Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Macau – Escola Portuguesa de Macau inicia ano com ligeira subida de alunos e novo director já em funções

A Escola Portuguesa deu hoje início ao ano lectivo 2026/2027, apresentando como novidade o novo director, João Miguel Gonçalves, que concluiu o curso obrigatório da DSEDJ, podendo assim exercer oficialmente as funções. O Ministro português da Educação, Ciência e Inovação havia prometido uma “transição suave” e o certo é que o período de hiato na direcção do estabelecimento de ensino praticamente não existiu. O novo responsável deu as boas-vindas aos alunos, acompanhado pelo seu antecessor, Acácio de Brito. A EPM terá este ano 824 estudantes, mais 14 do que em 2025/2026


Uma ‘velha’ escola com um novo director. É assim que se apresenta hoje, no primeiro dia de aulas, a Escola Portuguesa de Macau (EPM), estabelecimento de ensino não superior de referência da língua de Camões no território. A grande novidade para o ano lectivo 2026/2027 é a liderança da direcção da EPM, agora sob responsabilidade de João Miguel Gonçalves.

Para que o novo director pudesse oficialmente exercer o cargo, era necessário que participasse no curso promovido pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ). O programa de formação específica, habitualmente conhecido como “Acção de Formação para Preparação de Directores das Escolas”, foi concluído no final de Agosto, cerca de 15 dias após a chegada de João Miguel Gonçalves ao território.

Para o acto de apresentação, que assinala o arranque do ano lectivo 2026/2027 na EPM, o novo director esteve ladeado pelo seu antecessor, Acácio de Brito, que acompanhou em Macau o período de adaptação da nova chefia, tendo posteriormente viajado para Angola, onde vai assumir a direcção da Escola Portuguesa de Luanda. Regressa agora ao território, apenas por alguns dias, para se envolver no arranque do ano lectivo da EPM, escola onde permaneceu como director entre Novembro de 2023 e Agosto de 2026.

Com a disponibilidade total de João Miguel Gonçalves, em termos de assumpção oficial do cargo, cumpre-se a “transição suave” prometida pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, em declarações proferidas em Macau, em Junho deste ano, altura em que tornou pública a decisão de substituir Acácio de Brito. Na verdade, desde o anúncio da saída de um e a entrada do outro, o hiato na direcção da EPM praticamente não existiu.

A escola começa este ano lectivo com 824 alunos, mais 14 do que em 2025/2026. Embora signifique um ligeiro aumento (cerca de 1,7%) em termos anuais, não deixa de confirmar a tendência registada nos últimos anos.

Para o presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEP), “isto é motivo de orgulho para a EPM, porque significa que continua a ser uma escola com procura, à qual os encarregados de educação dão valor e, portanto, por este motivo, querem ali inscrever os seus educandos”. Filipe Figueiredo enfatizou que o constante aumento de estudantes na EPM “é um orgulho para a escola, uma vez que a diferencia de grande parte dos outros estabelecimentos de ensino, que têm problemas com o número de alunos”.

Segundo informações fornecidas ao Jornal Tribuna de Macau por João Miguel Gonçalves, a EPM terá, no ensino básico, 280 alunos no 1º ciclo, 177 no 2º e 219 no 3º, enquanto o ensino secundário contará com 148. O número de alunos que entram para o primeiro ano, portanto os mais pequenos, é de 66.

Por outro lado, no horizonte dos 824 alunos que estudarão este ano na escola de matriz lusa, 267 não têm o português como língua materna, o que significa 32,4% do número total. A dificuldade destes alunos em se expressar em português levou a EPM a criar em Julho deste ano um curso de Verão, no sentido de uma melhor aprendizagem dos que entram pela primeira vez.

Professores cobrem todas as disciplinas

No que concerne ao quadro de professores, será de 83. “Temos todos os professores para iniciar o ano lectivo”, disse ao JTM o novo director, o qual presidiu à tradicional reunião geral de apresentação com a maioria do corpo docente, que teve lugar no dia 1 de Setembro no anfiteatro da escola, com direito a fotografia de grupo publicada no sítio da EPM, com a seguinte legenda: “Agora é tempo de partilhar ideias e preparar cada detalhe para receber os nossos alunos com a excelência de sempre”.

Filipe Figueiredo considera ser “o ideal” começar o ano sem falha de professores, depois de algumas dificuldades nos últimos anos. “O problema maior foi há dois anos, mas desta feita não há falhas”, diz, recordando que “saíram cinco e entraram cinco”.

Numa óptica de antevisão do novo ano lectivo, o JTM registou a opinião de alguns docentes, tendo todos preferido não divulgar os seus nomes.

Uma professora do 1º ciclo disse que a expectativa para este ano é “fortalecer a ponte entre professores, alunos, famílias e comunidade”, acrescentando que, “quando existe cooperação e confiança mútua nessa relação, as crianças e os jovens sentem-se mais seguros para arriscar e evoluir”. Assegurou estar “pronta para trabalhar em equipa, como tenho feito ao longo dos anos, e fazer deste um ano equilibrado, exigente e recompensador”.

Um professor de educação física referiu que “num tempo de mudanças rápidas e de exigências crescentes, cabe à escola e a nós professores não apenas ensinar, mas também inspirar, questionar e preparar para a vida; e é com esse compromisso, feito de responsabilidade, ambição e confiança, que a comunidade educativa inicia mais uma etapa de um caminho que nunca está verdadeiramente concluído”. Para o ano lectivo que se avizinha, espera ter “muita inspiração e muitas conquistas”.

Por seu turno, uma docente do Departamento de Línguas expressou que “cada novo ano lectivo abre portas a aprendizagens renovadas e a desafios que nos fazem crescer como comunidade escolar”. Observou também que os professores entram neste ciclo “com esperança e motivação, certos de que a escola se reinventa continuamente para responder às necessidades dos alunos e valorizar o trabalho dos professores”.

A concluir, desejou que este ano “seja marcado por aprendizagens significativas, pelo reconhecimento do esforço docente e pela construção de uma comunidade inclusiva, resiliente e inspiradora”.

