Um estudo internacional, liderado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), concluiu que a preferência das aves frugívoras por frutos raros desempenha um papel fundamental na manutenção da diversidade de plantas.
Com base em dados recolhidos de forma sistemática, ao
longo de 12 anos, numa floresta em Coimbra, investigadores das universidades de
Coimbra, Porto (Associação BIOPOLIS) e Córdoba (Argentina), analisaram de que
forma a composição nutricional e energética dos frutos e a densidade de outras
plantas influenciam as escolhas alimentares das aves e os serviços que estas
prestam na dispersão de sementes.
Os resultados, publicados na revista científica Current Biology, mostram que as
aves frugívoras preferem frutos raros, com características nutricionais mais
distintivas em relação à vizinhança. Os especialistas verificaram, ainda, que
as plantas beneficiam da proximidade de outras plantas com frutos, uma vez que
assim conseguem atrair mais aves dispersoras de sementes para a mesma área.
«Esta preferência que as aves têm para comer frutos raros
e dispersar as suas sementes mostram a importância das interações entre as
espécies para a diversidade das plantas», considera Guadalupe Peralta, primeira
autora do estudo e investigadora do Instituto Multidisciplinario de Biología
Vegetal, CONICET, da Universidad Nacional de Córdoba.
A investigação fornece a primeira evidência empírica de
que a tendência das aves para complementarem as suas dietas com nutrientes e
frutos raros é um mecanismo importante para favorecer a dispersão de sementes
das espécies localmente raras, contribuindo assim para a manutenção da
biodiversidade vegetal à escala regional.
«É extraordinário que o simples facto
de as aves tentarem diversificar a sua dieta, consumindo os frutos mais raros e
estranhos que encontram, ajude essas plantas a não serem eliminadas por outras
mais comuns e competitivas. Num certo sentido isto faz das aves as defensoras
dos fracos e oprimidos na natureza e zeladoras da biodiversidade», realça Ruben
Heleno, professor do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC e investigador
do CFE. Universidade de Coimbra - Portugal
Sem comentários:
Enviar um comentário