Vamos
aprender português, cantando
A manhã desperta e eu vou
a correr para o espelho
vejo o meu reflexo, não me
reconheço, e a voz que eu odeio
maquilho-me, penteio-me,
um grito sem jeito
e o receio
de olharem pra mim, olha
aquela ali, de onde é que ela veio?
Um corpo em guerra, já não
se tolera a si mesmo
conto as calorias, como
quem decora segredos
suspiro pra dentro, afasto
o cesto, engulo a seco, até sabe a azedo, é um
desespero
É um desespero
Como se faz
pra se viver a vida um
pouco em paz
se sou capaz
de ignorar aquela voz que
não se cala
E se eu desaparecesse
no sopro deste vento
a culpa e o tormento
não voltam eu espero
aqui
Será que ainda sei ser
feliz
Se já nem vou jantar fora
no menu só leio “engorda”
e chega aquela hora
em que a balança chora
por mim
Porque é que não gostas de
ti?
Porque é que não gosto de
mim?
E pouco a pouco começo a
ceder ao desejo
restrinjo, tropeço, depois
recomeço é só o que vejo
e a dor que assalta,
devagar me mata,
não vejo mais nada, não
vejo mais nada,
não vejo mais nada, não
vejo mais nada
Como se faz
pra se viver a vida um
pouco em paz
se sou capaz
de ignorar a aquela voz
que não se cala
E se eu desaparecesse
no sopro deste vento
a culpa e o tormento
não voltam
eu espero
aqui
Será ainda sei ser feliz?
Se já nem vou jantar fora
no menu só leio engorda
e chega aquela hora
em que a balança chora
por mim
Porque é que não gostas de
ti?
Porque é que não gosto de
mim?
A vida não pode ser isto.
Não pode ser só acordar a
odiar o corpo.
Só contar o que se come,
ou medir o que se sente.
Não pode ser passar os
dias a pedir desculpa por existir. A tentar encaixar.
A viver com vergonha de
viver
a vida tem que ser mais
tem que ser o abraço de um
amigo,
a gargalhada no meio do
caos,
a música que nos faz
esquecer que estávamos tristes.
A vida tem que ser aquele
instante em que olhas ao espelho
e, mesmo com tudo, pensas:
hoje não me vou castigar!
tem que ser aprender a
ficar.
Ficar no corpo
ficar nos dias maus
ficar em ti.
Porque desistir pode
parecer fácil,
mas viver…
viver de verdade,
com compaixão
com amor próprio a crescer
devagarinho
é a única forma de
ganharmos esta guerra.
Tu mereces mais do que só
sobreviver.
A vida é mais do que isto.
E tu também
Carolina de Deus - Portugal
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