Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Luxemburgo - Saiu mais uma remessa com apoio às vítimas das tempestades em Portugal

Partiram esta sexta-feira para Portugal mais 20 toneladas de apoio humanitário para as vítimas das tempestades que entre janeiro e fevereiro assolaram a zona Centro do país. Esta é a segunda “remessa” enviada pelo Grupo Sopinor e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa (CCILL), e pelo menos mais duas sairão do grão-ducado nas próximas semanas


O apelo da CCILL e da Sopinor aos empresários do Luxemburgo gerou uma onda de solidariedade praticamente sem precedentes, e prova disso têm sido as toneladas de bens materiais feitas chegar ao centro de logística da Sopinor, em Schifflange, com destino a Portugal.

O primeiro semi-reboque encheu-se rapidamente com materiais de construção, ferramentas e equipamentos de proteção individual (EPI). Num total, 24 toneladas foram entregues na passada segunda-feira, 23 de fevereiro, aos concelhos de Ourém e Marinha Grande.

Esta nova carga tem sobretudo material de construção destinado à reparação de telhados, e terá como destino os distritos de Leiria e Santarém. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Macau - Trisneto gostaria que a cidade tivesse “feito mais” pelo poeta Camilo Pessanha

Dos descendentes de Camilo Pessanha estão apenas vivos os nove trisnetos, filhos da neta Ana Maria Jorge, falecida em 2018. O mais velho admitiu ao Jornal Tribuna de Macau conhecer pouco sobre o percurso do seu trisavô como poeta, apenas sabendo que “viajava muito” entre Macau e Portugal. Victor Jorge gostaria que “se tivesse feito mais no território para assinalar a carreira dele”. Sobre a aventada hipótese de trasladar os restos mortais para o Panteão Nacional, em Lisboa, confessa que “seria para mim uma honra, mas a minha mãe é muita supersticiosa e recusou o pedido”


Como o primogénito dos nove irmãos, todos trisnetos de Camilo Pessanha, Victor Jorge, de 76 anos, reconheceu ao Jornal Tribuna de Macau que não conhece muito sobre o percurso do trisavô como escritor. Apenas soube, pela boca da sua avó, Ana Maria Jorge, falecida em 2018, que o poeta “viajava muito” entre Macau e Portugal.

“O meu trisavô tinha uma neta (minha avó) e um neto que também tinha o mesmo nome do avô, ambos falecidos, e que eu saiba não há mais descendentes, apenas resta a minha família”, começou por referir.

Mesmo com a existência de alguns sinais da sua passagem pelo território, como por exemplo a estátua no Jardim das Artes e a rua com o seu nome, “Macau [as autoridades] devia ter feito mais sobre a carreira dele”, lamenta, ainda que se congratule com algumas iniciativas organizadas aquando da passagem dos 150 anos do nascimento de Camilo Pessanha.

Lembra-se, no entanto, de algumas histórias que foi ouvindo na família, que o trisavô sempre sustentou a neta. “Depois da morte do poeta, houve disputa das heranças que ele deixou, uma vez que tinha muitas antiguidades, e a madrasta não quis dividir para a minha avó invocando que ela não fazia parte da família por não ser filha legítima de Camilo Pessanha”, contou.

O caso foi para tribunal, que “deu razão à minha avó, após ter lido uma carta escrita pelo pai dela que a identificava como filha”, recorda.

No próximo mês de Maio, completam-se 10 anos desde que, em Portugal, foi aventada a possibilidade de trasladação dos restos mortais de Camilo Pessanha para o Panteão Nacional, onde se encontram túmulos de outros nomes do panorama literário, como por exemplo, Sophia de Mello Breyner Andresen, Almeida Garrett, Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro e João de Deus. A oposição dos familiares de Camilo Pessanha, acompanhada pela também não concordância do Instituto Cultural, foi decisiva para que a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto da Assembleia da República encerrasse o caso.

Victor Jorge comenta essa intenção de Portugal. “Isso seria para mim uma honra, mas a minha mãe é muito supersticiosa e recusou o pedido”.

Mesmo depois da morte de Ana Maria Jorge, os seus filhos querem respeitar a opinião da família. “Julgo que é difícil voltar atrás a propósito da trasladação dos restos mortais para Portugal, uma vez que os familiares não querem que se mexa no túmulo, por entenderem que ele escolheu ficar em Macau”, destacou.

Para marcar a efeméride da morte do poeta, a família não tem nada de especial programado. “No dia 1 de Março vamos fazer a limpeza e colocar flores na campa instalada no Cemitério de São Miguel Arcanjo”, adiantou, ressalvando que “fazemos isso anualmente, para além de pagarmos a um operário para tratar do jazigo”.

Lembra também que o filho do Camilo Pessanha tinha um afilhado que residia em Hong Kong e que foi ele que mandou fazer a lápide da sepultura com caracteres em cantonense. “Não sei se ainda está vivo, perdi o contacto dele”, esclareceu.


Victor Jorge, que acedeu prontamente a tirar uma fotografia junto à estátua do trisavô no Jardim das Artes, a qual integra ainda um pedestal com o cão do poeta, Arminho, confessou a este jornal que o interesse pela vida e obra de Camilo começou na sua juventude. “Quando eu era ainda jovem, um colega mostrou-me uma nota de 100 patacas com a gravura do poeta e perguntou-me quem era, mas na altura eu não sabia que era o meu trisavô. Depois disso, comecei a inteirar-me sobre a história dele”, afirma.

Questionado sobre documentos que possivelmente se encontrem na posse dos familiares, o trisneto disse ter apenas um livro que fala de Camilo Pessanha e da sua família. “Tem alguns poemas ilustrados e também um documento oficial que relata a identidade da minha avó como filha ilegítima, por os pais não terem sido casados”, revela.

O poeta, recorde-se, era também filho ilegítimo de Francisco António de Almeida Pessanha, um aristocrata estudante de Direito e de Maria Espírito Santo Duarte Nunes Pereira, sua empregada.Tirou o curso de direito em Coimbra, foi procurador régio em Mirandela (1892), advogado em Óbidos, em 1894, e depois de se mudar para Macau foi, durante três anos professor de Filosofia Elementar no Liceu.

