou.

Nascido em Lisboa e criado em Aldeias, no concelho de Gouveia, o investigador construiu uma carreira internacional na área das vacinas, após concluir o doutoramento na Universidade de York, em Toronto.

Passou pelo National Research Council of Canada e pela indústria farmacêutica nos Estados Unidos antes de ingressar na Universidade de Guelph.

O projeto, desenvolvido ao longo de mais de duas décadas em colaboração com instituições norte-americanas, baseia-se numa abordagem inovadora centrada em açúcares presentes na superfície das bactérias, ao contrário das vacinas tradicionais, que utilizam proteínas.

“As bactérias têm, na sua camada exterior, açúcares e proteínas. Nós identificámos as estruturas desses açúcares e transformámo-las em vacinas imunogénicas”, detalhou.

O ensaio clínico de fase 1 decorreu entre 2022 e 2024 no Cincinnati Children’s Hospital Medical Center, envolvendo cerca de 60 adultos saudáveis.

Segundo o investigador, os resultados demonstraram um perfil de segurança favorável e uma resposta imunitária eficaz.

A ‘Campylobacter jejuni’, frequentemente associada ao consumo de frango cru ou mal cozinhado, é considerada uma das principais causas de doenças diarreicas no mundo, podendo provocar complicações graves, incluindo a síndrome de Guillain-Barré.

Para Monteiro, o avanço representa também um contributo relevante para o posicionamento do Canadá na investigação científica global.

“O nosso trabalho mostra que há interesse nas nossas vacinas e que podem ter impacto na saúde global”, afirmou.

O próximo passo será a realização de um ensaio clínico de fase 2, que deverá envolver um maior número de participantes e avaliar a eficácia da vacina na prevenção da doença.

Segundo o investigador, esta fase exigirá financiamento adicional e a participação de parceiros da indústria.

“Na fase 2 vamos testar se a vacina protege contra a infeção. É um marco importante no desenvolvimento”, concluiu.

Monteiro foi distinguido como uma das 50 pessoas mais influentes na área das vacinas em 2014 e integrou, em 2024, o Conselho da Diáspora Portuguesa. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa” 

Canadá - Nasceu em Gouveia e está a desenvolver vacina inovadora


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Portugal - Investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde recebe prémio para estudar cancro cerebral pediátrico

Financiamento atribuído por fundo do Canadá vai permitir que Bárbara Soares Ferreira estagie durante um ano num centro de investigação daquele país

A estudante Bárbara Soares Ferreira, a desenvolver atualmente o seu trabalho de doutoramento no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), foi recentemente distinguida com o «Prémio de Viagem em Biologia Celular 2026» atribuído pelo Fundo Jacobo & Estela Klip do Hospital for Sick Children (SickKids), uma instituição de referência mundial na investigação em saúde pediátrica. O financiamento de cerca de 9000 euros permitirá à jovem cientista realizar um estágio de um ano num centro de investigação no Canadá, onde vai prosseguir o trabalho inovador que tem desenvolvido na área do cancro cerebral pediátrico.

O projeto de Bárbara está atualmente a ser desenvolvido no grupo «Cancer Signalling & Metabolism» do i3S, sob a supervisão do investigador Jorge Lima, e foca-se nos gliomas pediátricos de baixo grau, os tumores cerebrais mais frequentes em crianças. O objetivo, sublinha, “é poder contribuir para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e duradouras, com impacto direto na melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças com tumores cerebrais de baixo grau”.

Os gliomas pediátricos de baixo grau “têm elevadas taxas de sobrevivência, mas muitos doentes – em particular aqueles cujos tumores não podem ser totalmente removidos por cirurgia – apresentam progressão da doença e efeitos secundários a longo prazo associados aos tratamentos”. Em alguns casos, nota Bárbara Ferreira, as terapias-alvo têm conseguido melhorar os resultados clínicos, mas “a resistência ao tratamento e o reaparecimento do tumor continuam a representar desafios clínicos significativos”.

De acordo com a investigadora do i3S, este estudo tem como objetivo “compreender de que forma o microambiente tumoral, constituído pelas células cerebrais e do sistema imunitário envolventes, contribui para a resistência terapêutica e para o crescimento recorrente do tumor”.

