Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Brasil - Sete empresas na primeira edição de 2019 da Première Vision Paris

Termina amanhã, 14 de fevereiro, a Première Vision Paris, tradicional feira parisiense de têxteis, design, insumos e couro que conta este ano com sete empresas brasileiras. A malharia Savyon, a empresa de insumos Moltec e os estúdios de design Dash Studio, Oficina Caramelo, Studio Aurum, Estúdio Icertain e Nomad Studio, todos participantes do Texbrasil (Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira) — desenvolvido pela Abit em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) – marcam presença na primeira edição de 2019 da PV Paris, que apresenta os lançamentos primavera/verão 2020 a compradores do mundo todo.

O Estúdio Icertain preparou uma coleção exclusiva para os visitantes. Nas estampas, a brasilidade aparece em elementos como o caju, os búzios, pássaros e em cores mais puxadas para o azul e o verde água. Já o Nomad Studio, promete se destacar dos demais 1900 expositores com a coleção Nativa, também baseada no Brasil, porém dando mais destaque para as nossas belezas naturais, com paleta de cores focada no nosso pôr do sol.

Daniel Carvalho Ayres, designer no Nomad, conta que esta é a primeira vez que o estúdio participa da PV e as expectativas são as melhores: “escolhemos a Première Vision Paris para iniciar a nossa jornada de internacionalização. É um dos maiores e mais importantes eventos do gênero e realmente esperamos que essa experiência abra novos mercados”.

De acordo com Lilian Kaddissi, gerente executiva do Texbrasil, a feira é o evento mais importante da temporada. “A PV Paris é muito tradicional e o ambiente perfeito para as empresas que querem entrar no mercado europeu”, conta. E finaliza: “nesses três dias, os participantes da delegação brasileira vão conhecer ótimos compradores e o ambiente é propício para saírem negócios”.

Sobre o Texbrasil

 O Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira (Texbrasil) atua junto às empresas do setor têxtil e de confecção no desenvolvimento de estratégias para conquistar o mercado global. Ao longo de quase 20 anos, já auxiliou cerca de 1500 marcas a entrar na trilha da exportação, realizando USD 3,6 bilhões em negócios. O Programa é conduzido pela Abit em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). In “Apex- Brasil” - Brasil

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

França - Associações do mundo lusófono promovem a aprendizagem da língua portuguesa

«A língua portuguesa sofre de uma péssima imagem junto dos franceses, e um dos eixos da campanha que vamos promover é mudar essa imagem e fazer do português uma língua atrativa também para os franceses. O português ainda é visto como uma língua de imigração (para os franceses) e não tem o prestígio de uma língua estrangeira como, por exemplo, o chinês», afirmou Anna Martins, presidente da associação Cap Magellan, em declarações à agência Lusa.

A Cap Magellan coordenou este fim de semana na Maison du Portugal, na Cidade Internacional Universitária de Paris, a segunda edição dos Estados Gerais da Lusodescedência. Esta iniciativa reuniu mais de 120 pessoas entre portugueses, cabo-verdianos, brasileiros e angolanos para encontrar estratégias de promoção do ensino do português em França e lançar uma campanha nacional para incentivar a aprendizagem desta língua.

Apesar da língua portuguesa ainda ser considerada como uma língua de imigração, a perceção tem vindo a mudar nos últimos anos. «Do ponto de vista político até nem houve grande evolução, mas nas mentalidades francesas vi as coisas a mudarem aos poucos e tenho visto ainda mais nos últimos anos com o acréscimo do turismo francês em Portugal», afirmou Paul Branquinho, professor de português na escola básica e no liceu de l'Ivroise, em Brest.

Se, por um lado, este professor tem mais alunos lusodescendentes ou do mundo lusófono até ao 9º ano, esta mudança de atitude em relação ao português já é mais visível no liceu. «É nesse público que observamos os efeitos da divulgação da cultura lusófona através de manifestações como o desporto, da canção - e aqui também falo de canções brasileiras que fazem sucesso em França - e ainda com o facto de o português ser uma instituição no nosso estabelecimento», acrescentou Paul Branquinho.

Segundo este professor, falta agora ao português «um lóbi organizado» para promover o seu ensino, contando que na sua região há já «uma estratégia de propaganda» que tem funcionado com a promoção de viagens de estudo anuais a Portugal e da divulgação da cultura portuguesa.

João Gil, coordenador da iniciativa ‘Portugal Maior’ que vai realizar um inventário dos músicos profissionais portugueses e dos grupos musicais com atividade regular no estrangeiro junto das comunidades portuguesas, esteve presente neste encontro em Paris e considera que a articulação entre Portugal e as associações é a chave do sucesso da língua portuguesa.

«Estamos em contacto, articulando tudo o que é organismo público e não público de forma a comunicar a nossa identidade portuguesa, seja através da língua, seja através da música e até como já acontece com o futebol. Claro que a música é um fator de união brutal e vamos aproveitá-la para darmos um passo em frente no enorme divórcio que tem acontecido entre as partes que compõem Portugal», afirmou o músico.

Este encontro em Paris serviu também para traçar um plano de ação que deverá estar implementado em setembro de 2019, a tempo do regresso às aulas. Desde aprender a como abrir uma turma de português, discutiu-se também como comunicar a campanha do ensino desta língua, definiu-se um calendário e pensou-se como financiar uma campanha desta amplitude, sendo que uma das ideias possíveis será recorrer ao 'crowd funding', muito utilizado por diversas iniciativas cívicas em França. In “Revista Port. Com” - Portugal

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

França – Obras de arte devem regressar às antigas colónias

Restituição deve ser feita sem reservas e começar já no próximo ano, recomenda o estudo feito a pedido do Presidente francês. Documento promete lançar o debate a nível internacional



Foi em Março que o Presidente Emmanuel Macron encomendou a Bénédicte Savoy e a Felwine Sarr um estudo sobre o património de origem africana nas colecções públicas francesas. O relatório de 100 páginas que produziram será apresentado hoje, sexta-feira, mas as suas linhas mestras são já conhecidas e levam a uma recomendação taxativa – França deve restituir sem reservas todas as obras dos seus museus que foram retiradas “sem consentimento” das antigas colónias francesas em África. Uma recomendação que tem potencial para abrir um precedente ou, pelo menos, para lançar o debate noutros países que tiveram domínios coloniais, incluindo Portugal.

