Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 12 de setembro de 2026

Macau - Cooperação estatística une bancos lusófonos

Representantes de bancos centrais de vários países de expressão portuguesa desenvolveram intercâmbios de aprofundamento da cooperação e promoção conjunta do desenvolvimento dos dados, em encontro promovido pela Autoridade Monetária de Macau. De entre as matérias abordadas, destaque para os pagamentos electrónicos e a cooperação entre as unidades bancárias e os serviços no âmbito da função estatística


A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) levou a efeito o XV Encontro de Estatísticas dos Bancos Centrais dos Países de Língua Portuguesa (PLP), sendo esta a segunda vez, desde a edição de 2021, que a entidade assume a organização do evento.

A reunião contou com a participação de um total de 21 representantes do Banco Nacional de Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e da AMCM, tendo sido desenvolvidos intercâmbios em torno do tema “Aprofundamento da cooperação estatística e promoção conjunta do desenvolvimento dos dados”.

Na sua intervenção de abertura, a vogal do Conselho de Administração da AMCM, Henrietta Lau Hang Kun, referiu que a AMCM, enquanto uma das entidades produtoras de estatísticas oficiais da RAEM, “tem cumprido rigorosamente as normas internacionais na elaboração e publicação dos dados estatísticos do sector financeiro e do sector externo, bem como participado activamente em diversos projectos de cooperação estatística internacional”.

Sublinhou que “estes resultados estatísticos de elevada qualidade constituem uma base científica sólida para os trabalhos de formulação de políticas, avaliação de desempenho, entre outros”.

Com o florescimento da economia digital, a rápida evolução dos meios de pagamento e a entrada da 7ª edição do Manual da Balança de Pagamentos e da Posição de Investimento Internacional (BPM7) na fase transitória de implementação, “os trabalhos estatísticos dos bancos centrais irão acolher novas oportunidades e enfrentar novos desafios”, disse o dirigente da AMCM.

De acordo com um comunicado divulgado, os representantes procederam a um intercâmbio e debate aprofundados sobre diversas matérias, nomeadamente os mais recentes desenvolvimentos das estatísticas relativas aos pagamentos electrónicos.

Além disso, o encontro abordou os desafios na elaboração das estatísticas do sector externo, as concepções e os trabalhos preparatórios respeitantes à fase transitória de implementação do BPM7, bem como a divisão de funções e a cooperação entre os bancos centrais e os serviços no âmbito da função estatística.

A AMCM espera que, através dos debates e intercâmbios realizados neste encontro, seja possível a “consolidação de consensos e a promoção de inspiração mútua, com vista à elevação conjunta, com os PLP, da capacidade profissional no domínio da estatística e ao reforço do grau de alinhamento internacional dos trabalhos estatísticos”.

O organismo refere que, no futuro, reforçará os contactos com os bancos centrais dos PLP, promoverá a cooperação multilateral entre a RAEM, consolidará a função de Macau enquanto plataforma de serviços financeiros entre a China e os PLP e desempenhará adequadamente o papel de “interlocutor de precisão”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Suíça - Procura impulsionar mais negócios com a China, frente a incertezas nas antigas relações comerciais

A perspectiva de atualizar o atual acordo de livre comércio (ALC) entre a Suíça e a China surge num momento crítico para as empresas suíças, que enfrentam instabilidades comerciais com os Estados Unidos e com a União Europeia


Washington anunciou tarifas de até 12,5% para alguns produtos suíços, valor superior ao aplicado a muitos outros países europeus. Em paralelo, Bruxelas aumentou as tarifas sobre o aço do país alpino. Ao mesmo tempo, o acesso da Suíça ao mercado de eletricidade da UE está dependendo de uma revisão nas regras das relações bilaterais.

Neste contexto, as empresas suíças procuram diversificar os seus negócios, de olho em outros mercados regionais. Ganha força, então, a ideia de ampliar o já existente Acordo de Livre Comércio (ALC) com a China.

“A economia suíça precisa de relações comerciais abrangentes com todos os principais mercados de exportação. A diversificação reduz as dependências unilaterais”, afirmou a economiesuisse, entidade guarda-chuva que representa as empresas suíças.

As negociações comerciais bem-sucedidas com a China têm sido aclamadas como um grande sucesso pela mídia local, contrastando com o suposto fracasso da diplomacia suíça nos EUA, dos últimos 12 meses.

As mais recentes tarifas dos EUA foram “interpretadas em Berna como um aviso para não se aproximar ainda mais de Pequim”, afirmou o jornal Tages Anzeiger. “No entanto, o Conselho Federal está a sinalizar que não permitirá que ninguém dite com quem o país deve fazer negócios.”

O atual Acordo de Livre Comércio (ALC) entre a Suíça e a China está em vigor desde 2014. A previsão otimista do tratado original era de que garantiria às empresas suíças economizar 290 milhões de francos suíços (359 milhões de dólares) por ano em impostos. Em 2017, a economia real registada foi de apenas 100 milhões de francos.

Enxurrada de burocracia

Ambos os países estão agora dispostos a estabelecer isenções de impostos a uma variedade maior de produtos, principalmente relógios e produtos farmacêuticos. Se aprovado, o novo acordo tornaria 99,8% das exportações suíças isentas de tarifas dentro de dez anos após a sua entrada em vigor, contra os atuais 53,6%. Isso poderia gerar uma economia anual de cerca de 244 milhões de francos suíços, afirma o Ministério da Economia da Suíça.

Os termos finais do acordo comercial serão influenciados por diversos fatores, entre os quais se destacam as chamadas “barreiras técnicas”: uma avalanche de licenças e regulamentações que podem sufocar o comércio.

As barreiras mais comuns são “procedimentos complexos de registo e certificação de produtos, diferenças nas normas e nos requisitos de testes, procedimentos alfandegários e de licenciamento, além de variações na forma como as regulamentações são implementadas localmente”, disse Guillaume Joyet, diretor executivo da Câmara de Comércio Suíço-Chinesa (Swisscham) em Pequim.

As associações setoriais afirmam que precisam de mais detalhes sobre a proposta de atualização do TLC antes de poderem avaliar o progresso nessa área.

A indústria relojoeira suíça seria uma das maiores beneficiadas com a melhoria dos termos do TLC. Todos os relógios suíços ficariam isentos de impostos, mudando completamente o cenário atual, em que apenas 1% dos produtos não é taxado. As tarifas chinesas custam às empresas relojoeiras cerca de 100 milhões de francos suíços por ano, de acordo com os termos atuais do TLC, afirmou a Federação da Indústria Relojoeira Suíça.

