Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Angola - Aguarda entre Novembro e Dezembro reconhecimento mundial do Semba pela UNESCO

A decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) sobre a candidatura do Semba à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade será conhecida entre o final de Novembro e o início de Dezembro, durante a reunião do Comité Intergovernamental da organização, na República Popular da China. Caso seja aprovada, a manifestação cultural juntar-se-á a bens nacionais já reconhecidos pela organização, como a cidade histórica de Mbanza Kongo e o Sona

O anúncio foi feito pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, durante a cerimónia de apresentação pública da candidatura do Semba a Património Cultural Imaterial da Humanidade junto da UNESCO, realizada na Sexta-feira, 19, no Complexo Administrativo Clássicos de Talatona, em Luanda.

Durante a sua intervenção, o titular da pasta da Cultura afirmou que a candidatura do Semba resulta de um trabalho conjunto entre o Executivo e a sociedade civil, com o objectivo de alcançar o reconhecimento internacional daquele que considera ser um dos maiores símbolos da identidade cultural angolana. “O Semba é uma manifestação cultural profundamente enraizada na identidade nacional e cada vez mais apreciada dentro e fora do país”, destacou.

Para uma melhor valorização do estilo, o ministro aproveitou a ocasião para apelar à união dos artistas e desencorajar rivalidades que possam comprometer o crescimento colectivo do género musical. Segundo Filipe Zau, a valorização do Semba depende da capacidade dos seus intérpretes e promotores de trabalharem em conjunto para fortalecer a sua presença a nível nacional e internacional. “O céu fica mais bonito quando vemos várias estrelas a brilhar e não apenas uma ou duas isoladamente”, afirmou. Musseque Segunda – Angola in “O País”


domingo, 21 de junho de 2026

Angola - Projecto cultural transforma Baía de Luanda em “palco terapêutico”

No espaço deslizante da dança, as diferenças de idade e de nacionalidade desaparecem, dando lugar a uma identidade comum baseada na alegria e no estilo partilhado. Entre ritmos e compassos uníssonos, o projecto transforma a Baía de Luanda no epicentro privilegiado de preservação cultural, saúde mental e inclusão social por via da dança, com a Kizomba, o Semba e Afro Tribal a serem os estilos mais praticados

Nas tardes de Domingo, a Baía de Luanda é transformada no verdadeiro palco de encontro e reencontro cultural, de interacção social e de exercícios terapêuticos. Centenas de cidadãos com idades compreendidas entre os 17 e os 60 anos, vindos de diferentes pontos da cidade capital, acorrem ao local todos os fins-de-semana com um único objectivo: descontrair-se, e a dança acaba sendo a melhor ferramenta.

Enquanto uns procuram entreter-se com actividades promovidas ao redor da Baía, outros, atraídos pela música, fazem-se ao espaço para aprender a dançar e livrar-se do estresse acumulado durante a semana.

No espaço da dança, as diferenças de idade e de nacionalidade desaparecem, dando lugar a uma identidade comum baseada na alegria e no estilo partilhado. É o caso da dona Teresa Gonçalves, cidadã de 36 anos, integrante activa do Movimento “Kizomba na Rua” há quase quatro anos. A transformação emocional é o ponto central de seu relato.

Teresa recordou que, antes de optar pela dança, teve um período de profundo isolamento e tristezas que precisava esconder, mas, através da prática constante da dança, conseguiu superar essas barreiras emocionais, sentindo-se hoje uma pessoa plenamente à vontade e renovada. Assim como ela, outras pessoas também encontraram na dança a ‘receita mágica’ para aliviar o estresse do dia-a-dia. É o caso do jovem Ladys, um bailarino dedicado há mais de cinco anos ao Movimento “Kizomba na Rua” em Luanda. In “O País” - Angola


terça-feira, 10 de março de 2026

Angola – Avalia candidaturas do Tchitundo-hulo e Semba a Património Mundial

O ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, recebeu, recentemente, em Luanda, em audiência, a embaixadora Maria Cândida Pereira Teixeira, delegada permanente de Angola junto da UNESCO, com quem abordou o andamento de processos ligados à valorização e reconhecimento internacional do património cultural angolano.