Entre 1894 e 1915, voltou a Portugal algumas vezes, para tratamentos de saúde, tendo, numa delas, sido apresentado a Fernando Pessoa, que era, como Mário de Sá-Carneiro, apreciador da sua poesia.

Morreu devido ao uso excessivo de ópio e a tuberculose pulmonar. Nos relatos sobre a sua morte, extraídos do livro Camilo Pessanha de António Dias Miguel, é referido que na manhã de 1 de Março de 1926 “falece Camilo Pessanha, depois de prolongado sofrimento”. O funeral realizou-se no dia seguinte, a meio da tarde.

O seu enterro, “singelo e civil”, foi muito concorrido. Transportado, a seu pedido, num armão militar, coberto pela bandeira nacional, o poeta foi conduzido por sargentos, cabos e soldados e ladeado pelos estudantes do Liceu e outras escolas.

No cemitério, a oração fúnebre foi pronunciada pelo reitor Borges Delgado, com estas palavras: “Espírito altamente filosófico e amplamente liberal, alma aberta a todas as dores e infortúnios, encarava a vida desprendidamente, sem os preconceitos vãos que por aí pululam, a contaminar tudo e todos”.

Os jornais de Lisboa deram grande relevo à morte de Camilo Pessanha. Em 1949, a Câmara Municipal da capital portuguesa homenageou o escritor dando o nome dele a uma rua junto à Avenida da Igreja, em Alvalade.

Estátua terá nova placa informativa

A escultura em bronze, de corpo inteiro, do poeta Camilo Pessanha, acompanhada pelo seu cão Arminho, no Jardim das Artes, vai ser alvo de colocação de uma placa informativa, uma vez que a “concepção original é de difícil leitura”, segundo referiu o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM). Em resposta ao Jornal Tribuna de Macau, o organismo indicou que a escultura, da autoria do arquitecto Carlos Marreiros, foi erguida no local há mais de 10 anos, e na coluna de pedra atrás da mesma, encontra-se gravado o texto de apresentação do poeta. “Com vista a melhorar a situação, inicia-se, nesta fase, a recolha das respectivas informações”, complementou o IAM. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau” 





Portugal – Município de Santiago do Cacém abre candidaturas para o Prémio de Conto Manuel da Fonseca

As candidaturas para a 16.ª edição do Prémio de Conto Manuel da Fonseca decorrem de 2 de março a 16 de abril, desafiando autores lusófonos a apresentarem coletâneas de contos originais e inéditas.


O Município de Santiago do Cacém promove mais uma edição deste prestigiado galardão bienal, que presta homenagem ao escritor Manuel da Fonseca. Considerado uma figura incontornável da literatura portuguesa e mestre da narrativa curta, o autor santiaguense serve de inspiração a um concurso que visa não apenas celebrar o seu legado, mas também incentivar a revelação de novos talentos na língua portuguesa.

O prémio destina-se a autores maiores de idade, de nacionalidade portuguesa ou residentes em países de língua oficial portuguesa, que apresentem coletâneas de contos inéditos com temática livre. Estão excluídas da competição obras de cariz infantojuvenil ou de publicação póstuma, mantendo-se o foco em trabalhos originais dirigidos exclusivamente ao público adulto.

A obra vencedora, selecionada por um júri especializado, será distinguida com um prémio pecuniário de 4000 euros. Além do valor monetário, a Câmara Municipal de Santiago do Cacém assume a responsabilidade da edição do livro premiado, que será publicado no ano seguinte ao concurso, garantindo assim a sua promoção e distribuição junto dos leitores.

Na edição anterior, concluída em 2024, o vencedor foi Eduardo Palaio, sob o pseudónimo Joachim Guerra, com a obra Contos do Senhor Tomás da Graça (Dez Contos e Três Intervalos). A decisão foi tomada por unanimidade, reforçando a exigência e o mérito artístico que caracterizam este prémio ao longo das suas dezasseis edições. In “Canal Alentejo” - Portugal


Cabo Verde - Batucadeiras Delta Ramantxada apresentam “Lingua di Mundo”

No passado dia 22 de fevereiro as Batucadeiras Delta Ramantxada apresentaram a sua nova canção Lingua di Mundo, da autoria de Marisa Correia, a fundadora do grupo.  


O Grupo de Batuco Delta Ramantxadas foi criado há mais de 18 anos pela fundadora da associação Delta Cultura Marisa Correia Ramantxada, e desde então o grupo tem levado e continua a levar a Cultura do Concelho do Tarrafal Santiago e da Ilha de Santiago para todos os cantos do mundo.

O grupo já participou de inúmeros festivais de batuco internacional e nacional. Batucadeiras Delta Ramantxada – Cabo Verde


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Angola - Ciclo de palestras pretende homenagear heróis da Luta Armada de Libertação Nacional

O Arquivo Nacional de Angola, realizou nesta sexta-feira, 27 de Fevereiro, no auditório Agostinho Mendes de Carvalho ”Uanhenga Xitu”, o Ciclo de Palestras para comemorar o 65.º aniversário do início da Luta Armada de Libertação Nacional, que decorre sob o lema: Preservando os valores da Pátria, honremos os nossos heróis


O evento contou com a participação do Ministro da Cultura, Filipe Zau, com a sua delegação, nacionalistas, dirigentes dos órgãos de defesa e segurança, membros da sociedade civil entre outros.

Deste modo, o mesmo tem por objectivo preservar a memória colectiva, homenagear os heróis da luta de Libertação, e promover o debate académico e cívico, proporcionando um espaço de partilha de conhecimentos e experiências, assim como promover um diálogo inter-geracional.

Neste ciclo de palestras serão abordados temas como a actuação do movimento clandestino na Luta de Libertação Nacional (1956 - 1961), que terá como prelector o nacionalista, Manuel dos Santos Júnior, para o segundo tema será apresentado, a abordagem sobre a dimensão nacionalista do Cónego Manuel das Neves, na voz do preletor, Cónego Apolónio Graciano.

