Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 1 de março de 2026

Estados Unidos da América - Português que dirige ensino em Los Angeles investigado pelo FBI

As autoridades norte-americanas executaram esta quarta-feira buscas à residência do responsável máximo pelo Distrito Escolar Unificado de Los Angeles (LAUSD), o português Alberto Carvalho, bem como à sede da própria instituição


As autoridades federais mantêm o sigilo sobre a natureza exata da investigação que envolve o segundo maior distrito escolar norte-americano, mas o jornal Los Angeles Times indica que a operação poderá estar relacionada com a empresa AllHere, tecnológica responsável pelo desenvolvimento de um “chatbot” de inteligência artificial para o LAUSD, que declarou falência em 2024 após o seu fundador ter sido alvo de acusações de fraude.

As diligências do FBI estenderam-se além de Los Angeles, abrangendo a habitação de Alberto Carvalho em San Pedro e um terceiro local nas proximidades de Miami, cidade onde o responsável dirigiu anteriormente o sistema de escolas públicas.

Um porta-voz do FBI confirmou à mesma fonte a realização das buscas, escusando-se a fornecer detalhes adicionais sobre as motivações subjacentes. Adicionalmente, foi reportada uma intervenção num quarto endereço no estado da Florida, alegadamente vinculado a um antigo colaborador da AllHere.

Alberto Carvalho, lisboeta, emigrou para os Estados Unidos aos 17 anos, licenciou-se em Ciências Biológicas pela Barry University em 1990, onde iniciou a sua carreira docente aos 25 anos como professor de Física, Química e Cálculo. Antes de assumir a liderança do LAUSD em fevereiro de 2022, dirigiu as Escolas Públicas do Condado de Miami-Dade durante 14 anos, período em que obteve reconhecimento internacional pela sua gestão educativa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


domingo, 10 de dezembro de 2023

Portugal - A língua escondida a norte

Quando andamos pela Europa, estamos habituados a que ninguém nos compreenda quando falamos português. Ora, há um povo que percebe o que dizemos, mas nós nem notamos...

Quando vamos à Galiza, nem sempre reparamos que, além do castelhano, há por lá outra língua. E, no entanto, essa língua está bem visível em muitos locais. Por exemplo, nas placas da estrada. Sempre com cuidado (não vá bater no carro da frente), repare na «Rede de Estradas do Estado» por cima da castelhana «Red de Carreteras del Estado».

Se não puder ir lá ver ao vivo, deixo aqui uma foto para ajudar (o nome da «autopista» está em castelhano, mas a indicação da rede está nas duas línguas):


Depois, os nomes das terras estão em galego. A população sempre usou estes nomes, mas, durante algum tempo, os nomes nas placas da estrada foram escritos em castelhano. Hoje, não é isso que acontece. Os topónimos galegos são escritos, oficialmente, em galego: «A Coruña», «A Guarda», «Ourense», entre tantos outros.

Continue pela estrada. Os cartazes publicitários estão, em muitos casos, em castelhano. Mas nem todos. Como distinguir as duas línguas? Bem, para um português, não é difícil: o galego está muito, mas muito próximo do português… Em vez de «aeropuerto», temos «aeroporto». Em vez de «leche», temos «leite». Se andar por uma loja galega, talvez encontre expressões como «Servizo ao Cliente» em vez de «Servicio al Cliente».

Em muitos casos, temos as duas línguas lado a lado. Se quiser sair de algum sítio, procure a «salida» — ou a «saída» (e note que a avenida é «do Camiño Francés» e não «del Camino Francés»…):


Na oralidade, há momentos em que as duas línguas se misturam na mesma frase. Há também muitas pessoas que falam castelhano no dia a dia, principalmente entre os mais jovens. E, no entanto, como quase todos os galegos conhecem o galego, compreendem com pouca dificuldade aquilo que um português diz. É por isso que digo: na Galiza, faça o esforço de não falar em castelhano — afinal, somos portugueses, os maiores especialistas ibéricos em não falar espanhol!

Já que podemos usar a nossa própria língua, proponho também: quando ouvir um galego a falar galego, oiça com atenção. É verdade que os sons são diferentes, há alguma dificuldade inicial… Mas, escondidos por baixo das vogais mais abertas, de consoantes que nos lembram o castelhano, de um ritmo diferente das frases, temos muitos dos nossos verbos, muita da nossa gramática. Temos também palavras bem populares, que saem da boca dos galegos sem dificuldade: «medrar», «auga», «xantar» — esta última palavra é o nosso «jantar», que o galego escreve com «x» e come por volta da hora do nosso almoço.

É verdade que, na escrita, há alguns elementos que estranhamos: os «x» onde nós usamos «j» ou «g», os «ñ» e os «ll» a aproximarem-se da ortografia castelhana, os «z» onde nós usamos o «ç». Esta é a ortografia oficial do galego, ensinada nas escolas, e as diferenças que tem em relação à nossa ortografia não impedem que um português leia um texto galego. No entanto, perante tanta proximidade entre galego e português, alguns galegos preferem usar uma ortografia mais próxima da portuguesa. São os reintegracionistas e escrevem as palavras assim: «jantar», «Corunha», «filho», «língua», «caminho»…

Donde vem esta proximidade entre galego e português? Quando D. Afonso Henriques criou o nosso reino, o que se falava nas ruas era já uma língua bem distante do latim e essa língua (a que ainda ninguém dera o nome de português) era falava tanto a norte como a sul do Minho — e assim continuou pelos séculos fora. Quando a capital se estabeleceu em Lisboa, o português-padrão afastou-se, gradualmente, dos usos galegos e nortenhos, mas a proximidade nunca desapareceu e é, ainda hoje, especialmente visível entre o que se fala na Galiza e o que se fala no Norte de Portugal.

A proximidade linguística tornou-se, isso sim, muito discreta: não só os galegos falam e usam muito castelhano, apesar da sobrevivência da sua língua na oralidade, como nós temos alguma dificuldade em distinguir o galego na fala, por termos hoje uma fonética muito diferente.

A fonética é diferente, mas as palavras são tão nossas que arrepiam... Os galegos até se atrevem a usar a palavra «saudade»!