A restituição plena aos museus africanos, e não o empréstimo de longa duração, deve ser a prática generalizada no que toca a objectos do período colonial, defendem a historiadora de arte francesa e o economista e escritor senegalês, deixando de fora apenas aqueles cuja presença em França resulte de uma comprovada aquisição “legítima”.

Pôr em prática as recomendações expressas no relatório (editado pelas Éditions du Seuil num volume de 230 páginas, incluindo anexos) será tudo menos fácil para o Presidente francês, que também nesta matéria enfrenta forte oposição, a começar pelos directores dos museus, que temem ver esvaziadas as suas colecções. No topo das preocupações dos que questionam a exequibilidade de um eventual programa de restituição está o Quai Branly, o Museu das Artes e Civilizações da África, Ásia, Oceania e Américas, obra de regime do antigo chefe de Estado Jacques Chirac, que tem 70 mil peças africanas no seu acervo.

Mesmo sujeito a pressões várias, Emmanuel Macron não pode ignorar o compromisso político que assumiu em Novembro do ano passado ao dizer, durante um périplo oficial por África, que a devolução “permanente ou temporária” de património àquele continente era uma “prioridade” do seu mandato. “O património africano (…) deve ser valorizado em Paris, mas também em Dacar, Lagos e Cotonu”, sublinhou Macron, em visita ao Burkina Faso. “Esta será uma das minhas prioridades. Daqui a cinco anos prevejo que estejam reunidas as condições para o regresso do património africano a África.”

Foi a primeira vez, escreveu-se em vários jornais, que um Presidente abordou de forma tão directa a questão da arte africana dos museus franceses depois da descolonização.

Lembra esta quarta-feira o diário Le Monde que os pedidos de restituição por parte dos países africanos são tão antigos quanto a descolonização e que, apesar da insistência de alguns, a questão foi sendo sucessivamente adiada nos últimos 50 anos.

Entre os pedidos mais mediáticos envolvendo museus franceses estão três estátuas de reis, esculturas antropomórficas e outros artefactos espoliados do antigo Reino do Daomé em 1892 e que são, desde 2016, reclamados pelas autoridades do Benim. Mas a França está longe de ser caso único.

Programa faseado

Entre as acções concretas propostas pelo relatório numa primeira fase, que é sobretudo simbólica, está a devolução, a partir do próximo ano, de 24 objectos ou grupos de objectos que são despojos de guerra ou que resultaram de missões etnográficas, culturais e religiosas, a países como o Mali, a Nigéria, o Senegal, o Benim e a Etiópia. De acordo com a publicação especializada The Art Newspaper, os autores do relatório previram uma segunda fase, com a duração de cinco anos, em que a restituição será muito mais substancial e negociada entre estados, seguida de um período “em aberto”, em que as devoluções podem e devem continuar. Como?

Em teoria, o procedimento proposto é simples, o que não quer dizer que seja fácil chegar aos resultados pretendidos. Constituem-se comissões bilaterais com representantes franceses e de cada uma das ex-colónias. França compromete-se a dar a cada país africano um inventário das peças originárias desse território que se encontram nos seus museus, e o país em causa, por sua vez, diz que itens quer que lhe sejam devolvidos. Se houver objecções à restituição, o museu tem de provar que a peça chegou a França legitimamente. Mas esta prova deverá ser, em muitos casos, complexa. É que, de acordo com as recomendações dos autores do relatório, mesmo em caso de venda, não podem restar dúvidas de que houve uma “autorização total” para a sua saída, ou seja, de que não houve qualquer pressão sobre os proprietários dos objectos? por parte de militares, cientistas ou administradores coloniais.

E quando houver dois países a reclamar o mesmo objecto oriundo de um reino que já não existe e cujo território deu origem a mais do que um Estado? Os governos que resolvam a situação, diz o economista senegalês ao Art Newspaper. “Estamos a lidar com um continente que já não tem praticamente nada da sua história enquanto nós [na Europa] temos tudo. O objectivo não é esvaziar os museus ocidentais para encher os africanos, mas criar uma nova relação baseada na ética e na equidade.”

Segundo dados citados pelo Libération, entre 85 e 90% do património africano está hoje fora do continente. “A juventude africana tem direito ao seu património”, o mesmo património que “alimentou toda uma vanguarda europeia”, de Picasso aos surrealistas, passando pelas gerações de hoje que o têm nos museus, defendem os autores em entrevista ao mesmo diário, falando de um desequilíbrio flagrante que é urgente começar a corrigir.

Se Emmanuel Macron acatar as sugestões de Bénédicte Savoy e Felwine Sarr, a proveniência de cerca de 90 mil peças africanas espalhadas por 50 museus franceses, na sua esmagadora maioria incorporadas nas colecções antes de 1960, será alvo de análise.

Alterar a lei

Para que a devolução possa acontecer, há que vencer outro obstáculo – a lei do património terá de ser alterada já que, asseguram os jornais franceses, estipula que as obras pertencentes às colecções públicas são “inalienáveis”. Para o ultrapassar, os autores propõem a criação de uma cláusula de excepção para a arte africana.

Entre os que se opõem à restituição, um dos argumentos mais usados é o da falta de condições dos museus dos países de origem para acolherem as peças, algo que a dupla Savoy-Sarr diz ser produto da “condescendência” com que a Europa ainda olha para África.

Além da complexidade da “prova” já evocada, outra das recomendações do relatório que está já a ser alvo de críticas é a que diz respeito à devolução aos objectos, à sua chegada aos países de origem, do uso doméstico ou ritual que perderam no contexto formal de um museu europeu. “Será isto possível em países onde a aculturação e a modernidade apagaram, no essencial, os modos de pensar anteriores?”, interroga-se o jornal Le Monde.