Para esse fim, Bárbara Ferreira irá utilizar tecnologias avançadas de biologia espacial e organoides tumorais derivados de doentes, co-cultivados com células cerebrais e imunitárias, para analisar as interações celulares que influenciam a resposta às terapias-alvo.

É então este trabalho de investigação que a jovem investigadora vai ter a oportunidade de desenvolver no laboratório da investigadora Cynthia Hawkins, neuropatologista e cientista principal no Centro de Investigação em Tumores Cerebrais Arthur and Sonia Labatt, sediado no SickKids. Durante o estágio no Canadá, Bárbara vai “desenvolver estes sistemas de co-cultura e receber formação especializada em análise de sequenciação de RNA de célula única e transcriptómica espacial, técnicas de vanguarda na investigação biomédica”.

Bárbara Ferreira é licenciada em Bioquímica pela U.Porto e mestre em Medicina e Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), estando atualmente a frequentar o Programa de Doutoramento do Centro Académico de Medicina de Lisboa. Enquanto investigadora no i3S, já viu o seu trabalho reconhecido por instituições como a Fundação «la Caixa» ou a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Universidade do Porto - Portugal


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Estados Unidos – Jogo do Mundial de futebol entre a Colômbia e Portugal é o que tem mais procura por bilhetes

O último jogo de Portugal na fase de grupos do Campeonato do Mundo de 2026, contra a Colômbia, em Miami, em 27 de junho, foi a partida com mais procura por bilhetes, anunciou a FIFA


A FIFA anunciou na quarta-feira que recebeu mais de 500 milhões de pedidos de bilhetes para o Mundial2026, que se realizará no Canadá, nos Estados Unidos e no México, apesar da controvérsia em torno dos elevados preços dos bilhetes.

Os pedidos vieram de todos os 211 países e territórios membros da federação. Além dos três países anfitriões, a procura foi particularmente forte na Alemanha, Inglaterra, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha e Portugal, disse a FIFA, em comunicado.

Além do Colômbia-Portugal, os jogos com procura por bilhetes são o México-Coreia do Sul, em Guadalajara, México, a 18 de junho, e a final, em New Jersey, nos Estados Unidos, a 19 de julho.

Os adeptos tiveram até terça-feira para enviar os pedidos de bilhetes, que serão distribuídos através de um sistema de sorteio. Os resultados não serão anunciados antes de 05 de fevereiro, afirmou a FIFA. “Sabendo o quanto este torneio significa para as pessoas de todo o mundo, o nosso único pesar é não poder receber todos os adeptos nos estádios”, disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino.

A FIFA tem enfrentado críticas pela estratégia de preços para o Mundial2026. Segundo a organização Football Supporters Europe (FSE), os bilhetes custam cinco vezes mais do que no Mundial2022, no Qatar. Em resposta às críticas, a FIFA introduziu uma nova categoria de bilhetes com desconto em dezembro, com um preço de 60 dólares (51 euros).

O preço dos bilhetes para os jogos de Portugal no Mundial2026 custam entre 225 e 600 euros, segundo o sítio oficial da competição na Internet.

A FIFA colocou Portugal entre as seleções com os bilhetes mais caros durante a fase de grupos, juntamente com os três países anfitriões e com a Argentina, atual detentora do título, Brasil e Inglaterra. Isto significa que o ingresso mais barato para assistir ao vivo à estreia da seleção portuguesa no Mundial2026, que será em 17 de junho, em Houston, nos Estados Unidos, contra o vencedor do caminho 1 do play-off intercontinental (Jamaica ou Nova Caledónia ou República Democrática do Congo) custa 225 euros (265 dólares).

O valor mantém-se para os restantes dois jogos de Portugal no Grupo K, que serão frente ao Uzbequistão, em 23 de junho, igualmente em Houston, e Colômbia, em 27, em Miami.

Num cenário em que Portugal vença o grupo e chegue à final, um adepto precisa de gastar cerca de seis mil euros para assistir a todos os jogos da equipa das quinas.