Durante o encontro, a diplomata informou o governante sobre o estado de tramitação das candidaturas do Tchitundo-Hulo e do Semba à lista do Património Mundial da UNESCO. Segundo a embaixadora Maria Cândida Pereira Teixeira, os processos seguem os trâmites técnicos e administrativos exigidos por aquela organização das Nações Unidas, visando o reconhecimento destas importantes referências do património cultural nacional.

O Tchitundo-Hulo, localizado na província do Namibe, constitui um relevante complexo de arte rupestre, considerado um dos mais importantes testemunhos das primeiras manifestações culturais e artísticas no território angolano. Já o Semba é reconhecido como uma das mais emblemáticas expressões da música e identidade cultural de Angola.

O encontro serviu igualmente para reforçar a cooperação institucional entre o Ministério da Cultura e a missão diplomática de Angola junto da UNESCO, no sentido de promover a salvaguarda e valorização do património cultural do país.  In “O País” - Angola


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Angola - Semba será elevado a património da UNESCO ainda este ano

O Semba, estilo musical e de dança, que já se tornou um cartão-postal da cultura angolana, será inscrito, ainda neste ano, na lista de Património Cultural Imaterial da UNESCO. A garantia foi dada pelo ministro da Cultura, Filipe Zau, que avançou que o processo para este fim já está em fase de conclusão


Ao falar à imprensa durante as festividades do Dia Nacional da Cultura, decorridas nos dias 7 e 8 do corrente mês, na cidade de Ndalatando, província do Cuanza-Norte, Filipe Zau assegurou que o processo do cumprimento dos requisitos exigidos pela UNESCO para a aceitação do Semba a património cultural mundial já está quase pronto e que, antes mesmo do final de 2026, será cumprido o desiderato.

“A esta altura o dossiê está completamente fechado e acreditamos que antes mesmo do término de 2026 o semba deverá ser classificado como património cultural da humanidade”, assegurou o ministro.

Filipe Zau recordou que o processo arrancou em 2023, quando o estilo foi classificado como património cultural nacional, garantindo, que no presente ano, infalivelmente, os angolanos terão a honra de orgulhar-se de um estilo que será um património cultural da humanidade.

Além do semba, o governante adiantou que o dossiê das pinturas rupestres do Tchindu-hulu também está quase concluído e muito provavelmente entre o final deste ano e o princípio do próximo este monumento cultural poderá também ser classificado como património cultural da UNESCO.

Questionado sobre a situação do Corredor do Kwanza, Filipe Zau disse que continuam a ser reunidos os requisitos necessários para a sua classificação; entretanto, sublinha que ainda faltam alguns elementos fundamentais que têm a ver com os dados arqueológicos e que levam algum tempo para serem devidamente reunidos. “O corredor do Kwanza continua na lista indicativa dos inscritos para a classificação.

Não só o Corredor do Kwanza como também o Tchitundu-hulu, do Namibe, e também o Cuito Cuanavale”, disse o ministro. Acrescentou ainda que “o que está mais avançado neste momento é o dossiê das pinturas do Tchitundu-hulu que acreditamos que até final deste mês de Janeiro daremos entrada no processo”, reforçou o governante.

Conservação das línguas nacionais como património cultural O ministro manifestou também preocupação com as questões inerentes à preservação das línguas de Angola enquanto patrimónios culturais da nação.

Filipe Zau avançou que decorre um projecto de lei a ser ainda apreciado pelo Conselho de Ministros que visa estabelecer os trâmites legais sobre a preservação das línguas banto e lhes conferir um estatuto de “línguas nacionais” como tal.

“É uma lei sobre a preservação das línguas africanas de Angola, todas elas, e sobretudo uma forma de lhes dar estatuto posteriormente e não deixar simplesmente que elas se percam”, explicou.

