Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 16 de março de 2019

Goa - Fado promove língua e cultura portuguesas

Entre diversas iniciativas, o fado assume popularidade em Goa na promoção da língua e cultura portuguesas

Num país onde alguns milhares ainda falam a língua portuguesa, o dedilhar das guitarras faz com que, para além de falar, também se cante. O legado de Amália Rodrigues faz-se ouvir nas noites tropicais de Goa, onde «a história do fado remonta há mais de um século e tem vindo a ganhar enorme popularidade» afirmou Delfim Correia da Silva, leitor do Camões - Instituto da Cooperação e Língua da Universidade de Goa (UG) em entrevista à agência Lusa.

Pela voz Sónia Shirsat, de 38 anos, «a principal intérprete de fado e uma das mais dinâmicas na sua promoção», de acordo com Delfim Silva, a canção património cultural e imaterial da humanidade continua a viver e a inspirar «jovens que podem a breve trecho seguir-lhe as pisadas», como é o exemplo de Nádia Rebelo, de 22 anos, mestre em Estudos Portugueses pela UG.

Em 2014, o concerto de Cuca Roseta no I Concurso de Fado na Kala Academy e no restaurante Alfama do Hotel Cidade de Goa, «revelou-se decisivo para impulsionar o projeto de revitalizar o fado», contou Delfim SIlva.

A inundar de música os poemas da saudade, Orlando de Noronha e Franz Schubert Cotta acompanham, respetivamente, Sónia e Nádia, a quem, entre outros, costumam juntar-se Allen de Abreu, Carlos Menezes, Reiniel Costa Martins e Shiddarth Cotta.

O representante do Camões explicou que «as artes performativas e o canto em particular permitem otimizar as estratégias de aperfeiçoamento das competências da compreensão oral e da interação e expressão oral, na aprendizagem do Português como língua estrangeira (PLE)». Delfim Silva é também o responsável pelo Concurso de Fado da Semana da Cultura Indo-Portuguesa apoiada pelo Camões, pelo Consulado Geral de Portugal e pela Fundação Oriente.

O fado português está hoje bastante integrado nos programas de Estudos Portugueses «como estratégia didática para desenvolver as competências linguísticas e comunicativas no contexto do ensino e aprendizagem do PLE» revelou Delfim, como é o caso do bacharelato em Artes dos colégios de Goa, que inclui a disciplina “Reading, Listening and Signing the Fado” (ler, ouvir e assinar o fado, em português).

O projeto "Fado de Goa", um dos principais patrocinadores do Concurso de Fado, tornou-se, em 2017, uma iniciativa decisiva «para manter e aumentar a popularidade» do fado na região. No âmbito deste projeto, concertos e outras ações de promoção do fado foram feitas, algumas delas sob orientação de Sónia Shirsat, artista de estatuto internacional que, quando cantou fado pela primeira vez, fê-lo «sem praticamente saber falar português» realçou Delfim Silva.

A Companhia de Teatro da Universidade de Goa foi premiada a dobrar no Midas Trophy 2018, no estado de Maharashtra, «em grande medida devido à magistral interpretação de trechos» dos imortais hinos “Chuva” de Mariza e “Fado Português” de Amália, cantados numa adaptação do “Auto da Índia” de Gil Vicente. In “Mundo Português” - Portugal


Ouça na ligação a voz de Sonia Shirsat:


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Internacional – Estudo alerta para os impactos do aquecimento global nas comunidades de fungos de água doce

O aquecimento global pode induzir mudanças nas comunidades de fungos de água doce, especialmente em comunidades dominadas por espécies adaptadas a ambientes mais frios ou a ambientes com oscilações mínimas de temperatura, e provocar uma alteração gradual nas teias alimentares modificando os ciclos biológicos e geoquímicos e comprometendo os serviços do ecossistema e do bem-estar humano, alerta um estudo internacional liderado pela investigadora Seena Sahadevan, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Este é o primeiro estudo realizado à escala global sobre a diversidade de fungos aquáticos em ribeiros de floresta distribuídos ao longo de um gradiente latitudinal (do equador em direção aos polos), baseado em técnicas moleculares de nova geração (Illumina NGS).

Ao contrário dos micro-organismos do solo, cujos padrões de distribuição das espécies pelo globo estão bem definidos, a distribuição em larga escala dos micro-organismos aquáticos, apesar do seu valor ecológico, não tem tido a mesma atenção.

Os ecossistemas de água doce têm um papel relevante no ciclo global do carbono, inclusive os pequenos ribeiros de floresta em que a principal fonte de carbono reside nas folhas e detritos vegetais que caem sobre o leito e aí se decompõem. Este processo de decomposição é conduzido pelos fungos aquáticos: ao libertarem substâncias para digerir as folhas também as tornam apetecíveis para consumidores invertebrados, e por sua vez estes servirão de alimento a predadores como ninfas de libélula e peixes, dinamizando as relações tróficas.

A investigação, já publicada na revista “Science of the Total Environment”, envolveu 32 investigadores de 31 instituições distribuídas por 18 países, designadamente: Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China (Hong Kong), Equador, Espanha, Estados Unidos da América, França, Guiné, Índia, Itália, Japão, Malásia, Noruega, Portugal - incluindo os Açores - e Nova Zelândia.

A partir da análise das comunidades de fungos de 19 rios, distribuídos pelos dois hemisférios, a equipa verificou «que o número de espécies de fungos varia consoante a latitude, isto é, o número de espécies é maior nas regiões temperadas de média latitude, como por exemplo Portugal e Espanha. Este padrão de distribuição diverge do padrão global, pois enquanto o número de espécies de plantas e animais diminuem quando nos afastamos do equador, os fungos aquáticos diminuem perto do equador e dos polos», relata Seena Sahadevan.

A investigadora do MARE sublinha que «outro ponto relevante do estudo foi verificar que a composição das comunidades de fungos difere claramente com a temperatura da água, tendo sido registados três grupos distintos independentemente do hemisfério onde se encontravam.» Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Índia - Concede a Moçambique linha de crédito para compra de equipamento ferroviário



O Banco de Exportações e Importações da Índia (ExIm) assinou um acordo com Moçambique para a concessão de uma linha de crédito de 95 milhões de dólares para compra de equipamento ferroviário.

A linha de crédito vai permitir que o governo de Moçambique adquira material ferroviário circulante, como sejam locomotivas, carruagens de passageiros e vagões de diverso tipo, informou a instituição citada pelo Macauhub.

Este acordo representa o décimo terceiro financiamento do género concedido pelo banco indiano em nome do governo do país ao seu congénere de Moçambique, cujo montante agregado atinge actualmente 734,44 milhões de dólares.