Também em jeito de antevisão do ano lectivo, Filipe Figueiredo espera que comece sem problemas. “O que é desejável é que esteja tudo organizado para arrancar, e julgo que assim vá acontecer”, afirmou.

Costa Nunes iniciou com um total de 155 crianças

O Jardim de Infância D. José da Costa Nunes começou o ano lectivo dias antes da EPM, como é habitual. Na passada quinta-feira abriram-se as portas para receber os alunos, com destaque para os que entram pela primeira vez, os K1 como são designados.

Esse grupo é constituído por 45 crianças, distribuídas por duas turmas. “No primeiro dia tivemos aqui os pais e as famílias para uma reunião, que teve uma boa participação”, disse ao nosso jornal a directora do estabelecimento de ensino, Felizbina Gomes.

Na página do Facebook da escola pode ler-se: “as nossas salas ganharam cor e vida outra vez! Que alegria receber os nossos pequenos de volta para mais um ano incrível no nosso Jardim de Infância. Juntos, escola e família, vamos construir memórias inesquecíveis e transformar cada dia numa grande aventura de aprendizagem. Aqui vamos nós!!!”

O Costa Nunes conta este ano com 155 alunos, menos 30 do que em 2025/2026 (185). “A redução já era expectável, por causa da diminuição da natalidade”, indicou a responsável do Jardim de Infância, adiantando ser um número razoável face às circunstâncias.

“Temos agora é que pelo menos manter para os próximos anos, o que também significará a manutenção da equipa de trabalho, mas logo veremos aquando das inscrições que decorrem sempre em Janeiro, para depois os pais escolherem [confirmarem] em Maio”, sustentou.

O Jardim de Infância apresenta este ano oito turmas do ensino regular e uma do ensino especial, esta com três crianças, quando no ano passado eram cinco. No que diz respeito aos educadores, serão 16, integrados no número geral de funcionários da escola (43), incluindo a direcção. “No ano passado eram 54, mas tivemos de fazer uma redução em todo o pessoal”, lamentou a responsável.

Perspectivando o novo ano lectivo, Felizbina Gomes espera que “corra bem em toda a comunidade educativa”, garantindo que a escola que dirige vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance, no sentido de “contribuir para o melhor possível das nossas crianças”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 6 de setembro de 2026

Portugal - Maria João Pires cria academia de piano online para alunos de todo o mundo

A pianista Maria João Pires anunciou, este domingo, o lançamento da primeira edição da “MJP Piano Academy”, espaço ‘online’ dedicado ao ensino de piano, prevendo, para breve, abertura de inscrições para ‘masterclasses’, no Centro de Artes de Belgais


Num comunicado divulgado, assinado por “Maria João Pires e equipa”, é adiantado que o novo projeto da pianista “oferece também reservas para ‘Explicações Online’ e, em breve, para um novo formato de aula, os ‘Workshops Online'”, semanais, para grupos de três a quatro alunos inscritos no programa da academia.

“Estes ‘workshops’ estarão igualmente disponíveis para espetadores e ouvintes através de um plano de subscrição, permitindo que outros estudantes, professores ou amantes de música assistam aos eventos mensais e participem numa sessão mensal de perguntas e respostas ‘online'”, com Maria João Pires.

Um plano de reabertura do projeto do Centro de Artes de Belgais, no distrito de Castelo Branco, está também a ser trabalhado pela equipa, com o objetivo de oferecer “uma maior variedade de eventos e experiências presenciais”. Desta vez, porém, partilhando as atividades “numa Plataforma Online de Belgais dedicada a pessoas de todo o mundo”, esclarece no comunicado.

Esta plataforma, “assim que for lançada”, poderá vir a acolher a “MJP Piano Academy”, lê-se ainda no comunicado.

“’Ensinar’ é uma expressão comum que todos usam, e é por isso que eu também a uso”, afirma Maria João Pires, citada pelo comunicado. “No entanto, é muito mais do que isso — é uma forma de diálogo através da música, um ‘dar e receber’, uma troca de impressões, uma aprendizagem partilhada na arte de ouvir, uma busca pelo equilíbrio. Descobrir em conjunto requer um acordo mútuo na experiência. Em última análise, é um trabalho interior que nos trará certamente uma consciência mais clara”.

Maria João Pires, de 82 anos, anunciou o afastamento dos palcos, em novembro do ano passado, afirmando estar num “processo de mudança radical”, poucos meses depois de ter tido um problema de saúde, que pôs fim à digressão que mantinha entre palcos europeus e asiáticos.

Este anúncio foi feito na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante a entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, com que foi distinguida, tendo a artista afirmado que adoeceu porque tentou “ultrapassar-se e ir até limites proibidos”.

“Agora encontro-me num processo de mudança radical, numa procura de verdade, verdades, num caminho de aceitação, talvez de compreensão daquilo que nunca aceitei antes. É bom pensar que o futuro é incerto, desconhecido, talvez surpreendente”, afirmou então.

No passado mês de julho, quando recebeu o doutoramento Honoris Causa atribuído pela Universidade de Évora, Maria João Pires afastou o regresso ao ativo para um derradeiro concerto, mas admitiu a possibilidade de voltar aos estúdios para “fazer algumas gravações”.

Nascida em Lisboa, em 23 de julho de 1944, a mais internacional e reputada dos pianistas portugueses tem uma carreira que remonta a finais da década de 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos 4 anos.

Após a conquista do primeiro prémio do concurso internacional Beethoven, em 1970, o seu nome tornou-se recorrente nos programas das principais salas de concerto a nível mundial e nos catálogos das maiores editoras de música clássica: a Denon, primeiro, para a qual gravou a premiada integral das Sonatas de Mozart (1974); a Erato, a seguir, nos anos de 1980, onde deixou Bach, Mozart e uma das mais celebradas interpretações das “Cenas Infantis”, de Schumann; e depois a Deutsche Grammophon, em 1989.