Esta pequena crónica é um convite para conversar e ler: afinal, conversar é muito bom — e ler é medrar. Sem ter de usar o famoso portunhol, podemos conversar com os galegos. Sem ter de aprender uma língua nova, podemos ler galego. A proximidade é inegável e as diferenças são deliciosas. Da próxima vez que for a Vigo, é verdade que ouvirá muito mais espanhol do que galego. Mas experimente falar em português: verá que quase todos nos entendem. Depois, entre numa livraria. Pegue num livro das estantes da literatura galega. Leia um ou dois parágrafos. Irá descobrir que tem uma literatura inteira ao seu dispor, no original.

Continue a viagem: procure uma aldeia galega. Converse com quem lá anda. Terá uma grande surpresa! É até possível que alguém lhe diga, ao despedir-se, neste mês de dezembro, uma frase galega: «Boas Festas!» Marco Neves – Portugal in “Certas Palavras”

Marco Neves - Professor e tradutor. Escreve sobre línguas e outras viagens na página Certas Palavras.




segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Estados Unidos da América - Português foi língua líder em exame de acesso a universidades dos EUA em 2023

O português foi este ano a língua líder no "National Examinations in World Languages" (NEWL), que confere créditos para acesso ao ensino superior norte-americano, com um número de inscrições superior aos restantes idiomas oferecidos.


À Lusa, o coordenador do ensino português nos Estados Unidos da América (EUA), João Caixinha, apontou que 376 alunos do ensino secundário, provenientes de 26 estabelecimentos de ensino de todo o país — entre eles escolas americanas e escolas comunitárias portuguesas — realizaram o exame NEWL de Português no passado dia 26 de Abril.

Ao registar o maior número de inscrições, o português ultrapassou as restantes línguas que integram o NEWL, nomeadamente o russo, o coreano e o árabe. "Estes números demonstram o crescente interesse no exame e na valorização e certificação dos conhecimentos e proficiência na Língua Portuguesa. Este também é o total de alunos que receberam certificados com resultados finais, que se traduzem em créditos para apresentarem às universidades americanas no acesso ao ensino superior em 2023/2024", segundo um comunicado oficial.

Um erro técnico de contagem da "American Councils for International Education" (AC), que é a organização que desenvolveu estes exames em diversas línguas, havia resultado na indicação de que 577 alunos se tinham inscrito para a realização do exame. Contudo, após a rectificação dos dados, verificou-se que 409 inscreveram-se este ano, sendo que 376 realizaram efectivamente o exame.

A Coordenação do Ensino Português nos EUA (CEPE-EUA) considera que o saldo final é "muito positivo".

"Segundo dados facultados pela AC à CEPE-EUA, cerca de 80% desses 376 alunos testou uma proficiência alta no exame NEWL de Português, o que na prática se traduz numa colocação mais avançada em cursos de português nas universidades americanas, ou seja, estes alunos que agora iniciaram o ensino superior terão poupado dinheiro nas propinas, pois ingressaram em cursos intermédios e avançados de português em vez de começarem em cursos de iniciação, graças aos resultados obtidos neste exame", destacou a CEPE-EUA.

Dos 376 alunos que realizaram o exame, 186 são considerados "alunos de herança - sobretudo lusodescendentes e brasileiros -", sendo que os lusodescendentes receberam bolsas do Instituto Camões e da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), que custearam a propina do exame (97 dólares, ou seja, cerca de 90 euros).

De acordo com João Caixinha, a grande adesão registada este ano é fruto de um trabalho e investimento que vêm sendo feitos ao longo dos últimos anos por entidades que vão desde o Instituto Camões, à FLAD, passando pela rede diplomática e consular nos EUA, e pela equipa de Coordenação do Ensino de Português.

Os exames NEWL avaliam as competências linguísticas - compreensão de texto, compreensão oral, produção escrita e produção oral - dos alunos a partir do 9.º ano - quando podem realizar o exame para testar as suas capacidades e conhecimentos -, até ao 12.º ano, quando podem usar o exame para conseguir créditos de acesso ao ensino superior.

O exame NEWL de Português foi criado em 2017 e é reconhecido pelo Programa de 'Advanced Placement' do College Board - que confere os créditos de acesso ao ensino superior nos Estados Unido - se pelas universidades norte-americanas. “Agência Lusa”


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Galiza - Pedro Januário: “Defender o galego é, inevitavelmente, defender a minha própria língua”

Os pais do Pedro Januário levavam-no de visita à Galiza, uma terra irmã. Uma delas, mais recente, ofereceu uma fotografia linguística mais triste, o que não o desencorajou a se associar à AGAL. Julga que a língua, tal como é ensinada nas escolas portuguesas não aborda o suficientemente à correção linguística e capacidades de escrita. O Pedro está a formar-se em Engenharia Informática e considera que a Internet está a provocar a anglicização do discurso. Além de português, comunista


O Pedro Januário já visitou a Galiza em criança. Que lembras daqueles primeiros contactos?

Desde sempre, os meus familiares transmitiram-me a ideia de que “na Galiza toda a gente fala português”, que a Galiza é uma terra irmã (não só na língua). Sendo do Porto, não vivo muito longe da Galiza e lembro-me de, desde muito cedo, a ter visitado várias vezes, mas a verdade é que só tenho memória do paradigma linguístico desde um dia que fui passar a Vigo em 2016.

Novas visitas, já com mais idade, que fotografias linguísticas te ofereceram?

Na tal visita a Vigo, reparei, com algum espanto, que grande parte dos cartazes e das informações estava escrita apenas em castelhano. Lembro-me de o ter comentado com o meu pai, que disse algo como “pois, é a língua oficial [do estado]”. Mais recentemente, no final de 2022, já com mais maturidade e “com outros olhos”, visitei, com um amigo (que também tem interesse pela Galiza e sensibilidade para com a situação da língua), novamente Vigo e A Corunha pela primeira vez. Pude então ver que a ideia que tinha de criança, de que na Galiza se fala português, não correspondia bem à realidade. Recordo-me perfeitamente de estar sentado num banco de jardim e ler, com choque, na Wikipédia, que apenas cerca de 15% d@s habitantes da Corunha em 2011 eram galegofalantes. Estive dois dias nessa cidade e ouvi apenas uma pessoa a falar galego. As próprias tampas de esgoto diziam todas “La Coruña”! Naturalmente, toda esta “fotografia linguística” entristeceu-me: ajuda a desfazer a ideia de irmandade entre a Galiza e Portugal.

Porque decidiste tornar-te sócio da Agal, qual foi o motor, que te emocionou para o fazer?