Ainda de acordo com o Macauhub, as linhas de crédito abertas pela Índia a favor de Moçambique visam o financiamento de projectos como electrificação rural, aumento da produtividade agrícola, fábrica de construção de painéis solares, recuperação de estradas 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Índia – Concluído primeiro terminal para navegação fluvial

O primeiro terminal de um projecto amplo para desenvolver a navegação por via fluvial no Ganges está pronto e apto a receber carga

Com a conclusão do terminal marítimo multi-modal de Benares (Varanasi), junto ao rio Ganges, na Índia, este país fica apto a transportar, pela primeira vez, carga contentorizada por via fluvial, refere o Safety4Sea. O anúncio foi feito pelo próprio Primeiro-Ministro indiano, Narendra Modi, refere a publicação.

Segundo ali se refere, este é apenas o primeiro de três terminais multi-modais que, juntamente com dois terminais inter-modais, todos a construir no Ganges com o objectivo de permitir a navegação fluvial de navios maiores entre Benares e Haldi, designadamente com 1500 a 2 mil toneladas, e manter uma profundidade de 2 a 3 metros na via navegável. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal com “Safety4Sea”

sábado, 15 de setembro de 2018

Guiné-Bissau – Recebe doação de mil toneladas oferecidas pela Índia

O embaixador da Índia na Guiné-Bissau, Rajeer Kumak entregou na passada quarta-feira ao presidente José Mário Vaz uma doação de 1000 toneladas de arroz do seu país.

Num comunicado à imprensa no jardim da Presidência da República, o diplomata indiano afirmou que o primeiro-ministro indiano Narendra Modi fez esta oferta para o povo da Guiné-Bissau.

Este presente do governo indiano visa fortalecer a cooperação com o país da áfrica ocidental lusófona, diz Rajeer Kumak.

A doação destina-se igualmente a evitar as consequências a curto prazo da falta de arroz, alimento básico dos guineenses, devido aos prejuízos causados ​​pelas inundações e pela seca.

Segundo o Ministério da Agricultura, cada Guiné-Bissau consome cerca de 130 quilos de arroz por ano, um consumo anual total de 200 000 toneladas para toda a população.

Além disso, a Guiné-Bissau produz apenas cerca de 100 000 toneladas de arroz. Balanta Mané – Guiné-Bissau

domingo, 9 de setembro de 2018

São Tomé e Príncipe - Acordo sobre espaço sideral para fins pacíficos com a Índia

São Tomé – São Tomé e Príncipe e a República da Índia assinaram em Nova Deli, capital da Índia, um acordo quadro sobre cooperação na exploração e uso do espaço sideral para fins pacíficos, soube a STP-Press de fonte diplomática são-tomense.

De acordo com a fonte, o documento foi assinado em Nova Deli, India pelo ministro são-tomense dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Urbino Botelho e pelo ministro de Estado indiano dos Negócios Estrangeiros da Índia, Shri M. J. Akbar.

Segundo ainda fonte, o acordo que será operacionalizado entre a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO) agência espacial do governo, indiano e a Autoridade Geral de Regulação, da República Democrática de São Tomé e Príncipe (AGER).

Dentre outros objectivos, o novo acordo visa dar continuidade e maior expressão à cooperação bilateral entre os dois países, neste caso, na área da ciência e tecnologia, na exploração do espaço sideral e aplicação das tecnologias espaciais para benefício mutuo, acrescentou a fonte.

Chamado também de espaço cósmico, o espaço sideral é extra-atmosférico sendo o seu uso disciplinado em direito internacional sobretudo pelo tratado sobre princípios reguladores das actividades dos Estados na exploração e uso do espaço cósmico incluindo a lua e demais corpos celestes.

Em março último, São Tomé e Príncipe e a Índia assinaram um Acordo Geral de Cooperação económica e dois acordos sobre a medicina tradicional, tendo ainda definidos a criação de uma comissão mista de seguimento as actividades e acções programadas no âmbito dos acordos bilateral de cooperação. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Índia - Evento sobre literatura em Nova Deli com a participação de Portugal

De 26 a 28 de setembro de 2018 vai decorrer em Nova Deli o evento Long Night of Literatures 2018.



Portugal será representado por Suneeta Peres Costa, que falará sobre sua obra ‘Saudade’. O título da sua apresentação será ‘Saudade as a novella of the Indo-Portuguese diaspora’ (‘A Saudade como uma novela da diáspora Indo-Portuguesa’).

Vai decorrer no Instituto Cervantes de Nova Deli, por ocasião da celebração do Dia Europeu das Línguas, em colaboração com a Delegação da UE e terá participações de cerca de dez Estados-Membros, bem como a interação com alunos nas universidades Jawaharlal Nehru e de Deli. In “Mundo Português” - Portugal

sábado, 18 de agosto de 2018

Índia - Embaixadora em Lisboa quer promover ligação entre portugueses e indianos

A embaixadora indiana em Lisboa, Nandini Singla, afirmou que o relacionamento político entre Portugal e Índia é «fantástico» e defendeu que falta agora «ligar» os dois povos



«Entre governos está tudo fantástico», disse à agência Lusa a diplomata indiana, salientando a «ótima relação e cooperação» entre Portugal e Índia e a «boa relação entre primeiros-ministros».

No entanto, sublinhou: «É também importante criar uma conexão entre as nossas gentes, por isso é que estamos a celebrar este 'Festival da Índia', onde toda a gente pode vir e sentir aquilo que é a Índia».

A zona de Belém, em Lisboa, acolheu esta o 'Festival da Índia', uma iniciativa que assinalou os 71 anos da independência do país, e que deu a conhecer a diversidade cultural indiana, com mostras de gastronomia, música, danças e yoga.

Nandini Singla revelou que os acordos alcançados durante a visita do primeiro-ministro, António Costa, à Índia, e do seu homólogo indiano, Narendra Modi, a Lisboa, ambas no ano passado, resultaram numa cooperação económica que envolve também países do continente africano.

«Na área da economia, estamos a aumentar as trocas e negociações, não apenas entre a Índia e Portugal, mas também na forma como as companhias indianas e portuguesas podem trabalhar juntas em África, por exemplo», referiu a embaixadora.

Segundo Singla, foi também lançado, na semana passada, um intercâmbio entre empresas 'startups' indianas e portuguesas, que poderão trabalhar durante três meses nos países parceiros.

A cooperação vai, no entanto, mais longe, com a diplomata a dar o exemplo do programa juvenil de intercâmbio entre os dois países.