Savoy e Sarr estão conscientes dos problemas que a restituição pode levantar mas, garantiram ao Libération, não têm dúvidas de que agiram “cientificamente: “Não abordámos o percurso dos objectos de um ponto de vista moral, mas histórico (…). É preciso que a história da constituição das colecções apareça nos museus ao mesmo tempo que as peças.” Lucinda Canelas – Portugal in "Público"

sábado, 17 de novembro de 2018

Internacional - França não quer Portugal na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”

A França estará a pressionar Portugal para não aderir formalmente à iniciativa chinesa, quando Xi Jinping visitar Lisboa no próximo mês. Fontes garantem que a Alemanha também está preocupada. Mas Portugal não quer desperdiçar o eventual investimento chinês no Porto de Sines



A França pediu a Portugal para não aderir à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, de acordo com as revelações feitas pelo antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, numa recente entrevista ao jornal i. Maçães afirmou concretamente que “tanto quanto sei, o Presidente Macron enviou uma mensagem ao Governo português dizendo que ficaria muito desiludido se Portugal entrasse na iniciativa chinesa”. Ao Ponto Final, a presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda, Fernanda Ilhéu, diz não conhecer essas pressões e, a existirem, considera-as “com certeza muito estranhas”.

A antiga directora executiva da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa lembra que “a União Europeia ainda não definiu uma estratégia clara sobre a sua participação na iniciativa ‘Faixa e Rota’, e embora em 2018 se tenham dado alguns passos nesse sentido, ainda não existe uma posição estruturada para um comportamento multilateral dos países membros, portanto o que estamos a verificar é que existem já países a avançar com memorandos de entendimento bilaterais e alguns projectos entre Países da União e a China no contexto ‘Faixa e Rota’ começam a tomar forma nomeadamente da Itália, da Grécia, da Inglaterra da própria França…”.

Já o investigador Paulo Duarte, autor do livro “A Faixa e Rota chinesa: a convergência entre Terra e Mar”, considera, também em declarações ao Ponto Final, que “são pressões expectáveis e naturais, sobretudo porque vêm de países que são eles próprios motores da União Europeia ao nível geopolítico, geoestratégico e geo-económico, França e Alemanha”.

Paulo Duarte lembra “a pressão natural que os Estados Unidos exerceram, ainda na era Obama, para evitar que 14 Estados europeus aderissem ao Banco Asiático de Investimento e Infra-estrutura. O certo é que as pressões do parceiro transatlântico viriam a revelar-se um fiasco, porque contra a vontade de Washington e na ausência de qualquer resposta coordenada da Comissão Europeia face à Faixa e Rota chinesa, uma parte significativa dos países-membros da União Europeia aderiu à iniciativa chinesa”, incluindo Portugal.

Para Duarte, “quem mais legítimo para pressionar Portugal a não ser países europeus, como uma França ou Alemanha, que querem preservar uma identidade europeia, tão abalada pelo anúncio do Brexit, pelo terrorismo, refugiados, entre outros?”. O Ponto Final contactou a Embaixada de França em Lisboa, solicitando explicações e outros detalhes, sem resultado.

A resposta de Portugal

Fernanda Ilhéu acredita que “o Governo português com certeza saberá lidar com essa realidade e distinguir o que são pressões concorrenciais e o que são os contornos de precaução na assinatura de memorandos de entendimento que não infrinjam as regras da União Europeia”.

O também investigador Paulo Duarte acredita que “Portugal será cauteloso”. Por um lado, “pesam os compromissos face à União Europeia, à OTAN e, em geral, a solidariedade e o sentido de pertença face a uma Europa em pré-convulsão de vária ordem. Por outro lado, Portugal será pragmático. Sines pesa na balança do pragmatismo, o gás natural, o eixo Panamá-Praia da Vitória (porto de águas profundas de que se ouvirá falar no futuro e que fica na Ilha Terceira, Açores), o sector dos seguros e da energia, a rota ferroviária que actualmente liga Yiwu a Madrid e que tenderá a terminar, no futuro, em Portugal (muito provavelmente em Sines, onde a terra abraça o mar)… Tudo isso são factores importantes, especialmente se se tiver em conta que a União Europeia é heterogénea e acusa sinais de fraqueza”.

Em resumo, diz Duarte ao Ponto Final: “Posso estar equivocado, mas não creio que Portugal feche a porta à ‘Faixa e Rota’ chinesa até porque de certa forma já está inserido nela. Basta lermos as notícias que dão conta do interesse veemente dos governantes chineses em tentar captar o olhar da China para Sines… Viria agora Portugal, apenas por causa das naturais pressões franco-alemãs, voltar atrás e dizer que afinal Sines e o investimento chinês já não são importantes? Não me parece. Muito pelo contrário. Agora, Portugal pode adoptar uma perspectiva moderada, não abrindo incondicionalmente a porta à China nem se fazendo total mudo face aos avisos franco-alemães, quando estes últimos pugnam por maior controlo estratégico (não necessariamente em Portugal mas na UE ‘lato sensu’) de sectores da economia considerados vitais”.

Já Bruno Maçães, que recentemente publicou o livro “O Despertar da Eurásia”, entende, na entrevista que deu ao jornal i, que “a questão é delicada e exige muita reflexão da parte do Governo português, porque há muito a ganhar, mas também, possivelmente, bastante a perder, qualquer que seja a decisão. Uma das razões pelas quais a decisão está em aberto é precisamente o facto de haver pressões dos dois lados”. O Ponto Final pediu um comentário ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português, sem sucesso.

A visita de Xi Jinping

Segundo apurou o Ponto Final, que confirmou junto de várias fontes a informação tal como o ex-secretário de Estado a formulou, é a proximidade da visita de Xi Jinping a Portugal no próximo mês que dita esta agenda. A França, mas também a Alemanha, pretendem evitar que Portugal aproveite esse momento para se pronunciar abertamente sobre a adesão à iniciativa Chinesa, preferindo uma posição mais neutral.

A verdade é que, até ao momento, não houve uma declaração formal por parte de Lisboa, ainda que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tenha afirmado em Maio deste ano, durante a visita a Lisboa do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que “Portugal apoia firmemente a iniciativa ‘Faixa e Rota’ desde o seu início.”