Por sua vez, o debate sobre o 4 de Fevereiro de 1961, no seu contexto histórico e as suas causas, que será orientado pela nacionalista e Tenente-General, Engrácia Cabenha. – Maria Custódia – Angola in “O País”




Portugal - Investigador da Universidade de Coimbra integra equipa de avaliação da Lista Vermelha das Abelhas Europeias da União Internacional para a Conservação da Natureza

O investigador Hugo Gaspar, do Centre for Functional Ecology: Science for People & Planet da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é um dos autores da segunda avaliação da Lista Vermelha das Abelhas Europeias, conduzida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).


O especialista em taxonomia, ecologia e conservação de abelhas selvagens em Portugal contribuiu para esta avaliação, que revela um aumento significativo do conhecimento sobre estas espécies, mas evidencia também um agravamento preocupante do seu estado de conservação na Europa.

Segundo o novo relatório da IUCN, 10% das abelhas selvagens europeias (171 em 1928 espécies avaliadas) estão ameaçadas de extinção, mais do dobro das 77 espécies ameaçadas registadas em 2014, quando foi feita a primeira avaliação. Um dos principais objetivos alcançados nesta segunda edição foi reduzir o número de espécies com estatuto de “Dados Insuficientes” (Data Deficient), que passou de 57%, em 2014, para apenas 14%, em 2025, tornando esta a avaliação na mais abrangente alguma vez realizada sobre o estado de conservação das abelhas selvagens europeias.

Entre os grupos de espécies mais afetadas encontram-se, por exemplo, os abelhões (género Bombus) e as abelhas do género Colletes e Dasypoda. Estas espécies, juntamente com as restantes avaliadas, são essenciais para a polinização de plantas silvestres e de culturas agrícolas, desempenhando um papel vital na sustentação dos ecossistemas terrestres e na agricultura.

Das 171 espécies que estão ameaçadas de extinção na Europa, 67 ocorrem em Portugal, o que corresponde a 9% da fauna nacional (747 espécies). Das 25 espécies no nível mais alto de ameaça (“Criticamente em Perigo”) na Europa, apenas uma ocorre em Portugal – o Epéolo-de-faixas (Epeolus fasciatus Friese, 1895) – uma espécie de abelha cuco que parasita abelhas do género Colletes.

«Este documento é mais uma prova do aumento do conhecimento, ainda que limitado, resultante do investimento que tem sido feito no estudo das abelhas na Europa nos últimos anos», explica Hugo Gaspar, investigador do Departamento de Ciências da FCTUC.

«É importante compreender que o nível de ameaça depende do contexto geográfico e neste documento é recomendada a criação de listas vermelhas nacionais específicas de abelhas selvagens, ainda inexistente em Portugal», afirma, acrescentando que «uma espécie pode não estar ameaçada à escala europeia e estar ameaçada à escala nacional, ou vice-versa – isso tem implicações na conservação nacional das abelhas».

Na FCTUC e no FLOWer Lab têm sido desenvolvidos esforços contínuos para a conservação das abelhas selvagens e de outros polinizadores, através de vários projetos de investigação e ação. Entre eles, destaca-se, naturalmente, o doutoramento de Hugo Gaspar, que visa ampliar o conhecimento da distribuição e identificação das abelhas selvagens em Portugal; o projeto nacional PolinizAÇÃO, responsável pelo Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores em Portugal; o projeto ARCADE para o melhoramento das coleções de referência nacionais; e mais recentemente, o projeto europeu BeeConnected SUDOE, dedicado ao restauro ecológico de habitats e à conservação de polinizadores selvagens.

A Lista Vermelha das Abelhas, publicada recentemente, destaca ainda as principais ameaças à conservação das abelhas: 1) a intensificação agrícola, 2) as alterações climáticas, 3) a perda e fragmentação dos habitats, 4) as espécies invasoras e 5) a poluição. Também são apresentadas as prioridades para a conservação: 1) proteger e restaurar habitats, 2) promover práticas agrícolas favoráveis a polinizadores, 3) expandir a monitorização e investigação, 4) fortalecer a rede de especialistas e 5) integrar a conservação de abelhas nas políticas existentes. Universidade de Coimbra - Portugal  


Angola – Foi apresentada a obra de Natália Umbelina “Trabalho forçado em São Tomé e Príncipe – Os serviçais”

A sede da União dos Escritores Angolanos foi o palco para o lançamento do trabalho de investigação histórica realizado pela historiadora Natália Umbelina.


Angola que foi a principal fonte que o colonialismo português utilizou para tráfico de mão de obra escrava, e mais tarde contratada, para trabalhar nas roças em São Tomé e Príncipe acolheu com curiosidade, o lançamento da obra que investigou o trabalho forçado colonial de 1853 a 1903.

A intelectualidade angolana convergiu-se para a sede da União dos Escritores Angolanos para absorver a história do Trabalho forçado no arquipélago de São Tomé e Príncipe: Os serviçais.

Aki Neto, Cornélio Calei, Kanguimbu Ananaz, Hélder Simbad, são nomes de escritores angolanos que participaram no lançamento do livro.

Professores universitários, estudantes, jornalistas e cidadãos comuns de Angola também foram conhecer a história da escravatura colonial, que uniu para sempre angolanos e são-tomenses. Abel Veiga – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


Cabo Verde - Associação satisfeita com campanha de recolha de livros para biblioteca em Chã de Alecrim no município de Porto Novo

Porto Novo – A associação “Nós zona ma Nós”, na Ribeira das Patas, Porto Novo, manifestou-se hoje satisfeita pelo envolvimento das pessoas na campanha de recolha de livros para a biblioteca de Chã de Alecrim, cuja abertura acontece em Maio.


O presidente desta associação, Hernany Neves, informou que “Nós zona ma Nós” (Nossa zona Connosco, em português) já recolheu “uma grande quantidade de livros”, com destaque para livros infantojuvenis, que viabilizará o projecto da biblioteca, muito aguardada pelos habitantes de Chã de Alecrim.  

“A nossa associação já dispõe de uma grande quantidade de livros, mas continuamos a pedir as pessoas para colaborar na recolha de mais livros para a nossa biblioteca, que terá ainda uma sala de estudo”, sublinhou este líder associativo.

