A revelação de três milhões de
documentos extraídos dos arquivos de Jeffrey Epstein relança a teoria de
complôs e já atingiu duas personalidades importantes. O ex-ministro francês Jack Lang, por uma questão de
evasão de divisas e criação de uma empresa off-shore, já se demitiu da
presidência do Instituto do Mundo Árabe, enquanto, na Inglaterra, quem pode
cair é o primeiro-ministro Keir Starmer, por ter nomeado Peter
Mandelson, amigo próximo de Epstein, predador sexual, como embaixador nos
Estados Unidos.
Em entrevista para Radio France, a jornalista Perla Msika, do Conspiray Watch,
dirigido pelo Observatório do Conspiracionismo, desmente a existência de uma
conspiração mundial pedo-satanista, da qual Jeffrey Epstein seria o instigador
"porque ele era judeu, rico e culpado de crimes sexuais", como
propagam redes sociais alternativas e mídias complotistas. Ao contrário, a
divulgação dos arquivos Epstein assinala a entrada "numa época de
transparência, que permitirá aos jornalistas fazer seu trabalho e saber
exatamente do que se trata, mesmo porque existem diversos casos Epstein".
Entretanto, as teorias antissemitas de complôs já se
espalharam e de acordo com The Times of Israel envolvem o
mundo judaico, por ter havido associações judaicas interessadas em obter
doações de Epstein, ligações financeiras com yeshivas ortodoxas e com o
ex-primeiro ministro Ehud Barak. No mais, tem havido um retorno às velhas
teorias contra judeus, bem antes mesmo do nazismo.
Foi nesse clima de antissemitismo que o caso Epstein
chegou ao Brasil, provocando numerosas reações na mídia convencional e nas redes
sociais, depois da publicação de um vídeo na rede Instagram
pelo sociólogo, escritor e professor Jessé Souza. Diante das primeiras reações
negativas, o vídeo foi modificado, mas ficaram as reações ao vídeo original,
segundo a Folha de SP, da qual transcrevemos os textos reproduzidos.
Na Folha de SP, a jornalista Laura Intrieri,
definiu o vídeo como "ataque antissemita ao dizer que Epstein "é
produto do sionismo judaico". Sem provas e sem se basear no que tenha sido
publicado sobre o caso, Jessé ajunta "a rede industrial de pedofilia só
existia para servir depois para a chantagem de Israel em relação aos políticos
bilionários, especialmente americanos, para ter o apoio às práticas assassinas
de Israel no Oriente Médio e na Palestina".
Na sequência, Jessé Souza deixou de ser um cientista
social para ser um panfletário complotista: "o holocausto judeu foi
cafetinado pelo sionismo, com a ajuda de Hollywood e de toda mídia mundial,
dominada pelo lobby judaico para acusar de antissemitismo qualquer crítica a
Israel." E afirma seu antissemitismo: "Como Israel, Epstein matava e
violava meninas e meninos, americanos e de outros lugares, por uma autorização
tácita e às vezes explicita do poder do lobby judaico no mundo". Rui
Martins – Suíça
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Rui Martins é
jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador
do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas,
que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos
emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da
corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto
Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do
Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de
Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de
Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso
de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
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