Bruno Maçães fala numa “decisão estratégica e que tem também muito a ver com uma questão fundamental da política externa portuguesa que é a de saber se a política europeia e a nossa posição na Europa é sempre mais importante do que tudo o resto, ou se a nossa política europeia se encaixa numa política mais global. Julgo que nos últimos 20 anos não houve decisão mais importante para a política externa portuguesa do que esta que vai ser tomada nos próximos meses”.

Curioso é que, sem uma adesão formal, a França já tem projectos bilaterais com a China, que se podem enquadrar na iniciativa. E Macron, que esteve já este ano na China, prometeu voltar “pelo menos uma vez por ano”. João Meneses – Macau in “Ponto Final”

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

França – Uma lição da vida

“Todos podem ser forçados a usar uma cadeira de rodas um dia”, explicou o condutor perante a relutância dos passageiros

Nem todos os heróis usam capa. Em Paris, um motorista de autocarro está a ser elogiado pela sua atitude perante a falta de ação dos passageiros para ajudar um homem em cadeira de rodas a entrar no veículo.

O caso aconteceu no passado dia 18 quando os passageiros que estavam no autocarro se recusaram a abrir espaço para que a pessoa com deficiência pudesse usar a rampa para subir para o veículo.

A história acabou partilhada nas redes sociais. “Ontem, quando esperava pelo autocarro em Paris, ninguém queria abrir espaço para mim. Como ninguém se mexeu, o motorista levantou-se e gritou: “Terminus! Saiam todos…” Veio até mim e disse: ‘Você pode subir e os outros aguardam pelo próximo autocarro…'”, contou o homem acrescentando que, apesar da relutância de alguns passageiros, o motorista manteve-se firme e argumentou que “todos podem ser forçados a usar uma cadeira de rodas um dia”. In “Jornal I” - Portugal

terça-feira, 11 de setembro de 2018

França – Projeto “Conto Contigo” leva contos em português a crianças

O projeto tem promovido, desde 2015, sessões de leitura em português na região de Paris para crianças em idade pré-escolar, e pretende estender-se a mais cidades francesas para responder a uma «necessidade» na comunidade portuguesa em França



Segundo a fundadora da iniciativa, Maria João Pita, a ideia surgiu quando procurou, em 2014, estruturas para transmitir ao seu filho, de três anos, a língua portuguesa, de forma lúdica e informal.

A arquiteta aliou-se aos membros da Associação dos Diplomados Portugueses de França (AGRAFr) e criou um projeto itinerante de sessões de leitura em língua portuguesa para crianças dos três aos seis anos, mas que é aberto a «todos que se interessem em passar um momento informal à volta de um livro em português».

«O facto de o projeto rodar desde 2015 é uma prova que há realmente uma necessidade. Há pessoas que precisam deste contexto informal de encontro e o projeto vem responder a esta geração dos anos 80 que está em França e que precisa também, com os seus referenciais e as suas ferramentas, de criar coisas. O Conto Contigo é só mais um grãozinho a contribuir para a dinâmica da comunidade portuguesa em França», afirmou a portuguesa, que também viveu na Alemanha e na Holanda.

As sessões de leitura são essencialmente em Paris, mas existiram encontros nas cidades de Nantes, Pontault-Combault e Cormeilles-en-Parisis. O objetivo é levar os contos em português a mais localidades, nomeadamente Lyon, onde a AGRAFr criou um novo polo.

Em Paris, as leituras já tiveram vários palcos efémeros, como cafés culturais, residências universitárias, escolas, o Consulado-Geral de Portugal, jardins e até igrejas.

A fundadora do “Conto Contigo”, conclui que conta com todos os que queiram juntar-se «à roda dos textos em português». In “Revista Port.Com” - Portugal

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

França - Grupo Cantadores de Paris vai gravar álbum franco-português de cante alentejano



O grupo de cante alentejano Rancho de Cantadores de Paris vai fazer uma viagem a Serpa, de 28 de agosto a 11 de setembro, para gravar “o primeiro disco franco-português de cante alentejano”.

Em Serpa, no distrito de Beja, o grupo de sete parisienses vai “conviver com os grupos e trocar experiências e formas de cantar diferentes”, e vai fazer gravações com 17 grupos, explicou à Lusa o único português do Rancho de Cantadores de Paris, Carlos Balbino.

“Este é o primeiro CD franco-português ou luso-francês de cante alentejano, porque nós somos um grupo de Paris e eu sou o único português no grupo. Somos o primeiro grupo estrangeiro de cante alentejano que vai fazer um CD. Para nós é uma grande alegria, mas temos a noção que, para o cante alentejano, é um grande passo”, sublinhou Carlos Balbino, também ensaiador do grupo.

O objetivo é lançar o disco em 2019, com uma editora francesa, procurando ser um álbum de cante alentejano “o mais fiel possível ao cante tradicional contemporâneo”, ainda que haja “alguns grupos convidados que começam a ter já uma nova interpretação do cante alentejano”.

“No CD, tentaremos fazer a representação do cante alentejano atual. Por isso, nos convidados, haverá artistas individuais que contribuíram muito para o cante, como grupos de mulheres, homens, mistos, e de crianças, e ainda grupos instrumentais. Ou seja, o cante alentejano em todas as suas vertentes”, vincou.

As gravações vão acontecer no Musibéria, centro internacional de músicas e danças de raiz ibérica, e vai haver um repertório “muito vasto e muito heterogéneo”, em que foram escolhidas “modas que fazem parte do património de cada grupo coral, e que estão ligadas à forma de cantar de cada região”.

“Já há CD de cante alentejano, já há documentação sonora muito, muito boa. A nossa ideia é tentar fazer uma coisa diferente, unir todos os grupos de cante alentejano que nos inspiraram, e termos a nossa participação em cada moda para termos o nosso toquezinho”, descreveu.

Na prática, as músicas vão ter “partes de ‘solo’ que vão ser cantadas pelos membros dos Cantadores de Paris, e outras que vão ser cantadas pelos grupos convidados e, na parte coral, vai cantar toda a gente”.