A associação “Nós zona ma Nós” traçou como um dos propósitos colaborar com as estruturas da educação na Ribeira das Patas no combate ao analfabetismo e no abandono escolar. 

Esta associação tem ainda como foco ajudar na resolução dos problemas que a comunidade de Chã de Alecrim enfrenta nos diferentes domínios, sobretudo, a nível de habitação social, apoiando as famílias em situação de vulnerabilidade. In “Inforpress” – Cabo Verde


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Macau - Um século depois da sua morte, Camilo Pessanha é homenageado

O centenário da morte de Camilo Pessanha vai ser assinalado com dois eventos no início de Março, que pretendem resgatar a memória e o legado de um dos maiores poetas da língua portuguesa. As celebrações começam no dia exacto em que se completam cem anos desde o seu desaparecimento, no domingo, com uma mesa-redonda na Casa Garden. No dia 3, é a vez de o IPOR receber uma discussão sobre as várias dimensões de um homem que, mais do que poeta, foi professor, jurista e até tradutor de chinês-português. Faleceu em Macau a 1 de Março de 1926


Camilo Pessanha é um poeta tão grande que Macau inteiro não chega para seu túmulo, disse Eugénio de Andrade. Não basta, portanto, que o centenário do seu falecimento seja assinalado uma única vez. A vida e a obra do poeta – um dos vultos de maior dimensão na literatura de língua portuguesa – serão homenageadas ao longo do corrente ano de 2026, começando com duas sessões no início de Março.

A primeira mesa-redonda está agendada para domingo, dia 1, quando terá decorrido exactamente um século desde o desaparecimento de Pessanha. O painel de convidados vai reunir-se na Casa Garden, pelas 16h, para uma conversa distribuída por seis oradores e moderada por Sérgio Sousa, professor catedrático no Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM).

Os nomes convidados para esta sessão são o poeta, professor e ensaísta António Carlos Cortez, os escritores e jornalistas Carlos Morais José e Christopher Chu, os professores da UM Diego Giménez, Maggie Hoi e Yao Feng e o arquitecto Carlos Marreiros. Importa sublinhar que todos estes oradores possuem um conhecimento aprofundado da obra de Camilo Pessanha, sendo responsáveis por ensaios, recensões críticas, documentários cinematográficos (no caso de Carlos Morais José) e até traduções oficiais do seu único livro de poemas, “Clepsidra” (no caso de Yao Feng).

O evento tem como título “Ir assim, a bordo de um navio, sem destino”, em alusão às palavras que Camilo Pessanha dirigiu ao amigo Carlos Amaro numa carta escrita em 1909, embalado pelas ondas que o levavam de regresso a Macau. É um reflexo da identidade muito própria do poeta e do homem, ambos eternamente seduzidos pela ideia do vaguear sem rumo (e da ameaça constante do naufrágio libertador), e também uma reflexão directa sobre o caminho desbravado entre Lisboa e Macau.

A relação com o território asiático é densa, complexa e ambígua, revista em tempos contemporâneos como cravada de orientalismos e preconceitos. Chegar a Macau não era avistar um farol depois de uma temporada em alto-mar: era regressar ao “chão antipático do exílio”, como lhe chamou. Num texto escrito em 1924 para o jornal A Pátria, extinto dois anos depois, a descrição geral que Pessanha fazia sobre os poetas expatriados parecia conter um carácter auto-biográfico. “Os poucos [poetas] que vagueiam e se definham por longínquas regiões, se acaso escreverem um verso, é sempre para cantar a pátria ausente”.

Diz-se que o poeta se exilou voluntariamente em Macau após um desgosto amoroso, quando Ana de Castro Osório recusou o seu pedido de casamento. Sugere-o o poema “Canção da Partida”, em que o poeta alude ao noivado da escritora e activista com Paulino de Oliveira, também homem de letras. Um ano depois, cruzava os oceanos rumo a Macau.

Homem de várias facetas

A versão trágico-romântica da história insiste no coração partido, mas a verdade é que a partida para Macau surgiu também amparada pela necessidade de encontrar oportunidades profissionais. É assim que vai parar ao recém-criado Liceu de Macau, onde leccionou diferentes disciplinas: Filosofia, Língua Portuguesa, História, Geografia, Economia Política, Direito Comercial e História da China.

A mundividência de Camilo Pessanha reflectiu-se também nos diferentes ofícios que ocupou até à data da morte. Para além de docente, foi conservador, advogado, juiz, auditor e, à excepção da última década de vida, sempre poeta – talvez a mais desconhecida das suas ocupações para a população local, que o interpretava como excêntrico e de aparência peculiar (percepção exacerbada pelo vício de ópio).

O escritor e investigador Danilo Barreiros, que chegou a ser contemporâneo do poeta, descreveu-o do seguinte modo na obra “O Testamento de Camilo Pessanha”: “Magro esquálido, a barba hirsuta, o cabelo colado à testa, seminu sobre o leito, aspirando voluptuosamente o longo cachimbo sobre a chama amarelada da lâmpada de cristal, que lhe projetava a sombra desfigurada nas paredes obscurecidas, tendo no semblante a expressão hipnótica dos opiómanos”.

O reconhecimento literário foi póstumo e possível graças aos esforços de Ana de Castro Osório, com quem manteve uma estreita amizade apesar do romance gorado. “Clepsidra” – obra única no repertório de Camilo Pessanha, obra máxima na literatura portuguesa – reúne as composições que o poeta criava ao longo da sua vida e mantinha vivas apenas na sua memória, sem as passar para papel. Em edições posteriores, a obra viria a ser ampliada com poemas entretanto descobertos.

O evento de 3 de Março no IPOR – Instituto Português do Oriente, marcado para as 18h30, vem pôr em foco as várias facetas do poeta. O médico e escritor Shee Vá, responsável pela moderação, conta ao Ponto Final que a escolha de cada um dos três oradores convidados foi intencional.

José Basto da Silva, membro do conselho de administração da Fundação da Escola Portuguesa, vai debruçar-se sobre a actividade professoral do poeta, enquanto Frederico Rato, advogado e notário de Macau, vai explorar o seu percurso como advogado e jurista. Por fim, António Carlos Cortez – que também estará presente na sessão de dia 1 na Casa Garden – vai focar-se no domínio da poesia.