«Há muitos jovens na Índia e, no ano passado, começámos este primeiro programa de intercâmbio juvenil com 10 jovens. Foi o primeiro programa de sempre de intercâmbio juvenil para um país da União Europeia. Portugal foi o primeiro. Ainda este ano, será a vez de os jovens portugueses irem à Índia, em reciprocidade à visita dos jovens indianos», anunciou a diplomata. In “Revista Port. Com” - Portugal

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

São Tomé e Príncipe – Assina com a Índia acordo sobre aliança solar internacional

São Tomé e Príncipe e a República da Índia assinaram, no passado dia 07 de Fevereiro, o acordo sobre aliança solar internacional no Ministério dos Negócios estrangeiros. O protocolo rubricado pelo embaixador da Índia em São Tomé e Príncipe, Sushil Singhal e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Urbino Botelho, tem como objetivo de assegurar a transferência de tecnologia e financiamento para o desenvolvimento de projeto produção energético com potencial solar.

“Essa aliança pretende integrar num esforço comum os países que estão localizados entre os trópicos de câncer e Capricórnio, alguns dos quais com cerca de 300 dias de exposição solar anual com o objetivo de assegurar a transferência de tecnologia e financiamento para o desenvolvimento de projeto de produção energética com potencial solar. O mesmo projeto visa, de igual modo, a redução de custos associados desempenhando um papel central na angariação de mil milhões de dólares americanos até 2030 para a implementação massiva de energia solar”, disse Urbino Botelho.

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda que “esta vontade está de resto expressa no firme compromisso de tanto São Tomé e Príncipe como a Índia manifestam para o cumprimento de acordo de Paris. Para São Tomé e Príncipe fazer parte desta aliança constitui, sem dúvida, uma oportunidade única para entrar no comboio de desenvolvimento tecnológico no que a produção de energias renováveis diz respeito”.

"Para além disso, irá permitir atenuar a grande dependência de país na utilização de combustíveis fosseis para satisfazer as suas necessidades energéticas, o que contribuirá para alcançamos as metas estabelecidas nos nossos programas nacionais de adaptação de mitigação de efeitos adversos das mudanças climáticas. A expectativa é a de que possa implementar um projeto que conduza a produção de até quatro megawatts a partir de energia solar indo de resto ao encontro daquelas que são as metas do governo nesta matéria, conforme expresso na sua agenda de transformação nacional no horizonte 2030”, acrescentou Urbino Botelho.

O Embaixador da Índia em São Tomé e Príncipe defende que o governo destas ilhas escolheu energia limpa, “porque energia limpa é para as futuras gerações, para lhes dar um desenvolvimento sustentável e utilização de recursos renováveis desejáveis para o desenvolvimento do país”. Silvania Bernardo – São Tomé e Príncipe in “O Parvo”

sábado, 2 de setembro de 2017

Goa – Apresentação do logotipo para o Campeonato Mundial de Futebol Sub-17

Pangim – O Ministro-chefe Manohar Parrikar lançou na passada sexta-feira, 01 de Setembro de 2017, o logotipo Goa para o 17º Campeonato Mundial de Futebol Sub-17 da FIFA, Índia 2017, no GMC Estádio em Bambolim.

Foto: Daniel Hiremath


O logotipo de Goa se assemelha a uma visão comum das pessoas que jogam o "jogo bonito" nos campos verdes do estado costeiro, delimitada por palmeiras de coco balançando à luz do sol noturno. As cores usadas para o logotipo incluem um toque da bandeira de cada nação concorrente que simboliza a unidade entre todos os países participantes. O logotipo da Goa foi projetado por Sharmila Coutinho.

Tomando a palavra o Ministro-chefe Manohar Parrikar afirmou: "Goa está a preparar-se para receber as equipas para o Campeonato Mundial de Futebol FIFA U17. Goa ama o futebol, é por isso que o declaramos como desporto oficial do Estado. Aceitar ser o anfitrião do torneio em Goa foi uma das decisões mais rápidas tomadas pelo Governo e continuaremos a dar todo o nosso apoio total para tornar o evento um grande sucesso".

O logotipo será uma ferramenta importante para ligar a comunidade local num mundo global e formar um elo crucial nas promoções e comunicações no Estado amante do futebol como Goa.

O Director do Torneio Javier Ceppi observou: "Estamos muito felizes pelo facto de Goa ter uma imagem associada ao torneio. O governo do Estado prometeu levar o logotipo da cidade anfitriã a todas as regiões do Estado e realizar um grande impulso promocional para o torneio, o que é fantástico".

"Para apoiar isso, vamos abrir as vendas de bilhetes na bilheteira do estádio Fatorda em 7 de Setembro. Agradecemos a ajuda e a liderança do honorável Ministro-chefe Manohar Parrikar e temos a certeza que sob o seu cuidado o Campeonato Mundial de Futebol Sub-17 será um grande sucesso em Goa", acrescentou. In “oHeraldo” – Goa

A 17ª edição do Campeonato Mundial de Futebol Sub-17 da FIFA, sob o lema 'Futebol assume', será realizada em seis cidades da Índia: Nova Deli, Goa, Kochi, Guwahati, Kolkata e Navi Mumbai, de 6 a 28 de Outubro de 2017, estarão em competição os jovens com menos de 17 anos, representando 24 nações no primeiro Campeonato Mundial que se realiza na Índia. Os países participantes são: Índia (país convidado), Iraque, Irão, Japão, Coreia do Norte, Gana, Guiné, Mali, Níger, Costa Rica, Honduras, México, Estados Unidos da América, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Nova Caledónia, Nova Zelândia, Inglaterra, França, Alemanha, Espanha e Turquia. Baía da Lusofonia

Foto:Daniel Hiremath

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Moçambique – Assinado acordo de ligação aérea com a Índia

Moçambique poderá estabelecer, brevemente, uma ligação aérea directa e regular com a República da Índia à luz do Acordo de Serviço Aéreo, assinado pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Fortes Mesquita e o Ministro da Aviação Civil da Índia, Ashok Gajapathi Raju, a 16 de Janeiro de 2016, em Nova Deli, Capital da Índia.


O acordo visa conceder às linhas aéreas dos dois países o direito de voar sem aterrar e fazer escalas nos territórios dos signatários, para além do direito de embarcar e desembarcar, tráfego internacional de passageiros e carga, incluindo o correio, separadamente ou em combinação.

Neste momento, as autoridades aeronáuticas dos dois países trabalham para a operacionalização do entendimento formalizado pelos governantes, podendo serem acordados detalhes sobre a rota e frequência dos voos, os operadores a serem designados para explorarem a rota, entre outros aspectos operacionais.