Tenho particular apreço e carinho para com as línguas e culturas/identidades menorizadas. No caso do galego, entristece-me a ameaça à ligação com Portugal. Após ter tirado a “fotografia linguística” que descrevi, resolvi investigar mais sobre a situação do galego e viria a deparar-me, inevitavelmente, com o reintegracionismo. Ao descobrir a proposta gráfica reintegracionista, lembrei-me imediatamente das cantigas de amigo que estudara na escola. Em particular, da terminação -çom, que acaba por ser mais fiel do que -ção à pronúncia “popular” tradicional do Porto. Fez-me muito sentido o argumento de que potenciará a utilidade do galego, além de entender o reintegracionismo como uma valorização da tal irmandade – no fundo, defender o galego é, inevitavelmente, defender a minha própria língua. Associar-me à AGAL pareceu-me o passo certo a dar para poder contribuir para essa defesa e o facto de termos sócios pela lusofonia fora encorajou-me a juntar-me.

No ensino formal a Galiza aparece mas depois se esquece. Porque achas que acontece isto e que receitas sugeririas para provocar o despertar da Bela Adormecida?

Esta pergunta levou-me imediatamente a refletir sobre a maneira como a História, por exemplo, é dada na escola em Portugal. Penso que ainda está presente uma certa visão colonialista (até cheguei a ter um professor saudosista do Estado Novo) e que acaba também por se cultivar uma certa aversão e rivalidade artificiais em relação ao resto da Península Ibérica. A par com isto, por sua vez, o ensino do Português, como eu o conheci, centra-se demasiado, a meu ver, na literatura portuguesa (o que também é extremamente importante, como é óbvio) em detrimento da língua em si. E com “a língua em si” refiro-me não só à sua história, como também à própria correção linguística e capacidades de escrita, domínio ainda extremamente débil na generalidade dos alunos portugueses. Claro que tudo isto é apenas a minha perceção, mas efetivamente o que trago comigo da escola em relação à Galiza, no campo da língua, são apenas referências esporádicas ao “galaico-português da Idade Média”.

Pedro Januário está a formar-se em Engenharia Informática. Em que medida, julgas, a informática está a afetar os usos linguísticos na sociedade quer positiva, quer negativamente?

A verdade é que a omnipresença da informática, em particular da Internet e das redes sociais, no nosso quotidiano veio promover um maior contacto com outras línguas, nomeadamente a inglesa. O que isto traz de bom é o natural enriquecimento que uma língua pode dar a outra, introduzindo-se novos termos (os tais “empréstimos” que se estuda na escola) e, além de termos, conceitos. E como a introdução de novos conceitos acaba por moldar o pensamento, penso que é por aí que vem o outro lado da moeda, que é aquilo que tenho vindo a notar como uma anglicização do discurso. De certa forma análoga àquilo que acontece em relação ao castelhano na Galiza (de maneira muito menos abafante, obviamente), reparo que em muitos casos acaba por se favorecer termos e expressões em inglês em detrimento dos mesmos em português e, também, que o inglês já contamina um pouco a própria sintaxe e gramaticalidade.

Pedro é militante do Juventude Comunista Portuguesa e do Partido Comunista Português. Julgas que existam nuances nos relacionamentos dos partidos políticos portugueses com a realidade galega?

Por aquilo de que me vou apercebendo, acho que tanto o conhecimento da realidade galega como a solidariedade para com ela variam bastante entre as e os camaradas, inclusive alguns com quem já conversei sobre o assunto. Do que conheço, diria que não há propriamente um relacionamento a nível “oficial” / ”institucional”, pelo menos da JCP e do PCP, mas sim reside mais em pessoas que individualmente têm mais interesse. Sei que há uma banca do BNG no Espaço Internacional da Festa do Avante. Sei também que, por outro lado, o Bloco de Esquerda tem, no seu portal de notícias e artigos, o esquerda.net, alguns artigos sobre o reintegracionismo; inclusive uma entrevista ao Eduardo Maragoto.

Qual seria a melhor via de mostrar em Portugal a realidade linguística da Galiza?

Repescando um pouco uma resposta anterior, penso que seria útil repensar-se a História e o Português na escola. Virar a História mais para o Mundo e o Português mais para a sua origem e não tanto só para a literatura. Seria também interessante que se continuasse a apostar nas iniciativas conjuntas que vão existindo entre a RTP e a TVG e que, por exemplo, as rádios e televisões portuguesas passassem conteúdos produzidos na Galiza. Agrada-me a ideia da Galiza na CPLP.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” das relações entre a Galiza e Portugal em 2050?

Gostaria de que tivéssemos mais consciência da nossa irmandade (não só linguística, mas enquanto povos) – numa resposta anterior dizia que ainda vai havendo essa consciência, mas vejo-a quase só nas gerações mais velhas e não sinto que passe muito para a minha. E sendo a língua uma das vertentes dessa irmandade, o reintegracionismo terá um papel fundamental na nossa (re)aproximação. Valentim Fagim – Galiza in “Portal Galego da Língua”

Conhecendo Pedro Januário:

Um sítio web: A Wikipédia. Revejo-me na ideia de uma plataforma de conhecimento livre, aberta e colaborativa, onde também vou dando os meus contributos.

Um invento: A Máquina de Turing

Uma música: Espelho, Orelha Negra

Um livro: Levantado do Chão, de José Saramago

Um facto histórico: Revolução dos Cravos

Um prato na mesa: A Francesinha

Um desporto: o ciclismo, apesar de não ser muito dado ao desporto.

Um filme: Não sou muito de filmes e, por isso, sinto que não vi nenhum até agora marcante o suficiente para o eleger.

Uma maravilha: O Rio Neiva

Além de português: Comunista



quinta-feira, 22 de junho de 2023

Alemanha - Em Mainz pode aprender música em português

Se está na Alemanha, na zona de Mainz, participe num evento para melhorar o seu português através da música


Iniciativa da ASPPA (Associação de Pós-Graduados Portugueses da Alemanha), a ‘masterclass’ de música portuguesa pretende ser uma oportunidade para através da música portuguesa reforçar a aprendizagem do português e a divulgação da cultura portuguesa.

Para os jovens, é uma excelente oportunidade para aprenderem a tocar um reportório de várias músicas portuguesas durante um dia e, no final, atuarem na Festa dos Santos Populares.