Nesse ano, fundou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco.

Ao longo da carreira, Maria João Pires recebeu o prémio do Conselho Internacional da Música, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, 1970), o Prémio Pessoa (1989), a Medalha de Mérito Cultural do Governo português e o Prémio Personalidade do Ano/Martha de la Cal da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (2019), o Praemium Imperiale (2024), da Associação de Arte do Japão.

A nível discográfico, foi distinguida quatro vezes pela Academia Charles Cross, nomeada regularmente para os Grammy e recebeu um prémio Gramophone, destacando-se as suas interpretações de Sonatas e dos “Impromptus”, de Schubert, dos “Nocturnos”, de Chopin, e de Concertos de Mozart e Beethoven. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Macau - Jardim Infantil da Caritas integrado na Escola São João de Brito

O Jardim Infantil da Caritas passa a integrar a Escola São João de Brito, também da Caritas, a partir de hoje, revelou o secretário-geral da instituição. Assim, os alunos matriculados no jardim de infância vão poder passar directamente para a secção inglesa do ensino primário da escola. Simultaneamente, a escola abriu mais uma turma para o 1.º ano do ensino secundário geral, da secção inglesa, em resposta à carência de vagas do género no território


A partir de hoje, no arranque do novo ano lectivo, o Jardim Infantil da Caritas, com uma história de 30 anos, passa a integrar a Escola São João de Brito, estabelecimento de ensino católico da mesma instituição que completou quatro décadas de funcionamento, revelou Paul Pun, secretário-geral da Caritas e presidente dos Comités de Gestão das duas unidades de ensino.

A transformação do agora designado Jardim Infantil da Caritas Afiliado da Escola São João de Brito representa um processo de “integração”, “o desenvolvimento de uma nova área” e o início do “funcionamento integrado”, afirmou ao Jornal Tribuna de Macau.

Paul Pun explicou que a instituição aproveitou os aniversários dos dois estabelecimentos de ensino para concretizar a integração, trabalho que coincidiu com a tarefa de fusão de escolas que tem sido preconizada pelo Governo. Recorde-se que o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, revelou que, entre nove e 11 escolas estariam disponíveis para fusão ou transformação, prevendo que quatro unidades escolares tenderiam a fundir-se no ano lectivo 2026/2027.

Para Paul Pun, uma das vantagens da integração reside no facto de os alunos matriculados no jardim de infância poderem passar directamente para a secção inglesa do ensino primário da Escola São João de Brito. Isso “facilita pouco a pouco os estudantes e os seus pais que decidam escolher a secção inglesa”, até porque as propinas adoptadas por esta secção não seguem os padrões das escolas internacionais. “As propinas são mais acessíveis e adequadas para as famílias comuns de Macau”, vincou.

Além do aspecto pedagógico, Paul Pun também mencionou a vantagem dos contactos e interacções interculturais entre alunos de diferentes nacionalidades da secção inglesa, incluindo com várias culturas europeias. Actualmente, esta secção conta com alunos de mais de 10 países e regiões.

Concomitantemente, a Escola São João de Brito abriu mais uma turma para o 1.º ano do ensino secundário geral, da secção inglesa, em resposta à escassez de vagas para esta fase de ensino em Macau.

Ao mesmo tempo, “recorremos à inteligência artificial e à programação, apostando no pensamento lógico, nas actividades lectivas do jardim infantil”, indicou Paul Pun, assumindo a intenção de “melhorar gradualmente os resultados da escola nos trabalhos relacionados com o Exame Unificado de Acesso”, para que os alunos possam prosseguir os estudos na universidade.

Reunindo centenas de alunos no total, a Escola São João de Brito dispõe das secções chinesa, inglesa e nocturna. Segundo o secretário-geral da Caritas, a escola não possui condições para abrir uma secção portuguesa, sobretudo devido ao reduzido espaço físico. “Não é que não queiramos ter [a secção de] Português. Cada turma conta com duas dezenas de alunos e as salas de aula são pequenas”, lamentou.

O responsável destacou que, nesta escola da Caritas, as interacções com os alunos portugueses e o interesse fomentado através deste tipo de contacto também constituem um aspecto que propicia o desenvolvimento dos estudantes.

Por outro lado, Paul Pun realça o apoio concedido pelo Fundo Educativo, que permitiu concluir a renovação das salas de aula e a remodelação das casas de banho, entre outras obras de optimização. In “jornal Tribuna de Macau” - Macau


domingo, 30 de agosto de 2026

França - Rede de cursos de português em França foi publicada no Diário da República com 105 professores

A nova rede de cursos de ensino de Português em França para o ano letivo de 2026/2027, foi publicada no Diário da República, tem 105 postos e confirma uma forte concentração de horários na Região Parisiense. O despacho conjunto dos Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros aprova oficialmente a lista de postos, que revela a distribuição territorial do ensino da língua portuguesa no país gerida pelo Instituto Camões.


Recorde-se que Portugal coloca em França os professores do ensino básico (Primaire), através do Instituto Camões e no quadro dos acordos bilaterais entre os dois países.

De acordo com a lista publicada, há 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico criados em França, mas 5 dos quais são horários incompletos com 20 horas (em Bordeaux, Marseille e em Orléans) ou com 16 horas (em Lyon e em Paris). Os outros 74 postos têm horários completos.

Dos 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico, 52 estão região de Paris, seguindo-se 12 na área consular de Lyon, 4 na área consular de Bordeaux, 3 na área consular de Bordeaux e 3 na antiga área consular de Tours. Os restantes postos estão em Clermont-Ferrand, Lille, Orléans, Strasbourg e Toulouse, com um professor por cada uma destas regiões.

Mas, para além dos 79 postos de professores correspondentes ao 1° e 2° ciclo do ensino básico, também há 26 horários no ensino secundário, 11 dos quais de História.