Sublinhou que a intenção é de, acima de tudo, arranjar, do ponto de vista cultural, uma maneira de preservar estas línguas e fazer com que elas estejam cada vez mais presentes no quotidiano dos povos a que elas pertencem sem serem discriminadas. Bernardo Pires – Angola in “O País”


quinta-feira, 2 de março de 2023

UCCLA - Música ao vivo com o grupo “Da Banda”

O auditório da UCCLA vai receber, no dia 10 de março, música africana ao vivo com o grupo “Da Banda”, a partir das 20 horas.

Os bilhetes têm o valor de 7,50 euros e poderão ser pagos no local ou por MB WAY, com indicação do nome, para o número 934519217. As reservas deverão ser indicadas para o email anabela.simao@uccla.pt.

Composta por 4 elementos, todos de Angola - 2 de Benguela e 2 de Luanda -, os “Da Banda” residem, atualmente, em Portugal. É uma banda virada essencialmente para a kizomba e semba, mas que explora diversos estilos musicais angolanos, africanos e antilhanos. Alguns dos elementos já tocavam juntos em Benguela e foi mais fácil a integração no mercado musical de Portugal. Tocam em restaurantes e bares.


domingo, 22 de março de 2015

Angola - Esta raiz partilhada ainda não foi arrancada do chão

O Semba Carioca

Vi esta cena mil e uma vezes. O encontro entre músicos angolanos e brasileiros sempre dá muita conversa, como a velha história do ovo e da galinha, mas sempre dentro da mesma família. Semba, samba, a clave, o ritmo. A eterna pergunta é esta: onde está o primeiro dos quatro tempos? Qual é o tempo forte, aquele indispensável, o que segura o balanço? “Vocês estão tocando invertido!” “Não, é assim mesmo.”

O ritmo não se explica, sente-se. Não se conta, dança-se. A matemática do semba bate dentro do peito, nas congas, na dikanza, no grave do baixo do Ti Moreira, nas passadas da Tia Mizé, a riscar a poeira do chão da meia-noite.

Presenciei este momento mil e uma vezes. Desta vez, era o Toty a explicar, naipe por naipe, o ritmo do semba a um grupo de seis músicos cariocas, três deles percussionistas, profundos entendidos dos ritmos afro-brasileiros. O Toty desconstruiu pacientemente cada peça do conjunto. Os ponteiros do relógio deram muitas voltas, enquanto as caretas nas suas faces se multiplicavam, no esforço de tocar “ao contrário”, buscando a dança sem desistir. Até que deu.

E quando dá, é aquela euforia, catarse. Quando o semba acontece, o corpo reconhece. Sabe bem. Para nos, angolanos, é uma coisa da vida inteira. Mesmo aqui, no Rio de Janeiro, na margem oeste do mesmo Atlântico Sul, quando soa um semba sentimos no ar o cheiro de casa. Activa-se automaticamente um saudosismo que quase dói, numa vivência estetica e sentimental da tal de bandeira. Chega a ser perigoso. Eu e o Toty olhamo-nos em sinal de cumplicidade: o semba aconteceu. Como disse o Luiz Augusto, um dos nossos percussionistas, “o semba encontrou os seus filhos do samba”.

Curiosamente, a música seguinte foi um samba composto pelo Toty. Essa parte do ensaio voou, como se estivéssemos todos a falar a mesma língua. Qualquer músico angolano contemporâneo está familiarizado com o samba brasileiro. Já com o semba trata-se do movimento inverso. Quando os brasileiros tocam um semba, devem sentir um misto de familiaridade e estranheza. Mas quando ele se instala nas suas mãos, podemos observar nos seus olhos o prazer e a gratidão de mais uma lição aprendida. Afinal, esta raiz partilhada ainda não foi arrancada do chão e, se o vento ajudar, em breve poderemos estar todos sentados à sombra da mesma mulemba.

Um brinde, pois, ao semba carioca e ao samba kaluanda. Aline Frazão – Angola in “RedeAngola”