O Mundial 2026 terá 16 cidades anfitriãs no Canadá, México e Estados Unidos, com a participação de 48 seleções num total de 104 jogos. O jogo de abertura será entre México e a África do Sul, em 11 de junho, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Portugal integra o Grupo K do Mundial2026, juntamente com Uzbequistão, Colômbia e o vencedor do caminho 1 do play-off intercontinental (com Jamaica, Nova Caledónia e RD Congo). In “Ponto Final” - Macau


sábado, 29 de novembro de 2025

Canadá - Angolanos celebram o 50.º aniversário da Independência Nacional em Toronto

A comunidade angolana celebrou, em Toronto, a tradicional Gala da Dipanda, que este ano assinalou o 50.º aniversário da independência de Angola. A iniciativa, promovida pela Comunidade Angolana de Ontário (ACO, na sigla em inglês), comemorou também os 35 anos da criação da associação, reunindo membros da diáspora, representantes do corpo diplomático angolano acreditado no Canadá e outros convidados. O evento decorreu num ambiente de confraternização, animado pela música, dança e gastronomia típica de Angola


Na abertura do evento, a presidente da ACO, Joyce Santos, destacou a emoção da dupla celebração: “O meu coração está cheio de felicidade. Estamos a celebrar 50 anos de independência e 35 anos da criação desta organização comunitária angolana em Ontário. Ver o nosso povo e os amigos de Angola reunidos com o mesmo propósito, a celebrar uma etapa tão importante, é motivo de grande alegria.”

Joyce Santos elogiou ainda o crescimento da participação comunitária e deixou votos de continuidade: “Quero felicitar a comunidade angolana por tudo o que alcançou até aqui, pelo crescimento e pela união. Desejo prosperidade e que continuemos a atingir novos patamares, que nos permitam chegar a outras comunidades e sermos reconhecidos no Canadá como uma comunidade forte, integrada e vibrante.”

O vice-presidente da ACO, Anael Sambo, reforçou a importância da união e do trabalho conjunto, salientando que estes encontros promovem o papel da comunidade angolana no Canadá e a integração das novas gerações.

Ao longo da noite, participantes e convidados partilharam mensagens de orgulho, lembrando a história e os sacrifícios que permitiram a conquista da independência. Para Nai Webba, foi um momento de profunda celebração: “Todo o angolano devia sentir orgulho neste dia. Foram muitas batalhas e sacrifícios para chegarmos aqui. Celebrarmos esta história tão bonita e custosa para o nosso povo, mesmo fora de Angola, enche-nos de orgulho.”

Os irmãos Oakley e Kayan Newman destacaram a importância de marcar presença e felicitaram a comunidade, realçando a beleza de Angola e das suas gentes, e o significado especial dos 50 anos de independência.

Com a participação e colaboração de membros da comunidade, do corpo diplomático angolano e de amigos de Angola, as comemorações do cinquentenário prolongaram-se ao longo de novembro, com várias iniciativas simbólicas e oficiais. Entre elas, destacaram-se as cerimónias de hasteamento da bandeira de Angola na Assembleia Legislativa de Ontário, na Câmara Municipal de Toronto e, pela primeira vez, na Câmara Municipal de Hamilton, assim como a festa comemorativa organizada pelo Kandando Toronto.

O programa deste ano incluiu também ações de plantação de árvores e um culto religioso na Igreja Admito, dedicado à oração e à reflexão sobre as cinco décadas de independência.

Graças a estas iniciativas, novembro reafirma-se como o principal mês de celebração para a comunidade angolana no Canadá, fortalecendo os laços culturais e identitários e consolidando a presença angolana no mosaico multicultural canadiano, transformando este período no verdadeiro mês da herança cultural angolana no país. In “Milénio Stadium” - Canadá


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Macau - Carlos Lemos lança novo livro com fotos do Grande Prémio

Quase uma centena de fotografias autografadas de pilotos de automóveis que passaram pelo Grande Prémio de Macau, entre 1954 e 1978, estão inseridas no segundo volume do livro dedicado ao evento automobilístico, da autoria de Carlos Lemos, que vai ser lançado no dia 6 de Novembro. O autor, que estará presente na sessão, disse ao Jornal Tribuna de Macau que a publicação tem como objectivo divulgar a vasta colecção de cerca de mais de 1900 fotografias, recortes dos jornais e cartazes guardados pelo seu pai Victor Lemos


Numa altura em que Macau vive o período de preparação para mais uma edição do Grande Prémio (GPM), o evento automobilístico internacional é tema de uma publicação da autoria de Carlos Lemos, que será lançada no próximo dia 6 de Novembro, pelas 15h00, na sede da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC).