Quanto aos sotaques estrangeiros, Carlos Balbino adiantou que quase “não se percebe que são estrangeiros”, porque “houve um grande trabalho de pronunciação” ao longo do ano, que começou com a aprendizagem das letras em português, acompanhada pela tradução em francês, e depois “eles também cantam por instinto”.

Escola de Cante Alentejano em Paris

O Rancho de Cantadores de Paris nasceu em Paris, em 2016, com a criação de uma peça de teatro, ‘La Dernière Corrida’ (‘A Última Tourada’), da companhia Rêves Lucides, na qual Carlos Balbino levou ao palco o cante alentejano e o tema dos forcados nas touradas à portuguesa.

Esta “trupe de teatro contemporâneo, pluridisciplinar”, já tinha feito um primeiro espetáculo, “L’Architecte des Rêves”, em 2013, na qual Carlos Balbino recorria ao canto polifónico russo, numa peça sobre a sociedade russa durante a construção dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Entretanto, o ator e encenador português criou, em Paris, a primeira escola de cante alentejano no estrangeiro, que ensaia numa associação do 19.° bairro da capital, L’Espace 19, e que tem alunos de diferentes nacionalidades.

O Rancho de Cantadores de Paris foi retratado no documentário ‘Os Cantadores de Paris’, do realizador Tiago Pereira, que se estreou no DocLisboa, no ano passado, e que conta com atuações improvisadas em locais emblemáticos de Paris e em Serpa.

Carlos Balbino, de 30 anos, estudou teatro na Escola Profissional de Teatro de Cascais, na Worcester College of Technology, em Worcester, na East 15 Acting School, em Londres, e na École Internationale de Théâtre de Jacques Lecoq, em Paris.

Desde 2011, o português vive na capital francesa, onde vai fazer um mestrado em etnomusicologia e uma tese sobre cante alentejano.

O cante alentejano foi classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, a 27 de novembro de 2014, graças a uma candidatura apresentada pela Câmara de Serpa e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. In “Mundo Português” - Portugal

terça-feira, 10 de julho de 2018

Lusofonia - Autores lusófonos tomam o mercado francês via Genebra

Pelo catálogo da editora genebrina “La Joie de Lire” já passaram 17 obras de autores de países de língua portuguesa, um número que tende a aumentar graças à colaboração apaixonada do tradutor Dominique Nédellec



Numa rua pequenina do bairro Eaux-Vives, em Genebra, há uma editora cujo nome diz tudo: La Joie de Lire. É "a alegria da leitura" que norteia as escolhas editoriais desta casa literária, criada por Francine Bouchet, em 1987, a pensar nos jovens leitores. Pelo catálogo da editora suíça já passaram 17 obras escritas ou ilustradas por 13 autores lusófonos.

Este ano foram publicados "Le Peuple de la Brume" ("Uma Vida no Céu", na versão original), do escritor angolano José Eduardo Agualusa, e "Ombres" ("Sombras"), da ilustradora portuguesa Marta Monteiro. Outros dois títulos de autores lusófonos deverão chegar às livrarias em 2018: "Balbúrdia", da portuguesa Teresa Cortez, e "Vovô Gagá", da brasileira Márcia Abreu.



Amor?

Trata-se de um caso de amor pela língua portuguesa? Não exatamente. Francine Bouchet diz ter construído o catálogo da Joie de Lire de forma "intuitiva". A editora confia no seu "instinto", deixando-se surpreender, nunca fazendo concessões no domínio da qualidade, tanto a da imagem como a do texto. A aposta da Joie de Lire na lusofonia foi, portanto, um mero acaso.

"O que conta para nós é a qualidade e a profundidade do texto e, claro, o prazer da leitura. O que acontece é que, por sorte, temos encontrado várias obras lusófonas com estas características. Trabalhamos com um tradutor excelente [Dominique Nèdellec], que nos indica novas obras e nós avaliamos as propostas. É assim que funciona", explica Francine Bouchet.

A confiança que Francine deposita em Dominique Nèdellec é tanta que, certa vez, bastou o tradutor enviar-lhe uma mensagem com um booktrailer (um vídeo que tem por objetivo apresentar um lançamento literário) para a editora ponderar publicar a obra. Tratava-se de "Se Eu Fosse um Livro", escrito por José Jorge Letria e ilustrado por André Letria, uma obra "linda" que começa assim: “Se eu fosse um livro, pediria a quem me encontrasse na rua para me levar para casa consigo.”

"A Francine disse-me logo que lhe parecia fantástico e que gostaria de ter acesso ao texto. Então traduzi algumas frases, que mais parecem pequenos poemas, e ela decidiu logo entrar em contacto com o André Letria, que também é responsável pela editora portuguesa Pato Lógico", recorda Dominique. Para o tradutor, "trabalhar com a Joie de Lire é um sonho" porque tradutor e editora têm em comum "uma atitude de entusiasmo em relação ao texto".

O tradutor francês que se apaixonou por Lisboa

Dominique Nèdellec é um dos mais reputados tradutores da literatura portuguesa para o francês, sendo, por exemplo, o responsável pela tradução da obra de António Lobo Antunes, publicada em França pelas edições Christian Bourgois. Foi precisamente pela tradução de "Que Cavalos São Aqueles que Fazem Sombra no Mar?", de Lobo Antunes, que Dominique ganhou em 2015 o prestigiado Prêmio Gulbenkian-Books.

A carreira de tradutor começou "tarde" e de forma "autodidata". Dominique trabalhava como organizador de eventos literários na Normandia, na França, e a tradução surgiu como consequência de "uma paixão pela cidade de Lisboa". Depois de passar férias com a mulher na capital portuguesa, ambos ficaram encantados com a cidade. A família decidiu então mudar-se para lá. Para pôr o plano em prática, começou a estudar a língua portuguesa sozinho. Todos os dias, após o trabalho, Dominique debruçava-se sobre livros de português. Um ano depois, estava pronto para a mudança. Chegou a Lisboa e tentou encontrar trabalho no setor dos livros. Não teve sucesso.