Mas outros fatores também precisam ser considerados. Entre o início de 2024 e o final de 2025, as exportações de relógios suíços para a China caíram um terço. “A economia chinesa está a ser afetada por dificuldades no setor imobiliário, que representa uma parcela significativa do PIB”, disse o economista-chefe da federação relojoeira, Philippe Pegorar.

No primeiro semestre deste ano, as vendas de relógios na China caíram 7,1%, um efeito causado “em grande parte pela deterioração do ambiente financeiro e, mais recentemente, pelo aperto fiscal que afetou consumidores de alta renda”, acrescentou Pegorar.

Restrições e obstáculos no caminho

As condições económicas voláteis, tanto no cenário global quanto na China, ajudam a explicar uma queda geral no volume total de comércio entre Suíça e China. Em 2022, as transações somaram 36,3 mil milhões de francos suíços e, no ano passado, caíram para 33,5 mil milhões.

Além da desaceleração do consumo na própria China, a política económica agressiva de Washington procura frear o crescimento da articulação comercial chinesa. Os EUA frequentemente impõem restrições à exportação de tecnologia de ponta para o país — e esperam que o resto do mundo cumpra as mesmas regras.

“Tendo como pano de fundo o conflito comercial em curso entre os EUA e a China, as empresas precisam manter-se bem informadas sobre o ambiente regulatório em todos os mercados relevantes e cumprir os requisitos aplicáveis de controlo de exportação e conformidade”, afirmou um porta-voz da Switzerland Global Enterprise, uma agência governamental que facilita o comércio com outros países.

A proposta de atualização do acordo de livre comércio com a China também corre o risco de ser enfraquecida ou bloqueada pelo parlamento ou pelos eleitores suíços, caso o acordo comercial seja submetido a um referendo popular. Os partidos políticos de esquerda não veem motivo para que as disputas comerciais com os EUA e a UE levem a Suíça cegamente aos braços da China.

Ameaça de referendo

O Partido Verde ameaça levar o assunto para votação popular. “A China monitoriza e persegue as minorias tibetana e uigur na Suíça.

E o trabalho forçado é um problema grave no país”, afirmou a presidente do partido, Lisa Mazzone.

Os social-democratas também exigiram provas de que a China cumprirá as suas promessas de salvaguardar os direitos dos trabalhadores e do meio ambiente.

O andamento arrastado de uma proposta de Acordo de Livre Comércio (ALC) entre os países da EFTA (Suíça, Islândia, Liechtenstein e Noruega) e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — nos relembra de que economia e política estão profundamente entrelaçadas.

Após oito anos de negociações, esse acordo continua paralisado depois que a Câmara dos Deputados rejeitou o TLC em junho. Mesmo que o acordo venha a ser aprovado pelo parlamento, ele também poderá ser contestado por meio de um referendo. In “Swissinfo” - Suíça


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

China - Hengqin já tem mais de 8100 empresas com capitais da RAEM

O lançamento do “Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada” completou cinco anos, tendo diversas estratégias produzido frutos. Segundo o Governo de Hengqin, até ao final de Julho deste ano, o número de empresas de capitais da RAEM em Hengqin aumentou 75% para 8148, em relação ao verificado há cinco anos


No dia 31 de Julho deste ano, o número de empresas de capitais de Macau em Hengqin fixou-se em 8148, ilustrando um aumento de 75,7% face a 2021, ano em que foi oficialmente criada a Zona de Cooperação Aprofundada. Desse modo, as empresas de capitais da RAEM em Hengqin representam 16,2% do total, o que significa que “em cada seis empresas, há uma com gene de Macau”, salientou a Direcção dos Serviços Administrativos e Jurídicos da Zona de Cooperação.

Por ocasião do quinto aniversário da promulgação do “Projecto Geral de Construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, o Governo de Hengqin constata ainda que já foram lançadas 350 medidas de articulação de regras, envolvendo áreas como a economia e comércio, assuntos comerciais e bem-estar da população. Simultaneamente, os serviços correspondentes ao objectivo “Assuntos de Macau tratados em Hengqin cresceram para um total de 474.

Noutra esfera, indica que o “Novo Bairro de Macau” acolhe até ao momento mais de 4000 residentes, ao passo que a Escola de Hengqin Anexa à Escola Hou Kong conta com um total de 970 alunos, do ensino infantil, primário e secundário, estando em preparação a unidade de ensino secundário complementar. Também no âmbito da educação, realça que mais de 1450 alunos de pós-graduação das três universidades públicas de Macau estão a estudar de forma transfronteiriça entre a RAEM e Hengqin.

Por outro lado, revela que, no segundo trimestre do corrente ano, o valor acrescentado das “quatro novas indústrias” em Hengqin atingiu 19,537 mil milhões de renminbis, traduzindo-se num acréscimo homólogo de 7,9%, ocupando 68,1% do Produto Interno Bruto. Paralelamente, até Agosto deste ano, 81 produtos de nove empresas obtiveram as designações “fabricado sob supervisão de Macau”, “produzido sob supervisão de Macau” ou “design de Macau”.

No que respeita ao turismo, na primeira metade deste ano, um dos sinais do “crescimento robusto” do mercado reflecte-se na subida homóloga em 168,7% do volume de participantes nas excursões Hengqin-Macau. No mesmo intervalo temporal, o número de convenções ou exposições realizadas sob o modelo “Um Evento, Dois Locais” de Macau e Hengqin mais do que duplicou face ao período homólogo do ano passado.

Quanto às finanças modernas, garante que têm sido explorados constantemente novos caminhos para fluxos de capital transfronteiriços.

Ademais, sublinha que deverá arrancar este ano a construção da Estação de Comboio Rápido de Hengqin, que se ligará à rede ferroviária nacional de alta velocidade.

Por outro lado, sublinha que o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola tem-se dedicado à criação de “pontes” para empresas expandirem negócios para o estrangeiro. Até Julho deste ano, o Centro estabeleceu parcerias com mais de 200 entidades de mercado e prestadores de serviços profissionais, e celebrou acordos de cooperação estratégica para a expansão internacional com 16 empresas líderes, incluindo a Huawei Macao, JD.com, Kuaishou Technology, Didi Chuxing e China Southern Airlines Technology.

Também até Julho, os 12 bancos-piloto em Hengqin abriram quase 800 contas de comércio livre multifuncionais, movimentando transferências de capitais superiores a 630 mil milhões de renminbis. Por outro lado, até 22 de Agosto, o Posto Fronteiriço de Hengqin tratou mais de mil pedidos para o serviço de reembolso do imposto à saída do território, que impulsionaram 7,3 milhões de renminbis em consumo por parte de visitantes.