Trata-se essencialmente de professores de Português e de História que lecionam nas Secções internacionais. Três professores de Português e 2 de História para as Secções internacionais de Lyon e de Grenoble), 1 professor de Português e um de História para a Secção Internacional de Nice, 3 professores de Português e 1 de História para a Secção internacional de Strasbourg e 8 professores de Português e 7 de História para as várias Secções internacionais da região de Paris.

De notar que esta rede de ensino de português em território francês é gerida diretamente pela Coordenadora do ensino de português em França, Isabel Sebastião e pelas duas Adjuntas de Coordenação, Ana Lisete Carlos e Patrícia Lagos. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Bélgica - Há uma vaga para ensinar Português Língua Estrangeira na cidade de Bruxelas

O Centro de Língua Portuguesa Camões IP Bruxelas está a aceitar candidaturas para uma vaga de colaborador/a com formação e experiência na docência de Português Língua Estrangeira (PLE), com preferência por candidatos com experiência em Português Europeu


A função prevê docência presencial nas instalações do Centro, na ULB – Faculté de Lettres, Traduction et Communication, em Bruxelas.

Os interessados em candidatar-se devem enviar o currículo e uma carta de apresentação para o endereço de email clp.bruxelas@camoes.mne.pt. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 14 de julho de 2026

Moçambique - Lucílio Manjate conquista doutoramento com 20 valores e defende mais literatura nas escolas

O escritor, docente e investigador moçambicano Lucílio Orlando Manjate alcançou a classificação máxima (20 valores) na defesa da sua tese de doutoramento na Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo).


A investigação, intitulada “Estudo das representações discursivas das narrativas sobre Magaíza: um contributo para a didáctica da língua portuguesa”, propõe uma mudança na forma como a língua portuguesa é ensinada em Moçambique, defendendo o regresso da literatura ao centro do processo de aprendizagem.

Numa entrevista concedida ao jornal O País, Manjate explica que a pesquisa analisa a forma como diferentes gerações de escritores moçambicanos representaram a figura do Magaíza e demonstra como essas narrativas podem ser utilizadas para melhorar o ensino da língua portuguesa. Para o investigador, a substituição de textos literários por conteúdos institucionais e exercícios gramaticais tem contribuído para as dificuldades de leitura, interpretação e comunicação observadas entre muitos estudantes.

O académico defende que a literatura deve ser usada não apenas para ensinar gramática, mas também para formar cidadãos críticos, alertando ainda para a reduzida presença de escritores moçambicanos contemporâneos nos programas escolares. Na sua perspectiva, uma reforma curricular que valorize a literatura nacional poderá tornar o ensino mais próximo da realidade social e cultural do país.

Além do reconhecimento académico, Lucílio Manjate destacou ao O País que concluiu o doutoramento sem bolsa de estudos, conciliando a investigação com a actividade docente e contando com o apoio da família para superar os desafios do percurso. Após alcançar a nota máxima, o escritor afirma que pretende continuar a desenvolver investigações sobre a figura do Magaíza em diferentes manifestações artísticas, como a música, o cinema e as artes plásticas. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 16 de junho de 2026

Macau – Inteligência Artificial está a gerar “transformação profunda” em universidades lusófonas

A presidente da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) afirmou em Macau que as instituições de ensino superior lusófonas enfrentam “uma época de transformação profunda”, marcada pela inteligência artificial (IA) e pela digitalização.


“A inteligência artificial está a alterar a forma como produzimos, partilhamos e utilizamos o conhecimento, e a transformação digital redefine os processos de ensino, aprendizagem e investigação”, disse Astrigilda Silveira, na abertura do 35.º Encontro da AULP organizado no território.

Este encontro junta 36 reitores e presidentes de instituições de ensino superior dos Países de Língua Portuguesa (PLP) até amanhã, e coincide com o IV Fórum de Reitores da China, Macau e Países de Língua Portuguesa.

Sobre outro assunto, Silveira alertou também que as “alterações climáticas desafiam particularmente os pequenos Estados insulares, as regiões costeiras e as comunidades mais vulneráveis”, sublinhando que as universidades devem assumir-se como “líderes e promotoras da mudança”, formando profissionais “altamente qualificados e cidadãos comprometidos” com o desenvolvimento sustentável.

“Nenhuma universidade, por mais forte que seja, conseguirá responder sozinha aos grandes desafios globais. Precisamos da ciência colaborativa, da rede de investigação, de partilhar infra-estruturas, conhecimentos e talentos”, frisou a também reitora da Universidade de Cabo Verde.

A responsável destacou que os programas de mobilidade, as parcerias internacionais e os projectos de investigação colaborativa já demonstraram o valor acrescentado da associação, mas advertiu que os próximos anos exigem “mais ambição”.

Entre as prioridades, apontou o reforço da colaboração científica entre os membros, a internacionalização da produção científica em língua portuguesa, a aceleração da transformação digital e da transição energética, bem como a criação de mais oportunidades para estudantes e investigadores.

“A nossa língua é um património comum, mas é também um activo estratégico, um instrumento de aproximação e uma plataforma para a construção de soluções globais a partir de realidades diversas”, afirmou, defendendo que o português deve continuar a afirmar-se como “língua da ciência, inovação e conhecimento”.

Apelou a que o “espírito de cooperação que caracteriza Macau” inspire os trabalhos e decisões da comunidade académica lusófona.

“Que daqui surjam novas ideias, novos projectos, novas parcerias e uma renovada ambição para os 40 anos da nossa Associação”, concluiu.

O evento contou também com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação de Portugal, Fernando Alexandre, que revelou que o modelo de linguagem de IA em português Amália será apresentado “este mês”.

Este ano, o Ministério da Reforma do Estado classificou o modelo de IA como “estratégico para Portugal”, anunciando que seria “orientado para o desenvolvimento de novos casos de uso, incluindo no sistema educativo, para apoiar alunos e professores com ferramentas adaptadas ao contexto português”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


domingo, 7 de junho de 2026

Luxemburgo – António José Seguro pede mais português no currículo escolar

O Presidente da República afirmou, este domingo, que apelou aos responsáveis do Luxemburgo para que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular, lembrando que um terço dos residentes no país é lusófono


António José Seguro falava numa sessão com alunos que aprendem português no Luxemburgo, país que visita desde sexta-feira e que marca o arranque das comemorações oficiais do Dia de Portugal, a que se juntou, este domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O chefe de Estado salientou que o português “é uma chave que abre portas no mundo inteiro”, falado por 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

“Quando estiverem cansados nas aulas, lembrem-se disso. Não estão apenas a aprender uma língua, estão a ligar-se ao mundo”, afirmou.