O Acordo de Serviço Aéreo vai permitir igualmente que as linhas aéreas de ambos os países procedam à venda de serviços aéreos e de seus produtos, serviços e facilidades relacionados no território da contra-parte, directamente ou através de seus agentes, bem como cooperação comercial na operação de aeronaves, combustível, óleos lubrificantes, suprimentos técnicos consumíveis, peças sobressalentes, incluindo motores, equipamentos normais de aeronaves e provisões de bordo.

De acordo com Carlos Mesquita, o acordo surge no âmbito do desejo de ambos os países de promover serviços aéreos internacionais entre os seus respectivos territórios.

“Moçambique e Índia reconhecem que os serviços aéreos internacionais eficientes e competitivos melhoram o comércio, o bem-estar dos consumidores e o crescimento económico, daí que pretendem promover um sistema de aviação internacional baseado na concorrência entre as linhas aéreas”, referiu o governante.

Carlos Mesquita trabalhou na República da Índia, de 14 a 22 de Janeiro último, tendo, para além da assinatura do Acordo de Serviço Aéreo, com o Ministro de Aviação Civil, mantido encontros com relevantes entidades e autoridades da área de logística da Índia, com destaque para o Ministro de Aço, Chaudhary Birender Singh, Ministro dos Caminhos de Ferro da Índia, Suresh Suresh Prabhu, para além de ter trabalhado com a Rites, antiga concessionária da linha férrea de Sena.

Nestes encontros, Mesquita revelou que foram abordados assuntos de cooperação económica de interesse para os dois países, particularmente a componente logística, dado o envolvimento das companhias indianas no investimento na exploração de recursos naturais em Moçambique, com destaque para o carvão e aço, bem como na construção de infra-estruturas de transporte e logística. In “Olá Moçambique” - Moçambique

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Portugal – Mestre indiano de ioga chegou à Península Ibérica há 1700 anos

A descoberta de um esqueleto numa estranha posição em Beja intrigou os investigadores. Agora, sabe-se que a posição era de ioga e o corpo em causa de um mestre. Que chegou a Portugal há 1700 anos. A pé



Em 2007 e no decorrer de uma obra na rede de abastecimento de água à cidade de Beja surgiu, no meio de ossadas do período islâmico, um esqueleto em posição de lótus. Nove anos depois, e pela primeira vez no mundo fora da Índia, foi confirmada a descoberta de um mestre ioga, que aqui chegou vindo do Oriente a pé.



São mais as certezas que as dúvidas relativas à identificação do que resta de um indivíduo do sexo masculino, enterrado há cerca de 1700 anos, com a coluna erecta, as pernas cruzadas, os dedos do pé direito apoiados no calcanhar do pé esquerdo, em posição de lótus. Pequenas pedras talhadas com pequenos círculos estavam colocadas na cabeça, cotovelos e pernas. Era patente a intenção de acondicionar o corpo naquela posição, dentro de uma estrutura construída para esse propósito, e próximo do que poderá ter sido uma das principais vias de acesso à então cidade Pax Yulia. Foi enterrado próximo dos outros túmulos, “nas traseiras do que seria uma necrópole, salvaguardando o respeito ao espaço romano”, presume o arqueólogo Miguel Serra, que fez a descoberta classificada como “bizarra” dada a forma como o corpo fora inumado. Não tinha qualquer adereço, pormenor que patenteava despojamento.

A disposição do esqueleto era diferente das inumações dos islâmicos que encontrou depositados, a poucos metros, em contacto com a terra e com a face virada para Meca. Este tinha a cabeça virada para oeste. 

Apesar de nunca ter visto as ossadas, que se encontram depositadas na Universidade de Coimbra para a realização de estudos de ADN e do tipo de alimentação que consumia, o presidente da Confederação Portuguesa de Ioga, o grande mestre Jorge Veiga e Castro, depois de ter visionado as fotografias, o espaço de enterramento e interpretado a documentação científica produzida, não tem dúvidas: “Não se conhece em nenhuma parte do mundo, a não ser na Índia, um fenómeno de um esqueleto em posição de lótus como o de Beja”.

“A pose de enterramento era muito estranha e remetia-nos para o mundo oriental, mas sem definição”, referiu Miguel Serra, acrescentando que, no século III d.C, havia cultos orientais em Beja e identificou-se “o indivíduo como estando associado a esse movimento.”

Nesse contexto histórico, e apesar de Pax Julia se localizar no interior do sudoeste peninsular, sabe-se, desde que o arqueólogo Cláudio Torres reescreveu a história da região, que havia uma intensa ligação ao mundo mediterrânico através do rio Guadiana e pelo porto fluvial de Mértola, por onde chegavam diversas influências culturais e religiosas.

oi através dessa porta de entrada que veio até à cidade romana um mestre ioga que se lançou ao caminho, percorrendo, a pé, não se sabe por onde nem como, cerca de 8000 quilómetros “para transmitir a boa nova fora da Índia”, afirmou ao PÚBLICO Veiga e Castro. A convicção do mestre sobre esta aventura assenta não só na estrutura óssea do esqueleto, que indicia grandes caminhadas, como no hábito que existia na altura de encetar grandes peregrinações.

O certo é que este estranho indivíduo, descreve o relatório antropológico elaborado na sequência da descoberta, apresentava patologias que revelaram “que caminhava muito e de pé e era um indivíduo robusto e saudável.” Os ossos na zona de intercepção com os músculos apresentavam umas cristas, reveladoras do esforço a que foram sujeitos depois de intensas caminhadas. "Morreu aos 50 anos, tinha 1,62 metros de estatura e terá sido velado ao ar livre durante uns dias, mas não morreu em meditação”, continua o relatório.

A simetria da posição e a forma como estava colocado “só era possível de alcançar pelos grandes mestres”, sublinha o arqueólogo, que interpretou o modo como foi inumado como “um manual como fazer correctamente aquela posição.”

As dúvidas que suscitou, a forma de enterramento e o desconhecimento de situações paralelas para interpretar este indivíduo impeliram Miguel Serra a colocar a foto do inédito achado arqueológico nos blogues. “E foi então que tivemos uma surpresa, quando, em 2012 se realizou, em Beja, o Dia Internacional do Ioga”. Vários indianos que se deslocaram à cidade alentejana ficaram perplexos com o achado que não lhes deixava dúvidas: “Era um mestre de ioga”, conta Miguel Serra, realçando a insistência em se fotografar no espaço onde foi descoberto o enterramento na Rua Gomes Palma, junto ao chamado Jardim do Bacalhau.