“Vou dar-lhe dois temas para desenvolver”, conta Shee Vá. “O primeiro, para saber se Camilo teria tantas saudades de Portugal como se diz habitualmente. E se isto se reflectiu ou não na sua poesia, porque, como sabemos, a maior parte da sua obra foi escrita antes de vir para Macau – e em Macau corrigiu, corrigiu, corrigiu”.

Uma segunda área de discussão incide sobre os contactos que mantinha com Portugal. “Camilo manteve correspondência com os jornais e as revistas portugueses, que eram lá publicados. Também mandava muitas crónicas. Portanto, vamos também questionar se a faceta de prosador se reflectia nos seus poemas”.

Depois da intervenção do trio de oradores, haverá espaço para um “clube de leitura” em que serão declamados poemas, alguns deles já mencionados no decorrer da conversa. “Aliás, a introdução que vou fazer em relação à vida de Camilo até vir para Macau já vai introduzindo alguma da obra poética”, explica Shee Vá. E desvenda ainda alguns dos outros temas que poderão ser mencionados ao longo da conversa: a faceta de Camilo Pessanha enquanto coleccionador (“foram enviadas muitas obras de arte para Portugal, e seria interessante saber se têm ou não muito valor”) e os seus anos tardios, marcados pelo vício de ópio e uma degradação lenta que culminou na sua morte aos 58 anos.

Recuperar um legado empoeirado

Nas últimas décadas de vida, Pessanha fez viagens sucessivas a Portugal para tratamentos médicos, onde conheceu – e influenciou directamente – os membros da geração da revista “Orpheu”. Regressou sempre a Macau. Macau, esse território que descreveu em 1916, numa carta endereçada a Ana de Castro Osório, como um “meio acanhadíssimo – mexeriqueiro e boçal – a todos os respeitos misérrimo”.

Mas Pessanha era um homem de contradições e paradoxos, e centrarmo-nos nas suas (sucessivas) críticas ao território seria ignorar o respeito que demonstrou sentir pela cultura local. Aprendeu cantonês, leu poesia chinesa, coleccionou antiguidades. Dedicou-se também a um importante trabalho de tradução que incluiu as “Oito Elegias Chinesas” da dinastia Ming, conferindo-lhes visibilidade e relevância no mundo lusófono.

A sua visão de Macau parecia, acima de tudo, enevoada pelo saudosismo umbilical de uma pátria à distância de meio mundo. Descrevia-o assim o poeta, no seu ensaio sobre a gruta de Camões: “Em Macau é fácil à imaginação exaltada pela nostalgia, em alguma nesga de pinhal menos frequentada pela população chinesa, abstrair da visão dos prédios chineses, dos pagodes chineses, das sepulturas chinesas, das misteriosas inscrições chinesas (…) e criar-se, em certas épocas do ano e a certas horas do dia, a ilusão de terra portuguesa”.

Hoje, Camilo Pessanha faz parte dessa mesma portugalidade de Macau. A sua imagem está inscrita num mural no jardim do Consulado de Portugal, assinado pelo artista Vhils, ou na estátua que o representa apoiado na bengala, no Jardim das Artes. De resto, num território em que apenas 2,3% da população diz ser fluente em português, os seus versos circulam entre um grupo restrito de apreciadores de poesia. Macau inteiro não chega para túmulo de Pessanha, dizia Eugénio de Andrade, mas o seu legado vai sendo empoeirado pelos anos – que formam agora um século. A sua campa singela passa despercebida a quem passeia, desatento ou com outros destinos, no Cemitério de São Miguel Arcanjo.

As iniciativas marcadas para este ano ajudam a recuperar a memória de um poeta irrepetível, que elevou o Simbolismo em Portugal à sua máxima expressão. Para além das duas sessões já mencionadas, o IPOR pretende organizar uma série de actividades relacionadas com o poeta ao longo de todo o ano de 2026.

Em declarações ao Ponto Final, Patrícia Quaresma confirma que os futuros eventos “estão planeados, mas ainda não confirmados, portanto não podemos falar muito sobre eles”. Adianta, porém, que o IPOR está “a tentar estudar a possibilidade de trazer uma exposição bibliográfica, em conjunto com o Instituto Camões”, assim como a realização de “outras actividades sobre o poeta, ou na biblioteca [pertinentemente chamada de Biblioteca Camilo Pessanha] ou no Café Oriente”. Carolina Baltazar – Macau in “Ponto Final”


Moçambique - “O livro é um instrumento de transformação social”, afirma Jeconias Mocumbe

O jovem escritor e fundador da Massinhane Edições, Jeconias Mocumbe, afirma acreditar profundamente no poder do livro como ferramenta de transformação positiva das mentes e das comunidades.


Com uma trajectória iniciada na dinamização cultural através da organização de oficinas literárias, círculos de leitura e eventos culturais, Jeconias defende que o livro ocupa um lugar privilegiado na sociedade. “Um livro pode transformar consciências, questionar estruturas, provocar debates, partilhar experiências e orientar o futuro”, sustenta, sublinhando que a mudança social começa na forma como as pessoas pensam e interpretam o mundo.

Segundo o escritor, a criação da Massinhane Edições surgiu da constatação de que muitos jovens talentosos, na província de Inhambane, não conseguiam publicar as suas obras devido à inexistência de uma estrutura editorial local. A editora nasceu, assim, com o propósito de servir de ponte entre o manuscrito e o leitor, apostando sobretudo em escritores emergentes.

Para que o livro continue a desempenhar o seu papel de “bússola social”, Jeconias defende maior envolvimento das autoridades governamentais, organizações e instituições de ensino na promoção do hábito de leitura. Entre as medidas apontadas estão a implementação de políticas públicas consistentes, a criação de bibliotecas comunitárias activas, a realização de concursos literários e o reforço do incentivo à leitura nas escolas.