A ‘masterclass’ de música portuguesa será dada pela fundadora da Luso Academy e colaboradora do Bom Dia, Ana João Correia. Será uma oportunidade para divulgar a língua portuguesa e cultura lusófona junto da nossa comunidade jovem lusodescendente. Desta forma, as aulas e a ‘masterclass’ são lecionadas em português e o reportório é de música portuguesa.

As inscrições podem ser feitas aqui.

O evento tem lugar dia 24 de junho entre as 9 e as 16 horas, no Centro Comunitário da Comunidade de Língua Portuguesa de Mainz, Hintere Bleiche 53, 55116 Mainz. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 6 de abril de 2023

Timor-Leste – Governo aprova português como única língua de instrução


Díli – O Governo aprovou o português como língua de instrução e ensino do sistema educativo do país, com o tétum e as demais línguas nacionais a assumirem um papel de apoio. Esta aprovação integra um conjunto de alterações à Lei de Bases da Educação de modo a adequá-la às atuais exigências e desafios. A proposta foi apresentada pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura.

Segundo o Presidente do Conselho de Ministros, Fidélis Magalhães, foram também alteradas diversas normas relativas aos níveis de ensino pré-escolar, básico e secundário de modo a reconhecer a importância da aprendizagem da língua portuguesa no setor educativo nacional.

“Com este diploma, e de forma a eliminar injustiças na atribuição de graus e diplomas no ensino superior técnico, passará a ser possível aos estabelecimentos de ensino superior técnico atribuírem graus e diplomas como bacharelato, a licenciatura e o mestrado”, acrescentou.

O ministro referiu que se pretende também permitir que seja concedido grau de mestre após a conclusão de uma formação superior com duração de doze semestres, incluindo uma parte de licenciatura, integrada e não possível de divisão, correspondente aos primeiros oito semestres do curso de mestrado integrado.

“Com a alteração proposta passa também a estar definido que o ensino à distância deve ter incidência em todos os níveis e âmbitos da educação nacional timorense”, concluiu. Domingos Freitas – Timor-Leste in “Tatoli”


 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Galiza - Ensino do galego ‘O que está a faltar’: mais língua portuguesa na escola?

 


Valentín García, secretario xeral de Política Lingüística, e Eliseu Mera, diretor do IES Plurilíngüe de Valga e vice-presidente da Associaçom Galega da Língua (AGAL) conversárom recentemente sobre a progressiva e ainda tímida introduçom do português nas aulas, analisando a oportunidade de avançar com o português em todos os centros do ensino, uma oportunidade que nem o galego como língua nem os galegos como pessoas deviam desaproveitar, pois tornaria a nossa sociedade numa privilegiada em termos idiomáticos.


Esta conversa forma parte dunha série de conversas promovidas pola AGAL e realizadas por Nós Televisión que refletem sobre o ensino do/em galego sob o mote “Ensino do Galego. O que está a faltar?”. A iniciativa contou com o apoio económico da Deputación da Coruña.

Mais videoconversas

Nas semanas passadas pudemos ver mais 3 videoconversas de aproximadamente meia hora cada uma para refletir sobre o ensino do galego e sobre o galego no ensino, nomeadamente sobre o que está a faltar para que este se reflita em resultados mais positivos relativamente ao uso da língua polas novas gerações.

Estas conversas em vídeo som continuidade das dezenas de entrevistas escritas que se fizérom no Portal Galego da Língua (PGL) ao longo do ano 2022, em que cada pessoa entrevistada era perguntada pola situaçom do galego na atualidade e sobre a pertinência de introduzir mudanças no currículo ou de introduzir a língua portuguesa no ensino. De facto, a maioria das pessoas que participam agora nas videoconversas já foram entrevistadas previamente na referida série de entrevistas.

Trata-se principalmente de pessoas vinculadas ao ensino, nomeadamente através das matérias de Língua e Literatura Galegas e de Língua Portuguesa no secundário, como Charo Fernández, Bernardo Penabade, Valentina Formoso e Rosalia F. Rial, embora alguns dos docentes também ocupem cargos diretivos de centros educativos, como Manuel Portas, Eliseu Mera e Rocio Candales. Participa ainda o secretário-geral da Política Linguística, Valentín García. 

Todas as entrevistas, junto com os seus trailers, podem ser vistas aqui. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Timor-Leste – Linguística, media e literatura timorenses na base de livros lançados pelo CECA


Díli – O Centro de Estudos de Cultura e Arte (CECA) da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) lançou três livros com temas na área das ciências sociais e humanas, concretamente sobre os media, linguística, literatura tradicional e educação.

As obras, resultantes da compilação de vários artigos de ex-estudantes da UNTL, estão disponíveis em tétum e em português.

Marcelino Ximenes Magno, autor do livro Media na Sociedade em Timor-Leste, revelou que, baseando-se na educação para os media do Ministério da Educação, Juventude e Desporto, escreveu o artigo usando textos de jornalismo impresso, televisivo e radiofónico difundidos durante a crise sanitária provocada pela covid-19.

“A transmissão de informação muda a mentalidade da população como, por exemplo, as representações sobre a violência doméstica”, declarou o investigador à Tatoli.

Adérito Correia, autor do Maklokek ba Sociolinguística, afirmou que, baseando-se em investigação científica prévia, apresentou uma ideia que aprofunda estudos linguísticos, sobretudo no que toca á reciprocidade entre a língua e o povo, a classificação e distribuição de elementos linguísticos e até da possibilidade de extinção da língua.

“A língua é uma realidade geográfica, mas também regionalmente localizada. A língua contribui para um enriquecimento dos currículos de ensino. O livro apresenta não só o contexto e a forma, mas também o seu uso”, afirmou o autor.

O autor referiu que os capítulos do seu livro explicam como se operam os contatos [com outras línguas] e as mudanças linguísticas, as atitudes linguísticas, o domínio de uma língua, entre outros, e funda-se nas disciplinas de sociolinguística educacional, de ecologia linguística, entre outros.

Já Maria Cunha, autora do livro Timor-Leste Literatura Tradicional e de Ensino aborda vários assuntos associados com a literatura em contexto pedagógico, com a literatura brasileira na formação de estudantes e com a literatura popular da tradição oral, desde as lendas até aos motivos dominantes no romance.

Maria Cunha considerou que a literatura de expressão oral faz parte do património imaterial de um povo e de uma nação e, por isso, tem um valor cultural intrínseco e socialmente relevante.

“Compilei pesquisas de estudantes sobre aspetos linguísticos e lendas de todos os municípios. Escolhi os mais interessantes”, relatou a docente.