Aos pais e professores, assegurou que o seu papel “é reconhecido e valorizado pelo Presidente da República de Portugal e também pelo primeiro-ministro”, que tinha discursado minutos antes.

“Deixei aos responsáveis luxemburgueses um apelo claro: que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular do nosso ensino, aqui, num país onde cerca de um terço de residentes é lusófono, onde o português é a segunda língua principal falada em casa pelos alunos do ensino público e isso é relevante para o nosso país”, disse.

Para Seguro, esta é “uma opção decisiva para o fortalecimento de uma comunidade dinâmica e coesa”.

O Presidente da República e o primeiro-ministro encontraram-se, este domingo, com alunos portugueses no Centro Cultural Artikuss de Sanem.

“Olhar para esta sala e ver estes rostos cheio de energia, cheios de futuro, é ver Portugal vivo no centro da Europa e perceber melhor do que qualquer discurso poderia explicar, porque é que escolhi o Luxemburgo para celebrar o primeiro dia de Portugal no meu mandato”, afirmou Seguro.

O chefe de Estado voltou a agradecer às autoridades luxemburguesas a forma como tem tratado a comunidade portuguesa, que classificou como “uma força do Luxemburgo”.

Para Seguro, ter dois países “não significa ter um coração dividido, significa ter um coração maior, onde cabem dois países e dois povos extraordinários”.

“Portugal está nos vossos avós que ligam pelo telefone. Está na comida que a vossa mãe faz ao fim de semana, ou o vosso pai. Está nas histórias que ouviram contar. Está nas músicas que conhecem sem saber bem quando as aprenderam. E acima de tudo, está na língua que estão a aprender aqui nesta sala”, disse.

O Presidente da República assegurou que “Portugal está sempre de braços abertos” para receber estes emigrantes, quer seja de férias, quer seja para construírem uma vida num país “que precisa de todos”.

“Continuem a falar português em casa. E quando alguém vos perguntar de onde são, digam com a cabeça erguida e um sorriso, sou português, do Luxemburgo e de Portugal”, pediu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 2 de junho de 2026

Angola - Movimento Cultural Dyembu Dyetu leva ensino da língua kimbundu a universidade brasileira

Estudantes, professores universitários e investigadores brasileiros estão a beneficiar de aulas online da língua nacional Kimbundu, numa iniciativa que resulta de uma parceria entre o Movimento Cultural Dyembu Dyetu e o Núcleo Permanente de Extensão em Letras (NUPEL), órgão ligado à Universidade Federal da Bahia, no Brasil, vocacionado ao ensino de línguas africanas e estrangeiras


As aulas são ministradas virtualmente para uma turma composta por oito formandos, todos brasileiros. Segundo Miguel Lubwatu, professor de kimbundu e membro do Movimento Cultural Dyembu Dyetu, a parceria, actualmente na terceira fase, surgiu após um convite dirigido à instituição angolana para participar numa palestra académica promovida pela universidade brasileira.

Dessa aproximação, nasceu um acordo de cooperação voltado para o ensino do kimbundu no Brasil. Entre os participantes do curso, encontram-se estudantes universitários, docentes e coordenadores ligados à área das línguas. No ano passado, foi ministrado o terceiro nível da formação e, este ano, decorre o quarto nível. Musseque Segunda – Angola in “O País”


terça-feira, 26 de maio de 2026

Angola - Autor Zeka Mbueti retrata ambiente de ensino e aprendizagem em livros

Os dois livros de estreia do autor Zeka Mbueti, apresentados, na província de Icolo e Bengo, visam melhorar o ambiente de ensino e de aprendizagem


Os livros, Tchambassuco e Tchissola e Rotulação de Alunos, visam despertar e preparar os alunos contra situações de bullying e os professores.

Segundo o autor, resultam de experiências vividas pelo autor, enquanto profissional de ensino e aprendizagem, e de leituras.

Os temas abordados são inspirados em experiências das quais transformam a realidade em narrativa através das personagens que reflectem situações muito próximas do quotidiano dos alunos.

O livro Tchambassuco e Tchissola nasce da vivência directa em contexto educativo e da sensibilidade de testemunhos directos de situações de bullying, insegurança e dificuldades na construção da identidade dentro da escola.

São contos de duas crianças com o mesmo desafio, num mundo de difícil concretização do seu imaginário. O livro aborda a história de coragem, identidade, sonhos e superação de duas personagens, vítimas de bullying.

Tchambassuco transforma o seu nome numa força de orgulho e identidade, após enfrentar insultos, enquanto Tchissola descobre as suas raízes e origens em sonhos e viagens.

A obra Rotulação de Aluno é um subsídio para professores e gestores escolares que analisa os impactos da rotulação de alunos no ambiente escolar, mostrando como essas práticas podem afectar a auto-estima, a motivação, o rendimento académico e nas relações com o ambiente escolar.

O livro visa prepará-los diante de situações inesperadas que, no dia-a-dia escolar, acompanha de perto os desafios que as crianças enfrentam no processo de crescimento. Manuela Mateus – Angola in “Jornal de Angola”


domingo, 17 de maio de 2026

Estados Unidos da América - Projeto bilingue une alunos de Lamego e Massachusetts

Um projeto intercultural bilingue ligou alunos do estado norte-americano de Massachusetts e estudantes do Colégio de Lamego, em Portugal, estabelecendo uma ponte feita de palavras entre os dois países


O projeto, desenvolvido pela professora Mara Santos, com o apoio e enquadramento da Coordenação do Ensino de Português nos Estados Unidos, visou promover a língua portuguesa, fortalecer laços culturais e aproximar alunos de diferentes contextos educativos.

