As tradições dos mascarados proporcionaram um encontro entre Portugal e a Guiné-Bissau num momento que junta os Caretos de Podence Património da Humanidade e o Kankuran, um símbolo cultural do povo guineense.
O encontro aconteceu, em Bissau, proporcionado pelo
Centro Cultural Português em Bissau, que convidou os Caretos de Podence, os
tradicionais mascarados de Trás-os-Montes, em Portugal, e o emblemático
Kankuran da Guiné-Bissau para “celebrar a cultura como ponte entre tradições”.
Trata-se, como explica o Centro Cultural Português, numa
nota enviada à Lusa, de aproximar “Portugal e a Guiné-Bissau através de duas
expressões culturais profundamente enraizadas nas suas tradições”.
“Vindos de contextos distintos, partilham algo essencial:
a força da máscara, do ritual, do movimento e da comunidade”, descreve,
destacando que partilham ainda “a capacidade de transformar a rua em palco, a
tradição em identidade viva, e a celebração em momento de pertença colectiva”.
A figura endiabrada, a máscara e o colorido das vestes é
comum aos Caretos de Podence, com os fatos de lã amarelos, verdes e vermelhos,
e ao Kankuran, com um fato todo vermelho, tradicionalmente feito de material de
uma árvore local.
A tradição dos caretos esteve praticamente extinta na
aldeia portuguesa de Podence, em Macedo de Caveleiros, que conseguiu nas
últimas décadas levar os tradicionais mascarados do Entrudo Chocalheiro, que
saem à rua pelo Carnaval, à categoria de Património da Humanidade.
O Kankuran é uma figura mítica da Guiné-Bissau associado
sobretudo às cerimónias do fanado (circuncisão) dos jovens homens, mas também à
protecção da floresta e ao combate a feitiçarias.
O Centro Cultural Português em Bissau deu a conhecer
melhor “estas duas expressões do património imaterial de Portugal e da
Guiné-Bissau” numa cerimónia no espaço Camões, no final de sexta-feira.
Além da actuação dos tradicionais mascarados, o momento
serve para a apresentação do livro Ser Careto - Caminhada Rumo à Unesco
de António Carneiro, o rosto dos Caretos de Podence, que tem acompanhado esta
caminhada nas últimas décadas.
António Carneiro disse à Lusa que esta deslocação a
Bissau “é um momento único e histórico” para os Caretos de Podence, que vieram
actuar pela primeira vez em África, no país irmão que é a Guiné-Bissau.
Depois da passagem por “dezenas de países”, da Europa à
Ásia, os Caretos de Podence estão na Guiné-Bissau a convite da Embaixada de
Portugal, imediatamente a seguir ao Entrudo Chocalheiro, que no último fim de
semana e até ao dia de Carnaval encheu com milhares de forasteiros nacionais e
estrangeiros as ruas da pequena aldeia transmontana com cerca de 200
habitantes.
O Carnaval de Podence ganhou novo impulso com a elevação
a Património Mundial da Unesco em 2019 e António Carneiro espera que possa ser
“uma inspiração” para outras tradições e símbolos culturais.
De Bissau, os Caretos de Podence
seguem para Itália e têm já agendadas novas apresentações além-fronteiras, em
Macau e nos Estados Unidos. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”
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