Jorge Veiga e Castro confirmou que os "mestres da Índia ligados ao ioga e ao hinduísmo (entre eles vários professores universitários) ficaram felizes e surpreendidos com o achado de Beja”. E, através das informações que foram recolhendo, ficou reforçada "a ideia de que se trata de um mestre do ioga.” A dimensão e o significado da descoberta arqueológica não lhe deixam dúvidas. “Todos os indícios apontam nesse sentido. É inegável, as provas estão lá. Ninguém o pode esconder. É um achado histórico de grande significado”, sintetiza o presidente da Confederação Portuguesa do ioga, realçando um pormenor histórico: "Não foi só há 500 anos que houve contactos com o extremo oriente. Muito anos antes já os haveria como este personagem parece documentar.”

A partir de agora, o objectivo da Confederação Portuguesa do Ioga passa por transformar Beja “num pólo de atracção que projecte esta corrente religiosa para a Europa e o mundo inteiro”. Para alcançar esse desiderato, diz que o próximo objectivo é “expor as ossadas” na capital do Baixo Alentejo, se for possível até ao Congresso Ibérico de Ioga, que se realiza Abril, na cidade espanhola de Ávila.

Achado arqueológico descoberto “por uma unha negra”

A legislação em vigor que limita a área de protecção legal dos centros históricos revela lacunas que foram realçadas em escavações arqueológicas realizadas em 2007 e que conduziram à descoberta do esqueleto de um mestre de ioga.

Se a vala que foi aberta para a instalação da rede de águas tivesse sido deslocada cerca de três metros para além do limite dos 50 metros a contar da cintura de muralhas que delimita o Centro Histórico de Beja não se estaria a falar deste achado que foi descoberto “por uma unha negra”, refere o arqueólogo Miguel Serra.

O levantamento arqueológico apenas incidiu no espaço da vala aberta para instalar a tubagem da rede de abastecimento de água. “Ficámos sem poder saber o que está para os lados”, acrescenta. Por exemplo, concluir se o mestre ioga tinha ou não junto dele sepulturas de seguidores, observa o arqueólogo.

A área já está identificada há décadas como rica do ponto de vista arqueológico dada a profusão de ossos humanos que surgem durante as intervenções feitas numa extensão com cerca de dois hectares de área e onde têm sido descobertos diversos vestígios da época romana, islâmica, medieval e moderna.

Miguel Serra chama a atenção para a necessidade de tornar a legislação que estabelece as áreas de protecção do património mais dinâmica em função das características históricas de cada local, lembrando que a “cidade de Beja não morria nas muralhas” no século III d.C. A ocupação estendia-se para o exterior. Exemplo disso é a enorme necrópole que já existia na época romana, prosseguiu na época islâmica e continuou na época moderna, como tem ficado provado no decorrer de intervenções que têm sido efectuadas fora do centro histórico.

Durante as obras realizadas no âmbito do programa Beja Polis, entre 2003 e 2004, foi descoberta uma rede com 137 silos escavados na rocha, que terão servido para o armazenamento de cereais e também como lixeira entre os séculos XIV e XVII. Foram sacrificados à instalação de um parque de automóveis. Tem sido descoberto outro tipo de património fora da área de protecção, onde não é necessário o acompanhamento arqueológico.

A boa nova nos dias de hoje

No século III d.C, a mensagem do movimento ioga estava praticamente circunscrita a uma área do planeta. Daí a surpresa por terem sido encontrados vestígios da presença de um mestre ioga em Beja.

Hoje, o ioga é uma filosofia de vida baseada no princípio "o verdadeiro fundamentalismo é o respeito pela vida" e tem dimensão universal. E, neste contexto, destaca-se a elevação do Ioga da Índia a Património Cultural e Imaterial da Humanidade pela UNESCO, objectivo que foi concretizado a 1 de Dezembro de 2016 e também o papel desempenhado pelo português Jorge Veiga e Castro por ter sido o proponente do Dia Internacional do Ioga.

Outra das iniciativas de Veiga e Castro, o “Dia da Luz e da Sabedoria” e da “Não Agressão”, defende que, “por 24 horas, não se derrame sangue, sob nenhuma forma" e respeite-se "a sagrada Vida que nos foi dada”, evento que ocorre no Solstício de Junho.

O também presidente das Confederações Portuguesa, Ibérica e Europeia do Ioga concentra a sua atenção na formação das crianças e jovens de todos os países do mundo, com a inclusão de o Ioga nos currículos de ensino. Nesta área, ministra cursos de formação de professores do Ioga. Carlos Dias – Portugal in "Jornal Público"

sábado, 7 de janeiro de 2017

Portugal – Entrevista ao primeiro-ministro indiano Narendra Modi

Narendra Modi, primeiro-ministro indiano, respondeu a esta entrevista por escrito ao Diário de Notícias (DN) a propósito da visita do seu homólogo português, que amanhã se inicia. Mas se as respostas, entusiastas corn António Costa e Portugal, chegaram só ontem, o processo que conduziu à entrevista foi longo, começando pela visita da embaixadora Nandini Singla à sede do jornal em outubro (ainda no Marquês de Pombal), onde ficou a saber que o jomal entrevistara em 1998 o presidente Kocheril Narayanan em Lisboa, como em 1981 a primeira-ministra Indira Gandhi (a bordo de um avião militar na índia). Pouco depois, com ajuda da embaixadora indiana, publicámos uma conversa com Ananth Kuinar, ministro dos Assuntos Parlamentares, que de passagem por Lisboa declarou que "António Costa simboliza 500 anos da relação indo-portuguesa". Ora, com o governante com raízes em Goa prestes a visitar a Índia surgiu a proposta de entrevista por correio electrónico a Modi. O OK para envio das perguntas chegou a 27 de dezembro.

Que significado tem para a Índia esta visita de António Costa, enquanto cidadão português de origem indiana?

Aguardamos com expectativa por receber calorosamente o primeiro-ministro António Costa na Índia, naquela que será uma visita de Estado. Será o nosso convidado de honra naquele que é o nosso emblemático evento de celebração da diáspora do país - o Pravasi Bharatiya Divas (Dia da Diáspora Indiana). Sendo ele uma pessoa com raízes familiares na Índia, será para nós uma honra celebrar os seus grandes êxitos enquanto líder do povo português. António Costa é um exemplo do dinamismo da diáspora indiana. Como primeiro chefe de governo de origem indiana na Europa, estou confiante de que o seu sucesso será fonte de grande inspiração para muitos outros. A visita do primeiro-ministro Costa constitui também um momento oportuno para a Índia e Portugal revitalizarem os seus laços históricos e culturais antigos e para criarem uma parceria moderna, à luz do século XXI.