Foi então que apostou na tradução. Começou por traduzir textos técnicos, documentos comerciais, relatórios de organizações internacionais e até discursos de políticos. "Mas o meu objetivo sempre foi o de trabalhar na área literária", sublinha Dominique. Como não tinha experiência, decidiu traduzir livros portugueses por iniciativa própria e, depois, propor às editoras as traduções já finalizadas.

"Na Suíça, a primeira resposta positiva que recebi foi da Joie de Lire. Era "O Senhor Valery", do [escritor português] Gonçalo M. Tavares. Li o livro, gostei muito, fiz a tradução logo a seguir e a Francine aceitou a proposta. Foi a minha primeira tradução publicada e, para o Gonçalo, foi o primeiro livro traduzido no estrangeiro. Foi muito comovente", recorda.

O primeiro autor lusófono a ser publicado na Joie de Lire foi Alice Vieira. Em 2000, chegava às livrarias a tradução de "Os Olhos de Ana Marta", um livro juvenil que aborda a questão do luto como um tabu na família. A obra chegou às mãos de Francine por recomendação de uma colega portuguesa, Beatriz Robillard, também ela bibliófila, e foi traduzida pela filha de Beatriz, Marie-Amélie Robillard.  Hoje, Alice Vieira já conta com seis livros publicados na Suíça, sendo "La Charade des Animaux" (2012, "A Charada da Bicharada" na versão original) o mais recente deles.

Dominique não conhece outra editora suíça que abrace a lusofonia de forma tão clara. "É uma colaboração de 15 anos, comecei a trabalhar com eles em 2003, desde então nunca paramos. O último título publicado é de José Eduardo Agualusa, um autor angolano que vive entre o Rio de Janeiro, Lisboa e Luanda [cidades de diferentes continentes unidas pela lusofonia]. Tenho muito orgulho de ter traduzido este livro, ao nível simbólico é algo muito forte para mim", afirma o tradutor.

"Para que saibam que a literatura do seu país existe"

Com o apoio do Instituto Camões, Alice Vieira veio à Suíça na época do primeiro lançamento para falar da sua obra. Foi a escolas onde estudavam alunos de origem portuguesa e conversou com jovens em diferentes cidades suíças. Da visita à Basileia, a autora recorda o deslumbramento das crianças ao encontrarem uma família grande a conviver dentro do livro "Voyage Autour de Mon Nom" (2012, "Viagem à Roda do Meu Nome" na versão original).

"Os meninos acharam uma história maravilhosa porque havia muitos familiares, quase a ideia de um clã. A vida cotidiana deles era apenas o pai e a mãe, e avós só no Natal, como bem descreveu uma professora", conta Alice Vieira, aludindo à realidade das famílias portuguesas que vivem na Suíça.

Francine aprecia a ideia de fazer chegar obras de autores lusófonos aos jovens que, por terem nascido ou crescido no estrangeiro, já praticamente só falam o francês. O ideal, afirma, é que sejam bilingues e possam ler em português. "Mas sabendo que muitas crianças e adolescentes não dominam a língua dos pais, acho importante que tenham acesso a autores lusófonos em francês, para que pelo menos saibam que a literatura do seu país existe", defende a diretora da Joie de Lire. Andréia A. Soares – Suíça in “Swissinfo”

segunda-feira, 14 de maio de 2018

França - SNCF estará a preparar-se para comprar a espanhola Comsa Rail

A SNCF estará a preparar-se para comprar a espanhola Comsa Rail, parceira ibérica da portuguesa Takargo, avança a imprensa espanhola



A SNCF já detém 25% da Comsa Rail, que é parceira a 50-50 da Takargo na Ibercargo, que opera em tráfegos ibéricos beneficiando das suas locomotivas interoperáveis.

No mercado espanhola, a Comsa Rail é o maior operador privado de transporte ferroviário de mercadorias, com uma quota de cerca de 9%. A Renfe, operador público, é líder incontestada, com uma fatia de cerca de 70%, apesar da liberalização do mercado.

Com a compra de 100% da Comsa Rail, através da SNCF Geodis, a operadora francesa reforçaria a sua posição no mercado espanhol e poderia, finalmente, representar uma ameaça real à hegemonia da Renfe.

O governo espanhol, recorde-se, pretende abrir o capital da operadora pública a privados. Os alemães da DB Schenker são apontados como candidatos naturais, mas Madrid estará mais inclinada a encontrar um parceiro entre os grandes armadores mundiais, replicando um pouco (ou muito) o exemplo da entrada da MSC na CP Carga, agora Medway.

As autoridades espanholas aguardam “luz verde” de Bruxelas para avançarem com 25 milhões de euros de incentivos à transferência modal das cargas, da rodovia para a ferrovia. In “Transportes & Negócios” - Portugal

quarta-feira, 9 de maio de 2018

França - Apresenta candidatura a Observador Associado da CPLP

A candidatura francesa a Observador Associado da CPLP é motivada pela presença de uma importante comunidade portuguesa e lusodescendente em França



A França apresentou oficialmente a sua candidatura ao estatuto de Observador Associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O embaixador de França em Portugal, Jean-Michel Casa, entregou à Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Maria do Carmo Silveira, uma carta do ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, a formalizar a candidatura da França para aceder ao estatuto de Estado observador associado à CPLP, informa um comunicado divulgado pela Embaixada de França em Portugal.

Para além da carta, Maria do Carmo Silveira recebeu do embaixador Jean-Michel Casa o documento sobre o plano geral de atividades e o plano de ação para a promoção do ensino do português em França, “que servem de apoio a esta candidatura”, informa ainda o comunicado.

A 4 de janeiro deste ano, durante o seminário diplomático dos embaixadores portugueses, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros assumiu o compromisso de avançar com a documentação relativa à candidatura, entregue no final de abril à Secretária Executiva da CPLP

De acordo com o comunicado divulgado pela Embaixada de França, a candidatura é motivada “pela presença de uma importante comunidade portuguesa e lusodescendente” naquele país, estimada em cerca de um milhão e meio de pessoas, e considerada a mais importante fora de Portugal.