A autora explicou que as lendas timorenses são dotadas de um interesse histórico e etnográfico. Deu, como exemplo, a lenda da fonte de água descoberta por um cão. “o dono do cão seguiu o percurso inverso do cão por ver o animal chegar a casa molhado”, concluiu. Jesuína Xavier – Timor-Leste in “Tatoli”


 

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Macau - Universidade Politécnica de Macau e Universidade de Coimbra publicam monografia sobre estudos na área da linguística do português

O Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP) da Universidade Politécnica de Macau (UPM) e o Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada (CELGA-ILTEC) da Universidade de Coimbra (UC) colaboraram na elaboração de uma monografia sobre estudos na área da linguística do português. O livro, intitulado “Português brasileiro e português europeu: um diálogo de séculos”, acaba de ser publicado, anunciou a UPM em nota de imprensa.

A monografia resulta de uma colaboração académica entre as duas universidades e faz parte da série “Português Língua Pluricêntrica – Estudos de Linguística”. Esta série, editada por Graça Rio-Torto, linguista da Universidade de Coimbra, Gaspar Zhang, Coordenador do CPCLP da Universidade Politécnica de Macau, e Liliana Inverno, Coordenadora do CELGA-ILTEC da Universidade de Coimbra, cobre uma vasta gama de tópicos como as teorias linguísticas e a prática do uso do português como língua pluricêntrica (tanto na sua sincronia como na sua diacronia), com o objectivo de promover à escala global a língua e cultura portuguesas e os resultados excelentes dos estudos sobre a linguística portuguesa.

Contando com a colaboração de vários estudiosos no campo da linguística portuguesa de ambas as universidades, o livro centra-se nos contrastes linguísticos entre o português europeu e o português brasileiro. No primeiro capítulo são apresentadas as semelhanças e as diferenças mais impressivas entre o português brasileiro e o português europeu, sendo analisado também o impacto do Português Brasileiro Vernáculo ou Popular na política de língua do país; o segundo capítulo aborda o fenómeno da ausência do artigo definido antes de “possessivo + grupo nominal” no português brasileiro e a situação desta questão linguística no português europeu; o terceiro capítulo compara as condições de utilização da construção de “negação dupla e pós-verbal” em português europeu e do Brasil, e analisa as hipóteses sobre a origem desta construção através de múltiplos tipos de textos; o quarto capítulo debruça-se sobre a colocação dos pronomes clítico em frases do português brasileiro e do português europeu, dando ênfase à próclise do pronome pessoal “SE”; o quinto capítulo examina as condições sintáctico-semânticas em que o português europeu e o português brasileiro usam ELE e LHE com valor de Complemento Directo, sendo este fenómeno linguístico analisado através de textos de diferentes períodos históricos. In “Ponto Final” - Macau

 

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Macau - Só 39% dos nacionais lusos têm o português como língua corrente

Do total de 682070 pessoas contabilizadas em Macau através dos Censos de 2021, apenas 8991 tinham nacionalidade portuguesa. As estatísticas disponíveis não permitem traçar uma tendência a partir dos Censos de 2011 e dos Intercensos de 2016. Os dados consultados pelo Jornal Tribuna de Macau mostram também que apenas cerca de 39% das pessoas com nacionalidade portuguesa tinham como língua corrente o português

A população total de Macau era composta, no ano passado, por 682070 pessoas, mais 23,5%, face aos Censos de 2011 (552503 indivíduos). Uma análise mais detalhada às estatísticas disponíveis na Base de Dados Estatísticos da População mostra, como seria de esperar, que em 2021 a maioria das pessoas era de nacionalidade chinesa (608379), perfazendo quase 90% do total. Já as que tinham nacionalidade portuguesa representavam apenas 1,3%, totalizando 8991.

Os dados disponíveis não permitem fazer uma comparação com os Intercensos de 2016 e com os Censos de 2011 em termos de nacionalidades, de modo a termos uma perspectiva em relação à tendência dos números.

Das pessoas com nacionalidade portuguesa, todavia, apenas 3485, ou seja, cerca de 38,76%% têm a língua de Camões como língua corrente, ficando abaixo dos que dominam o chinês (cantonês e mandarim). Segundo as informações dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), os indivíduos com nacionalidade portuguesa cuja língua corrente era o chinês representavam 44,8% do total, num total de 4028 pessoas. Em concreto, 4015 falavam cantonês e 13 mandarim.

Neste âmbito, havia ainda 1025 cuja língua corrente era a inglesa e 27 que falavam tagalo. Os dados apontam também que 16 falavam outras línguas, sendo este indicador “não aplicável” no caso de 410 pessoas.

Por outro lado, dos nacionais chineses (608379), um total de 522508 falam cantonês, seguindo-se 35686 com “outro dialecto”, 27190 cuja língua corrente era o mandarim, 2579 que dominavam inglês, 2617 que tinham “outras” línguas, 341 que falavam tagalo, e 96 cuja língua corrente era a portuguesa.

Os dados referentes aos Censos de 2021 apontam que, no universo de pessoas de nacionalidade portuguesa (8991), a ascendência cruzada (chinesa e portuguesa) não está muito longe dos que têm ascendência portuguesa. Isto é, as pessoas de nacionalidade portuguesa e com ascendência portuguesa eram 4664 ou 51,87% do total, enquanto os nacionais portugueses com ascendência chinesa e portuguesa eram 3136 ou 34,87%. Já as pessoas com nacionalidade portuguesa e ascendência portuguesa e “outra” eram 592, seguindo-se 326 com “outra” ascendência, 191 com ascendência chinesa, e 82 com ascendência chinesa e não portuguesa.

No grupo dos nacionais chineses (608379), por sua vez, a maioria tinha ascendência chinesa (602629), seguindo-se as pessoas com ascendência chinesa e portuguesa (3500), chinesa e não portuguesa (871), “outras” ascendências (635), portuguesa (486), e portuguesa e “outra” (258).

Segundo as estatísticas, a faixa etária com mais pessoas de nacionalidade portuguesa vai dos zero aos 14 anos, num total de 1678. Por outro lado, há 5539 pessoas com idades entre os 35 e os 65 anos ou mais. As faixas etárias dos 15 aos 24 e dos 25 aos 34 anos são as que menos pessoas acolhem, com 821 e 953, respectivamente.