Noutro domínio, indica ainda que, desde Fevereiro de 2026, foram filmadas 48 séries no Estúdio Internacional de Cinema e Televisão de Hengqin. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


Macau – Superado apenas pelo Brunei no que diz respeito ao bem-estar da população entre os países ou zonas da Ásia

Depois de ter percorrido um longo roteiro passando por Yunnan, Tibete e outras localidades, o nosso grupo de visita de estudo à China chegou finalmente a Hengqin, uma parte de Zhuhai que parecia uma cidade moderna cuja construção em ilhas Hengqin, atrasadas, começou em 2009, no âmbito da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin desde 2021, com grande dinamismo económico e com um posto de controlo para entrada e saída de Macau.


Com dois anos de trabalho em Macau e algumas visitas posteriores, atravessei imensas vezes a fronteira Macau-Zhuhai pelas Portas do Cerco, onde tinha de passar pelo controlo de Macau e fazer uma caminhada com malas para chegar ao controlo de Zhuhai, ou vice-versa. Mas o posto de Hengqin apresenta um processo totalmente diferente: num enorme salão moderno passámos com malas pelo controlo de Zhuhai e depois, para grande surpresa nossa, o controlo de Macau estava mesmo ao lado, separado apenas por um vidro.

Quando saímos de Macau via Ilha Artificial, ou posto da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, era o mesmo sistema de dois controlos num posto, mas com dois destinos a optar: Zhuhai e Hong Kong. A passagem era tão fácil, sendo realmente uma novidade para mim.

Logo no dia seguinte da nossa chegada, fomos visitar a Macau University of Science and Technology (MUST) e deparei-me com outra novidade: existem agora dez estabelecimentos de Ensino Superior, em contraste com uma, Universidade Ásia Oriental (hoje Universidade de Macau), em 1987 quando trabalhava em Macau. Fundada em 2000, a MUST tem conhecido grandes desenvolvimentos fabricando até um satélite lançado em 2023.

Vimos grandes filas de novos alunos a fazer matrícula, levando malas muitos grandes, a revelar que vinham de outras partes da China.

Tivemos um convívio alegre com professores e alunos do Departamento dos Estudos Portugueses, a ver vídeos sobre Macau, sendo alguns feitos pelos alunos chineses a apresentar, em português, temas referentes à cultura portuguesa em Macau, como a língua, a gastronomia, etc. Seguiu-se uma sessão de perguntas e respostas em português entre visitantes e alunos. A conversa era tão animada que até pedimos para adiar o almoço e todos concluímos que era o ponto alto da nossa viagem.

A senhora Zhang, nossa guia, falou-nos de Macau com orgulho: em relação ao bem-estar do povo, Macau ocupa o 2.º lugar entre países ou zonas da Ásia, superado apenas por Brunei; boas políticas de assistência médica gratuita, sobretudo para idosos e doentes de cancro e problemas mentais; Educação gratuita durante 15 anos e pedidos de subsídios a estudos; subsídio anual em dinheiro, pensão para idosos... Essas novidades foram confirmadas e complementadas pelos meus amigos de Macau.

Esta visita a Macau foi um projeto conjunto da Fundação Macau e da nossa Associação, com a participação de 35 sócios e/ou discentes de chinês, entre os quais muitos pisaram pela primeira vez esta terra longínqua pela qual a China e Portugal cruzaram o seu caminho e a sua sorte durante séculos.

Forneceu-nos, gente simples de Portugal, uma oportunidade de aprofundar a compreensão do desenvolvimento e da realidade de Macau em todas as áreas.

Graças à Fundação Macau, constatámos emocionados, com os próprios olhos, a prosperidade e a estabilidade de Macau, a felicidade e a satisfação do seu povo, a valorização do seu governo da cultura portuguesa e a integração harmoniosa das duas culturas, o que resultou num consenso total: “Depois de voltarmos para Portugal, vamos divulgar com empenho o que vimos e sentimos em Macau − um autêntico exemplo da prática bem-sucedida de 'um país, dois sistemas'.” Wang Suoying – Portugal inDiário de Notícias

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Wang Suoying - Prof.ª Auxiliar aposentada da Universidade de Aveiro e Presidente da Associação Portuguesa dos Amigos da Cultura Chinesa


sábado, 5 de setembro de 2026

Macau - Fórum de Macau antevê “mais condições” para formar bilingues e promover culturas lusófonas

Nos últimos anos, o Fórum de Macau tem procurado promover o intercâmbio cultural sino-lusófono e a difusão da Língua de Camões, com destaque para a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa e as acções de formação de quadros lusófonos, que já produziram frutos como o aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas lusófonas e a elevação do nível do Português entre os jovens de Macau, considera o Secretariado Permanente do organismo. Ao Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado garante que continuará a “criar ainda mais condições favoráveis” à formação de quadros bilingues e à difusão das culturas de língua portuguesa


Criado em Outubro de 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), vulgo Fórum de Macau, tem-se dedicado, além das conferências ministeriais e da consolidação do intercâmbio económico e comercial entre os dois blocos, às esferas do “intercâmbio cultural” e “educação e formação”, designadamente através da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

Numa resposta a questões formuladas pelo Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado Permanente do Fórum sublinha que, nos últimos cinco anos, a Semana Cultural tem evidenciado uma tendência de crescimento contínuo em termos do número de participantes e uma “expansão drástica da influência”, especialmente graças à adopção de um modelo de realização trans-regional do evento a partir de 2025. Isso “reflecte que a actividade possui atractividade e potencial de desenvolvimento fortes”, entende o Fórum, destacando também o “reconhecido papel” da Semana Cultural para a promoção da língua portuguesa.

O organismo considera que esse evento anual, que já acumulou 18 edições, tem sido “eficaz” no aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas dos países de língua portuguesa (PLP), numa “atmosfera cultural relaxante”.

Ao expandir-se para mais cidades do Interior da China, a Semana Cultural contribuiu para fomentar potenciais aprendentes e utilizadores da Língua de Camões, atraindo sobretudo mais jovens. O Fórum mostra-se convicto que, a longo prazo, o evento continuará a contribuir para a expansão gradual do grupo de aprendentes da língua portuguesa, “desempenhando um papel promotor duradouro para a formação de quadros bilingues em Chinês e Português” e também uma função “positiva” para a difusão linguística.