A “partilha da mais longa fronteira terrestre francesa com o Brasil (região da Guiana Francesa)” e a importância das relações de França “com os países africanos membros da CPLP”, em matéria de formação e ajuda ao desenvolvimento, em Angola e Moçambique, ou de segurança regional especialmente no Golfo da Guiné, são outros dos motivos apresentados pelo governo francês.

Candidatura analisada em julho

A candidatura “foi recebida com entusiasmo” pela Secretária Executiva da CPLP que “agradeceu o interesse da França pela lusofonia e pelo mundo lusófono”, assinala o comunicado.

“O envolvimento desses países na nossa organização será um contributo valioso e poderá reforçar as relações que existem já entre os nossos países e esses Estados e abre a possibilidade de aprofundar a cooperação em várias outras áreas “, destacou a responsável da CPLP.

Além da candidatura francesa à CPLP, o encontro foi para o embaixador uma ocasião para abordar o projeto de adesão de Portugal à Organização Internacional da Francofonia.

A candidatura vai ser analisada durante a Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que acontece a 17 e 18 de julho, na Ilha do Sal, em Cabo Verde e na qual a França poderá ser convidada a participar.

As categorias de Observador Associado e de Observador Consultivo foram estabelecidas em 2005, em Luanda, no Conselho de Ministros da CPLP.

Atualmente, dez países têm o estatuto de observador associado da CPLP: Geórgia, Hungria, Japão, República Checa, Eslováquia, ilhas Maurícias, Namíbia, Senegal, Turquia e Uruguai. Itália e o principado de Andorra formalizaram igualmente propostas em janeiro.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Mundo Português” - Portugal

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Brasil – Livro sobre Patuá pode ser lançado em 2018 em França


O “Parlons Patuá di Macau” é um livro sobre o patuá, fruto da investigação do jornalista brasileiro Ozias Deodato Alves, a ser publicado pela editora francesa “L’Harmattan”. A investigação sobre o dialecto foi feita no tempo livre do autor, que se dedica ao estudo de idiomas minoritários. Em 2015, indicava à Tribuna de Macau que o livro deveria ser publicado ainda nesse ano. Superados os problemas inesperados, prevê agora que chegue às livrarias em 2018.



“Espero que o livro esteja à altura da formidável cultura macaense, cujo teatro cómico é um património da humanidade”, disse o autor em declarações à Tribuna de Macau. Foi através de Yuji Himoro, um estudante japonês de São Paulo, que o escritor soube da existência do patuá. “Tinha a mais absoluta e completa ignorância sobre o assunto. Movido pela curiosidade, iniciei a pesquisa”.

Em 2015 deslocou-se à cidade mais populosa do Brasil para conhecer a comunidade macaense aí residente. No ano seguinte acelerou a redacção para concluir o volume sobre o patuá, e terminou tudo em Fevereiro de 2017. Pelo meio, foram as novas tecnologias a permitir-lhe reunir o material para a publicação, visto que nunca se deslocou a Macau.

“Fiz várias entrevistas usando o Facebook. Entrevistei, por exemplo, a dona Maria João Ferreira, sobrinha do famoso poeta Adé, o pai do patuá, por ‘chat’”, explicou Ozias Deodato Alves.

Foi Maria João Ferreira quem lhe enviou artigos publicados em Portugal e Macau, bem como o apoiou com o cantonês. “Vale lembrar que há textos em patuá repleto de citações tanto em português lusitano como em inglês e em cantonês”, comentou. As redes sociais permitiram-lhe ainda o contacto com Carlos Coelho.

Da comunidade que vive no Brasil, recorreu a Rogério Luz, que mantém o blog “Crónicas Macaenses”, e Mariazinha Carvalho, uma autora de teatro cómico em patuá, bem como a Yolanda Ramos.

O livro é composto por cinco partes distintas, à semelhança das outras obras da colecção “Parlons”. Inicia-se com a história do povo que fala o idioma, passa por uma breve descrição gramatical da língua, por noções de conversação e aborda as diferentes formas culturais associadas ao idioma, como a literatura, música ou arte. Termina com léxico patuá-francês e vice-versa.

“O objectivo dos livros ‘Parlons’ não é ensinar a língua, apesar de que há volumes do ‘Parlons’ que são verdadeiros cursos completos, mas sim descrever o idioma e a cultura do povo falante do mesmo”, explicou Ozias Deodato Alves.

O autor explicou que o atraso na publicação do livro foi maioritariamente motivado pela necessidade de procurar um novo revisor. É agora o actual director da Aliança Francesa de Florianópolis que se encontra a fazer a revisão da obra, depois de o editor da colecção “Parlons” se ter afastado do projecto por motivos de saúde. “Mas acredito que tudo isso vai ser resolvido e o livro sairá neste ano de 2018”, estimou.

“Acredita-se que no Brasil só vivam por volta de 20 a 30 falantes do patuá. É uma língua em vias de extinção”, estimou Ozias Deodato Alves, lamentando que nos censos estatísticos de 2010 no Brasil não se tenha questionado a população em geral sobre os vários idiomas que falam. “Se tivesse feito tal pergunta à população em geral, teríamos hoje números exactos das aproximadamente 300 línguas minoritárias do Brasil”.

De acordo com o escritor, os números apontam para um total de 100 falantes de patuá, sendo que o mais fluente, que falava “como se fosse uma língua viva”, trata-se do “saudoso Carlos Coelho”, que faleceu em Janeiro.

O livro de Ozias Deodato Alves, que se auto-intitula de “refugiado linguístico”, terá um público diferente do esperado. Vai ser publicado em francês e não se prevê uma tradução para português.

“Ao contrário do Brasil, na França, quando a editora se interessa pela obra, ela banca os custos da publicação. E foi assim que eu, um cidadão que nunca foi, até ao presente momento da vida, à França, já publiquei cinco livros lá”, comentou. Salomé Fernandes – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Brasil – Presente no MIPCOM apostando na diversificação de modelos de negócios

O MIPCOM, o mais importante evento de audiovisual do mundo, está prestes a começar. De 16 a 19 de outubro, as 41 produtoras brasileiras que integram a delegação do Brazilian Content, programa de exportação da BRAVI em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), circularão em Cannes com o objetivo de movimentar os negócios, especialmente com players internacionais. Muitas preparam novidades para essa edição do evento, diversificando a área de atuação, os modelos de negócios e os mercados em foco.