Na prática, os alunos separados pelo Oceano Atlântico trocaram postais com recurso a códigos QR (com gravações de voz), complementada por vídeos produzidos pelos próprios estudantes, “promovendo não só a prática da língua portuguesa e inglesa, mas também uma ligação cultural direta entre os dois contextos educativos”, explicou à Lusa Mara Santos.

Mara é docente num programa de ‘dual language’, ou seja, um programa letivo em duas línguas (português-inglês), em Framingham, Massachusetts, e ao longo dos últimos quatro anos tem vindo a desenvolver projetos interculturais.

Fá-lo não apenas “por se encontrar num programa de intercâmbio de professores entre Portugal e Massachusetts, mas também por acreditar profundamente no valor educativo” dessas iniciativas, assegurou.

“Considero que este tipo de contacto entre alunos de diferentes contextos é extremamente enriquecedor, promovendo uma aprendizagem da língua portuguesa mais autêntica e significativa, bem como o desenvolvimento da empatia, da curiosidade e da consciência intercultural”, explicou à Lusa.

Tudo começou com pequenos cartões-postais.

“Deste lado do oceano, os meus alunos escreveram, desenharam, imaginaram. Mas, com a introdução de códigos QR, algo mudou: aquelas palavras passaram a ter voz. Do outro lado do oceano, os alunos de Lamego não se limitaram a ler, ouviram. Ouviram sotaques, hesitações, entusiasmo. Ouviram pessoas”, contou.

Já os alunos do Colégio de Lamego responderam, “não de forma genérica, mas individual, pessoal, humana”, disse.

“Numa época em que tanto se fala de distância, de tecnologia e de superficialidade, houve aqui algo profundamente autêntico: jovens interessados em conhecer outros jovens.  Mas esses alunos quiseram mais. Apresentaram também um vídeo sobre a sua cidade, a sua história, cultura e identidade”, destacou Mara Santos.

Do lado norte-americano, em Massachusetts, isso despertou uma curiosidade genuína nos alunos do 7.º ano.

“Houve perguntas, risos, surpresa. Houve aprendizagem real, daquela que não se esquece. E depois houve aquilo que não cabe nos objetivos curriculares”, sublinhou.

Os Estados Unidos são um dos países onde o ensino de português mais tem crescido, com mais de 20 mil alunos no ensino básico e secundário, e mais de dois mil estudantes no ensino superior, apoiados por mais de quatro centenas de professores, segundo dados oficiais, que apontam para um crescimento de 100% nos últimos 10 anos. 

Mara Santos destacou que a iniciativa que promoveu transformou-se numa ponte entre os dois países, entre línguas e entre culturas.

“Uma ponte que lembrou aos alunos, e a mim, que aprender uma língua é, acima de tudo, aprender a relacionar-nos com os outros. (…) Talvez sejam estes alunos que melhor nos ensinam que o mundo é maior, mais próximo e muito mais humano do que, por vezes, acreditamos”, observou a docente.

No próximo ano letivo, Mara Santos terá uma nova turma, o que lhe permitirá voltar a desenvolver atividades semelhantes com outros alunos e, eventualmente, explorar novos formatos de intercâmbio e colaboração entre escolas. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Canadá - Ensino do português preocupa comunidade luso-canadiana na Província do Ontário

O novo embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo Lucena, considerou na quinta-feira, que o ensino da língua portuguesa é uma das principais preocupações da comunidade luso-canadiana no Ontário, durante a sua primeira visita oficial a Toronto


“Um dos problemas, como sabem, que temos aqui em Toronto, e que me foi já várias vezes referido nestes primeiros contactos com a comunidade, é o ensino da língua portuguesa”, afirmou o diplomata aos jornalistas no consulado de Portugal em Toronto, num encontro aberto à comunidade portuguesa, clubes, associações e órgãos de comunicação social da diáspora.

Bernardo Lucena, que apresentou credenciais à Governadora-geral do Canadá há cerca de um mês, descreveu esta deslocação como a sua “primeira visita à Comunidade Portuguesa de Toronto”, sublinhando que a principal razão da deslocação é precisamente o contacto direto com os portugueses residentes no Ontário e o conhecimento mais aprofundado das suas preocupações.

“A mensagem é muito simples: quer o consulado-geral, quer a embaixada, tenham as portas abertas para a comunidade portuguesa, como sempre tiveram e continuarão a ter, e tentarei fazer o meu melhor para servir a comunidade portuguesa no Canadá”, declarou.

Segundo Bernardo Lucena, a questão do ensino do português foi abordada em reuniões mantidas esta quinta-feira com responsáveis do governo da província do Ontário, incluindo encontros com membros do executivo provincial ligados às áreas da economia e do ensino superior.

“As relações entre Portugal e o Canadá atravessam neste momento uma fase muito positiva, quer no plano económico, quer no plano político, e isso cria oportunidades importantes para Portugal e também para as comunidades portuguesas aqui estabelecidas”, afirmou o diplomata, acrescentando que Portugal poderá beneficiar do atual contexto de aproximação entre o Canadá e a União Europeia, incluindo nas áreas comercial e da defesa.

Nascido em Lisboa em 1960, Bernardo Lucena ingressou na carreira diplomática em 1987 e exerceu anteriormente funções como embaixador de Portugal em Cabo Verde e na Irlanda, representante permanente junto da OCDE e conselheiro diplomático do primeiro-ministro português.

A cônsul-geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, afirmou que o ensino da língua portuguesa continua a ser uma das principais preocupações da rede consular e associativa no Ontário, sobretudo devido às dificuldades enfrentadas pelo Programa de Línguas Internacionais do Distrito Escolar Católico de Toronto (TCDSB, sigla em inglês).

“Essa é uma mensagem que nós temos vindo a passar, o desvalor e a desvantagem que é eliminar um Programa de Línguas Internacionais num mundo onde a mobilidade é um valor nuclear, tanto para o percurso académico como para as oportunidades profissionais dos jovens”, afirmou a diplomata.