Olhando para o futuro, o Fórum promete optimizar o conteúdo das actividades integradas na Semana Cultural e as formas de realização, com o objectivo de “aproveitar ainda mais as vantagens de Macau como plataforma sino-lusófona”. Desse modo, sustenta, será possível “promover a formação e concentração de mais quadros altamente qualificados para a cooperação económica e comercial e o intercâmbio humanístico entre a China e os PLP”.

Em 2021 e 2022, sob o impacto da pandemia, a Semana Cultural adoptou actividades online e offline, tendo atraído mais de 35 mil visualizações online e cerca de 3000 participantes presenciais, por cada edição. Em 2023 e 2024, com o regresso da sociedade à normalidade, a dimensão de participantes presenciais voltou para cerca de 30 mil pessoas/vezes, segundo dados do Fórum.

Em 2025, pela primeira vez, o evento foi repartido por Macau, Pequim e Zhongshan, modelo inovador que contribuiu para um total de 138 mil participantes, incluindo mais de 115 mil nas actividades offline. Ao mesmo tempo, 23 mil pessoas assistiram às transmissões em directo das actividades pertinentes, o que “ilustra uma expansão notória da escala de participação”.

Quanto a 2026, as estatísticas preliminares indicam que o evento atraiu cerca de 6700 espectadores presenciais e 250 mil das transmissões em directo. Além disso, pelo menos 200 mil leram notícias e reportagens sobre o evento.

A este jornal, o organismo acentua que continuará a aproveitar as vantagens de Macau enquanto plataforma e a ter como base os trabalhos existentes, para “aprofundar continuamente os trabalhos de promoção do Português e de formação de quadros, explorando activamente modelos de promoção mais diversificados, no sentido de criar ainda mais condições favoráveis à formação de quadros bilingues Chinês-Português e à difusão das culturas de língua portuguesa”.

63 colóquios de formação para 1600 lusófonos

Por outro lado, desde a sua criação, em 2011, o Centro de Formação do Fórum de Macau tem vindo a fomentar a cooperação sino-lusófona na área dos recursos humanos. Até à primeira metade deste ano, o Centro já realizou 63 colóquios de formação (incluindo seis online), tendo convidado, no total, mais de 1600 formandos para intercâmbios em Macau, principalmente direccionados a dirigentes governamentais, pessoal técnico ou quadros superiores de algumas instituições, oriundos dos nove países lusófonos.

As áreas de formação incluem administração pública, economia e comércio, finanças, saúde, educação, entre diversos domínios. Ao mesmo tempo que oferece formação a oficiais governamentais lusófonos e os leva a “participar em várias actividades económicas e comerciais de relevo no Interior da China e em Macau”, e em visitas a províncias e cidades do Continente chinês, o Centro de Formação tem convidado instituições de ensino superior de Macau para a organização das respectivas acções de formação. Assim, “aproveitou as vantagens educacionais da RAEM e fomentou uma atmosfera propícia para os jovens locais contactarem com o Português e conhecerem culturas dos países lusófonos”.

Embora não tenha estatísticas concretos sobre o número de alunos, jovens e professores locais envolvidos anualmente nos colóquios de formação, o Fórum constata que, no âmbito desses programas, jovens locais puderam participar em actividades económicas e comerciais e visitas no Continente chinês e na RAEM. Envolveram-se nessas iniciativas como voluntários, tradutores presenciais ou guias, e utilizaram o Português em cenários reais de trabalho.

“Através do intercâmbio e da partilha de experiências com profissionais de diversas áreas dos PLP, conseguiu elevar-se o nível da língua portuguesa de jovens de Macau num ambiente imersivo, com alargamento da sua visão internacional” e, em paralelo, “aprofundou-se o seu conhecimento sobre culturas de diferentes países lusófonos”, conclui o Fórum, asseverando que os jovens locais “demonstraram grande entusiasmo” nessas actividades e têm dado um “feedback positivo”. De um modo geral, acredita que os colóquios de formação e outras actividades assumem um “papel promotor positivo” no crescimento dos jovens de Macau.

Acções “a múltiplos níveis”

Por outro lado, o Fórum realça que, ao longo da última meia década, um dos reflexos do seu empenho em aproveitar as funções abrangentes da RAEM enquanto plataforma de serviço para a cooperação comercial entre a China e os PLP assenta na “promoção activa a múltiplos níveis” dos trabalhos relacionados com a divulgação da língua portuguesa e a formação de talentos, tanto a nível académico como no que respeita ao intercâmbio cultural, à tradução de obras literárias e à participação juvenil.

Por outro lado, o Fórum frisa que tem apoiado instituições no estabelecimento de plataformas de investigação focadas na cooperação sino-lusófona. A título de exemplo, menciona o apoio ao Instituto de Gestão de Macau para a criação da “Aliança de Estudos da Cooperação China-Países de Língua Portuguesa” em 2025, que perspectiva a integração de recursos de investigação locais, mobilizando instituições de ensino superior, centros de reflexão, especialistas e forças de diversos sectores do Interior da China e dos PLP, para promover conjuntamente o desenvolvimento da plataforma sino-lusófona e o aprofundamento da investigação nas áreas relevantes.

O Fórum salienta também que tem impulsionado activamente trabalhos de tradução e publicação de obras literárias de autores lusófonos, incluindo de escritores angolanos para chinês. Iniciativas desse género ofereceram a mais leitores chineses a oportunidade de conhecer e compreender a criação literária nos países lusófonos, contribuindo assim para promover, a um nível mais amplo, o intercâmbio cultural e a promoção linguística, enfatiza.

Paralelamente, o Fórum aponta para o apoio concedido a actividades de inovação vocacionadas para jovens, tal como o “Concurso de Vídeos Curtos para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa 2026”, para estimular o interesse e entusiasmo pelo universo cultural lusófono. Ademais, tem recorrido a “variadas exposições e convenções económicas e comerciais” e “actividades de divulgação”, por forma a proporcionar uma “janela de exibição” para as culturas lusófonas ao promover a cooperação económica e comercial. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Macau é um “tesouro” jurídico que liga China e a Lusofonia

A Universidade de Macau acolheu o Fórum sobre a Herança e o Desenvolvimento do Direito Continental, durante o qual discursaram a Comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China e o Secretário para a Administração e Justiça. Em matérias de justiça, Bian Lixin descreveu Macau como “um tesouro de encontro sino-ocidental”, enquanto Wong Sio Chak realçou a “tradição típica do direito continental” do sistema jurídico da RAEM


Para a Comissária do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM, Macau é “um local tesouro de encontro sino-ocidental e um palco de abraçamento da diversidade”, assim como “uma ponte de ligação” entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). Segundo um comunicado do Gabinete do Secretário para a Administração e Justiça, Bian Lixin também disse esperar que a RAEM “aproveite bem as suas condições privilegiadas para explorar os tesouros da cultura jurídica chinesa e ocidental” e promover em conjunto “o progresso da civilização do Estado de Direito humano”.