Considera possível que venham a desenvolver-se relações económicas e comerciais fortes entre Portugal e a Índia?

Certamente. Penso que há vastas oportunidades para estabelecer robustas relações económicas entre a Índia e Portugal. Os nossos países partilham prioridades económicas similares: dinamização da capacidade de produção, do crescimento económico, das relações comerciais, do investimento e do emprego, bem como a melhoria das infraestruturas, dos serviços públicos, da governação e da qualidade de vida das nossas populações. As nossas respetivas vantagens e competências proporcionam consideráveis oportunidades para que as nossas empresas e negócios colaborem mutuamente. Enquanto duas democracias pluralistas e laicas que partilham valores semelhantes e uma visão comum para o mundo, ambos procuramos potenciar as nossas aptidões e recursos para reforçar a educação, tomar as nossas economias altamente tecnológicas e viradas para a inovação, prover os nossos jovens com as competências para operar uma economia do conhecimento do século XXI e melhor relacionar os nossos ecossistemas comerciais e de investimento com o mercado global. Os nossos países têm sinergias numa série de setores. É preciso explorar estas abundantes oportunidades por forma a criar uma rede de colaboração mutuamente benéfica e concretizar todo o potencial da nossa aliança.

Em que áreas considera que as empresas portuguesas e indianas poderiam cooperar mais?

A Índia encontra -se atualmente num ponto de inflexão transformador. Somos uma economia em rápido crescimento que está aberta e recetiva aos impulsos da economia global. Os nossos planos económicos são ambiciosos, quer em alcance quer em escala. As empresas portuguesas estão dotadas de experiência útil, conhecimento e competências de nicho em vários setores-chave prioritários para a Índia, tais como as infraestruturas - especialmente na área das estradas, portos e vias navegáveis interiores -, a defesa, a energia (eólica, solar e hidroelétrica), as TIC e as startups, gestão de águas e resíduos, agricultura e processamento de produtos agrícolas, cooperação marítima, cinema, turismo e hospitalidade. Podemos criar parcerias comerciais nestas áreas. De igual modo, as empresas indianas são internacionalmente reputadas nas áreas das TI, da inovação farmacêutica, da biotecnologia e automóvel, entre outras. As competências e os recursos humanos indianos, combinados com as capacidades produtivas de baixo custo do nosso país, oferecem soluções lucrativas para as empresas portuguesas. As competências e complementaridades portuguesas e indianas representam excelentes oportunidades para o estabelecimento de parcerias mutuamente benéficas em todos estes setores.

Que expectativas tem relativamente a António Guterres enquanto secretário-geral da ONU?

Em primeiro lugar, gostaria de felicitar Portugal pelo facto de um dos seus talentosos líderes políticos e ex-primeiro-ministro ter sido nomeado secretário-geral das Nações Unidas. O secretário-geral desempenha um papel importante na condução das Nações Unidas, especialmente no que respeita a manter a capacidade e a legitimidade únicas da ONU para agir em nome da comunidade internacional - a ONU tem de servir os interesses de todos os Estados membros, desde o mais pequeno Estado insular às nações mais poderosas. O secretário-geral Guterres teve uma distinta carreira enquanto primeiro-ministro de Portugal e alto-comissário da ONU para os Refugiados e nós esperamos que, sob a sua liderança, a ONU desempenhe o papel que lhe compete de promoção e preservação de uma ordem internacional justa e inclusiva.

Portugal apoia a candidatura da Índia a tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Isso é uma prioridade para o seu governo?

Estamos muito gratos pelo apoio de Portugal à candidatura da Índia a membro permanente da ONU, num Conselho de Segurança reformado e ampliado. A Índia sempre se empenhou em fortalecer o sistema multilateral. O panorama político e económico e a realidade do mundo de hoje são muito diferentes daquilo que eram em meados da década de 1940. Instituições globais, como as Nações Unidas, têm de refletir a atual realidade global se quiserem continuar a ser relevantes, eficazes e legítimas. Os líderes mundiais já aceitaram, em 2005, que as reformas urgentes do Conselho de Segurança são um elemento essencial de qualquer esforço de reforma do sistema das Nações Unidas na sua globalidade. Nós, enquanto comunidade internacional, temos de acelerar os esforços de reforma do Conselho de Segurança.

Como é que a Índia vê a concorrência entre os EUA, a China e a Rússia?

A Índia tem laços multifacetados com cada um desses países. As nossas relações com cada um deles têm méritos próprios. Não apreciamos as relações com qualquer destes países a partir do prisma das demais relações com outros. E as nossas relações vão além dos assuntos puramente bilaterais. Como todos eles são grandes potências mundiais, também colaboramos com eles em importantes assuntos regionais e globais da atualidade. No mundo atual, em que se assiste a alterações económicas e políticas a nível global, as alianças entre nações, especialmente entre países importantes, têm por objetivo tomar a rédea de múltiplos caudais de oportunidade e amenizar problemas complexos e interdependentes. Na Índia, o nosso foco é potenciar a política externa em prol do nosso desenvolvimento económico e facilitar a transformação em curso. Qualquer país que possa contribuir para este processo é bem-vindo como parceiro.

Quais são as perspetivas para a economia indiana nos próximos tempos?

A Índia é, de entre as principais economias mundiais, a que regista maior crescimento atualmente. A nossa economia cresceu 7,1% e 7,3% no primeiro e segundo trimestres, respetivamente, do ano fiscal 2016-2017. Convidamos os nossos parceiros internacionais, como Portugal, a fazer parte da nossa história de crescimento económico, para beneficio mútuo. Salvaguardar o crescimento económico e um desenvolvimento célere, melhorar constantemente a facilidade de fazer negócio e a contínua liberalização da economia são as principais prioridades do nosso governo. Liberalizámos o IED [Investimento Externo Direto) em vários setores, incluindo no das telecomunicações, da defesa, o ferroviário, o dos seguros, do turismo e hospitalidade, das energias renováveis, entre outros. A Índia é hoje em dia a economia mais aberta ao IED em termos globais. O nosso objetivo é tomar a Índia um centro de produção global através do nosso programa Make in Índia, enquanto outros programas, como o Skill Índia, Digital Índia, Startup Índia e Smart Cities, visam criar um ambiente favorável a atingirmos os objetivos de desenvolvimento que traçámos. A rápida aplicação do imposto sobre bens e serviços vai simplificar e instaurar um regime tributário uniforme em todo o país.

