Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau - Organização Mundial da Saúde ressalta preocupação com teste de vacina contra hepatite B

Ensaio clínico do imunizante para recém-nascidos apresenta lacunas éticas e científicas preocupantes, a agência da ONU alerta que alguns bebés participantes não receberiam a vacinação, ficando expostos a riscos desnecessários. A nação de língua portuguesa suspendeu o estudo


A Organização Mundial da Saúde, OMS, soou um alerta sobre um ensaio clínico anunciado na Guiné-Bissau para testar a vacina de hepatite B em recém-nascidos.

A agência expressou “preocupações significativas” quanto à justificação científica do estudo, salvaguardas éticas e alinhamento geral com princípios estabelecidos para investigações envolvendo participantes humanos.

Exposição a riscos

A OMS destaca que o estudo inclui uma parte sem tratamento, o que pode expor recém-nascidos a danos graves e potencialmente irreversíveis, incluindo infeção crónica, cirrose e cancro de fígado.

A agência ressalta que ensaios de vacina com placebo ou sem tratamento são aceitáveis apenas quando não existe intervenção comprovada ou quando tal desenho é indispensável para responder a uma questão crítica de eficácia ou segurança.

Para a OMS, nenhuma das condições parece ser atendida, com base nas descrições públicas do estudo.

A vacina contra a hepatite B é geralmente recomendada para todos os recém-nascidos, preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida, ainda na maternidade, para prevenir a transmissão de mãe para filho e infeções crónicas.

O imunizante tem um histórico comprovado de segurança ao longo de décadas de uso e é eficaz na prevenção de 70%–95% dos casos de transmissão vertical.

Obrigações éticas

A agência da ONU declarou que restrições de recursos não podem ser usadas para justificar a retenção de cuidados comprovados num estudo de investigação envolvendo pessoas.

A OMS ressaltou que a Guiné-Bissau suspendeu o estudo e aguarda novas revisões técnicas. A agência afirmou que está pronta para apoiar a nação africana com estratégias de imunização, triagem pré-natal, treinos e logística.

As obrigações éticas exigem minimizar riscos e garantir uma perspetiva de benefício para os participantes. Segundo a OMS, o protocolo do estudo não parece garantir nem mesmo um nível mínimo de redução de danos, como triagem de gestantes e vacinação de recém-nascidos expostos à hepatite B.

A nota da OMS também enfatiza que o desenho do estudo traz um “risco substancial de viés, limitando a interpretação dos resultados e a sua relevância para políticas públicas”.

Proteção oportuna

A entidade também disse estar comprometida em trabalhar com autoridades nacionais, investigadores e parceiros para garantir que todos os recém-nascidos recebam proteção oportuna e baseada em evidências contra a hepatite B.

A doença causa centenas de milhares de mortes globalmente todos os anos. A transmissão ao nascer é a via mais comum para a infecção ao longo da vida. Cerca de 90% dos recém-nascidos infetados durante o parto tornam-se portadores crónicos com alto risco de cirrose e cancro de fígado.

Na Guiné-Bissau, estima-se que mais de 12% dos adultos vivam com hepatite B crónica, e a infeção em crianças com menos de cinco anos está muito acima da meta global. O país decidiu formalmente em 2024 adicionar a dose de nascimento para hepatite B no seu calendário nacional, com a introdução planeada para 2028. ONU News – Nações Unidas


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