A cantora Élida Almeida acaba de lançar o seu mais novo álbum intitulado “Spedju”. E já está disponível no YouTube o seu novo single "Auto-Golu", um tema que aborda um relacionamento marcado pelo amor, pela cumplicidade e, sobretudo, pelo impacto destrutivo do orgulho
Numa nota enviada, a Harmonia relata
que o tema usa a metáfora do futebol para retratar como decisões impulsivas e
falhas emocionais acabam por prejudicar ambos os lados, transformando o amor
num jogo empatado, onde ninguém vence.
Com a sensibilidade e franqueza habitual, Elida Almeida
canta a dor de um afastamento construído por erros mútuos e silêncios,
refletindo sobre perdas que poderiam ter sido evitadas.
Em relação ao novo disco, Spedju, a mesma fonte
indica que afirma-se como um espelho íntimo e simbólico que reflete,
simultaneamente, a sua relação com a recente maternidade e o tempo de gestação,
não apenas de uma vida, mas também de uma obra artística.
“Enquanto gerava um filho, Elida Almeida gerava também
este disco, num processo paralelo de criação, transformação e revelação. O
espelho surge como companheiro real e metafórico, testemunha silenciosa das
mudanças do corpo, das inquietações do futuro, das incógnitas e dos receios
assumidos”, aponta.
Segundo a Harmonia, Spedju é um olhar profundo
para dentro, um atravessar dos reflexos no tempo, onde a artista se permite ver
e mostrar, sem filtros. “Nesse percurso, o tema “Dôdu” encoraja o
autoconhecimento livre de padrões e julgamentos, convidando ao exercício de ser
exatamente quem se é”.
O álbum é maioritariamente de autoria de Elida Almeida, à
exceção de “Kumbosa” (batuque) e “Baka Brabu” (funaná) a sua versão de um tema
que a transporta ao aconchego das memórias da infância, reafirmando a ligação
às raízes e à herança cultural.
A mesma fonte sublinha que, ao longo do disco, surgem
fragmentos súbitos da sua vivência pessoal e dos desafios da convivência. Em
particular, a relação entre pais e filhos ganha destaque no tema “Daddy”, que
evidencia a importância da presença masculina, a figura do pai na vida das
crianças, uma ausência sentida por Elida ao longo da sua própria história e
aqui assumida com clareza e emoção.
No tema “Funa Ku Nana” apresenta-se como um funakousque
exprime a origem do género funaná, evocando o percurso histórico marcado pela
escravatura que levou às composições de protesto que serviam de alento à dor
colectiva.
Já “Mentira” é um dueto há muito desejado, com Grace
Évora, desenha-se um retrato do quotidiano conjugal, num diálogo intenso entre
um casal, onde acusações mútuas revelam os desencontros e fragilidades da
relação.
Em “Nka Ta Pasa” celebra o espírito resiliente da mulher
cabo-verdiana, captando a energia vibrante dos mercados locais, palcos vivos de
encontros, dramas e acontecimentos diários que espelham a realidade social de
Cabo Verde.
"Uma vivência tem também uma raiz
profundamente pessoal, a mãe de Elida Almeida, foi vendedora em mercados, tendo
a artista crescido nesse ambiente pulsante, entre vozes, ritmos e histórias,
absorvendo desde cedo a força, a solidariedade e a luta quotidiana que hoje se
refletem na sua música", relata. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso
das Ilhas”
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