Ana Luísa Riquito recordou que o ensino do português no Ontário abrange escolas comunitárias, ensino básico e secundário e ainda o ensino universitário, nomeadamente através de programas existentes nas universidades de York e de Toronto.

A responsável explicou que a cooperação entre Portugal e as instituições de ensino canadianas é desenvolvida através do instituto Camões, com apoio financeiro, formação e treino de professores e iniciativas de promoção da língua e cultura portuguesas.

“O português não é apenas uma língua de identidade e de herança, é uma língua de oportunidade, uma língua internacional falada em vários continentes e cada vez mais valorizada no contexto global”, afirmou a cônsul-geral, referindo que essa posição foi transmitida pelo embaixador aos representantes do governo do Ontário.

Também o presidente do Conselho Regional da América do Norte do Conselho das Comunidades Portuguesas, Paulo Pereira, classificou como “gravíssimo” o risco de redução do ensino integrado de português nas escolas católicas de Toronto.

“O corte iminente do ensino integrado nas escolas católicas significa a perda do ensino português para cerca de 2200 alunos, o que seria um golpe muito duro para a nossa comunidade e para o futuro da língua portuguesa no Canadá”, alertou.

Segundo Paulo Pereira, a eventual eliminação das aulas integradas durante a semana poderá provocar uma quebra significativa no número de estudantes, uma vez que muitos alunos não terão disponibilidade para frequentar aulas apenas ao fim de semana.

“Vamos perder muitos alunos com isso, e o ensino integrado ajudava que os alunos matriculados na escola fizessem parte automaticamente do programa, sem terem de abdicar do tempo familiar ou das atividades de fim de semana”, explicou.

O conselheiro das comunidades portuguesas acrescentou ainda que o envelhecimento da população luso-canadiana está igualmente a afetar as associações comunitárias, tradicionalmente responsáveis pela promoção do ensino e da cultura portuguesas no Canadá.

Bernardo Lucena descreveu a comunidade portuguesa no Canadá como “dinâmica”, “bem integrada” e reveladora de “um portuguesismo assinalável”, considerando tratar-se de “uma comunidade de sucesso que continua muito ligada às suas raízes e à cultura portuguesa”.

O diplomata reconheceu, contudo, que muitos dos problemas apresentados pelos representantes comunitários são semelhantes aos encontrados noutras geografias da diáspora portuguesa, incluindo questões ligadas à participação eleitoral, serviços consulares e renovação geracional das organizações comunitárias.

A visita oficial do embaixador português a Toronto decorre entre 14 e 17 de maio e inclui encontros com autoridades provinciais, instituições sociais e associações portuguesas.

O programa prevê visitas à Luso Canadian Charitable Society, ao sindicato da construção LIUNA Local 183, à Casa dos Açores do Ontário, à Casa do Alentejo, ao Magellan Community Foundation e a Little Portugal, além da participação num encontro de professores de português no estrangeiro e na gala da Federação dos Empresários e Profissionais Luso-Canadianos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Timor-Leste - Ministra da Educação afirma que ensinar e aprender português é um acto de memória

A ministra da Educação timorense considera que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um acto de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos


A ministra da Educação timorense, Dulce Soares, afirmou que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida. “Ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória, pois esta língua acompanhou a nossa resistência e afirmação enquanto povo, mas é também um ato de responsabilidade, porque aquilo que ensinamos hoje moldará o país que seremos amanhã”, disse Dulce Soares.

A ministra da Educação falava no Centro de Aprendizagem e Formação Escolar de Díli (escola CAFE), onde, com o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, celebrou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que foi também assinalado na maioria das escolas públicas timorenses.

Na intervenção, Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos.

A ministra agradeceu também aos professores timorenses e portugueses pelo “trabalho dedicado, muitas vezes desenvolvido em contextos exigentes”.

Os Centro de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE é um projeto conjunto de Portugal e Timor-Leste, teve início em 2014, e já está presente em todos os municípios timorenses.

Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, atualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.

O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses. Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita que fez à Comissão da Função Pública, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, afirmou que hoje cerca de 30% dos timorenses já falam português e que a tendência é para aumentar. “A língua portuguesa está a avançar. Se olharmos para o passado, em 2000 quase ninguém falava português, não chegava a 1%. Agora há muitos jovens, milhares e milhares, que já falam e continuará a evoluir gradualmente”, afirmou Ramos-Horta. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


domingo, 10 de maio de 2026

Europa - Português à BeNeLux: Coordenação do Ensino inova nas redes sociais

A Coordenação do Ensino Português no Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos (CEPE BeNeLux) assinalou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado a 05 de maio, com o lançamento da rubrica “Português à BeNeLux”, uma nova iniciativa pedagógica dedicada à forma como o português é falado, usado e transformado pelas comunidades lusófonas nestes três países


Nascida do trabalho desenvolvido nos cursos de Língua e Cultura Portuguesas, a rubrica envolve alunos e docentes do 3.º ciclo e do ensino secundário e pretende dar visibilidade à diversidade intralinguística do português, ao contacto entre línguas e às múltiplas realidades linguísticas existentes no espaço BeNeLux.

Com periodicidade semanal e divulgação nas redes sociais da CEPE BeNeLux, “Português à BeNeLux” propõe conteúdos curtos, acessíveis e dinâmicos, focados em expressões do quotidiano, sotaques, fenómenos de mistura linguística, mini-aulas explicativas, testemunhos e referências culturais. O objetivo é espelhar práticas reais de comunicação em português e mostrar a presença efetiva da língua nas comunidades de Luxemburgo, Bélgica e Países Baixos, disse ao Bom Dia, Mónica Bastos, coordenadora do ensino de português nos três países.

Para além da dimensão cultural e identitária, o projeto assume um forte propósito pedagógico, promovendo competências de oralidade – fluência, clareza discursiva e adequação da linguagem a diferentes contextos – através da participação ativa dos alunos enquanto produtores de conteúdos.