No que diz respeito ao funcionamento da editora, explica que a selecção de manuscritos tem como base a qualidade literária, sem descurar a relevância social das obras. A Massinhane privilegia textos que dialoguem com a realidade moçambicana, abordando temas como identidade, memória e questões sociais. A relação com os autores é descrita como colaborativa, envolvendo-os em todas as etapas do processo editorial.

Embora reconheça o potencial do livro digital, a Massinhane Edições mantém o foco no formato físico, considerado essencial no actual contexto cultural e educativo do país. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Timor-Leste – Organização não-governamental La’o Hamutuk pede ao Ministério Público investigação independente a queixa contra o Myanmar

A organização não-governamental timorense La’o Hamutuk pediu ontem ao Ministério Público para realizar uma investigação independente à queixa-crime apresentada contra os militares do Myanmar e pediu às autoridades políticas para respeitarem a separação de poderes

“O processo de investigação deve ser autónomo e profissional, de acordo com os procedimentos legais aplicáveis e os padrões de prova”, pode ler-se numa carta aberta, divulgada à imprensa.

A La’o Hamutuk salienta que a “avaliação preliminar é um passo normal para determinar se existe base jurídica suficiente para avançar para as etapas subsequentes, sendo essencial para proteger, de forma imparcial, os direitos das vítimas e dos suspeitos”.

A ONG timorense pediu também às autoridades políticas para evitarem influenciar os processos judiciais. “As declarações públicas devem ser feitas com prudência para não criar perceções negativas sobre o caso. O respeito pela separação de poderes entre os ramos executivo e judicial reforça a confiança pública e protege a credibilidade do Estado de direito”, afirma a La’o Hamutuk.

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou a semana passada esperar que as autoridades judiciais, como o tribunal ou o Ministério Público de Timor-Leste, arquivem o caso relacionado com crimes ocorridos no Myanmar. “Se tomarem uma decisão, nós respeitamos. Também dizemos que a justiça é assunto da própria justiça. Mas sentimos que não temos competência para julgar acontecimentos que ocorreram noutro país. Por isso, esperamos que o tribunal ou o Ministério Público arquivem o caso”, afirmou Xanana Gusmão.

Em 3 de fevereiro, a CHRO – que representa a minoria de Chin, que vive no noroeste de Myanmar, junto à fronteira com a Índia e o Bangladesh – anunciou que o Ministério Público de Timor-Leste tinha iniciado um processo legal contra a junta militar. “Saudamos esta iniciativa e aguardamos com expectativa a colaboração com as autoridades timorenses, bem como com os grupos da sociedade civil em Timor-Leste, para a promoção da justiça para o povo Chin e para todos os povos de Myanmar”, afirmou o diretor da CHRO, Salai Za Uk.

A organização tinha apresentado, duas semanas antes, no Ministério Público de Timor-Leste uma queixa-crime contra um grupo de militares daquele país por crimes de guerra e contra a humanidade.

Segundo os advogados timorenses, que representam a CHRO, os crimes contra a humanidade estão previstos no artigo 124º do Código Penal e os crimes de guerra estão tipificados também no Código Penal no artigo 125º (crime de guerra contra as pessoas), crimes por utilização de métodos de guerra proibidos (artigo 126º) e crimes de guerra contra a propriedade.

Esta foi a primeira vez que um membro da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, na sigla em inglês) inicia uma ação deste tipo contra um Estado-membro da própria organização.

Tanto Timor-Leste como o Myanmar são membros da ASEAN, organização que suspendeu a antiga Birmânia, na sequência do golpe de fevereiro de 2021, quando os militares derrubaram o Governo liderado por Aung San Suu Kyi, prémio Nobel da Paz, e mergulharam o país numa guerra civil.

Dados divulgados por uma organização de direitos humanos do Estado Chin indicam que a junta militar realizou mais de 1000 ataques aéreos naquela região, que causaram a morte de 478 civis, incluindo 91 mulheres e 79 crianças, e destruíram várias unidades de saúde, escolas e edifícios religiosos. In “Ponto Final” - Macau


Angola - Linha de financiamento de Portugal é “das mais flexíveis” para o país

A ministra das Finanças de Angola destacou que a linha de financiamento de Portugal é “das mais flexíveis” e o Estado conseguiu que 195 mil milhões de kwanzas (1,7 mil milhões de patacas) sejam para o sector da educação.

Vera Daves de Sousa foi a convidada da V edição do programa “Conversas Economia 100 Makas”, do jornalista angolano Carlos Rosado de Carvalho, que abordou o tema “OGE 2026, as Empresas e as Famílias”, em que o sector da educação foi dos mais destacados nas preocupações quanto à fatia disponibilizada no Orçamento Geral do Estado 2026, cerca de 7% das despesas públicas.

A titular da pasta das Finanças de Angola referiu, a propósito, que na linha de financiamento de Portugal, além da reabilitação de infra-estruturas da urbanização Nova Vida, em Luanda, o Estado conseguiu também encaixar a construção de escolas. A governante angolana disse que estão a ser construídas infra-estruturas escolares, mas o Estado não consegue acompanhar a taxa de crescimento populacional.

“Não estamos a conseguir acompanhar a velocidade com que mais crianças se tornam elegíveis para fazer parte do sistema de ensino, por isso que para 2025 foi criado um programa específico “Minha Escola, Meu Futuro”, em que estamos a buscar um financiamento específico só para construir escolas”, referiu. Segundo a ministra, este é um sinal de que o Executivo reconhece que está “a andar devagar nesse domínio de construção de infra-estruturas escolares”.

Vera Daves de Sousa admitiu que tem sido dada “pouca atenção à educação comparativamente a outros sectores”, um assunto que preocupa o Presidente angolano, João Lourenço.

“Temos sido continuamente desafiados pelo Titular do Poder Executivo a fazê-lo [dar mais atenção à educação], desafia-nos continuamente”, destacou a ministra.

“Chama-nos frequentemente para saber como é que está o progresso relativamente a alguns projectos do ensino superior que têm fontes de financiamento identificadas e estão a demorar para ser activadas, não são poucas as vezes que o Titular do Poder Executivo nos chama e nos cobra que se feche o quanto antes”, acrescentou.