O segundo volume do livro, com fotografias captadas entre 1967 e 1978, completa a história do GPM relatada no primeiro volume, entre 1954 e 1966. Trata-se de uma colecção pessoal de Victor H. de Lemos – já falecido, um entusiasta pelos desportos motorizados – que o seu filho Carlos Lemos decidiu editar em livro.

O segundo volume tem 356 páginas, mais 100 do que o primeiro. O conteúdo e a composição são muito idênticos, incluindo mais recortes de jornais chineses. Os principais destaques são o primeiro acidente fatal do GPM, a fracassada tentativa de criação do Circuito da Associação de Corridas Automóveis do Extremo Oriente, a primeira “Corrida da Guia”, a Corrida dos Gigantes e a evolução gradual do evento, desde as corridas amadoras até se tornar um acontecimento desportivo de classe mundial, reconhecido pela Federação Internacional do Automóvel (FIA) para as corridas de Fórmula Atlântico e Fórmula 3.

O livro contém cerca de 471 fotografias, bem como uma introdução à outra colecção de Victor H. de Lemos, “World of Motor Racing”, composta por mais de 1900 fotografias autografadas de pilotos, proprietários de carros e designers de renome internacional, como “II Commendatore” Enzo Ferrari, Stirling Moss, Michael Schumacher, Roy Salvadori, Dan Gurney, Jack Brabham, Juan Manuel Fangio, Helmut Marko, Colin Chapman, Jackie Stewart, Janet Guthrie, Sid Walkins, Tony e Mary Hulman (proprietários do circuito de Indianápolis), Frank Williams, Charlie Whiting, Louis Meyer, entre outros.

“Foi sempre vontade dele reunir todas as fotografias, muitas das quais contêm autógrafos de pilotos, dirigentes e outras pessoas directamente ligadas ao mundo automóvel, mas também recortes de jornais, cartazes, bilhetes de acesso ao circuito e outros elementos alusivos ao acontecimento”, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o autor da publicação, que estará presente na sessão de lançamento.

Emigrado no Canadá, desde 1978, Carlos Lemos, de 77 anos de idade, diz que o espólio do pai é bastante valioso. “Se não fosse publicado seria perder um grande legado”, salienta, reconhecendo que “naquela altura, em 1978, quando ele terminou a sua colecção, era muito difícil compilar tudo em livro, mas agora, com as novas tecnologias, torna-se mais fácil”.

Numa nota de divulgação, a APOMAC frisa que Victor H. de Lemos “foi o maior entusiasta do desporto automobilístico que, durante anos sucessivos acompanhou, muito de perto, as corridas do circuito da Guia, tendo conseguido reunir uma vasta colecção de fotografias e autógrafos de grandes pilotos”.

Este livro “será uma relíquia para todos os amantes do desporto automóvel e particularmente para todos aqueles que participaram naquele evento e, bem assim, para os coleccionadores de registos iconográficos”, acrescenta o documento introdutório.

“O livro está muito bem organizado, com recortes de jornais portugueses, ingleses e chineses, sendo uma obra que completa a primeira”, adiantou o presidente da direcção da APOMAC, Francisco Manhão.

O preço de capa da publicação é de 400 patacas, com desconto para 350 no período de promoção. Parte do produto líquido proveniente da venda reverterá a favor da instituição Macau IC2 Association (I Can Too), que apoia pessoas com autismo e outras deficiências, sendo a outra parte destinada à APOMAC. O livro pode ser adquirido antecipadamente através do endereço de correio electrónico macau_cd8@yahoo.ca e a entrega será efectuada no dia do lançamento. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



domingo, 6 de abril de 2025

Canadá - Bairro português em Montreal mantém-se, mas com dificuldades

O bairro português de Montreal continua a preservar marcas da presença lusa na cidade canadiana, mas enfrenta desafios como a dispersão comunitária, envelhecimento populacional e falta de apoio institucional, alertam figuras históricas da comunidade portuguesa no Quebeque



Natural do concelho de Arcos de Valdevez, Joaquina Pires, que chegou de Portugal em 1966 com apenas 10 anos, considera que “a presença portuguesa no bairro continua, mas de forma cada vez mais invisível no dia a dia”.