Ao abrigo do tema “Construção conjunto um impulso para o desenvolvimento sustentável: intercâmbio de experiências em direito continental”, Bian Lixin discursou durante o Fórum sobre a Herança e o Desenvolvimento do Direito Continental, co-organizado pelo Comissariado que lidera, pelo Governo da RAEM e pelas Universidades de Macau (UM) e da Ciência e Tecnologia de Macau (UCTM). Na ocasião, aproveitou também para realçar “os resultados históricos obtidos na construção do Estado de Direito socialista com características chinesas para uma nova era” e o papel da China na defesa e construção do Estado de Direito internacional.

“Desde o retorno de Macau à Pátria, o Governo Central da China tem garantido, nos termos da lei, o sucesso da implementação do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau”, vincou a Comissária. Asseverou também que o Governo Central “irá construir e aperfeiçoar, de forma contínua, a rede jurídica de cooperação internacional da RAEM”.

Relativamente ao Fórum, Bian Lixin pediu um “reforço da aprendizagem mútua do Estado de Direito para o desenvolvimento nacional, a injecção de uma nova vitalidade na renovação para o acompanhamento da evolução dos tempos do direito continental e o contributo da sabedoria para a construção de uma comunidade de destino comum da humanidade”, segundo o comunicado.

À semelhança da Comissária, o Secretário para a Administração e Justiça, referiu que “o sistema jurídico de Macau tem uma tradição típica do direito continental, que não só consiste numa parte importante da história e cultura local, mas também constitui o elo particular do Estado de Direito que liga a China e a Europa e os PLP”.

Wong Sio Chak também disse esperar que o Fórum que teve lugar na UM ajude a “reforçar o intercâmbio e a cooperação entre Macau e os países do direito continental no domínio do Estado de Direito”, assim como “partilhar as experiências únicas do direito continental na prática em diversos países e regiões e explorar conjuntamente as perspectivas do seu desenvolvimento”.

O Secretário apontou para o 3.º Plano Quinquenal, que “indica o reforço da colaboração eficiente entre os poderes executivo e legislativo, a promoção da modernização do sistema jurídico, o aperfeiçoamento do sistema e dos mecanismos judiciais, o aprofundamento da cooperação jurídica inter-regional e internacional” e empenho “na construção de uma Macau moderna alicerçada no Estado do Direito”.

O Fórum contou ainda com a presença de Zhang Yingjie, subdirector do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau, Vong Hin Fai, presidente da Associação dos Advogados de Macau, e mais de 120 representantes do Governo da RAEM, de organizações jurídicas locais e de universidades. O programa incluiu discursos temáticos dos professores Xu Xianming, vice-presidente do Comité Consultivo da Suprema Procuradoria Popular, e Eduardo Vera-Cruz Pinto, director da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Macau e Malásia têm “enorme potencial” para aprofundar cooperação bilateral

O Chefe do Executivo da RAEM iniciou em Kuala Lumpur a última etapa do périplo pelo Sudeste Asiático, tendo-se reunido com representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio da Malásia. Sam Hou Fai apontou a Malásia como um dos parceiros comerciais mais importantes de Macau na ASEAN


No primeiro dia da sua visita oficial a Kuala Lumpur, Sam Hou Fai reuniu-se ontem com Low Kian Chuan, membro do Senado malaio e presidente do conselho empresarial Malásia-China e vários representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio naquele país. No encontro, foram trocadas impressões sobre o reforço contínuo da cooperação económica e comercial entre Macau e a Malásia.

Na ocasião, Sam Hou Fai salientou que a deslocação do Presidente Xi Jinping à Malásia no ano passado abriu um novo capítulo de “período dourado de 50 anos” para as relações sino-malaias e novas oportunidades de cooperação entre Macau e aquele país do Sudeste Asiático. O Chefe do Executivo referiu que a Malásia é um dos parceiros comerciais mais importantes da RAEM na região da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), e a cooperação entre as duas partes tem sido aprofundada nos domínios da economia, comércio, indústria de convenções e exposições e turismo ao longo dos anos.

Recordou que o território está actualmente empenhado em implementar a estratégia “1+4” para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia, desenvolvendo as indústrias de turismo e cultura, medicina tradicional chinesa, actividades financeiras com características próprias de Macau e tecnologia de ponta, “o que se coaduna perfeitamente com a orientação de desenvolvimento da Malásia, existindo um forte potencial para aprofundar a cooperação bilateral”.

De acordo com uma nota oficial, Sam Hou Fai frisou que a inclusão na sua comitiva de um grupo empresarial, composta por representantes de empresas de Macau, Hengqin e do Interior da China, permitirá explorar oportunidades de negócio sob o lema de “Partilhar um barco para navegar em conjunto”. Estas empresas englobam vários domínios, entre os quais economia e comércio, tecnologia, medicina tradicional chinesa, cultura e turismo, bem como indústria halal.

O líder da RAEM espera que possam ser criadas, através de sessões de promoção, bolsas de contacto e assinatura de acordos de cooperação, que resultará “numa ponte de ligação”, a fim de aumentar as oportunidades de cooperação e alcançar benefícios mútuos. Em particular, expressou o desejo de que os representantes dos chineses ultramarinos e câmaras de comércio na Malásia “potenciem as próprias vantagens e aproveitem as oportunidades decorrentes da integração entre Macau e Hengqin e do aprofundamento contínuo da cooperação entre Macau e a Malásia”.

Por seu turno, o presidente do conselho empresarial Malásia-China sublinhou que as duas partes mantêm contactos frequentes e laços estreitos, indicando ainda que Macau possui uma “plataforma internacional madura” para convenções e exposições, uma rede global de empresários chineses bem como desempenha o papel de “interlocutor de precisão” entre a China e os países de língua portuguesa e é parte importante da Grande Baía. Além disso, Low Kian Chuan disse que o reforço da cooperação económica e comercial entre as empresas malaias e as de Macau e de Hengqin contribui para “expandir de forma eficaz os seus mercados para a Grande Baía e para os países de expressão portuguesa e espanhola.