De acordo com a ministra, desde meados de 2025 que o Presidente tem exigido a identificação de uma fonte de financiamento estável para construir mais escolas, para não depender exclusivamente de recursos ordinários do tesouro.

“Na sua última deslocação a Portugal, ele próprio solicitou isso às autoridades portuguesas e por isso conseguimos encaixar na linha de Portugal”, sublinhou.

O facto de ter sido iniciativa própria do Presidente angolano, afirmou, “demonstra a preocupação ao mais alto nível com o tema e com a necessidade de dar outra velocidade”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Japão - Sociedade Luso‑Nipónica apresenta curtas-metragens portuguesas

No próximo dia 4 de março, a Sociedade LusoNipónica organiza, em Tóquio, uma mostra de três curtasmetragens de animação portuguesas, que integraram o festival EU Film Days, numa iniciativa que visa aproximar o público japonês da cultura contemporânea de Portugal


A sessão contará com três trabalhos de realizadores portugueses que têm vindo a ganhar reconhecimento internacional.

“Garrano”, de David Doutel e Vasco Sá, explora temas de tradição e identidade cultural através de uma narrativa animada envolvente. Já “Percebes”, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, é uma curta criativa que combina humor e sensibilidade artística para contar histórias do quotidiano português.

Finalmente, “Ice Merchants”, de João Gonzalez, foi premiada internacionalmente e combina técnica de animação refinada com uma narrativa poética sobre relações humanas e memórias.

Esta mostra representa uma oportunidade para o público nipónico conhecer a diversidade e a qualidade da animação portuguesa, reforçando os laços culturais entre Portugal e Japão.

A entrada é aberta ao público. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Guiné Equatorial - O Governo dará prioridade aos funcionários públicos na distribuição de 1000 casas na Cidade da Paz

O vice-presidente Nguema Obiang Mangue ordenou o estabelecimento de mecanismos para fixar preços ajustados ao salário mínimo e garantir financiamento acessível


O Governo da Guiné Equatorial deu um passo decisivo no processo de transferência dos funcionários públicos para a nova capital, Cidade da Paz, dando prioridade ao acesso deles às 1000 unidades habitacionais sociais construídas no local. O Vice-Presidente da República, Nguema Obiang Mangue, instruiu formalmente a abertura de negociações com bancos comerciais para garantir empréstimos acessíveis a taxas ajustadas aos salários reais dos servidores públicos.

A decisão foi tomada na última terça-feira, durante uma reunião de trabalho realizada no Palácio Presidencial em Malabo, com a presença do Primeiro-Ministro Manuel Osa Nsue Nsua, também responsável pela Coordenação Administrativa, e de vários ministros. A reunião centrou-se numa questão fundamental: a definição dos preços de compra e aluguer dos apartamentos construídos na nova capital administrativa.

De acordo com as informações apresentadas na sessão, o complexo residencial é composto por dois modelos de apartamentos com áreas de 100 e 115 metros quadrados. Cada apartamento possui três quartos, três casas de banho, hall de entrada e sala de estar/jantar, num complexo residencial projetado com altos padrões de qualidade.

Apesar dessas características, o vice-presidente enfatizou que o fator determinante não deveria ser apenas a qualidade dos edifícios, mas sim o poder aquisitivo dos servidores públicos. Nesse sentido, insistiu que os preços deveriam ser definidos com base no salário mínimo nacional e no rendimento real dos servidores da administração pública.

Para garantir esse objetivo, Nguema Obiang Mangue instruiu o Primeiro-Ministro a coordenar uma reunião com os bancos comerciais do país a fim de chegar a um acordo sobre mecanismos de financiamento que permitam aos funcionários públicos aceder a empréstimos em condições favoráveis.

O governo prevê que, após discussões com instituições financeiras, os preços finais de venda e aluguer serão definidos. Essa medida faz parte da estratégia governamental para consolidar La Paz como a nova capital administrativa, garantindo que a transferência dos servidores públicos ocorra em condições que assegurem o acesso a habitações dignas e sustentáveis. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equtorial Guinea”


Angola - Celso Furtado apresenta o livro “Sussurros da Madrugada”

O mestre em Negócios Internacionais Celso Leiro Furtado “Kiseka” vai brindar os leitores com a obra “Sussurros da Madrugada“, na sexta-feira, 27, no Memorial António Agostinho Neto, a partir das 17h00


A sua obra, segundo nota de imprensa enviada a O País apresenta-se como um livro de poesia intimista e confessional, onde a palavra surge como necessidade vital e espaço de sobrevivência emocional. Esta obra convida o leitor a uma leitura emocionalmente intensa, onde cada poema funciona como um fragmento de vida, um sussurro que ecoa no silêncio de quem lê.

Ao longo dos poemas, lê-se, o autor percorre temas universais sempre atravessados por uma carga afectiva intensa, cruzando-se com experiências pessoais, reflexões sociais, dando voz não apenas ao amor íntimo, mas também à pertença africana, à memória colectiva e ao desejo de liberdade. Sussurros da Madrugada suporta uma colectânea de poemas que retém a diversidade e a divergência dos sentimentos humanos, com uma voz poética livre e despretensiosa, mas profundamente sensível. Para Celso Furtado “um povo que não lê é um povo que não pensa, e um povo que não pensa é um povo que não evolui”.

Celso Leiro Furtado (Kiseka) nasceu em Luanda, Angola, em 1984. É Mestre em Negócios Internacionais pela London School of Economics e actualmente divide o seu tempo entre Luanda e Lisboa, onde presta serviços de consultoria na sua área de formação.

A sua relação com a escrita nasce ainda na juventude, profundamente marcada pelas aulas de Língua Portuguesa e pelas leituras de Fernando Pessoa e Florbela Espanca, autores que o inspiraram a olhar para a poesia como uma forma de introspecção e de expressão emocional.

Poeta por natureza e relativista convicto, Celso Furtado vê a poesia como um espaço de liberdade onde o pensamento e o sentimento se encontram. A sua escrita é intimista, filosófica e espontânea, explorando as nuances do amor, da solidão, do tempo e da essência humana.