Depois da nacionalidade chinesa, a que predomina é a filipina, com 33896 pessoas, seguindo-se a vietnamita (12217), outras nacionalidades (11966), a indonésia (5859), e a tailandesa (762). Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Macau - Lançamento do livro infantil “Luz dentro de nós”


A Fundação Rui Cunha acolhe, sábado, dia 28 de Maio de 2022, às 11h30, o lançamento do livro infantil Luz dentro de nós, da autoria de Delora Sinha e Gabriel.

Luz dentro de nós conta uma história de luzes que falam e de quatro amigos que se encontram num momento mágico do calendário chinês, num lugar onde o tempo para e onde aproveitam para conversar e também discordar, realçando os diferentes traços de personalidade, vivência, opiniões e atitudes, comprovando que cada um de nós tem uma luz dentro de si.

Através deste livro, o leitor poderá conhecer e entender a existência das diferentes emoções, reconhecendo a importância de cada ser existente no mundo, valorizando e respeitando tudo o que está à sua volta.

Missão:

O desenvolvimento de competências emocionais, particularmente do conhecimento emocional, tem vindo a ser considerado uma importante aquisição para a saúde e bem-estar e para a adaptação social e escolar.

Particularmente, o desenvolvimento que ocorre na idade pré-escolar, tendo em conta a transição e adaptação ao Jardim-de-infância, exige competências que permitam às crianças corresponder às novas exigências afectivas, sociais e cognitivas, a novas regras e limites e fundamentalmente, a iniciar as relações entre pares com toda a sua complexidade entre a individualidade e o grupo.

Acreditamos que o conhecimento sobre diferentes tipos de emoções e o autoconhecimento emocional são muito importantes para o crescimento da criança.

Edição Trilingue

Macau tem vindo a promover de forma activa e empenhada o ensino bilingue das línguas chinesa e portuguesa, contribuindo, assim, para a fusão destas duas diferentes culturas. Aproveitando esse facto, e tendo como objectivo o apoio ao desenvolvimento das crianças que têm contacto com a língua portuguesa, de famílias de matriz chinesa, a introdução ao conhecimento destes dois idiomas assume um papel fundamental no acompanhamento dos pais ao crescimento e processo de aprendizagem dos seus filhos.

Já o Patuá macaense, também chamado Crioulo macaense, é um idioma de origem portuguesa em vias de extinção (classificado pelo UNESCO), sendo apenas falado por um pequeno número dos macaenses que vivem em Macau ou no estrangeiro, na sua maioria já com uma idade avançada, razão pela qual, é de enorme importância contribuir para a sua preservação e promoção no seio das futuras gerações.

Autores:

Teresinha Tcheong Gabriel é fundadora da LEKKA, Centro de Explicações e de Educação e autora do livro lúdico Eu e… Eu sou… Eu sei…, dedicado à prática do português. Exerceu, igualmente, funções de monitora de actividades extracurriculares (Origami) no Jardim de Infância D. José da Costa Nunes.

Bilingue (em chinês e português), Teresinha Tcheong Gabriel é licenciada em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Lisboa, tendo sido, durante vários anos, farmacêutica e directora técnica em farmácias comunitárias e num hospital de dia.

Gabriel, engenheiro de profissão, desde muito cedo manifestou profundo interesse pela música e pela cultura macaense, especialmente o patuá. É ele quem escreve as letras das suas músicas originais tanto em português como em patuá. Neste seu último projecto, decidiu fazer algo diferente: porque não escrever um livro para crianças em três línguas?

Com uma tese de mestrado “Sketching a profile of Macanese managers”, Gabriel é, ainda, co-autor da exposição de fotografias “Fly.Time.Space” – um tema que revela a sua paixão pela cultura local.

Luz dentro de nós, será apresentado a todo o público interessado, este sábado, 28 de maio, pelas 11h30 da manhã, na Fundação Rui Cunha.

Para além da presença dos autores, contaremos, ainda, com a participação do psicoterapeuta Elvo Sou, bem como de António Monteiro, Presidente da Associação de Jovens Macaenses.

A sessão será realizada em português e cantonês com interpretação consecutiva.

Traga o seu filho e venha celebrar connosco o Dia Internacional da Criança!

A entrada é livre! Contamos com todos! Fundação Rui Cunha - Macau



 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Galiza - A língua própria que multiplica

A importância da língua para construir um imaginário coletivo é evidente e mesmo para muitas pessoas é a marca mais característica e definitiva. Assim, igualar língua e sentimento nacional (ou nacionalista) muitas vezes caminhárom de mãos dadas durante os séculos XIX e XX, os séculos das nações. Caminhárom juntos e em sentidos contrários, porque as nações sem Estado é claro que se constroem enfrentando a naçom do Estado, como mínimo. Um confronto que é o marco e a fonte da qual nascem as articulações das realidades administrativas plurilingues como há tantas por volta de todo o mundo, nomeadamente na Europa e no Estado espanhol.

Assim sendo, no pacto constitucional vigorante em Espanha institucionalizou-se a oficialidade do resto de línguas, embora nom de todas, juntamente com o castelhano, que sempre foi. Apesar desta novidade, que só tinha um breve precedente na legalidade republicana da década de 30, o castelhano continuou a ser a língua que toda a cidadania tem o dever de conhecer ficando o resto de línguas só com o direito de serem usadas, mas sem ser obrigatório o seu conhecimento. Ainda assim, em vários Estatutos de Autonomia, como é o caso do galego, reconheceu-se uma mínima diferença legal com o castelhano, é por isso que o nosso idioma foi caracterizado como “língua própria”.

Este conceito de língua própria foi usado pola vez primeira na Catalunha e ainda que nunca se chegou a concretizar numa definiçom jurídica nítida sim que valeu para fomentar políticas de discriminaçom positiva, embora na Galiza fossem sempre escassas, que se baseavam nesse conceito. É por isso que nom é de estranhar que desde o seu nascimento coletivos contrários ao galego como o anteriormente conhecido como ‘Galicia Bilingue’ -hoje com um nome que transparenta muito melhor os seus objectivos: ‘Hablamos Español’- atacárom o facto de o galego ser considerado ‘língua própria’ da Galiza e o castelhano nom. Apesar de as consequências jurídicas serem realmente quase imperceptíveis, apesar de levarmos mais de 40 anos em que a língua própria continua a perder espaços e presença, apesar de todo isto, pessoas ideólogas desse pensamento uniformizante como o caso do professor Blanco Valdés continuam a insistir na necessidade de que o galego perda esta sua característica de língua própria.