Na sua perspectiva, a comunidade dos chineses ultramarinos em Macau possui uma base sólida e desempenha um “papel importante na sociedade”. Nesse sentido, pode ajudar os chineses ultramarinos a investir e estabelecer-se em Macau e em Hengqin, e ainda funcionar como “uma ponte ideal para estabelecer ligações e promover a cooperação entre as diferentes partes”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 1 de setembro de 2026

China - Como a falta de mulheres faz homens caírem em fraudes

Aos 37 anos, Wang Zhuang quase havia perdido a esperança de encontrar uma esposa, até que viu anúncios de agências matrimoniais. Elas prometiam que ele não precisaria de perder anos a construir um relacionamento sem futuro e ofereciam-se para apresentá-lo a uma mulher recatada e dedicada.


“As agências disseram que as mulheres de Guizhou são frugais”, conta Wang. “Disseram que são boas em administrar uma casa, capazes de fazer os trabalhos domésticos e que as suas famílias são muito pobres. Por isso, depois de se casarem, elas estabelecer-se-iam e viveriam uma vida comigo”.

Então Wang viajou para Guiyang, cidade na província de Guizhou, no sudoeste da China, na esperança de encontrar a sua alma gémea. E realmente pensou tê-la encontrado quando foi apresentado a uma mulher que parecia preencher todos os requisitos.

Encontraram-se algumas vezes e acabaram por casar. Mas, quase tão rapidamente como a sua nova vida começou, tudo acabou. “A minha família inteira ficou num caos”, diz, balançando a cabeça. Ainda está a tentar recuperar-se mais de um ano depois de descobrir que era mentira tudo o que a esposa lhe havia dito. Afinal, ela trabalhava num karaoke, tinha-se casado três vezes, tinha três filhos, uma grave infecção sexualmente transmissível e estava profundamente endividada.

Agora, Wang luta pelo divórcio e não pode retomar a sua antiga vida, pelo menos até recuperar parte das economias, que, segundo ele, pagou à agência poucas horas depois de ser apresentado a várias pretendentes em potencial. “Os meus pais culpam-me. Tenho insónias e ansiedade. Não consigo concentrar-me no trabalho”, conta.

A história de Wang é um sintoma extremo da crise demográfica que se formou na China. Durante décadas, o Partido Comunista decretou que os casais só poderiam ter um filho. Reverteu essa decisão em Janeiro de 2016, mas, até então, a política do filho único, juntamente com a preferência por meninos, produziu um número cada vez menor de mulheres e um gritante desequilíbrio de género.

Agora, há 30 milhões de homens a mais do que mulheres no país. Isso deixou homens como Wang, que estão perto dos 40 anos e vivem em cidades menores ou áreas rurais remotas, com poucas opções. As mulheres nesses locais podem dar-se ao luxo de ser exigentes, pois sabem que são desejadas.

“Os requisitos para os homens são muito altos na minha cidade. Precisam de ter um carro, uma casa e a família deve ter um negócio”, queixa-se.

Muitas famílias também exigem um alto “preço da noiva”, um antigo costume chinês em que a família do noivo dá dinheiro à noiva. Nalgumas partes da China, onde os homens superam em muito o número de mulheres, isso tornou-se um fardo financeiro significativo.

Daí o apelo de agências de encontros como as de Guizhou, que propõem uma solução rápida e completa, um “casamento relâmpago”.

O ramo de encontros não é novidade na China, mas muitas agências parecem ter encontrado alvos vulneráveis em homens que têm dificuldade em encontrar parceiras à medida que envelhecem. Tanto que a mídia estatal noticiou recentemente que o sector teve um “crescimento rápido” que “gerou práticas ilegais e caos”.

É difícil determinar a dimensão desse tipo de fraude em toda a China, mas ela cresceu o suficiente para chamar a atenção das autoridades chinesas.

No entanto, Wang estava convencido de que podia confiar na agência depois de esta garantir fazer uma verificação completa de antecedentes e que ele teria direito a indenização caso fosse vítima de fraude. Então, ele pagou, e as apresentações começaram.

Wang conheceu sete mulheres em diferentes salas de “encontros às cegas” ao longo de alguns dias, sob a supervisão atenta da equipa da agência. Fazia perguntas sobre a origem delas, se já haviam sido casadas e se tinham filhos.

Ele apaixonou-se pela oitava mulher que conheceu. Ela vestia-se de forma muito simples, “parecia introvertida e honesta”, lembra.

Encontraram-se quatro ou cinco vezes, por apenas oito a 10 minutos cada vez. Wang diz que receberam instruções rigorosas para não trocarem números de telefone ou quaisquer detalhes em mensagens privadas, sob pena de serem multados.

Depois de dois ou três dias, Wang decidiu que ela era a pessoa certa e concordou em pagar um dote substancial. “Gastei mais de 300 mil yuans”, diz, com uma pilha de documentos legais na mão para comprovar. “Se incluir o banquete de casamento e tudo mais, gastei entre 400 e 500 mil yuans”.

Porém, apenas alguns meses após o casamento, cobradores de dívidas começaram a ligar, alegando que ela lhes devia dinheiro. Wang ficou desconfiado e quis saber o que mais ela lhe escondera. No telemóvel dela encontrou detalhes da sua vida anterior como a certidão de nascimento e documentos de um casamento anterior.

Quando a confrontou, ela ofereceu-lhe o divórcio, mas recusou devolver um único centavo do dote. Quando voltou ao escritório, a agência tinha desaparecido.

Agora, Wang passa o tempo a fazer vídeos para as redes sociais, tentando alertar outros homens. E encontrou outros homens que também caíram na fraude. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências internacionais”


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

China – Universidade do Porto lidera universidades portuguesas no ranking de Xangai 2026

A Universidade mantém-se entre as melhores do mundo no ARWU 2026 e surge à porta do grupo das 200 universidades com maior produção científica


A Universidade do Porto volta a liderar a representação portuguesa no Academic Ranking of World Universities (ARWU), ao surgir, a par da Universidade de Lisboa, no grupo das universidades posicionadas entre os lugares 301 e 400 do mundo na edição de 2026 do mais antigo e um dos mais prestigiados e completos rankings internacionais do ensino superior.

Elaborado pela Shanghai Ranking Consultancy, o conhecido “ranking de Xangai” avaliou este ano mais de 2500 instituições de ensino superior de todo o mundo com base em indicadores (ver metodologia) relacionados com a qualidade da investigação e da produção científica, bem como com o desempenho académico per capita das instituições.

À semelhança das edições anteriores do ranking, a Universidade do Porto regista a sua melhor pontuação – 42,2 pontos – no indicador referente ao número de artigos indexados nos Science Citation Index-Expanded e Social Science Citation Index da Web of Science, em 2025. Uma prestação que coloca a U.Porto à porta do grupo das 200 universidades (202.ª) que mais Ciência produzem a nível mundial.

