O escritor angolano, Fragata de Morais, prepara-se para lançar, na sede da União dos Escritores Angola (UEA), em Luanda, duas obras literárias, bilingues: Kikongo e Umbundu, com a chancela da Mayamba editora
Trata-se dos volumes, Um Canto ao
Meu Congo (Nkunga kwa Nsi’Ami Kongo) em Kikongo, traduzido pelo Académico
Manuel Alegria da Igreja Kimbanguista e A Senhora Sunflower e Outros Contos,
em Umbundu pela Deputada, Miraldina Jamba. O primeiro livro, Um Canto ao meu
Congo é um percurso ficcional sobre os diversos ciclos da História do Kongo
que vão desde a fundação à cristianização, decadência e busca do renascimento
cultural.
O livro transporta os leitores à mística do espaço
sócio-cultural Kongo, no qual o autor absorveu muito da sua cultura e história
Akongo, sem, no entanto, dela desviar-se. Já a segunda obra, A Senhora
Sunflower e Outros Contos, explora a cultura do povo Khoisan. A vida e obra
de um casal de pastores evangélicos, de nacionalidade inglesa, com o sobrenome
Sunflower, idos para um determinado ponto de Angola para exercerem a sua
profissão, de levarem a fé de Deus a estes povos.
Apesar das traduções estarem prontas e impressas, o
lançamento oficial encontra-se em espera. A decisão estratégica visa realizar
um lançamento conjunto com outra obra do autor, um livro ilustrado sobre a
História de Angola, que conta com o patrocínio da Sonangol e está em fase de
finalização.
Sem avançar a data para o lançamento, Fragata de Morais
detalhou o processo de tradução do volume A Senhora Sunflower e Outros
Contos para línguas nacionais (Kikongo e Umbundo), justificando o adiamento
estratégico do lançamento para coincidir com uma nova obra histórica.
O objectivo principal destas publicações, segundo o
escritor, é o desenvolvimento e a divulgação das línguas regionais, uma prática
que, no seu entender, deveria ser adoptada por mais escritores de diversas
origens provinciais (como Cokwe, o Oshikwanyama por aí fora), para valorizar a
identidade angolana. “Apelo os escritores de outras províncias do país a
publiquem nas suas línguas nativas para preservar a “angolanidade”, adiantou.
Reflexão sobre hábitos de leitura
O autor expressou a sua preocupação com a actual geração
de jovens, observando uma perda significativa do gosto pela leitura em favor do
uso excessivo de telemóveis e pesquisas rápidas no Google.
O escriba contrastou este cenário com a sua própria
formação literária, que evoluiu da leitura de Banda Desenhada (Tio Patinhas)
para clássicos de autores como Jorge Amado e Graciliano Ramos, lamentando que a
falta de leitura profunda e o desuso de dicionários estejam a comprometer a
formação cultural da juventude.
“A juventude hoje lê pouco, fica debruçada sobre o
telemóvel… Eu ganhei o gosto pela leitura lendo o Tio Patinhas. Hoje não têm
dicionário, fica complicado”, disse Fragata. Ainda no que às acções em torno da
literatura diz respeito, o escriba disse ter apresentado à Editora Mayamba
futuros projectos editoriais e uma reflexão crítica sobre o declínio dos
hábitos de leitura no seio da juventude angolana.
Confirmou ter entregado também à
referida editora um novo manuscrito focado na presença judaica em Angola ao
longo dos séculos. “Recordo-vos que as obras traduzidas estão finalizadas e
aguardam apenas a conclusão do livro histórico patrocinado pela Sonangol para
um lançamento simultâneo”, assegurou Fragata, acrescentando que se mantém
produtivo com novos temas históricos, não obstante reconhecer os desafios
comerciais impostos pelo actual cenário de baixos índices de leitura. Augusto
Nunes – Angola in “O País”
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