Apoiam a sua tese, precisamente, no facto de já nom ser majoritária nas camadas mais jovens da populaçom assim como na sua perda da condiçom de língua mais falada, tal e como indicava um inquérito da empresa Sondaxe recentemente. Tal e como indicam todas as demoscopias e pesquisas dos últimos anos e décadas. Estas pessoas e coletivos colocam o castelhano na Galiza num plano de língua assediada, que luita pola sua sobrevivência, totalmente irreal e afastado da realidade das nossas ruas. Isto é assim tam evidente que assim que deixárom de desfrutar da amplificaçom mediática do seu discurso diluírom-se com grande rapidez.

Coletivos e pessoas que procuram usar as línguas para dividir em vez de para multiplicar. Pessoas que sob um falso cidadanismo realmente acabam aderindo à visom mais tradicional e organicista da consciência nacional, neste caso da espanhola, que identifica naçom e língua. Pessoas que talvez nom sejam quem de explicar como um nacional irlandês fala hoje inglês igual que um nacional argentino fala castelhano. Frente a estes discursos da divisom compre construir o discurso multiplicador, esse em que a língua própria, a galega, é interpretada como português.

Uma focagem multiplicadora em que nom se negam as potencialidades das línguas, em que uma pessoa galega consegue falar galego (português), castelhano e desejavelmente também inglês. E isto independentemente da adscriçom nacional que deseje ter essa pessoa. Este é o caminho que deveríamos promover coletivamente, uma estratégia que salvaguarde o próprio, que o eleve dando-lhe caráter internacional, que nos ajude a olhar até Porto, Lisboa, Rio, Salvador, mas também até os PALOP, sem deixar de sermos nexo com Buenos Aires, México ou Caracas, nem com Madrid, Bilbao ou Barcelona. E quem nos dera poder incorporar, neste nosso mapa, também New York, Londres ou Sidney. Miguel Penas – Galiza in “Portal Galego da Língua” com “Nós Diario”

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Miguel R. Penas - Nascido em 1976, o compostelano Miguel R. Penas é Licenciado em História pola Universidade de Santiago de Compostela (USC). Desde 2001 trabalha profissionalmente no âmbito da comunicaçom, no campo privado, institucional e associativo. Foi dos fundadores do Portal Galego da Língua (PGL) e primeiro diretor da Através Editora. Atualmente é o presidente da AGAL.

 

sábado, 26 de março de 2022

Galiza - “O alunado de português multiplicou-se por cinco desde a entrada em vigor da Paz Andrade” segundo Valentín García

Em 2021 fizérom-se 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisarmos este período, estivemos a realizar ao longo de todo 2021 umha série de entrevistas a diferentes agentes. Agora, já em 2022, queremos continuar a refletir sobre isto, mas focando um âmbito em particular, de importância estratégica: o ensino.

Uma das entrevistas previstas era a do Conselheiro de Educaçom, que no entanto delegou as suas respostas no secretário geral de Política Linguística, Valentín García, que já o ano passado tinha atendido o nosso questionário, dando portanto agora também a sua perspetiva sobre a situaçom do galego no ensino.

Que avaliaçom fás dos resultados do ensino do galego após 40 anos como matéria troncal?

A avaliaçom tem que ser necessariamente positiva. Incidiu tanto no prestígio como no conhecimento da língua e foi fundamental para estender a norma culta. Todos os inquéritos refletem uma melhoria no conhecimento do galego, sobretodo das competências escritas, na sequência da implantaçom da matéria de língua e hoje temos a geraçom melhor formada da história na língua própia da Galiza.

E da presença do galego como língua veicular no ensino público?

Pois o mesmo, incidiu tanto na melhoria das atitudes para a língua como no conhecimento. Tardou mais em chegar, mas à medida que se foi estendendo a focagem comunicativa no ensino de línguas e que mudou a nossa perspetiva sobre como se aprendem os idiomas, tornou-se evidente a sua necessidade. Para dominar uma língua há que usá-la, nom basta conhecer teoricamente a sua gramática. Isso é o que está na base da presença das duas línguas cooficiais da Galiza como veiculares no ensino.

Achas que esta presença guarda relaçom com a sua presença como língua ambiental nos centros educativos?

Até onde sabemos, nom há uma relaçom direta entre o número de horas de aulas que o alunado recebe em galego e o idioma que usa depois com os seus iguais, no pátio e na rua. Estou certo de que ajuda, porque sem conhecimento e sem prestígio da língua é difícil que se poda usar, mas há muitos outros factores que estám presentes nas decisões de uso linguístico dos rapazes: a língua familiar, a língua ambiental, os meios de comunicaçom, as atividades extraescolares… Por isso, para obter resultados, necessitamos trabalhar em diferentes âmbitos e de diferentes perspetivas; a partir da regulamentaçom das horas de aulas em galego, mas também a partir da dinamizaçom da língua, como fazemos com as equipas de dinamizaçom dos centros educativos ou diferentes programas.

Pensas que deveria mudar alguma cousa no ensino da matéria de Lingua Galega e Literatura?

Em Educaçom nunca paramos de mudar para melhorar. No ensino da língua galega leva-se feito muito trabalho na passagem de uma focagem centrada no ensino teórico da gramática para uma focagem comunicativa, e ainda continuamos nisso. O programa Nós tamén creamos!, que anima o alunado de Infantil e Primária a criar curtas de animaçom em galego com a ajuda do seu professorado, vai nessa linha, por exemplo. E também na de introduzir novas ferramentas relacionadas com o audiovisual e com a tecnologia nas aulas. Ademais, cuido que há que continuar a incrementar o trabalho com a oralidade e aprofundando no tratamento integrado de línguas.

Qual deve ser o papel do português no ensino? Ampliar a sua presença como segunda Língua Estrangeira? Ser lecionada dentro das aulas da matéria troncal de galego? Ambas?

A Junta realizou um esforço importante nos últimos anos para introduzir e estender a matéria de português nos centros de ensino e os resultados animam-nos a continuar a traballar nesta linha. O alunado de português multiplicou-se por cinco a partir da entrada em vigor da chamada Lei Paz Andrade e acho que isso tivo efeitos positivos sobre a valorizaçom do galego –que se vê como uma língua útil para aceder à Lusofonia-, sobre o próprio português –que antes nom se via como idioma igual de importante que o inglês e o francês- e sobre as relações entre ambos.