A instituição portuense regista ainda classificações de relevo nos indicadores relativos ao número de artigos publicados nas revistas Nature e Science nos últimos cinco anos (328.ª a nível mundial); desempenho global da instituição por docente (350.ª) e número de investigadores altamente citados (503.ª).

Mais investimento para “acompanhar o ritmo”

Apesar de manter “uma posição cimeira no contexto nacional e internacional no ARWU 2026”, a universidade mais procurada pelos melhores estudantes em Portugal regista uma descida no ranking deste ano, depois de cinco anos entre as 300 melhores do mundo. Uma realidade que é comum à generalidade das universidades portuguesas e que, para o Reitor da U.Porto, deve ser analisada num “contexto de fortíssima competição internacional”.

“Nos últimos anos, temos assistido a um forte investimento no ensino superior e na investigação por parte de vários países, em particular na Ásia, frequentemente concentrando recursos num grupo restrito de universidades, por forma a potenciar a sua posição nos rankings internacionais. Esses desenvolvimentos estão a alterar o panorama global da ciência e a tornar os principais rankings internacionais cada vez mais exigentes”, nota Pedro Nuno Teixeira.

O Reitor aponta o exemplo de vários países europeus, “como é o caso de Espanha” [que este ano viu oito universidades saírem do ARWU 2026], onde já se observam “dificuldades em acompanhar o ritmo dos sistemas que mais têm investido no ensino superior e na investigação”. Neste contexto, considera que os resultados agora divulgados reforçam a importância de Portugal adotar “políticas de financiamento consistentes e sustentadas”, de modo a que “as nossas universidades possam competir em condições comparáveis”.

Ainda assim, Pedro Nuno Teixeira destaca a capacidade da U.Porto para continuar a afirmar-se entre as melhores instituições do mundo. “A Universidade do Porto tem conseguido resultados muito significativos face ao nível de financiamento público que recebe e continuará empenhada em reforçar a qualidade da sua investigação, da sua formação e da sua capacidade de atração de talento”, sublinha.

Liderança partilhada em Portugal

Na comparação com as outras universidades portuguesas presentes no ARWU 2026, a U.Porto volta então a ser a melhor classificada, a par da Universidade de Lisboa.

Seguem-se: a Universidade de Coimbra, colocada entre as 401 e 500 melhores; a Universidade de Aveiro, no grupo das 501-600 melhores; a Universidade Nova de Lisboa, no grupo das 701-800 melhores; e a Universidade do Minho, no grupo das 801-900 melhores.

A nível global, o ARWU é liderado, pelo 24.º ano consecutivo, pela Universidade de Harvard (EUA). Seguem-se a Universidade de Stanford (EUA), o MIT – Massachusetts Institute of Technology (EUA) e as universidades de Cambridge (Reino Unido) e Berkeley (EUA).

A primeira instituição não anglo-saxónica classificada – em 13.º lugar – é a Universidade de Paris-Saclay (França), parceira da U.Porto na European University Alliance for Global Health (EUGLOH). Universidade do Porto - Portugal


domingo, 30 de agosto de 2026

Macau - Universidades portuguesa e macaense querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia

A Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia, disse a cientista Elvira Fortunato

Em abril, o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL inaugurou o Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica, que ficou sediado em Macau.

Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA, voltaram esta semana à região chinesa, onde chegaram a acordo com a MUST para a formação de estudantes, a partir do laboratório conjunto.

A universidade chinesa quer enviar para a UNL, a partir do próximo ano letivo, 2027/2028, alunos de mestrado e de doutoramento “com supervisão conjunta”, explicou Fortunato.

A cientista sublinhou que o Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST tem, “este ano, pela primeira vez” 87 alunos de licenciatura na área das nanotecnologias.

Um programa que é “único aqui em Macau e não há muitos no mundo”, acrescentou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024).

A UNL não tem uma licenciatura similar, mas Rodrigo Martins acredita que será possível uma adaptação, com os alunos de Macau a estudarem um ou dois anos em Lisboa.

O também Presidente da Academia Europeia de Ciências acredita que já em 2027 o i3N-NOVA poderá receber entre 20 e 30 alunos de licenciatura da MUST, entre 10 e 15 de mestrado e entre cinco e dez de doutoramento.

“A ideia é trazermos também professores para aqui, em períodos curtos”, explicou o cientista, para desenvolver projetos de investigação, que possam ainda “apoiar a formação dos alunos de doutoramento”.

Martins defende ainda que abrir as portas a alunos de licenciatura da MUST pode permitir à UNL “fazer uma internacionalização”, uma vez que Macau “vai fazer a ponte, provavelmente, no futuro, com a China”.

O reitor do Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST admitiu à Lusa estar entusiasmado porque os alunos “poderão aceder a excelentes oportunidades educacionais em Portugal”.

O objetivo, explicou Lee Shuit-Tong, é que “a próxima geração de cientistas chineses tenha o benefício desta formação multicultural e científica e tecnológica de ponta” em Lisboa.

No sentido contrário, o reitor espera a também ida para Macau de alunos da UNL, tanto portugueses como de outros países lusófonos, em uma “excelente plataforma para promover tanto a educação como a investigação”.

No futuro, Lee espera que a colaboração leve à criação de cursos em co-tutela, em que os alunos receberiam diploma das duas instituições. “Gostaríamos que fosse de cotutela e penso que os estudantes também”, explicou.

A MUST vai pedir autorização ao Governo de Macau para avançar com programas conjuntos e Lee, membro da Academia Chinesa de Ciências, disse estar otimista sobre a resposta.

“Este é também o desejo tanto do Governo de Macau como também do país. Porque Macau tem uma missão muito específica de ser uma espécie de janela da China para o mundo, particularmente na área da ciência e da tecnologia”, explicou Lee.

Durante a passagem pela China, Elvira Fortunato soube que foi distinguida com o Prémio de Amizade Chinês, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos por Pequim a personalidades estrangeiras.

A cerimónia de entrega do prémio a Fortunato terá lugar em Pequim, em 30 de setembro, precisamente um ano depois de ter sido o marido Rodrigo Martins a receber a mesma distinção.

O prémio criado em 1950 já foi entregue a cerca de duas mil pessoas, mas Elvira Fortunato e Rodrigo Martins são o primeiro casal a conquistá-lo.

“É um orgulho muito grande, não só para nós, mas acima de tudo, também para Portugal”, disse Fortunato.