Qual é a fórmula adotada na Índia para o combate à pobreza?

Penso que a Índia tem quer a vontade quer a capacidade para lutar contra problemas de desenvolvimento complexos, interdependentes e enraizados, como é o caso do desemprego, da pobreza e da iliteracia. O crescimento económico acelerado é essencial para criar oportunidades, mas é igualmente importante que haja uma distribuição dos frutos do crescimento entre todos. Estes desafios exigem uma resposta integrada. Adotámos numerosas medidas socioeconómicas que respondem a estes problemas a vários níveis e transversalmente em todos os estratos da sociedade. Melhores condições de saneamento, de habitação, de acesso ao fornecimento de energia e de prestação de cuidados de saúde focados nas mulheres e nas crianças, prósperas comunidades rurais e uma Índia física e digitalmente conectada é a nossa meta. Lançámos medidas como o seguro de colheitas, a microirrigação e esquemas de conectividade digital e física. Através do nosso programa de inclusão financeira, Jan Dhan Yojana, abrimos 220 milhões de novas contas bancárias para pessoas em situação de pobreza visando a integração daqueles que, até então, têm sido excluídos. O nosso programa de emancipação de género e de apoio às crianças do sexo feminino (Beti Bachao Beti Padhao) já começou a produzir resultados. Nos últimos dois anos e meio, conseguimos fornecer gás de cozinha ecológico e em condições de segurança a mais de 15 milhões de famílias pobres. Acredito que capacitar as pessoas, dando-lhes aptidões, literacia digital e contacto com a tecnologia, a par de administrações isentas de corrupção, são fatores críticos para lutar contra a pobreza. Os nossos esforços para formar a juventude indiana, dar acesso ao crédito a pequenos empresários, inclusão financeira para todos e apoio ao pequeno agricultor visam habilitar as camadas mais vulneráveis da sociedade, de modo que o seu avanço funcione como uma força multiplicadora para o nosso desenvolvimento. Usámos a tecnologia para superar algumas das dificuldades de desenvolvimento que existiam, melhorando a governação e fornecendo serviços de maior qualidade à população. A nossa recente decisão de desmonetização visa reprimir a economia paralela e combater a corrupção, para que os ganhos resultantes possam ser redistribuídos entre os mais necessitados. Com vontade coletiva e as fortes medidas adotadas pelo meu governo, estou confiante de que a Índia pode dar passos gigantes para debelar a pobreza. Leonídio Ferreira – Portugal in “Diário de Notícias”   


Narendra Modi é primeiro-ministro da Índia desde maio de 2014. O seu BJP (nacionalista hindu) governa com maioria absoluta. Nasceu em 1950 em Vadnagar, no estado do Gujarate. Foi ministro-chefe do Gujarate entre 2001 e 2014. Elogiado pelo desempenho económico do Gujarate durante a década em que chefiou o estado, Modi obteve uma vitória expressiva nas legislativas Indianas de há dois anos com a promessa de relançar a economia nacional. Conseguiu no ano passado que o seu país crescesse mais até do que a China. Perante aqueles que o criticam pela ideologia nacionalista hindu do partido, costuma responder que a Índia é uma democracia e que a prioridade do governo é desenvolver um país com 1250 milhões de habitantes.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Índia - Quer apostar no gás natural liquefeito

A importadora indiana de gás Petronet LNG quer apostar nos navios a gás natural liquefeito (GNL), contribuindo para aumentar a procura desse produto no país e assim acompanhar o esforço do Governo em aumentar o consumo de GNL para 15% do total de energia consumida, face aos 6,5%actuais, e em reduzir as emissões e a dependência indiana do petróleo importado.

De acordo com declarações de Prabhat Singh, Director da Petronet LNG, à imprensa, ele espera que uma alteração do paradigma para navios a GNL crie “uma procura razoável” por este tipo de combustível num país em que muitas indústrias ainda não estão ligadas à rede de oleodutos.

Segundo órgãos de imprensa internacional, a empresa está a negociar a introdução de camiões e autocarros a GNL no mercado com a Tata Motors e a Ashok Leyland e em Janeiro vai revelar um plano para vender GNL em todo o país, destinado a navios, comboios e outros veículos.

A Petronet está igualmente a negociar com retalhistas públicas do sector, como a Indian Oil Corp, a Bharat Petroleum Corp e a Hindustan Petroleum Corp, a instalação de sistemas de distribuição nos seus postos de abastecimento, e planeia instalar a sua própria rede de distribuição a retalho. A Indian Oil Corp e a Bharat Petroleum Corp detêm, cada uma, 12,5% da Petronet.

O projecto contribuirá para que o terminal de GNL da empresa no sul da Índia, que actualmente funciona a 7 por cento da sua capacidade por causa do envolvimento dos oleodutos ligados a grandes clientes em disputas legais sobre uso do solo, passe a funcionar em pleno.

Entretanto, o Governo indiano pode autorizar em breve o uso de GNL como combustível de transporte. Para cumprir as metas de reduzir emissões e a dependência do petróleo num país que é tido como o terceiro maior poluidor mundial, está a expandir a rede de distribuição de gás em cidades ligadas à rede e planeia vir a gerir barcaças e comboios a GNL. Este mês, aliás, a Índia testou o seu primeiro autocarro a GNL.

Além disso, a Índia pode pretender acompanhar o ritmo da rival China, onde milhares de autocarros e camiões já são alimentados a GNL. Prabhat Singh considera que o processo pode ser uma boa oportunidade, notando que muitos dos 200 mil camiões que anualmente se juntam à frota indiana também podem vir a ser alimentados a GNL.

De acordo com dados recentemente divulgados, entre Abril e Setembro, a primeira metade do ano fiscal, a produção local indiana de gás caiu 4,4%,enquanto as importações aumentaram 26,3%. A capacidade de importação de GNL da Índia está a aumentar, visando passar das actuais 21,3 milhões de toneladas/ano para as 50 milhões de toneladas/ano em 2022. In “Jornal da Economia do Mar” - Portugal

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Brasil e Índia procuram cooperação

Os governos brasileiro e indiano pretendem criar facilidades para investimentos de empresas dos dois países, na busca por acesso aos dois mercados. Foi com esse intuito que o presidente Michel Temer e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, reuniram-se no passado dia 17 em Goa, na Índia. De acordo com o Planalto, o encontro possibilitou avanços nas negociações do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, principalmente no que se refere à ampliação da segurança jurídica para investidores.