Em Todos os Meus Poemas São de Amor, o autor apresenta uma colectânea de poemas que reflectem a diversidade e a divergência dos sentimentos humanos, com uma voz poética livre e despretensiosa, mas profundamente sensível.

Para Celso Furtado, e citamos, a poesia é a minha casa, o lugar onde me visto da minha própria pele. Com esta primeira obra, o autor assume o desejo de reaproximar o público angolano e lusófono da literatura, acreditando que um povo que não lê é um povo que não pensa, e um povo que não pensa é um povo que não evolui. In “O País” - Angola

Moçambique - Lançamento de “Novas Vozes, Novas Estórias” celebra vencedores do Prémio Literário Carlos Morgado 2025

Chega ao público a 3.ª edição da antologia Novas Vozes, Novas Estórias, que reúne os 10 melhores contos de novos autores moçambicanos distinguidos na edição 2025 do Prémio Literário Carlos Morgado (PLCM).


Organizado pela Fundação Carlos Morgado e pela Catalogus, o prémio recebeu, em 2025, um total de 203 contos provenientes de diferentes pontos do país, um número que confirma o seu alcance nacional e a crescente relevância no panorama literário moçambicano.

A cerimónia de lançamento da antologia terá lugar na terça-feira, 10 de Março, às 17h30, no Business Lounge by Nedbank, em Maputo. No mesmo evento será oficialmente lançada a edição 2026 do prémio, marcando a abertura de um novo ciclo de candidaturas, que decorrerá de Março a Maio de 2026.

Autores publicados na edição 2025

A antologia apresenta textos de:

  • Omar Mahando António
  • Arquilito Silambo
  • Solange Guambe
  • Zaida Abacar
  • Daniel dos Santos
  • Argentina Guirrugo
  • Atumane Taibo
  • Pedro Mucheu
  • Alex Gujamo
  • Delton Lisboa

A obra propõe um retrato plural do Moçambique contemporâneo, explorando diferentes contextos sociais, experiências individuais e perspectivas ficcionais. O objectivo mantém-se claro: incentivar a criação literária, descobrir novos talentos e fortalecer a cultura do livro no país.

O Prémio Literário Carlos Morgado é instituído pela Fundação Carlos Morgado, organizado pela Catalogus, com o suporte da MGC – Matola Gas Company.

Com esta iniciativa, os promotores consolidam o seu papel na dinamização do sector editorial e no incentivo ao surgimento de novas vozes na literatura moçambicana. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Angola - Obras bilingues do escritor Fragata de Morais serão lançadas na União dos Escritores Angola

O escritor angolano, Fragata de Morais, prepara-se para lançar, na sede da União dos Escritores Angola (UEA), em Luanda, duas obras literárias, bilingues: Kikongo e Umbundu, com a chancela da Mayamba editora


Trata-se dos volumes, Um Canto ao Meu Congo (Nkunga kwa Nsi’Ami Kongo) em Kikongo, traduzido pelo Académico Manuel Alegria da Igreja Kimbanguista e A Senhora Sunflower e Outros Contos, em Umbundu pela Deputada, Miraldina Jamba. O primeiro livro, Um Canto ao meu Congo é um percurso ficcional sobre os diversos ciclos da História do Kongo que vão desde a fundação à cristianização, decadência e busca do renascimento cultural.

O livro transporta os leitores à mística do espaço sócio-cultural Kongo, no qual o autor absorveu muito da sua cultura e história Akongo, sem, no entanto, dela desviar-se. Já a segunda obra, A Senhora Sunflower e Outros Contos, explora a cultura do povo Khoisan. A vida e obra de um casal de pastores evangélicos, de nacionalidade inglesa, com o sobrenome Sunflower, idos para um determinado ponto de Angola para exercerem a sua profissão, de levarem a fé de Deus a estes povos.

Apesar das traduções estarem prontas e impressas, o lançamento oficial encontra-se em espera. A decisão estratégica visa realizar um lançamento conjunto com outra obra do autor, um livro ilustrado sobre a História de Angola, que conta com o patrocínio da Sonangol e está em fase de finalização.

Sem avançar a data para o lançamento, Fragata de Morais detalhou o processo de tradução do volume A Senhora Sunflower e Outros Contos para línguas nacionais (Kikongo e Umbundo), justificando o adiamento estratégico do lançamento para coincidir com uma nova obra histórica.

O objectivo principal destas publicações, segundo o escritor, é o desenvolvimento e a divulgação das línguas regionais, uma prática que, no seu entender, deveria ser adoptada por mais escritores de diversas origens provinciais (como Cokwe, o Oshikwanyama por aí fora), para valorizar a identidade angolana. “Apelo os escritores de outras províncias do país a publiquem nas suas línguas nativas para preservar a “angolanidade”, adiantou.

Reflexão sobre hábitos de leitura

O autor expressou a sua preocupação com a actual geração de jovens, observando uma perda significativa do gosto pela leitura em favor do uso excessivo de telemóveis e pesquisas rápidas no Google.

O escriba contrastou este cenário com a sua própria formação literária, que evoluiu da leitura de Banda Desenhada (Tio Patinhas) para clássicos de autores como Jorge Amado e Graciliano Ramos, lamentando que a falta de leitura profunda e o desuso de dicionários estejam a comprometer a formação cultural da juventude.

“A juventude hoje lê pouco, fica debruçada sobre o telemóvel… Eu ganhei o gosto pela leitura lendo o Tio Patinhas. Hoje não têm dicionário, fica complicado”, disse Fragata. Ainda no que às acções em torno da literatura diz respeito, o escriba disse ter apresentado à Editora Mayamba futuros projectos editoriais e uma reflexão crítica sobre o declínio dos hábitos de leitura no seio da juventude angolana.

Confirmou ter entregado também à referida editora um novo manuscrito focado na presença judaica em Angola ao longo dos séculos. “Recordo-vos que as obras traduzidas estão finalizadas e aguardam apenas a conclusão do livro histórico patrocinado pela Sonangol para um lançamento simultâneo”, assegurou Fragata, acrescentando que se mantém produtivo com novos temas históricos, não obstante reconhecer os desafios comerciais impostos pelo actual cenário de baixos índices de leitura. Augusto Nunes – Angola in “O País”