Rodrigo Martins confessou que deverá aprofundar ainda a colaboração com a China, após se jubilar, o que irá acontecer já em setembro, tornando-se coordenador de um outro laboratório sino-europeu.

O Laboratório Conjunto de Materiais Eletrónicos China-União Europeia nasceu em Hefei, capital da província de Anhui, no leste da China, e, no lado europeu, é liderado pela UNL. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”

 

sábado, 29 de agosto de 2026

China - Reforma abre novas oportunidades a advogados portugueses em Macau

Os advogados de Macau, incluindo os portugueses, vão poder, a partir de 01 de setembro, exercer em nove cidades do sul da China, segundo uma reforma aprovada pelo parlamento chinês


O Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão legislativo máximo da China, aprovou na sexta-feira alterações à lei que regula o exercício da advocacia.

As mudanças abrem as portas da região da Grande Baía a advogados das duas regiões semiautónomas de Macau e Hong Kong, que passam a poder prestar serviços jurídicos específicos nas áreas cível e comercial.

A Grande Baía é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

Para exercer na província vizinha, os advogados de Macau terão de primeiro passar num exame jurídico organizado pelo departamento de administração judicial do Conselho de Estado (o Executivo chinês).

O mesmo departamento irá definir também os requisitos de inscrição para o exame, os procedimentos de candidatura para o exercício da advocacia e o âmbito da prática permitida.

O secretário para a Justiça de Hong Kong, Paul Lam Ting-kwok, disse que a reforma aprovada pelo parlamento acaba por tornar definitivo um programa-piloto lançado em agosto de 2020.

Paul Lam sublinhou que, em junho, o programa já permitia que mais de 650 advogados de Hong Kong e Macau prestassem serviços jurídicos na Grande Baía em matéria civil e comercial.

Alguns atuaram perante tribunais da China continental como representantes em litígios e conduziram casos de arbitragem, acrescentou o dirigente, num comunicado.

Em 2024, o presidente da Associação dos Advogados de Macau, Vong Hin Fai, disse que, dos cerca de 450 inscritos, 40% eram oriundos de países lusófonos e 80% dominavam a língua portuguesa.

Vong Hin Fai falava antes de liderar uma delegação da Ordem de Advogados de Macau numa visita a Portugal, onde se encontrou com a Ordem dos Advogados de Portugal.

No entanto, não houve qualquer anúncio sobre uma eventual reativação de um protocolo entre as duas ordens que facilitava a inscrição e o início do exercício para advogados portugueses em Macau, e que está suspenso desde 2013. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

China - Cidade universitária de Macau e Hengqin com regime de mobilidade académica

As três universidades de Macau, instaladas na Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin, vão adoptar um programa de mobilidade académica, permitindo aos alunos frequentarem disciplinas em outras instituições com a devida creditação. O regime vai ser implementado já no próximo ano lectivo


A partir do próximo ano lectivo de 2026/2027, os alunos que estudam na Cidade (Universitária) de Educação Internacional de Macau e Hengqin vão poder frequentar disciplinas em regime de mobilidade académica entre as instituições.

As três instituições de ensino superior públicas, nomeadamente a Universidade de Macau (UM), a Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Turismo de Macau (UTM), já estão neste mês a estabelecer-se no espaço. Os alunos matriculados numa instituição de ensino superior podem frequentar temporariamente disciplinas noutra universidade parceira, mantendo o vínculo e garantindo a obtenção dos créditos no curso de origem.

As instituições vão ainda, a partir do ano lectivo 2027/2028, lançar cursos de microcredenciação abertos à escolha interuniversitária, enquanto as disciplinas interuniversitárias serão também creditadas, revelou O Lam, secretária para os Assuntos Sociais e Cultura.

Com o novo modelo de cooperação, o Governo espera alcançar a partilha de recursos curriculares para formar mais “quadros qualificados pluridisciplinares”. “As instituições podem tirar partido dos seus recursos de excelência para formar talentos, promovendo assim uma colaboração profunda entre as três instituições”, salientou O Lam, na conferência de imprensa de terça-feira sobre o 3.º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico de Macau.

A construção da Cidade Universitária é dividida em três fases, estando o campus da primeira fase já em pleno funcionamento. De acordo com o Executivo, mais de 1450 estudantes de pós-graduação, incluindo mestrandos e doutorandos de três universidades públicas, vão começar o estudo neste campus no próximo ano lectivo, sendo que a grande maioria já se instalou no espaço.

Segundo prevê o planeamento do Governo, a Cidade Universitária, com início da primeira fase da actividade lectiva em Agosto deste ano, deve operar em regime experimental o novo campus da UM na Ilha da Montanha em 2028, concluindo totalmente a sua construção e entrando em funcionamento até 2029. O plano quinquenal estabelece ainda que o projecto deverá concluir a construção dos campus da UPM e da UTM em 2030.

O Governo sublinha que o projecto adopta os princípios de “disposição unificada, concepção coordenada, abertura e partilha”, quer na gestão do campus e nas operações logísticas dos alojamentos, quer no trabalho pedagógico.

Além disso, as autoridades querem alargar os recursos do ensino superior de Macau e apoiar mais instituições de ensino superior públicas e privadas de Macau que reúnam condições para alargar o seu ensino a Hengqin.

O Lam considera que o projecto da Cidade Universitária é um eixo para o Governo impulsionar o desenvolvimento integrado da educação, tecnologia e talentos. As instituições de ensino superior, segundo a secretária, serão incentivadas a estruturar redes de cooperação entre a produção, o ensino e a investigação, de forma a apoiar a reserva de quadros qualificados de Macau.

A primeira fase do projecto da Cidade Universitária localiza-se na Praça Dezhi, em Hengqin, ocupando uma área de construção de cerca de 65 mil metros quadrados.

As informações adiantadas pelos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) no início deste mês apontam que as obras principais foram já concluídas e entregues, encontrando-se prontas as instalações que incluem edifícios lectivos e administrativos, edifícios de dormitórios, cantinas, auditórios e salas para experiências de investigação científica, entre outras.

As três instituições de ensino superior públicas vão lançar, no primeiro ano de funcionamento neste espaço, cursos de pós-graduação em áreas como Inteligência Artificial, Microelectrónica, Big Data e Internet das Coisas, e Gestão de Indústrias Culturais e Criativas, para “acompanhar as necessidades de desenvolvimento do País e da região”.

As universidades asseguram ainda que vão continuar a promover a realização conjunta de cursos e aprofundar a cooperação na investigação científica com instituições de ensino superior internacionais e do interior da China. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”