A expectativa é que, por meio desse acordo, empresas brasileiras consigam maior inserção no mercado indiano e vice-versa. Após encontrar-se com empresários e com o primeiro-ministro da Índia, Temer disse ter identificado “grande interesse” do empresariado brasileiro em aplicar recursos naquele país. Ele aproveitou o encontro para falar sobre os projetos de infraestrutura em andamento no Brasil e tentar estimular os empresários indianos a fazerem o mesmo. Nesse sentido, Temer destacou o Crescer, programa que lançou 34 projetos iniciais nas áreas de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, energia, óleo e gás.


“Nós todos sabemos que a Índia se transformou muito nos últimos anos e hoje é uma das principais economias globais, cresce a taxas elevadas e tem muita complementariedade com o Brasil”, disse Temer ao comentar que o Brasil deu início a um processo de transformação que visa a retomada do crescimento econômico.

Temer aproveitou a visita para retomar a parceria estratégica entre os dois países integrantes do Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. “Essa visita relançou nossa parceria estratégica, que se voltará para uma inserção mais competitiva nos mercados globais e para o desenvolvimento de nossas sociedades. Esperamos que esse nosso encontro incremente cada vez mais as nossas relações.” Pedro Peduzzi – Brasil in “EBC Agência Brasil”

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Goa – Vamos perder os direitos sobre os nossos rios?

Vamos perder os nossos direitos sobre os rios Goeses?

A Regulação das Vias Marítimas do Interior do território foi promulgada pelo governo central, declarando 106 rios como vias marítimas nacionais, incluindo seis rios goeses. Há neste momento um sentimento de apreensão por parte do governo goês que teme que lhe sejam retirados os direitos e o controlo sobre os rios






















A nacionalização dos rios goeses é actualmente um dos principais assuntos aparecendo pouco à frente das eleições para a Assembleia com a oposição a opor-se veementemente a esta manobra do Governo.

Este assunto surge depois de a Regulação das Vias Marítimas do Interior do território ter sido promulgada pelo governo central, declarando 106 rios como vias marítimas nacionais, incluindo seis rios goeses (Mandovi, Zuari, Chapora, Cumbharjua, Mapusa e Sal).

As apreensões do Governo de Goa prendem-se com o facto de que lhes sejam retirados os direitos e o controlo sobre os rios e que estes sejam colocados debaixo da alçada do governo central e do MPT – Mormugao Port Trust (Fundo Portuário de Mormugão).

Outra questão que também se coloca prende-se com o facto de esta Regulação tornar possível que as vias marítimas sejam transformadas em rotas de transporte comercial e após uma maciça dragagem que lhes retire todos os seus activos tradicionais.

Apesar de o governo central ter declarado que os direitos dos rios se manteriam na alçada do governo local, o que tornou este momento chocante foi o facto da assinatura de um Memorando de Entendimento secreto entre a Autoridade Indiana para as Vias Marítimas do Interior (IWAI), a Corporação de Dragagem Indiana (DCI) e o Fundo Portuário de Mormugão (MPT) em 28 de Setembro sem que o Estado goês tenha sido tido em consideração.

Num comunicado, o Gabinete de Imprensa informa: “o Memorando de Entendimento vai apoiar a Autoridade Indiana no desenvolvimento das vias marítimas nacionais como sejam: o Rio Mandovi (NW-68), o Rio Zuari (NW-111), o Rio Chapora (NW-25),o Canal de Cumbharjua (NW-27), o Rio Mapusa (NW-71),e o Rio Sal (NW-88) em Goa”.

No mesmo comunicado pode ainda ler-se: “O Memorando de Entendimento entre o MPT e o IWAI pretende que o trabalho conjunto permita a construção de um canal navegável de 182 km de extensão em Goa que inclui dragagem, capacitação do rio, protecção de bancos, ajudas à navegação, Sistemas de Gestão de Tráfego de Embarcações (VTMS), etc. O MPT ficará responsável por fornecer serviços de supervisão do projecto de gestão relacionados com os trabalhos de infra-estrutura nos rios.

Se por um lado as investigações levadas a cabo pelo jornal “Herald” não concluíram que o governo central ficará com o controlo dos rios, também é um facto que não foi possível encontrar informações que o desmentissem.

Fontes da Administração do Estado afirmam-se confusas quanto ao facto de lhes ter sido sonegada informação quanto ao Memorando de Entendimento entre o IWAI, o MPT e o DCI.

“O ministro do governo central enviou-nos um esboço do acordo tri-partido entre o IWAI, o MPT e o Estado.  Uma fonte que não quis ser identificada, afirma no entanto: “Continuamos chocados com o facto de não temos sido informados do Memorando de Entendimento entre o IWAI e o DCI”.

Fontes afirmam, ao partilhar pormenores do esboço: “eles apresentaram várias cláusulas que nós aprimoramos e finalizamos como por obrigação, que nos parece não trarão satisfação ao IWAI”.

Ao falar em detalhe sobre as mudanças levadas a cabo, fontes afirmam que o Governo goês pedirá um maior papel para o Capitão dos Portos.

“Por exemplo, nós pedimos que os trabalhos sejam conjuntamente monitorizados pelo CoP e pelo MPT que serão a autoridade com a palavra final sobre se os projectos de construção e dragagem se apresentam como por obrigação”, revelaram fontes.

O Estado irá também exigir uma participação de 50% na tarifa referente à monitorização/ supervisão a ser paga ao MPT que representa 7% do custo do projecto.

Quando lhes foi pedido que comentassem acerca dos receios relativos ao facto de o IWAI e o MPT terem total controlo sobre os rios, as fontes revelam: “quando os molhes forem construídos, a propriedade ficará nas mãos do IWAI por um determinado período de concessão e será mais tarde transferida para o Estado”.

Quando contactado, James Braganza, o Capitão dos Portos, escusou-se a qualquer comentário dizendo: “ainda nada está finalizado e como tal não posso prestar nenhum tipo de declaração”.

Quando lhe foi perguntado quando seria o Memorando de Entendimento assinado entre o IWAI e o MPT, ele respondeu: “bom, o esboço ainda está a ser ultimado. Foram levadas em consideração sugestões dos accionistas como a GMOEA, a Associação de donos de barcaças e pessoal ligado à actividade piscatória pelo que agora estamos a tentar acomodar todas as posições no esboço o que ainda demorará algum tempo”, afirmou.

No entanto, ele dissipou medos relativos ao facto de o governo central poder ficar com o controlo total sobre os rios e os bancos. Suraj Nandrekar – Goa in “Herald”

Tradução por: Luísa Vaz