Uma das associadas que promete um novo caminho para aproximação dos players internacionais é a Elo Company. Essa será a primeira vez que a Elo, experiente no mercado de distribuição, apresenta-se também como produtora. Além do catálogo de longas e séries, Sabrina NudelimanWagon, CEO da empresa, leva na bagagem os projetos em produção. Eles são frutodo núcleo de desenvolvimento e produção liderado pela ex-executiva da Discovery Network, Maria Carolina Telles, e das parcerias com a rede de jornalistas BRIO para a produção de conteúdos originais investigativos e com a MCN – Rede Snack para alguns formatos multiplataformas.

Além dos conteúdos factuais, a Elo leva outras produções nas quais está envolvida: o longa “O Soldado Sem Arma”, que está em produção avançada e aborda a trajetória de AndreLiohn, maior fotógrafo de guerra da América Latina, e três séries de animação que estão sendo coproduzidas com os parceiros Singular, Mono e Birdo.

Outra distribuidora veterana no MIPCOM que leva na bagagem uma novidade para essa edição é a Sato Company, que fechou com o canal Gloob e com a TV Pinguim a representação de todos seus conteúdos para o mercado asiático. A Ásia, por sinal, tem despertado muito interesse de produtores brasileiros. “Temos muito interesse em fazer negócios com países da Ásia, que estão adquirindo cada vez mais obras ocidentais”, conta Nelson Botter Jr., diretor da TortugaStudios. A produtora parte para o MIPCOM com as séries produzidas "Os Under-Undergrounds", "A Mansão Maluca do Professor Ambrósio", além do longa-metragem "O Amor no Divã" edo projeto de série animada “Alex Green”, em parceria com a Moonshot. Botter explica que também há a expectativa de que as novas plataformas estejam cada vez mais fortes e abertas à compra de conteúdo.

Para a Sétima Cinema, estreante no MIPCOM, especializada em realizar festivais de cinema como plataformas de exibição e de vitrine para possíveis distribuidores e produtores, uma das apostas está no potencial de novos formatos, como a realidade virtual. “Estamos firmando parcerias para projetos que potencializem esse novo mercado no Brasil”, observa Ana Arruda Neiva, sócia-diretora da empresa.

A Panorâmica traz para o MIPCOM deste ano a venda de formatos de seus casos de sucesso em séries de ficção, como “Gaby Estrella”, série Infantil realizada em coprodução com a produtora Chatrone e Globosat, e indicada a importantes prêmios internacionais como Emmy International Kids e BANFF; “Sem Volta” série de ação realizada em coprodução com a produtora Chatrone e Record TV, que alcançou relevantes resultados de audiência na TV Aberta (Record TV) e TV Paga (A&E) e é distribuída internacionalmente pela Armoza Formats; e “Rotas do Ódio”, drama policial que será exibida no Universal Chanel em 2018, realizada em coprodução com a produtora Modo Operante e NBC Universal e que também é responsável pela distribuição internacional. 

Produtoras participantes

As produtoras 2DLab, 44 Toons, Alopra Estúdio, Animaking, Belli Studio, Boutique Filmes, Bromélia Produções, CabongStudios, Capelini Filmes, Chatrone, CINE Group, Conspiração Filmes, Copa Studio, Cygnus Media, Dogs CanFlyLicensing, DUE Produções, ELO Company, Estúdio Giz, FM Produções, Grifa Filmes, INPUT | artesonora, LUVA, MixerFilms, Moonshot Pictures, Panorâmica, Plateau Filmes, Prodigo Films, Pushstart, Raven Filmes, Red Studio Brasil, Rinaldi Produções, Sato Company, Sétima Cinema, Singular, Split Studio, Synapse, TortugaStudios, TV Pinguim,Up! ContentCo, Visom Digitale Zola integram a delegação do Brasil. Representantes do Rio Content Market também juntam-se ao grupo.

Sobre o Brazilian Content

O Brazilian Content é o programa internacional da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), criado em 2004 e realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com o objetivo de promover o conteúdo audiovisual independente no mercado internacional, o Brazilian Content viabiliza parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras (por meio de coproduções, vendas e pré-vendas para canais de TV, internet, telefonia celular e mídias digitais). O Brasil hoje é considerado um importante mercado no cenário internacional e integra o plano de negócios de coprodução de inúmeras TVs e produtoras.

Sobre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI)

A BRAVI reúne produtoras independentes de conteúdo audiovisual para televisão e mídias digitais e possui mais de 600 associados em 18 unidades da Federação, nas cinco regiões do Brasil. Fundada em 1999, a associação atua fortemente para o desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro e representa o setor em diversos fóruns de debates públicos e privados. Com uma estrutura profissional e reconhecida representatividade nacional, a BRAVI também participa ativamente das regulamentações do mercado audiovisual, incentivando a produção e novos modelos de negócios, além de oferecer capacitação especializada ao produtor independente. Por meio de relevantes parcerias institucionais, apoia a participação do empresário brasileiro no mercado audiovisual internacional. In “Apex-Brasil” – Brasil

Poderá aceder á lista de todos os participantes internacionais aqui.

domingo, 23 de outubro de 2016

França – Uma visita à culinária portuguesa


















O canal de televisão francês ARTE (Association Relative à la Télévision Européenne) dedicou um dos episódios do seu programa "A pleines dents!" a Portugal e à sua culinária.

Gerard Depardieu e Laurent Audiot são os visitantes que percorrem o país desde o Porto, mais concretamente do mercado do Bolhão até Troia, junto dos pescadores do rio Sado.


As imagens de qualidades, as cores que nos acompanham no dia-a-dia, a culinária onde só faltam (por enquanto) os cheiros, levam-nos a não perder este programa de aproximadamente 40 minutos.

Um programa em língua francesa, com pinceladas de português que poderá ver aqui. Baía da Lusofonia