Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Cabo Verde - Zul Alves lança segundo álbum intitulado “Txon” e enraizado na tradição musical do país

O álbum é composto por sete faixas, algumas das quais composições inéditas de Mário Lúcio, e surge cerca de quatro anos após o trabalho de estreia intitulado Buska


A cantora cabo-verdiana Zul Alves lançou a 1 de fevereiro o seu segundo álbum intitulado “Txon”, que é composto por sete faixas e conta temas inéditos de Mário Lúcio. O álbum enraizado na tradição musical cabo-verdiana já se encontra disponível em todas as plataformas digitais.

De acordo com o comunicado enviado ao Balai que cita a cantora, este álbum, que sucede Buska, representa a sua identidade musical no seu tempo, respeitando as raízes da música tradicional de Cabo Verde.

“Abro novos caminhos sonoros, exploro texturas e timbres, assumo o gueto, o bairro, o pouco que é muito. Por isso, optámos por um disco integralmente produzido no programa GarageBand, utilizando as ferramentas do quintal, da minha geração”, informa a fonte.

Para a cantora, “Txon” nasceu como “som, corpo e terra, uma travessia artística e sensorial, um mergulho profundo nas minhas origens e na ligação essencial entre o legado e o contemporâneo. “Txon é raiz, base e horizonte, é o ponto onde tudo desponta e para onde tudo retorna”.

“(…) é o txon onde caminho, tropeço e me levanto, onde canto, danço e a minha alma se liberta, com “Txon” senti o que é ser inteira”, e é isso que a artista quer transmitir ao mundo.

Através de composições inéditas de Mário Lúcio, Zul Alves apropria-se da palavra e da melodia com entrega e profundidade, transformando cada tema num espaço de expressão pessoal, onde memória, afeto e identidade se entrelaçam. O álbum nasceu do encontro e da convivência com o músico, pessoa pela qual a artista tem uma admiração e figura incontornável da cultura cabo-verdiana.

“Ele abriu-me o baú das suas composições inéditas. Cantar Mário Lúcio é, para mim, entrar num território de alma e memória, as suas canções têm chão e têm raiz, quando as interpreto, sinto-me parte desse térreo que fala através dele. O álbum ganha, assim, uma intensidade, uma autenticidade e uma unicidade próprias. Neste disco, interpretar é dar continuidade a um fio da história num gesto de gratidão e pertença” expressou a artista.

Este trabalho é composto por sete faixas nomeadamente, “Sem Nada”, “Sunyata” “Dos Mon de Dom”, “Mcorre Mka Pega” que conta com a participação de Mário Lúcio, “Prece”, “Sina de Sina” e “Reveillon Rebelion”.

A capa do trabalho é uma fotografia da artista grávida e como revela Zul nas redes sociais, quando produziu o álbum ainda não sabia que, “dentro de si, outra MELODIA se formava”.

“Quando a descobri, tudo fez sentido: o álbum já era um VENTRE fértil, criador, pleno. Tornou-se um manifesto de nascimento, um cântico à transformação e à continuidade”.

A artista avançou que cada tema é um reencontro com o seu próprio “Txon”, o lugar de onde veio, a terra interior e espiritual que sustenta quem a artista afirma ser, o barro, o simples, o primordial. “É reconhecer-me na herança viva da identidade cabo-verdiana, transformar emoção em som e devolver à terra a canção que dela nasceu”. Keila Rodrigues – Cabo Verde in “Balai Cabo Verde”



Sem comentários:

Enviar um comentário