Pensas que implementar linhas educativas diferenciadas (uma com imersom linguística em galego) poderia ser útil para o galego voltar aos pátios?

A Lei de normalizaçom lingüística nom contempla esta possibilidade, senom que advoga pola convivência das duas línguas e de castelhanofalantes e galegofalantes nos mesmos espaços. Eu penso que esse convívio é importante numa sociedade bilíngue como a nossa. Por outro lado, o caso da Catalunha mostra que a imersom linguística nom garante a transferência da língua das aulas aos pátios.

O último relatório PISA constata que a Galiza é a Comunidade onde o alunado fala duas línguas com mais facilidade. De facto, 96% afirma falá-lo o bastante bem como para conversar com outras pessoas, por diante das outras comunidades autónomas com língua própria.

Além disso, o último estudo do IGE também evidencia que o número de galegofalantes cresce pola primeira vez desde que temos estatísticas que que o galego tem os índices de competência mais elevados de todas as Comunidades com línguas cooficiais.

Que papel atribuis ao modelo educativo inaugurado polas escolas Semente?

A Conselharia advoga pola liberdade dos pais e mães para escollerem o centro educativo cujo projeto esteja mais próximo dos valores e inquietações de cada família. Por isso, ao lado da escola pública, que aspira a acolher toda a diversidade que existe na sociedade, funcionam a escola concertada ou propostas centradas em usos linguísticos que respondem aos interesses dun determinado colectivo (ensino em inglês, em português…). Todas som positivas sempre que respeitem a legalidade vigente e contribuam para o convívio, para a coesom e para o avanço da sociedade. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

 

quinta-feira, 10 de março de 2022

Macau - “Atractividade dos cursos do ensino superior em língua portuguesa continua a aumentar”, diz a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude

Vinte e cinco cursos universitários de português ou ministrados maioritariamente em português, com cerca de 1500 alunos, é o balanço, até ao momento, do trabalho de promoção e formação de quadros qualificados bilingues em chinês e português no ensino superior. Em resposta a uma interpelação do deputado Ma Io Fong, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) destacaram um “aumento significativo” na frequência desses cursos nos últimos anos

Em resposta a uma interpelação escrita sobre a formação de bilingues em chinês e português, a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) revelou que existem actualmente 25 cursos em Macau no ensino superior que são cursos de português e de cursos ministrados maioritariamente em português, e o número de estudantes a frequentar esses cursos já atingiu cerca de 1500, entre os quais cerca de 60% são alunos locais.

Pelo facto de se ter registado um “aumento significativo” nas estatísticas dos últimos anos em comparação aos do passado, “a atractividade dos cursos do ensino superior em língua portuguesa continua a aumentar em Macau, contribuindo para garantir mais talentos bilingues, em chinês e português, para o Governo da RAEM”, salientaram os serviços educacionais.

A afirmação foi dada em resposta a uma interpelação escrita do deputado Ma Io Fong, que questionou o progresso da formação de talentos bilingues. O organismo defendeu que o Governo da RAEM atribui grande importância e apoio neste âmbito, tendo as autoridades coordenado a “Aliança para Formação de Quadros Bilingues Qualificados nas Línguas Chinesa e Portuguesa”, que é formada por cinco instituições de ensino superior locais com cursos em língua portuguesa.

E este ano, através dos apoios financeiros da formação de quadros qualificados da China e dos países de língua portuguesa, serão realizadas “séries de curtas-metragens e exposições itinerantes” no território, de forma a apresentar e promover os resultados dos trabalhos de formação de quadros qualificados bilingues em Macau, “no intento de chamar a atenção dos alunos do ensino secundário de Macau para os cursos de língua chinesa e língua portuguesa ministrados no ensino superior e atrair mais alunos para a sua frequência”, destacou o director Kong Chi Meng.

Na sua interpelação escrita remetida à Assembleia Legislativa, Ma Io Fong citou os dados estatísticos no Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de Língua Portuguesa, para criticar os quadros qualificados bilingues em Macau que mostram uma natureza homogénea e não localizada, o que não favorece o desenvolvimento a longo prazo de Macau como uma plataforma sino-lusófona.

“De acordo com os dados, existem no momento 1297 talentos bilíngues registados, entre os quais os tradutores respondem por 52,46%, enquanto outros sectores, como finanças, exposições e crédito de investimento, correspondem a menos de metade. Além disso, 89,28% dos talentos bilíngues vivem actualmente na China Continental e apenas 6,94% vivem em Macau”, esclareceu o deputado ligado à Associação Geral das Mulheres.

Também segundo a resposta de Kong Chi Meng, além da bolsa de estudo para alunos que estão interessados em estudar Direito em Portugal, a DSEDJ lançou dois programas de estudo para subsidiar estudantes de Macau a prosseguir o estudo em Portugal nas diferentes áreas, incluindo Educação, Tradução, Enfermagem, Psicologia e Preservação do Património.

Relativamente à formação de quadros qualificados bilíngues em economia e comércio, as autoridades de educação apontaram que, na Universidade de Macau, a disciplina Direito Comercial e de Investimento da China e dos Países de Língua Portuguesa no curso de mestrado em Direito (língua chinesa) já se tornou numa cadeira obrigatória desde 2019. A instituição do ensino superior estabeleceu ainda duas alianças com a Universidade de Lisboa, a Universidade de Pequim e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, com vista ao trabalho de cooperação no domínio do ensino da língua portuguesa entre os três locais.

Já a Universidade Politécnica de Macau disponibiliza cursos de licenciatura em Tradução e Interpretação Chinês-Português, Relações Comerciais China-Países Lusófonos, Ensino da Língua Chinesa como Língua Estrangeira, o Curso de Mestrado em Tradução e Interpretação Chinês-Português, com um ensino e uma prática de tradução automática auxiliar, bem como o Curso de Doutoramento em Português em vertente da Tradução, “de forma a formar talentos bilingues nestas duas línguas, que serão imprescindíveis para a Zona de Cooperação Aprofundada” e para a Grande Baía, assinalou a DSEDJ.

Recorde-se que, no caso do ensino não superior, a DSEDJ publicou no ano passado um conjunto de seis volumes dos materiais didácticos “Vamos Falar Português” dedicado ao ensino primário, baseado na referência ao “Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas”. De forma a enriquecer os recursos pedagógicos neste assunto, o organismo adiantou que já iniciou estudos para a elaboração e publicação dos materiais didácticos de língua portuguesa destinados ao ensino secundário. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”