A rubrica conta com o apadrinhamento do linguista e escritor Marco Neves, cuja colaboração contribui para o enquadramento conceptual e para o aprofundamento da reflexão sobre variação linguística e usos contemporâneos do português.

Com esta iniciativa, a CEPE BeNeLux reforça o compromisso com a valorização da língua portuguesa, a promoção da diversidade linguística e o reconhecimento do papel das comunidades lusófonas na construção de um português plural, vivo e em constante movimento.

O vídeo de lançamento de “Português à BeNeLux”, produzido no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, já está disponível nas páginas oficiais da Coordenação do Ensino Português no BeNeLux no Facebook e no Instagram, onde serão igualmente publicados, nas próximas semanas, os conteúdos da nova rubrica. Acompanhar estas plataformas é, sublinha a CEPE, uma forma de conhecer de perto o trabalho de alunos e docentes e de descobrir como o português se vive e se transforma no BeNeLux. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau - Novos alunos da Escola Portuguesa aperfeiçoam português em curso de Verão

Já em Julho, a Escola Portuguesa de Macau vai organizar um curso de Verão em Português, obrigatório, para os novos alunos do primeiro ciclo que tenham outra língua materna, no sentido de haver uma melhor aprendizagem. Enquanto isto, a curto prazo, o estabelecimento de ensino tenciona criar um laboratório de línguas. A ideia, segundo o director Acácio de Brito, é introduzir, para além do português e do mandarim, igualmente o francês e até o latim “para quem queira frequentar”


A dificuldade dos alunos de língua não materna em se expressarem em português levou a Escola Portuguesa de Macau (EPM) a criar, já a partir de Julho deste ano, um curso de Verão, no sentido de uma “melhor aprendizagem” dos estudantes que entram pela primeira vez, revelou ao Jornal Tribuna de Macau o director do estabelecimento de ensino.

Acácio de Brito considera ser importante que os novos alunos, que não têm como língua materna o português, aperfeiçoem a língua, pelo que o curso tem esse objectivo.

A iniciativa surge na sequência de cerca de uma dezena de alunos que fizeram a inscrição na EPM para o próximo ano lectivo, a maioria dos quais vem do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, num total de mais de 60, estreando-se assim no primeiro ano, terem manifestado dificuldade na língua portuguesa. No total, o curso contará com a participação de 20 alunos.

“Este é um projecto do primeiro ciclo, para os alunos que nós notámos no acto da entrevista que eram muito fracos nos conhecimentos da língua”, afirmou Acácio de Brito, justificando assim a realização do curso, cuja inscrição será voluntária e obrigatória. “Isto é, eles têm de frequentar esse curso, que é absolutamente gratuito e vai acontecer no mês de Julho, mediante a disponibilidade dos professores do primeiro ciclo”, sublinha.

Para o director da EPM, esta acção de aprendizagem para os estudantes que entram pela primeira vez na escola, no total de cerca de uma dezena, trata-se de “uma boa iniciativa, até porque falamos tanto na valoração da língua portuguesa”. Por isso, acentua, “temos de a valorar logo no seu início, porque cada vez mais temos tentado captar alunos de outras nacionalidades, designadamente chineses, para virem frequentar a EPM e para isso temos de ter meios para poder suprir as dificuldades normais na aprendizagem de uma língua”. “Quanto mais cedo os apanharmos, melhor”, enfatiza.

Esta será a grande novidade para o próximo ano lectivo, mas há outras que poderão surgir a curto prazo, como é o caso da intenção da EPM de criar um Laboratório de Línguas, na sequência do que tem acontecido com o desenvolvimento do mandarim.

“Pretendemos introduzir um Laboratório de Línguas, e, ainda que de uma forma muito incipiente, já começámos a adquirir o software necessário”, disse o responsável. Especificando, frisa que “a EPM desenvolverá em termos laboratoriais o português, naturalmente também o mandarim, assim como o francês e até, num futuro próximo, porque essa é a tendência, introduzir de forma optativa, como é evidente, o latim, a quem queira frequentar”.

Explicando a razão dessa possível aposta no latim, Acácio de Brito entende que, embora seja uma língua morta, é basilar no compreendimento estruturante da própria língua portuguesa. “É uma ideia que está a ser estudada, tem de ser meditada, pensada, mas temos recursos para isso, com pessoas com formação no latim”, assevera.

Como é um projecto que está a ser “maturado”, ainda não há certeza “se poderá ou não ser desenvolvido já para o próximo ano lectivo”, esclarece.

Relativamente aos alunos que irão frequentar a EPM em 2026/2027, o responsável aponta para um número muito semelhante ao deste ano que está prestes a findar, ou seja, entre os 800 e os 820, também dependente da entrada, ou não, da dezena de novos estudantes que irão participar no curso de Verão.

Quanto às inscrições para o próximo ano lectivo, foram já realizadas, seguindo-se as respectivas matrículas. “O processo de matrículas é agora automático e só em anos de mudança de ciclo é que se exige a presença, porque há um conjunto de escolhas que eles têm de fazer, designadamente no 1º ano que é necessário, assim como nos 5º, 7º e 10º”, nota.

Cinco novos professores pertencem ao quadro de Portugal

A Escola Portuguesa de Macau já escolheu os cinco novos professores necessários para o próximo ano lectivo, destinados às disciplinas de Matemática, Ciências Físico-Químicas, Educação Musical, Português e Inglês. Os docentes aprovados são todos do quadro das escolas de Portugal e foram seleccionados através de concurso público para o qual se apresentaram cerca de quatro dezenas de candidatos. A contratação “dependerá agora dos procedimentos normais de autorização da RAEM e das licenças especiais”, disse o director, Acácio de Brito, ao Jornal Tribuna de Macau. O dirigente do estabelecimento de ensino observou que “as autorizações levam o seu tempo, como é normal”, mas espera que os docentes estejam disponíveis para leccionar quando as aulas se iniciarem, em Setembro. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”