Autora do livro “Empreintes Portugaises” (Marcas Portuguesas), publicado aquando dos 70 anos da imigração portuguesa para o Canadá, Joaquina Pires defende que todos os membros da comunidade “fazem parte da história” e lamenta que muitos episódios marcantes, como o movimento de alfabetização dos anos 1970, estejam ausentes da memória coletiva: “Há histórias que não estão documentadas, mas tiveram um enorme impacto social.”

A primeira vaga de imigração portuguesa para Montreal chegou em 1953. Muitos fixaram-se no Plateau-Mont-Royal, onde criaram negócios e deram vida ao bairro hoje conhecido como “Pequeno Portugal”.

O restaurante “Castanheira do Ribatejo”, atual “Jano”, fundado em 1970 por um dos pioneiros da comunidade, é um exemplo de resiliência e é atualmente gerido pela família.

“O bairro vive um ciclo de transições geracionais. A comunidade envelheceu, muitos foram viver para os subúrbios, mas há jovens que estão a regressar às raízes”, explicou Maria do Céu Castanheira, filha do fundador.

Na perspetiva da empresária, verifica-se cada vez mais um envolvimento de lusodescendentes em iniciativas culturais, como o festival português ou projetos artísticos.

“São a nossa esperança”, afirmou, sublinhando que os seus estabelecimentos “mantêm-se ativos e adaptados aos novos tempos”.

No espaço público, a herança lusa continua visível no ‘Parc du Portugal’, inaugurado em 1975, e nos murais dedicados à fadista Amália Rodrigues, ao “Hino à Emigração Portuguesa em azulejos” (2017) e ao diplomata Aristides de Sousa Mendes, este último inaugurado em 2022.

Outro projeto emblemático são os Bancos Literários: 12 bancos de pedra instalados no Boulevard Saint-Laurent, com citações que vão desde D. Dinis até José Saramago.

“É um projeto participativo que envolveu escolas, artistas e cidadãos, mas que pouca gente conhece. Está muito pouco divulgado”, lamenta Joaquina Pires.

Para Carlos Moleirinho, empresário da restauração e proprietário do Café Central, o bairro continua a ser um ponto de encontro essencial para a comunidade.

O luso-canadiano, natural do concelho de Marinha Grande, está no setor desde os 24 anos e há 14 que gere este restaurante, café e bar com 52 anos de história, localizado no coração do bairro português.

“É mais do que um negócio, é um espaço de convivência. Aqui cruzam-se gerações, histórias, memórias”, afirmou à Lusa.

O empresário reconhece as mudanças na comunidade, mas acredita que há caminho para renovar a ligação às raízes: “Hoje a comunidade está espalhada por toda a região de Montreal. Mas continuam a vir aqui, porque sentem que este espaço ainda é deles”.

Maria do Céu Castanheira sublinha que “falta um espaço central” onde seja possível reunir as diferentes associações e iniciativas culturais.

Em vez de fragmentação, defende maior coesão: “Hoje cada um puxa para o seu lado. Precisamos de união e de não nos deixarmos levar por expressões de bairrismo.”

A restauração continua a desempenhar um papel essencial na promoção da cultura portuguesa.

“A comida é o primeiro contacto com a nossa cultura. Temos casas como o Cocorico, a Casa Minhota, o Douro, o Portus 360, o Jano e muitos outros. Enquanto houver pratos típicos, há Portugal no prato e na alma”, afirmou Céu Castanheira.

Apesar das dificuldades, como a pressão fiscal, os desafios da era digital e a mudança dos hábitos de consumo, há vontade de inovar.

“Estamos a lançar um novo projeto que une gastronomia e arte. Queremos continuar a contar a nossa história de forma criativa”, anunciou.

A sobrevivência do “Pequeno Portugal” dependerá da capacidade de reinventar a presença lusa em Montreal e de envolver as novas gerações.

Como defende Carlos Moleirinho, “a tradição mantém-se viva enquanto houver vontade de a partilhar, uma chama que ainda não se apagou”.

O bairro português em Montreal está localizado na freguesia urbana de Le Plateau-Mont-Royal, na Boulevard Saint-Laurent, entre a rua Mont-Royal e a avenida Des Pins.

De acordo com o recenseamento canadiano de 2021, viviam no Canadá 448.310 pessoas que se identificavam com ascendência portuguesa, das quais 46.535 residiam na região metropolitana de Montreal, no Quebeque. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”